julho 16, 2005

A Doença como Caminho de Cura

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Conceitos de Saúde numa Visão Energética

A grande maioria das pessoas procura o consultório do profissional da área de saúde por não se sentir bem com aqueles sinais e/ou sintomas que estão apresentando há muito ou pouco tempo.

O mal-estar, a sensação do desconforto, a dor mobilizam o indivíduo a fazer algo para recuperar a harmonia, o bem-estar, o ficar curado; cura esta que, tanto para o terapeuta quanto para o cliente, seria não apresentar mais aqueles sinais ou sintomas de ordem física, mental ou emocional; isto significa, simplesmente, voltar ao estado anterior à doença: ficar assintomático.

De uma maneira geral, a saúde é encarada como se fosse um estado de não-doença, de não mal-estar ou dor, quando o indivíduo pode continuar a levar a sua vida sem grandes alterações ou questionamentos. É muito mais fácil tomar um medicamento para aliviar uma dor de cabeça, do que compreender a mensagem que o organismo está sinalizando. Somos muito imediatistas, tratamos apenas das aparências, não buscamos a origem ou as causas de nossas doenças.

Será que saúde é algo estático? É simplesmente não apresentar qualquer sintoma? Se o homem fosse uma máquina e todas as suas engrenagens funcionassem perfeitamente, independente de fatores externos ou internos, provavelmente, a resposta a essas perguntas seria sim. Se assim fosse, uma mesma doença apresentaria sempre os mesmos sinais e sintomas, o tratamento seria sempre o mesmo, independente do indivíduo, e, rapidamente, teríamos o restabelecimento das funções normais.

Como podemos analisar saúde-doença, essas duas polaridades, numa perspectiva energética?

O universo, segundo a visão da medicina chinesa, encontra-se em um estado de equilíbrio dinâmico, com todos os seus elementos oscilando entre duas forças opostas, interdependentes e complementares, conhecidas como yin e yang. Dentro dessa abordagem, o corpo humano é um microcosmo do universo, uma célula é um microcosmo do organismo, portanto, funcionam
segundo o mesmo princípio.

No jogo das forças, o yin só existe porque existe o yang e vice-versa; dentro do aspecto yin encontram-se aspectos yang e não há como ver um sem o outro. Melhor dizen-do, não existe nada absoluto, nada que não esteja em interação - em troca. O bom exemplo disso se refere ao fato de que, embora o homem demonstre a força yang e a mulher a yin, ambos apresentam correspondentemente seus aspectos femininos e masculinos.

O corpo humano possui uma inteligência fisiológica cuja função básica é manter a homeostase do organismo diante de todos os estímulos do mundo exterior e interior. O equilíbrio é conseguido através da livre circulação de energia no organismo, assim como através das trocas contínuas entre o corpo e o meio ambiente. Esse fluxo contínuo de energia nos mantém vivos. Quando a circulação de energia não ocorre de uma maneira adequada surgem as doenças.

Nosso corpo vai sinalizando, com muita antecedência, o desequilíbrio através de pequenas alterações funcionais sem substrato físico; isto é, não há nada a nível orgânico que justifique aqueles sinais ou sintomas. Com a não valorização desses sinais e a manuntenção do mesmo padrão de vida, as
alterações físico-químicas vão-se cronificando, se solidificando até atingirem o segmento físico; a doença passa a se expressar em algum tecido, órgão ou víscera, acompanhada de padrões mentais e emocionais bem determinados.


Saúde e doença são aspectos de um mesmo movimento. Através do desequilíbrio atingimos novo equilíbrio, uma nova freqüência, um novo patamar energético. No período de transição para esse novo padrão, vivencia-se a doença. Ela não é considerada como algo estranho mas, sim, a conseqüência de um conjunto de fatores que culminam em desarmonia e desequilíbrio.

É através da doença que alcançamos saúde. Verifica-se, com uma certa freqüência, em pacientes com doenças graves ou terminais, relatos acerca de
estarem vivendo melhor ou mais saudavelmente, a partir do momento em que se conscientizaram de sua doença.

Para vivermos em harmonia, precisamos ter flexibilidade e disposição para um grande número de opções de interação para com o meio ambiente. Sem flexibilidade não há equilíbrio. Períodos de saúde precária são estágios naturais na interação contínua entre o indivíduo e o meio onde ele está inserido. Estar em desequilíbrio significa passar por fases temporárias de doença, nas quais se pode aprender a crescer.

A doença é uma oportunidade para a introspecção, de modo que o problema original e as razões para a escolha de uma certa via de fuga possam ser levadas a um nível consciente onde o problema possa ser resolvido.

A função básica do terapeuta está em espelhar a verdade para o paciente, ajudá-lo a desenvolver uma consciência do processo de vida e dos mecanismos (obstáculos e ilusões) que se criam para gerar a doença; e, também, poder ajudá-lo a entrar em sintonia com seus próprios recursos de cura, possibilitando o resgate da auto-estima, da aceitação e do perdão.

Como diz a música de Milton Nascimento e Fernando Brandt, "o que importa é ouvir a voz que vem do coração", curar-se é abrir o canal de comunicação, é fazer-se entrar em contato com a própria essência, é despertar para a capacidade de ser, estar, criar e descriar, sonhar e realizar. Essa auto-descoberta é o caminho da auto-cura, que nada mais é do que resgatar o amor próprio.

trecho extraído de: arte cura
A Doença como Caminho de Cura
Humbertho Oliveira, Mauricio Tatar, Susana Hertelendy e Vania Didier
Trabalho apresentado no II Congresso Brasileiro de Psico-Oncologia, em 28 de abril de 1996, em Salvador, Bahia, Brasil

[Imagem: Monet, "Water Lilies"]

Posted by Lilia at julho 16, 2005 08:03 PM
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