maio 23, 2007

Ressentimento

Louise L. Hay

ressentimentos_yosemitemirrorlake.jpg O ressentimento é a raiva há muito sufocada. O principal problema do ressentimento é que ele costuma se alojar sempre em uma determinada parte do organismo. Com o passar do tempo, naquele local vai se formando um cisto, que pode se transformar em tumor, que vai comer o corpo por dentro. Portanto, não existe nada pior para a saúde do que a raiva reprimida durante muitos anos.

Muitos de nós fomos criados em famílias em que não era permitido extravasar raiva. Em algumas delas, só o chefe da casa possuía esse direito. Dessa forma, os outros tinham de aprender a engolir a raiva. Isso é especialmente freqüente com mulheres, que em geral foram ensinadas que externar raiva era pouco feminino e sinal de falta de educação.

Muitas mulheres criam quistos ou tumores no útero devido àquilo que chamo de sindrome ele me magoou. Elas são pessoas com problemas emocionais que guardam seu ressentimento na área genital. Agem como as ostras, que, ao absorverem um grão de areia, criam em torno dela camada após camada de carbonato de cálcio para escaparem da irritação, até que se forma uma pérola. Essas mulheres absorvem a mágoa e ficam repisando seu ressentimento ou, como costumo dizer, passando sempre o velho filme, e as camadas e camadas de raiva reprimida acabam se transformando em um quisto e depois um tumor.

Como o ressentimento geralmente está muito fundo dentro de nós, é comum ele exigir muito trabalho mental para ser dissolvido. Recebi uma carta de uma senhora que estava lidando com seu terceiro tumor canceroso. Ela me contou que fazia muito trabalho mental, mas percebi por suas palavras que ainda guardava dentro de si um forte sentimento de indignação e amargura, que, no fundo, ela achava mais fácil deixar a cargo do médico extrair o tumor que trabalhar com grande constância em dissolver seus ressentimentos Ora, os médicos podem ser muito bons em extrair quistos ou tumores, mas só o próprio paciente pode impedir de voltar.

Existem pessoas que preferem morrer a mudar seus padrões. Você com certeza conhece alguém que se recusa a modificar seus hábitos alimentares, apesar de saber que corre perigo ao mantê-los. Isso pode ser bastante difícil para uma pessoa que vê um ente querido praticando exageros e percebe que é incapaz de modificá-lo.

No entanto, tenha em mente que não importam as escolhas, elas são sempre as corretas para quem as faz dentro do seu nível de compreensão e conhecimento. Não existe culpa, mesmo se a pessoa deixar este planeta devido a seus hábitos arraigados.

Ninguém deve se culpar por falhar ou fazer algo errado. Repito: uma pessoa está sempre fazendo o melhor possível dentro do grau de percepção e conhecimento que possui. Estamos todos em uma interminável viagem pela eternidade.. ."

Posted by Lilia at 03:09 PM | Comments (0)

A Alegria na Tristeza

Martha Medeiros

alegrianatristeza_desertflower.jpg O título desse texto na verdade não é meu, e sim de um poema do uruguaio Mario Benedetti. No original, chama-se "Alegría de la tristeza" e está no livro "La vida ese paréntesis" que, até onde sei, permanece inédito no Brasil.

O poema diz que a gente pode entristecer-se por vários motivos ou por nenhum motivo aparente, a tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas que ela sempre aparece e devemos nos aprontar para recebê-la, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda conseguirmos senti-la.

Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir.

Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora.

Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento.
Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.

Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença
contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada.

Fonte: JC Online
[Imagem: foto Lilia Lima]

Posted by Lilia at 12:20 PM | Comments (0)

maio 16, 2007

O “PARADIGMA SER-FAZER-TER”

Neale Donald Walsch
Tradução: Sandrinha Barroca

paradigma_floraquatica_baldwinpark.jpg O “Paradigma Ser-Fazer-Ter” é um modo de ver a vida. Não é mais nem menos do que isso. Mas essa maneira de ver a vida pode mudar sua vida e provavelmente mudará. Porque o que é verdade sobre esse paradigma é que a maioria das pessoas já o tem inconscientemente e quando elas finalmente o “pegam” sem hesitação e começam a olhá-lo de frente, tudo em suas vidas gira 180 graus.

A maioria das pessoas (eu sei que eu fiz) começa com a compreensão de que a vida funciona assim: Ter-Fazer-Ser. Isto é, quando EU TENHO a coisa certa, EU posso FAZER as coisas certas e, então, EU vou SER o que quero ser.

Quando EU TENHO boas notas EU posso FAZER a coisa chamada “me graduar” e EU posso SER a coisa chamada profissional – pode ser um exemplo. Aqui tem um outro. Quando EU TENHO bastante dinheiro EU posso FAZER a coisa chamada comprar uma casa e EU posso SER a coisa chamada seguro. Quer mais um? Aí vai: Quando EU TENHO bastante tempo EU posso FAZER a coisa chamada tirar umas férias e EU posso SER a coisa chamada descansado e relaxado.

Viu como funciona? Foi assim que meu pai, minha escola, minha sociedade me disseram que funcionava. A vida funciona desse jeito. O único problema era que EU NÃO estava conseguindo SER as coisas que eu pensava que seria depois de ter feito tudo que eu achava que deveria fazer e de ter todas as coisas que eu pensava que precisava ter. Ou, se eu conseguisse ser, só conseguia sê-lo por um curto período de tempo. Logo depois que eu conseguia ser “feliz” ou “seguro” ou “satisfeito”, ou qualquer coisa que fosse, eu me descobria outra vez INfeliz, INseguro e INsatisfeito!

Eu não parecia saber como “segurar a coisa”. Eu não sabia como fazê-la durar. Então sempre parecia como se eu tivesse feito tudo o que precisava por nada. Eu sentia como um esforço desperdiçado e comecei a me ressentir disso em minha vida.

Então eu tive a experiência de conversar com Deus e tudo mudou. Deus me disse que eu estava começando no lugar errado. O que eu precisava fazer era COMEÇAR onde eu pensava que ia CHEGAR.

Toda criação começa num lugar de SER, Deus disse, e eu tinha feito ao contrário. O truque da vida é não tentar chegar a ser “feliz” ou ser “seguro” ou o que quer que seja, mas começar SENDO feliz ou SENDO satisfeito e partir daí para viver a vida diária.

Mas como fazer isso se você não TEM o que você PRECISA TER para ser feliz etc.? Essa é a questão. A resposta é que vir DE um estado de ser em vez de tentar ir PARA um estado de ser praticamente assegura o “ter” final da equação.

Quando você vem DE um estado de ser, você não precisa ter nada para começar o processo. Você simplesmente escolhe, quase arbitrariamente, um estado de ser e então parte DO estado que você escolheu para tudo o que você pensa, diz e faz. Mas como você está pensando, dizendo e fazendo apenas o que uma pessoa que é feliz, satisfeita, ou o que quer que seja, pensa, diz e faz, aquilo que uma pessoa feliz ou satisfeita consegue TER vem para você automaticamente.

Vamos testar e ver se pode funcionar dessa maneira. Digamos que o que uma pessoa quer SER é uma coisa chamada “segura”. Se essa é a experiência desejada, o que podemos fazer é começar da casa do tabuleiro do jogo que diz EU SOU SEGURO. Começamos com essa idéia e esta é a idéia que vai operar por trás de tudo o que fizermos. Nos movemos para a parte SER-FAZER do paradigma.

Quando alguém faz aquilo que apenas uma pessoa segura faria, essa pessoa quase que automaticamente acaba tendo o que apenas as pessoas seguras poderiam ter. Faça o teste algum dia. É intrigante como funciona.

Agora, como você pode SER “seguro” se você não se sente assim? Como, se você não “tem” nenhuma das coisas que uma pessoa “segura” teria?

A resposta é... você decide que É “seguro” – independentemente que seja assim ou não. Então você FAZ o que uma pessoa “segura” faz. Você joga fora todos os outros comportamentos que não se harmonizem com isso. Logo, os únicos comportamentos que ficarão serão aqueles que produzem o resultado. Você parte DE um lugar da mente que cria uma substituição de atitudes e uma mudança da realidade.

Então, procure ver o que você quer SER na vida – isto é, que estado de ser você deseja experimentar. Pode ser mais de um. Mas teste apenas um de cada vez por enquanto. Escolha o estado de ser e se coloque nele. É simplesmente uma decisão, baseada em nada. É uma decisão feita de uma escolha. Pura escolha.

Depois, aja como uma pessoa que é aquilo agiria. Diga as coisas que uma pessoa que é aquilo diria. Faça apenas as coisas que uma pessoa que é aquilo faria. Você vai se assombrar como esse processo é efetivo em produzir o estado de Ter que corresponde ao que você escolheu ser.

[Imagem: foto Lilia Lima]

Posted by Lilia at 04:13 PM | Comments (0)