setembro 25, 2005

O que faz você feliz?

Adília Belotti

oquefazvocefeliz-Kandinsky-HarmonieTranquille.jpg O que é que torna a vida excelente? Por que algumas pessoas parecem extrair o máximo de suas vidas e outras, ao contrário, vão se arrastando, capengas, pelo caminho?

A palavra-mágica é “fluxo”, diria o especialista Mihaly Csikszentmihalyi (experimente pronunciar mais ou menos assim: mi-há-i chic-sent-mi-há-i), autor de vários livros, incluindo meu favorito: A Descoberta do fluxo, psicologia do envolvimento com a vida cotidiana.

Certo, você ficou confusa. Fluxo? Sim, fluxo. Usos novos para velhas palavras....Para o professor Mihaly, fluxo seria aquilo que os alpinistas sentem pendurados a meio caminho do topo da motanha, por exemplo, quando viver é apenas o movimento, o vento e a vertigem do abismo... Fluxo é o que os corredores experimentam ao longo do percurso, quando só existe o caminho e você é uma parte da trajetória... E é, talvez a resposta mais moderna para os antigos ensinamentos dos mestres zen: “Quando andar, apenas ande; quando descansar, apenas descanse; quando falar, apenas fale; isso é meditação...”

Mergulhe no fluxo, mergulhe no fluxo...
Fluxo é aquela sensação de viver sem esforço e de existir em harmonia. O contrário de fluxo são aqueles momentos irritantes em que você está fazendo alguma coisa, desejando outra e pensando em uma terceira...algo como ir ao supermercado, sem vondade, porque você gostaria de estar, digamos, nadando, e ficar o tempo todo pensando no relatório que você precisa entregar... ufa! Então, fluxo é o oposto deste estado estressante e até perigoso, mistura de inconsciência com uma extraordinária agitação interna. Em estado de fluxo você consegue harmonizar sentimento, desejo e pensamento, tudo fluindo para este agora, este já grávido de sentido!

O que faz você feliz?
Felicidade é permanecer neste estado pelo maior tempo possível porque esta extraordinária sensação de bem-estar produz reflexos não só na nossa alma, mas também no nosso corpo. “Fluxo é uma condição de grande concentração, produtividade e felicidade que todos nós, intuitivamente entendemos e desejamos”, diz nosso superpsicólogo de 71 anos, nascido na Itália e cuja paixão, além dos seres humanos, é o alpinismo.
E ele continua: “A felicidade é o protótipo das emoções positivas. Como disseram muitos pensadores desde Aristóteles, tudo o que fazemos tem como meta final experimentar a felicidade. Nâo queremos realmente a riqueza, ou saúde, ou a fama por si sós – queremos estas coisas porque esperamos que elas nos tornem felizes”. A idéia de fluxo nasceu justamente para tentar responder à pergunta: se o que mais desejamos é a felicidade, o que sabemos realmente sobre ela? Sabemos que nestes momentos excepcionais estamos mais perto da felicidade do que quando sonhamos com ela. E, graças aos estudos do mestre Mihaly, que hoje dirige o Centro de Pesquisas em Qualidade de Vida na Drucker School Of Management, na Califórnia, podemos aprender a identificar estes momentos preciosos...

- Não fuja dos desafios. Para mergulhar no fluxo você precisa estar envolvido em uma atividade que represente um desafio, algo que obrigue você a flutuar nas fronteiras da sua capacidade. Já deduziu, não é? Pouquíssimas pessoas relatam experiências de fluxo vendo TV, por exemplo.
- Mas fuja correndo da ansiedade e da apatia. Cuidado: metas absurdas não tem nada a ver com o fluxo, ao contrário, se o desafio for maior do que sua capacidade, por exemplo, você vai só se frustrar e adeus fluxo! Enganar o fluxo com atividades fáceis demais também não vale: você fica tão relaxada, tão relaxada que ...mergulha no tédio ou na apatia. “Um dia típico é cheio de ansiedade e tédio. As experiências de fluxo oferecem lampejos de vida intensa, contra esse fundo medíocre”, avalia o professor. Tente imaginar em que momento do seu dia, você se sente assim?
- Qual é a sua paixão? Não dá para mergulhar inteiramente naquilo que está fazendo sem prazer. E aqui o prazer não nasce da vitória ou da realização. Ele nasce da própria experiência. Quando estamos em fluxo o tempo é eterno...Que tipo de coisa faz você perder a noção do tempo?
- Tenha um objetivo. Se você não sabe o que quer ou onde quer chegar, dificilmente vai conseguir mergulhar no fluxo. Praticamente qualquer atividade pode favorecer este estado: jogar xadrez, tocar ou ouvir música, mexer no jardim, cozinhar, escrever e, claro, pintar um quadro, fazer uma cirurgia, ....Mas ter uma meta clara e definida é fundamental para o seu mergulho. Escolheu sua atividade favorita? Observe se ela não se encaixa nesta regrinha...
- Ansiedade e incerteza são grandes inimigas do fluxo. Por isso o fluxo existe quando o feedback é imediato. Você sabe se a nota da música está errada, ou se a bola de tênis caiu na rede. Para estar completamente envolvida numa ação, você não pode ficar aflita pensando em qual deveria ser o resultado. Ganhando ou perdendo, acertando ou errando, o fluxo acontece quando você está inteiro na ação que realiza. Importante é competir? Sim, diria entusiasmado o professor. Mais ainda, importante é o mergulho, surfar na vida... quer coisa mais zen?

Fonte: Delas
[Imagem: Kandinsky, "Harmonie Tranquille"]

Posted by Lilia at 09:24 AM | Comments (2)

setembro 20, 2005

Gratidão traz saúde emocional e bem-estar

Emilce Shrividya

gratidaotrazsaude-Peticov-Gratitude.jpg A gratidão é uma virtude que precisa ser cultivada e desenvolvida continuamente. Precisa se tornar um hábito diário. Muitas vezes não nos lembramos de agradecer e apenas reclamamos.

Em vez de se lastimar mude essa atitude de vítima para uma atitude positiva, agradecendo desde que abre os olhos de manhã até a hora de dormir. Ao fazer isso você abre seu coração, abre seu entendimento para descobrir quantas bênçãos pequenas e grandes você recebe a cada dia. Desse modo você passa a perceber as bênçãos "invisíveis" que nem tinha notado. Passa a sentir como foi protegido, amparado, ajudado tantas e tantas vezes.

O sentimento de gratidão nos liberta da preocupação e nos acalma. Ao agradecer nosso coração descansa, nossa mente se aquieta, relaxamos mais, dormimos melhor e ficamos livres de tantas tensões da vida moderna.

A gratidão cura as doenças psicossomáticas e crônicas. Cura as dores da alma como a depressão, a tristeza, a solidão, melancolia, a baixa-estima, insônia e ansiedade.

Lembre-se sempre de demonstrar sua sincera gratidão a todos que o ajudam. Expressar gratidão é uma força poderosa; é um atributo natural da mente voltada para a prosperidade.

Ao desenvolver esse hábito de agradecer você aciona a energia curativa do universo e muda as circunstâncias e o ambiente ao seu redor.

É importante recordar-se de agradecer. Existem maneiras concretas de nos ajudar a lembrar de agradecer, como escrever bilhetinhos e espalhá-los onde possamos ler para lembrar de agradecer ou escrever um diário contemplando as graças recebidas.

E mentalmente, repita, várias vezes ao dia: Obrigado, obrigado, obrigado Deus. Experimente isto e sinta como você fica mais calmo, completo e feliz.

Sinta também como a prática da meditação e o relaxamento naturalmente tornam o coração agradecido, porque purificam os padrões mentais, limpam a mente das emoções e sentimentos negativos que lhe impediam de sentir gratidão.

Torne-se sensível às belezas da natureza. Desperte sua percepção para observar mais a beleza do mar, das montanhas, da vegetação, das flores, frutos e árvores, dos rios e cachoeiras. Deleite-se com o canto dos pássaros. Sinta carinho e respeito pelos animais. Agradeça a Deus pelo seu universo tão pleno de maravilhas.

Sinta um agradecimento profundo pelo nosso planeta, nossa querida Terra, que tudo nos dá sem nada pedir em troca. Faça isso de maneira concreta, cuidando do meio ambiente à sua volta, ajudando a não poluir, preservando a natureza, reciclando o lixo.

É necessária muita conscientização sobre como cuidar e respeitar o nosso planeta. Se cada um de nós fizer a sua parte, por menor que seja, estaremos cumprimos nosso dharma (espécie de missão do bem), nosso dever e ajudando nossa amada Mãe Terra.

Quando nos despertamos interiormente para o sentimento tão nobre da gratidão, começamos a sentir gratidão por tudo, pelo ar que respiramos, por estarmos andando, vendo, ouvindo, falando e pelo simples fato de estarmos vivos.

Passamos a dar mais valor a vida e a essa oportunidade, essa dádiva de ter nascido na Terra para aprender e evoluir espiritualmente. Ao compreender isso, nos libertamos do sentimento de revolta, da não-aceitação.

Os mestres sábios nos ensinam a agradecer tanto as coisas boas como as coisas ruins, compreendendo que tudo acontece para melhor e que tudo segue um plano divino. Deus quer que extraiamos lições das dificuldades que são como esmeris nos purificando e desenvolvendo as virtudes em nosso interior.

Em vez de só reclamar e se focar nos defeitos e faltas, podemos ver o lado positivo. Quando não somos gratos, não somos capazes de sentir felicidade, porque ficamos focados no que não tivemos, no que não temos e achamos que nunca temos o suficiente.

Através do conhecimento e da prática da filosofia do yoga rompemos a união com a dor, ficamos livres da ignorância e do sofrimento. Aprendemos o caminho que vai nos libertando da dor dos desejos, da ansiedade, dos apegos e aversões, da raiva, da irritação e descontentamento.

Ao conquistar a virtude de ter um coração agradecido, você respeita a todos e ao mesmo tempo não perde seu discernimento. É o antídoto para o orgulho.

Através da gratidão você sintoniza com mais bênçãos divinas e atrai a boa sorte.
Gurumayi uma vez disse: "Quando nos tornamos gratos, recebemos mais. Quando expressamos nossa gratidão, recebemos ainda mais. Esta a lei da natureza".

Cultive a gratidão. Sintonize com as vibrações puras de Deus através do agradecimento profundo e sincero e muitos de seus problemas e carmas são diminuídos e você recebe mais e mais graças divinas.

Vivencie isto agora. Feche os olhos. Respire tranqüilamente. Deixe que o ar entre e saia naturalmente.
E conte suas bênçãos. Lembre-se de tanto que há para agradecer.
Agradeça a Deus, a fonte divina de onde recebemos tudo.
Agradeça a vida.
Agradeça ao seu corpo e sua mente.
Agradeça a seus pais, filhos, parentes, amigos, a todas as pessoas e acontecimentos.
Lembre-se de todas as coisas boas de sua vida.
Permita que a gratidão dissolva seu cansaço, tristeza e karmas.
Permita que seu coração se torne suave e doce através da gratidão e experimente entusiasmo e tranqüilidade. Om Shantih. Fique em paz.

Notas bibliográficas:
Chidvilasananda, Gurumayi- Entusiasmo- Ed. Siddha Yoga Dham Brasil.
Fonte: Vya Estelar
[Imagem: Peticov, "Gratitude"]

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setembro 16, 2005

DEPOIS DE ALGUM TEMPO

William Shakespeare

depoisdealgumtempo-ClaudeMonet-Nympheas.jpg Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar a alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.
E começa aprender que beijos não são contratos, e que presentes não são promessas.
E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e os olhos adiante, com graça de um adulto e não a tristeza de uma criança.
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair meio em vão.
Depois de algum tempo, você aprende que o sol queima, se ficar a ele exposto por muito tempo.
E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam...
E aceita que, não importam quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo (a) de vez em quando, e você precisa perdoa-la por isso.

Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que leva-se anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá para o resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer, mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos, se compreendermos que os amigos mudam. Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com que você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso, devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.

Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm muita influência sobre nós, mas que nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que você pode ser.
Descobre que leva muito tempo para se chegar aonde está indo, mas que, se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve.
Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.

Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências.
Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes, a pessoa que você espera que o chute, quando você cai, é uma das poucas pessoas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que a maturidade tem mais a ver com tipos de experiências que se teve e o que se aprendeu com elas, do que com quantos aniversários você celebrou.
Aprende que há mais de seus pais em você do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes, e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva, tem direito de estar com raiva, mas isso não lhe dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama mais do jeito que você quer não significa que esse alguém não o ame com todas as forças, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, e que algumas vezes, você tem que aprender a perdoar a si mesmo.
E que, com a mesma severidade com que julga, será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára, para que você junte seus cacos.
Aprende que o tempo não é algo que se possa voltar para trás.
Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende realmente que pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir mais longe, depois de pensar que não pode mais. E que realmente a vida tem valor diante da vida.

Fonte: Cuidar do Ser
[Imagem: Claude Monet, "Nympheas"]

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setembro 13, 2005

Você pode se enganar com a meditação

OSHO

vocepodeseenganar-huna_detail.jpg Se o interesse for realmente profundo, ela se torna um fogo por si mesmo. Ela o transforma. Apenas através do intenso interesse, você começa a se tornar diferente. Um novo centro de ser aflora. Tantas pessoas parecem estar interessadas mas nada de novo surge nelas, não nasce nenhum centro, nenhuma cristalização é obtida. Elas permanecem as mesmas.

Isso significa que elas estão se enganando. O engano é muito sutil mas obrigatoriamente está aí. Se você continua tomando remédio, fazendo tratamento e a doença permanece a mesma - e bem ao contrário, continua aumentando - então, o seu remédio, o seu tratamento tem de ser falso. Talvez lá no fundo você não queira ser transformado. Esse medo é muito real - o medo da transformação. Então, na superfície, você continua achando que está profundamente interessado mas, no fundo, continua se enganando.

O medo da transformação é exatamente como o medo da morte. É uma morte porque o velho terá que ir embora e o novo terá de vir. Você não estará mais aí, alguma coisa totalmente desconhecida de você nascerá a partir de você. A menos que esteja pronto para morrer, o seu interesse na meditação é falso porque somente aqueles que estão prontos para morrer irão renascer. O novo não pode ser uma continuidade com o velho. O velho tem de ser descontinuado. O velho tem de ir embora. Somente então o novo pode vir a ser. O novo não é um crescimento a partir do velho, o novo não é contínuo com ele - o novo é totalmente novo. E ele vem apenas quando o velho morre. Existe uma brecha entre o velho e o novo - esta brecha lhe dá medo. Você está com medo. Você quer ser transformado mas, ao mesmo tempo, quer permanecer o velho. Esse é o engano. Você quer crescer mas você quer permanecer sendo você. Assim o crescimento é impossível; assim você pode apenas se enganar; assim você pode continuar pensando e sonhando que alguma coisa está acontecendo mas nada vai acontecer porque o ponto básico se perdeu.

Então existem muitas pessoas em todo o mundo que estão muito interessadas em meditação, moksha, nirvana, e nada está acontecendo. Existe tanto barulho sobre isso mas nada real está acontecendo. Qual é o problema?

Às vezes a mente é tão esperta que, porque você não quer ser transformado, a mente cria um interesse superficial para que você possa dizer para si mesmo, "Você está interessado, você está fazendo tudo que pode ser feito." E você permanece o mesmo. E se nada acontece, você acha que a técnica que está usando é errada, o guru que está seguindo está errado, a escritura, o princípio, o método, está errado. Você nunca acha que, mesmo com o método errado, a transformação é possível se existir interesse real; mesmo com um método errado, você será transformado. Se estiver realmente interessado em transformação, você se tornará diferente mesmo se estiver seguindo um guru errado. Se a sua alma e o seu coração estiverem no seu esforço, ninguém pode desorientá-lo exceto você mesmo. E nada é uma barreira para o seu progresso exceto os seus próprios enganos.

Quando digo que mesmo um mestre errado, um método errado, um princípio errado, podem levá-lo ao real, quero dizer que a transformação de verdade acontece quando você está intensamente envolvido nela, não através de qualquer método. O método é apenas um artifício, o método é apenas uma ajuda, o método é secundário - o seu ser envolvido nele é a coisa fundamental. Mas você continua a fazer alguma coisa - sem mesmo fazer, você continua a falar sobre fazer. E as palavras criam uma ilusão: porque você pensa tanto a respeito disso, lê tanto sobre isso, escuta tanto sobre isso que começa a sentir que está fazendo algo. As assim chamadas pessoas religiosas desenvolveram tantos artifícios enganosos.

Ouvi falar que um motorista, dirigindo por uma estrada, viu o prédio de uma escola em chamas. O professor desta pequena escola naquela cidadezinha era Mulla Nasrudin. Ele estava sentado embaixo de uma árvore. O motorista o chamou, "O que você está fazendo aí? A escola está pegando fogo!" Mulla Nasrudin disse, "Eu sei disso." O motorista ficou muito agitado. Ele disse, "Então por que você não está fazendo nada?" Mulla Nasrudin disse, "Desde que começou tenho rezado para chover. Estou fazendo algo."

A oração é um truque para evitar a meditação e a assim chamada mente religiosa desenvolveu muitos tipos de oração. A oração também pode se tornar meditação - quando não é apenas uma oração, quando é um profundo esforço, um profundo envolvimento. A oração também pode se tornar meditação, mas a oração comum é apenas uma fuga. Para evitar a meditação, as pessoas continuam orando. Elas oram para evitar fazer qualquer coisa. Oração significa que Deus deve fazer alguma coisa. Alguém mais tem de fazer. Oração significa que somos passivos - algo deve ser feito para nós. Meditação não é oração nesse sentido: meditação é algo que você faz para si mesmo. E quando você é transformado, todo o universo se comporta de maneira diferente para você porque o universo não é nada mais do que uma resposta para você, seja lá o que você for. Se você estiver silencioso, todo o universo responde ao seu silêncio de milhares e milhares de maneiras. Ele o reflete. O seu silêncio é multiplicado infinitamente. Se você estiver esfuziante, todo o universo reflete a sua felicidade. Se estiver em miséria, o mesmo acontece. A matemática é a mesma, a lei permanece a mesma: o universo continua multiplicando a sua miséria. A oração não vai funcionar. Somente a meditação pode ajudar porque a meditação é algo a ser feito autenticamente por você, é um fazer da sua parte.

Então a primeira coisa que eu gostaria de lhe dizer é para você estar constantemente alerta de que não está se iludindo. Você pode estar fazendo algo e ainda assim se iludindo.

Ouvi dizer que, certa vez, Mulla Nasrudin veio correndo a uma agência de correio, pegou o carteiro pela lapela, chacoalhou-o e disse: "Estou doido. Minha esposa desapareceu!" O carteiro sentiu muito e disse, "É mesmo? Ela desapareceu!? Infelizmente isso aqui é um departamento dos correios - você tem de ir à polícia para informar o desaparecimento dela." Mulla Nasrudin sacudiu a cabeça negativamente e disse, "Não vou cair nessa de novo. Antes, a minha esposa também desapareceu e quando informei à polícia, eles a encontraram. Não vou cair nessa novamente. Se você puder fazer o relatório, faça-o, do contrário, estou indo embora."

Ele quer dar a informação para se sentir bem, para sentir que fez o que poderia ter sido feito. Mas ele não quer informar a polícia porque tem medo.

Você continua a fazer coisas apenas para se sentir bem, apenas para sentir que está fazendo algo. Mas na verdade, você não está pronto para ser transformado. Assim, tudo o que você faz apenas se passa como atividade inútil - não apenas inútil, danosa também, porque é uma perda de tempo, energia e oportunidade. Estas técnicas de meditação são apenas para aqueles que estão prontos para fazer. Você pode ponderar a respeito delas filosoficamente - isso não quer dizer nada. Mas se você estiver realmente pronto para fazer, então alguma coisa começará a acontecer a você. Elas são métodos vivos, não doutrinas mortas. O seu intelecto não é necessário; a totalidade do seu ser é necessária. Se você estiver pronto para dar uma chance, qualquer método funcionará. Você se tornará um novo homem.

Os métodos são artifícios, repito de novo. Se você estiver pronto, então qualquer método pode funcionar. Eles são apenas truques para ajudá-lo a dar o salto, eles são apenas trampolins. Você pode pular no oceano a partir de qualquer trampolim. Os trampolins são insignificantes: que cores eles têm, de que madeira são feitos, isso é insignificante. Eles são apenas trampolins e você pode pular a partir deles. Todos estes métodos são trampolins. Seja qual for o método de sua preferência, não fique pensando sobre ele, faça-o!

As dificuldades surgirão quando começar a fazer alguma coisa - se você não fizer nada, não haverá dificuldade. Pensar é muito fácil de fazer porque você não está viajando de verdade, mas quando começa a fazer algo, as dificuldades surgem. Assim, se você vir que as dificuldades estão surgindo, pode sentir que está na trilha certa - algo está acontecendo a você. Então, antigas barreiras irão se quebrar, hábitos antigos se vão, haverá mudança, haverá perturbação e caos. Toda a criatividade vem a partir do caos. Você será criado novamente somente se tudo o que você for se tornar caótico. Então, estes métodos o destruirão primeiro, somente então um novo ser será criado. Se existirem dificuldades, sinta-se afortunado - isso mostra crescimento. Nenhum crescimento é macio... e o crescimento espiritual não pode ser macio, essa não é a sua natureza. Porque crescimento espiritual quer dizer crescer para cima, crescimento espiritual quer dizer alcançar o desconhecido, alcançar o não mapeado. Dificuldades existirão. Mas lembre-se de que com cada dificuldade passada, você é cristalizado. Você se torna mais sólido. Você se torna mais real. Pela primeira vez, sentirá alguma coisa centrando em você, alguma coisa se tornando sólida.

Como você é agora, você é apenas um fenômeno líquido, mudando a cada momento, nada estável. Realmente você não pode proclamar nenhum "eu" - você não tem um. Você é muitos "eus" apenas num fluxo, um fluxo como o de um rio. Você é uma multidão, não um indivíduo ainda. Mas a meditação pode torná-lo um indivíduo. Essa palavra, "indivíduo," é bela: ela significa indivisível. Agora como você é, você é dividido. Você é apenas muitos fragmentos reunidos de alguma forma, sem nenhum centro presente aí, sem qualquer mestre na casa, somente os serventes. E, por um momento, qualquer servente pode se tornar o mestre.

Você é diferente a cada momento porque você não é - e, a menos que você seja, o divino não pode acontecer a você. A quem ele vai acontecer? Você não está aí. As pessoas vêm a mim e dizem: "Gostaríamos de ver Deus." Eu pergunto a elas, "Quem vai ver? Você não está aí. Deus está sempre aí mas você não está aí para ver. É apenas um pensamento fugidio de que você quer ver Deus." No momento seguinte, elas não estão interessadas; no momento seguinte, elas se esqueceram de tudo sobre isso. Um esforço intenso e persistente e um anseio são necessários. Então qualquer método vai funcionar.

OSHO, Vygian Bhairav Tantra"
Fonte: Universo de Luz
[Imagem: Peter Eglington, detalhe da mandala "Huna"

Posted by Lilia at 03:39 PM | Comments (1)

AMOR: ENERGIA UNIVERSAL

Pierre Weil

amorenergauniversao-RomeroBritto-PolkaLove.jpg O que a nossa humanidade mais precisa é despertar o Amor em todos os corações. Dilacerada pela violência, ela chegou perto do fundo do poço. E deste lugar, só lhe resta uma alternativa, é olhar para cima, em direção ao sol, à Luz da Sabedoria e ao calor do Amor.

O Amor do coração foi progressivamente abafado por quatro mil anos de dominação dos homens, que limitaram a participação das mulheres à família e ao lar. Resultou disto uma repressão dos valores femininos no Homem, e com eles o próprio Amor. A nossa cultura masculinista esta na raiz do desenvolvimento extremo das qualidades intelectuais mais particularmente da razão, que leva ao domínio absoluto da ciência e da tecnologia, e limita a educação ao puro intelecto. Os valores do coração e do espírito são desprezados e relegados à religião. Resulta disto um racha entre razão e coração. E chegamos aos extremos das aplicações frias da ciência através da tecnologia, à fabricação descontrolada de armas e ao seu uso na matança de seres indefesos no terrorismo ilegal e nas guerras legais, tanto faz. As empresas usam as tecnologias tanto a serviço de valores construtivos ou destrutivos desde que se obtenha o devido lucro.

O advento do movimento feminista levou as mulheres à saírem do seu lar para trabalhar fora. Isto faz com que, progressivamente, os valores afetivos penetram na empresa e no trabalho humano em geral. A preocupação masculina exclusiva pela efetividade, vem se integrar harmoniosamente o valor feminino da afetividade. A exclusividade de focalização empresarial pela produção, está se acrescentando um interesse cada vez maior pelas pessoas, isto é pela qualidade de vida de cada funcionário. É de esperar também que com o ingresso de mulheres na política, o Amor e a preocupação pelo ser humano tornem se cada vez mais central na gestão das sociedades O futuro desta gestão se acha num reencontro do masculino e do feminino em cada um de nos.

Tirar o amor da vida humana é ameaçar a própria vida no nosso Planeta. Pois a destruição ecológica é o resultado da falta de amor à Natureza, que leva o ser humano a um suicídio progressivo, o qual já começou.

O Amor é a força que sedimenta todos os conjuntos. A energia que liga entre elas as partículas do átomo é Amor, garantindo assim a existência da matéria.
O Amor é a energia que une as células formando os tecidos das plantas, dos animais e do nosso corpo.
O amor é a força que atrai os dois sexos garantindo a continuidade de todas as espécies, vegetal, animal e humana.
O Amor estimula a nossa criatividade insuflando o nosso entusiasmo pela vida e inspirando a nossa alma poética.
O Amor é o fator que proporciona a ternura dos casais e amizade entre pessoas.
O Amor é a liga das estrelas formando o Universo.

Onde há Amor é impossível a violência, o terrorismo e as guerras. Despertemos a todo instante o amor no nosso coração para todos os seres viventes. É a melhor contribuição que podemos dar para a nossa humanidade sair do atoleiro em que está enleada!

Fonte: Pierre Weil

Posted by Lilia at 01:33 PM | Comments (0)

Meditação não é o que voce pensa

Yuri Vasconcelos

Meditation.jpg Quando se fala em meditação, a gente logo pensa em alguém sentado de pernas cruzadas sobre uma almofada no chão, com a coluna ereta, as mãos apoiadas sobre os joelhos, os olhos cerrados, a boca levemente aberta e um silêncio sepulcral dominando o ambiente. De fato, essa é uma maneira clássica de meditar, mas não a única. Existem várias técnicas para mergulhar nesse estado de introspeção. Dá para meditar de olhos abertos, ouvindo música, andando ou durante tarefas cotidianas como passar a roupa, cozinhar e tomar banho. Sim, porque meditação não é uma ação, e sim um estado de espírito. "Meditação é a qualidade de estar consciente e alerta. O que quer que você faça com consciência é meditação. A ação não é a questão, mas a qualidade que você traz para a ação", afirma em um de seus livros o líder espiritual indiano Mohan Chandra Rajneesh, também chamado de Osho, que morreu em 1990. Ou seja, o que importa é estar focado naquilo que se está fazendo. "Para colher os benefícios da meditação, não precisamos nos isolar do mundo, mas, pelo contrário, incorporar a prática meditativa ao nosso cotidiano", diz o médico Jou Eel Jia, presidente da Sociedade Brasileira de Meditação Médica.

O segredo está em prestar atenção em cada momento do presente. Parece simples, e é. Mas exige uma mudança de postura perante a vida. Uma mudança sutil, porém fundamental. Afinal, fomos ensinados que, para resolver os problemas cotidianos, é preciso pensar e se preocupar com eles. O resultado disso é que passamos a maior parte do dia, senão o dia todo, com a atenção dispersa no passado (o desentendimento com a colega de trabalho, a seção de ginástica perdida) ou no futuro (o projeto que precisa ser entregue amanhã, a viagem do próximo feriado). Pouco a pouco, esses pensamentos recorrentes vão acumulando uma carga nociva de angústia pelo que aconteceu e ansiedade pelo que vai acontecer.

Meditar é adotar a atitude contrária. É concentrar-se no presente, tornar conscientes os gestos automáticos mais banais. Ao tomar banho, por exemplo, atente para o que está fazendo em vez de lavar-se automaticamente enquanto pensa na lista de compras do supermercado. Note o cheiro do sabonete, a temperatura e o som da água. Quando for se sentar, no trabalho ou à mesa de jantar, preste atenção na postura, na posição de suas pernas e na sensação na coluna. Na fila do elevador, note como estão dispostos os ombros, o abdômen e os pés. Deixe para se aborrecer com o serviço atrasado quando chegar a sua mesa de trabalho. Em outras palavras, a recomendação dos mestres da meditação se parece com um bom conselho, daqueles que só uma avozinha querida seria capaz de dar: "Pare de pensar e de se preocupar e viva um momento de cada vez". Reconfortante, não?

Corpo, mente e espírito
A idéia é essa: confortar, acalmar a mente e trazer paz ao espírito. Resumindo: aumentar o bem-estar. "Ao meditar, a pessoa cultiva estados da mente que levam à paz e ao bem-estar", diz Ken O'Donnell, coordenador para a América Latina da Brahma Kumaris, universidade espiritual de origem indiana que hoje tem mais de 4 mil centros no mundo. Mas não é só isso. Os especialistas dizem que, ao meditar, é possível experimentar uma sensação de unidade com o cosmo que é nossa verdadeira essência, nosso ser real. "As pessoas meditam, fundamentalmente, por três razões: conhecer a si mesmas, ampliar a percepção da realidade e viver no espaço do sagrado e atingir uma comunhão com o divino", diz Lia Diskin, da Associação Palas Athena, de São Paulo, que organiza cursos de meditação.
Essas promessas já seriam suficientes para fechar os olhos e entoar um mantra, mas ainda tem mais. Meditar faz bem à saúde, dizem os mais respeitados cientistas e médicos dos melhores centros de estudos do mundo. Eles ainda não sabem por quê, mas a lista de benefícios comprovados não pára de crescer (leia quadro na página ao lado).

Não é de espantar, portanto, que haja tanta gente meditando. Só nos Estados Unidos, pelo menos 10 milhões de pessoas meditam regularmente, o dobro de uma década atrás. Lá, a prática está sendo incorporada ao cotidiano em escolas, empresas, hospitais, repartições públicas e escritórios de advocacia. Nas penitenciárias americanas, a meditação é usada para recuperar os detentos e tem conseguido evitar que muitos voltem ao crime depois de libertados (como há tempo de sobra, as sessões duram horas). No Brasil, não existem estatísticas que apontem quantos são os praticantes, mas acredita-se que o número cresce ano a ano.

Toda hora é hora
Mas em que momentos do dia-a-dia é possível meditar? Em tese, todos. Na verdade, os grandes gurus meditam ininterruptamente, ou seja, passam todos os momentos atentos ao presente, a cada momento. Para a maior parte das pessoas, porém, que não atingiu esse estado de atenção, convém exercitar a concentração. Veja a seguir algumas dicas de como aproveitar o cotidiano para treinar. Antes de mais nada, um lembrete importante: reserve um tempo para cada atividade. É impossível concentrar-se em uma ação se você ficar pensando que já está na hora de fazer a próxima.
Os vários minutos gastos no trânsito, por exemplo, podem ser aproveitados para meditar, segundo o médico acupunturista Jou Eel Jia. "Observe sua respiração ou entoe um mantra (não se assuste com o nome. Mantra pode ser qualquer som que ajude a concentrar). Isso vai ajudar a enfrentar os congestionamentos e trará um grande bem-estar físico e emocional." Segundo Jou, não tem perigo de bater o carro.

E por que não meditar caminhando? A terapeuta holística Veena Mukti diz que é possível fazer isso no caminho para o mercado ou na academia. "Quando estiver correndo ou caminhando na esteira, por exemplo, desligue-se da televisão que está ali na frente. Fixe o olhar em um ponto qualquer à sua frente e sinta a sua respiração. Ao mesmo tempo, observe cada movimento do seu corpo. Concentre-se no movimento de seus braços, de suas pernas, do seu pé. Tente manter a mente livre dos pensamentos e, quando eles vierem, simplesmente volte sua atenção à atividade que está fazendo", diz ela.

Também é possível meditar enquanto andamos no parque, no caminho para a padaria ou subindo e descendo escadas. O monge budista Thich Nhât Hanh, autor do livro Meditação Andando (Editora Vozes), criou uma técnica baseada na observação da respiração e das passadas. "Ao caminhar, mantenha um leve sorriso nos lábios e pratique a respiração consciente contando os passos", diz ele. "Observe cada respiração e o número de passos que dá ao inspirar e ao expirar. Se der três passos durante uma inspiração, diga baixinho 'um, dois, três', ou 'dentro, dentro, dentro', uma palavra a cada passo. Se der três passos enquanto expira, diga 'fora, fora, fora' a cada passo." Segundo o religioso, "quando estamos conscientes, intensamente em contato com o momento atual, aprofunda-se nossa compreensão do que está acontecendo e começamos a ser preenchidos de aceitação, alegria, paz e amor".

Hora de comer também pode ser hora de meditar. No almoço ou na janta, há muita coisa para reter a atenção. Aos poucos, você vai notar que cada alimento tem sabor, aroma, textura e temperatura próprios. Preste atenção na mastigação, na distribuição dos alimentos no prato, sua postura à mesa, sua respiração. Acabou a refeição? Medite na pia, ao lavar a louça. Observe o formato, as cores, a textura e o peso do prato. Fique atento ao movimento que você faz ao pegá-lo e sinta a temperatura da água e a textura da esponja e da espuma. Ouça o som da água saindo da torneira e o barulho da própria louça na pia. Sinta o aroma do detergente e observe sua respiração.

Terminou? Tudo limpinho no escorredor? Não disperse. Mantenha a sintonia também ao enxugar a louça, guardar os pratos, arrumar o guarda-roupa, pentear os cabelos, vestir-se e ao longo do dia todo. Isso é meditar. Com a prática, a cada dia dá menos trabalho conectar-se ao presente.

Idas e vindas
Mas, se você já tentou parar de pensar e concentrar-se totalmente no que faz, deve ter percebido que isso não é nada fácil. O problema é que a mente divaga com muita facilidade e logo está lá você pensando no telefonema que precisa fazer ou na reunião de amanhã. Isso é normal. "Nossa mente é um turbilhão de pensamentos. A grande dificuldade para conseguirmos meditar é conter a divagação. A toda hora nossos pensamentos nos levam para lugares aonde nem sempre queremos ir", diz a terapeuta holística Veena Mukti, coordenadora do Avathar Instituto de Formação Holística, de São Paulo.
Apaziguar a mente, então, seria o primeiro passo para poder mergulhar no estado meditativo de que nos fala o mestre indiano Osho. E como fazer isso? "Aceitando e abraçando o fluxo de pensamentos como se eles fossem a cena de um filme. Os pensamentos surgem, acontecem e passam", afirma a professora de yoga Márcia De Luca, fundadora do Centro Integrado de Yoga, Meditação e Ayurveda (Ciyma), de São Paulo. "Não devemos lutar contra eles, pois agindo dessa forma nós lhes damos personalidade e os fortalecemos", diz ela. "Quando a mente se dispersar, diga que agora não e continue com o seu propósito", ensina Lia Diskin.

Técnicas
Muito bem. Então é possível meditar durante as tarefas cotidianas, sem interromper a rotina diária. Ótimo. Mas acredite: sua concentração vai melhorar muito se você dedicar um tempinho do seu dia, ainda que mínimo, só para exercitar a atenção. Além do que, quem nunca meditou de uma maneira mais convencional, quer dizer, em um lugar tranqüilo, com os olhos fechados e concentrado na respiração, provavelmente terá dificuldades para manter a atenção focada nas tarefas do dia-a-dia, em meio a tantas distrações. Por isso, os estudiosos do assunto recomendam e praticam, eles mesmos, algumas técnicas de meditação que não precisam tomar muito tempo.

"A meditação rotineira é possível, mas antes é preciso conhecer um repertório de práticas ou técnicas que robusteçam nossa capacidade de atenção, de estar presente e de criar e manter um foco", afirma Lia Diskin, da Associação Palas Athena. "Toda a questão da meditação está na capacidade de criar um foco, seja ele um mantra, a respiração ou a própria observação das sensações. Para manter e criar uma força contínua nesse foco é preciso ter o que eu chamo de 'musculatura interna'."

É como andar de bicicleta: no início, levamos vários tombos, mas, depois que aprendemos a pedalar, é para o resto da vida. "Quando se está começando, o indivíduo precisa ter um pouco de persistência, pois tem que superar uma grande inércia", afirma O'Donnel. E para sair da inércia o primeiro passo é escolher o estilo de meditação que mais combina com você. As opções são muitas. Um dos mais utilizados é a meditação durante a respiração, em que a pessoa deve sentar-se com as pernas cruzadas, ficar atenta ao fluxo de ar que entra e sai de seus pulmões e, sempre que se distrair com algo, retornar a atenção a ela. Mas e se a perna doer? Adote uma posição mais confortável, diz o Dalai Lama em O Caminho da Felicidade - Um Guia Prático para os Estágios de Meditação. Mas ele insiste em que no início de cada prática, nem que seja em respeito à tradição, deve-se cruzar as pernas.

Outra técnica bastante utilizada é repetir um mantra, que tem a função de reduzir o fluxo de pensamentos. O cardiologista americano Herbert Benson, professor da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, um dos maiores pesquisadores da meditação e do poder das crenças na promoção da saúde, criou uma forma de meditar baseada na palavra one ("um" em inglês). O som lembra o mantra "ohm", considerado o som primordial do Universo, pelo hinduísmo. Outra técnica parecida, desenvolvida pelo líder espiritual Deepak Chopra, baseia-se na repetição do que ele chama de som primordial individual, que é escolhido a partir da hora, local e data de nascimento da pessoa. Ele ensina que a repetição desse som nos transporta para o campo da pura potencialidade de que nos fala Márcia De Luca, sua discípula e representante aqui no Brasil.

Pode-se ainda acalmar o fluxo de pensamentos mentalizando uma cor ou imagem - o rosto de Cristo, por exemplo - ou fixando o olhar em um objeto, como a chama de uma vela. Uma das meditações mais populares no Ocidente foi criada em 1957 pelo indiano Maharishi Mahesh Yogi, que a chamou de meditação transcendental. O iniciado deve praticá-la sentado confortavelmente e de olhos fechados. Cada pessoa recebe um som pessoal que deve ser entoado durante a sessão.

A raja yoga, por sua vez, um tipo de meditação milenar derivada do hinduísmo, não usa mantras nem técnicas associadas à respiração. Sentado da forma que desejar e de olhos abertos, o praticante deve fixar sua atenção em qualidades positivas do ser, como bondade, generosidade, compaixão, e assim gerar um estado mental elevado.

Existem também técnicas de meditação ativa, onde não é preciso ficar com o corpo parado. O líder espiritual Osho criou várias formas de meditação em movimento, misturando aspectos do hinduísmo, da tradição sufi e da bioenergética. Suas aulas parecem sessões de laboratório de teatro e utilizam música, dança e respiração. O objetivo é relaxar os músculos e manter a mente concentrada, longe dos pensamentos.

No fim das contas, não importa a técnica usada, contanto que ela ajude a pessoa a apaziguar a mente e manter-se focada. Os grandes mestres afirmam que para colher os benefícios da meditação o ideal é praticá-la duas vezes por dia, em sessões de 20 a 30 minutos. Para quem está começando, pode ser uma tarefa difícil. "Muitas pessoas não têm disciplina para isso e acabam desistindo. Por isso, aconselho que, depois de escolher a técnica que mais lhe agrada, comece com cinco minutos diários", afirma Márcia De Luca, do Ciyma. "Aguarde um mês para que os efeitos dessa prática fiquem gravados na sua memória celular e gerem o desejo de meditar, criando assim o hábito. Os efeitos da meditação são tão prazerosos que os cinco minutos serão insuficientes e o tempo irá se alongando gradativa e espontaneamente."

Outra dica para quem começa é participar, ao menos uma vez por semana, de um grupo de meditação. Além de ser um parâmetro para avaliar sua própria evolução, o grupo ajuda porque dá suporte energético para a pessoa ficar mais presente e centrada.

E como saber se a meditação funcionou? É fácil. Se, ao final dela, você for invadido por uma sensação de bem-estar, plenitude e apaziguamento, pode estar certo de que você meditou. A terapeuta holística Veena Mukti, no entanto, faz uma ressalva: "Quando se começa a meditar, a sensação pode não ser tão agradável. A pessoa começa a perceber que sua mente é um turbilhão de pensamentos e que seu corpo tem diversos pontos de tensão que antes não eram percebidos", diz ela. Com o passar do tempo, no entanto, a dispersão mental e os pensamentos banais naturalmente desaparecem. A mente vai serenando e o corpo já não dói tanto. As primeiras sensações de bem-estar começam a aparecer. E você, enfim, começa a colher todos os benefícios dessa prática milenar.

Mente sã, corpo são
. Meditar ajuda na liberação de endorfina, um forte tranqüilizante que provoca a sensação de alegria e de bem-estar.
. Diminui a produção de adrenalina e cortisol, hormônios secretados em situações de estresse, e de radicais livres, substâncias que atuam no envelhecimento humano.
. Quem medita tem auto-estima mais elevada, maior poder de concentração, mais facilidade para aprender coisas novas e maior poder de raciocínio. Isso porque o fluxo sanguíneo aumenta na região do cérebro que comanda essas funções.
. Meditadores também são mais tolerantes, estão mais preparados para lidar com situações difíceis e conseguem se relacionar melhor com os outros.
. Por fim, meditar fortalece o sistema imunológico, que fica mais resistente a doenças psicossomáticas, como gastrite e enxaqueca, e a doenças autoimunes, como esclerose múltipla e artrite reumatóide.

Escolha sua linha
Meditação na Respiração
É uma das mais comuns e simples. Sentado de pernas cruzadas num lugar tranqüilo, feche os olhos e fixe a atenção no fluxo de ar que entra e sai de seus pulmões.

Meditação no Som Primordial
Criada pelo mestre espiritual Deepak Chopra, consiste na repetição de um som, chamado primordial, que está relacionado com a hora, a data e o lugar em que você nasceu.

Meditação Zen-Budista
Uma das técnicas dessa corrente do budismo é a meditação andando do monge Thich Nhât Hanh. Ao caminhar, conte os passos e sincronize-os com a respiração.

Meditação Raja Yoga
Sentado numa posição confortável e de olhos abertos, mentalize aspectos positivos da natureza humana, como os sentimentos de bondade, generosidade, compaixão e amor.

Meditação Transcendental
Formulada pelo indiano Maharishi Mahesh Yogi, não requer concentração ou contemplação. É baseada na repetição de um som pessoal só conhecido pelo iniciado.

Meditação Cristã
Resgatada pelo monge beneditino inglês John Main (1926-1982), está baseada na repetição de um mantra. O mais usado é o "Maranatha", (em aramaico, "Vem, Senhor").

Meditação Dinâmica
Foi criada pelo líder espiritual Mohan Chandra Rajneesh, o Osho, especialmente para os ocidentais. Mescla elementos de várias culturas e usa dança, som e movimentos.

Meditação Self
Tem como base os ensinamentos do iogue Paramahansa Yogananda e objetiva disseminar técnicas que levem seus praticantes a atingir a experiência pessoal e direta com Deus.

No início, havia Deus
Embora pareça que a meditação só tenha entrado em moda no Ocidente nos últimos anos, ela já é praticada nesta metade do mundo há muitos séculos, embora travestida de fé religiosa. Criada no Oriente, a meditação já era praticada na Índia há cerca de 5 mil anos e é descrita nos primeiros textos sagrados do hinduísmo. Tempos depois, irradiou-se para a China, o Japão e outros países orientais - não se pode esquecer que foi meditando debaixo de uma figueira que o príncipe Sidarta Gautama alcançou a iluminação, por volta de 590 a.C., tornando-se o Buda.
A partir do século 3 de nossa era, a meditação foi assimilada por monges cristãos que viviam no Egito e na Síria, conhecidos como "Padres do Deserto". Eles acreditavam que, meditando, aproximavam-se de Deus. Os muçulmanos também renderam-se à meditação, notadamente os integrantes da seita sufi, que a incorporaram aos seus cultos por volta do ano 1000. Rezar, portanto, é uma maneira de meditar, só que com cunho religioso.

Os benefícios à saúde, é verdade, só foram descobertos nos últimos anos pela medicina ocidental, que desde então vem fazendo pesquisas para entender como o estado de meditação afeta o corpo.

Para começar já
1. Encontre um lugar tranqüilo. Um quarto em casa está bom.
2. Sente-se numa postura confortável (não precisa ser com pernas cruzadas) e feche os olhos.
3. Respire profundamente e concentre-se na entrada e saída do ar. Um mantra, como o clássico "ohmmmmmm", ajuda a concentrar.
4. Se o pensamento divagar, não se recrimine: apenas volte a atenção à respiração ou ao mantra.

Fonte: Vida Simples
[Imagem: 3D Art, "Meditation"]

Posted by Lilia at 01:20 PM | Comments (0)

setembro 09, 2005

Abrindo mão do controle

Elisabeth Cavalcante

abrindomaodocontrole-SuzanneShelton-LookNoHands.jpg Uma das maiores fontes de ansiedade para o ser humano é o desejo de controlar a realidade. Geralmente tendemos a querer que as coisas se manifestem exatamente da maneira que desejamos ou consideramos ideal.

Ocorre que, muitas vezes, aquilo que desejamos não é o melhor para nós, ou não oferece oportunidades de crescimento e evolução espiritual. Mesmo assim, tentamos forçar os acontecimentos ou entramos num estado de ansiedade e medo, temendo que eles não se concretizem. Esta postura interior só faz retardar a manifestação de nossos desejos.

O controle, aliás, é um dos aspectos do medo, pois queremos manipular as variáveis de uma situação por recearmos que ela não se desenvolva da maneira que gostaríamos.

Este comportamento, geralmente, se deve ao fato de que somos ensinados, desde pequenos, a “fazer as coisas acontecerem”. O mundo nos cobra uma ação permanente, afirmando que somente os que correm atrás é que conseguem sair vencedores. Este ensinamento carrega em si a ilusão da onipotência, pois considera que a vida é tecida somente por nossos desejos.

É importante, sim, lutarmos para alcançar nossos objetivos e nossa força de vontade tem um papel importante em nossas conquistas. Mas não podemos nos esquecer de que, no Universo, tudo tem um tempo certo para desabrochar, amadurecer, frutificar. Portanto, a ansiedade e a pressa podem, muitas vezes, gerar um efeito inverso, fazendo com que afastemos com a negatividade de nossa mente, o alcance de nossos objetivos.

Muitas vezes, quando as coisas se recusam a acontecer da maneira que esperamos, o melhor é seguirmos uma outra direção, abandonando temporariamente aquela meta. Geralmente, esta atitude acaba levando-nos exatamente a alcançar o que queríamos, mas por atalhos diferentes, que nossa mente, direcionada pelo ego, não conseguiu perceber.

É preciso confiar na vida e deixar que ela aponte soluções para as situações aparentemente sem saída. Quando nos apegamos obsessivamente a coisas, pessoas ou situações, eliminamos qualquer possibilidade de que o novo, o inesperado e muitas vezes, o melhor, se manifeste.

O Universo sabe exatamente do que necessitamos, portanto, devemos dar a ele a chance de nos prover. Para isto, temos que abandonar a tendência ao imediatismo e desenvolver a confiança e a capacidade de entrega à magia da vida. É preciso lutar, a cada dia, pela certeza de que alcançaremos tudo aquilo de que precisamos uma vez que alimentemos em nós a fé e a confiança.

Numa situação confusa, de perturbação, o que fazer?
Por favor, não faça nada. Você criou uma confusão por causa do seu fazer excessivo. Você é um tamanho fazedor, você confundiu tudo à sua volta - não somente para si mesmo, mas para os outros também. Seja um não-fazedor; isso será compaixão para consigo mesmo. Seja compassivo. Não faça nada, porque com a mente falsa, com uma mente confusa, todas as coisas se tornam mais confusas. Com uma mente confusa, é melhor esperar e não fazer nada de forma que a confusão desapareça. Ela desaparecerá; nada é permanente neste mundo. Você só precisa uma profunda paciência. Não seja apressado.

Vou lhe contar uma história. Buda estava viajando através de uma floresta. O dia estava quente. Era exatamente meio-dia e ele sentiu sede; assim, disse para seu discípulo Ananda: "Volte. No caminho, nós atravessamos um pequeno riacho. Volte lá e traga um pouco d’água para mim".
Ananda voltou, mas o riacho era muito pequeno e algumas carroças estavam atravessando-o. A água estava agitada e tinha ficado suja. Toda a sujeira que estava assentada nele tinha vindo para cima e a água não era potável agora. Assim, Ananda pensou: "Eu tenho que voltar". Ele voltou e disse para Buda: "Aquela água se tornou absolutamente suja e não está boa para se beber. Permita-me ir à frente. Eu sei que existe um rio a apenas alguns quilômetros de distância daqui. Eu irei e buscarei água para você".

Buda disse: "Não! Volte ao mesmo riacho". Como Buda tinha dito isto, Ananda tinha que seguir a ordem. Mas ele a seguiu sem entusiasmo, pois sabia que aquela água não podia ser trazida. E tempo estava sendo desnecessariamente perdido! E ele estava com sede, mas como Buda disse para ir, ele tinha que ir.
Novamente ele retornou e disse: "Por que você insiste? A água não está potável".
Buda disse: "Vá novamente". E como Buda havia dito para voltar, Ananda teve que ir.
A terceira vez que ele chegou no riacho, a água estava tão clara quanto ela sempre esteve. A sujeira tinha ido embora, as folhas mortas tinham ido embora e a água estava pura novamente. Então Ananda riu. Ele trouxe a água e veio dançando. Ele caiu aos pés de Buda e disse: "Seus meios de ensinar são miraculosos. Você me ensinou uma grande lição - que apenas a paciência é necessária e que nada é permanente".

E este é o ensinamento básico de Buda: nada é permanente, tudo é transitório - assim por que ser tão preocupado? Volte ao mesmo riacho. Então, tudo deve ter mudado. Nada permanece o mesmo. Apenas seja paciente: vá novamente e novamente e novamente. Apenas alguns momentos e as folhas terão ido embora e a sujeira terá se assentado novamente e a água estará pura novamente.
Ananda também perguntou a Buda, quando ele estava voltando pela segunda vez: "Você insiste que eu vá, mas eu não posso fazer alguma coisa para tornar aquela água pura?".

Buda disse: "Por favor, não faça nada; do contrário você a tornará mais impura. E não entre no riacho. Apenas fique do lado de fora, esperando, na margem. Sua entrada no riacho criará uma confusão. O riacho flui por si mesmo, assim deixe-o fluir".
Nada é permanente; a vida é um fluxo. Heráclito disse que você não pode pisar duas vezes no mesmo rio. É impossível pisar duas vezes no mesmo rio porque o rio fluiu; tudo mudou. E não somente o rio fluiu, você também fluiu. Você também é diferente; você também é um rio fluindo.

Veja esta impermanência de todas as coisas. Não tenha pressa; não tente fazer nada. Apenas espere! Espere em um total não-fazer. E se você pode esperar, a transformação estará presente. Este próprio esperar é a transformação”

- Osho, The book of the Secrets

Fonte: Somos Todos Um
[Imagem: Suzanne Shelton, "Look, No Hands"]

Posted by Lilia at 04:08 PM | Comments (0)

setembro 07, 2005

Ponto de Deus no cérebro

Leonardo Boff

pontodedeus-raphael-madonna-sistina.jpg Uma frente avançada das ciências hoje é constituída pelo estudo do cérebro e de suas múltiplas inteligências. Alcançaram-se resultados relevantes, também para a religião e a espiritualidade. Enfatizam-se três tipos de inteligência. A primeira é a inteligência intelectual, o famoso QI (Quociente de inteligência) ao qual se deu tanta importância em todo o século XX. É a inteligência analítica pela qual elaboramos conceitos e fazemos ciência. Com ela organizamos o mundo e solucionamos problemas objetivos.

A segunda é inteligência emocional popularizada especialmente pelo psicólogo e neurocientista de Harvard, David Goleman, com seu conhecido livro A Inteligência emocional (QE=Quociente emocional). Empiricamente mostrou o que era convicção de toda uma tradição de pensadores, desde Platão, passando por Santo Agostinho e culminando em Freud: a estrutura de base do ser humano não é razão (logos) mas é emoção (pathos). Somos, primariamente, seres de paixão, empatia e compaixão e só em seguida, de razão. Quando combinamos QI com QE conseguimos nos mobilizar a nós e a outros.

A terceira é a inteligência espiritual. A prova empírica de sua existência deriva de pesquisas muito recentes, dos últimos dez anos, feitas por neurólogos, neuropsicólogos, neurolinguistas e técnicos em magnetoencefalografia (que estudam os campos magnéticos e elétricos do cérebro). Segundo esses cientistas existe em nós, cientificamente verificável, um outro tipo de inteligência pela qual não só captamos fatos, idéias e emoções, mas percebemos os contextos maiores de nossa vida, totalidades significativas e nos faz sentir inseridos no Todo. Ela nos torna sensíveis a valores, a questões ligadas a Deus e à transcendência. É chamada de inteligência espiritual (QEs= Quociente espiritual), porque é próprio da espiritualidade captar totalidades e se orientar por visões transcendentais.

Sua base empírica reside na biologia dos neurônios. Verificou-se cientificamente que a exeperiência unificadora se origina de oscilações neurais a 40 herz, especialmente localizada nos lobos temporais. Desencadeia-se, então, uma experiência de exaltação e de intensa alegria como se estivéssemos diante de uma Presença viva. Ou inversamente, sempre que se abordam temas religiosos, Deus ou valores que concernem o sentido profundo das coisas, não superficialmente mas num envolvimento sincero, produz-se igual excitação de 40 herz.

Por esta razão, neurobiólogos como Persinger, Ramachandran e a física quântica Danah Zohar batizaram essa região dos lobos temporais de "o ponto Deus".

Se assim é, podemos dizer em termos do processo evolucionário: o universo evoluiu, em bilhões de anos, até produzir no cérebro, o instrumento que capacita o ser humano perceber a Presença de Deus que sempre estava lá embora não percebível conscientemente. A existência deste "ponto Deus" representa uma vantagem evolutiva de nossa espécie homo. Ela constitui uma referência de sentido para nossa vida. A espiritualidade pertence ao humano e não é monopólio das religiões. Antes, as religiões são uma das expressões desse "ponto Deus".

Fonte: Bafafa
[Imagem: Raphael, "Sistine Madonna"]

Posted by Lilia at 05:56 PM | Comments (0)