outubro 03, 2006

Almas perfumadas

Ana Cláudia Saldanha Jácomo
(Para minha avó Edith)

almaperfumada_georgiaokeeffe_whiterosewithlarkspur.bmp Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta. De sol quando acorda. De flor quando ri. Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda. Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça. Lambuzando o queixo de sorvete. Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher. O tempo é outro. E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver.

Tem gente que tem cheiro de colo de Deus. De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul. Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis. Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo. Sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso. Ao lado delas,pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.

Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra. Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza. Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria. Recebendo um buquê de carinhos. Abraçando um filhote de urso panda. Tocando com os olhos os olhos da paz. Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.

Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa. Do brinquedo que a gente não largava. Do acalanto que o silêncio canta. De passeio no jardim. Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo. Corre em outras veias. Pulsa em outro lugar. Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está dançando conosco de rostinho colado. E a gente ri grande que nem menino arteiro.

Costumo dizer que algumas almas são perfumadas, porque acredito que os sentimentos também têm cheiro e tocam todas as coisas com os seus dedos de energia. Minha avó era alguém assim. Ela perfumou muitas vidas com sua luz e suas cores. A minha, foi uma delas. E o perfume era tão gostoso, tão branco, tão delicado, que ela mudou de frasco, mas ele continua vivo no coração de tudo o que ela amou. E tudo o que eu amar vai encontrar, de alguma forma, os vestígios desse perfume de Deus, que, numa temporada, se vestiu de Edith, para me falar de amor.

[Ana Cláudia Saldanha Jácomo lançou recentemente seu primeiro livro, "Parto de Mim", uma produção independente.]

fonte: releituras

[Imagem: Georgia O'Keeffe, "Whith Rose with Larkspur"]

Posted by Lilia at 09:48 PM | Comments (0)

outubro 02, 2006

Lembre-se que, ao Morrer, sua "Caixa de Entrada" NÃO estará Vazia!

Richard Carlson

lembresequeaomorrer_josepgraugarriga_thebouquetandthefan.jpg Muitos de nós vivemos nossas vidas como se o propósito secreto dela fosse, de alguma forma, cumprir todas as tarefas. Ficamos acordados até tarde, acordamos cedo, evitamos o prazer, e fazemos nossos amados esperarem terminarmos as tarefas. É com tristeza que tenho visto muitas pessoas manterem os seres amados à distância por tanto tempo que eles perdem interesse em manter a relação. Quase sempre nos convencemos de que nossa obsessão com a lista do que "temos que fazer" é temporária - que, uma vez que tenhamos chegado ao fim da lista, ficaremos calmos, tranqüilos e felizes. Mas isso, na realidade, raramente ocorre. À medida que os itens vão sendo ticados, surgem outros novos para substituí-los.

A realidade da "caixa de entrada" (dos seus e-mail, por exemplo) é que seu único sentido é ter itens que a completem - de maneira que ela nunca esteja vazia. Sempre haverá telefonemas que precisam ser dados, projetos a serem desenvolvidos, e trabalho a ser feito. De fato, podemos argumentar até que uma "caixa de entrada" cheia é fundamental para nossa noção de sucesso. Significa que nosso tempo está sendo requisitado.

Independente de quem você seja ou do que faça, no entanto, lembre-se que nada é mais importante do que a sensação de felicidade e paz interior e as pessoas que nos amam. Se você é do tipo obcecado com coisas a serem feitas, nunca terá a sensação de bem-estar! Na verdade, quase tudo pode esperar. Muito pouco de nossa vida de trabalho realmente se encaixa na categoria de "emergência". Se você se mantém concentrado no seu trabalho, ele será feito em tempo hábil.

Eu acredito que se me lembrar (freqüentemente) que o propósito da vida não é fazer tudo, mas aproveitar cada passo no caminho e viver uma vida repleta de amor, será muito mais fácil para mim controlar minha obsessão em relação à execução de listas de coisas a serem feitas. Lembre-se, quando você morrer, ainda haverá coisas por completar. E sabe do que mais? Alguém as fará por você! Não desperdice nenhum dos momentos preciosos de sua vida lamentando o inevitável.

Fonte: peguei aqui
Richard Carlson, NÃO FAÇA TEMPESTADE EM COPO D'ÁGUA... e tudo na vida são copos d'água...Maneiras simples de impedir que coisas insignificantes dominem sua vida, Editora Rocco, 1998.

[Imagem: Josep Grau Garriga, "The Bouquet and the Fan"]

Posted by Lilia at 06:51 PM | Comments (0)