outubro 27, 2005

Dicas para se proteger das energias pesadas, ditas "negativas"

dicasenergiasnegativaspeticov-harmonycollorsII.jpg Todos nós sabemos que as energias negativas são uma das maiores preocupações do ser humano. Procurar fugir delas é besteira. Ela nos alcança em qualquer lugar do planeta. Mas, podemos nos defender, começando a tomar uma série de atitudes e providências. Abaixo segue seis dicas pessoais para começar a combatê-las.

1. NÃO TEMER NINGUÉM
Uma das armas mais eficazes na subjugação de um ser é impingir-lhe o medo. Sentimento capaz de uma profunda perturbação interior, vindo até a provocar verdadeiros rombos na aura, deixando o indivíduo vulnerável a todos os ataques. Temer alguém significa colocar-se em posição inferior, temer significa não acreditar em si mesmo e em seus potenciais; temer significa falta de fé.
O medo faz com que baixemos o nosso campo vibracional, tornando-nos assim vulneráveis às forças externas. Sentir medo de alguém é dar um atestado de que ele é mais forte e poderoso. Quanto mais você der força ao opressor, mais ele se fortalecerá.

2. NÃO SINTA CULPA
Assim como o medo, a culpa é um dos piores estados de espírito que existem. Ela altera nosso campo vibracional, deixando nossa aura (campo de força) vulnerável ao agressor. A culpa enfraquece nosso sistema imunológico e fecha os caminhos para a prosperidade. Um dos maiores recursos utilizados pelos invejosos é fazer com que nos sintamos culpados pelas nossas conquistas. Não faça o jogo deles e saiba que o seu sucesso é merecido. Sustente as suas vitórias sempre!

3. ADOTE UMA POSTURA ATIVA
Nem sempre adotar uma postura defensiva é o melhor negócio. Enfrente a situação. Lembre-se sempre do exemplo do cachorro: quem tem medo do animal e sai correndo, fatalmente será perseguido e mordido. Já quem mantém a calma e contorna a situação pode sair ileso. Ao invés de pensar que alguém pode influenciá-lo negativamente, por que não se adiantar e influenciá-lo beneficamente? Ou será que o mal dele é mais forte que o seu bem? Por que será que nós sempre nos colocamos numa atitude passiva de vítimas? Antes que o outro o alcance com sua maldade, atinja-o antecipadamente com muita luz e pensamentos de paz, compaixão e amor.

4. FIQUE SEMPRE DO SEU LADO
A maior causa dos problemas de relacionamentos humanos é a "Auto-Obsessão".
A influência negativa de uma pessoa sobre outra sempre existirá enquanto houver uma idéia de dominação, de desigualdade humana, enquanto um se achar mais e outro menos, enquanto nossas relações não forem pautadas pelo respeito mútuo. Mas grande parte dos problemas existe porque não nos relacionamos bem com nós mesmos.

"Auto-Obsessão" significa não se gostar, não se apoiar, se autoboicotar, se desvalorizar, não satisfazer suas necessidades pessoais e dar força ao outro, permitindo que ele influencie sua vida, achar que os outros merecem mais do que nós. Auto-obsediar-se é não ouvir a voz da nossa alma, é dar mais valor à opinião dos outros.

Os que enveredam por esse caminho acabam perdendo sua força pessoal e abrem as portas para toda sorte de pessoas dominadoras e energias de baixo nível. A força interior é nossa maior defesa.

5. SUBA PARA POSIÇÕES ELEVADAS
As flechas não alcançam o céu. Coloque-se sempre em posições elevadas com bons pensamentos, palavras, ações e sentimentos nobres e maduros.
Uma atmosfera de pensamentos e sentimentos de alto nível faz com que as energias do mal, que têm pequeno alcance, não o atinjam. Essa é a melhor forma de criar "incompatibilidade" com as forças do mal. Lembrem-se: energias incompatíveis não se misturam.

6. FECHE-SE ÀS INFLUÊNCIAS NEGATIVAS
As vias de acesso pelas quais as influências negativas podem entrar em nosso campo são as portas que levam à nossa alma, ou seja, a mente e o coração. Mantenha ambos sempre resguardados das energias dos maus pensamentos e sentimentos, e fuja das conversas negativas, maldosas e depressivas.
Evite lugares densos e de baixo nível. Quando não puder ajudar, afaste-se de pessoas que não lhe acrescentam nada e só o puxam para o lado negativo da vida. O mesmo vale para as leituras, programas de televisão, filmes, músicas e passatempos de baixo nível.

fonte: Saindo da Matrix
[Imagem: Antônio Peticov, "Harmony II"]

Posted by Lilia at 03:30 PM | Comments (2)

outubro 20, 2005

Wabi sabi e a arte da imperfeição

Adilia Belotti

wabisabi.jpg Não sei quanto a você, mas eu ando definitivamente exausta de correr atrás da perfeição. No outro dia me peguei medindo as toalhas de banho dobradas para que elas formassem impecáveis pilhas no meu armário. Uma amiga me diz que arruma os vidros de tempero por ordem alfabética!? E o pediatra solta um comentário bem-humorado sobre mães que se sentem pessoalmente insultadas quando seus filhos ficam gripados. Como se gripe fosse uma espécie de tinta que manchasse a perfeição dos seus pimpolhos...

Nosso índice de tolerância aos "defeitos de fabricação" do universo anda mesmo muito baixo. E isso nos torna a espécie mais reclamona do universo, provavelmente a única, mas é que tenho algumas dúvidas se bois e vacas interiormente não reclamam daquelas moscas sempre em volta dos seus rabos...

Passamos um bocado de tempo tentando caber nas molduras que inventamos para nós. Isso quando escapamos de tentar vestir à força as expectativas que OUTROS criaram para NÓS. Senão, me digam por que seres humanos razoáveis investiriam tanto tempo, dinheiro e energia para tentar recuperar a imagem que tinham aos 18 anos?
Por estas e por outras tantas foi que quando terminei de ler aquele livrinho senti que tinha recebido uma revelação divina!

É só um livreto, mas, ao contrário, desses livros bonitinhos que a gente compra como se fosse um cartão para dizer “Feliz Aniversário” ou “Como eu gosto de você”, não é tão fácil assim de ler. Muito menos de pôr em prática os conselhos da autora. Em português acabou chamando A arte de viver bem com as imperfeições. Uma pena, eu penso. O título em inglês é The Art of Imperfection ou A Arte da Imperfeição. Assim, simplesmente. Teria sido melhor. Porque é disto que Véronique Vienne fala no seu pequeno livro: das formas de perceber a beleza que se esconde nas frestas do mundo perfeito que tentamos, sempre em vão, construir para nós.

Você conhece aquela história de que os tapetes persas sempre tem um pequeno erro, um minúsculo defeito, apenas para lembrar a quem olha de que só Deus é perfeito? Pois é, a Arte da Imperfeição começa quando a gente reconhece e aceita nossa tola condição humana.

Véronique Vienne dividiu seu manual em dez capítulos de títulos muito sugestivos: a arte de cometer erros, a arte de ser tímido, a arte de se parecer consigo mesmo, a arte de não ter nada para vestir, a arte de não ter razão, a arte de ser desorganizado, a arte de ter gosto, não bom-gosto, a arte de não saber o que fazer, a arte de ser tolo, a arte de não ser nem rico nem famoso. E encerra o livro com 10 boas razões para ser uma pessoa comum. “A história está cheia de criaturas incompetentes que foram muitíssimo amadas, desajeitados com personalidades cativantes e gente boba que encanta a todos com seu jeito despretensioso. O segredo? Aceitar nossas falhas com a mesma graça e humildade com que aceitamos nossas melhores qualidades”, ela diz. E propõe: “Perdoe a si mesmo. (...) Você não precisa ser perfeito para ser um ser humano bem-sucedido. De fato, com mais freqüência do que imaginamos, o desejo de acertar impede as coisas de melhorarem e a necessidade de estar no controle aumenta a desordem e o caos”.

A Arte da Imperfeição, no entanto, não se limita ao reconhecimento das imperfeições humanas. Também tem a ver com nosso jeito de olhar para as coisas mais banais, mais corriqueiras e enxergá-las com outros e mais benevolentes olhos. Leonard Koren, um designer americano, publicou alguns livros tentando revelar para o nosso jeito ocidental as delicadezas do olhar wabi sabi.
Wabi sabi é a expressão que os japoneses inventaram para definir a beleza que mora nas coisas imperfeitas e incompletas. O termo é quase que intraduzível. Na verdade, wabi sabi é um jeito de “ver” as coisas através de uma ótica de simplicidade, naturalidade e aceitação da realidade.

Contam que o conceito surgiu por volta do século 15. Um jovem chamado Sen no Rikyu (1522-1591) queria aprender os complicados rituais da Cerimônia do Chá. E foi procurar o grande mestre Takeno Joo. Para testar o rapaz, o mestre mandou que ele varresse o jardim. Rikyu lançou-se ao trabalho feliz. Limpou o jardim até que não restasse nem uma folhinha fora do lugar. Ao terminar, examinou cuidadosamente o que tinha feito: o jardim perfeito, impecável, cada centímetro de areia imaculadamente varrido, cada pedra no lugar, todas as plantas caprichadamente ajeitadas. E então, antes de apresentar o resultado ao mestre Rikyu chacoalhou o tronco de uma cerejeira e fez caírem algumas flores que se espalharam displicentes pelo chão. Mestre Joo, impressionado, admitiu o jovem no seu mosteiro. Rikyu virou um grande Mestre do Chá e desde então é reverenciado como aquele que entendeu a essência do conceito de wabi-sabi: a arte da imperfeição.

O que a historinha de Rikyu tem para nos ensinar é que estes mestres japoneses, com sua sofisticadíssima cultura inspirada nos ensinamentos do taoísmo e do zen budismo, conseguiram perceber que a ação humana sobre o mundo deve ser tão delicada que não impeça a verdadeira natureza das coisas de se revelar. E a natureza das coisas é percorrer seu ciclo de nascimento, deslumbramento e morte; efêmeras e frágeis. Eles enxergaram a beleza e a elegância que existe em tudo que é tocado pelo carinho do tempo. Um velho bule de chá, musgo cobrindo as pedras do caminho, a toalha amarelada da avó, a cadeira de madeira branqueada de chuva que espreguiça no jardim, uma única rosa solta no vaso, a maçaneta da porta nublada das mãos que deixou entrar e sair.

Wabi sabi é olhar para o mundo com uma certa melancolia de quem sabe que a vida é passageira e, por isso mesmo, bela.
Para os olhos artistas de Leonard Koren wabi sabi é inseparável da sabedoria budista que ensina:

Todas as coisas são impermanentes
Todas as coisas são imperfeitas
Todas as coisas são incompletas


Daí olhar para elas de um modo wabi sabi é ver:
A beleza que existe naquilo que tem as marcas do tempo (a velha cadeira de balanço com sua pintura já gasta tomando o solzinho que entra pela janela é wabi sabi)
A beleza do que é humilde e simples (em vez de sofisticado e cheio de ornamentos inúteis)
A beleza de tudo que não é convencional (quer algo mais wabi sabi do que servir à luz de velas e em toalhas de renda um simples hamburguer?)
A beleza dos materiais que ainda guardam em si a natureza (wabi sabi é definitivamente papel, algodão, velhos e nobres tecidos, nada de plástico)
A beleza da mudança das estações (que tal experimentar descobrir os primeiros verdes fresquinhos e brilhantes que anunciam a primavera?)

A Arte da Imperfeição é ver a vida com a tranquilidade de quem sabe que a busca da perfeição exaure nossas forças e corrói nossas pequenas alegrias. Porque, como disse Thomas Moore, “a perfeição pertence a um mundo imaginário”. No nosso mundo de verdade, aqui e agora, que tal abrir os olhos para o estilo wabi sabi?

Fonte: Saindo da Matrix
[Imagem: Gilles Nadeau]

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outubro 12, 2005

Como se libertar de um vício ou desejo

Emilce Shrividya

comoselibertardeumvicio-PeterWileman-redhorizon.jpg O desejo é um dos venenos da mente e cria energias negativas tirando nossa paz e equilíbrio.
Desejar significa querer algo, pessoas, coisas, acontecimentos e experiências. Mas significa também falta de algo. Este sentido de faltar algo é que conduz ao desejo. Quanto mais desejamos algo, mais a mente anseia por mais. O desejo é um poço sem fundo.

Em nossa sociedade não há fim para a busca incessante dos desejos. A mente está sempre querendo possuir coisas diferentes. E quando consegue uma delas, o prazer não dura. Logo outro desejo envolve você e você fica insatisfeito porque nunca poderá satisfazer todos eles. Isto gera agitação, raiva, inveja, ganância, inquietude causando sofrimento.

Por causa dos desejos, criamos os apegos, aflições, ansiedades, consumismo exagerado. Onde quer que haja um desejo, com certeza existe outro desejo.

Esses sentimentos de carência, de necessidade de nos completar e os desejos excessivos nos afastam cada vez mais da paz interior criando conflitos internos, dor, angústia e preocupação.
As pessoas acham que são livres para realizar os desejos da mente negativa, mas na verdade são escravas dos sentidos e dos desejos que geram doenças, frustrações e autopunição.

Isso não significa que devemos parar de saborear a vida, de aproveitar uma boa comida, gostar de diversão, de dançar, de fazer compras, gostar de música, cinema, teatro, bom livros. Mas precisamos do discernimento, do equilíbrio interno, do dourado caminho do meio, como diz o Yoga para sermos felizes e não escravos de nossos desejos.

Como lidar com o desejo
O Yoga nos ensina como lidar com o desejo praticando a contemplação e a meditação.
Observar a mente e identificar o que surge na mente é uma das maneiras de diminuir esta agitação constante.

É importante identificar esses venenos da mente, suas conseqüências, e nos conscientizar que podemos optar por uma melhor escolha para ser feliz. Escolher o que é benéfico e não apenas o que é prazeroso momentaneamente, mas que depois gera sofrimentos.

Uma pessoa, por exemplo, que precisa emagrecer fica travando uma luta interior com sua mente positiva e sua mente negativa. Os pensamentos ficam em ebulição ao desejar um doce ou uma comida bem calórica.

A mente positiva relaciona todas as desvantagens de não comer aquele doce ou comida, mas a mente negativa não se convence. O desejo cresce e a pessoa come o doce como se aquele prazer pudesse acalmar seus pensamentos e lhe trazer alegria e alívio da ansiedade. Mas o prazer é momentâneo e dura muito pouco. Logo ela sente culpa, sentimento de fraqueza, baixa-estima, derrota.

Isto se torna um ciclo vicioso e, novamente, os pensamentos recomeçam e a pessoa vai comer outro doce, outro pedaço de bolo, outra comida gordurosa...E assim é também com um copo de bebida, com o cigarro, com o desejo de possuir coisas, de comprar...

Como diz o Yoga, são prazeres que parecem néctar, mas que depois se tornam venenos porque tiram nossa saúde e tranqüilidade.

Às vezes esses desejos são padrões mentais muito fortes, muito enraizados dentro das pessoas e criam comportamentos repetitivos, compulsivos e vícios. Elas se sentem fracas e acham que o negativo tem mais poder e sempre vence. Não têm consciência que isto acontece apenas porque elas têm repetido, com insistência, os mesmos pensamentos que geram emoções e sentimentos negativos.

Para esses desejos fortes e destrutivos precisam se apoiar em Deus, pedir a ajuda Dele, lembrar-se Dele. Conversar com Deus com palavras que brotam do coração, fazer amizade com Ele através da meditação, do relaxamento, do canto dos mantras, dos pensamentos positivos que fortalecem a fé.
E neste processo de autocura é também muito importante conscientizar-se do que se obtém realizando esse ou aquele desejo destrutivo. A análise, com a luz da inteligência, traz o discernimento e a conscientização que libertam.

Ao ficarmos mais presentes e conscientes de nossas ações, não somos movidos por impulsos, compulsões, atrações e aversões. Libertamos-nos também das conseqüências dos desejos, como dívidas, gastos com compras desnecessárias, ansiedade por não ser bem sucedido, raiva pelos desejos insatisfeitos, e a dor dos apegos pelas coisas e pessoas.

Por exemplo, cada vez que fumar um cigarro ou beber mais um gole de bebida, fazê-lo conscientemente, lembrando-se de todos os males que está causando ao seu corpo, à sua saúde, à sua mente, ao seu equilíbrio.
Como disse Rajneesh: "Se és capaz de observar o ato de fumar, chegará o dia em que o cigarro cairá de teus dedos, porque o absurdo do fumar te será revelado. É algo simplesmente estúpido, idiota. Quando compreenderes isso, o cigarro, simplesmente cairá de teus dedos.... Vigia, sê alerta, consciente, e alcançarás um fenômeno muito milagroso: isso não deixa traços em ti".


Em seu livro A arte da Felicidade, Dalai Lama diz que o verdadeiro antídoto para a ganância e os desejos inquietantes é o contentamento. E este contentamento interior consiste em querer e apreciar o que temos e não em ter o que queremos.

É importante purificar nossos desejos e cultivar desejos positivos. Aspirar por valores interiores como o desejo pela paz, o desejo pela tranqüilidade da mente, pela felicidade no lar, por um mundo com mais harmonia.

É essencial estar cada vez mais à vontade, estar cada vez mais aqui e agora, gostar de você, ser feliz com você mesmo, celebrar a vida, aspirando pela paz interior que surge da mente pacífica e serena. Om Shantih! Fique em paz!

[Notas bibliográficas: Anantanda,Swami- What's om my mind? - Ed. Syda Foundation.
Beattie, Melody - Co-dependência nunca mais -Ed. Record.
Telles, Izabel- Feche os olhos e veja - Ed.Ágora
Chidvilasananda,Swami - Meu Senhor ama um coração puro- Ed. Siddha Yoga Dham Brasil]

Fonte: Vya Estelar
[Imagem: Peter Wileman, "Red Horizon"]


Posted by Lilia at 06:26 PM | Comments (0)

outubro 02, 2005

As Nossas Sombras

Irineu Deliberalli

nossasombras-SalvatoreTonnara-GreenButterfly.jpg EU PROMETO, FOI A ÚLTIMA VEZ.
Quantas vezes você já se disse esta frase: "Eu prometo foi a última vez..." E no momento seguinte ou diante de uma outra oportunidade, você volta a repetir o mesmo padrão de comportamento, que julga prejudicial a você. Mas alguma coisa lhe acontece interiormente e volta a repetir o mesmo comportamento, que diz odiar, que lhe prejudica, que jura por Deus não mais o repetirá e volta a praticá-lo quase de imediato às suas juras e promessas....

O que acontece conosco, quando assim agimos?

O que pude aprender até agora sobre esta dificuldade é que eu tenho um padrão cristalizado. Mas o que é padrão cristalizado? É uma maneira de pensar ou de me comportar, ou pensar e me comportar, já desenvolvido anteriormente, ao qual estou preso e não consigo me libertar; por mais esforço que faça sempre volto a repetir o mesmo comportamento ou pensamento.

Se é comportamento, é porque foi aprendido. Se for pensamento, aquele pensamento que não o larga, que é obsessivo, e mesmo que você não queira ele vem, ele virou uma sombra. Um comportamento é aprendido quando ele é observado pela pessoa e esta observação desenvolve em nós uma vontade ou uma não-vontade de imitar aquele comportamento.

O pensador francês Émile Coué afirma em um dos seus livros que "uma pessoa quando está numa briga íntima entre a imaginação e a razão, a imaginação sempre é a vencedora".

O que será que ele quer dizer com isso? Ele apenas está afirmando que a imaginação domina nossas vidas. Tudo o que eu imagino posso vir a concretizar e tudo o que eu imagino, é do que está cheio o meu coração.

Mas como assim... eu não entendi?

Entendeu sim. Aquilo que eu imagino, aquilo que me pego a pensar e até elaboro em cima são os padrões que estão cristalizados e preciso fazer um esforço enorme, intenso, intermitente, senão não consigo me libertar deles. Estes padrões cristalizados são as paixões de nossas vidas. São as paixões que meu coração desenvolveu e não quer abrir mão.

Olhe para alguma coisa que você se comprometeu a mudar e não consegue. Pare um pouco e veja seus sentimentos, indague agora porque não conseguiu mudar. Perceba que aquilo que você não quer mudar, é porque tem paixão. Está apaixonado por esta postura, atitude ou comportamento.

Dou um exemplo para quem fuma e tentou parar diversas vezes. Você já se deu diversas desculpas por não conseguir parar, mas olhe-se agora e perceba que só não parou, porque gosta do cigarro e não tem coragem de praticar o desapego. A mesma coisa é com um vício comportamental. É como o egoísmo, a vaidade, a rigidez, a necessidade de controlar a vida do outro, a necessidade de ser maledicente e falar mal da vida do próximo. A necessidade que tenho de me fazer notado, a necessidade que tenho em me queixar da vida ou de alguma pessoa, como se a vida ou alguém pudesse ser responsável pelo que acontece comigo.

Todas estas coisas que não mudo é porque tenho apego e paixão. São os defeitos de alma que desenvolvi na minha trajetória e não quero abrir mão e não quero abrir mão porque estou apaixonado... São coisas que na maioria das vezes me envergonho, mas não quero abrir mão. O apego e a paixão são maiores do que a vergonha.

Muitos destes padrões eu trago comigo em diversas encarnações e preciso hoje aprender a resolver esta pendência e não levar para outra vida este mesmo defeito. Não há mais tempo, a mudança tem que ser feita agora, amanhã talvez seja tarde.

Você está cansado dele? Quer se libertar? Olhe seu coração e veja em primeiro lugar se você quer mesmo. Se não quer mesmo, não perca tempo, continue sendo assim, como você é....

Ah, você quer se libertar! Olhou seu coração e decidiu que quer se libertar... Então, uma dica: questione seu comportamento, questione fundo. Faço-lhe então esta pergunta e por favor me responda: Por que você precisou deste comportamento até hoje? O que ganhou tendo ele consigo? Está mesmo disposto a abrir mão dele? Se conseguir fazer isso, estará muito, mas muito próximo de se libertar desta coisa que lhe incomoda e estará aprendendo a lidar com sua paixão. As paixões e os apegos estão aí, para serem transmutados.

Voltando ao pensamento, quando é um pensamento que fica insistentemente em sua mente, ou um pensamento que cai hora ou outra na mente sem que você o queira e não gosta que ele venha, da mesma maneira eu posso lhe dizer... que há um componente em você que se liga a este tipo de pensamento.... alguma coisa dentro de você, podendo ser até um sentimento destrutivo, está aí dentro de sua psiquê. E há alguma paixão presa nele também. Alguma vingança, alguma mágoa reprimida, algum desejo de destruição, uma necessidade de matar pai, mãe (fantasia infantil) ou qualquer adulto que em algum momento lhe tratou mal.

Esta energia está aí querendo ser tratada e está armazenada em seu subconsciente, e volta e meia ela vem para fora, porque alguma coisa no hoje a movimenta, a lembra e ela sai do arquivo da mesma maneira incompreensível como entrou, de maneira desordenada, desconexa, mas como uma emoção real.

Esta sombra é desenvolvida na primeira infância até os 7 anos quando um sentimento foi reprimido e não colocado para fora de maneira adequada. Como exemplo, imagine uma criança pequena que recebe uma reprimenda injustamente, ou mesmo justa e agressiva, de um adulto, qual a possibilidade que a criança teve de pôr para fora o sentimento daquele momento em que estava sendo agredida?

Nenhuma possibilidade. O sentimento veio até a garganta, mas ficou preso, não saindo e ficando preso, nós mandamos para o subconsciente esta mensagem, com toda a carga emocional que ela tinha. Um dia, ela sai para fora e não a conseguimos controlar, mas podemos entendê-la.

Outro conteúdo destas sombras são as chamadas memórias extracerebrais que são comportamentos aprendidos e praticados em outras vidas e que estão agora na nossa mente como se fosse uma sombra. Posso lhes afirmar que temos em nossa psiquê milhares destas sombras, todas arquivadas, esperando o momento propício de saírem para fora e nos causar o mesmo mal-estar, que já nos causaram na infância ou na outra vida, no momento que se instalaram.

Uma dica caso você queira começar a se livrar destas sombras: quando o pensamento da sombra aparecer, questione-o, pergunte-lhe porque você está aí ou porque você pensa assim ou o que ele quer sendo e pensando assim... Converse com seu pensamento, como se fosse uma outra pessoa, pois na verdade isto não é seu, não é de sua alma e se enfrentá-lo e confrontá-lo, você diminui sua força, seu domínio, deixando-o cada vez mais fraco, e cada vez menos irá importuná-lo.

Volto a insistir: Se quiser se livrar de uma sombra, não fuja dela; enfrente-a, só assim poderá melhorar. Você se lembra daquela frase: "Conheça a verdade e ela te libertará"? Se assim o fizer logo estará livre daquilo que o faz sofrer... este é um trabalho seu, de autodisciplina. Só você poderá fazê-lo. Boa sorte!

Fonte: Somos Todos Um
[Imagem: Salvatore Tonnara, "Green Butterfly"]

Posted by Lilia at 03:58 PM | Comments (1)