Izabel Telles
Talvez a linguagem mais interessante que nossa mente nos fornece seja a intuição, esta percepção profunda que se nos dá, trazendo a sensação de que já sabemos ou que obtemos a resposta bem antes de tomar qualquer decisão ou ação.
Chamamos a intuição de a "Voz do coração", esta primeira mensagem que recebemos quando pensamos em algo ou em alguém. Normalmente, logo a seguir, vem a mensagem fria do nosso raciocínio cartesiano negando nossa intuição ou fazendo pouco caso do conteúdo que ela nos traz. E assim perdemos uma comunicação preciosa de quem está conectado com o grande Universo dentro e fora de nós.
Na verdade, foi ouvindo a voz da intuição que muitas pessoas deixaram de embarcar em aviões que acabaram caindo, outras trouxeram para nós invenções importantes, além de muitos diagnósticos que são feitos tendo na sua base esta sensação de que "sei o que é isso. Não com meu raciocínio, mas com o meu coração".
Parece incrível que o ser humano tenha desprezado por tantos séculos esta fantástica forma de nos relacionarmos com as fontes divinas de informação e cura. Até hoje isso acontece entre as pessoas. O intuitivo é desprezado nas grandes corporações como aquele que "fala umas coisas que não podem ser provadas cientificamente", e mais tarde acabamos por ver que aquela idéia que o intuitivo tinha apresentado era realmente uma idéia muito à frente do seu tempo e que, com certeza, iria funcionar caso fosse aplicada.
Mas como fazer para provar a intuição? Não me ocorre uma forma. Talvez você possa sugerir alguma. Como fazer para ensinar às pessoas a intuição? Claro que somos todos intuitivos por natureza e basta que soltemos as amarras do julgamento e das crenças preconceituosas para ouvir esta voz do coração. Mas como dizer às pessoas: confie nesta voz, siga esta voz, acredite naquilo que é seu. Fuja daquilo que querem fazer você acreditar.
Perceba o movimento que seu corpo faz quando alguém que não vai lhe fazer bem aproxima-se. Perceba que sua mão se fecha, seus batimentos cardíacos disparam, seu corpo se afasta, sua testa se franze e tudo que você quer é correr para longe dali. Mas o que normalmente fazemos? Não damos atenção a esta forma de intuição e estendemos a mão para esta pessoa e falamos "muito prazer" quando o que queríamos dizer era: "não tenho nenhum prazer em conhecê-lo". E ficamos por perto, almoçamos com ela e em alguns casos, acabamos nos tornando empregados desta pessoa, ou amigos ou amantes e as conseqüências disso não tardam a aparecer. Só que sua intuição já tinha avisado tudo isso no momento do encontro. Não teria sido mais fácil escutá-la?
Sei que não é fácil escutá-la. É preciso treinar, errar e acertar, e ter tempo para conferir os resultados. Enfim, experiência e confiança. Coisas que só ganhamos mesmo quando vivenciamos cada momento. Mas o importante mesmo é começar a praticar. Boa sorte.
Fonte: Somos Todos Um
[Imagem: Corneille, sem título]
Seus filhos estão vendo você o tempo todo. Por isso, é interessante trazê-los para sua vida
Roberto Shinyashiki
A sensação de que o tempo está passando, os filhos estão crescendo, e se está à margem deste processo, como um mero espectador, é um sofrimento para muitos pais. Se você é pai e sente que lhe falta tempo para acompanhar seus filhos, fique esperto: ter pouco tempo não é igual a não ter tempo.
O importante é aproveitar o pouco tempo de que dispõe, de modo a tirar seu máximo proveito. No final da semana, por exemplo, separe pelo menos 3 horas para vocês saírem juntos e colocarem as fofocas em dia. Se você utilizar bem suas horas livres, criará um relacionamento muito mais construtivo (e de respeito) com seu filho.
Outro fator essencial para o relacionamento é perceber que você precisa estar com seus filhos para ser mais competente. Não é só seu filho que precisa de você. Você também precisa dele. O tempo que passam juntos serve para você respirar e recarregar as baterias. É um momento para semear dentro de você uma nova energia, uma nova maneira de enxergar a vida.
A preocupação em deixar uma boa herança material para os filhos transforma muitos pais em workaholics (trabalhadores compulsivos). Não é assim que deve funcionar. A melhor herança para os filhos é a certeza de que são amados ou foram amados pelos pais. Esse sentimento não é transmitido com presentes, mas com olhares cúmplices, com um ombro amigo nos momentos de dor ou com frases do tipo “Filho eu adoro ser seu pai. Tenho orgulho de você. Obrigado pelas coisas que você me ensina”.
No entanto, para muita gente expressar sentimentos não é tarefa fácil. Alguns pais têm muita dificuldade em dar carinho aos filhos, mas nunca é tarde para começar. Pode ser aos poucos, mas é preciso começar de alguma forma. Veja, abaixo, três dicas que eu considero essenciais para você incrementar o relacionamento com seu filho:
1. Entenda que cada filho é um ser único. Respeite suas características e necessidades particulares. Se você tem dois filhos, procure sair com cada um deles em dias distintos. É claro que alguns programas devem reunir a família inteira, mas é importante existir um momento em que seu filho se sinta especial. Para que ele possa reclamar da professora, comentar sobre um amigo ou contar uma façanha.
2. Dedique tempo também para o filho que não tem problemas. A maior parte dos pais tem a tendência de dar toda a atenção para o filho que está com dificuldades na escola, doente ou terminou o namoro. De imediato, o outro que está indo bem percebe que não há vantagem nenhuma em ser um estudante ou uma pessoa responsável. Cedo ou tarde, ele começará a criar problemas em troca de sua atenção.
3. Mantenha presença marcante na vida de seus filhos. Apesar da falta de tempo, não deixe tudo para o final de semana. Principalmente os pais que são separados. Mesmo que, lá pelas 7 da noite, você ainda esteja trabalhando, telefone perguntando como foi o dia das crianças. Conte também sobre seu cotidiano. Seu filho deve ter curiosidade em saber o que você faz quando está longe dele.
Uma palavra final para os pais que têm filhos problemáticos. Talvez seu filho não queira estudar e você esteja aí enchendo a paciência dele. Lembre-se: seus filhos tomam você como modelo. É um constrangimento imaginar que pais que nunca abriram um livro e nunca fizeram um curso exijam isso dos filhos. O mesmo ocorre com as mães que estão acomodadas, morrendo de medo de sair do emprego em que são desvalorizadas, e buzinam o dia inteiro no ouvido de suas filhas que elas tem de ter autonomia e coragem de ousar.
Seus filhos estão vendo você o tempo todo. Por isso, é interessante trazê-los para sua vida. Se você está se formando num curso, convide-os para assistir a cerimônia. Eles precisam notar que você continua estudando. Que a mãe continua ousando e aprendendo coisas novas. Isso vai ser um estímulo para eles. E mais: seja o ídolo de seus filhos. Mas isso você só vai construir no dia-a-dia, na simplicidade de estar aberto para aprender junto com eles, na maneira como conduz seus atos e sua vida. Adote seus filhos antes que eles saiam atrás de um beadhunter de pai.
Fonte: Viva SP
[Imagem: Chip Henderson, "Father and son on dock fishing"]