agosto 22, 2007

LUXOS

Edilce de Carvalho

luxos_liliatapetepetalas_frentecasa.jpg Tenho poucos luxos.
Gosto de casa pequena
terreno no alto
no meio do mato
com vista comprida.
Móveis, quase não ligo.
Gosto de penteadeira, cômoda
porta-chapéu e guarda-comida.
Fogão à lenha
caçarola preta de estimação
chaleira que não se lava
e panela de pedra-sabão.
Meu gosto é singelo.
Gosto de tramela de pinho de riga
trinco de ferro batido
calha de cobre
banheira com pezinho
bota velha
e telhado com muita viga.
Gosto também de aroeira torta
pé direito baixo
chão de cimento queimado
parede de adobe ou de pau-a-pique.
Não tenho tantos luxos assim.
Vinho tinto com queijo
caixa de música e realejo.
Minha leitura é pouca para os dias de hoje.
Me baseio no que vejo
escuto a voz do coração
resolvo tudo com emoção.
De jardim, o que sei
tento imitar a natureza.
mas meus filhos,dá gosto de ver
parecem vindos da realeza.
Falam inglês,nadam bem
e foram educados em boas escolas.
Eu, por minha vez, não falo inglês
não nado bem
e fui educada na escola da vida.
E por estar sempre atenta
feito jaguatirica ao amanhecer
sou arisca
manhosa e tinhosa, mesmo sem querer ser.
Nessa vida já fiz quase tudo que queria.
Plantei árvores com a própria mão
e amassei muito pão.
Como fui aluna aplicada
dizem que minha vida foi merecida.
Na verdade,
foi muita sorte.
Fui muito amada
e tive mais que merecia.
Nasci predestinada.

[Edilce de Carvalho, mineira de Lavras, jardineira, mãe da Jô e do Dani, vó do Noah e da Gaia. Poeta.
Poema Luxos, extraído do seu livro "ainda" não publicado Pão de Queijo com Pernil.
Fonte: Cosmonauta

Posted by Lilia at 11:02 AM | Comments (0)

agosto 15, 2007

Harmonia entre os tempos objetivo e subjetivo traz bem-estar

Monica Aiub

harmoniaentreostempos_anhingalakeeolapark.jpg Quantos anos você tem? Às vezes parece que tem treze anos, às vezes parece que tem mais de cem? Você percebe a passagem do tempo? Ela é rápida ou lenta? Já teve a sensação da semana ter passado num instante, ao mesmo tempo em que a passagem de ontem para hoje pareceu ter durado uma eternidade? Como você vive o tempo? Já sentiu saudade do passado que não viveu? Expectativa de um futuro que está por vir? Seu presente é uma conseqüência de seu passado, ao mesmo tempo em que determina seu futuro? Ou é a espera de um futuro para se viver?

Uma queixa constante no consultório de filosofia clínica diz respeito ao tempo. Muitas pessoas sentem-se sufocadas pelas cobranças estipuladas por prazos estabelecidos, o que gera mal-estar no trabalho, em casa, nas relações pessoais. Casais que questionam: "Ele (a) não tem tempo para mim, pode uma relação ser dessa maneira? ou "Talvez eu devesse viver só, não tenho tempo para me dedicar a um relacionamento". Diante de problemas com a saúde, algumas pessoas dizem: "Sei que deveria cuidar de minha alimentação, que deveria buscar atividades que me trouxessem bem-estar, mas não tenho tempo".

O que é esse tempo?

Se ninguém me pergunta, eu sei; porém, se quero explicá-lo a quem me pergunta, então não sei. No entanto, posso dizer com segurança que não existiria um tempo passado, se nada passasse; e não existiria um tempo futuro, se nada devesse vir; e não haveria o tempo presente se nada existisse. (Santo Agostinho, Confissões)
-Há um tempo da natureza, que pode ser observado na gestação, no amanhecer, nas estações do ano, no envelhecer, em muitos movimentos da vida. A natureza se movimenta e nós, seres humanos, criamos formas de mensurar, medir esse movimento da vida. Se o movimento é da natureza e a mensuração é humana, por que às vezes nos sentimos escravizados diante de nossa própria criação?

Aristóteles afirmava que o "tempo é o número do movimento, conforme o antes e o depois", seguindo a trilha dos pitagóricos e sendo seguido pelos estóicos e epicureus, via o tempo como mensuração do movimento, movimento cíclico do mundo e da vida. Mas esse tempo não era, necessariamente, aquele que é marcado por nossos relógios, aquele que define nossos dez minutos de antecipação ou nossas horas de atraso, o que delimita nossos prazos, nossas intermináveis angústias de horas perdidas em vão, seja com uma atividade entediante, ou com uma insônia inaproveitada. Sucessão de eventos, tempo cósmico, que não permite o totalmente subjetivo, mas não esquece que a medida não é exata. Ou seria o universo uma medida exata? A medida, para Aristóteles, é a medida da "alma". Qual é a nossa medida?

Há um tempo subjetivo: tempo de amadurecimento, tempo para compreender, para assimilar, para aprender, para conformar, para organizar... Mensurar a subjetividade não é algo que se faça da mesma maneira como mensuramos movimento da natureza, mas é o que tentamos fazer quando nos perguntamos: Quanto tempo uma criança leva para se tornar adulta? Com quantos anos um adulto já deve estar "amadurecido"? Quanto tempo eu vou levar para aprender a tocar violão? Quantas consultas serão necessárias para que eu possa acabar com meu sofrimento? Quanto tempo é necessário para que eu possa aprender a lidar com meus sentimentos? Será possível responder a essas questões? Será possível medir esse tempo como medimos o tempo cronológico?

Sabemos que o tempo cronológico é uma criação nossa, com base em nossa observação dos movimentos da natureza. Por esse motivo, talvez não devêssemos nos escravizar a ele. Por outro lado, também criamos um modo de ser na sociedade e, principalmente, no mundo do trabalho, a partir do qual se torna impossível ignorá-lo. Horários fixos, rígidos, pontualidade, medida do trabalho dada pelo número de horas que uma pessoa fica em seu local de trabalho, medida de produção pela quantidade de resultados obtidos durante um determinado tempo. Essas são algumas das formas que constituímos e que nos escravizam. Podemos viver sem elas? Necessitamos delas?

Em algumas instâncias, essas formas são imprescindíveis à sobrevivência. Se nos atrasarmos diariamente para o trabalho, perderemos o trabalho. Se demorarmos a apresentar os resultados de nosso trabalho, corremos o risco de não termos mais trabalho e o trabalho é uma das formas que construímos para nossa sobrevivência. Se construímos, poderíamos construir de outra maneira, por que não o fazemos? Por outro lado, às vezes levamos as mesmas exigências do mundo do trabalho para outras instâncias da vida e vivemos como se perseguíssemos o tempo, como se corrêssemos atrás de nós mesmos. Encontramos bem-estar desta maneira?

Atendi alguns partilhantes (pacientes) cuja questão era organizar-se para evitar atrasos. Em alguns desses casos, pude observar que o problema consistia na dificuldade em conciliar o tempo cronológico e o tempo subjetivo. Ocorria como se a pessoa vivesse em dois mundos diferentes simultaneamente. Num deles, o ponteiro do relógio andava rápido. No outro, seus pensamentos, sentimentos, comportamentos precisavam de mais tempo. Então, a simples preparação matinal para o dia de trabalho tornava-se uma tarefa extremamente estressante.

Você já experimentou dançar com alguém que dança em um ritmo completamente diferente do seu? Já experimentou correr com alguém que corre muito mais rápida ou lentamente que você? Imagine esse descompasso gerado no interior de uma mesma pessoa. "Não tenho tempo e fico muito tempo sem fazer nada" podem ser afirmações de uma mesma pessoa, sobre um mesmo momento, nas mesmas condições? Na clínica observamos que sim.

Quando dizemos que não temos tempo para nós, o que isso significa? Para uma pessoa, pode significar estar se dedicando ao que não gosta; para outra, pode ser um ritmo violentamente rápido, que a desestrutura; para uma terceira, pode ser o fato de não estar se dedicando às relações que lhe são importantes. O que significa para você?

Discutir a objetividade ou a subjetividade do tempo não responde essas questões. Há um tempo objetivo, que nos permite situar um evento, marcar um horário para a consulta, agendar um encontro. Mas há um tempo subjetivo que nos permite conhecer, vivenciar esse evento, amadurecer as relações entre os fenômenos e nossos estados subjetivos. O tempo não é em si mesmo, nem é uma determinação inerente às coisas. Nossas representações sucedem-se umas às outras e essa relação de sucessão, que é interna, é o que nos permite uma concepção de tempo. Assim, além do tempo objetivo (cronos) e do tempo subjetivo (kairos), podemos conceber o tempo como movimento interno.

Em filosofia clínica o histórico de um partilhante é um contínuo de vivências que pode dar-se por sucessão de eventos, por justaposição, correlação, ou outros modos. O filósofo clínico observa a forma como o partilhante constrói e é construído, como vivencia e é vivenciado. Como um filme de sua própria vida, o partilhante apresenta sua história em diferentes velocidades, em distintas ordenações e, assim, partilha seu modo de ser, no tempo da hora marcada da clínica e no contínuo da vida.

A clínica não é constituída pelos cinqüenta minutos agendados, mas por um tempo contínuo, por uma totalidade onde não há ontem, hoje ou amanhã, apenas um constante fluir. Não há um tempo determinado para o trabalho clínico - meses, semanas - há, apenas, o tempo da partilha, tempo de acompanhar e permitir os movimentos internos e da vida.

Fonte: Vya Estelar
[Imagem: Anhinga, lake eola, orlando, foto Lilia Lima]



Posted by Lilia at 02:59 PM | Comments (0)

MUDAR PARA UMA VIDA MELHOR

Flávia Leão Fernandes

mudarparaumavidamelhor_sunsethillsmere_dec16_1.jpg Resiliência é um conceito existente na Física para explicar a propriedade que alguns materiais têm de acumular energia quando submetidos a impacto ou a estresse e voltar ao seu estado original sem deformação.

Um exemplo é a vara do salto em altura que enverga ao máximo sem quebrar e volta com toda força para lançar o atleta para o alto. A psicologia tomou emprestado esse conceito para explicar a capacidade que algumas pessoas possuem de lidar com problemas e impulsionar sua vida quando confrontadas com adversidades. As pessoas que superam as próprias fraquezas e buscam forças para atingir seus objetivos constituem um exemplo de resiliência.

Cada um de nós possui um ponto mais frágil que precisa ser cuidado com mais atenção. Quando alguma esfera da vida está aborrecida, sem graça e difícil de ser contornada, é sinal de que precisa de mais atenção.

Se percebermos alterações de humor , de disposição para as atividades diárias, aumento de tensão e diminuição da alegria de viver, precisamos usar nossa energia para mudar essa situação. Não será na farmácia mais próxima que compraremos uma vida mais alegre e produtiva. É preciso conquistar com esforço a alegria de viver e as lições estão dentro de nós mesmos.

Uma pessoa resiliente não se abate facilmente, não culpa os outros pelos seus fracassos e usa sua energia para lutar. O fatalismo e o sentimento de vítima do destino passam longe dessas pessoas. Pensamentos como tudo é difícil, não consigo mudar de rumo ou ninguém faz nada por mim, não fazem parte de suas vidas. Ao contrário, vão à luta para reverter situações indesejáveis.

Toda tentativa de mudança pode produzir insegurança, medo e desejo de manter a rotina já conhecida. Não adianta a pessoa reclamar do destino, ao invés de tentar mudar e começar algo novo. Se nada for feito, a tendência é de maior agravamento dos problemas a cada dia que passa, podendo surgir sintomas de angústia, depressão, úlcera, labirintite e outros distúrbios psicossomáticos.

É possível ter a ilusão de acostumar-se com os problemas, quando na verdade eles não param de crescer. Muitas vezes as pessoas insistem em comportamentos negativos e depois reclamam. Reclamar é inútil, pois a única saída é analisar a situação e buscar uma solução. Repetir os mesmos erros e esperar que os resultados melhorem é acumular frustrações. Isso só pode nos deixar infelizes.

Por que muitas pessoas obesas ou com sobrepeso têm tanta dificuldade em perder peso? Por que provavelmente repetem práticas comportamentais e emocionais que dificultam o emagrecimento. De forma simplificada, podemos dizer que essas pessoas ficam presas num círculo vicioso que as impede de concretizar seus objetivos.

Por isso é importante reagir, começar agora a mudar a situação indesejada: estudar, trabalhar, cuidar da saúde, estabelecer relações prazerosas, adquirir novos hábitos de vida, organizar-se. Manter vínculos com pessoas que possam dar apoio e estímulo para novas conquistas pode ajudar na superação dos problemas, mas não se deve esperar que façam o papel de salvadores do fundo do poço. Cada pessoa deverá encontrar a melhor solução para si mesma.

O autoconhecimento é a base para qualquer mudança de vida e muitas vezes a ajuda de um psicólogo pode facilitar esse processo. Na vida, podemos ser problema ou solução. Se formos apenas problema, ninguém gostará de ficar ao nosso lado, pois provavelmente seremos uma pessoa amarga. Se formos solução, teremos a chance de conquistar a maturidade com sabedoria. Cada um escolhe o seu caminho!

Fonte Cyberdiet
Imagem: Lilia Lima

Posted by Lilia at 01:29 PM | Comments (0)

agosto 14, 2007

O PRINCÍPIO 90 / 10

Stephen Covey

principio9010_sunset_stgeorgeisland_350.jpg Que princípio é este?
Os 10% da vida estão relacionados com o que se passa com você, os outros 90% da vida estão relacionados com a forma como você reage ao que se passa com você.
O que isto quer dizer?
Realmente, nós não temos controle sobre 10% do que nos sucede. Não podemos evitar que o carro enguice, que o avião atrase, que o semáforo fique no vermelho. Mas, você é quem determinará os outros 90%.

Como?
Com sua reação.
Exemplo:
Você está tomando o café da manhã com sua família. Sua filha, ao pegar a xícara, deixa o café cair na sua camisa branca de trabalho. Você não tem controle sobre isto. O que acontecerá em seguida será determinado por sua reação.

Então, você se irrita. Repreende severamente sua filha e ela começa a chorar. Você censura sua esposa por ter colocado a xícara muito na beirada da mesa. E tem prosseguimento uma batalha verbal.

Contrariado e resmungando, você vai mudar de camisa. Quando volta, encontra sua filha chorando mais ainda e ela acaba perdendo o ônibus para a escola. Sua esposa vai pro trabalho, também contrariada. Você tem de levar sua filha, de carro, pra escola. Como está atrasado, dirige em alta velocidade e é multado. Depois de 15 min de atraso, uma discussão com o guarda de trânsito e uma multa, vocês chegam à escola, onde sua filha entra, sem se despedir de você.

Ao chegar atrasado ao escritório, você percebe que esqueceu sua maleta. Seu dia começou mal e parece que ficará pior. Você fica ansioso pro dia acabar e quando chega em casa, sua esposa e filha estão de cara fechada, em silêncio e frias com você.
Porquê?
Por causa de sua reação ao acontecido no café da manhã.
Pense: porquê seu dia foi péssimo?

A) por causa do café?
B) por causa de sua filha?
C) por causa de sua esposa?
D) por causa da multa de trânsito?
E) por sua causa?

A resposta correta é a E. Você não teve controle sobre o que aconteceu com o café, mas o modo como você reagiu naqueles 5 minutos foi o que deixou seu dia ruim.

O café cai na sua camisa. Sua filha começa a chorar. Então, você diz a ela, gentilmente: "está bem, querida, você só precisa ter mais cuidado". Depois de pegar outra camisa e a pasta executiva, você volta, olha pela janela e vê sua filha pegando o ônibus. Dá um sorriso e ela retribui, dando adeus com a
mão.

Notou a diferença? Duas situações iguais, que terminam muito diferente.
Por quê? Porque os outros 90% são determinados por sua reação.

Aqui temos um exemplo de como aplicar o Princípio 90/10. Se alguém diz algo negativo sobre você, não leve a sério, não deixe que os comentários negativos te afetem.. Reaja apropriadamente e seu dia não ficará arruinado.

Como reagir a alguém que te atrapalha no trânsito? Você fica transtornado? Golpeia o volante? Xinga? Sua pressão sobe? O que acontece se você perder o emprego? Por quê perder o sono e ficar tão chateado? Isto não funcionará. Use a energia da preocupação para procurar outro trabalho. Seu vôo está atrasado, vai atrapalhar a sua programação do dia. Por quê manifestar frustração com o funcionário do aeroporto? Ele não pode fazer nada. Use seu tempo para estudar, conhecer os outros passageiros. Estressar-se só piora as coisas.

Agora que você já conhece o Princípio 90/10, utilize-o. Você se surpreenderá com os resultados e não se arrependerá de usá-lo. Milhares de pessoas estão sofrendo de um stress que não vale a pena, sofrimentos, problemas e dores de cabeça. Todos devemos conhecer e praticar o Princípio 90/10.
Pode mudar a sua vida!

Fonte: Empreender para Todos
Imagem: foto Lilia Lima

Posted by Lilia at 02:00 PM | Comments (0)