Principal
 Fale comigo
acorda!
amizade
amores
ansiedade
auto-estima, perdão e aceitação
compaixão & generosidade
cura & saúde!
delícias
depressão
desapego
do riso & bom humor
entrevistas
envelhecendo
espiritualidade
estorinhas
felicidade & alegria
inveja
mães, pais & filhos
magias e astrologias
meditação
medo & pânico
menopausa & TPM
mulheres
o alheio e a nossa vida
o poder do desejo
piegas? que nada!
preste atenção!
resiliência
rigidez & intolerância
uia!
fevereiro 2007
outubro 2006
setembro 2006
dezembro 2005
novembro 2005
outubro 2005
setembro 2005
agosto 2005
julho 2005
 
   
  27.08.05- A ARTE DE MENSTRUAR

Monika vom Koss

artedemesntruar-HelenNelsonReed-TheGoddessLightWhithin.jpg O que define uma mulher? Muitas respostas poderiam ser dadas a esta pergunta, mas o que caracteristicamente a define é o fato de que mulher menstrua. E em sua condição plena, ela menstrua regularmente, expressão redundante, pois a palavra menstruação, que significa, literalmente, ‘mudança de lua’, tem como sílaba-raiz mens, mensis, a medida, origem da contagem do tempo, i.é., da regularidade.

A sílaba latina mens forma palavras como medida, dimensão metro, mente, para citar algumas. No sânscrito, a sílaba original era ma, de mãe, mana. Na Suméria, os princípios organizadores do mundo, atributos da deusa Inana, eram os me, sílaba contida no nome de muitas deusas, como Medéia, Medusa, Nêmesis e Deméter.

Para as mulheres da Idade da Pedra, o sangue menstrual era sagrado. É provável que a palavra sacramento se origine de sacer mens, literalmente, menstruação sagrada. Um ritual exclusivamente feminino, conhecido pelos gregos como Thesmophoria, mas cuja origem se perde no tempo, era realizado anualmente no período da semeadura. As mulheres que tinham atingido a idade do sangramento se reuniam num campo sagrado, e ao primeiro sinal do fluxo menstrual, elas desciam por uma fenda para levar sua oferenda às Cobras, as grandes divindades primárias do mundo profundo, que representam o poder regenerador na terra, no campo e no corpo das mulheres. Ofereciam o melhor leitão da ninhada, cuja carne apodrecida junto ao sangue menstrual era misturada às sementes, que então eram enterradas no campo sagrado, para promover e propiciar uma colheita abundante.

Os antigos ritos de menstruação hindus estão relacionados com Vajravarahi, literalmente ‘Porca de Diamante’, a deusa que rege as divindades femininas iradas, que dançam o campo energético do ciclo menstrual. Ela é a dançante Dakini vermelha, filha da Deusa Primal do Oceano de Sangue, mais tarde denominado de Soma.

Representando o fluido da vida, o sangue menstrual sempre foi considerado tabu, palavra polinésia que significa ‘sagrado’ e que foi interpretada pelos antropólogos como sendo ‘proibido’. De fato, o sangue menstrual, como o poder de criar vida que conecta as mulheres com o próprio universo, era tabu, isto é, sagrado e portanto proibido àqueles que não menstruassem, como era o caso dos primeiros antropólogos homens.

No mais esotérico dos rituais tântricos, o Yoni Puja, os sucos liberados pela cópula eram misturados com vinho e partilhados pela congregação. O mais poderoso de todos os sucos era aquele obtido quando a yogini estava menstruando.

Ao longo dos milênios, as mulheres têm desaprendido a arte de menstruar, de fluir com a vida. Nas sociedades tribais, a menarca, o início do fluir do sangue, era celebrada com um rito de passagem, auxiliando a menina a realizar sua entrada para o reino do mana: o poder sagrado transmitido pelo sangue e que tanto podia dar como tirar a vida. Além de apaziguar o poder destruidor, o rito tinha como função auxiliar a menina a entender sua condição física e sua relação com a função procriadora da natureza. Ainda uma criança em espírito e condição social, a partir de suas regras, a jovem deve assumir o comando de sua vida. Sem ritos de passagem, o que temos para oferecer às nossas meninas, que as ajude a transformar e assumir sua nova identidade?

Ao longo do processo civilizatório, a menstruação foi sendo depreciada, relegada, virando tabu. O que era sagrado tornou-se proibido, sujo, contaminado. A regra passou a ser esconder a regra. O resultado disto foi que o evento central na vida de toda mulher madura tornou-se invisível. Ironicamente, retorna à visibilidade para se tornar um negócio milionário, o dos absorventes ditos ‘higiênicos’, mas que continua a reforçar a idéia de que o sangue menstrual é ‘sujo’. O apelo maior da propaganda de absorventes é tornar a menstruação invisível. Promete que usar tal ou qual marca de absorvente possibilita à mulher levar a vida como se nada estivesse acontecendo em seu corpo. Descaracteriza-a como mulher, negando sua característica mais distintiva.

Devemos abolir os absorventes? É claro que não, pois não vivemos na Idade da Pedra. Mas talvez devêssemos nos espelhar no exemplo das índias andinas, que simplesmente se agacham e deixam seu sangue fluir para a terra. Impossibilitadas de agir assim numa terra coberta de asfalto, podemos, contudo, transformar esta prática num ritual. É importante para as mulheres recuperarem o sentido sagrado do fato biológico central em suas vidas. Pois, ainda hoje, a maioria das mulheres ‘liberadas’ acredita que suas regras (aquilo que as rege) é uma inconveniência que, se possível, deveria ser eliminada. Se formos capazes de romper com esta crença, talvez possamos desvincular o feminino da idéia de fragilidade e instabilidade. A decantada imprevisibilidade feminina é, em grande parte, decorrente das oscilações a que a mulher está submetida, ao longo de seu ciclo mensal. É a expressão da imprevisibilidade da própria vida.

O ciclo hormonal feminino apresenta dois pontos culminantes: a ovulação e a menstruação. O polo branco da ovulação, chamado muitas vezes de rio da vida, é o polo ovariano, procriativo, momento do ciclo em que, biologicamente, a mulher se coloca plenamente a serviço da espécie. O polo vermelho da menstruação, também chamado de rio da morte, é o polo uterino, quando a mulher se volta para si mesma. Ou pelo menos deveria, pois a arte de menstruar, a habilidade de fluir com a vida, é o momento em que somos chamadas para dentro, a fim de curarmos a nós mesmas.

Desprezada e negligenciada, não é de estranhar que a menstruação revide. A TPM (Tensão entre Patriarcado e Menstruação) é a expressão do conflito que nós mulheres vivemos, entre voltarmo-nos para o acontecimento sagrado dentro de nós ou atender à demanda do mundo externo. O período menstrual nos torna mais sensíveis, captando os acontecimentos em torno de nós através de uma lente de aumento e reagimos de acordo. Se aprendermos a respeitar o movimento energético que acontece em nosso interior, poderemos usar esta sensibilidade de um modo mais significativo e reverter a depreciação a que o sangramento foi submetido, recuperando sua sacralidade.

Como mulheres modernas, inseridas num mundo que funciona de acordo com os valores masculinos, nem sempre podemos nos recolher na cabana de menstruação, como faziam nossas antecessoras, onde descansavam e partilhavam suas experiências. Mas podemos reduzir nossas atividades ao mínimo, deixando para outro momento algumas delas. Também podemos nos recolher para dentro de nós, enquanto executamos as atividades diárias que nos competem. Depois de cumpridas as tarefas, podemos nos retirar para um lugar tranqüilo e prestar atenção ao que acontece no nosso útero, observar as sensações e os sentimentos, os sonhos que emergem. O período menstrual é o momento em que podemos aprender mais a nosso respeito e curar nossas feridas. Assim reverenciada, a arte de menstruar pode ser recuperada, possibilitando uma vida mais plena e feliz como mulher.

Fonte: Caldeirão
[Imagem: Helen Nelson Reed, "The Goddess Light Whithin"]

Posted by Lilia at 09:08 AM|Comments (0)
 
  04.08.05- TPM como Sintoma

Maria Aparecida Diniz Bressani

tpmsintomas-GarryCutrell-PainandSadness.jpg TPM é uma síndrome que apresenta um conjunto de sintomas psico-físico-emocional e atinge cerca de 80% das mulheres em fase reprodutiva.

No campo psíquico, vemos predominância da ansiedade, excitação e agressividade. No campo emocional, crises acentuadas de depressão, ou estados depressivos, com forte sentimento de desesperança e tristeza profunda; sentimentos de rejeição e pensamentos auto-depreciativos; irritabilidade e facilidade para chorar; além de dificuldade de concentração em atividades do cotidiano, insônia e mau humor.

Acontecem também alterações físicas, como a retenção de líquidos, inchaço, dores musculares, de cabeça, nos seios e dores em geral; há também acentuado desejo de comer algum tipo de alimento, sobretudo doces e chocolates, ou um aumento generalizado do apetite. Todos esses sintomas e outros mais são decorrentes da mudança hormonal, típica do próprio ciclo menstrual da mulher; somados ao stress decorrente do ritmo e qualidade de vida que a mulher vive.

O tratamento, normalmente, é feito através de recomendação de exercícios físicos, vitaminas e/ou anti-depressivos.
Por que algumas mulheres não têm TPM? Por que outras têm alguns sintomas mais acentuados e outras, menos? E, por que outras mulheres, ainda, têm um quadro gravíssimo de sintomas deixando-as com a sensação de falta de controle sobre si mesmas?
Entendo que as doenças desde as mais leves, como uma gripe, por exemplo, ou a TPM, até uma mais grave, como um câncer ­têm como fator decisivo desencadeante o psiquismo. Se pensarmos numa simples gripe, por exemplo, por que algumas pessoas “pegam” mais gripes que outras? Por que algumas pessoas demoram mais para se curarem e outras, recuperam-se mais rapidamente de uma mesma doença? Vírus estão no ar o tempo todo convivendo conosco, então, porque não somos “atacados” constantemente por eles e, sim, somente em algum determinado momento? Por que estamos vulneráveis e com baixa resistência num momento e em outros, não?
Acredito que as doenças ­inclusive a TPM ­são psicossomáticas.

Esclarecendo a tempo: doença psicossomática é uma doença real em todo o seu quadro de sintomatologia física, que precisa ser tratada com medicamentos, mas, tem como fator determinante o psiquismo.
E, como estudiosa do psiquismo humano, acredito que, inconscientemente, “escolhemos” nossas doenças ­como última instância ­para despertar e refletir e, obviamente, mudar nossas crenças e comportamentos.
Podemos tratar os sintomas da TPM, seja com um complexo vitamínico e/ou algum anti-depressivo; mas é preciso tratar a “causa”, caso contrário, a mulher torna-se refém, mês a mês, dos seus sintomas, tornando-a incapaz de viver, nestes períodos, sua vida com liberdade e assertividade.
A meu ver, tratar apenas seus sintomas é paliativo, pois no mês seguinte lá estão eles, à sua revelia, perturbando e alterando sua vida de uma forma geral.
Como psicóloga, entendo que qualquer situação que se repete na vida de alguém ­ e, aí incluo a TPM acontece para que ele reflita sobre as suas crenças e atitudes no que concerne à sua pessoa e à sua própria vida.

A TPM, com seu conjunto de sintomas, e de como e quanto perturba sua vida ­ pessoal e profissional ­ é um “sintoma” de que há algo de errado com a mulher.
Na fase do ciclo menstrual em que ocorre a TPM há extrema sensibilidade e tudo o que acontece neste período atinge intensamente a mulher. O que antes a mulher relevava, deixava passar e procurava dar pouca importância, nesta fase tem-se a impressão que ocorre o contrário. De fato, ocorre o inverso dos outros momentos!
Acredito que justamente por a mulher estar, realmente, extremamente sensível­ “com a sensibilidade a flor da pele” ­que tudo o que vive é sentido muito mais intensamente, portanto, sua reação também será intensa e super-dimensionada à situação em si.
Acontece que, antes, as situações eram sub-valorizadas e sub-dimensionadas em prol das relações ou da imagem que a mulher quer preservar; porem, durante o período em que ocorre a TPM, estando ela com elevado nível de sensibilidade, tudo a atinge de forma impactante, tornando muitas vezes insuportável o que era antes suportável.
Vemos, então, que por força da alta sensibilidade deste período seu nível de tolerância cai em progressão geométrica em relação aos momentos anteriores.
Portanto, a mulher deve ficar atenta ao que lhe acontece no período da TPM, pois suas reações vão “sinalizar” onde podem estar algumas de suas dificuldades e fontes geradoras de stress e frustrações.

Não justifique uma crise de choro ou uma explosão emocional, por exemplo, ocorridas durante este momento com “Ah, eu estava de TPM!”, como se não fosse nada. Ao contrário, o que acontece de “diferente” aí deve ser observado com atenção.
Embora não conheça nenhuma pesquisa neste sentido, acredito que a TPM seja uma doença da mulher moderna, sobrecarregada com atividades e obrigações múltiplas; com alto grau de exigência, onde ela tem que dar conta de tudo, 100% e perfeitamente.
Essas atividades múltiplas e o alto grau de exigência pessoal e social geram elevado nível de pressão ­ interna e externa e, conseqüentemente, levam a um stress tal que o organismo e o psiquismo não conseguem absorver, elaborar e transformar, revertendo assim numa sintomatologia patológica: a TPM, por exemplo.
Parece que a mulher na atualidade esqueceu-se do que é ser mulher, sobre o seu papel diante do homem e da sociedade.

O caminho que a mulher percorreu em nossa história ocidental, na busca de liberdade e autonomia do homem e na sociedade, fez com que ela se afastasse de si própria, negando seu próprio ritmo e necessidades femininas.
Ela conseguiu provar para si, para o homem e para a sociedade, sua inteligência e competência (dentro do universo masculino), mas a um preço muito alto, que foi ignorar a sua importância como mulher para a sociedade humana apenas por ser mulher.
Vive hoje num ritmo “como se” fosse um homem (até mais sobrecarregada!).
Homem é diferente da mulher: tem outro processo fisiológico, hormonal e psicológico. E, parece, que a mulher esqueceu-se disso. Esqueceu-se que mulher é diferente do homem. Por isso, seu corpo “grita” através dos sintomas da TPM, para despertá-la para a “sua” realidade como mulher.
É preciso que a mulher se redescubra enquanto mulher. Aprenda a valorizar-se, agregando suas qualidades naturais, como, por exemplo, sua receptividade e sensibilidade com as ‘recém descobertas’, tais como, a capacidade de estratégia e objetividade.

A mulher deve ser a primeira a dar o devido valor para o seu papel e o que este representa dentro da sociedade humana, começando consigo mesma.
Como disse anteriormente, qualquer situação que reincida na vida de alguém acontece para que a pessoa pare e reflita. Não acredito que o que passamos na vida e que chamamos “sofrimento” seja apenas para nos prejudicar gratuitamente, mas, sim, para “despertar”, refletir e resolver.
Para a mulher, a reincidência da TPM mostra o quanto ela não está respeitando o seu ritmo e suas necessidade psíquicas, emocionais e fisiológicas.

Para curar a TPM, a mulher precisa curar a causa, que é resgatar-se como mulher, despertando-se para seu autovalor e auto-estima e começar respeitando seus ritmos fisiológico, hormonal, psicológico e emocional.
A TPM, então, como “sintoma” existe na vida da mulher para que ela desperte, desperte para si mesma!

* Maria Aparecida Diniz Bressani é psicóloga e psicoterapeuta Junguiana, especializada em atendimento individual de jovens e adultos, em seu consultório em São Paulo.
Fonte: somos todos um

[Imagem: GarryCutrell, "Pain and Sadness"]

Posted by Lilia at 01:06 PM|Comments (0)
 
  22.07.05- Reposição hormonal, o erro previsível

José Carlos Brasil Peixoto

reposicaohormonal-Modigliani-seated-nude.jpg Aos poucos vão surgindo notícias e mais notícias sobre os problemas de uma estratégia terapêutica, eufemisticamente chamada de terapia de reposição hormonal. Agora surge a triste perspectiva de haver um incrível incremento de transtornos circulatórios cerebrais (triplica o risco de derrame, entre outros problemas). Já há estudos suficientes que demonstram o aumento no risco de câncer de mama, e uma série de outras enfermidades.

Bem, cabe no mínimo perguntar, o que deu errado? Talvez seria melhor perguntar, porque deu errado. Ou quem sabe, poderia dar certo?

Quando falamos de reposição hormonal, estamos falando de um procedimento médico criado, ou pelo menos difundido por um médico nova-iorquino chamado Robert Wilson. Ele entendia que a mulher perderia seus principais atributos de feminilidade com a parada da menstruação. Mas isto não seria o fim. As mulheres não perderiam os seus atrativos para os homens. Já havia pelo menos um remédio para isto. O laboratório Wyeth já havia lançado o PremarinÒ, que rapidamente se transformou num dos medicamentos mais vendidos nos EEUU e no mundo. Seu rótulo é atraente: estrógenos conjugados naturais.

Nestes quase 40 anos ocorreu algo muito interessante. Faltou curiosidade. Faltou fazer algumas perguntas tão óbvias, que talvez por isso nem foram feitas.

O dr. Wilson afirmou que a menopausa é um problema, e é um problema causado pela baixa de estrogênios na mulher – ponto! “Feminine forever” (1966) foi um livro de incrível sucesso e prometia a juventude eterna para o público feminino, garantindo assim a atratividade para os homens. Nada mais machista.

No início reposição hormonal era apenas a reposição de estrogênios. Mas um significativo aumento no câncer de útero quase levou a primeira fase desta terapia a um fracasso mórbido. Isso foi contornado com o uso de progestinas (substâncias artificiais que imitam as funções da progesterona), e que têm como ícone a medroxiprogesterona (Farlutal Ò) o que levou tal tratamento ao ápice nos anos 90, quando até o coração poderia ser protegido.

O dr. John Lee, mais curioso que seus colegas, se lembrou de fazer perguntas e chegou às respostas. Em primeiro lugar a menopausa em si não é um problema médico a ser tratado. Em segundo lugar a menopausa sintomática não é devido à baixa hormonal simplesmente. É devido a uma baixa desequilibrada de taxas hormonais, uma vez que a progesterona baixa em demasia (quase a zero), fazendo que o estrogênio, mesmo baixando, fique sempre ativo (predominância estrogênica). Em terceiro lugar, devido à precisão nos receptores hormonais, é imperativo que se use hormônios bio-idênticos, o que não ocorre com as progestinas sintéticas, nem mesmo com os estrogênios conjugados (são naturais e idênticos para os eqüinos, não para o ser humano).

Logo, a terapia de reposição hormonal nunca passou de um título atrativo, mas grosseiramente equivocado: o que falta, se faltasse é a progesterona (o protocolo previa o uso de estrogênios e progesterona como coadjuvante), e o que se adiciona são substâncias distintas das necessários (falta bio-identidade), além de usarem como via de administração a via oral, o que provoca uma fratura metabólica, pela primeira passagem no fígado. Além do mais, reduziu esta questão ao aspecto biológico, esquecendo de integrar aos transtornos da menopausa as questões psicológicas, alimentares, sócio-culturais, entre outras, dentro do universo de contextos que o drama da mulher pode estar inserido.

Com tantos vícios de origem, e um grande desrespeito com a ecologia feminina, o inusitado é a surpresa que a opinião pública demonstra com a divulgação de tantos estudos que incriminam este tipo de tratamento.

Quando o ser humano foge demais da natureza, o preço a ser pago costuma ser muito alto. Talvez mais alto em sofrimento do que os bilhões de dólares que a venda destes medicamentos já gerou nestas últimas décadas.

(Livro: “A menopausa e os segredos dos hormônios femininos” de José C B Peixoto, 104 pgs., site: www.novatrh.cjb.net; site: www.johnleemd.com)

(Premarin (PREgnant MARes' urINe) é um composto de estrogênios extraídos da urina da égua prenha, que tem elementos diversos daqueles encontrados no ser humano, e em proporções bem distintas. Sobre isto ver o site: http://www.npr.org/news/specials/hrt, em 2002 era o quarto medicamento mais prescrito nos EEUU.)

[Imagem: Modigliane, "Seated Nude"]

Posted by Lilia at 04:31 PM|Comments (0)