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  15.08.07- Harmonia entre os tempos objetivo e subjetivo traz bem-estar

Monica Aiub

harmoniaentreostempos_anhingalakeeolapark.jpg Quantos anos você tem? Às vezes parece que tem treze anos, às vezes parece que tem mais de cem? Você percebe a passagem do tempo? Ela é rápida ou lenta? Já teve a sensação da semana ter passado num instante, ao mesmo tempo em que a passagem de ontem para hoje pareceu ter durado uma eternidade? Como você vive o tempo? Já sentiu saudade do passado que não viveu? Expectativa de um futuro que está por vir? Seu presente é uma conseqüência de seu passado, ao mesmo tempo em que determina seu futuro? Ou é a espera de um futuro para se viver?

Uma queixa constante no consultório de filosofia clínica diz respeito ao tempo. Muitas pessoas sentem-se sufocadas pelas cobranças estipuladas por prazos estabelecidos, o que gera mal-estar no trabalho, em casa, nas relações pessoais. Casais que questionam: "Ele (a) não tem tempo para mim, pode uma relação ser dessa maneira? ou "Talvez eu devesse viver só, não tenho tempo para me dedicar a um relacionamento". Diante de problemas com a saúde, algumas pessoas dizem: "Sei que deveria cuidar de minha alimentação, que deveria buscar atividades que me trouxessem bem-estar, mas não tenho tempo".

O que é esse tempo?

Se ninguém me pergunta, eu sei; porém, se quero explicá-lo a quem me pergunta, então não sei. No entanto, posso dizer com segurança que não existiria um tempo passado, se nada passasse; e não existiria um tempo futuro, se nada devesse vir; e não haveria o tempo presente se nada existisse. (Santo Agostinho, Confissões)
-Há um tempo da natureza, que pode ser observado na gestação, no amanhecer, nas estações do ano, no envelhecer, em muitos movimentos da vida. A natureza se movimenta e nós, seres humanos, criamos formas de mensurar, medir esse movimento da vida. Se o movimento é da natureza e a mensuração é humana, por que às vezes nos sentimos escravizados diante de nossa própria criação?

Aristóteles afirmava que o "tempo é o número do movimento, conforme o antes e o depois", seguindo a trilha dos pitagóricos e sendo seguido pelos estóicos e epicureus, via o tempo como mensuração do movimento, movimento cíclico do mundo e da vida. Mas esse tempo não era, necessariamente, aquele que é marcado por nossos relógios, aquele que define nossos dez minutos de antecipação ou nossas horas de atraso, o que delimita nossos prazos, nossas intermináveis angústias de horas perdidas em vão, seja com uma atividade entediante, ou com uma insônia inaproveitada. Sucessão de eventos, tempo cósmico, que não permite o totalmente subjetivo, mas não esquece que a medida não é exata. Ou seria o universo uma medida exata? A medida, para Aristóteles, é a medida da "alma". Qual é a nossa medida?

Há um tempo subjetivo: tempo de amadurecimento, tempo para compreender, para assimilar, para aprender, para conformar, para organizar... Mensurar a subjetividade não é algo que se faça da mesma maneira como mensuramos movimento da natureza, mas é o que tentamos fazer quando nos perguntamos: Quanto tempo uma criança leva para se tornar adulta? Com quantos anos um adulto já deve estar "amadurecido"? Quanto tempo eu vou levar para aprender a tocar violão? Quantas consultas serão necessárias para que eu possa acabar com meu sofrimento? Quanto tempo é necessário para que eu possa aprender a lidar com meus sentimentos? Será possível responder a essas questões? Será possível medir esse tempo como medimos o tempo cronológico?

Sabemos que o tempo cronológico é uma criação nossa, com base em nossa observação dos movimentos da natureza. Por esse motivo, talvez não devêssemos nos escravizar a ele. Por outro lado, também criamos um modo de ser na sociedade e, principalmente, no mundo do trabalho, a partir do qual se torna impossível ignorá-lo. Horários fixos, rígidos, pontualidade, medida do trabalho dada pelo número de horas que uma pessoa fica em seu local de trabalho, medida de produção pela quantidade de resultados obtidos durante um determinado tempo. Essas são algumas das formas que constituímos e que nos escravizam. Podemos viver sem elas? Necessitamos delas?

Em algumas instâncias, essas formas são imprescindíveis à sobrevivência. Se nos atrasarmos diariamente para o trabalho, perderemos o trabalho. Se demorarmos a apresentar os resultados de nosso trabalho, corremos o risco de não termos mais trabalho e o trabalho é uma das formas que construímos para nossa sobrevivência. Se construímos, poderíamos construir de outra maneira, por que não o fazemos? Por outro lado, às vezes levamos as mesmas exigências do mundo do trabalho para outras instâncias da vida e vivemos como se perseguíssemos o tempo, como se corrêssemos atrás de nós mesmos. Encontramos bem-estar desta maneira?

Atendi alguns partilhantes (pacientes) cuja questão era organizar-se para evitar atrasos. Em alguns desses casos, pude observar que o problema consistia na dificuldade em conciliar o tempo cronológico e o tempo subjetivo. Ocorria como se a pessoa vivesse em dois mundos diferentes simultaneamente. Num deles, o ponteiro do relógio andava rápido. No outro, seus pensamentos, sentimentos, comportamentos precisavam de mais tempo. Então, a simples preparação matinal para o dia de trabalho tornava-se uma tarefa extremamente estressante.

Você já experimentou dançar com alguém que dança em um ritmo completamente diferente do seu? Já experimentou correr com alguém que corre muito mais rápida ou lentamente que você? Imagine esse descompasso gerado no interior de uma mesma pessoa. "Não tenho tempo e fico muito tempo sem fazer nada" podem ser afirmações de uma mesma pessoa, sobre um mesmo momento, nas mesmas condições? Na clínica observamos que sim.

Quando dizemos que não temos tempo para nós, o que isso significa? Para uma pessoa, pode significar estar se dedicando ao que não gosta; para outra, pode ser um ritmo violentamente rápido, que a desestrutura; para uma terceira, pode ser o fato de não estar se dedicando às relações que lhe são importantes. O que significa para você?

Discutir a objetividade ou a subjetividade do tempo não responde essas questões. Há um tempo objetivo, que nos permite situar um evento, marcar um horário para a consulta, agendar um encontro. Mas há um tempo subjetivo que nos permite conhecer, vivenciar esse evento, amadurecer as relações entre os fenômenos e nossos estados subjetivos. O tempo não é em si mesmo, nem é uma determinação inerente às coisas. Nossas representações sucedem-se umas às outras e essa relação de sucessão, que é interna, é o que nos permite uma concepção de tempo. Assim, além do tempo objetivo (cronos) e do tempo subjetivo (kairos), podemos conceber o tempo como movimento interno.

Em filosofia clínica o histórico de um partilhante é um contínuo de vivências que pode dar-se por sucessão de eventos, por justaposição, correlação, ou outros modos. O filósofo clínico observa a forma como o partilhante constrói e é construído, como vivencia e é vivenciado. Como um filme de sua própria vida, o partilhante apresenta sua história em diferentes velocidades, em distintas ordenações e, assim, partilha seu modo de ser, no tempo da hora marcada da clínica e no contínuo da vida.

A clínica não é constituída pelos cinqüenta minutos agendados, mas por um tempo contínuo, por uma totalidade onde não há ontem, hoje ou amanhã, apenas um constante fluir. Não há um tempo determinado para o trabalho clínico - meses, semanas - há, apenas, o tempo da partilha, tempo de acompanhar e permitir os movimentos internos e da vida.

Fonte: Vya Estelar
[Imagem: Anhinga, lake eola, orlando, foto Lilia Lima]



Posted by Lilia at 02:59 PM|Comments (0)
 
  17.07.05- Controlando a Ansiedade

controlandoansiedade-joanmiro-doginfrontof thesun.jpg Falta de sono, pressa exagerada para resolver os problemas, medo de uma situação que ainda está por acontecer... Quando essas incômodas sensações começam a fazer seu coração disparar, é hora de controlá-las.

De repente, o coração começa a bater mais rapidamente. As mãos tremem, o ar começa a faltar. Vem uma sensação de angústia, como se o mundo se fechasse em torno de você. Na cabeça, uma só frase: "não há saída". O que você está sentindo é ansiedade, uma vontade de preencher a lacuna que existe entre o presente e o futuro, tornando-o mais previsível. Na mente de uma mulher ansiosa, a impossibilidade de saber o que pode vir a acontecer -já que ninguém tem bola de cristal -vira uma história de terror, dá até para construir um roteiro de filme. O que a pessoa sente é preocupação, ou seja, se ocupa antes de uma coisa que não tem solução possível naquele momento.

Essa inquietação interior é uma epidemia. Se não for exagerada, não chega a fazer mal. Mas quando a apreensão ultrapassa um certo limite, torna-se um caso clínico e é preciso procurar ajuda médica. Uma em cada quatro pessoas chega a esse extremo. É quando aparece a obesidade, a síndrome do pânico, problemas de coração. Mas isso tudo pode ser evitado. Preparamos uma lista com 30 dicas para ajudar a pôr o pé no freio dessas emoções e garantir o mínimo de tranqüilidade.

1. Cada vez que você perceber que vai fantasiar um desfecho catastrófico para alguma situação, escreva em um papel o que está prevendo. Depois, escreva ao lado, no mesmo papel, o que realmente aconteceu para poder comparar. Com o tempo, irá reunir casos que mostram o quanto você sofreu por antecipação.

2. Considere o pior desfecho para uma situação apenas como uma das hipóteses, e imagine outras possibilidades não tão ruins ou até boas.

3. Inspire profundamente e jogue o ar para o abdome. Repita várias vezes, se possível de olhos fechados. Isso diminui as reações que o cérebro desencadeia ao identificar uma situação de perigo.

4. Esforce-se para dormir bem: tome um banho morno antes, mantenha o quarto escuro, totalmente silencioso, vista-se de forma confortável.

5. Aprimore seu filtro de pensamentos. Não gaste suas energias e seu tempo com coisas que não mereçam, de fato, a sua preocupação.

6. Tome uma taça de vinho. Alimentos e bebidas vasodilatadores, como é o caso do álcool e da pimenta, proporcionam uma sensação de relaxamento. Mas nada de excessos.

7. Pare de reclamar de prazos apertados. No geral, não dá para alterá-los e as queixas consomem um tempo que poderia ser gasto para resolver o problema.

8. Vença seus medos se expondo gradualmente a eles e pare de evitar situações que são necessárias embora você as considere desconfortáveis.

9. Antes de experimentar alguma situação, você tem sempre duas possibilidades: sim e não. Quando você evita logo de cara, passa a ter apenas o não como possibilidade. Enfrente as situações.

10. Coma castanha-do-pará. A semente melhora a transmissão dos impulsos nervosos do cérebro.

11. Dedique um bom tempo para o banho. Se for de banheira, melhor ainda. No chuveiro, massageie o corpo e deixe a água quente cair nos pontos de tensão como ombros.

12. Faça um exercício leve que dê prazer, como uma caminhada. Com a liberação de endorfina, fica mais fácil surgirem soluções e os pensamentos tornam-se mais variados.

13. Olhe para trás e veja se você deixou de lado alguma atividade que proporcionava prazer, como um grupo de teatro, um curso de canto ou o time de vôlei. Tente retomar.

14. Inclua você em sua agenda. Raras pessoas fazem pausas durante o horário de trabalho. Com a dedicação intensa você passa a se envolver com tantos problemas que isso gera estresse, um fator externo de ansiedade.

15. Em cada refeição procure unir uma verdura crua, um alimento verde-escuro e uma fruta amarela. Por sua consistência mais dura, exigem um número maior de mastigações, ajudando a dissipar a
ansiedade.

16. Direcione suas energias para a solução e não aos problemas. Em vez de ficar ansiosa diante de um projeto importante que você tem que apresentar, ou de questionar sua capacidade, concentre todas as suas energias para fazer o melhor projeto possível.

17. Combata o perfeccionismo. Quando você estabelece o perfeito como meta, só vale o recorde mundial. Determine sempre submetas e assim ficará mais fácil atingi-las.

18. Pratique técnicas de relaxamento rotineiramente. Primeiro contraia cada um dos seus músculos para depois relaxá-los.

19. Quando estiver ansiosa, faça um esforço para distrair-se com um momento de lazer, alguma bobagem que divirta e ocupe a cabeça. Se está na expectativa de receber uma ligação importante e vai ficar em casa para esperá-la, experimente ler uma revista, fazer as unhas ou assistir a novela.
20. Quando você está pessimista diante de um acontecimento, encare o insucesso como uma forma de aprendizado e não uma catástrofe.

21. Coma chocolate. Como auxiliam na liberação de serotonina, o hormônio do prazer, no sistema nervoso, a pessoa passa a ter a sensação de conforto e bem-estar meia hora ou 40 minutos após o consumo. Mas evite exageros para não engordar.

22. Confie no poder das ervas. A kava-kava é um potente ansiolítico. A planta é encontrada em cápsulas só que, embora natural, é vendida apenas com prescrição médica.

23. Se está ansiosa com alguma coisa que vai mesmo acontecer, ensaie antes. Vivencie o fato sem clima de terror, aja sem pânico. Não sofra por antecedência.

24. Responda a seguinte pergunta: o que você pode fazer para solucionar a causa da sua ansiedade hoje? Se descobrir que só será possível agir na próxima semana, relaxe e deixe para se preocupar depois.

25. Para as pessoas que descontam a ansiedade na comida, uma boa saída é a combinação de cravo e canela. Salpicados sobre as frutas, chás e alimentos de baixas calorias, eles diminuem a compulsão alimentar além de melhorar bastante o sabor.

26. Lembre-se de que 90% dos "filmes mentais" que ficamos desenvolvendo não acontecem. E os problemas que realmente se concretizam nem chegamos a imaginar.

27. Os chás são aliados poderosos na batalha contra a ansiedade. O capim-cidreira tem um princípio ativo que acalma. Só o cheiro já ajuda a diminuir a tensão. Uma outra infusão menos popular é o chá de casca de mulungu, que diminui a ansiedade e ainda melhora a qualidade do sono.

28. Procure uma academia e siga uma rotina de exercícios. A atividade regular ajuda a equilibrar o funcionamento do organismo.

29. Pratique atividades como tai chi chuan e ioga, que exercitam a respiração, ocupam a mente, reduzem o batimento cardíaco e fazem circular a energia do corpo. Equilibrado, o organismo combate a ansiedade.

30. Procure a companhia de pessoas tranqüilas e bem-humoradas. Ficar com outras pessoas ansiosas só vai alimentar seu desconforto.

*Consultores: Alceu Roberto Casseb, psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise, Flora Lys Spolidoro, nutricionista, Marco Antonio De Tommaso, psicólogo do Hospital das Clínicas, Rodrigo Cardoso, consultor de qualidade de vida e autor do livro A Resposta do Sucesso Está em Suas Mãos (Editora Record), Úrsula Maria Hecht, médica homeopata, Vanderli Marchiori, nutricionista e fitoterapeuta, diretora da Associação Paulista de Nutrição.

Texto: Juliana Nogueira
[Imagem: Joan Miro, "Dog in Front of the Sun"]

Posted by Lilia at 06:23 PM|Comments (0)