A auto-estima é tudo na história de uma pessoa: ela interfere no que fazemos, em todas as áreas. De um pedido de emprego a uma conquista amorosa. É o que dá estrutura e base à nossa existência. Vamos aprender a mantê-la em alta para encarar a vida com mais alegria, confiança e tranqüilidade.
HELOÍSA NORONHA
Em 1985, a cantora norte-americana Whitney Houston conquistou as paradas de sucesso com a música The Greatest Love of All, originalmente gravada por George Benson nos anos 70. É uma pena que, nos anos seguintes, a estrela não conseguiu aproveitar os conselhos tão sábios da canção, uma ode à importância da auto-estima - o maior amor de todos é o amor que sentimos por nós mesmos, diz o refrão. Whitney batalha até hoje para se livrar dos efeitos do álcool, das drogas e dos relacionamentos destrutivos, sinais evidentes de que durante muito tempo não esteve satisfeita com a própria vida e consigo mesma.
A boa auto-estima, assim como a saúde, é uma condição essencial para ser feliz. Mas, diferentemente do equilíbrio físico e psíquico, que muitas vezes sofre influências alheias à nossa vontade, a auto-estima positiva só depende de nós. E essa felicidade que caminha ao lado dela não é aquela alegria forjada de comercial de margarina, e sim algo que acontece nas entrelinhas do dia-a-dia: capacidade de acreditar nas próprias qualidades, maturidade para aceitar os defeitos e limitações, ânimo para seguir em frente apesar das dificuldades, orgulho das conquistas, aprendizado com os erros. Ter uma boa auto-estima é, sobretudo, enxergar a si mesma da maneira que você é - e gostar disso. "É se amar e se respeitar", sintetiza a psicóloga Sandra Samaritano, do Instituto Paulo Gaudencio, de São Paulo.
Todo mundo tem auto-estima, nem que seja baixa. Segundo o psicanalista Elko Perissinotti, do Hospital das Clínicas de São Paulo, há inclusive uma predisposição genética para nascer com mais ou menos autoconfiança. Mas isso não é um fator definitivo. "Cabe aos pais se preocupar com o desenvolvimento da personalidade da criança. Essa tendência pode ser modificada", assegura. Especializada em orientação infantil, a psicóloga Suzy Camacho, autora do livro Guia Prático dos Pais (Green Forest), concorda com Perissinotti e afirma que a auto-estima da criança se constrói conforme o meio em que ela vive, o que inclui a família e a escola. "Os sete primeiros anos de idade são importantíssimos, pois envolvem as referências de mundo. A criança aprende o que é ser magro ou gordo, alto ou baixo, por exemplo. Se ela ouve que é desastrada e bagunceira, vai acabar acreditando nisso", destaca.
O conteúdo do que escutamos na infância, inclusive, é crucial para determinar o nível da nossa auto-estima. Frases como "Por que você não é tão estudioso quanto o seu irmão?", "Se continuar assim você nunca vai ser nada" e "Pare de colocar o dedo no nariz ou não vou gostar mais de você" provocam anos de cicatrizes profundas, marcadas por culpa, vergonha e medo. "O grande erro de alguns pais é criticar diretamente o filho, em vez de condenar a atitude. Comparações com outras crianças também precisam ser evitadas", sentencia Suzy. Ou seja, o certo seria dizer: "estudar pouco fará com que repita de ano" ou "cutucar o nariz é muito feio".
Para a psicóloga Sandra Samaritano, a maior demonstração de amor que os pais podem dar aos filhos é a imposição de limites, algo essencial para a formação da boa auto-estima. "Às vezes, as crianças até reclamam das decisões dos pais, mas é inegável que, no fundo, se sentem queridas e confortáveis, pois sabem que alguém se preocupa com o bem-estar delas", diz.
Ao contrário das gerações anteriores, hoje em dia é comum ver crianças pequenas com uma auto-suficiência de dar inveja ao mais ponderado dos adultos. De acordo com os especialistas, isso é fruto da maior busca por informação, já que os pais costumam recorrer a respostas na psicologia para suas dúvidas, e também de um certo preparo precoce para lidar com a vida - resultado, também, das dores e das delícias do mundo moderno. "É preciso prestar atenção, porém, se não está havendo permissividade na educação, o que gera níveis elevados de segurança nos pequenos, que se sentem capazes de tudo", alerta Sandra.
Benefícios valiosos
Pode haver a falsa impressão de que a vida é um verdadeiro mar de rosas para quem se gosta e se curte. Não é bem assim. O que acontece é que amar a si mesma e se aceitar permite circular pelo mundo com mais segurança. Ninguém está imune à dor, à decepção ou ao fracasso, evidentemente. No entanto, pessoas com auto-estima elevada não entregam os pontos por muito tempo. "Elas são dotadas de um incrível senso de resiliência, que é a capacidade de suportar as frustrações e extrair algo de positivo delas", diz o psicanalista Elko Perissinotti. No campo profissional, são pessoas que não têm medo de tomar a iniciativa ou de expor idéias e projetos. No plano afetivo, são mais felizes e estabelecem relações de igual para igual - a velha máxima de que é preciso primeiro se gostar, para depois gostar de alguém, é verdadeira.
Por outro lado, não seria exagero afirmar que quem tem baixa auto- estima leva uma vida de mentira. "A pessoa é mais observadora do que atuante", comenta a psicóloga Suzy Camacho. Outras características típicas: timidez, pessimismo, complexo de inferioridade, mania de bancar a vítima, boicotes. Há tendência para desenvolver compulsões (por comida, jogo, bebida ou drogas) e a se envolver em relacionamentos amorosos destrutivos - com direito à violência, inclusive.
Para o psicanalista lacaniano Jorge Forbes, o conceito de auto-estima é amplo, e inclui também o desejo de aceitação pelos outros das nossas escolhas e realizações. Segundo ele, a auto-estima tem duas fontes fundamentais: a aprovação alheia e a responsabilidade pessoal do que se deseja. "É comum a pessoa perder muito tempo montando estratégias de captura de sua aceitação pelos outros. O fracasso é previsível porque os outros, a quem se pede aprovação, estão em situação semelhante. Em graus variados, todo mundo questiona, no dia seguinte aos aplausos, como será possível mantê-los", exemplifica. Disso, tiramos um conselho: satisfazer a nós mesmos em primeiro lugar, e sermos fiéis aos nossos desejos e vontades. O resto é conseqüência.
Perigos e soluções
O excesso de auto-estima também é prejudicial e, para o psicanalista Jorge Forbes, sinal de alienação. "Além de conduzir à solidão, é paralisante", afirma. "A pessoa pode demonstrar uma falsa superioridade para amenizar a angústia emocional", opina Elko Perissinotti. "Excesso de auto-estima é diferente de arrogância, que esconde uma enorme insegurança", salienta Sandra Samaritano.
As experiências da infância podem contribuir para esse problema. Suzy Camacho, mais uma vez, lança mão do exemplo das frases dos pais. Compare a diferença entre "Você é a criança mais linda da escola" e "Para mim, você é a criança mais linda da escola". "No primeiro caso, por mais afeto que contenha, o elogio não é verdadeiro. No segundo, a afirmação cede espaço para uma opinião", argumenta Suzy. E qual será o resultado de crescer com a idéia falsa de que se é o centro do universo? Adultos infelizes e frustrados, com a sensação amarga de que foram enganados.
E o que fazer quando chegamos à idade madura com baixa auto-estima? É possível reverter esse quadro e trabalhar a autoconfiança? Sim, em qualquer fase da vida. O primeiro passo, do ponto de vista da psicóloga Sandra Samaritano, é parar de usar o passado como desculpa. Apesar de a forma como fomos criados estabelecer o nível da auto-estima, a educação que recebemos não deve ser usada como desculpa para continuarmos tristes e descrentes. "O passado é uma zona de conforto, sim. Só que o resgate da auto-estima depende de atravessá-la", diz Sandra. O trabalho de reorganização interior e de revalorização não é fácil, mas tem como prêmio o controle da vida - quem tem baixa auto-estima fica à mercê da opinião alheia, pois a própria de nada vale. Caso seja difícil enfrentar esse processo sozinha, é recomendável buscar terapia individual ou em grupo. O psicólogo Elko Perissinotti aconselha a prática de técnicas alternativas como yoga, tai chi chuan e meditação para reencontrar o equilíbrio interno, e esportes em geral, principalmente a hidroginástica.
"É uma atividade em grupo, o que favorece a sociabilização. E a água tem o valor simbólico da vida, do útero da mãe. Ela transmite carinho, aconchego, paz. Costumo recomendá-la para pacientes com depressão", diz Perissinotti. Embora muitos médicos façam vista grossa para livros e cursos de auto-ajuda, eles têm valor, sim, para conscientizar sobre atitudes erradas. E, por último, Sandra Samaritano recomenda prestar mais atenção nas críticas que, por acaso, receba. "O inimigo fala de mim pelas costas. O amigo fala para mim e funciona como uma espécie de espelho, que reflete quem eu sou."
Fonte: Revista Uma
[Image: Lichtenstein, "Aloha"]
Falta de sono, pressa exagerada para resolver os problemas, medo de uma situação que ainda está por acontecer... Quando essas incômodas sensações começam a fazer seu coração disparar, é hora de controlá-las.
De repente, o coração começa a bater mais rapidamente. As mãos tremem, o ar começa a faltar. Vem uma sensação de angústia, como se o mundo se fechasse em torno de você. Na cabeça, uma só frase: "não há saída". O que você está sentindo é ansiedade, uma vontade de preencher a lacuna que existe entre o presente e o futuro, tornando-o mais previsível. Na mente de uma mulher ansiosa, a impossibilidade de saber o que pode vir a acontecer -já que ninguém tem bola de cristal -vira uma história de terror, dá até para construir um roteiro de filme. O que a pessoa sente é preocupação, ou seja, se ocupa antes de uma coisa que não tem solução possível naquele momento.
Essa inquietação interior é uma epidemia. Se não for exagerada, não chega a fazer mal. Mas quando a apreensão ultrapassa um certo limite, torna-se um caso clínico e é preciso procurar ajuda médica. Uma em cada quatro pessoas chega a esse extremo. É quando aparece a obesidade, a síndrome do pânico, problemas de coração. Mas isso tudo pode ser evitado. Preparamos uma lista com 30 dicas para ajudar a pôr o pé no freio dessas emoções e garantir o mínimo de tranqüilidade.
1. Cada vez que você perceber que vai fantasiar um desfecho catastrófico para alguma situação, escreva em um papel o que está prevendo. Depois, escreva ao lado, no mesmo papel, o que realmente aconteceu para poder comparar. Com o tempo, irá reunir casos que mostram o quanto você sofreu por antecipação.
2. Considere o pior desfecho para uma situação apenas como uma das hipóteses, e imagine outras possibilidades não tão ruins ou até boas.
3. Inspire profundamente e jogue o ar para o abdome. Repita várias vezes, se possível de olhos fechados. Isso diminui as reações que o cérebro desencadeia ao identificar uma situação de perigo.
4. Esforce-se para dormir bem: tome um banho morno antes, mantenha o quarto escuro, totalmente silencioso, vista-se de forma confortável.
5. Aprimore seu filtro de pensamentos. Não gaste suas energias e seu tempo com coisas que não mereçam, de fato, a sua preocupação.
6. Tome uma taça de vinho. Alimentos e bebidas vasodilatadores, como é o caso do álcool e da pimenta, proporcionam uma sensação de relaxamento. Mas nada de excessos.
7. Pare de reclamar de prazos apertados. No geral, não dá para alterá-los e as queixas consomem um tempo que poderia ser gasto para resolver o problema.
8. Vença seus medos se expondo gradualmente a eles e pare de evitar situações que são necessárias embora você as considere desconfortáveis.
9. Antes de experimentar alguma situação, você tem sempre duas possibilidades: sim e não. Quando você evita logo de cara, passa a ter apenas o não como possibilidade. Enfrente as situações.
10. Coma castanha-do-pará. A semente melhora a transmissão dos impulsos nervosos do cérebro.
11. Dedique um bom tempo para o banho. Se for de banheira, melhor ainda. No chuveiro, massageie o corpo e deixe a água quente cair nos pontos de tensão como ombros.
12. Faça um exercício leve que dê prazer, como uma caminhada. Com a liberação de endorfina, fica mais fácil surgirem soluções e os pensamentos tornam-se mais variados.
13. Olhe para trás e veja se você deixou de lado alguma atividade que proporcionava prazer, como um grupo de teatro, um curso de canto ou o time de vôlei. Tente retomar.
14. Inclua você em sua agenda. Raras pessoas fazem pausas durante o horário de trabalho. Com a dedicação intensa você passa a se envolver com tantos problemas que isso gera estresse, um fator externo de ansiedade.
15. Em cada refeição procure unir uma verdura crua, um alimento verde-escuro e uma fruta amarela. Por sua consistência mais dura, exigem um número maior de mastigações, ajudando a dissipar a
ansiedade.
16. Direcione suas energias para a solução e não aos problemas. Em vez de ficar ansiosa diante de um projeto importante que você tem que apresentar, ou de questionar sua capacidade, concentre todas as suas energias para fazer o melhor projeto possível.
17. Combata o perfeccionismo. Quando você estabelece o perfeito como meta, só vale o recorde mundial. Determine sempre submetas e assim ficará mais fácil atingi-las.
18. Pratique técnicas de relaxamento rotineiramente. Primeiro contraia cada um dos seus músculos para depois relaxá-los.
19. Quando estiver ansiosa, faça um esforço para distrair-se com um momento de lazer, alguma bobagem que divirta e ocupe a cabeça. Se está na expectativa de receber uma ligação importante e vai ficar em casa para esperá-la, experimente ler uma revista, fazer as unhas ou assistir a novela.
20. Quando você está pessimista diante de um acontecimento, encare o insucesso como uma forma de aprendizado e não uma catástrofe.
21. Coma chocolate. Como auxiliam na liberação de serotonina, o hormônio do prazer, no sistema nervoso, a pessoa passa a ter a sensação de conforto e bem-estar meia hora ou 40 minutos após o consumo. Mas evite exageros para não engordar.
22. Confie no poder das ervas. A kava-kava é um potente ansiolítico. A planta é encontrada em cápsulas só que, embora natural, é vendida apenas com prescrição médica.
23. Se está ansiosa com alguma coisa que vai mesmo acontecer, ensaie antes. Vivencie o fato sem clima de terror, aja sem pânico. Não sofra por antecedência.
24. Responda a seguinte pergunta: o que você pode fazer para solucionar a causa da sua ansiedade hoje? Se descobrir que só será possível agir na próxima semana, relaxe e deixe para se preocupar depois.
25. Para as pessoas que descontam a ansiedade na comida, uma boa saída é a combinação de cravo e canela. Salpicados sobre as frutas, chás e alimentos de baixas calorias, eles diminuem a compulsão alimentar além de melhorar bastante o sabor.
26. Lembre-se de que 90% dos "filmes mentais" que ficamos desenvolvendo não acontecem. E os problemas que realmente se concretizam nem chegamos a imaginar.
27. Os chás são aliados poderosos na batalha contra a ansiedade. O capim-cidreira tem um princípio ativo que acalma. Só o cheiro já ajuda a diminuir a tensão. Uma outra infusão menos popular é o chá de casca de mulungu, que diminui a ansiedade e ainda melhora a qualidade do sono.
28. Procure uma academia e siga uma rotina de exercícios. A atividade regular ajuda a equilibrar o funcionamento do organismo.
29. Pratique atividades como tai chi chuan e ioga, que exercitam a respiração, ocupam a mente, reduzem o batimento cardíaco e fazem circular a energia do corpo. Equilibrado, o organismo combate a ansiedade.
30. Procure a companhia de pessoas tranqüilas e bem-humoradas. Ficar com outras pessoas ansiosas só vai alimentar seu desconforto.
*Consultores: Alceu Roberto Casseb, psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise, Flora Lys Spolidoro, nutricionista, Marco Antonio De Tommaso, psicólogo do Hospital das Clínicas, Rodrigo Cardoso, consultor de qualidade de vida e autor do livro A Resposta do Sucesso Está em Suas Mãos (Editora Record), Úrsula Maria Hecht, médica homeopata, Vanderli Marchiori, nutricionista e fitoterapeuta, diretora da Associação Paulista de Nutrição.
Texto: Juliana Nogueira
[Imagem: Joan Miro, "Dog in Front of the Sun"]
Um estudo que acaba de ser publicado pela Universidade de Los Angeles,
Califórnia, assinala que a amizade entre mulheres é algo verdadeiramente especial. Descobriu-se que as amigas contribuem a dar-nos identidade e modelar o nosso futuro. Constituem um remanso ante a um mundo real cheio de tormentas e obstáculos.
As amigas ajudam a preencher vazios emocionais de nossas relações maritais
e nos ajudam a recordar quem realmente somos. Segundo os cientistas, há
evidências de que Ter amigas ajuda as mulheres a prevenir o stress que ocasiona problemas estomacais.
Depois de 50 anos de pesquisas, concluiu-se que há substâncias químicas
produzidas pelo cérebro que nos ajudam a criar e sustentar laços de amizades entre as mulheres. Os pesquisadores, homens em sua maioria, estão surpreendidos pelos resultados destes estudos.
Até a publicação dos resultados desta pesquisa, existia a crença de que quando as pessoas estão sujeitas a tensão nervosa extrema, reagem produzindo hormônios que geram uma reação que conduz para a briga ou para a fuga o mais rápido possível.
A doutora Laura Cousin Klein, uma das autoras do estudo mencionado, diz que estes detonadores de hormônios constituem um mecanismo de sobrevivência tão antigo como a humanidade. Se trata de um "resabio" que remonta à época em que os seres humanos eram nômades e sua principal atividade era a caça.
O que os pesquisadores descobriram é que não existem apenas mecanismos de
respostas de fuga ou de briga. Aparentemente, quando se libera o hormônio
chamado ocitocina como parte da reação das mulheres diante do stress, estas sentem a necessidade de proteger seus filhos e de agrupar-se com outras mulheres.
Quando isso ocorre, uma maior quantidade de ocitocina é produzida, diminuindo o stress severo e produzindo um feito calmante. Estas reações não se apresentam entre os membros do sexo masculino, devido ao fato de que a testosterona que os homens produzem em altas quantidades, tende a neutralizar os efeitos da ocitocina, enquanto que os estrógenos femininos aumentam a produção deste hormônio.
A descoberta de que as mulheres respondem de maneira diferente dos homens
provocou reações sarcásticas entre os membros do laboratório onde se realizaram as investigações. A cada estudo, foi sendo demonstrado que os laços emocionais que existem entre as mulheres que são amigas reais e leais, contribui a reduzir os riscos de enfermidades ao baixar a pressão arterial e o colesterol.
Acredita-se que esta pode ser uma das razões pelas quais as mulheres vivem
mais tempo do que os homens.
As mulheres que não estabelecem relações profundas de amizade com outras
mulheres não mostram os mesmos resultados em sua saúde.
Ter amigos nos ajuda, não somente a viver, mas a viver melhor. Um estudo sobre a saúde realizado pela Faculdade de Medicina de Harvard indica que
quanto mais amigas tenha uma mulher, mais aumentarão suas probabilidades
de chegar a velhice sem problemas físicos de incapacidade, levando uma vida plena.
Não contar com amigos próximos pode provocar tantos danos à saúde quanto
a obesidade, o tabagismo, o sedentarismo. Estudou-se também como as mulheres superam momentos difíceis, como a morte do cônjuge, e estabeleceu-se que as mulheres que podem confiar em suas amigas reagem a
este fato sem enfermidades graves e se recuperam em menor tempo do que
aquelas que não tem em quem confiar.
As mulheres que são amigas constituem uma fonte recíproca de fortaleza!!!
AUTORIA: não conseguir encontrar a autoria deste artigo. acho que o original é em espanhol "RE-VALORANDO LA IMPORTANCIA DE LA OXITOCINA - Un estudio sobre el efecto benéfico de tener amigas". se alguém conhecer, por gentileza me escrever.
[Imagem: Getty Image]
Katia Stringueto
O que uma exuberante gargalhada contém? A ciência quis saber. Nessa empreitada, primeiro percebeu e depois comprovou que o riso não só transmite alegria de pessoa para pessoa como também melhora a saúde
delas.
O mais recente estudo aconteceu na Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos. Os pesquisadores verificaram que a ativação de uma determinada região do cérebro associada a emoções negativas enfraquece a imunidade dos pacientes. Quem é mais triste apresenta uma atividade maior na parte frontal direita do córtex cerebral. Isso mexe com os neurotransmissores, as substâncias produzidas e liberadas ali, e reduz a produção de células de defesa do organismo. Em contrapartida, pessoas que tendem a olhar o lado positivo das coisas, nas quais o lado esquerdo do cérebro fica mais ativado, apresentam uma melhora na capacidade imunológica.
O bom humor é, então, uma forma descontraída de prevenir gripes e resfriados. E ainda um fortificante quando se fala em aids, câncer e problemas de coração. Um levantamento da Universidade de Maryland, também nos EUA, descobriu que sorrir influencia o músculo cardíaco: segundo o estudo, infartados apresentam 40% menos tendência a rir do que homens saudáveis da mesma idade.
Em outra pesquisa, desta vez no Brasil, realizada no Instituto Nacional do Câncer, a enfermeira Maria Helena Amorim, atual professora da Universidade Federal do Espírito Santo, constatou que mulheres com câncer de mama que enfrentam a doença com otimismo produzem mais de uma substância positiva no próprio sangue: há aumento de células natural killers, um tipo capaz de eliminar células tumorais. "Os exames de sangue comprovam que, no grupo de mulheres que receberam ajuda de terapeutas para relaxar e enfrentar a doença com otimismo, o índice dessas células poderosas chegou a 19%", informa a pesquisadora. Entre as mulheres que não receberam essa ajuda, o índice ficou em 8,5%.
"Em pacientes soropositivos e com câncer, a falta de esperança é um obstáculo sério ao tratamento. Costumo dizer que é como tentar empurrar um carro brecado: não funciona. O otimismo, por outro lado, faz tolerar melhor os medicamentos e os efeitos colaterais", observa o infectologista Arthur Timmerman, de São Paulo.
Benefício de corpo e alma
Ao reafirmar a importância das emoções e dos pensamentos positivos para a saúde, as pesquisas assinalam que brincar, rir e não se levar tão a sério é absolutamente desejável. ?Ser bem-humorado significa perceber que a maior parte das situações que vivemos não é nem muito importante, nem muito séria, nem muito grave?, define Silvia Cardoso, neurocientista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que estuda o riso e seus efeitos.
Ela constatou que não importa se a risada é por algo engraçado ou um gesto de cumprimento. Para ser benéfica, ela tem é de ser sincera. "Só quando o sorriso passa pela emoção é que libera substâncias que reduzem a tensão, relaxam os músculos e aumentam a imunidade", avisa.
"Sabemos ainda que rir oxigena o sangue e faz pensar melhor", completa Allen Klein, presidente da Association for Applied and Therapeutic Humor (um tipo de associação americana do humor terapêutico). Para a alma, o benefício de uma boa gargalhada é bem mais amplo. No livro Ninguém Escapa de Si Mesmo -Psicanálise com Humor (ed. Casa do Psicólogo), a psicanalista paulista Paulina Cymrot descreve alguns casos em que comentários divertidos abriram uma janela na alma trancada dos pacientes. "O humor serve para minimizar o excesso de dor, de rigor consigo próprio e com as outras pessoas", escreve a
autora.
A palavra humor vem do latim humore, que significa "deixar fluir". Isso inclui desculpar-se das próprias falhas e expandir-se internamente. Às vezes, é preciso deixar vir a raiva, o medo, a tristeza. "Estar de bem com a vida não significa ser super-herói e esconder os sentimentos ruins. Pelo contrário, é importante deixar a dor doer até passar", diz a doutora em psicobiologia Thelma Andrade, professora do departamento de ciências biológicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp, campus de Assis).
"O otimista também se irrita, mas reconhece que está assim e, tão logo quanto possível, elabora o fato e segue a vida. Não fica paralisado nem remoendo frente a um obstáculo", compara a psiquiatra Alexandrina Meleiro, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, de São Paulo.
Energia que transforma
A chargista argentina Maitena Burundera, 41 anos, autora do livro Mulheres Alteradas, transforma o sofrimento em fonte de criação. "Para mim, o humor é um mecanismo para lidar com minhas angústias. Tento rir do que me faria chorar", revela.
Acostumada a ouvir as dores humanas, a psicóloga paulista Lilian Pinheiro, 56 anos, entende que a alegria é a melhor coisa que existe. "O bom humor cura, faz as pessoas levarem a vida mais leve. Com certeza, me conduz à saúde física e mental", afirma. Sua energia é tanta que dá até para distribuir aos amigos. "Ela não faz tempestade em copo d'água. Sempre que converso com ela, sinto aquele ânimo, uma vontade de viver. Lilian contagia a gente", diz a amiga Erika Fromm, 30, cineasta, de São Paulo.
Hábitos que ativam o otimismo
Três atitudes ajudam a ampliar a cota de bom humor.
1. Dormir bem. A privação do sono eleva a agressividade.
2. Atividade física. Estimula a liberação de endorfinas, um tipo de neurotransmissor associado ao bem-estar. "Pode ser natação, ioga, caminhada. Só não vale ser algo competitivo, que estresse ainda mais", sugere a psiquiatra Alexandrina Meleiro.
3. Alimentação rica em fibras e nutrientes. "Quem está com o intestino preso fica intoxicado e de mau humor, frisa Célia Mara Melo Garcia, nutricionista e iridóloga, de São Paulo. Além disso, os alimentos certos servem de matéria-prima para a produção de parte da serotonina fundamental na química do bom humor. Entre eles estão:
Soja: Uma pesquisa recente provou que o grão contém moléculas que participam da formação da serotonina substância responsável pela sensação de bem-estar.
Carnes magras, peixes, nozes e leguminosas: Fontes de triptofano, facilitador da produção de serotonina, neurotransmissor do bem-estar.
Banana e castanha-do-pará: Contêm vitamina B6, que colabora para o bem-estar.
Manga: Alimentos amarelos, como essa fruta, são ricos em magnésio, outro mineral envolvido na regulação da serotonina, relaxante produzido pelo cérebro.
Leite e iogurte desnatados e queijos magros: Ricos em cálcio, fundamental para a liberação de neurotransmissores, como a serotonina.
Motivos para sorrir
Para cultivar seu senso de humor:
* Liste as coisas de que você mais gosta e considere seriamente a possibilidade de colocá-las em prática.
* Lembre do que você fazia com prazer na infância. O que o fazia ficar horas absorto, ler, olhar as estrelas, assistir um jogo...
* Perceba as atividades divertidas que pratica durante o dia. Jantar fora com um amigo, fazer amor, brincar com o cachorro, cozinhar. Observe como a alegria custa pouco.
* Tudo tem sua parte divertida e outra nem tanto. Só não deixe o que é divertido ficar escondido.
* Brincar é tão natural quanto respirar, sentir, pensar.
Autorize-se. Tente caminhar por um quarteirão observando quantos sorrisos encontra pela frente. Depois, faça o mesmo percurso sorrindo e comprove que rir é contagioso.
"Ser bem-humorado significa perceber que a maior parte das situações que vivemos não é nem muito importante, nem muito séria, nem muito grave", Silvia Cardoso, neurocientista.
Fonte: Revista Bons Fluidos
[Imagem: UteMaertens, "Kleiner Jongleur"]
Atenção materna causa contentamento que produz as mesmas substâncias das drogas
Benedict Carey, em Nova York
Os psicólogos dizem que o amor materno é como uma droga, uma substância potente que cimenta a relação entre mãe e bebê e que tem impacto profundo sobre o desenvolvimento posterior do indivíduo. Mas os cientistas sabiam muito pouco sobre como a maternidade afetaria biologicamente os bebês. Se ela é como uma droga, que tipo de droga seria essa?
Um grupo de pesquisadores italianos e franceses anunciou na semana passada que em pelo menos um grupo de mamíferos a maternidade age como uma substância opiácea. Os pesquisadores descobriram que ratos que não possuem um gene que permite o alívio da dor após a administração de opiáceos têm grande dificuldade em estabelecer laços com as suas mães.
Quando são separados brevemente das suas mães na primeira semana de vida - um período vulnerável, quando são incapazes de andar ou de abrir os olhos - os filhotes geneticamente alterados não choram de ansiedade como os ratos normais que sofrem a mesma separação. Segundo os cientistas, esse choro por ajuda é fundamental para cimentar o vínculo entre mães e filhos.
Os pesquisadores realizaram experimentos para verificar se os ratos geneticamente alterados choravam em resposta a outros tipos de estresse, como a exposição a baixas temperaturas. Os filhotes choraram. O único fator que não foi expresso intensamente foi a ansiedade da separação.
"O choro faz parte de um comportamento de ligação sentimental que mantém a proximidade entre o bebê e a mãe", explica Francesca R. D'Amato, do Instituto de Neurociências CNR, em Roma, e uma das autoras do estudo, publicado na edição de 25 de junho da revista "Science". "Apesar de ser algo de fundamental para a sobrevivência, esses animais não exibiram tal comportamento".
O estudo fornece forte evidência de que as mesmas substâncias químicas do cérebro que controlam a dor física regulam também a dor psicológica causada pela perda e pela separação, diz ela. Esse foi um dos vários experimentos recentes mostrando que as alterações em um único gene podem remodelar radicalmente o comportamento social.
Neste mês, cientistas da Universidade Emory, em Atlanta, relataram que a injeção de um único gene em um outro roedor, o rato-da-campina, faz com que machos promíscuos se transformem em pais caseiros. O gene ajuda a criar nos animais receptores celulares para a vasopressina, um hormônio
que atua na promoção de laços sociais. Os cientistas já haviam demonstrado anteriormente que os roedores que eram geneticamente insensíveis a um outro hormônio, a oxitocina, tinham dificuldades para formar casais.
A neurobiologia dos laços entre mãe e filho provavelmente envolve todos os três sistemas de alguma forma, dizem os cientistas. "Esse último estudo é o maior e o melhor do seu tipo e fornece forte evidência de que o apoio maternal possui um componente opiáceo", diz Jaak Panksepp, professor de psicologia da Universidade Estadual Bowling Green, em Ohio, que há mais de duas décadas sugeriu que os receptores opiáceos são importantes para a formação dos laços entre mãe e filho.
Os sistemas de hormônio e alívio da dor funcionam de maneira similar em todos os mamíferos, incluindo os humanos. A circulação pelo corpo de substâncias opiáceas naturais como as endorfinas ajuda os animais a sentirem alívio e conforto.
As substâncias mensageiras presentes no cérebro, como a dopamina, ajudam a intensificar a sensação de ser recompensado, quando, por exemplo, o indivíduo ganha uma aposta, conhece um potencial parceiro amoroso ou obtém apoio dos pais.
Os pesquisadores dizem que variações sutis nos genes que regulam esses sistemas poderiam interferir nas interações sem palavras e baseadas nas emoções entre a mãe, ou outra pessoa que cuide do bebê, e os filhos. Por exemplo, o toque físico pode desencadear a liberação de substâncias opiáceas que têm efeito calmante, mas um bebê com sensibilidade reduzida a tais substâncias poderia não experimentar tão profundamente tal sensação de alívio. Isso, por sua vez, poderia frustrar a mãe ou outra pessoa que cuida do neném, já que essa espera proporcionar conforto.
"O que podemos descobrir, por exemplo, é que, aqueles indivíduos nascidos com uma sensibilidade alterada para as substâncias opiáceas teriam um temperamento particular, um temperamento psicológico nato, que tornaria difícil para as mães o estabelecimento de conexões com os filhos", diz Allan N. Schore, que estuda os vínculos entre mães e filhos na Escola de Medicina da Universidade da Califórnia, em Los Angeles.
"A capacidade de sentir e expressar dor, de chorar e de se sentir confortado reforça os laços afetivos. E esses laços ajudam a criança a regular os seus próprios estados negativos internos à medida que cresce".
Na verdade, um tratamento materno carinhoso e atencioso pode ajudar filhotes de animais a superar algumas anomalias genéticas. Em uma série de experimentos, cientistas da Universidade McGill, em Montreal, demonstraram que os bebês ratos que eram repetidamente acariciados, aconchegados e lambidos por suas mães se tornavam adultos menos ansiosos do que aqueles que recebiam menos atenção materna.
Em um estudo publicado na última edição do periódico "Nature Neuroscience", os pesquisadores da Universidade McGill relataram que esses cuidados físicos maternos no início da vida desencadeiam mudanças duradouras nos genes dos ratos que ajudam os animais a lidar com o estresse por toda a vida.
Pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde demonstraram um efeito similar em macacos: o fato de contar com pais e mães carinhosos e atenciosos protege os animais de uma variação genética específica que faria com que - na ausência de conforto e apoio - eles corressem um risco maior de apresentarem comportamentos agressivos e desordeiros.
Esses macacos criados com carinho tendem a se tornar, eles próprios, pais carinhosos: a sua ligação com as mães fornece um modelo para os relacionamentos que manterão bem mais tarde com seus próprios filhotes.
"A parte importante de tudo isso é que estamos demonstrando que pais atenciosos podem na verdade alterar para melhor os genes do bebê", diz Schore.
Uma criança com menos sensibilidade genética às sensações de dor e prazer poderia se desenvolver bem ao ser criada por pais especialmente atentos aos sinais mais sutis manifestados pela criança, diz ele. E a fisiologia da criança poderia, a seguir, corrigir ou compensar a diferença genética.
Embora os cientistas ainda tenham muito o que aprender sobre as várias substâncias químicas cerebrais envolvidas nesse processo, alguns deles dizem que faria sentido que, entre elas, estivessem as substâncias opiáceas, uma classe de compostos que incluem drogas causadoras da dependência, como a morfina e a heroína.
"Pense nisso: Os laços com os pais são muito importantes; essenciais para a sobrevivência", diz Panksepp. "Não faria sentido que essa dependência social fosse um fenômeno da mesma classe que o do vício em drogas?".
Fonte: Aleitamento.com
[Imagem: Kolongi, "Mothers Love"]
Enquanto...
Você dorme pacificamente, ele perde o sono quando pensa em você.
Você acorda e saúda o sol, ele olha o seu bronzeado.
Você sai para o trabalho, ele calcula o seu salário.
Você constrói sua casa, ele julga a cor das tintas.
Você estuda, tem boas notas, ele se preocupa com esses números.
Você conquista um diploma, ele vive o medo do seu sucesso futuro.
Você levanta um prédio, ele escolhe uma janela prá pular.
Você cura os doentes, ele adoece por conta disso
Você ensina os seus alunos, ele tenta descobrir o que você não sabe.
Você tem a simpatia da chefia, ele prefere chamá-lo de puxa-saco.
Você recebe os aplausos, ele busca saber se alguém o vaia.
Você liga seu computador para serviço útil, ele coleciona programas de vírus ou invade seu correio com tolas agressões.
O que ele realmente faz - quando faz: você cria, ele copia !
Você teme o invejoso por quê? Ele é um eterno espectador, merece sua compaixão e não seu temor.
[Imagem: Getty Image]