julho 18, 2005

Fazer o bem

fazerobem-Keith-Mallet-Caress.jpg Generosidade aumenta expectativa de vida e pessoas egocêntricas correm o risco de morrer mais cedo

A longevidade está ao alcance das mãos. Ajudar em instituições, oferecer favores em casa, dar suporte emocional aos amigos, mostrar-se disponível para uma conversa, são algumas das atitudes que motivam e prolongam a vida, atestam estudiosos.

O geriatra da Unifesp João Toniolo Neto é um dos defensores da tese. Segundo ele, a pessoa generosa possui uma boa condição física e um quadro psicológico favorável, já que, quando auxilia o próximo, exercita a saúde mental.

É uma forma de dar sentido à própria existência, acrescenta a psicanalista Susan Guggenheim, da Universidade Aberta da Terceira Idade (Unati) da Uerj. "A capacidade de ser generoso faz com que o indivíduo disponibilize ao outro seus sentimentos internos positivos. Desta forma, cria e fortalece os vínculos pessoais afetivos, o que aumenta o desejo de viver", ressalta.

Segundo Susan, idosos que desempenham atividades voluntárias são mais alegres, têm mais disposição e melhor qualidade de vida. "A troca é muito positiva. O indivíduo ligado a uma instituição, por exemplo, sabe o quanto é útil e isso é benéfico", aponta.

Ter projetos e planos para o futuro também oferecem a motivação para a vida. "Indivíduos com um bom intelecto e uma boa condição física tendem a viver mais. Por outro lado, aqueles com problemas corporais e depressivos possuem uma maior tendência à morte", afirma João Toniolo.

Uma pesquisa realizada na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, traduz a questão em números. Depois de observar o comportamento e a saúde de 423 idosos ao longo de 15 anos, os cientistas concluiram que pessoas empenhadas em ajudar o próximo reduzem em 60% o risco de morte.

A pesquisa americana mostrou, também, que o egocentrismo teria o efeito contrário, ou seja, pessoas muito centradas em si mesmas, seriam duas vezes mais propensas a morrer mais cedo. "Esses resultados sugerem que não é o que conseguimos das relações que nos trazem benefícios, mas sim o que nós oferecemos ao outro", concluiu a psicóloga Stephanie Brow, coordenadora do trabalho.

Fonte: Faculdade dos Guararapes
[Imagem: Keith Mallet, "Caress"]

Posted by Lilia at julho 18, 2005 03:46 PM
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