julho 31, 2005

Importância da Reciprocidade

Antônio Roberto Soares

importanciareciprocidade-GilAdams-MoneyHeart.jpg "As relações que se fazem através do binômio favor-gratidão, em geral, são de muito conflito porque se estabelecem através do jogo da renúncia"

Não sei se o mundo tem jeito. Nós temos. Quando ajudamos alguém e esperamos algo em troca, ainda que seja gratidão, não estamos sendo bons, mas espertos. A bondade, a proteção e a ajuda têm sido usadas como instrumento de controle sobre o coração das pessoas. E, quando, apesar de tudo o que fizemos pelo outro, ele, no exercício de sua liberdade, nos dá um "não", nós o chamamos de ingrato e nos sentimos injustiçados.

Existe uma grande diferença entre amor e favor. No amor, temos grande alegria em fazer algo por alguém e somos pagos no próprio ato de fazer. No favor, tudo o que fazemos é contabilizado e futuramente cobrado. Chamamos de ingrata a pessoa a quem prestamos um favor e na hora de pagar ela não o fez. Mesmo porque nada foi combinado com ela. Ingrato é aquele que não se vendeu aos nossos favores. As relações que se fazem através do binômio favor-gratidão, em geral, são pesadas e de muito conflito porque elas se estabelecem através do jogo da renúncia.

Ensinaram-nos que, para o amor, é essencial renunciar. Que devemos abrir mão de nossa individualidade, dos nossos gostos, do nosso tempo, dos nossos sagrados, do nosso crescimento etc. Tudo por amor a alguém. Com o passar do tempo, todo esse sacrifício amoroso vira uma cruel cobrança no sentido de que o outro nunca nos contrarie e permaneça, através do agradecimento, escravizado a nossos desejos. Daí a importância do "sim" e do "não" em nossos relacionamentos.

Amigo é aquele que consente o meu "não" e eu o dele. Do contrário, é escravidão. A bondade só faz parte do amor se for absolutamente verdadeira. Usada para dominar alguém, é crueldade. Talvez esse seja o motivo para tantos problemas familiares. Casais que se acusam mutuamente da falta de reconhecimento de um pelo o que o outro fez. Mães e pais que se sentem injustiçados quando os filhos não atendem às suas expectativas e não "pagam" com o sucesso e bom desempenho o que foi feito para eles. É uma cadeia interminável de cobrança e de culpa que traz enormes desgastes num relacionamento.

A palavra sacrifício é muito interessante. Vem do latim e significa "tornar-se sagrado para o outro". Quando, porém, somos excessivamente bondosos para os outros eles respondem a isso com culpa. Nenhum filho, nenhum marido, nenhuma mãe, em sã consciência quer o próprio prazer à custa do sofrimento do outro. A reciprocidade nas relações é importante.

Todo relacionamento é uma troca, mas tem de ser combinada. O que não é adequado sou eu fazer pelo outro, sem acertar e posteriormente cobrar. As relações se tornam exploração. Vivemos com a sensação de injustiçados, não reconhecidos.

Há uma piada que reflete isso. Um rapaz passeava com uma moça de carro e a levou para o interior de um bosque. Parou o carro e começou a acariciá-la, insinuando um desejo de ter alguma intimidade sexual com a moça. Ela retrucou explicando:
- Eu sou uma prostituta e se você quer alguma coisa, terá de pagar.
- E quanto eu devo pagar? - perguntou o rapaz.
- Cinqüenta reais - respondeu a mulher.
Assim sendo, ele tirou uma nota de cinqüenta reais e entregou a ela. Depois de passar um bom tempo nas intimidades sexuais, se arrumaram e a moça notou que o rapaz não dava sinais de querer ir embora.
- Vamos, já fizemos o que era para fazer.
Ele respondeu:
- Não, temos de combinar, eu sou chofer de táxi. Você terá de pagar a corrida de volta.
- Quanto é? - perguntou a mulher.
- Cinqüenta reais!

A esperteza, o oportunismo, o se dar por amor e cobrar depois é a forma que aprendemos. Pessoas livres, autônomas, verdadeiramente amorosas se relacionam com o máximo de clareza. Comprar o possível amor do outro, através da renúncia, da bondade, do favor, do sacrifício, na esperança de ter o outro, é abrir um caminho complicado de sofrimento. Talvez isso explique a nossa grande dificuldade de dizer não à nossa compulsiva necessidade de agradar sempre, de "puxar o saco", de pensar mais no outro do que em nós mesmos. Se você espera resposta para sua bondade, é melhor não tê-la.

[Image: Gil Adams, "MoneyHeart"]

Posted by Lilia at 12:09 PM | Comments (2)

julho 28, 2005

A Alma dos Diferentes

Artur da Távola

almadiferente-fridakahlo-self-portrait.jpg Ah, o diferente, esse ser especial!

Diferente não é quem pretenda ser. Esse é um imitador do que ainda não foi imitado, nunca um ser diferente.

Diferente é quem foi dotado de alguns mais e de alguns menos em hora, momento e lugar errados para os outros. Que riem de inveja de não serem assim. E de medo de não agüentar, caso um dia venham, a ser. O diferente é um ser sempre mais próximo da perfeição.

O diferente nunca é um chato. Mas é sempre confundido por pessoas menos sensíveis e avisadas. Supondo encontrar um chato onde está um diferente, talentos são rechaçados; vitórias, adiadas; esperanças, mortas. Um diferente medroso, este sim, acaba transformando-se num chato. Chato é um diferente que não vingou.

Os diferentes muito inteligentes percebem porque os outros não os entendem. Os diferentes raivosos acabam tendo razão sozinhos, contra o mundo inteiro. Diferente que se preza entende o porque de quem o agride. Se o diferente se mediocrizar, mergulhará no complexo de inferioridade.

O diferente paga sempre o preço de estar - mesmo sem querer - alterando algo, ameaçando rebanhos, carneiros e pastores. O diferente suporta e digere a ira do irremediavelmente igual: a inveja do comum; o ódio do mediano. O verdadeiro diferente sabe que nunca tem razão, mas que está sempre certo.

O diferente começa a sofrer cedo, já no primário, onde os demais de mãos dadas, e até mesmo alguns adultos por omissão, se unem para transformar o que é peculiaridade e potencial em aleijão e caricatura. O que é percepção
aguçada em: "Puxa, fulano, como você é complicado". O que é o embrião de um estilo próprio em : "Você não está vendo como todo mundo faz? "

O diferente carrega desde cedo apelidos e marcações os quais acaba incorporando. Só os diferentes mais fortes do que o mundo se transformaram ( e se transformam) nos seus grandes modificadores.

Diferente é o que vê mais longe do que o consenso. O que sente antes mesmo dos demais começarem a perceber. Diferente é o que se emociona enquanto todos em torno agridem e gargalham. É o que engorda mais um pouco; chora onde outros xingam; estuda onde outros burram. Quer onde outros cansam.
Espera de onde já não vem. Sonha entre realistas. Concretiza entre sonhadores. Fala de leite em reunião de bêbados. Cria onde o hábito rotiniza. Sofre onde os outros ganham.

Diferente é o que fica doendo onde a alegria impera. Aceita empregos que ninguém supõe. Perde horas em coisas que só ele sabe importantes. Engorda onde não deve. Diz sempre na hora de calar. Cala nas horas erradas. Não desiste de lutar pela harmonia. Fala de amor no meio da guerra. Deixa o adversário fazer o gol, porque gosta mais de jogar do que de ganhar. Ele aprendeu a superar riso, deboche, escárnio, e consciência dolorosa de que a média é má porque é igual.

Os diferentes aí estão: enfermos, paralíticos, machucados, engordados, magros demais, inteligentes em excesso, bons demais para aquele cargo, excepcionais, narigudos, barrigudos, joelhudos, de pé grande, de roupas erradas, cheios de espinhas, de mumunha, de malícia ou de baba. Aí estão, doendo e doendo, mas procurando ser, conseguindo ser, sendo muito mais.

A alma dos diferentes é feita de uma luz além. Sua estrela tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os pouco capazes de os sentir entender. Nessas moradas estão tesouros da ternura humana. De que só os diferentes são capazes.

Não mexa com o amor de um diferente. A menos que você seja uficientemente forte para suporta-lo depois.

Fonte: Proarte Cultural

[Image: Frida Kahlo, "Self Portrait"]

Posted by Lilia at 09:28 PM | Comments (1)

Abundância de amor

Roberto Shinyashiki*

abundanciaamorGustavklim-tFulfillment.jpg Psiquiatra defende fim da economia de carícias e mesquinhez afetiva e diz que homens e mulheres guardam seus carinhos como um avarento guarda dinheiro.

Carícia é a unidade de reconhecimento humano. Começa no nascimento, com o toque físico. Depois passa para palavras, olhares, gestos e aceitação. Na "História de Carícias", existem conceitos de distribuição de carícias que levam a gente a acreditar que as carícias são poucas, tão poucas que precisamos guardá-las. O resultado é mesquinhez de afeto. Em contrapartida, todos nós queremos ser reconhecidos. Todos nós necessitamos de carícias.

Homens e mulheres guardam seus carinhos como um avarento guarda dinheiro. Ou sexualizam tudo (e vivem se culpando por isso, achando que estão pecando), fogem do contato real com as pessoas e acabam vivendo na miséria afetiva, ou sexualizam a vida de forma consumista, em que o orgasmo, a quantidade de parceiros, o desempenho "atlético" passam a ser mais importantes que a entrega.

Então nasce "o amor de troca". Se as carícias são em número limitado e podem acabar.

"Então, sempre que lhe dou algo, tenho que receber algo em troca (porque senão eu fico sem nenhuma carícia)".
"Você tem que cuidar de mim hoje... porque na semana passada eu cuidei de você".
"Cuidei de você quando pequena, agora você tem que cuidar de mim".
"Eu vou para a cama com você... se você casar comigo".

Como se o amor fosse uma moeda, o prazer da entrega é substituído pelo medo de ficar sem algo, de ficar vazio. Porque, com o pressuposto de que o amor acaba, é preciso escolher muito bem a pessoa, a situação, para dar carícias. Isso é miséria afetiva, em que as pessoas passam fome de amor, apesar da abundância de amor que existe na humanidade.

É como na miséria humana, na qual pessoas passam fome, apesar de produtivas, porque os recursos gerados são usados para aumentar o controle de umas sobre as outras.

A miséria afetiva é tão ou mais grave do que a miséria material, pois tira do ser humano a sua condição de homem participante de sua espécie, porque conduz o homem à mesquinhez, à solidão.

As pessoas, em razão da mesquinhez afetiva, começam a desconsiderar suas necessidades. Como diz o psiquiatra inglês Ronald Laing: "Com um trabalho enorme, um desejo é negado, substituído por um receio, que gera um pesadelo, que é negado, e sobre o qual é, então, colocada uma fachada".

Porque para alguém ser ele próprio é necessária uma dinâmica que respeite sua individualidade. Mas as pessoas condicionam-se a seguir padrões predeterminados em que o novo incomoda, amedronta, revela os sistemas que a família e toda a sociedade desenvolveram para anular a sua criatividade.

E o novo, o individual, é sacrificado, em benefício do coletivo. Se for muito revolucionário, cria-se a ameaça de punição ("Portanto, o melhor que você faz, é assumir a direção da nossa fábrica, porque com esta crise...").

E passa-se a viver dentro de um sistema de medo. Medo de ser abandonado, rejeitado ou criticado.

E é dada uma importância absurda ao perigo de não ser amado por todos.
Sempre vão existir pessoas que gostam de nós do jeito que somos (e isso é sensacional); outras podem não gostar, pelas mais variadas razões â€?e isso é um direito também. É importante entender que todo mundo tem o direito de amar quem quiser. Mas, independentemente da reação das pessoas, você tem o direito de seguir o seu caminho e buscar a sua forma de ser feliz...

*Roberto Shinyashiki é conferencista e escritor autor de 10 livros, entre eles "A Carícia Essencial".

[Imagem: Gustav Klimt, "Fulfillment"]

Posted by Lilia at 06:07 PM | Comments (0)

julho 27, 2005

Quem é você realmente?

OSHO
Texto adaptado por Conceição Trucom

quemevoce-Max-Ackermann-Entschwebende-Klange.jpg Uma aluna minha me perguntou: Nós nascemos para ser felizes, mas porque não somos? Eu respondo: Porque os modelos que nos são colocados de felicidade, desde que nascemos, são meros modelos dos nossos pais, parentes, sociedade, cultura, religião, etc.

Eles não correspondem, de forma alguma, às nossas verdades e valores internos. Eles não consideram o indivíduo em sua essência e singularidade. Os modelos sociais são selvagens e massacrantes, e são os chamados condicionamentos. Condicionamento é algo forçado de fora sobre você contra a sua vontade, contra a sua consciência. O condicionamento tem o objetivo de destruí-lo, manipulá-lo, criar uma falsa personalidade para que seu estado humano essencial seja perdido.

A sociedade tem muito medo da sua realidade. A Igreja tem medo, o Estado tem medo, todos têm medo de sua pessoa essencial, de seu Ser essencial, pois o Ser essencial é rebelde, é inteligente. O Ser essencial é livre, independente e singular, ou seja, único.

O Ser essencial não pode ser facilmente reduzido à escravidão, e também não pode ser explorado. Ninguém pode usar o Ser essencial como um meio, pois Ele é um fim em si mesmo. Daí, toda a sociedade tentar, de TODAS as maneiras possíveis, desconectá-lo de seu âmago essencial. Isso cria uma personalidade falsa e plástica a seu redor e o força a se identificar com ela. Durante muito tempo sofremos e perdemos MUITA energia quando tentamos ser hipócritas conosco mesmo.

A sensação é de vazio, fracasso, impotência. Enlouquecemos porque a nossa bússola simplesmente não consegue encontrar o sentido da "felicidade". Chama-se a esta grande "tabela" de condicionamentos de "educação", mas isso não é educação, é "deseducação". Isso é destrutivo e violento.

Toda essa sociedade sempre foi muito violenta com o indivíduo. Ela não acredita no indivíduo, é contra o indivíduo. Para seus próprios propósitos, ela tenta, de todas as maneiras, destruir você. Ela precisa de engenheiros, médicos, filhos vitoriosos, brilhantes, importantes, espertos, esbeltos, conquistadores... Ela não precisa de seres humanos serenos, pacíficos, simplistas, honestos sem relatividade, saudáveis emocionalmente. Até o momento, fracassamos em criar uma sociedade que precise de seres humanos livres, simples seres humanos.

A sociedade está interessada em que você seja mais habilidoso, mais produtivo, mais competitivo, mais consumista e menos criativo ou criador de casos. Ela deseja que você funcione como uma máquina, eficientemente, mas não deseja que você se torne desperto. Ela não deseja Budas e Cristos, Sócrates, Pitágoras, Lao Tzu ... Não, essas pessoas de modo nenhum são necessárias para a sociedade. Se, de vez em quando elas acontecem, não acontecem devido à sociedade, mas apesar dela.

É um milagre, de vez em quando, algumas pessoas serem capazes de escapar desta enorme prisão. A prisão é muito grande, é muito difícil escapar dela. E mesmo ao escapar de uma prisão, você entrará em outra, pois toda a Terra se tornou uma prisão. De hindu você pode se tornar cristão, ou de cristão pode se tornar hindu, mas está simplesmente trocando de prisão. De indiano você pode se tornar alemão, ou de italiano se tornar chinês, mas está simplesmente trocando de prisões... prisões políticas, religiosas, sociais. Talvez, por alguns dias, a nova prisão pareça com a liberdade, mas somente devido a ser uma novidade. Fora isso, ela não é liberdade. Uma sociedade livre é ainda uma idéia que precisa ser materializada.

Toda essa escravidão das pessoas depende dos condicionamentos. Os condicionamentos começam no útero da mãe ou, no máximo, no momento em que você nasce. Você é circuncidado e se torna um judeu, é batizado e se torna um cristão, e assim por diante. Você é levado para a igreja ou para o templo e é criado numa certa atmosfera onde irá descobrir que todos são cristãos ou todos são hindus. E, naturalmente, é fatal que a criança siga as pessoas à sua volta. Quando ela chegar aos 25 anos de idade e sair da universidade, estará completamente condicionada, e tão profundamente que nem estará ciente de seus condicionamentos.

Tudo tem modelo, inclusive e principalmente quanto aos relacionamentos. Todos necessitam casar, ter casa, ter filhos, ter empregos, e na época certa, e da forma certa, e com os modelos certos para ser competitivo, para ser invejado, para ser elogiado, para ser apreciado, para ... E os bens? E a profissão?

Tudo foi despejado em seu biocomputador. E a sociedade pune aqueles que são relutantes, resistentes a esses condicionamentos, e com medalhas de ouro, prêmios, recompensa aqueles que estão muito ávidos a serem escravos, a servirem aos interesses do sistema.

Toda a sociedade, milhões de pessoas à sua volta estão condicionando- o, conscientemente ou não. Elas foram condicionadas. Elas podem não estar cientes de que são destrutivas e violentas e que estão se auto destruindo. Elas podem pensar que estão sendo de ajuda a você devido à compaixão, pois amam a humanidade. Elas foram condicionadas tão profundamente que não estão cientes do que fazem às suas crianças e vidas. Os pais, os parentes, professores, conferencistas, instrutores, eles são os instrumentos, os sutis instrumentos de condicionar pessoas. Os sacerdotes, os psicanalistas, estas são pessoas muito espertas e eficientes em condicionar. Elas conhecem toda a estratégia, sabem como manipular, distorcer, como lhe dar uma falsa personalidade e afastar sua essência.

Como sair dos condicionamentos?

1) Ir lá dentro de você e descobrir quem é você realmente. Qual a sua natureza, suas qualidades, seus dons, seus desafios. Para esta viagem interna é necessário se dar espaço DIÁRIO de silêncio, MEDITAÇÃO, introspecção. Espaços de autoconhecimento e esclarecimento. Ler, estudar, aprender, meditar, pois ignorar e ignorar-se é pura escravidão.

2) Estar 100% alerta e desperto. Meditar sobre nossas atitudes, sonhos e desejos e perceber quanto deles pertence aos modelos de nossos pais, parentes e sociedade, e quanto deles pertence REALMENTE à nossa alma.

3) Uma vez detectado, sair dos condicionamentos e entrar na sintonia do Ser essencial e descobrir o que é Ser feliz para Ele.

Fonte: Somos Todos Um

[Imagem: Max Ackermann, "Entschwebende Klange"]

Posted by Lilia at 09:35 AM | Comments (0)

julho 26, 2005

A Mulher Selvagem

Ricardo Kelmer

mulherselvagem-dominguez-de-nice.jpg Nesta crônica quero fazer uma homenagem a um tipo especial de mulher. Eu a chamo de mulher selvagem. Sua beleza é arisca, arredia aos modismos. Ela encanta por um não-sei-quê indefinível... mas que também agride o olhar. É um tipo raro e não tem habitat definido: vive em Catmandu, mora no prédio ao lado ou se mudou ontem para Barroquinha. E não deixou o endereço.

A mulher selvagem em quase tudo é uma mulher comum: pega metrô lotado, aproveita as promoções, bota o lixo para fora e tem dia que desiste de sair porque se acha um trapo. Porém em tudo que faz exala um frescor de liberdade. E também dá arrepios: você tem a impressão de que viu uma loba na espreita. Você se assusta, olha de novo... e quem está ali é a mulher doce e simpática, ajeitando dengosa o cabelo, quase uma menininha. Mas por um segundo você viu a loba, viu sim. É ela, a mulher selvagem.

A sociedade tenta mas não pode domesticá-la, ela se esquiva das regras. Quando você pensa que capturou, escapole feito água entre os dedos. Quando pensa que finalmente a conhece, ela surpreende outra vez. Tem a alma livre e só se submete quando quer. Por isso escolhe seus parceiros entre os que cultuam a liberdade. E como os reconhece? Como toda loba, pelo cheiro, por isso é bom não abusar de perfumes. Seu movimento tem graça, o olhar destila uma sensualidade natural - mas, cuidado, não vá passando a mão. Ela é um bicho, não esqueça. Gosta de afago, mas também arranha.

Repare que há sempre uma mecha teimosa de cabelo: é o espírito selvagem que sopra em sua alma a refrescante sensação de estar unida a Terra. É daí que vem sua beleza e força. E sua sabedoria instintiva. Sim, ela é sábia pois está em harmonia com os ritmos da Natureza. Por isso conhece a si mesma, sabe dos seus ciclos de crescimento e não sabota a própria felicidade. Como todo bicho ela respeita seu corpo mas nem sempre resiste às guloseimas. Riponga do mato, Gabriela brejeira? Não necessariamente, a maioria vive na cidade. E há dias paquera aquele pretinho básico da vitrine. E adora dançar em noite de lua. Ah, então é uma bruxa... Talvez, ela não liga para rótulos. Sabe que a imensidão do ser não cabe nas definições.

Mulheres gostam de fazer mistério. Ela não, ela é o mistério. Por uma razão simples: a mulher selvagem sabe que a vida é uma coisa assombrosa e perfeita e vive o mais sagrado dos rituais. Ela sente as estações e se movimenta de acordo com os ventos, rindo da chuva e chorando com os rios que morrem. Coleciona pedrinhas, fala com plantas e de uma hora para outra quer ficar só, não insista.

Não, ela não é uma esotérica deslumbrada mas vive se deslumbrando: com as heroínas dos filmes, aquela livraria nova, o CD do fulano... Ela se apaixona, sonha acordada e tem insônia por amor. As injustiças do mundo a angustiam mas ela respira fundo e renova sua fé na humanidade. Luta todos os dias por seus sonhos, adormece em meio a perguntas sem respostas e desperta com o sussurro das manhãs em seu ouvido, mais um dia perfeito para celebrar o imenso mistério de estar vivo.

Ela equilibra em si cultura e natureza, movendo-se bela e poética entre os dois extremos da humana condição. Ela é rara, sim, mas não é uma aberração, um desvio evolutivo. Pelo contrário: ela é a mais arquetípica e genuína expressão da feminilidade, a eterna celebração do sagrado feminino. Ela está aí nas ruas, todos os dias. A mulher selvagem ainda sobrevive em todas as mulheres mas a maioria tem medo e a mantém enjaulada. Ela é o que todas as mulheres são, sempre foram, mas a grande maioria esqueceu.

Felizmente algumas lembraram. Foram incompreendidas, sim, mas lamberam suas feridas e encontraram o caminho de volta à sua própria natureza. Esta crônica é uma homenagem a ela, a mulher selvagem, o tipo que fascina os homens que não têm medo do feminino. Eles ficam um pouco nervosos, é verdade, quando de repente se vêem frente a frente com um espécime desses. Por isso é que às vezes sobem correndo na primeira árvore. Mas é normal. Depois eles descem, se aproximam desconfiados, trocam os cheiros e aí... Bem, aí a Natureza sabe o que faz.

Fonte: Delas

[Imagem: Dominguez, "De Nice"]

Posted by Lilia at 12:47 PM | Comments (1)

julho 25, 2005

Alegria diante do desconhecido

Bel Cesar

criancadivina-marycassatt-childrenplayingonthebeach.jpg Recentemente fui viajar para um lugar onde nunca havia estado. Que surpresa ao notar o poder que o desconhecido tem sobre nossa mente em gerar alegria!
Foram dias de descoberta e muita curiosidade: estava relaxada e dinâmica ao mesmo tempo! Com o passar dos dias, observei que este sentimento de bem-estar continuou em minha mente enquanto mantive-me atenta apenas ao momento presente. Sem pensar nos detalhes da rotina de minha vida estava livre do passado e do futuro! Férias!

Agora, de volta ao cotidiano, apesar de conscientemente querer preservar este estado livre-leve-e-solto, senti a energia da alegria diante do novo se esvaindo... Um sinal de alerta soou em minha mente: “Perigo à vista: não deixe que as pressões externas levem embora a sua alegria de viver!”. No entanto, a força dos padrões antigos invadiu a minha mente sem pedir licença: senti-me inquieta "presa ao passado", quando comecei a lidar com as tarefas inacabadas deixadas há um mês e pressionada pelo futuro quando reconheci quanto trabalho está por vir!

Passei então, a sentir e observar que esta ansiedade, feita de pensamentos sutis que vêm e vão, estava levando embora a calma da mente espontânea e relaxada conquistada nas férias. Até o momento em que, como um insight libertador, a questão-chave veio à tona: “Como manter o estado de alegria interna diante da pressão cotidiana”?
Encontrei uma resposta quando perguntei a mim mesma: “quem sente a alegria?”, e logo me respondi: “o lado da minha mente que sabe brincar”.

A dica estava dada: o segredo para manter o estado de alegria interna está na conexão com nossa criança divina interior: a capacidade inata de rir e sentir prazer.

Interiormente, evoquei minha criança divina, pedindo a ela que não me abandonasse frente à vida tensa da cidade! Aos poucos, timidamente, ela retornou trazendo inspiração até mesmo para escrever este texto...

Todos nós temos uma porção do arquétipo da criança divina em nosso interior. Quando nos conectamos com ela geramos automaticamente inspiração e coragem para lidar com o desconhecido, pois ela contém a inocência e flexibilidade necessária para não resistirmos ao futuro.

Se ficarmos a serviço de nossos deveres e obrigações, desconectados de nossa criança divina, nos tornaremos rígidos e sem-graça. Por isso, precisamos sempre levar em consideração a necessidade de repousar e literalmente brincar para ativar a criança divina que nos desperta a alegria e o bom-humor.

“Poderíamos dizer que a criança interior é o nosso cérebro direito – intuição, imaginação, entusiasmo – que vive no presente, que sente as coisas, enquanto que o adulto é o nosso cérebro esquerdo, que aprendeu a raciocinar logicamente, a acumular saber, que pensa e age.” esclarece Paule Salomon em A Sagrada loucura dos casais (Ed. Cultrix).

Infelizmente, aprendemos a ser adultos ainda quando crianças: nos foi ensinado a pensar, ao invés de sentir. Agora, para nos tornarmos adultos-saudáveis, teremos que fazer ao contrário: sentir nossos pensamentos. Senão cairemos facilmente nas exigências que internalizamos quando crianças ao não considerarmos nossos sentimentos como algo de valor.

É importante ressaltar que a criança divina se distingue da criança-ferida que também nutrimos em nosso interior. Todos nós temos um quantum de energia bloqueada devido à memória de vivências onde fomos negligenciados, abusados, humilhados e criticados quando crianças. Esta porção de criança ferida nos faz exigências muito intensas, pois ela não sabe se é seguro relaxar diante das constantes mudanças da vida.

A criança-ferida surge quando duvidamos de nossa capacidade de ser feliz. Por exemplo, observe a freqüência com que criarmos um problema “do nada” quando estamos diante de momentos felizes... Aqui vale até ficar gripado no dia do seu casamento...

Acessamos muito pouco nossa criança divina por não valorizarmos nossos sentimentos como autênticos e significativos. Se escutarmos nossos medos, eles não precisarão ser expressos por meio de somatizações ou esquecimentos  que nos impedem de seguir em frente.

Paule Salomon aprofunda esta questão em seu livro A Sagrada loucura dos casais: “A resistência à mudança vem do fato de o adulto tentar agir como se estivesse sozinho dentro de nós, sem levar em conta a criança interior, sem informá-la, sem educá-la. A maioria de nós recebeu uma educação de adulto dominador diante de uma criança dominada. Interiorizamos essa relação e repetimos esse enredo no nosso teatro íntimo. Enquanto as relações de dominação prevalecem sobre as relações de proteção, estamos numa situação de dureza, de força. Não temos confiança em nós. O adulto em nós está numa situação aparentemente paradoxal, pois, por um lado, ele preserva a criança e, por outro lado, ele precisa aprender a não se manter no sentido de fechamento, mas, ao contrário, a se abrir sempre cada vez mais a sensações da criança, inclusive a vulnerabilidade. Sua tentação é sempre camuflar esse aspecto por se julgar invulnerável”.

Pema Chödrön nos alerta: “O mais doloroso é que, quando desaprovamos, estamos praticando a desaprovação. Quando somos severos, estamos reforçando a severidade. Quanto mais o fazemos, mais fortes tornam-se esses aspectos. É muito triste ver como nos tornamos especialistas em causar mal a nós mesmos e aos outros. O truque está em encarar tudo o que surge com curiosidade, sem fazer disso algo muito importante. Em vez de lutar contra a força da confusão, podemos ir ao encontro dela e relaxar. Quando agimos assim, gradualmente descobrimos que a clareza está sempre ali”. (Quando tudo se desfaz. Ed. Gryphus).

Na próxima vez que você reconhecer sua criança-ferida evoque imediatamente sua criança divina para lhe fazer companhia. Comece por brincar com você mesmo: com a água do seu banho ou desenhando “bobagens” na sua agenda.

E por fim, afirme a si mesmo algo que gostaria de ter escutado, mas nunca lhe foi dito! Repetir interiormente mensagens positivas repetidas vezes é uma excelente maneira de nos nutrir emocionalmente.

Vale a pena testar: escreva algo que você queira dizer para sua criança-ferida e deixe-o à vista para que você possa lê-lo várias vezes durante o dia e tente observar o que acontece. Pois quanto maior for o contato com nosso mundo interno, maiores serão as chances de ocorrerem sincronicidades positivas em nossa vida. A vida flui a nosso favor quando deixamos de lutar contra nós mesmos!

Fonte: Somos Todos Um

[Imagem: Mary Cassatt, "Children Playing on the Beach"]


Posted by Lilia at 11:26 AM | Comments (3)

julho 24, 2005

Irretocável

Silvana Duboc

irretocavel-johnkelly-healani, hawaii.jpg Tenho cabelos vermelhos, pintados, para esconder os fios brancos.
Não me lembro exatamente em que ano eles começaram a branquear...

Tenho algumas rugas em volta dos olhos, também não me recordo quando elas começaram a aparecer.
Tento disfará-las, tantas novidades no campo da dermatologia, achei por bem aproveitá-las.

Do corpo não cuido quase, só recentemente entrei para uma academia por ordem médica.
Ele me disse que na minha idade preciso de exercícios.
Mais falto mais do que vou, não gosto de fazer ginástica.

Das minhas unhas cuido semanalmente, penso que elas são uma porta de visita.
Unhas maltratadas causam uma péssima impressão.

De uns dois anos pra cá descobri os cremes e aí compro um aqui, outro ali e no final não uso nenhum,
mas compro, só de olhá-los na prateleira já percebo que as rugas se retraem.

Sou assim, vaidosa, mas não sou em excesso, penso que sou na medida certa,
na medida correta para uma mulher.

Enfim os anos passam e as marcas que eles deixam em nós, não temos como conter.
Nem pretendo isso.
Acho que cada marca que meu corpo carrega tem uma linda história.

Às vezes me pego na frente do espelho descobrindo uma nova ruguinha e já me coloco a pensar o que a causou.
Depois reencontro com outra que já está lá vincada há anos e me recordo que ela apareceu quando perdi um grande amor.

Poderia enumerar também a história de cada fio de cabelo branco.
Foram filhos, maridos, amigos que colocaram eles ali.
Não quero me desfazer de nenhuma dessas marcas, apenas amenizá-las, acho que mereço isso.
A vida me deve isso.

Atualmente a parte que merece mais atenção minha tem sido a cabeça.
Tento todos os dias colocá-la no lugar, equilibrá-la, alimentá-la com sonhos e alegrias.
Corpo e mente caminham juntos, se um estiver em estado lastimável o outro provavelmente vai se deteriorar.

Não escondo minha idade, não adiantaria falar que tenho trinta e cinco e apresentar uma filha de vinte e sete.
Portanto eu confesso, tenho quarenta e oito anos.
Metade deles, bem vividos, a outra metade muito sofridos.

Mas é exatamente aí que está o encanto da minha idade.
Conheci de tudo um pouco, das lágrimas aos sorrisos e ambos me fizeram ser essa pessoa que sou hoje.

Ficaram as rugas no rosto e na alma, mas também ficaram sorrisos em ambos.

Minhas rugas mais bonitas são aquelas marcas de expressão que eu adquiri por tanto sorrir, muitas vezes, quando o coração chorava.

Posted by Lilia at 05:29 PM | Comments (0)

Gentileza gera gentileza

Cíntia Parcias e Clarisse Meireles

gentileza-pablopicasso-petitefleurs.jpg Retomar a delicadeza relegada ao esquecimento melhora a qualidade de vida e as relações cotidianas

Faça um rápido teste de memória. Você cumprimentou seu vizinho hoje de manhã no elevador? Desejou bom dia ao porteiro quando cruzou com ele na portaria como faz todas as manhãs? Deu passagem para o carro que precisava mudar de pista para entrar numa rua transversal? Esperou pacientemente o carro da frente andar sem buzinar quando o sinal ficou verde? Se respondeu negativamente a alguma das perguntas acima, saiba que, além de agir de forma tremendamente mal-educada, você está fazendo mal à sua própria saúde - e à das pessoas que o cercam.

Segundo o livro A arte da gentileza, de Piero Ferruci (ed. Alegro), pesquisas científicas confirmam que pessoas gentis são mais saudáveis e vivem mais, são mais amadas e produtivas, têm mais sucesso nos negócios e são mais felizes. ''Ser gentil nos faz tão bem quanto ser alvo de uma gentileza'', garante o autor. Por outro lado, a não-gentileza gera sentimentos negativos, atrapalha as relações e pode até deixar a pessoa doente, já que quando alguém é alvo de grosseria, falta de educação, o sistema nervoso reage liberando hormônios como a adrenalina, que desequilibram o organismo. Até a musculatura é afetada e reage à falta de gentileza se contraindo, deixando o corpo cada vez mais tenso.

''A falta de gentileza, caracterizada por um ambiente de grosseria e violência, se constitui em um fator estressor que leva o indivíduo ao desenvolvimento do estresse crônico. Por conseqüência, a qualidade de vida acaba sendo afetada, incluindo a saúde'', confirma a psicóloga Lucia Novaes, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e diretora do Centro Psicológico de Controle do Stress.

O que a ciência agora comprova vai ao encontro do que o profeta Gentileza passou grande parte da vida pregando e escrevendo nos 55 murais que criou sob o viaduto do Gasômetro, próximo à Rodoviária Novo Rio. Sua mensagem podia ser resumida na frase-síntese ''gentileza gera gentileza''.

Os murais, restaurados há cinco anos pelo projeto Rio com Gentileza, coordenado pelo filósofo Leonardo Guelman, hoje se encontram de novo danificados por pichações logo abaixo das inscrições do profeta. Mais ou menos como a própria gentileza, tão fora de moda nos dias que correm.

''O Gentileza denunciava uma crise ética, de valores. Segundo ele, tudo passa pelo favor. O simples fato de pedirmos 'por favor' e agradecer com um 'obrigado' denotava que adotamos a troca na base do toma-lá-dá-cá, típico do mundo individualista, produto do capitalismo que ele batizou de 'capeta capital''', afirma Guelman, autor do livro Brasil, tempo de gentileza (Eduff), sobre o profeta que morreu aos 79 anos, em 1996.

Para o profeta, ficamos cegos e surdos e perdemos a capacidade de ver e ouvir o outro. Segundo a psicoterapeuta e educadora Sandra Celano, o pronome nós, nesse mundo tão individualista, agrega no máximo o núcleo familiar. ''Então, como esperar que um seja gentil com o outro em pequenas ações cotidianas, se as pessoas não conseguem nem perceber o outro?'', questiona. Até em uma discussão é possível manter a gentileza. ''Basta prestar atenção ao que a outra pessoa diz e se expressar considerando suas razões e seu ponto de vista'', completa Sandra, que observa em seu consultório o crescimento da falta de gentileza como uma das queixas comuns de seus pacientes.

Um dos ambientes onde a falta de delicadeza e gentileza mais se manifesta é no local de trabalho. Muitas vezes, as pessoas confundem relações profissionais com frieza e rispidez. E deixam de agradecer um serviço só porque este está sendo pago.

''Hoje já existem empresas que têm como meta o bem-estar dos seus funcionários. Não porque sejam boazinhas, pois toda empresa precisa gerar lucros, mas, sim, porque descobriram que onde há bem-estar, há produtividade, pois as pessoas trabalham felizes'', observa Alkíndar de Oliveira, consultor de empresas e autor de Viver é simples, nós é que complicamos (ed. Didier). ''Neste novo mundo corporativo que está surgindo, há uma ferramenta que tende a ser a mais importante na convivência profissional. Trata-se da afetividade. E a gentileza é um dos frutos da árvore do afeto.''

Como todo profeta, Gentileza denunciava a crise e anunciava uma boa nova. Para ele, assim como a natureza nos dá tudo de graça, temos que retomar um tempo a troca desinteressada. O primeiro passo seria bem simples: dizer sempre 'agradecido' e 'por gentileza', em vez das fórmulas consagradas - que já foram esquecidas por muita gente, porém sem nenhuma substituição.

Uma das pessoas que foram tocadas pela obra de Gentileza foi a compositora Marisa Monte, que transformou alguns de seus versos em uma canção com o nome do profeta. Marisa fez a música no dia em que foi apresentar os murais ao parceiro Carlinhos Brown, antes do projeto de recuperação, e viu que não havia mais nada. Chocada, escreveu a música.

A cantora acha que a mensagem de Gentileza está cada vez mais atual. ''Com o ritmo acelerado das cidades, as pessoas estão perdendo a noção de gentileza, que é uma espécie de pureza refrescante para a vida, para o dia-a-dia.'' Ainda hoje, ela se comove em ver que alguém dedicou sua vida para falar da importância de ser gentil, e em vez de pedir dinheiro, ia de carro em carro oferecer uma flor. ''Ele foi uma pessoa linda que plantou a semente da gentileza.''

Buda também identificou alguns benefícios de se cultivar a gentileza, como dormir bem, ser amado, ter proteção dos seres divinos, e uma mente serena. De nada adianta, no entanto, começar a ser gentil para obter tais resultados e melhora da qualidade de vida, pois falsidade é algo diametralmente oposto à proposta. E, por princípio, a gentileza é necessariamente desinteressada. Como o escritor britânico Aldous Huxley afirmou, no fim da vida. ''É desconcertante que, após anos e anos de pesquisas e experimentações, eu tenha que dizer que a melhor técnica para transformar nossas vidas seja ser mais gentil''.

Algo bastante urgente de ser lembrado nos dias de hoje. Pois se gentileza gera gentileza, a sua falta só pode produzir uma carência ainda maior, daí o cenário aterrador de um mundo de rispidez e impaciência, e seus assustadores índices de violência - não como causa única, evidentemente.

''A falta de gentileza e a hostilidade nas relações podem contribuir para um mundo estressante, na medida em que essas atitudes são contagiosas. Violência gera violência, hostilidade gera hostilidade, raiva gera raiva'', acredita a psicóloga Lúcia Novaes. Por outro lado, diz ela, o mundo estressado, com tantas demandas, com a necessidade de se fazer cada vez mais coisas em menos tempo e mais perfeitas abre espaço para atitudes agressivas, raivosas e hostis. ''É um círculo vicioso.''

No ano que vem, para marcar os dez anos da morte de Gentileza, um grupo de artistas e intelectuais afinados com a causa do profeta deve retomar o projeto Rio com Gentileza, com manifestações festivas pela cidade para lembrar a atualidade do pensamento do profeta.

''Se ele estivesse entre nós, continuaria pregando a gentileza, já que seu avesso, a rudeza e a violência, infelizmente não saíram de moda'', acredita Guelman, que também reivindica junto à prefeitura um maior cuidado com os murais, que ele quer ver cercados e iluminados. ''São um patrimônio afetivo da cidade.''

A importância de se adotar a atitude no cotidiano é bem expressada pelo teólogo Leonardo Boff, em artigo intitulado ''Espírito de Gentileza'' (disponível na íntegra no site leonardoboff.com). ''Este espírito nunca ganhou centralidade, por isso somos tão vazios e violentos. Hoje ele é urgente. Ou seremos gentis e cuidantes ou nos entredevoraremos.''

Fonte: Fórum Saúde Br

[Imagem: Pablo Picasso, "Petite Fleurs"]


Posted by Lilia at 09:41 AM | Comments (0)

julho 23, 2005

Beleza interior

Médicos e psicólogos apelam à ciência para tentar entender a relação entre corpo, mente e doenças
Giovana Girardi (free-lance para a Folha)

belezainterior-toulouse-lautrec-maymilton.bmp Em seus 84 anos de vida, Maria José Vasconcelos mal se lembra das poucas vezes em que ficou doente. O mérito pela boa saúde ela entrega a Deus, mas suspeita de que a forma como encara o mundo deve ajudar. "Estou sempre assim, rindo, feliz. Comigo não tem tempo ruim", diz, entre uma gargalhada e outra. "Acho que por isso também estou sempre saudável."

Essa filosofia de vida, dona Cotinha -como é conhecida pelos amigos da periferia de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, onde mora- transmite às pessoas que atende como benzedeira. Para ela, a melhor bênção é aprender a encarar as di- ficuldades do mundo com serenidade: "Ficar choramingando não adianta nada". Encarada com algum grau de ceticismo, a receita de vida saudável de dona Cotinha desandaria em algo próximo da crendice ou do misticismo -não fosse a ciência ter enfiado a colher nesse caldo.

"Há pouco tempo deparávamos com situações clínicas que não compreendíamos, como pacientes obtendo resultados fantásticos apenas por acreditarem firmemente que iriam melhorar. Hoje compreendemos que existe uma interação clara entre as células do sistema imunológico e o cérebro, e que o estado de humor interfere em tudo isso", afirma José Roberto Leite, professor da Unidade de Medicina Comportamental da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e um dos pioneiros no estudo da relação mente-corpo no Brasil.

Estresse, ansiedade e depressão já receberam seus certificados de vilões da vida moderna. No lado oposto na escala do humor, a felicidade ocupa agora o posto de mistério a ser desvendado.

Uma série de estudos recentes associa otimismo, esperança, bom humor e fé a uma melhor resposta do sistema imunológico a diversas doenças, que vão de uma simples gripe a câncer e Aids. Pesquisadores têm posto à prova práticas que até então viam com maus olhos, como meditação e relaxamento.

"Se me perguntassem há alguns anos, eu diria que meditação era uma besteira, mas pus o preconceito de lado e fui testar. Hoje posso dizer que ela tem eficácia", afirma Leite, que liderou uma das pesquisas na área.

Ele submeteu 33 voluntários, selecionados após divulgação em jornais, a práticas de meditação e técnicas respiratórias de relaxamento por três meses. Ao final do estudo, constatou a diminuição dos níveis de ansiedade, depressão e da pressão arterial. "Hoje eu defendo que o comportamento e as emoções deveriam ser a preocupação central da medicina."

A premissa que dá a partida a todas essas pesquisas não diz respeito só à modalidade escolhida para encontrar equilíbrio, e sim à forma como a pessoa interpreta uma determinada situação. É isso quedeterminaria sua reação fisiológica. Indivíduos diferentes podem passar pelos mesmos traumas, mas alguns desenvolverão problemas psicológicos e de saúde e outros não. Assim como o estresse crônico pode debilitar o sistema imunológico, pressupõe-se que, ao reagir a situações estressantes de um modo mais equilibrado, é possível impedir tais efeitos maléficos.

"A partir do momento em que uma doença é causada ou agravada pelo estresse, a resposta de relaxamento pode ser considerada um tratamento efetivo", explica ao Equilíbrio Herbert Benson, diretor do Mind and Body Medical Institute, departamento da Escola Médica da Universidade Harvard.

Um grupo da Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh, nos EUA, constatou que pessoas felizes apresentam três vezes menos possibilidade de contrair resfriados. Eles utilizaram 300 voluntários que, após entrevistas, foram divididos, de acordo com traços de personalidade, em categorias positivas (felicidade, satisfação e relaxamento) e negativas (angústia, hostilidade e depressão). Em seguida, receberam uma borrifada de um vírus que causa resfriados. Os que se encaixaram nas primeiras categorias ficaram menos doentes. Outro exemplo é uma série de estudos feita na Universidade da Califórnia com indivíduos HIV positivo. A psicóloga Shelley Taylor e Geoffrey Reed, um dos diretores da Associação Americana de Psicologia, avaliaram o impacto de diferentes situações no bem-estar dos pacientes.

Notaram que acontecimentos como a morte de um amigo ou do parceiro por Aids, o preconceito enfrentado por gays e ainda um pensamento negativo em relação à doença aceleravam o aparecimento de sintomas em pacientes até então assintomáticos, em comparação com aqueles que mantinham uma visão otimista sobre seu prognóstico. Em contrapartida, aqueles que, mesmo tendo perdido um parceiro, se mantiveram dispostos e otimistas, conseguiram fortalecer seu sistema imunológico.

Mas, apesar de todos esses resultados apontarem para uma relação entre as emoções e o sistema imunológico, a comunidade científica ainda não tinha conseguido testemunhar essa comunicação. Foi só em 2003 que surgiu a primeira evidência.

O pesquisador Richard Davidson, da Universidade de Wisconsin, observou a atividade cerebral de 52 pessoas enquanto elas escreviam sua experiência de vida mais feliz e a mais intensa tristeza que já haviam sentido.

Os voluntários que tinham apresentado maior atividade no lado direito do córtex pré-frontal enquanto descreviam o momento infeliz tiveram uma baixa resposta imunológica após tomarem uma vacina contra gripe. De modo inverso, aqueles que tiveram uma atividade excepcional enquanto se lembravam de momentos felizes apresentaram altos níveis de anticorpos.

O pesquisador não conseguiu explicar fisiologicamente de que modo a atitude positiva impulsionou a atividade do sistema imune, mas obteve uma pista: os indivíduos que tiveram maior atividade no lado esquerdo do córtex pré-frontal apresentaram também baixos níveis de cortisol, um dos principais hormônios liberados em situações de estresse e que inibem o sistema imunológico.

O mantra da fé
Apesar de as informações parecerem promissoras, os pesquisadores alertam para o risco de tais estudos levarem as pessoas que tendem ao pessimismo a crer que tudo está perdido.

No caso de pacientes com câncer, a psicóloga Margaret Kemeny, da Universidade da Califórnia, é enfática: "Não acredite em tudo o que você lê sobre atitudes positivas e sua relação com o câncer. É uma doença difícil e culpar-se por isso só vai piorar. Tente reconhecer e aceitar seus sentimentos e trabalhar com eles em um caminho construtivo".

O alerta também vale para os que se consideram felizes. É uma armadilha comum imaginar que ser otimista, rezar ou fazer meditação são os atalhos necessários para uma boa saúde, afirma o médico Régis Cavini Ferreira, que se especializou em psiconeuroendocrinoimunologia. "O que provavelmente acontece é que, com essas práticas, o indivíduo consegue equilibrar o seu sistema hormonal e deixar seu corpo no ponto certo para responder a futuras situações de estresse, reduzindo as conseqüências negativas." É preciso lembrar, porém, que as doenças têm outras causas que precisam ser levadas em conta.

Benson, do Mind and Body Medical Institute, acredita que o organismo de toda pessoa seja munido de propriedades de cura que podem ser despertadas pelo relaxamento. "Funcionamos como um banquinho de três pernas: medicamentos, cirurgia e resposta de relaxamento."

O psicólogo americano vai além e, contrariando a idéia de que ciência e religião não combinam, propõe também a oração para quem não se interessa por métodos alternativos. "Para conseguir uma resposta de relaxamento levamos em conta a força da repetição. E a reza é uma maneira de obter isso." Ou seja, a oração é também uma forma de relaxamento.

Independentemente da religião ou da falta dela, o que os cientistas têm percebido é que as crenças -vistas aqui com o sentido de acreditar que algo de bom vá acontecer-, têm um efeito muito significativo na melhora da saúde. É o que ficou conhecido como efeito placebo, situação em que o paciente toma um remédio inócuo ou faz uma cirurgia de mentira acreditando que está sendo tratado de verdade e apresenta melhora.

Do mesmo modo, acreditar demais em algo negativo pode ser fatal. O psicólogo da Unifesp José Roberto Leite lembra as histórias de haitianos que, de tanto acreditarem que tinham sido vítimas de uma ação de vodu, morreram de causas não explicadas.

"A fé como forma de pensamento tem um poder de mobilização enorme, tanto para o bem como para o mal", defende o psicólogo Esdras Guerreiro Vasconcellos, do Instituto Paulista de Estresse e Psiconeuroimunologia. "O antropólogo franco-belga Claude Lévi-Strauss já falava há 50 anos que uma pessoa condenada socialmente pela sua tribo morre, sem que seja preciso fazer nada. Ele dizia que o sistema imunológico não resiste à condenação moral. É disso que estamos falando."

Fonte: OncoGuia

[Imagem: Toulouse Lautrec, "May Milton"]


Posted by Lilia at 05:09 PM | Comments (0)

julho 22, 2005

A armadilha da auto-sabotagem

Bel Cesar

armadilhasabotagem-MCEscher-ThreeWorlds.bmp Há momentos da vida que reconhecemos que estamos prontos para dar um novo salto, para efetivar uma mudança profunda. Nos lançamos num novo empreendimento, numa nova relação afetiva, mudamos de cidade e até mesmo de apelido. Mas, aos poucos, nós nos pegamos fazendo os mesmos erros de nossa "vida passada". É como se tivéssemos dado um grande salto para cair no mesmo buraco. Caímos em armadilhas criadas por nós mesmos. Nos auto-sabotamos. Isso ocorre porque, apesar de querermos mudar, nosso inconsciente ainda não nos permitiu mudar!

Em nosso íntimo, escutamos e obedecemos, sem nos darmos conta, ordens de nosso inconsciente geradas por frases que escutamos inúmeras vezes quando ainda éramos crianças. Toda família tem as suas. Por exemplo: "Não fale com estranhos" é uma clássica. Como a nossa mente foi programada para não falar com estranhos, cada vez que conhecemos uma nova pessoa nos sentimos ameaçados. Uma parte de nosso cérebro nos diz "abra-se" e a outra adverte "cuidado".

Num primeiro momento, o desafio em si é encorajador, por isso nos atiramos em novas experiências e estamos dispostos a enfrentar os preconceitos. No entanto, quando surgem as primeiras dificuldades que fazem com que nos sintamos incapazes de lidar com esse novo empreendimento, percebemos em nós a presença desta parte inconsciente que discordava que nos arriscássemos em mudar de atitude: "Bem que eu já sabia que falar com estranhos era perigoso".

Cada vez que desconfiamos de nossa capacidade de superar obstáculos, cultivamos um sentimento de covardia interior que bloqueia nossas emoções e nos paralisa. Muitas vezes, o medo da mudança é maior do que a força para mudar. Por isso, enquanto nos auto-iludirmos com soluções irreais e tivermos resistência em rever nossos erros e aprender com eles, estaremos bloqueados. Desta forma, a preguiça e o orgulho serão expressões de auto-sabotagem, isto é, de nosso medo de mudar.Dificilmente percebemos que nos auto-sabotamos. Nós nos auto-iludimos quando não lidamos diretamente com nosso problema raiz.

A auto-ilusão é um jogo da mente que busca uma solução imediata para um conflito, ou seja, um modo de se adaptar a uma situação dolorosa, porém que não represente uma mudança ameaçadora. Por exemplo, se durante a infância absorvemos a idéia de que de ser rico é ser invejado e assim menos amado, cada vez que tivermos a possibilidade de ampliar nosso patrimônio nós nos sentiremos ameaçados! Então, passaremos a criar dívidas, comprando além de nossas possibilidades, para nos sentirmos ricos, porém com os problemas já conhecidos de ser pobres. Não é fácil perceber que a traição começa em nós mesmos, pois nem nos damos conta de que estamos nos auto-sabotando!

Na auto-ilusão, tudo parece perfeito. Atribuímos ao tempo e aos outros a solução mágica de nossos problemas: com o tempo a dor de uma perda passará; seu amado irá se arrepender de ter deixado você e voltará para seus braços como se nada houvesse ocorrido. No entanto, só quando passarmos a ter consciência de nossos erros é que não seremos mais vítimas deles! Temos uma imagem idealizada de nós mesmos, que nos impede de sermos verdadeiros. Produzimos muitas ilusões a partir desta idealização. Muitas vezes, dizemos o que não sentimos de verdade. Isso ocorre porque não sentimos o que pensamos!

Muitas vezes não queremos pensar naquilo que sentimos, pois, em geral, temos dificuldade para lidar com nossos sentimentos sem julgá-los. Sermos abertos para com nossos sentimentos demanda sinceridade e compaixão. Reconhecer que não estamos sentindo o que deveríamos sentir ou gostaríamos de estar sentindo é um desafio para conosco mesmos. Algumas de nossas auto-imagens não querem ser vistas!

É nossa auto-imagem que gera sentimentos e pensamentos em nosso íntimo. Podemos nos exercitar para identificá-la. Mas este não é um exercício fácil, pois resistimos em olhar nosso lado sombrio. No entanto, uma coisa é certa: tudo que ignoramos sobre nossa parte sombria, cresce silenciosamente e um dia será tão forte que não haverá como deter sua ação. Portanto, é a nossa auto-imagem que dita nosso destino.

O mestre do budismo tibetano Tarthang Tulku, escreve em seu livro "The Self-Image" (Ed. Crystal Mirror): "A auto-imagem não é permanente. De fato, o sentimento em si existe, no entanto o seu poder de sustentação será totalmente perdido assim que você perder o interesse por alimentar a auto-imagem. Nesse instante, você pode ter uma experiência inteiramente diferente da que você julgou possível naquele estado anterior de dor. É tão fácil deixar a auto-imagem se perpetuar, dominar toda a sua vida e criar um estado de coisas desequilibrado... Como podemos nos envolver menos com nossa auto-imagem e nos tornar flexíveis? Somos seres humanos, não animais, e não precisamos viver como se estivéssemos enjaulados ou em cativeiro. No nível atual, antes de começarmos a meditar sobre a auto-imagem, não percebemos a diferença entre nossa auto-imagem e nosso eu. Não temos um portão de acesso ou ponto de partida. Mas, se pudermos reconhecer apenas alguma pequena diferença entre a nossa auto-imagem e nós mesmos, ou eu ou si mesmo, poderemos ver, então, qual parte é a auto-imagem".

"A auto-imagem pode representar uma espécie de fixação. Ela o apanha, e você como que a congela. Você aceita essa imagem estática, congelada, como um quadro verdadeiro e permanente de si mesmo", explica Peggy Lippit no capítulo sobre Auto-Imagem do livro "Reflexões sobre a mente" organizado por seu mestre Tarthang Tuku (Ed. Cultrix).

Na próxima vez que você se pegar com frases prontas, aproveite para anotá-las! Elas revelam sua auto-imagem e são responsáveis por seus comportamentos repetitivos de auto-sabotagem. Ao encontrar a auto-imagem que gera sentimentos desagradáveis, temos a oportunidade de purificá-la em vez de apenas nos sentirmos mal. O processo de autoconhecimento poderá então se tornar um jogo divertido e curioso sobre nós mesmos!

Fonte:

De Quantos “EUS” Somos Feitos?

Vera Ghimel

eus-keith-haring-monkey-puzzle.jpg Recebi esta pergunta à queima-roupa, faz alguns meses. Teria ficado tranqüila se não fosse feita por um pré-adolescente, de 12 anos, muito conhecido meu. Meu filho Lucas Ian.
Parei tudo para entender bem a pergunta. Ele me relatou que percebe ser UM com os amigos, OUTRO com o pai, MAIS OUTRO comigo, AINDA OUTRO com as professoras e só identifica quem é o EU mais próximo dele, quando está tomando banho. Segundo ele, é nesse momento solitário que vê quem realmente é o Lucas. Dei-lhe uma explicação sobre os nossos papéis sociais, muito aparentes nessa idade, mas eu mesma não me convenci. Fiquei matutando sobre o assunto durante dias. Afinal, eu tiro arquétipos das pessoas, e disso, eu entendo um pouco. Já havia feito a retirada de seus arquétipos, aos 5 anos de idade, à distância, o que resultou numa melhora fantástica. Resolvi perguntar-lhe se gostaria de fazer o processo, dessa vez, presente. Topou. Fiz novamente uma nova retirada de arquétipos. Saíram uns 10. Ele me disse que era “sinistro” me ver falando igual a ele quando estava com os seus amigos. Ele notou e eu também, uma nova mudança.

Ainda não era uma resposta definitiva. Comecei a pesquisar. Toda vez que eu peço aos amigos espirituais que tragam respostas, elas imediatamente chegam. Arrumando os meus livros, encontrei um que comprara há muitos anos e que ainda não havia lido. Fala da jornada do encontro da nossa Verdade. Chama-se O Despertar do Herói Interior, de Carol S.Pearson. Carol cita os 12 arquétipos de base. Os que estão desde o nascimento conosco. Eu já percebera que fazendo o mapa numerológico cabalístico, eu identificava nele os arquétipos da pessoa. Pra identificá-los, em seu mapa, eu uso a expressão “se tender para o lado negativo..... etc.”.
Estou fazendo a segunda leitura desse livro e já estou aplicando o conhecimento nele contido, junto com a minha experiência.

Segundo Carol, são 12 no total, assim divididos:

a) O EGO possui 4 arquétipos - O Inocente, o Órfão, O Guerreiro e o Caridoso.
b) A ALMA (prefiro chamar de Espírito) possui também 4 arquétipos – O Explorador, O Destruidor, O Amante e O Criador.
c) O SELF possui os 4 últimos arquétipos – O Governante, O Mago, O Sábio e o Bobo.

Cada grupo de 4 detém uma parte da jornada. Com a formação do EGO, iniciamos a trajetória, já em criança com o arquétipo do INOCENTE, que pelo aspecto positivo, nos faz aprender a ter otimismo e confiança. Com os primeiro erros, nos tornamos O ÓRFÃO, que pelo lado positivo, nos traz empatia, interdependência e realismo, fazendo-nos recuperar a segurança. Logo surge O GUERREIRO que entra em cena para aprendermos a estabelecer metas e estratégias, alcançando-as com disciplina e coragem. E chega então O CARIDOSO, completando a jornada de formação do EGO, que nos ensina a cuidar das pessoas e de nós mesmos. Quando todos estão na UNIDADE, o que é raro, tudo funciona como numa orquestra afinada.

Com a formação da ALMA (prefiro chamar ESPÍRITO), aparece O EXPLORADOR que nos impulsiona para a busca de uma vida melhor, nos traz autonomia e ambição saudáveis. Logo em seguida temos O DESTRUIDOR, que nos serve para que através da perda (desapego), do medo ou da dor, nos obrigue a escolher entre reiniciar a jornada ou nos transformarmos. Aí entra em ação O AMANTE, que é a busca da felicidade, o compromisso com quem ama, é o amor por nós e pelo outro. Por fim O CRIADOR, que nos liga ao Universo, nos dando criatividade, identidade e vocação. Permite-nos que os sonhos se transformem em realidade.

Na manifestação do SELF, o arquétipo O GOVERNANTE indica soberania, responsabilidade e competência. É a busca da concretização dos sonhos. É a preocupação do bem-estar da sociedade do planeta. Nessa altura, aparece O MAGO que nos dá poder pessoal, transformação da realidade para melhor. Ele cura as feridas do governante. O SÁBIO traz verdade, entendimento, sabedoria e desprendimento. Finalmente O BOBO, cujo princípio é a alegria, o prazer, a libertação. É o inocente, lá do início, com mais maturidade. É festejar a vida a cada momento.

Na manifestação negativa deles, temos no INOCENTE um comportamento de rejeição à verdade, credulidade extrema com as pessoas ou desconfiança, consumismo, sentimentos de desproteção, de culpa e vergonha, propensão para correr riscos. NO ÓRFÃO, a primeira coisa a desaparecer é a espontaneidade, sente-se magoado, rejeitado, abandonado, traído, maltratado, com tendências a reprimir talentos para não se expor. O GUERREIRO negativo é improdutivo, injusto, com obsessiva necessidade de vencer, encara qualquer diferença como uma ameaça e em situações extremas é mentiroso, inescrupuloso e vilão. O CARIDOSO negativo doa-se em demasia, sem observar a hora de dizer não, o que raramente faz. Pai/Mãe que deposita nos filhos uma expectativa de realizar-se através deles, se tornam ressentidos. Processa-se uma relação simbiótica que torna-se repressora. Há uma transferência de carências para os seus protegidos como forma de preencherem os vazios emocionais.

Pela expressão negativa, O EXPLORADOR tem uma necessidade obsessiva de ser independente, o que nos mantém isolados. Cria alienação, insatisfação e sensação de vazio. Perfeccionismo, orgulho e vícios. O DESTRUIDOR carrega-nos para a estagnação, dor, sofrimento, tragédia e perdas. Em situações extremas, assassinatos e estupros, difamação e morte sem renascimento. O AMANTE nos empurra para a inveja, o ciúme, fixação obsessiva no objeto ou pessoa amada, compulsividade sexual, promiscuidade ou mesmo puritanismo exagerado. O CRIADOR, no lado negativo, limita as oportunidades, traz devaneios, fantasias descabidas, obsessão por criar.

No aspecto negativo do GOVERNANTE, haverá caos e perda de controle. Haverá comportamento dominador, tirânico, rígido e manipulativo. Quando não há um governante forte e equilibrado, haverá falta de recursos, de harmonia, de apoio ou de ordem na sua vida. O arquétipo de base O MAGO, o tornará feiticeiro(a) maligno(a), ou lhe trará doenças físicas, emocionais e espirituais, além de descontrole psíquico e mediúnico. O SÁBIO lhe confrontará com a fraude, a ilusão, isolamento e ausência de sentimentos. Atitudes e comportamentos críticos, superiores e pomposos. O BOBO terá preguiça, gula, irresponsabilidade, tédio, indisciplina, parasitismo e embriaguez.

Esses arquétipos de base podem ser equilibrados. Usando a mesma técnica feita na terapia de retirada de arquétipos, pela canalização da forma com que cada um deles se manifesta em nós, pode-se conduzi-los para a UNIDADE. Os arquétipos construídos por nós, ao longo de nossas vidas, seguem o modelo desses que já nascem conosco. Não adianta retirar um arquétipo construído, sem ir ao princípio de tudo. Ao mesmo tempo, não se pode retirar apenas esses moldes arquetípicos de nascimento, sem uma primeira vivência dos arquétipos que construímos.

Crescer é um ato de amor conosco. É um ato de respeito com quem nos criou.

Fonte: Somos Todos Um

[Imagem: Keith Haring, "Monkey Puzzle"]

Posted by Lilia at 09:01 PM | Comments (0)

Se eu fosse eu

Clarice Lispector

seeufosseeu-clarisse.jpg Quando eu não sei onde guardei um papel importante e a procura revela-se inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase "se eu fosse eu", que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar, diria melhor SENTIR.

E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser LOCOMOVIDA do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas e mudavam inteiramente de vida.

Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua, porque até minha fisionomia teria mudado. Como? Não sei.

Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo que é meu e confiaria o futuro ao futuro.

"Se eu fosse eu" parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido.

No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teriamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos emfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar. Não, acho que já estou de algum modo adivinhando, porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais.

Fonte: Nenhuma Flor

[Imagem: peguei daqui

Posted by Lilia at 08:45 PM | Comments (2)

Medo amigo e inimigo

Maria Tereza Maldonado

medoamigoinimigo-PaulKlee-HeadofMan.jpg Medo da violência, da insegurança das ruas, do desemprego, das oscilações da economia, das incertezas quanto ao futuro, da repetição de sofrimentos do passado, de deixar de ser amado, de não ser apreciado, de ser abandonado, de não achar o seu lugar, de não manter a posição conquistada. Medo do mundo, medo da vida, medo de nós mesmos, medo dos outros.

Todos nós - crianças, jovens e adultos - precisamos aprender a tomar conta do medo para evitar que o medo tome conta da gente.

O medo amigo é a bússola que nos guia pelos caminhos da vida, apontando perigos verdadeiros dos quais precisamos nos proteger. Ele nos indica o que podemos fazer para evitar o pior. Precisamos obedecer os avisos desse medo. A criancinha aprende que não pode enfiar o dedo na tomada; a criança maior aprende a esperar que os carros parem no sinal fechado para atravessar a rua; o jovem aprende a obedecer as leis do trânsito para evitar acidentes.

O medo inimigo é o sabotador interno que se diverte às custas dos nossos aspectos mais saudáveis, inventando histórias de terror, oprimindo nossa coragem, abortando nossas iniciativas, paralisando nossas ações. É o medo que precisamos desobedecer, desmascarar, desarmar para fortalecer nossa coragem para correr os riscos necessários ao crescimento pessoal. São esses medos que formam bloqueios e inibições, atrapalhando nossa vida e prejudicando o desempenho: a timidez excessiva que não nos deixa abordar uma pessoa que achamos atraente; a insegurança que ''dá branco'' nos fazendo esquecer tudo o que estudamos, na hora de fazer uma prova; a ilusão de que ficamos protegido deixando de sair à noite, mesmo sabendo que há violência a qualquer hora do dia.

Na vida em família, podemos ajudar uns aos outros a fortalecer nossa coragem para tirar o poder das histórias do medo inimigo. As crianças adoram encarar o desafio de desobedecê-lo e a sensação de aumentar o poder interior cada vez que superam mais uma etapa, subindo os degraus de uma escada em cujo topo está a meta que querem alcançar. As crianças também são capazes de ajudar os mais velhos a vencer o medo: um menino de 9 anos, ao conseguir superar o pavor de cães, começou a ajudar a avó a superar o medo de baratas.

No fim desse processo de vencer o medo inimigo, conseguimos rir das histórias que nos apavoravam. A pergunta que guia a reflexão e a coragem de começar do ponto mais fácil até o ponto mais difícil é: ''O que de pior poderá acontecer se...?'' Substituir os pensamentos catastróficos por avaliações realistas do perigo é uma habilidade libertadora de nossas prisões interiores. E a sensação de se soltar das amarras é profundamente agradável.

Fonte: JB Online, Caderno Vida

[Imagem: Paul Klee, Head of Man ]

Posted by Lilia at 05:48 PM | Comments (0)

Reposição hormonal, o erro previsível

José Carlos Brasil Peixoto

reposicaohormonal-Modigliani-seated-nude.jpg Aos poucos vão surgindo notícias e mais notícias sobre os problemas de uma estratégia terapêutica, eufemisticamente chamada de terapia de reposição hormonal. Agora surge a triste perspectiva de haver um incrível incremento de transtornos circulatórios cerebrais (triplica o risco de derrame, entre outros problemas). Já há estudos suficientes que demonstram o aumento no risco de câncer de mama, e uma série de outras enfermidades.

Bem, cabe no mínimo perguntar, o que deu errado? Talvez seria melhor perguntar, porque deu errado. Ou quem sabe, poderia dar certo?

Quando falamos de reposição hormonal, estamos falando de um procedimento médico criado, ou pelo menos difundido por um médico nova-iorquino chamado Robert Wilson. Ele entendia que a mulher perderia seus principais atributos de feminilidade com a parada da menstruação. Mas isto não seria o fim. As mulheres não perderiam os seus atrativos para os homens. Já havia pelo menos um remédio para isto. O laboratório Wyeth já havia lançado o PremarinÒ, que rapidamente se transformou num dos medicamentos mais vendidos nos EEUU e no mundo. Seu rótulo é atraente: estrógenos conjugados naturais.

Nestes quase 40 anos ocorreu algo muito interessante. Faltou curiosidade. Faltou fazer algumas perguntas tão óbvias, que talvez por isso nem foram feitas.

O dr. Wilson afirmou que a menopausa é um problema, e é um problema causado pela baixa de estrogênios na mulher – ponto! “Feminine forever” (1966) foi um livro de incrível sucesso e prometia a juventude eterna para o público feminino, garantindo assim a atratividade para os homens. Nada mais machista.

No início reposição hormonal era apenas a reposição de estrogênios. Mas um significativo aumento no câncer de útero quase levou a primeira fase desta terapia a um fracasso mórbido. Isso foi contornado com o uso de progestinas (substâncias artificiais que imitam as funções da progesterona), e que têm como ícone a medroxiprogesterona (Farlutal Ò) o que levou tal tratamento ao ápice nos anos 90, quando até o coração poderia ser protegido.

O dr. John Lee, mais curioso que seus colegas, se lembrou de fazer perguntas e chegou às respostas. Em primeiro lugar a menopausa em si não é um problema médico a ser tratado. Em segundo lugar a menopausa sintomática não é devido à baixa hormonal simplesmente. É devido a uma baixa desequilibrada de taxas hormonais, uma vez que a progesterona baixa em demasia (quase a zero), fazendo que o estrogênio, mesmo baixando, fique sempre ativo (predominância estrogênica). Em terceiro lugar, devido à precisão nos receptores hormonais, é imperativo que se use hormônios bio-idênticos, o que não ocorre com as progestinas sintéticas, nem mesmo com os estrogênios conjugados (são naturais e idênticos para os eqüinos, não para o ser humano).

Logo, a terapia de reposição hormonal nunca passou de um título atrativo, mas grosseiramente equivocado: o que falta, se faltasse é a progesterona (o protocolo previa o uso de estrogênios e progesterona como coadjuvante), e o que se adiciona são substâncias distintas das necessários (falta bio-identidade), além de usarem como via de administração a via oral, o que provoca uma fratura metabólica, pela primeira passagem no fígado. Além do mais, reduziu esta questão ao aspecto biológico, esquecendo de integrar aos transtornos da menopausa as questões psicológicas, alimentares, sócio-culturais, entre outras, dentro do universo de contextos que o drama da mulher pode estar inserido.

Com tantos vícios de origem, e um grande desrespeito com a ecologia feminina, o inusitado é a surpresa que a opinião pública demonstra com a divulgação de tantos estudos que incriminam este tipo de tratamento.

Quando o ser humano foge demais da natureza, o preço a ser pago costuma ser muito alto. Talvez mais alto em sofrimento do que os bilhões de dólares que a venda destes medicamentos já gerou nestas últimas décadas.

(Livro: “A menopausa e os segredos dos hormônios femininos” de José C B Peixoto, 104 pgs., site: www.novatrh.cjb.net; site: www.johnleemd.com)

(Premarin (PREgnant MARes' urINe) é um composto de estrogênios extraídos da urina da égua prenha, que tem elementos diversos daqueles encontrados no ser humano, e em proporções bem distintas. Sobre isto ver o site: http://www.npr.org/news/specials/hrt, em 2002 era o quarto medicamento mais prescrito nos EEUU.)

[Imagem: Modigliane, "Seated Nude"]

Posted by Lilia at 04:31 PM | Comments (0)

Resiliência reduz riscos de doenças e melhora a qualidade de vida

resilienciareduz-claude-theberge-Les-Naufrages.jpg O estresse é uma realidade observada hoje nas mais diferentes áreas e setores. Como manter a qualidade de vida e o equilíbrio emocional?

A resposta é simples: treinando a capacidade de cada indivíduo de desenvolver a resiliência. O termo vem da física e significa a capacidade humana de superar tudo, tirando proveito dos sofrimentos, inerentes às dificuldades. O resiliente é aquele que recupera-se e molda-se a cada "deformação" (obstáculo) situacional.

O equilíbrio humano é semelhante à estrutura de um prédio, se a pressão for superior à resistência, aparecerão rachaduras (doenças e lesões, por exemplo). Dentre as mais diferentes doenças psicossomáticas que se manifestam no indivíduo que não possui resiliência, estão não apenas o estresse, mas doenças graves como a gastrite até a síndrome do pânico, incluindo ainda problemas como vaginites, doenças intestinais, hipertensão arterial, entre outros males.

Durante o ciclo de vida normal, é necessário ao indivíduo desenvolver a resiliência para conseguir ultrapassar as passagens com "ganhos", nas diferentes fases: infância, adolescência, juventude, fase adulta e velhice, incluindo mudanças como de solteiro para casado.

O indivíduo que possui resiliência desenvolve a capacidade de recuperar-se e moldar-se novamente a cada obstáculo, a cada desafio. Se transportarmos o raciocínio para o dia-a-dia, poderemos observar que, quanto mais resiliente for o indivíduo, haverá menos doenças e perdas e mais desenvolvimento pessoal será alcançado.

Um indivíduo submetido a situações de estresse e que sabe vencer sem lesões severas (rachaduras) é um resiliente. Já quem não possui resiliência é o chamado "homem de vidro", que se "quebra" ao ser submetido às pressões e situações estressantes. A idéia de resiliência pode ser comparada às modificações da forma de uma bexiga parcialmente inflada, se comprimida, adquirindo as formas mais diversas e retornando ao estado inicial, após pressões exercidas sobre a mesma.

A resiliência consiste em equilíbrio entre a tensão e a habilidade de lutar, além do aprendizado obtido com obstáculos (sofrimentos). Traduzindo em outras palavras, é atingir outro nível de consciência. O indivíduo que não possui ou não desenvolve a resiliência, pode sofrer severas conseqüências, que vão da queda de produtividade ao desenvolvimento das mais diferentes doenças psicossomáticas.

Dicas para aumentar a capacidade de resiliência:

* Mentalizar seu projeto de vida, mesmo que não possa ser colocado em prática imediatamente. Sonhar com seu projeto é confortante e reduz a ansiedade.
* Aprender e adotar métodos práticos de relaxamento e meditação.
* Praticar esporte para aumentar o ânimo e a disposição. Os exercícios aumentam endorfinas e testosterona que, conseqüentemente, proporcionam sensação de bem-estar.
* Procurar manter o lar em harmonia, pois este é o "ponto de apoio para recuperar-se".
* Aproveitar parte do tempo para ampliar os conhecimentos, pois isso aumenta a autoconfiança.
* Transformar-se em um otimista incurável, visualizando sempre um futuro bom.
* Assumir riscos (ter coragem).
* Tornar-se um "sobrevivente" repleto de recursos.
* Apurar o senso de humor (desarmar os pessimistas).
* Separar bem quem você é e o que faz.
* Usar a criatividade para quebrar a rotina.
* Examinar e reflitir sobre a sua relação com o dinheiro.
* Permitir-se sentir dor, recuar e, às vezes, enfraquecer, para em seguida retornar ao estado original.

Dr. Alberto D'Auria é ginecologista e superintentende de Saúde Ocupacional do Hospital e Maternidade São Luiz
Fonte : Texto retirado, com adaptações, de Leila Navarro

[Imagem: Claude Theberge, "Les Naufrages"]

Posted by Lilia at 02:22 PM | Comments (0)

julho 21, 2005

A natureza da hostilidade

Bel Cesar

naturezahostilidade-Buddhist-Mandala.jpg Quem já não recebeu um golpe de hostilidade quando menos esperava? Basta um gesto brusco, uma palavra desagradável ou um silêncio cortante para sermos atingidos pela dor daquele que declara abertamente estar “de mal” com o mundo e, quem sabe, especificamente com a gente!

A hostilidade é uma energia baseada na agressividade, e tem como intuito declarar guerra: chamar o inimigo para o confronto, disputar um lugar ou uma posição. Baseada no ódio e na irritação com alguém, sua mensagem é clara: desejo prejudicar você!

Assim como diz o ditado popular, “Quando um não quer, dois não brigam”, cabe a cada um saber a hora certa de recuar. No entanto, isso não quer dizer que devamos fugir e desdenhar um aviso de agressão. Como agir diante da hostilidade?

De acordo com a filosofia budista, não nos cabe julgar a atitude alheia, mas sim cuidar da nossa. Neste sentido, podemos sempre escolher como agir ao invés de reagir. No entanto, para manter a calma e a clareza diante da hostilidade, é preciso ter um profundo conhecimento de si mesmo, baseado na certeza de que vale mais a pena o autocontrole do que se submeter a uma provocação alheia. O controle interior é uma virtude das pessoas que se dedicam ao autoconhecimento.

Podemos ver esta atitude naqueles que são compassivos e gentis por natureza. É admirável observar como os mestres budistas lidam com estes momentos: eles sabem a hora certa de agir ou recuar, pois uma vez que reconhecem o que se passa com o outro, conhecem também suas reações. No entanto, eles não são submissos aos abusos e declaram assertivamente os limites das situações.

Neste mundo competitivo, a ganância é vista como força-motriz para vencer. Aqueles que não se contentam com o que conquistam por meio de seu próprio esforço usam a hostilidade como uma arma potente, capaz de paralisar os mais suscetíveis às influências externas. Por isso, precisamos estar atentos àqueles que avançam por nossa porta adentro sem pedir licença, pois são pessoas acostumadas ao poder: eles acham que estão no direito de poder tudo a qualquer hora. Por isso são chamados de “cara de pau”. Eles agem de modo naturalmente hostil, pois sabem que assim têm menos chances de serem barrados. De fato, é verdade, pois o comportamento hostil desperta medo, raiva e ressentimento: um prato cheio para congelar emoções e impedir a possibilidade de alguém se opor à ação imposta por eles.

A hostilidade alheia nos intimida na medida que não sabemos lidar com nossa própria agressividade. Isto ocorre porque associamos nossa própria agressividade a uma idéia negativa; no entanto, a agressividade não é necessariamente uma emoção negativa. Ela também contém um sentido positivo: força para agir e seguir adiante. A agressividade, como força genuína do ser humano, não precisa necessariamente estar contaminada pela raiva. Neste sentido, ao invés de surgir como força destrutiva, ela gera força-motriz positiva: coragem para levantarmo-nos de novo e enfrentarmos obstáculos.

Neste sentido, a agressividade é uma autodefesa, isto é, um mecanismo biológico fundamental de adaptação. Ela nos ajuda a lidar com as ameaças de nosso território, tanto físicas quanto emocionais.

É interessante lembrar que o bebê passa a entender a sua própria individualidade a partir do momento que passa a sentir raiva. Por isso, a raiva é o primeiro sentimento que nos diferencia uns dos outros. Por meio da raiva, iremos gradualmente romper a relação simbiótica com nossa mãe. De modo semelhante, será a dor de uma decepção que nos ajudará a abandonar o passado e a nos arriscarmos num futuro incerto. Neste sentido, a agressividade nos impele a seguir em frente. É como se para largarmos uma etapa já vencida precisássemos escutar um basta em nosso interior, alertando-nos com firmeza: “Chega, abandone esta situação, siga em direção à outra”!

A agressividade torna-se uma força-motriz negativa quando está contaminada pelo desejo infantil de que poderíamos escapar das leis da responsabilidade pessoal, isto é, quando acreditamos na ilusão de que alguém pode nos satisfazer em todos os sentidos. A idéia de não-merecimento, de sermos vítimas de situações injustas, aumenta nossa raiva interior e nos torna hostis. Querendo ou não, teremos de lidar com os limites alheios para não cultivar uma constante frustração que gera apenas mais hostilidade. Por isso, a hostilidade é uma emoção anterior à ação agressiva; nela mora um secreto desejo de vingança: “Se você não fizer tudo que eu espero de você, irá se arrepender, pois vou me vingar”.

Uma vez que não conseguimos expressar a raiva, ela ficará reprimida em nosso interior, pulsando uma mensagem de indignação: “Isso não poderia ter acontecido comigo”. Lama Chagdug Rinpoche dizia que críticas são como flechas que atiram em nossa direção, mas na realidade não nos atingem: elas caem no chão. Somos nós que as pegamos e continuamos a nos apunhalar enquanto formos tomados pela indignação: “Ele não poderia ter dito isso, feito aquilo”. Isto é, como reagimos às críticas e o tempo dedicado a elas é sempre uma questão nossa, e não daqueles que nos agrediram.

Se somos tomados pela indignação, perdemos o autocontrole. Desta forma, nossa própria segurança torna-se ameaçada, pois sentimos que podemos explodir a qualquer momento. A hostilidade, uma vez recalcada, cresce interiormente como uma bomba-relógio, intensificando o medo e a insegurança. Quando somos tomados por tal agonia passamos a temer a nós mesmos, pois teremos medo de nossa própria agressividade: desconhecemos o que ela pode fazer conosco. A este ponto nos perguntamos: “O que acontecerá se eu perder o controle”?

A questão é que, quando crianças, aprendemos a recalcar a nossa raiva: tínhamos medo de que, ao expressá-la, iríamos danificar a nossa imagem diante daqueles que representavam uma fonte de segurança para nós, de que poderíamos ser castigados por eles ou perder o seu afeto.

O medo de magoar aqueles que cuidaram de nós gerou o sentimento de culpa inconsciente que nos faz sentir responsáveis pelos sentimentos alheios. Por isso, muitas vezes, quando adultos, não demonstramos sentimentos negativos frente a quem amamos para evitar ter que lidar com a ameaça de sentir a decepção alheia: “Se eu não te agrado é melhor você buscar outra pessoa”. Assim, preferimos suportar o desconforto interno a correr o risco de decepcionar aqueles diante de quem desejamos preservar a imagem de que estamos satisfeitos com eles, porque eles são o máximo, e por isso sempre nos satisfazem! Mas quanto mais negarmos nossa raiva, mais ansiedade iremos sentir sem compreender a sua razão aparente.

É o quantum de raiva internalizada que cada um traz consigo, como parte integrante de sua personalidade, que faz nos sentir mais ou menos desconfortáveis conosco mesmos. Desta forma, a sensação de inadequação e culpa voltará a surgir todas as vezes que tentarmos expressar a nossa raiva para aquele que amamos. Esse sentimento nos impedirá de amar verdadeiramente, pois uma vez que sentimos algo ruim em nosso interior, não nos consideraremos merecedores de amor.

Por fim, enquanto nos sentirmos prejudicados por alguém ou uma situação, manteremos uma ferida aberta que nos tornará cada vez mais amargos. Até mesmo aqueles que se proíbem de sentir raiva acabam por descobrir que ela está inevitavelmente em seu interior e se tornou uma força destrutiva. Por isso, o melhor é lidar com nossa hostilidade interna.

Seja por meio da psicoterapia ou pela ajuda de amigos íntimos, precisamos começar a ensaiar nossa capacidade de expressar a raiva interior de forma não destrutiva. No entanto, o primeiro passo para apaziguar a hostilidade interior será pela autocompaixão, isto é, aprender a ver a raiva em nosso interior como um sinal de que estamos simplesmente desequilibrados: ultrapassamos nossos limites ou não soubemos nos defender, mas não somos ruins por isso. Podemos nos dar uma nova chance ao comunicar o que estamos sentindo e ainda sim ser aceitos. Quando a intenção é o entendimento, encontramos uma forma de nos expressar que não magoa ou destrói o outro. Ainda assim, será necessário que o outro também esteja amadurecido para fazer o mesmo.

Em vez de nos acusarmos ou de redirecionarmos nossa raiva para os outros, podemos parar para observar o que estamos sentindo, dar tempo para o processo de autocura. Desta forma, iremos aprender que nossa agressividade não é uma arma destrutiva, mas sim um alerta de que é preciso dar mais atenção ao que se passa em nosso interior.

Fonte: Somos Todos Um

[Imagem: Buddhist Mandala]

Posted by Lilia at 08:21 PM | Comments (0)

julho 20, 2005

Ao sorrirmos, estimulamos sua produção

Dr. Mário Carabajal – Ph.D.

sorrirestimula-Portrait-Of-A-Young-Girl-Laughing-Djenne-Mopti-Mali.jpg Você já observou quem está a sua volta? Alguns são bem humorados, passam felicidade, contagiam o ambiente e atraem as atenções de todos. Já os sisudos, tornam as coisas mais difíceis, mais pesadas. Entre um e outro – como a noite e o dia, sentimo-nos motivados e depressivos – alegres e infelizes – relaxados e tensos – vívidos e angustiados.

Onde encontram-se as chaves para a felicidade? Nas pessoas que nos cercam ou dentro de nós? Nos planos e projetos – na saúde e trabalho – nos esportes e lazer? Sabemos que algumas pessoas vivem mais que outras, mas, que segredinho é este?

Após analisar uma amostra superior a 1.500 pessoas, inclino-me a afirmar que as pessoas mais bem humoradas polarizam os meios, fazendo com que pequenas e grandes decisões, empresariais e políticas, girem a sua volta. São seres como pólos energéticos, como ímãs.

Através dos recentes avanços da bioeletrografia, constatamos o entrecruzamento das energias humanas, também, de infinitas trocas energéticas entre os seres e os objetos. Existem campos de energia com maior e menor “quantum” de irradiação, - o que provocam mudanças nos limiares de outros seres e mesmo objetos.

A energia é uma realidade inquestionável, ela existe em tudo e também nos seres. Cada célula humana armazena entre 40 e 90 mini-voltz.

Os bem humorados tem uma maior capacidade de armazenamento de energia e suportam melhor as tensões.

Todo os processos psiconeuro e biofisiológicos, mecânicos e extra-corpóreos, sociais, são dependentes de energia. Em todos os momentos, trocas ocorrem, modificando os limiares dos objetos e pessoas sob o nosso raio bioeletromagnético. Quem já não passou frente a um aparelho de televisão, rádio, ou mesmo ao pentear-se, e notou a existência e presença da energia?

Nas 1.500 pessoas analisadas, aquelas que tinham um maior senso de humor, energeticamente, polarizavam seus pares. Uma significativa redução nos níveis de estresse – muitos pacientes que queixavam-se de algum tipo de dor, frente ao riso, tinham suas dores minimizadas.

Alguns efeitos do riso sobre o organismo:
- O hormônio do estresse, que é produzido pelas glândulas suprarenais são reduzidos.
- Com o riso, suas lágrimas passam a ter mais imunoglobulinas, um anticorpo que é a sua primeira linha de defesa contra algumas infecções oculares provocadas por vírus e bactérias.
- Sua boca também passa a ter mais imunoglobunina, resultando em uma melhor função imunológica.
- O riso acelera a recuperação de convalescentes e é eficaz no combate a dor.
- O poder do riso, de ativar a produção de endorfinas, é tão eficiente quanto a acupuntura, o relaxamento, a meditação, os exercícios físicos e a hipnose.
- O nível de cortisol aumenta de forma nociva durante o estresse, diminuindo significativamente com o riso.
- A pressão sanguínea aumenta durante o riso e cai abaixo dos níveis de repouso depois.
- Há uma redução da tensão muscular depois do riso. Um dos principais fatores que contribui para as doenças ocupacionais, como a Dort – Distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho, é o excesso de tensão muscular.
- O ar é expelido em grande velocidade de sus pulmões e de seu corpo quando você dá uma boa gargalhada. Seu corpo todo é oxigenado – inclusive o cérebro. Este fenômeno contribui tanto para que você pense com clareza quanto para uma boa forma aeróbica.
- O riso possui um efeito antiinflamatório em suas juntas e ossos que contribui para reduzir a inflamação e aliviar a dor em condições artríticas.
- Durante o estresse, a glândula supra-renal libera corticosteróides que são convertidos em cortisol na corrente sanguínea. Níveis elevados de cortisol têm um efeito imunossupressivo – o riso reduz os níveis de cortisol, protegendo nosso sistema imunológico – o estresse é o elo entre a pressão alta, a tensão muscular, o sistema imunológico enfraquecido, enfarto, diabetes e muitas outras doenças. (Vencer, Dez/01, p. 50).

Fonte: Academia Letras Brasil

[Imagem: Djenne Mopti Mali, "Portrait Of A Young Girl Laughing"]


Posted by Lilia at 02:51 PM | Comments (0)

AMOR SÓ DE LETRAS

Mário Prata
amorletras.gif Conta a história que dom Pedro II casou-se sem conhecer a sua noiva.

Tinha visto um quadro com a cara da princesa. Casamento de interesses políticos lá dos portugueses, fazer o que? E quando a moça chegou no porto do Rio de Janeiro - consta que ele fez uma cara emocionada. Pela feiúra da imperial donzela. Mas casou, era o destino, era a desdita.

Tenho um avô que foi pedir mão da moça e o pai dela disse: - Essa tá muito novinha. Leva aquela.

E ele levou aquela que viria a ser a minha avó. Ah, a outra morreu solteirona.

Quando aconteceu o grande boom da imigração japonesa, alguns anos depois, familiares que lá ficaram mandavam noivas para os que cá aportaram.

Tudo no escuro. E de olhinhos fechados, ainda por cima.

De uns tempo para cá, o conceito da escolha foi mudando. Até ir para a cama antes, valia. Ficava-se antes.

Só que agora, finzinho do finzinho do século, surgiu um outro tipo de casamento. O casamento de letras. Letras de textos. O texto - finalmente, digo eu, escritor - virou casamenteiro. Apaixona-se, hoje em dia, pelo texto. Via internet. Via cabo, literalmente.

Conheço quatro casos bem próximos. Gente que desmanchou o casamento de carne e osso por uma aventura no mundo das letras.

Claro que estou me referindo aos encontros via Internet. Começa no chat, com o texto. Gostou do texto, leva para o reservado. E lá, rola. Eu mesmo já me envolvi perdidamente por dois textos belíssimos. Moças de vírgulas acentuadas, exclamações sensuais e risos de entortar qualquer coração letrado ou iletrado.

Sim, pela primeira vez nesta nossa humanidade já tão velhinha, as pessoas estão se conhecendo primeiramente pela palavra escrita. E lida, é claro.

Já disse, isso envaidece qualquer escritor. Agora, o texto pode levar ao amor. Uma espécie de amor-de-texto, amor-de-perdição.

A relação, o namoro, começa ali no monitor. Você pode passar algumas horas, dias e até semanas sem saber nada da outra pessoa. Só conhece o texto dela.

E é com o texto que vai se fazendo o charme. Você ainda não sabe se a pessoa é bonita ou feia, gorda ou magra, jovem ou velha. E, se não for esperto, nem se é homem ou mulher. Mas vai crescendo uma coisa dentro de você. Algo parecidíssimo com amor. Pelo texto.

Pouco a pouco, você vai conhecendo os detalhes da pessoa. Idade, uma foto, a profissão, a cor. Inclusive onde mora. Sim, porque às vezes você está levando o maior lero com o texto amado e descobre que ele vem lá da
Venezuela. Ou do Arroio Chuí.

Mas se o texto for bom mesmo, se ele te encanta de fato e impresso, você vai em frente. Mesmo olhando para aquela fotografia - que deve ser a melhor que ela tinha para te escanear (ou seria sacanear, me perdoando o trocadilho fácil) você vai em frente. "Uma pessoa com um texto desses..."

A tudo isso o bom texto supera.

Quando eu ouvia um pai ou mãe dizendo "meu filho fica horas na Internet", todo preocupado, eu também ficava. Até que, por força do meu atual trabalho, comecei a navegar pela dita suja.

E descobri, muito feliz da vida, que nunca uma geração de jovens brasileiros leu e escreveu tanto na vida. Se ele fica seis horas por dia ali, ou ele está lendo ou escrevendo. E mais conhecendo pessoas. E amando essas pessoas.

Jamais, em tempo algum, o brasileiro escreveu tanto. E se comunicou tanto. E leu tanto. E amou tanto.

No caso do amor ali nascido, a feitura, o peso, a cor, a idade ou a nacionalidade não importam. O que é mais importante é o texto. O texto é a causa do amor.

Quando comecei a escrever um livro pela internet, muitos colegas jornalistas me entrevistavam (sempre a mim e ao João Ubaldo) perguntando qual era o futuro da literatura pela Internet.

Há quatro meses atrás eu não sabia responder a essa pergunta. Hoje eu sei e tenho certeza do que penso: - Essa geração vai dar muitos e muitos escritores para o Brasil. E muita gente vai se apaixonar pelo texto e no texto.

Existe coisa melhor para um escritor do que concluir uma crônica com isso?

Como diria Shakespeare, palavras, palavras, palavras.
Como diria Pelé, love, love, love.

Posted by Lilia at 09:11 AM | Comments (0)

Ame Mais!

Claudia Martinez

amemais-AlfredGockel-Lovedance.jpg Amar mais é um bom conselho e tenho procurado seguí-lo na minha vida, mas o que significa exatamente amar mais? O conceito do amor tem sido tão distorcido através dos tempos que podemos ficar confusos, principalmente no mundo atual que estamos vivendo.

Amar mais não tem nada a ver com o nosso comportamento. Muita gente pensa que amar mais é falar com voz suave, é ser gentil, é ser simpático, é ser agradável, mas o mundo já está cheio de pessoas agradáveis. O pior é que muitas dessas pessoas agradáveis também são capazes de fazer e falar coisas muito desagradáveis e podem carregar muitas neuroses escondidas lá por dentro. O que adianta ter uma voz suave e um comportamento gentil, se lá por dentro estivermos cheios de raivas e de frustrações?

O que adianta tratar bem a uma pessoa se lá por dentro estivermos cheios de preconceitos? O que adianta ser gentil se, por trás, falarmos mal das próprias pessoas a quem tratamos bem?

Para amar mais de verdade, precisamos começar a nos observar, precisamos começar a nos conhecer melhor. Precisamos começar a notar que, de fato, temos um “eu” superficial e um “eu” profundo. O “eu” superficial é o ego e “eu” profundo é a nossa essência verdadeira. Precisamos lembrar que o ego sempre fala primeiro e mais alto. Vocês já repararam como a gente tem necessidade de responder ao que outra pessoa está falando, antes mesmo que ela termine de falar? Essa é uma das versões do ego, ou querendo se exibir, ou querendo atacar, ou se defender. A nossa primeira reação sempre vem do go e o pior é que ficamos tão acostumados com isso que a nossa verdadeira essência vai ficando cada vez mais abafada. Mas o ego também se manifesta primeiro nas pessoas muito quietas, aquelas que nunca dizem nada porque se sentem intimidadas ou inseguras. Essa é uma outra versão do ego. A sobrevivência do ego está sempre baseada no medo. Eu sei disso porque passei de tímida a segura de mim mesma, ou seja, passei de um extremo a outro sem deixar de atuar no nível do ego, sempre me preocupando com o que as pessoas pensavam de mim, antes de começar a me conhecer melhor.

Para amar de verdade, primeiro precisamos encontrar a nossa verdadeira essência e deixar que ela floresça dentro de nós. Precisamos aprender a ouvir com o coração, a ver com o coração, a sentir com o coração e não só com a cabeça. Só assim vamos conseguir realmente escutar o que os outros tem a dizer, só assim vamos conseguir entender o nosso próprio sofrimento e o sofrimento dos outros. Só assim vamos poder sentir compaixão pelo próximo e poder apreciar o verdadeiro sentido do perdão e o alívio que ele pode nos trazer. Quando percebemos que estavamos aprisionados pelo ego, começamos a perceber que os outros também estão. Percebemos que eles não sabem o que estão fazendo, do mesmo jeito que a gente não sabia e, só assim vamos conseguir perdoar pessoas que antes pareciam impossíveis de ser perdoadas. É o mesmo que descobrir um mundo completamente novo dentro de nós mesmos, é uma revelação magnífica e esplendorosa. Quando a gente começa a perder o impulso de responder imediatamente, ou perder o medo de falar a nossa verdade, é um sinal de que o “eu” superficial está começando a dar espaço para o “eu” verdadeiro se manifestar.

Ouví um exemplo outro dia, de como lidar com crianças obesas. Essas crianças podem comer um pote de sorvete de uma vez só, então deve-se fazer duas perguntas a elas, com relação à vontade de tomar sorvete. Primeiro pergunta-se: “O que você quer?” A primeira resposta é que ela quer comer o pote inteiro de sorvete, mas aí pergunta-se de novo: “O que você realmente quer?’ A segunda resposta é que ela quer um pouco de sorvete.

Nós também precisamos aprender a seguir a nossa verdadeira vontade em relação a tudo, que também vem a ser a segunda. O ego sempre esteve livre, solto e acostumado a se manifestar primeiro, porque muitos de nós nem ao menos sabíamos que tinhamos uma verdadeira essência reprimida lá dentro. Em alguns casos, precisamos observar as palavras, ou gestos, que vem à tona
com muita rapidez, em outros casos, precisamos observar o medo de se expressar que vem à tona com muita rapidez e começar a deixar a verdade fluir de dentro de nós. O ego se manifesta de muitas formas e a gente só vai começar a perceber os seus truques quando passar a observar constantemente o que está acontecendo dentro de nós mesmos. Vamos começar a descobrir o motivo de nossos receios, de nossas preguiças, de nossos medos mais escondidos e essa revelação interior vai começar a produzir milagres em nossas reações. Vamos começar a ser mais esponetaneos, mais leves, mais alegres, ou seja, tudo que Deus quer que sejamos.

Deus não quer que façamos sacrifícios. Nós só fazemos sacrifícios quando fingimos que estamos amando, quando estamos agindo racionalmente, usando de artimanhas e manipulações para conseguir o que queremos. O ego tem essa mania de pensar que o amor é válido e útil, porque assim vamos conseguir o que queremos. Temos sido ensinados a controlar o nosso temperamento e as nossas reações porque temos que ser civilizados e eu não estou dizendo que isso está errado. O que estou dizendo é que aprendemos todas essas coisas no nível do ego, mas como o ego quer sempre levar vantagem, a nossa vida acaba virando um sacrifício, porque temos que acabar fazendo e falando coisas que realmente não concordamos. O relacionamento entre as pessoas acaba virando um desastre, não é verdade?

O sacrifício acaba quando o eu verdadeiro começa a vir à tona, porque começamos a renunciar a coisas que não vão nos fazer nenhuma falta, como a raiva, o medo, as frustrações, etc. Ao passo que o ego concorda em renunciar de algumas coisas por puro interesse, mas chega uma hora que a farsa vem à tona e a gente acaba se revelando. O ego quer sempre vencer, ao passo que o eeu verdadeiro quer sempre encontrar uma solução onde todos possam sair ganhando. Nós vivemos num mundo dominado pelo ego, por isso existem guerras, miséria e todos os males. Mas do mesmo jeito que os seres humanos são a causa dos problemas, também somos a solução.

A partir do momento que começamos a perceber que o bem e o mal estão dentro de nós mesmos, podemos começar a fazer escolhas diferentes. Outro exemplo interessante que escutei outro dia é que nos filmes o “mal” sempre aparece vestido de preto, em forma de monstro, ou coisa parecida. Nós ficamos com a impressão de que o mal é sempre feio ou evidente demais e nunca paramos para pensar que o mal pode estar em nós. Não, nós somos ótimas pessoas, trabalhadoras, religiosas, o problema está “nos outros”, eles é que estão errados. O ego quer nos fazer acreditar que somos separados uns dos outros, mas nós somos todos unidos e se somos unidos temos que reconhecer que o problema que existe nos outros também existe em nós. Pode ser em grau menor ou maior, mas está presente em todo mundo. Então, a cura tem que partir de cada indivíduo, mas a vantagem é que essa cura é “contagiosa”, no sentido de que vai se espalhando, até curar a humanidade inteira.

Só que nós somos tão teimosos que acabamos sendo levados na conversa do ego muitas vezes e acabamos cometendo o mesmo erro inúmeras vezes, até chegar a situações desesperadoras.

Mas não é verdade que em momentos dificílimos a gente parece encontrar uma força desconhecida que nos faz capazes de superar a situação? Essa força é a parte de Deus que está dentro de todos nós, que nos faz crescer e ser esplendorosos. Ela está sempre presente e não precisamos chegar a situações desesperadoras para encontrá-la, mas como a força do ego tem sido muito grande em nossas vidas, isso geralmente acaba acontecendo. Se estivermos conscientes de que demos de cara com a parte de Deus que está dentro de nós, vamos ficar agradecidos e passar a escolhê-la com mais frequência, mas, infelizmente, muitas vezes as pessoas saem de situações desesperadoras sem ter consciência do que aconteceu dentro delas. E, uma vez passado o sufoco, podem voltar ao mesmo padrão de comportamento anterior e acabar se colocando em situações desastrosas de novo. Por isso é importante nos conhecer melhor e ter consciência do que se passa dentro de nós. Só assim poderemos ser confiáveis, amadurecidos e felizes.

É nesse sentido que devemos amar mais. Amar mais significa ir deixando de ser parte do problema e começar a ser parte da solução. Amar mais é purificar a nossa forma de pensar e ajudar a purificar a forma de pensar daqueles que nos rodeiam.

Os problemas do mundo são apenas sintomas e precisamos tratar a causa deles. Isso significa que temos que tratar de nós mesmos.

Para mim o amor é sinônimo de paz e de liberdade interior. Acho que a gente só consegue amar de verdade quando consegue perdoar (inclusive a si mesmo), quando consegue fazer novas escolhas, quando consegue deixar de querer controlar os outros.

Amar é conseguir encontrar uma solução onde todos os envolvidos possam sair ganhando, porque isso traz a percepção correta de que somos unidos e não separados uns dos outros.

Amar é desistir constantemente das nossas idéias pre-estabelecidas de como as coisas deveriam ser.

Amar é ser feliz, ao invés de ter necessidade de estar sempre com a razão.

Amar é proporcionar um espaço seguro para os seres amados, ao invés de querer controlá-los.

O amor verdadeiro vem de dentro, do coração. Devemos orar para ser curados da necessidade que temos de impor a nossa vontade sobre os outros.

Fonte: Centro para Cura das Atitudes

[Imagem: Alfred Gockel, "Love Dance"]

Posted by Lilia at 08:30 AM | Comments (0)

Um Apólogo

Machado de Assis

umapologo-Renoir-lady-sewing.jpg Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:

— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma coisa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu, e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás, obedecendo ao que eu faço e mando...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...

Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:

— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima.

A linha não respondia nada; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte; continuou ainda nesse e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.

Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E quando compunha o vestido da bela dama, e puxava a um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha, para mofar da agulha, perguntou-lhe:

— Ora agora, diga-me quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.

Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:

— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.

Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:

— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!

[Imagem: Renoir, "Lady Sewing"]

Posted by Lilia at 07:27 AM | Comments (0)

julho 19, 2005

A rigidez que limita

Rosemeire Zago

rigidezlimita-juanmiro- ballarinaII.jpg Você se considera ou convive com alguém rígido, inflexível?
A rigidez, inflexibilidade, a imposição constante de regras, limita as relações e impede a busca por outros caminhos, acreditando que aquele escolhido é o único certo.

O excesso de rigidez faz com que criemos um padrão mental de comportamento, podendo provocar um sentimento de autopunição que só traz sofrimento, aos outros e a si próprio. Podemos encontrar pessoas rígidas em todos os lugares, mas, se observarmos mais atentamente, podemos encontrar muitas vezes essa rigidez dentro de nós mesmos.

Por exemplo, quem quer eliminar uns quilinhos é muito comum colocar-se metas. Sim, é importante saber onde se quer chegar, mas fazer disso um tormento, com expectativas elevadas só a fará encontrar insatisfação e frustração.

“A rigidez está muito relacionada com a repressão da expressão de emoções e conflitos não resolvidos.”
Se a meta é eliminar um quilo em uma semana e só conseguir quinhentos gramas, ignorando tudo que foi feito para alcançar tal resultado, poderá fazer com que desista logo no início, reforçando o sentimento de não ser capaz. Ou seja, em função do excesso de rigidez, tudo que não for atingido conforme o programado é desprezado, como se houvesse a necessidade de se punir de algo que não foi realizado conforme as próprias regras.

Pessoas rígidas em geral sofrem de dor de cabeça, enxaqueca, impondo-se a si mesmas um grande sofrimento para atenderem a exigências interiores inconscientes. Estão quase o tempo todo tensas, não se “desarmam”, como se estivessem constantemente em perigo. Mas caso sejam questionadas se sofrem de conflitos internos não resolvidos, elas o negam, dificultando a resolução destes.

Muitas vezes são pessoas que provêm de famílias que atribuem grande valor a normas rígidas de comportamento, sendo punidas quando essas regras não eram cumpridas e onde a expressão emocional, quer de afeto ou agressividade era reprovada e reprimida. O bloqueio da expressão afetiva ou a repressão da agressividade podem gerar um sintoma físico como a dor de cabeça ou enxaqueca, como meio de expressar no corpo os afetos e sofrimentos não expressos verbalmente. Seria como se a pessoa não agredisse aos outros, mas a si mesma.

Ou seja, a rigidez está muito relacionada com a repressão da expressão de emoções e conflitos não resolvidos, podendo ainda estar relacionada com a repressão sexual. As crises de cefaléias ou enxaquecas podem ser muitas vezes utilizadas como desculpa para fugir da relação sexual, assim como o próprio excesso de peso.

Diante da incapacidade de comunicar com palavras o que sente, o corpo adoece como forma inconsciente de manifestar seu sofrimento. A repressão de qualquer sentimento é maléfica para a mente e o organismo, devendo ser evitada.

Excluídas as causas orgânicas, a dor de cabeça, enxaqueca ou dores musculares, podem se manifestar em função de uma tensão em face dos problemas do dia-a-dia e da relação insatisfatória e rígida que a pessoa mantém consigo mesma e com os outros. Ou seja, há uma contração de toda a musculatura, principalmente do pescoço, da nuca e da face. “A repressão de qualquer sentimento é maléfica para a mente e o organismo, devendo ser evitada.”

Pode ser desencadeada também pelo estresse em função da sobrecarga que a própria pessoa se impõe, assim como da ansiedade crônica. Além disso, os estados crônicos de tensão ou estresse contribuem decisivamente para aumentar a pressão arterial, e a pressão alta pode causar a cefaléia, tornando uma verdadeira bola de neve. É claro que todos nós convivemos diariamente com algum grau de tensão física e emocional, mas existem pessoas que são rígidas 24 h e devem ficar atentas a esse comportamento.

Ser flexível não quer dizer perder a personalidade, ser volúvel ou fazer tudo o que outras pessoas querem, mas ser mais acessível à compreensão das coisas e pessoas, principalmente a si mesmo. É saber ouvir mais atentamente antes de interromper como se fosse dono da verdade ou como se houvesse apenas um caminho a seguir.

Podemos encontrar pessoas presas durante anos a conceitos e crenças antigas que apenas mobilizam e limitam o crescimento, onde não se permitem ampliar seu campo de visão ou de conhecimento, por acreditarem estar absolutamente certas naquilo que acreditam. A pessoa rígida não é só rígida com os outros, mas principalmente consigo mesma.

Impor regras, limites, horários, seguindo um padrão rígido de comportamento desgasta qualquer pessoa ou relação. Irritar-se por que o outro chegou cinco minutos atrasado ou não fez exatamente como você esperava, pode fazê-lo ter que lidar com sua frustração, mas como em geral nega seus próprios sentimentos, prefere impor que apenas seu jeito de ser ou pensar é o certo.

Pessoas rígidas estão sempre se impondo limites, muitas vezes porque na verdade, não se sentem capazes de ultrapassarem os seus próprios, sempre se escondendo atrás de regras que as fazem permanecer no mesmo lugar, onde tudo é conhecido e seguro, ainda que extremamente limitador. Atrás de toda rigidez encontra-se a não aceitação da naturalidade da vida, que por si só muda a cada momento, buscando se adequar para que haja um maior desenvolvimento e crescimento do ser humano e que não consegue ser alcançado onde há limites.

Fonte: Cyber Diet

[Imagem: Juan Miro, "ballarina II"]


Posted by Lilia at 08:09 PM | Comments (1)

julho 18, 2005

Mães más

Carlos Hecktheuer, médico psiquiatra

maesmas-dianablake-cruelstepmother.jpg Um dia quando meus filhos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e mães, eu hei de dizer-lhes:
- Eu os amei o suficiente para ter perguntado aonde vão, com quem vão e a que horas regressarão.

- Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silêncio e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.

- Eu os amei o suficiente para os fazer pagar as balas que tiraram do supermercado ou revistas do jornaleiro, e os fazer dizer ao dono: "Nós pegamos isto ontem e queríamos pagar".

- Eu os amei o suficiente para ter ficado em pé junto de vocês, duas horas, enquanto limpavam o seu quarto, tarefa que eu teria feito em 15 minutos.

- Eu os amei o suficiente para os deixar ver além do amor que eu sentia por vocês, o desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos.

- Eu os amei o suficiente para os deixar assumir a responsabilidade das suas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.

- Mais do que tudo, eu os amei o suficiente para dizer-lhes NÃO, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso (e em alguns momentos até odiaram).

Essas eram as mais difíceis batalhas de todas. Estou contente, venci...

Porque no final vocês venceram também!

E em qualquer dia, quando meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e mães; quando eles lhes perguntarem se sua mãe era má, meus filhos vão lhes dizer: "Sim, nossa mãe era má. Era a mãe mais má do mundo...

As outras crianças comiam doces no café e nós tínhamos que comer cereais, ovos, torradas. As outras crianças bebiam refrigerante e comiam batatas fritas e sorvetes no almoço e nós tínhamos que comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas.

Ela insistia em saber onde estávamos à toda hora Mamãe tinha que saber quem eram nossos amigos e o que nós fazíamos com eles. Insistia que lhe disséssemos com quem íamos sair, mesmo que demorássemos apenas uma hora ou menos.

Ela insistia sempre conosco para que lhe disséssemos sempre a verdade e apenas a verdade.
E quando éramos adolescentes, ela conseguia até ler os nossos pensamentos.
A nossa vida era mesmo chata!
Ela não deixava os nossos amigos tocarem a buzina para que saíssemos; tinham que subir, bater à porta, para ela os conhecer.
Enquanto todos podiam voltar tarde da noite com 12 anos, tivemos que esperar pelos 16 para chegar um pouco mais tarde, e aquela chata levantava para saber se a festa foi boa ( só para ver como estávamos ao voltar).

Por causa de nossa mãe, nós perdemos imensas experiências na adolescência:

- Nenhum de nós esteve envolvido com drogas, em roubo, em atos de vandalismo, em violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime.
FOI TUDO POR CAUSA DELA!"

Agora que já somos adultos, honestos e educados, estamos a fazer o nosso melhor para sermos "PAIS MAUS", como minha mãe foi.

EU ACHO QUE ESTE É UM DOS MALES DO MUNDO DE HOJE: NÃO HÁ SUFICIENTES MÃES MÁS!

Fonte: Papo Cabeça

[Image: Diana Blake, "Cruel Stepmother"]

Posted by Lilia at 09:59 PM | Comments (0)

Fazer o bem

fazerobem-Keith-Mallet-Caress.jpg Generosidade aumenta expectativa de vida e pessoas egocêntricas correm o risco de morrer mais cedo

A longevidade está ao alcance das mãos. Ajudar em instituições, oferecer favores em casa, dar suporte emocional aos amigos, mostrar-se disponível para uma conversa, são algumas das atitudes que motivam e prolongam a vida, atestam estudiosos.

O geriatra da Unifesp João Toniolo Neto é um dos defensores da tese. Segundo ele, a pessoa generosa possui uma boa condição física e um quadro psicológico favorável, já que, quando auxilia o próximo, exercita a saúde mental.

É uma forma de dar sentido à própria existência, acrescenta a psicanalista Susan Guggenheim, da Universidade Aberta da Terceira Idade (Unati) da Uerj. "A capacidade de ser generoso faz com que o indivíduo disponibilize ao outro seus sentimentos internos positivos. Desta forma, cria e fortalece os vínculos pessoais afetivos, o que aumenta o desejo de viver", ressalta.

Segundo Susan, idosos que desempenham atividades voluntárias são mais alegres, têm mais disposição e melhor qualidade de vida. "A troca é muito positiva. O indivíduo ligado a uma instituição, por exemplo, sabe o quanto é útil e isso é benéfico", aponta.

Ter projetos e planos para o futuro também oferecem a motivação para a vida. "Indivíduos com um bom intelecto e uma boa condição física tendem a viver mais. Por outro lado, aqueles com problemas corporais e depressivos possuem uma maior tendência à morte", afirma João Toniolo.

Uma pesquisa realizada na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, traduz a questão em números. Depois de observar o comportamento e a saúde de 423 idosos ao longo de 15 anos, os cientistas concluiram que pessoas empenhadas em ajudar o próximo reduzem em 60% o risco de morte.

A pesquisa americana mostrou, também, que o egocentrismo teria o efeito contrário, ou seja, pessoas muito centradas em si mesmas, seriam duas vezes mais propensas a morrer mais cedo. "Esses resultados sugerem que não é o que conseguimos das relações que nos trazem benefícios, mas sim o que nós oferecemos ao outro", concluiu a psicóloga Stephanie Brow, coordenadora do trabalho.

Fonte: Faculdade dos Guararapes
[Imagem: Keith Mallet, "Caress"]

Posted by Lilia at 03:46 PM | Comments (0)

Aprenda a se amar!

Rosemeire Zago

aprendaseamar-bettman-mirrorednude.jpg Você já reparou que por vezes queremos abraçar o mundo, quando na verdade não conseguimos abraçar a nós mesmos? Qual foi a última vez que você se abraçou?

Queremos cuidar de todos, quando não conseguimos, ou não sabemos, cuidar de nós e nem daqueles que amamos. Porque quando não recebemos amor e atenção de nossos genitores da forma que desejávamos quando crianças, passamos a vida em busca deste amor em forma de reconhecimento e aprovação.

Esperamos sempre, consciente ou inconscientemente, que alguém reconheça nosso valor, e quando não acontece, perdemos nosso referencial interno e também, nossa auto-estima. Esperamos aprovação pelo que fazemos e acima de tudo, pelo que somos e realizamos. E quando não somos reconhecidos, principalmente por pessoas significativas, deixamos de acreditar em nossa capacidade.

Assim, passamos a buscar amor sempre no outro, e nunca dentro de nós. Esquecemos o quanto é essencial aprendermos a nós amar. Em alguns momentos perdemos nosso amor-próprio e com ele nossa confiança, por isso a opinião dos outros se torna tão importante. Quantas vezes você disse a si mesmo do seu próprio amor? Quantas vezes você disse que se ama? Nunca? Pode ser! Mas nunca é tarde para começar.

Do mesmo modo que nosso físico precisa de água e alimento, nossas emoções também precisam ser alimentadas. Mas estamos sempre esperando que o outro nos ame, nos abrace, que reconheça nosso valor, demonstre o quanto somos importantes, pois não nos sentimos capazes. Por que não nos amamos? Não nos aprovamos? Não nos sentimos importantes? Já pensou que se não nutrirmos estes sentimentos por nós mesmos, como podemos esperar que alguém o faça, e ainda mais, que faça melhor que nós? Por que desprezamos tanto nossa capacidade? Já pensou sobre isso?

É preciso aprender a identificar cada sentimento, sabendo o que sente e depois respeitar estes mesmos sentimentos e não desprezá-los. Não nos respeitamos e depois reclamamos que os outros não nos respeitam. Quantas vezes você sentiu algo e ignorou este sentimento para você mesmo? Muitas vezes isto acontece porque durante a vida, as pessoas tidas como significativas, ignoraram suas reais necessidades emocionais e com o tempo você aprendeu a fazer o mesmo. Por que desprezaram sua dor, você vai fazer igual? Pare com esse círculo vicioso. Olhe para dentro de você. Não como quem olha no espelho, superficialmente e tentando encontrar algum defeito, e porque até neste momento a imagem refletida é invertida. Olhe de verdade para dentro de seu ser, de sua alma. Deixe o medo de lado, pois ele não permite que você cresça. Enfrente-o e acredite que irá descobrir muitas qualidades que talvez ninguém reconheça, mas que há dentro de você. E se encontrar defeitos, quem não os têm? Olhe para eles com carinho, para mudar cada um, se quiser.

Transforme este momento no que podemos chamar verdadeiramente de crescimento, evolução. Liberte-se das necessidades não supridas de amor, aprovação, reconhecimento e saiba que só você pode se aprovar. Aprenda a se abraçar, se respeitar, se aceitar, se amar. Dê a si mesmo todo o amor que espera receber de alguém, pois só assim você poderá ser realmente amado e amar. Liberte-se das culpas, perdoe e perdoe-se! Liberte-se também das mágoas e dos ressentimentos do passado que só aprisionam e machucam tanto.

Agora coloque a folha em algum lugar para que fique com as mãos livres e faça o seguinte exercício: coloque sua mão direita sobre seu braço esquerdo e sua mão esquerda sobre seu braço direito. Pronto! Você está aprendendo a se abraçar. Abrace-se com carinho, fale do quanto você é capaz, do quanto você pode conquistar com seus próprios méritos. Fale do quanto acredita em você e principalmente, do quanto você se ama. Fale que a partir de agora, só você mesmo pode aprovar ou não o que faz. Se ninguém o ama, você se ama. Se ninguém vibra com suas conquistas, você mais do que ninguém passará a valorizar e a celebrar cada uma delas.

Não espere mais que o “outro” venha te salvar, venha te aprovar e reconhecer tudo de bom que faz. Pare de colocar sua vida e seus sentimentos, que é tudo que você tem de mais valioso, nas mãos de alguém. É claro que você pode dividir tudo isso com alguém que seja muito especial e que o ame muito, do contrário, guarde tudo só para você.

Agora olhe para dentro de você, sem medo, para que possa se descobrir. Perceba sua essência, deixe brilhar sua luz, pois só assim encontrará paz e poderá valorizar sua maior dádiva: sua vida neste momento presente! Afinal, o passado já se foi... e o amanhã, ah, o amanhã! Quem saberá? Por isso, a hora de começar é agora, faça seu melhor já! Comece irradiando amor... primeiro por você, depois contagie aqueles que ama.

[Imagem: Bettman Archive, Mirrored Nude]


Posted by Lilia at 01:35 PM | Comments (0)

Destino

Ricardo Di Bernardi

destino-Peticov_InteractionV.jpg O destino se constrói a cada momento de nossa existência. Se é verdade que hoje navegamos pelo rio da vida com a canoa que construímos com os golpes do machado de nossos próprios atos, também é verdade que nos cabe remar no sentido que desejamos e sujeitando-nos a avançar lenta ou velozmente no rumo a ser alcançado. A cada instante reforçamos os mantimentos de nossa bagagem pelo apoio de corações amigos que promovem amparo fraternal. Nosso livre arbítrio nos permite, a todo momento, jogar para fora do barco o lastro excessivo das pedras da culpa que imaturamente juntamos no decorrer de nossa jornada. O esforço próprio para vencer a correnteza das adversidades da existência, leva-nos a escolher os afluentes de águas menos caudalosas, embora de percurso mais longo, Sem as surpresas dos rochedos ocultos que desafiam nossa visão limitada. O equipamento de bordo é fruto das nossas possibilidades, entretanto, a direção do barco da vida depende de nós.

Não há carma estático. A idéia de que o destino já está indelevelmente traçado existe nas estreitas mentes que se espremem no desfiladeiro limitado pelas muralhas pétreas da rigidez de percepção. O carma é dinâmico e sofre modificação a cada pensamento nosso. Quando pensamos, ocorre movimentação de energias, emissão de ondas e criação de situações atenuantes ou agravantes aos problemas. É verdade que somos peixes livres no aquário da vida. No entanto, estamos limitados as quatro paredes envidraçadas que correspondem aos pontos cardeais de nossa dimensão física; livres apenas no espaço dimensional que conhecemos, porém mergulhados em outros espaços que não percebemos.

Na trajetória da vida, os atos construtivos e amorosos além de conquistar a simpatia e o amparo ao nosso redor, geram vórtices energéticos superiores em nossa estrutura espiritual. A presença destas energias sutis suavizam acentuadamente nossas desarmonias energéticas, bem como reduzem nossas tendências a determinadas situações de desequilíbrio e sofrimento.

No trânsito pelo campo da vida podemos, a cada momento, espargir as sementes do amor que celeremente desabrocham nas flores perfumadas do companheirismo , em criaturas que amadurecem como frutos saborosos da solidariedade humana.

O carma, OU O DESTINO, devem ser compreendidos sempre como uma tendência a determinadas situações decorrentes de nossa natureza psíquica, a qual foi elaborada nas múltiplas existências. Nada impede que lutemos contra elas, ao contrário, mentores espirituais nos amparam constantemente infundindo força para vencermos, evitando, muitas vezes, sofrimentos desnecessários.

Fonte: Portal do Espírito

[Imagem: Antonio Peticov, "InteractionV"]

Posted by Lilia at 11:27 AM | Comments (0)

O QUE É COMPAIXÃO?

compaixao-mandala-take-heart.jpg Muita gente, talvez a maioria das pessoas, confunde compaixão com pena. Mas uma coisa não tem nada a ver com outra.
Sentir pena de algum ser ou do que quer que seja, significa que estamos nos sentindo numa condição superior à daquele ser, no sentido de que nos encontramos em uma situação melhor do que a dele, por não estarmos passando pelo mesmo sofrimento que ele vive naquele momento. E nesse caso, geralmente nos permitimos algum tipo de julgamento quanto a esse ser, ou mesmo quanto à situação que originou esse sofrimento.

Ter compaixão, no entanto, significa colocar-se incondicionalmente ao lado do outro, sem qualquer tipo de julgamento quanto à situação que ele está vivenciando, sem nenhum outro sentimento que não seja o de propiciar alívio à situação na qual aquele ser se encontra.

Compassividade é portanto um abrir incondicional do próprio coração, uma doação incondicional da própria energia, para que o outro ser consiga superar suas dificuldades, DESDE QUE ELE ACEITE RECEBER ESSA ENERGIA.

E é nessa linha que vamos apresentar algumas reflexões.

Na nossa atribulada vida diária, é comum nos defrontarmos com inúmeras situações infelizes, que até chegam a nos comover, e muitas vezes, chegar às lágrimas. Ficamos tão condoídos, tão amargurados, tão contritos com o que vemos, e nos aborrecemos tanto, ao ponto de ter o nosso dia comprometido.

No entanto, não fazemos absolutamente nada com relação ao fato que originou nossa reação. - ISSO É SENTIR PENA !
Julgamos, avaliamos, nos revoltamos, nos posicionamos, etc., e cruzamos os braços, e voltamos às nossas tarefas diárias, aos nossos compromissos, à nossa família, aos nossos afazeres, como se a vida pudesse continuar normalmente, apesar daquilo.

COMPAIXÃO NÃO É ISSO !
A compaixão exige de nós uma atitude, uma ação. Exige que nos coloquemos na situação em questão, e que nos ofertemos, ou a algo de nós mesmos, para que essa situação se resolva. Exige que estejamos presentes, que sejamos atuantes, que nos posicionemos.

Exige enfim a nossa DISPONIBILIDADE PARA OFERTAR ALGO DE NÓS MESMOS PARA QUE A SITUAÇÃO EM QUESTÃO SE RESOLVA, E QUE AQUELE SER NELA ENVOLVIDO POSSA FINALMENTE SAIR DAQUELE PROBLEMA.
SERÁ QUE ALGUMA VEZ PARAMOS PARA AVALIAR AS COISAS DESSA MANEIRA?

Talvez não, porque isso provavelmente nos incomodará terrivelmente. Por que? Porque exigirá que saiamos do nosso comodismo, da nossa indiferença, do nosso descompromisso, da nossa " piedade descomprometida ", que não leva a nada, a não ser ao fortalecimento do nosso ego, porque então pensamos: Como somos bons ! Sentimos pena ! Somos capazes de nos comover ante o sofrimento do outro ! O mundo não precisa das nossas lágrimas. Ele já as tem demais ! Mas há ainda um outro aspecto relativo à compaixão: é a comunhão com o sofrimento do outro.

É o estabelecer uma sintonia energética, que nos torne capazes de realmente dividir com o outro suas dores, não no sentido de entrarmos nós naquela energia de sofrimento, mas de criar um cordão energético que puxe o outro para fora de sua dor.

É exatamente por isso que a compaixão exige de nós uma ação. Porque procurando sentir o sofrimento do outro, a ação para procurar resolver a situação acaba surgindo naturalmente. Aqui é importante ressaltar a atitude daquele para o qual ofertamos o auxílio, que deverá ser a sua atitude pessoal de busca. A pessoa precisa querer ser ajudada, precisa querer reagir, caminhar.

Precisa estar disposta a abrir-se também, para receber a energia do outro. Essa abertura é fundamental. Sem ela, nenhuma ação efetiva é possível, ou melhor, essa ação até pode ocorrer no âmbito externo, mas jamais atingirá o ser interior, que é exatamente aquele que pode LEVANTAR-SE E CAMINHAR!

fonte: psicologia gnóstica (não tem autor)

[Imagem: Mandala, Take the heart - all posters]

Posted by Lilia at 10:28 AM | Comments (1)

Os Quatro Compromissos

Don Miguel Ruiz

matisse-henri-the-dance.jpg Seja Impecável com a Palavra
Já que ela é a ferramenta mais poderosa que você tem, use-a sempre para a verdade e para o bem. Assim como a palavra é capaz de construir também pode destruir tudo em questão de momentos.
Não faça fofocas. Elas só espalham um veneno que pode voltar contra você depois.

Cumpra sempre o que promete
Ser impecável também significa assumir a responsabilidade por seus atos sem se culpar por esta ou aquela escolha.
Não Tire Conclusões
Seus dramas e tristezas existem porque você acredita que as suas conclusões são as corretas. Imagine o dia que você não tira conclusões sobre o seu parceiro ou sobre todas as pessoas com as quais se relaciona. A forma mais fácil de evitar confusões é perguntar - e não deduzir - quando você não entende algo. Uma vez ouvida a resposta, não sobrará espaço para falsas conclusões.

Não Leve Nada para o Lado Pessoal
Não sofra pelo que os outros dizem a seu respeito ou para você. Nada disso é motivado por seus atos, e sim por quem fez os comentários.
Cada um vive num mundo diferente. Levar tudo para o lado pessoal significa presumir que os outros conhecem o seu mundo.
Esse é o pensamento deles sobre o mundo, não o seu. Se você estiver imune às opiniões e ações das pessoas, evitará sofrimentos desnecessários.

Sempre Dê o Melhor de Si
O último compromisso permite que os outros três se tornem hábitos. Em qualquer circunstância, sempre faça o melhor, nem mais nem menos. Dessa forma, você não vai julgar a si mesmo, nem se sentir culpado ou se castigar quando não conseguir cumprir um acordo. É a ação que faz a diferença.

"Refletir e exercitar os quatros compromissos pode mudar a sua postura diante da vida".

[imagem: Matisse, A Dança]

Posted by Lilia at 08:33 AM | Comments (1)

SER FELIZ É UMA DECISÃO

serfelizdesicao-edwardhopper-roombythesea.jpg Uma senhora de 92 anos, delicada, bem vestida, com o cabelo bem penteado e um semblante calmo, precisou se mudar para uma casa de repouso.

Seu marido havia falecido recentemente e a mudança se fez necessária, pois ela era deficiente visual e não havia quem pudesse ampará-la em seu lar.

Uma neta dedicada a acompanhou.

Após algum tempo aguardando pacientemente na sala de espera, a enfermeira veio avisá-las que o quarto estava pronto.

Enquanto caminhavam, lentamente, até o elevador, a neta, que já havia vistoriado os aposentos, fez-lhe uma descrição visual de seu pequeno quarto, incluindo as flores na cortina da janela.

A senhora sorriu docemente e disse com entusiasmo: Eu adorei!

Mas a senhora nem viu o quarto... Observou a enfermeira.

Ela não a deixou continuar e acrescentou:
A felicidade é algo que você decide antes da hora. Se eu vou gostar do meu quarto ou não, não depende de como os móveis estão arranjados, e sim de como eu os arranjo em minha mente.

E eu já me decidi gostar dele...
E continuou: é uma decisão que tomo a cada manhã quando acordo. Eu tenho uma escolha, posso passar o dia na cama remoendo as dificuldades que tenho com as partes de meu corpo que não funcionam há muito tempo, ou posso sair da cama e ser grata por mais esse dia.

Cada dia é um presente, e meus olhos se abrem para o novo dia das memórias felizes que armazenei...

A velhice é como uma conta no banco, minha filha... De onde você só retira o que colocou antes.

AUTORIA: se alguém conhecer a autoria desses texto, por gentileza me escreva. agradecida.
[Imagem: Edward Hopper, "Room by the sea"]

Posted by Lilia at 08:27 AM | Comments (1)

A natureza do medo

Guimarães Rosa (*)

naturezadomedo-toddgipstein-shot-of-a-white-windmill-with-triangular-sails.jpg Quem muito se evita, se convive. Por todo o mal que faz, um dia se repaga, o exato. Quem que diz que na vida tudo se escolhe? O que castiga, cumpre também. Não convém a gente levantar escândalo de começo. Só aos poucos é que o escuro é claro.

Vingar é lamber, frio, o que o outro cozinhou quente demais. A cada hora de cada dia, a gente aprende uma qualidade nova de medo. Medo agarra a gente é pelo enraizado. Queria entender do medo e da coragem, do que empurra a gente por fazer tantos atos, dar corpos ao suceder. O que induz a gente para as más ações estranhas, é que a gente está pertinho do que é nosso, por direito. E não sabe, não sabe, não sabe. O que medo é? Um produzido dentro da gente. Um depositado. E que às horas se mexe, sacoleja. A gente pensa que é por causas: por isso e aquilo, coisas que só estão é fornecendo espelho. Mas o cabedal é um só, do misturado de todos, que mal varêia e as coisas cumprem norma. Alguém estiver com medo, por exemplo, próximo, o medo dele quer logo passar para a gente. Mas, se a gente firme agüentar de não temer, de jeito nenhum, a coragem sua redobra e trescobra, que até espanta. Acho que eu tinha conciso medo dos perigos. O que eu descosturava era o medo de errar. De cair na boca dos perigos por minha culpa. Hoje sei: medo meditado, foi isso. Medo de errar é que é a minha paciência. Pudesse tirar de si esse medo-de-errar, a gente estava salva.

(*) Adaptação livre de Zélia Nascimento de "Grande Sertão Veredas"
Publicado na revista JB Ecológico em 26 de maio de 2002

[Imagem: Todd Gipstein, "Shot of a White Windmill with Triangular Sails"]

Posted by Lilia at 08:18 AM | Comments (0)

Resiliência

Tom Coelho

resiliencia-arshilegorky-water of the flowery- mill.jpg “O problema não é o problema.
O problema é sua atitude com relação ao problema.” (Kelly Young)

Hoje, a tristeza me visitou. Tocou a campainha, subiu as escadas, bateu à porta e entrou. Não ofereci resistência. Houve um tempo em que eu fazia o impossível para evitá-la adentrar os meus domínios. E quando isso acontecia, discutíamos demoradamente. Era uma experiência desgastante. Aprendi que o melhor a fazer é deixá-la seguir seu curso. Agora, sequer dialogamos. Ela entra, senta-se na sala de estar, sirvo-lhe uma bebida qualquer, apresento-lhe a televisão e a esqueço! Quando me dou por conta, o recinto está vazio. Ela partiu, sem arroubos e sem deixar rastros. Cumpriu sua missão sem afetar minha vida.

Hoje, a doença também me visitou. Mas esta tem outros métodos. E outros propósitos. Chegou sem pedir licença, invadindo o ambiente. Instalou-se em minha garganta e foi ter com minhas amígdalas. A prescrição é sempre a mesma: amoxicilina e paracetamol. Faço uso destes medicamentos e sinto-me absolutamente prostrado. Acho que é por isso que os chamam de antibióticos. Porque são contra a vida. Não apenas a vida de bactérias e vírus, mas toda e qualquer vida...

Hoje, problemas do passado também me visitaram. Não vieram pelo telefone porque palavras pronunciadas ativam as emoções apenas no momento e depois perdem-se, difusas, levadas pela brisa. Vieram pelo correio, impressos em papel e letras de baixa qualidade, anunciando sua perenidade, sua condição de fantasmas eternos até que sejam exorcizados.

Diante deste quadro, não há como deixar de sentir-se apequenado nestes momentos. O mundo ao redor parece conspirar contra o bem, a estabilidade e o equilíbrio que tanto se persegue. O desânimo comparece estampado em ombros arqueados e olhos sem brilho, que pedem para derramar lágrimas de alívio. Então, choro. E o faço porque Maurice Druon ensinou-me, através de seu inocente Tistu, que se você não chora, as lágrimas endurecem no peito e o coração fica duro.

Limão e Limonada

As Ciências Humanas estão sempre tomando emprestado das Exatas, termos e conceitos. A última novidade vem da Física e atende pelo nome de resiliência. Significa resistência ao choque ou a propriedade pela qual a energia potencial armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão incidente sobre o mesmo.

Em Humanas, a resiliência passou a designar a capacidade de se resistir flexivelmente à adversidade, utilizando-a para o desenvolvimento pessoal, profissional e social. Traduzindo isso através de um dito popular, é fazer de cada limão, ou seja, de cada contrariedade que a vida nos apresenta, uma limonada, saborosa, refrescante e agradável.

Aprendi que não adianta brigar com problemas. É preciso enfrentá-los para não ser destruído por eles, resolvendo-os. E rapidamente, de maneira certa ou errada. Problemas são como bebês, só crescem se forem alimentados. Muitos deles resolvem-se por si mesmos. Mas quando você os soluciona de forma inadequada eles voltam, dão-lhe uma rasteira e, aí sim, você os anula corretamente. A felicidade, pontuou Michael Jansen, não é a ausência de problemas. A ausência de problemas é o tédio. A felicidade são grandes problemas bem administrados.

Aprendi a combater as doenças. As do corpo e as da mente. Percebê-las, identificá-las, respeitá-las e aniquilá-las. Muitas decorrem não do que nos falta, mas do mal uso que fazemos do que temos. E a velocidade é tudo neste combate. Agir rápido é a palavra de ordem. Melhor do que ser preventivo é ser preditivo.

Aprendi a aceitar a tristeza. Não o ano todo, mas apenas um dia, à luz dos ensinamentos de Victor Hugo. O poeta dizia que “tristeza não tem fim, felicidade, sim”. Porém, discordo. Penso que os dois são finitos. E cíclicos. O segredo é contemplar as pequenas alegrias ao invés de aguardar a grande felicidade. Uma alegria destrói 100 tristezas...

Modismo ou não, tornei-me resiliente. A palavra em si pode cair no ostracismo, mas terá servido para ilustrar minha atitude cultivada ao longo dos anos diante das dificuldades, impostas ou auto-impostas, que enfrentei pelo caminho, transformando desânimo em persistência, descrédito em esperança, obstáculos em oportunidades, tristeza em alegria.

Nós apreciamos o calor porque já sentimos o frio. Apreciamos a luz porque já estivemos no escuro. Apreciamos a saúde porque já fomos enfermos. Podemos, pois, experimentar a felicidade porque já conhecemos a tristeza.

Olhe para o céu, agora! Se é dia, o Sol brilha e aquece. Se é noite, a Lua ilumina e abraça. E assim será novamente amanhã. E assim é feita a Vida.

Fonte: Desa

[Imagem: Arshile Gorky "Water of the Flowery Mill]

Posted by Lilia at 08:03 AM | Comments (0)

julho 17, 2005

EU ME AMO

A auto-estima é tudo na história de uma pessoa: ela interfere no que fazemos, em todas as áreas. De um pedido de emprego a uma conquista amorosa. É o que dá estrutura e base à nossa existência. Vamos aprender a mantê-la em alta para encarar a vida com mais alegria, confiança e tranqüilidade.

HELOÍSA NORONHA

eumeamo-Lichtenstein-Aloha.jpg Em 1985, a cantora norte-americana Whitney Houston conquistou as paradas de sucesso com a música The Greatest Love of All, originalmente gravada por George Benson nos anos 70. É uma pena que, nos anos seguintes, a estrela não conseguiu aproveitar os conselhos tão sábios da canção, uma ode à importância da auto-estima - o maior amor de todos é o amor que sentimos por nós mesmos, diz o refrão. Whitney batalha até hoje para se livrar dos efeitos do álcool, das drogas e dos relacionamentos destrutivos, sinais evidentes de que durante muito tempo não esteve satisfeita com a própria vida e consigo mesma.

A boa auto-estima, assim como a saúde, é uma condição essencial para ser feliz. Mas, diferentemente do equilíbrio físico e psíquico, que muitas vezes sofre influências alheias à nossa vontade, a auto-estima positiva só depende de nós. E essa felicidade que caminha ao lado dela não é aquela alegria forjada de comercial de margarina, e sim algo que acontece nas entrelinhas do dia-a-dia: capacidade de acreditar nas próprias qualidades, maturidade para aceitar os defeitos e limitações, ânimo para seguir em frente apesar das dificuldades, orgulho das conquistas, aprendizado com os erros. Ter uma boa auto-estima é, sobretudo, enxergar a si mesma da maneira que você é - e gostar disso. "É se amar e se respeitar", sintetiza a psicóloga Sandra Samaritano, do Instituto Paulo Gaudencio, de São Paulo.

Todo mundo tem auto-estima, nem que seja baixa. Segundo o psicanalista Elko Perissinotti, do Hospital das Clínicas de São Paulo, há inclusive uma predisposição genética para nascer com mais ou menos autoconfiança. Mas isso não é um fator definitivo. "Cabe aos pais se preocupar com o desenvolvimento da personalidade da criança. Essa tendência pode ser modificada", assegura. Especializada em orientação infantil, a psicóloga Suzy Camacho, autora do livro Guia Prático dos Pais (Green Forest), concorda com Perissinotti e afirma que a auto-estima da criança se constrói conforme o meio em que ela vive, o que inclui a família e a escola. "Os sete primeiros anos de idade são importantíssimos, pois envolvem as referências de mundo. A criança aprende o que é ser magro ou gordo, alto ou baixo, por exemplo. Se ela ouve que é desastrada e bagunceira, vai acabar acreditando nisso", destaca.

O conteúdo do que escutamos na infância, inclusive, é crucial para determinar o nível da nossa auto-estima. Frases como "Por que você não é tão estudioso quanto o seu irmão?", "Se continuar assim você nunca vai ser nada" e "Pare de colocar o dedo no nariz ou não vou gostar mais de você" provocam anos de cicatrizes profundas, marcadas por culpa, vergonha e medo. "O grande erro de alguns pais é criticar diretamente o filho, em vez de condenar a atitude. Comparações com outras crianças também precisam ser evitadas", sentencia Suzy. Ou seja, o certo seria dizer: "estudar pouco fará com que repita de ano" ou "cutucar o nariz é muito feio".

Para a psicóloga Sandra Samaritano, a maior demonstração de amor que os pais podem dar aos filhos é a imposição de limites, algo essencial para a formação da boa auto-estima. "Às vezes, as crianças até reclamam das decisões dos pais, mas é inegável que, no fundo, se sentem queridas e confortáveis, pois sabem que alguém se preocupa com o bem-estar delas", diz.

Ao contrário das gerações anteriores, hoje em dia é comum ver crianças pequenas com uma auto-suficiência de dar inveja ao mais ponderado dos adultos. De acordo com os especialistas, isso é fruto da maior busca por informação, já que os pais costumam recorrer a respostas na psicologia para suas dúvidas, e também de um certo preparo precoce para lidar com a vida - resultado, também, das dores e das delícias do mundo moderno. "É preciso prestar atenção, porém, se não está havendo permissividade na educação, o que gera níveis elevados de segurança nos pequenos, que se sentem capazes de tudo", alerta Sandra.

Benefícios valiosos
Pode haver a falsa impressão de que a vida é um verdadeiro mar de rosas para quem se gosta e se curte. Não é bem assim. O que acontece é que amar a si mesma e se aceitar permite circular pelo mundo com mais segurança. Ninguém está imune à dor, à decepção ou ao fracasso, evidentemente. No entanto, pessoas com auto-estima elevada não entregam os pontos por muito tempo. "Elas são dotadas de um incrível senso de resiliência, que é a capacidade de suportar as frustrações e extrair algo de positivo delas", diz o psicanalista Elko Perissinotti. No campo profissional, são pessoas que não têm medo de tomar a iniciativa ou de expor idéias e projetos. No plano afetivo, são mais felizes e estabelecem relações de igual para igual - a velha máxima de que é preciso primeiro se gostar, para depois gostar de alguém, é verdadeira.
Por outro lado, não seria exagero afirmar que quem tem baixa auto- estima leva uma vida de mentira. "A pessoa é mais observadora do que atuante", comenta a psicóloga Suzy Camacho. Outras características típicas: timidez, pessimismo, complexo de inferioridade, mania de bancar a vítima, boicotes. Há tendência para desenvolver compulsões (por comida, jogo, bebida ou drogas) e a se envolver em relacionamentos amorosos destrutivos - com direito à violência, inclusive.

Para o psicanalista lacaniano Jorge Forbes, o conceito de auto-estima é amplo, e inclui também o desejo de aceitação pelos outros das nossas escolhas e realizações. Segundo ele, a auto-estima tem duas fontes fundamentais: a aprovação alheia e a responsabilidade pessoal do que se deseja. "É comum a pessoa perder muito tempo montando estratégias de captura de sua aceitação pelos outros. O fracasso é previsível porque os outros, a quem se pede aprovação, estão em situação semelhante. Em graus variados, todo mundo questiona, no dia seguinte aos aplausos, como será possível mantê-los", exemplifica. Disso, tiramos um conselho: satisfazer a nós mesmos em primeiro lugar, e sermos fiéis aos nossos desejos e vontades. O resto é conseqüência.

Perigos e soluções
O excesso de auto-estima também é prejudicial e, para o psicanalista Jorge Forbes, sinal de alienação. "Além de conduzir à solidão, é paralisante", afirma. "A pessoa pode demonstrar uma falsa superioridade para amenizar a angústia emocional", opina Elko Perissinotti. "Excesso de auto-estima é diferente de arrogância, que esconde uma enorme insegurança", salienta Sandra Samaritano.

As experiências da infância podem contribuir para esse problema. Suzy Camacho, mais uma vez, lança mão do exemplo das frases dos pais. Compare a diferença entre "Você é a criança mais linda da escola" e "Para mim, você é a criança mais linda da escola". "No primeiro caso, por mais afeto que contenha, o elogio não é verdadeiro. No segundo, a afirmação cede espaço para uma opinião", argumenta Suzy. E qual será o resultado de crescer com a idéia falsa de que se é o centro do universo? Adultos infelizes e frustrados, com a sensação amarga de que foram enganados.

E o que fazer quando chegamos à idade madura com baixa auto-estima? É possível reverter esse quadro e trabalhar a autoconfiança? Sim, em qualquer fase da vida. O primeiro passo, do ponto de vista da psicóloga Sandra Samaritano, é parar de usar o passado como desculpa. Apesar de a forma como fomos criados estabelecer o nível da auto-estima, a educação que recebemos não deve ser usada como desculpa para continuarmos tristes e descrentes. "O passado é uma zona de conforto, sim. Só que o resgate da auto-estima depende de atravessá-la", diz Sandra. O trabalho de reorganização interior e de revalorização não é fácil, mas tem como prêmio o controle da vida - quem tem baixa auto-estima fica à mercê da opinião alheia, pois a própria de nada vale. Caso seja difícil enfrentar esse processo sozinha, é recomendável buscar terapia individual ou em grupo. O psicólogo Elko Perissinotti aconselha a prática de técnicas alternativas como yoga, tai chi chuan e meditação para reencontrar o equilíbrio interno, e esportes em geral, principalmente a hidroginástica.

"É uma atividade em grupo, o que favorece a sociabilização. E a água tem o valor simbólico da vida, do útero da mãe. Ela transmite carinho, aconchego, paz. Costumo recomendá-la para pacientes com depressão", diz Perissinotti. Embora muitos médicos façam vista grossa para livros e cursos de auto-ajuda, eles têm valor, sim, para conscientizar sobre atitudes erradas. E, por último, Sandra Samaritano recomenda prestar mais atenção nas críticas que, por acaso, receba. "O inimigo fala de mim pelas costas. O amigo fala para mim e funciona como uma espécie de espelho, que reflete quem eu sou."

Fonte: Revista Uma

[Image: Lichtenstein, "Aloha"]

Posted by Lilia at 09:29 PM | Comments (0)

Controlando a Ansiedade

controlandoansiedade-joanmiro-doginfrontof thesun.jpg Falta de sono, pressa exagerada para resolver os problemas, medo de uma situação que ainda está por acontecer... Quando essas incômodas sensações começam a fazer seu coração disparar, é hora de controlá-las.

De repente, o coração começa a bater mais rapidamente. As mãos tremem, o ar começa a faltar. Vem uma sensação de angústia, como se o mundo se fechasse em torno de você. Na cabeça, uma só frase: "não há saída". O que você está sentindo é ansiedade, uma vontade de preencher a lacuna que existe entre o presente e o futuro, tornando-o mais previsível. Na mente de uma mulher ansiosa, a impossibilidade de saber o que pode vir a acontecer -já que ninguém tem bola de cristal -vira uma história de terror, dá até para construir um roteiro de filme. O que a pessoa sente é preocupação, ou seja, se ocupa antes de uma coisa que não tem solução possível naquele momento.

Essa inquietação interior é uma epidemia. Se não for exagerada, não chega a fazer mal. Mas quando a apreensão ultrapassa um certo limite, torna-se um caso clínico e é preciso procurar ajuda médica. Uma em cada quatro pessoas chega a esse extremo. É quando aparece a obesidade, a síndrome do pânico, problemas de coração. Mas isso tudo pode ser evitado. Preparamos uma lista com 30 dicas para ajudar a pôr o pé no freio dessas emoções e garantir o mínimo de tranqüilidade.

1. Cada vez que você perceber que vai fantasiar um desfecho catastrófico para alguma situação, escreva em um papel o que está prevendo. Depois, escreva ao lado, no mesmo papel, o que realmente aconteceu para poder comparar. Com o tempo, irá reunir casos que mostram o quanto você sofreu por antecipação.

2. Considere o pior desfecho para uma situação apenas como uma das hipóteses, e imagine outras possibilidades não tão ruins ou até boas.

3. Inspire profundamente e jogue o ar para o abdome. Repita várias vezes, se possível de olhos fechados. Isso diminui as reações que o cérebro desencadeia ao identificar uma situação de perigo.

4. Esforce-se para dormir bem: tome um banho morno antes, mantenha o quarto escuro, totalmente silencioso, vista-se de forma confortável.

5. Aprimore seu filtro de pensamentos. Não gaste suas energias e seu tempo com coisas que não mereçam, de fato, a sua preocupação.

6. Tome uma taça de vinho. Alimentos e bebidas vasodilatadores, como é o caso do álcool e da pimenta, proporcionam uma sensação de relaxamento. Mas nada de excessos.

7. Pare de reclamar de prazos apertados. No geral, não dá para alterá-los e as queixas consomem um tempo que poderia ser gasto para resolver o problema.

8. Vença seus medos se expondo gradualmente a eles e pare de evitar situações que são necessárias embora você as considere desconfortáveis.

9. Antes de experimentar alguma situação, você tem sempre duas possibilidades: sim e não. Quando você evita logo de cara, passa a ter apenas o não como possibilidade. Enfrente as situações.

10. Coma castanha-do-pará. A semente melhora a transmissão dos impulsos nervosos do cérebro.

11. Dedique um bom tempo para o banho. Se for de banheira, melhor ainda. No chuveiro, massageie o corpo e deixe a água quente cair nos pontos de tensão como ombros.

12. Faça um exercício leve que dê prazer, como uma caminhada. Com a liberação de endorfina, fica mais fácil surgirem soluções e os pensamentos tornam-se mais variados.

13. Olhe para trás e veja se você deixou de lado alguma atividade que proporcionava prazer, como um grupo de teatro, um curso de canto ou o time de vôlei. Tente retomar.

14. Inclua você em sua agenda. Raras pessoas fazem pausas durante o horário de trabalho. Com a dedicação intensa você passa a se envolver com tantos problemas que isso gera estresse, um fator externo de ansiedade.

15. Em cada refeição procure unir uma verdura crua, um alimento verde-escuro e uma fruta amarela. Por sua consistência mais dura, exigem um número maior de mastigações, ajudando a dissipar a
ansiedade.

16. Direcione suas energias para a solução e não aos problemas. Em vez de ficar ansiosa diante de um projeto importante que você tem que apresentar, ou de questionar sua capacidade, concentre todas as suas energias para fazer o melhor projeto possível.

17. Combata o perfeccionismo. Quando você estabelece o perfeito como meta, só vale o recorde mundial. Determine sempre submetas e assim ficará mais fácil atingi-las.

18. Pratique técnicas de relaxamento rotineiramente. Primeiro contraia cada um dos seus músculos para depois relaxá-los.

19. Quando estiver ansiosa, faça um esforço para distrair-se com um momento de lazer, alguma bobagem que divirta e ocupe a cabeça. Se está na expectativa de receber uma ligação importante e vai ficar em casa para esperá-la, experimente ler uma revista, fazer as unhas ou assistir a novela.
20. Quando você está pessimista diante de um acontecimento, encare o insucesso como uma forma de aprendizado e não uma catástrofe.

21. Coma chocolate. Como auxiliam na liberação de serotonina, o hormônio do prazer, no sistema nervoso, a pessoa passa a ter a sensação de conforto e bem-estar meia hora ou 40 minutos após o consumo. Mas evite exageros para não engordar.

22. Confie no poder das ervas. A kava-kava é um potente ansiolítico. A planta é encontrada em cápsulas só que, embora natural, é vendida apenas com prescrição médica.

23. Se está ansiosa com alguma coisa que vai mesmo acontecer, ensaie antes. Vivencie o fato sem clima de terror, aja sem pânico. Não sofra por antecedência.

24. Responda a seguinte pergunta: o que você pode fazer para solucionar a causa da sua ansiedade hoje? Se descobrir que só será possível agir na próxima semana, relaxe e deixe para se preocupar depois.

25. Para as pessoas que descontam a ansiedade na comida, uma boa saída é a combinação de cravo e canela. Salpicados sobre as frutas, chás e alimentos de baixas calorias, eles diminuem a compulsão alimentar além de melhorar bastante o sabor.

26. Lembre-se de que 90% dos "filmes mentais" que ficamos desenvolvendo não acontecem. E os problemas que realmente se concretizam nem chegamos a imaginar.

27. Os chás são aliados poderosos na batalha contra a ansiedade. O capim-cidreira tem um princípio ativo que acalma. Só o cheiro já ajuda a diminuir a tensão. Uma outra infusão menos popular é o chá de casca de mulungu, que diminui a ansiedade e ainda melhora a qualidade do sono.

28. Procure uma academia e siga uma rotina de exercícios. A atividade regular ajuda a equilibrar o funcionamento do organismo.

29. Pratique atividades como tai chi chuan e ioga, que exercitam a respiração, ocupam a mente, reduzem o batimento cardíaco e fazem circular a energia do corpo. Equilibrado, o organismo combate a ansiedade.

30. Procure a companhia de pessoas tranqüilas e bem-humoradas. Ficar com outras pessoas ansiosas só vai alimentar seu desconforto.

*Consultores: Alceu Roberto Casseb, psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise, Flora Lys Spolidoro, nutricionista, Marco Antonio De Tommaso, psicólogo do Hospital das Clínicas, Rodrigo Cardoso, consultor de qualidade de vida e autor do livro A Resposta do Sucesso Está em Suas Mãos (Editora Record), Úrsula Maria Hecht, médica homeopata, Vanderli Marchiori, nutricionista e fitoterapeuta, diretora da Associação Paulista de Nutrição.

Texto: Juliana Nogueira
[Imagem: Joan Miro, "Dog in Front of the Sun"]

Posted by Lilia at 06:23 PM | Comments (0)

Um Estudo Sobre Amigas

mulheres-gettyimage.jpg Um estudo que acaba de ser publicado pela Universidade de Los Angeles,
Califórnia, assinala que a amizade entre mulheres é algo verdadeiramente especial. Descobriu-se que as amigas contribuem a dar-nos identidade e modelar o nosso futuro. Constituem um remanso ante a um mundo real cheio de tormentas e obstáculos.

As amigas ajudam a preencher vazios emocionais de nossas relações maritais
e nos ajudam a recordar quem realmente somos. Segundo os cientistas, há
evidências de que Ter amigas ajuda as mulheres a prevenir o stress que ocasiona problemas estomacais.

Depois de 50 anos de pesquisas, concluiu-se que há substâncias químicas
produzidas pelo cérebro que nos ajudam a criar e sustentar laços de amizades entre as mulheres. Os pesquisadores, homens em sua maioria, estão surpreendidos pelos resultados destes estudos.

Até a publicação dos resultados desta pesquisa, existia a crença de que quando as pessoas estão sujeitas a tensão nervosa extrema, reagem produzindo hormônios que geram uma reação que conduz para a briga ou para a fuga o mais rápido possível.

A doutora Laura Cousin Klein, uma das autoras do estudo mencionado, diz que estes detonadores de hormônios constituem um mecanismo de sobrevivência tão antigo como a humanidade. Se trata de um "resabio" que remonta à época em que os seres humanos eram nômades e sua principal atividade era a caça.

O que os pesquisadores descobriram é que não existem apenas mecanismos de
respostas de fuga ou de briga. Aparentemente, quando se libera o hormônio
chamado ocitocina como parte da reação das mulheres diante do stress, estas sentem a necessidade de proteger seus filhos e de agrupar-se com outras mulheres.

Quando isso ocorre, uma maior quantidade de ocitocina é produzida, diminuindo o stress severo e produzindo um feito calmante. Estas reações não se apresentam entre os membros do sexo masculino, devido ao fato de que a testosterona que os homens produzem em altas quantidades, tende a neutralizar os efeitos da ocitocina, enquanto que os estrógenos femininos aumentam a produção deste hormônio.

A descoberta de que as mulheres respondem de maneira diferente dos homens
provocou reações sarcásticas entre os membros do laboratório onde se realizaram as investigações. A cada estudo, foi sendo demonstrado que os laços emocionais que existem entre as mulheres que são amigas reais e leais, contribui a reduzir os riscos de enfermidades ao baixar a pressão arterial e o colesterol.

Acredita-se que esta pode ser uma das razões pelas quais as mulheres vivem
mais tempo do que os homens.
As mulheres que não estabelecem relações profundas de amizade com outras
mulheres não mostram os mesmos resultados em sua saúde.

Ter amigos nos ajuda, não somente a viver, mas a viver melhor. Um estudo sobre a saúde realizado pela Faculdade de Medicina de Harvard indica que
quanto mais amigas tenha uma mulher, mais aumentarão suas probabilidades
de chegar a velhice sem problemas físicos de incapacidade, levando uma vida plena.

Não contar com amigos próximos pode provocar tantos danos à saúde quanto
a obesidade, o tabagismo, o sedentarismo. Estudou-se também como as mulheres superam momentos difíceis, como a morte do cônjuge, e estabeleceu-se que as mulheres que podem confiar em suas amigas reagem a
este fato sem enfermidades graves e se recuperam em menor tempo do que
aquelas que não tem em quem confiar.
As mulheres que são amigas constituem uma fonte recíproca de fortaleza!!!

AUTORIA: não conseguir encontrar a autoria deste artigo. acho que o original é em espanhol "RE-VALORANDO LA IMPORTANCIA DE LA OXITOCINA - Un estudio sobre el efecto benéfico de tener amigas". se alguém conhecer, por gentileza me escrever.

[Imagem: Getty Image]

Posted by Lilia at 03:41 PM | Comments (0)

É sério: bom humor faz bem à saúde

Katia Stringueto

bomhumorfazbem-UteMaertens-KleinerJongleur.jpg O que uma exuberante gargalhada contém? A ciência quis saber. Nessa empreitada, primeiro percebeu e depois comprovou que o riso não só transmite alegria de pessoa para pessoa como também melhora a saúde
delas.

O mais recente estudo aconteceu na Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos. Os pesquisadores verificaram que a ativação de uma determinada região do cérebro associada a emoções negativas enfraquece a imunidade dos pacientes. Quem é mais triste apresenta uma atividade maior na parte frontal direita do córtex cerebral. Isso mexe com os neurotransmissores, as substâncias produzidas e liberadas ali, e reduz a produção de células de defesa do organismo. Em contrapartida, pessoas que tendem a olhar o lado positivo das coisas, nas quais o lado esquerdo do cérebro fica mais ativado, apresentam uma melhora na capacidade imunológica.

O bom humor é, então, uma forma descontraída de prevenir gripes e resfriados. E ainda um fortificante quando se fala em aids, câncer e problemas de coração. Um levantamento da Universidade de Maryland, também nos EUA, descobriu que sorrir influencia o músculo cardíaco: segundo o estudo, infartados apresentam 40% menos tendência a rir do que homens saudáveis da mesma idade.

Em outra pesquisa, desta vez no Brasil, realizada no Instituto Nacional do Câncer, a enfermeira Maria Helena Amorim, atual professora da Universidade Federal do Espírito Santo, constatou que mulheres com câncer de mama que enfrentam a doença com otimismo produzem mais de uma substância positiva no próprio sangue: há aumento de células natural killers, um tipo capaz de eliminar células tumorais. "Os exames de sangue comprovam que, no grupo de mulheres que receberam ajuda de terapeutas para relaxar e enfrentar a doença com otimismo, o índice dessas células poderosas chegou a 19%", informa a pesquisadora. Entre as mulheres que não receberam essa ajuda, o índice ficou em 8,5%.
"Em pacientes soropositivos e com câncer, a falta de esperança é um obstáculo sério ao tratamento. Costumo dizer que é como tentar empurrar um carro brecado: não funciona. O otimismo, por outro lado, faz tolerar melhor os medicamentos e os efeitos colaterais", observa o infectologista Arthur Timmerman, de São Paulo.

Benefício de corpo e alma
Ao reafirmar a importância das emoções e dos pensamentos positivos para a saúde, as pesquisas assinalam que brincar, rir e não se levar tão a sério é absolutamente desejável. ?Ser bem-humorado significa perceber que a maior parte das situações que vivemos não é nem muito importante, nem muito séria, nem muito grave?, define Silvia Cardoso, neurocientista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que estuda o riso e seus efeitos.

Ela constatou que não importa se a risada é por algo engraçado ou um gesto de cumprimento. Para ser benéfica, ela tem é de ser sincera. "Só quando o sorriso passa pela emoção é que libera substâncias que reduzem a tensão, relaxam os músculos e aumentam a imunidade", avisa.

"Sabemos ainda que rir oxigena o sangue e faz pensar melhor", completa Allen Klein, presidente da Association for Applied and Therapeutic Humor (um tipo de associação americana do humor terapêutico). Para a alma, o benefício de uma boa gargalhada é bem mais amplo. No livro Ninguém Escapa de Si Mesmo -Psicanálise com Humor (ed. Casa do Psicólogo), a psicanalista paulista Paulina Cymrot descreve alguns casos em que comentários divertidos abriram uma janela na alma trancada dos pacientes. "O humor serve para minimizar o excesso de dor, de rigor consigo próprio e com as outras pessoas", escreve a
autora.

A palavra humor vem do latim humore, que significa "deixar fluir". Isso inclui desculpar-se das próprias falhas e expandir-se internamente. Às vezes, é preciso deixar vir a raiva, o medo, a tristeza. "Estar de bem com a vida não significa ser super-herói e esconder os sentimentos ruins. Pelo contrário, é importante deixar a dor doer até passar", diz a doutora em psicobiologia Thelma Andrade, professora do departamento de ciências biológicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp, campus de Assis).

"O otimista também se irrita, mas reconhece que está assim e, tão logo quanto possível, elabora o fato e segue a vida. Não fica paralisado nem remoendo frente a um obstáculo", compara a psiquiatra Alexandrina Meleiro, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, de São Paulo.

Energia que transforma
A chargista argentina Maitena Burundera, 41 anos, autora do livro Mulheres Alteradas, transforma o sofrimento em fonte de criação. "Para mim, o humor é um mecanismo para lidar com minhas angústias. Tento rir do que me faria chorar", revela.

Acostumada a ouvir as dores humanas, a psicóloga paulista Lilian Pinheiro, 56 anos, entende que a alegria é a melhor coisa que existe. "O bom humor cura, faz as pessoas levarem a vida mais leve. Com certeza, me conduz à saúde física e mental", afirma. Sua energia é tanta que dá até para distribuir aos amigos. "Ela não faz tempestade em copo d'água. Sempre que converso com ela, sinto aquele ânimo, uma vontade de viver. Lilian contagia a gente", diz a amiga Erika Fromm, 30, cineasta, de São Paulo.

Hábitos que ativam o otimismo
Três atitudes ajudam a ampliar a cota de bom humor.
1. Dormir bem. A privação do sono eleva a agressividade.

2. Atividade física. Estimula a liberação de endorfinas, um tipo de neurotransmissor associado ao bem-estar. "Pode ser natação, ioga, caminhada. Só não vale ser algo competitivo, que estresse ainda mais", sugere a psiquiatra Alexandrina Meleiro.

3. Alimentação rica em fibras e nutrientes. "Quem está com o intestino preso fica intoxicado e de mau humor, frisa Célia Mara Melo Garcia, nutricionista e iridóloga, de São Paulo. Além disso, os alimentos certos servem de matéria-prima para a produção de parte da serotonina fundamental na química do bom humor. Entre eles estão:
Soja: Uma pesquisa recente provou que o grão contém moléculas que participam da formação da serotonina substância responsável pela sensação de bem-estar.
Carnes magras, peixes, nozes e leguminosas: Fontes de triptofano, facilitador da produção de serotonina, neurotransmissor do bem-estar.
Banana e castanha-do-pará: Contêm vitamina B6, que colabora para o bem-estar.
Manga: Alimentos amarelos, como essa fruta, são ricos em magnésio, outro mineral envolvido na regulação da serotonina, relaxante produzido pelo cérebro.
Leite e iogurte desnatados e queijos magros: Ricos em cálcio, fundamental para a liberação de neurotransmissores, como a serotonina.

Motivos para sorrir
Para cultivar seu senso de humor:
* Liste as coisas de que você mais gosta e considere seriamente a possibilidade de colocá-las em prática.
* Lembre do que você fazia com prazer na infância. O que o fazia ficar horas absorto, ler, olhar as estrelas, assistir um jogo...
* Perceba as atividades divertidas que pratica durante o dia. Jantar fora com um amigo, fazer amor, brincar com o cachorro, cozinhar. Observe como a alegria custa pouco.
* Tudo tem sua parte divertida e outra nem tanto. Só não deixe o que é divertido ficar escondido.
* Brincar é tão natural quanto respirar, sentir, pensar.
Autorize-se. Tente caminhar por um quarteirão observando quantos sorrisos encontra pela frente. Depois, faça o mesmo percurso sorrindo e comprove que rir é contagioso.
"Ser bem-humorado significa perceber que a maior parte das situações que vivemos não é nem muito importante, nem muito séria, nem muito grave", Silvia Cardoso, neurocientista.

Fonte: Revista Bons Fluidos

[Imagem: UteMaertens, "Kleiner Jongleur"]

Posted by Lilia at 12:47 PM | Comments (0)

Amor de mãe tem o mesmo efeito do ópio

amormae-Mothers-Love-by-kolongi.jpg Atenção materna causa contentamento que produz as mesmas substâncias das drogas
Benedict Carey, em Nova York

Os psicólogos dizem que o amor materno é como uma droga, uma substância potente que cimenta a relação entre mãe e bebê e que tem impacto profundo sobre o desenvolvimento posterior do indivíduo. Mas os cientistas sabiam muito pouco sobre como a maternidade afetaria biologicamente os bebês. Se ela é como uma droga, que tipo de droga seria essa?

Um grupo de pesquisadores italianos e franceses anunciou na semana passada que em pelo menos um grupo de mamíferos a maternidade age como uma substância opiácea. Os pesquisadores descobriram que ratos que não possuem um gene que permite o alívio da dor após a administração de opiáceos têm grande dificuldade em estabelecer laços com as suas mães.

Quando são separados brevemente das suas mães na primeira semana de vida - um período vulnerável, quando são incapazes de andar ou de abrir os olhos - os filhotes geneticamente alterados não choram de ansiedade como os ratos normais que sofrem a mesma separação. Segundo os cientistas, esse choro por ajuda é fundamental para cimentar o vínculo entre mães e filhos.

Os pesquisadores realizaram experimentos para verificar se os ratos geneticamente alterados choravam em resposta a outros tipos de estresse, como a exposição a baixas temperaturas. Os filhotes choraram. O único fator que não foi expresso intensamente foi a ansiedade da separação.

"O choro faz parte de um comportamento de ligação sentimental que mantém a proximidade entre o bebê e a mãe", explica Francesca R. D'Amato, do Instituto de Neurociências CNR, em Roma, e uma das autoras do estudo, publicado na edição de 25 de junho da revista "Science". "Apesar de ser algo de fundamental para a sobrevivência, esses animais não exibiram tal comportamento".

O estudo fornece forte evidência de que as mesmas substâncias químicas do cérebro que controlam a dor física regulam também a dor psicológica causada pela perda e pela separação, diz ela. Esse foi um dos vários experimentos recentes mostrando que as alterações em um único gene podem remodelar radicalmente o comportamento social.

Neste mês, cientistas da Universidade Emory, em Atlanta, relataram que a injeção de um único gene em um outro roedor, o rato-da-campina, faz com que machos promíscuos se transformem em pais caseiros. O gene ajuda a criar nos animais receptores celulares para a vasopressina, um hormônio
que atua na promoção de laços sociais. Os cientistas já haviam demonstrado anteriormente que os roedores que eram geneticamente insensíveis a um outro hormônio, a oxitocina, tinham dificuldades para formar casais.

A neurobiologia dos laços entre mãe e filho provavelmente envolve todos os três sistemas de alguma forma, dizem os cientistas. "Esse último estudo é o maior e o melhor do seu tipo e fornece forte evidência de que o apoio maternal possui um componente opiáceo", diz Jaak Panksepp, professor de psicologia da Universidade Estadual Bowling Green, em Ohio, que há mais de duas décadas sugeriu que os receptores opiáceos são importantes para a formação dos laços entre mãe e filho.

Os sistemas de hormônio e alívio da dor funcionam de maneira similar em todos os mamíferos, incluindo os humanos. A circulação pelo corpo de substâncias opiáceas naturais como as endorfinas ajuda os animais a sentirem alívio e conforto.

As substâncias mensageiras presentes no cérebro, como a dopamina, ajudam a intensificar a sensação de ser recompensado, quando, por exemplo, o indivíduo ganha uma aposta, conhece um potencial parceiro amoroso ou obtém apoio dos pais.

Os pesquisadores dizem que variações sutis nos genes que regulam esses sistemas poderiam interferir nas interações sem palavras e baseadas nas emoções entre a mãe, ou outra pessoa que cuide do bebê, e os filhos. Por exemplo, o toque físico pode desencadear a liberação de substâncias opiáceas que têm efeito calmante, mas um bebê com sensibilidade reduzida a tais substâncias poderia não experimentar tão profundamente tal sensação de alívio. Isso, por sua vez, poderia frustrar a mãe ou outra pessoa que cuida do neném, já que essa espera proporcionar conforto.

"O que podemos descobrir, por exemplo, é que, aqueles indivíduos nascidos com uma sensibilidade alterada para as substâncias opiáceas teriam um temperamento particular, um temperamento psicológico nato, que tornaria difícil para as mães o estabelecimento de conexões com os filhos", diz Allan N. Schore, que estuda os vínculos entre mães e filhos na Escola de Medicina da Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

"A capacidade de sentir e expressar dor, de chorar e de se sentir confortado reforça os laços afetivos. E esses laços ajudam a criança a regular os seus próprios estados negativos internos à medida que cresce".

Na verdade, um tratamento materno carinhoso e atencioso pode ajudar filhotes de animais a superar algumas anomalias genéticas. Em uma série de experimentos, cientistas da Universidade McGill, em Montreal, demonstraram que os bebês ratos que eram repetidamente acariciados, aconchegados e lambidos por suas mães se tornavam adultos menos ansiosos do que aqueles que recebiam menos atenção materna.

Em um estudo publicado na última edição do periódico "Nature Neuroscience", os pesquisadores da Universidade McGill relataram que esses cuidados físicos maternos no início da vida desencadeiam mudanças duradouras nos genes dos ratos que ajudam os animais a lidar com o estresse por toda a vida.

Pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde demonstraram um efeito similar em macacos: o fato de contar com pais e mães carinhosos e atenciosos protege os animais de uma variação genética específica que faria com que - na ausência de conforto e apoio - eles corressem um risco maior de apresentarem comportamentos agressivos e desordeiros.

Esses macacos criados com carinho tendem a se tornar, eles próprios, pais carinhosos: a sua ligação com as mães fornece um modelo para os relacionamentos que manterão bem mais tarde com seus próprios filhotes.

"A parte importante de tudo isso é que estamos demonstrando que pais atenciosos podem na verdade alterar para melhor os genes do bebê", diz Schore.

Uma criança com menos sensibilidade genética às sensações de dor e prazer poderia se desenvolver bem ao ser criada por pais especialmente atentos aos sinais mais sutis manifestados pela criança, diz ele. E a fisiologia da criança poderia, a seguir, corrigir ou compensar a diferença genética.

Embora os cientistas ainda tenham muito o que aprender sobre as várias substâncias químicas cerebrais envolvidas nesse processo, alguns deles dizem que faria sentido que, entre elas, estivessem as substâncias opiáceas, uma classe de compostos que incluem drogas causadoras da dependência, como a morfina e a heroína.

"Pense nisso: Os laços com os pais são muito importantes; essenciais para a sobrevivência", diz Panksepp. "Não faria sentido que essa dependência social fosse um fenômeno da mesma classe que o do vício em drogas?".

Fonte: Aleitamento.com

[Imagem: Kolongi, "Mothers Love"]

Posted by Lilia at 11:54 AM | Comments (0)

Por que não devemos temer os invejosos

naodevemostemerinvejosos-gettyimage.jpg Enquanto...
Você dorme pacificamente, ele perde o sono quando pensa em você.
Você acorda e saúda o sol, ele olha o seu bronzeado.
Você sai para o trabalho, ele calcula o seu salário.
Você constrói sua casa, ele julga a cor das tintas.
Você estuda, tem boas notas, ele se preocupa com esses números.
Você conquista um diploma, ele vive o medo do seu sucesso futuro.
Você levanta um prédio, ele escolhe uma janela prá pular.
Você cura os doentes, ele adoece por conta disso
Você ensina os seus alunos, ele tenta descobrir o que você não sabe.
Você tem a simpatia da chefia, ele prefere chamá-lo de puxa-saco.
Você recebe os aplausos, ele busca saber se alguém o vaia.
Você liga seu computador para serviço útil, ele coleciona programas de vírus ou invade seu correio com tolas agressões.
O que ele realmente faz - quando faz: você cria, ele copia !
Você teme o invejoso por quê? Ele é um eterno espectador, merece sua compaixão e não seu temor.
[Imagem: Getty Image]

Posted by Lilia at 08:04 AM | Comments (1)

julho 16, 2005

A Doença como Caminho de Cura

caminhocuramonet-claude-water-lilies.jpg
Conceitos de Saúde numa Visão Energética

A grande maioria das pessoas procura o consultório do profissional da área de saúde por não se sentir bem com aqueles sinais e/ou sintomas que estão apresentando há muito ou pouco tempo.

O mal-estar, a sensação do desconforto, a dor mobilizam o indivíduo a fazer algo para recuperar a harmonia, o bem-estar, o ficar curado; cura esta que, tanto para o terapeuta quanto para o cliente, seria não apresentar mais aqueles sinais ou sintomas de ordem física, mental ou emocional; isto significa, simplesmente, voltar ao estado anterior à doença: ficar assintomático.

De uma maneira geral, a saúde é encarada como se fosse um estado de não-doença, de não mal-estar ou dor, quando o indivíduo pode continuar a levar a sua vida sem grandes alterações ou questionamentos. É muito mais fácil tomar um medicamento para aliviar uma dor de cabeça, do que compreender a mensagem que o organismo está sinalizando. Somos muito imediatistas, tratamos apenas das aparências, não buscamos a origem ou as causas de nossas doenças.

Será que saúde é algo estático? É simplesmente não apresentar qualquer sintoma? Se o homem fosse uma máquina e todas as suas engrenagens funcionassem perfeitamente, independente de fatores externos ou internos, provavelmente, a resposta a essas perguntas seria sim. Se assim fosse, uma mesma doença apresentaria sempre os mesmos sinais e sintomas, o tratamento seria sempre o mesmo, independente do indivíduo, e, rapidamente, teríamos o restabelecimento das funções normais.

Como podemos analisar saúde-doença, essas duas polaridades, numa perspectiva energética?

O universo, segundo a visão da medicina chinesa, encontra-se em um estado de equilíbrio dinâmico, com todos os seus elementos oscilando entre duas forças opostas, interdependentes e complementares, conhecidas como yin e yang. Dentro dessa abordagem, o corpo humano é um microcosmo do universo, uma célula é um microcosmo do organismo, portanto, funcionam
segundo o mesmo princípio.

No jogo das forças, o yin só existe porque existe o yang e vice-versa; dentro do aspecto yin encontram-se aspectos yang e não há como ver um sem o outro. Melhor dizen-do, não existe nada absoluto, nada que não esteja em interação - em troca. O bom exemplo disso se refere ao fato de que, embora o homem demonstre a força yang e a mulher a yin, ambos apresentam correspondentemente seus aspectos femininos e masculinos.

O corpo humano possui uma inteligência fisiológica cuja função básica é manter a homeostase do organismo diante de todos os estímulos do mundo exterior e interior. O equilíbrio é conseguido através da livre circulação de energia no organismo, assim como através das trocas contínuas entre o corpo e o meio ambiente. Esse fluxo contínuo de energia nos mantém vivos. Quando a circulação de energia não ocorre de uma maneira adequada surgem as doenças.

Nosso corpo vai sinalizando, com muita antecedência, o desequilíbrio através de pequenas alterações funcionais sem substrato físico; isto é, não há nada a nível orgânico que justifique aqueles sinais ou sintomas. Com a não valorização desses sinais e a manuntenção do mesmo padrão de vida, as
alterações físico-químicas vão-se cronificando, se solidificando até atingirem o segmento físico; a doença passa a se expressar em algum tecido, órgão ou víscera, acompanhada de padrões mentais e emocionais bem determinados.


Saúde e doença são aspectos de um mesmo movimento. Através do desequilíbrio atingimos novo equilíbrio, uma nova freqüência, um novo patamar energético. No período de transição para esse novo padrão, vivencia-se a doença. Ela não é considerada como algo estranho mas, sim, a conseqüência de um conjunto de fatores que culminam em desarmonia e desequilíbrio.

É através da doença que alcançamos saúde. Verifica-se, com uma certa freqüência, em pacientes com doenças graves ou terminais, relatos acerca de
estarem vivendo melhor ou mais saudavelmente, a partir do momento em que se conscientizaram de sua doença.

Para vivermos em harmonia, precisamos ter flexibilidade e disposição para um grande número de opções de interação para com o meio ambiente. Sem flexibilidade não há equilíbrio. Períodos de saúde precária são estágios naturais na interação contínua entre o indivíduo e o meio onde ele está inserido. Estar em desequilíbrio significa passar por fases temporárias de doença, nas quais se pode aprender a crescer.

A doença é uma oportunidade para a introspecção, de modo que o problema original e as razões para a escolha de uma certa via de fuga possam ser levadas a um nível consciente onde o problema possa ser resolvido.

A função básica do terapeuta está em espelhar a verdade para o paciente, ajudá-lo a desenvolver uma consciência do processo de vida e dos mecanismos (obstáculos e ilusões) que se criam para gerar a doença; e, também, poder ajudá-lo a entrar em sintonia com seus próprios recursos de cura, possibilitando o resgate da auto-estima, da aceitação e do perdão.

Como diz a música de Milton Nascimento e Fernando Brandt, "o que importa é ouvir a voz que vem do coração", curar-se é abrir o canal de comunicação, é fazer-se entrar em contato com a própria essência, é despertar para a capacidade de ser, estar, criar e descriar, sonhar e realizar. Essa auto-descoberta é o caminho da auto-cura, que nada mais é do que resgatar o amor próprio.

trecho extraído de: arte cura
A Doença como Caminho de Cura
Humbertho Oliveira, Mauricio Tatar, Susana Hertelendy e Vania Didier
Trabalho apresentado no II Congresso Brasileiro de Psico-Oncologia, em 28 de abril de 1996, em Salvador, Bahia, Brasil

[Imagem: Monet, "Water Lilies"]

Posted by Lilia at 08:03 PM | Comments (0)

A América que amamos

Affonso Romano de Santana

andywarholmarilyn.jpg Não à América de Bush, Rumsfeld, Condolessa, Colin Power e Cheney. Sim à América de Louis Armstrong e sua voz com berrugas, que alisa e acaricia nossas almas.

Não à América dos mísseis cruzando oceanos e explodindo casas e corpos de desprotegidos civis.

Sim à América de Walt Whitman, peito amplo, voz fraterna, poesia imensa, querendo amar o mundo inteiro nos seus versos.

Não à América dos torturadores hoje no Iraque e ontem dando cursos de tortura para militares latino-americanos no Panamá.

Sim à América de Marilyn, Elvis e James Dean despassarados corpos e desejos imolados no brilho veloz dos refletores.

Não à América que sai em cruzada medieval ao Oriente Médio para matar os sarracenos e preservar com bombas eletronicamente conduzidas o santo sepulcro da hipocrisia.

Sim à América de Truman Capote, Saul Bellow, Philip Roth, Ray Bradbury, Normam Mailer, Allan Ginsburg ou de Gore Vidal denunciando nos ensaios e romances o pântano moral da Casa Branca.

Não à América que a cada geração abre vastos cemitérios para seus jovens, com o pretexto de "freedom" e "democracy", quando são interesses econômicos e políticos que encomendam as mortes.

Sim à América de Herman Melville e seu fabuloso "Moby Dick" - a inapreensível baleia branca, dramatizando a luta e a conquista do impossível.

Não à América que vai caçar armas de destruição em massa no quintal vizinho, quando sua casa está entulhada até o teto de armas capazes de dizimar vários planetas.

Sim à América de Hemingway em "O velho e o mar", de novo ensinando que na vitória está o fracasso e no fracasso a vitória

Não à América da Ku Klux Khan que tirou o capuz da cabeça e o botou na cabeça dos prisioneiros iraquianos e em Guantanamo revelando a dupla face do monstro americano.

Sim à América de William Faulkner que ao receber o Prêmio Nobel em 1950 já dizia que a tragédia de nosso tempo é viver numa atmosfera de medo, tão pesada que não podemos mais suportar.

Não à América de Bush que mente deslavadamente com o alucinado olhar de um tresloucado messias.

Sim à América de Nathaniel Hawthorne em "A letra escarlate" e Arthur Miller em "As feiticeiras de Salem" mostrando como uma comunidade imbuída de sentimentos salvacionistas pode levar sofrimento e morte aos demais.

Não à América de Bush arrancando gritos e lamentos dos nove mil presos que mantém pelo mundo afora tratando-os arrogantemente como ratos.

Sim à América de Ray Charles, Nat King Cole, Ella Fitzgerald, Chat Baker e todos os gênios do jazz americano improvisando sons novos e suavizando nossas almas com seus blues.

Não à América de Bush que reativou a velha fábula do lobo e do cordeiro e segue sujando de sangue as águas da nossa história.

Sim à América de Joan Baez e Bob Dylan que nos anos 60 saía às ruas e afrontava a estupidez das guerras e o tentacular poder de Washington.

Não à América que fez de cada americano um refém dentro de sua própria casa e fez do mundo inteiro refém do medo, por achar que a força resolve tudo.

Sim à América da imponderável Emily Dickinson, dos jogos verbais de Cummings ou da poderosa voz de Carl Sandburg falando da perplexidade do povo diante da História e num poema lembrou que houve um tempo em que o Czar tinha oito milhões de homens com fuzis e baionetas, que achava que nada poderia lhe acontecer e, no entanto, em 1914 e em 1917?

Não à América que transformou a morte alheia num jogo eletrônico e acha que pode invadir qualquer país quando bem lhe apetece e, de quebra, joga a ONU no lixo.

Sim, à América daquelas atrizes que nos faziam adolescentemente sonhar com suas pernas e bocas, de Cid Charisse à Rita Hayworth, de Dorothy Lamour a Ingrid Bergman.

Não à América de Bush.
Sim à América que bailava com Gene Kelly, Fred Astaire e Ginger Rogers, que mergulhava em piscinas kitsches e encantadas com Esther Williams.

Não à América que expulsou Chaplin, que desempregou artistas e jornalistas no período maccarthista, que voltou aos tempos da censura e autocensura.

Sim à América de Luther King e de todos os mártires do racismo, antes e depois de Langston Hughes, antes e depois de Paul Robson, antes e depois de Billie Holiday.

Não à América de Bush, esse cuja família manteve negócios misteriosos com a família Bin Laden, o que mostra que estamos lidando com uma serpente de duas cabeças.

Sim, à América de Eugene 0'Neill, quase tão alucinado quanto Nelson Rodrigues mostrando as vísceras de nossa alma e a América de Steinbeck mostrando as vísceras do país.

Não à América de Bush que troca a poluição do ambiente universal pelo enriquecimento de seus amigos texanos.

Sim à América de Henry Thoureau que estimulou a desobediência civil, que sonhou com um mundo em que a natureza fosse respeitada pelo homem.

Não à asfixiante América de Bush.

Sim à América do Grand Canyon, de Yosemith, daqueles cenários imensos dos filmes de caubói, pradarias, montanhas que enchiam os olhos de nossas adolescência

Não à América com discurso duplo e ambíguo falando de política liberal e praticando o protecionismo.

Sim ao chefe Touro Sentado que derrotou o general Custer em Rosebud e Little Big Horn e saiu pelo mundo em espetáculo itinerante com Buffalo Bill.

Não à América tenebrosa de Bush.

Sim à América de Edgar Allan Poe, tresloucado poeta, narrador assombroso, vasculhando os desvãos da perversidade humana.

Não à América dessas militares torturadoras que riem nas fotos gozando sadomasoquisticamente o que deveriam gozar de outro modo

Sim à América de Betty Friedman, Elaine Showalter e Germaine Green, feministas, com o dedo no gatilho, enfrentando os caubóis machistas na praça da aldeia.

Sim, à América de Orson Welles denunciando o poder, a intimidação da imprensa e dizendo sobre as mentiras oficiais: "It's all true".

Sim à América das fabulosas bibliotecas.
Sim à América das revolucionárias pesquisas que melhoram a vida humana.
Sim, à América de Gershwin e Cole Porter.

Sim, à América de Edward Hopper.
Sim à América de Chomsky e Ralph Nader.

Não à América medrosa e embriagada de messianismo texano de Bush.

[Imagem: Andy Warhol, Marylin]

Posted by Lilia at 07:51 PM | Comments (0)

não aceite

aceite1-miro-joan-libelle-mit-roten-fluegeln.jpg
"se alguém chega até voce com um presente e voce não o aceita, a quem pertence o presente?" perguntou o samurai.
- "a quem tentou entregá-lo" - respondeu o discípulo.
"o mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos"- disse o mestre.
"quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo. a sua paz interior depende exclusivamente de voce. as pessoas não podem lhe tirar a calma, só se voce permitir..."

[Imagem: Joan Miro, "Libelle mit roten fluegeln"]

Posted by Lilia at 07:35 PM | Comments (0)

Como Fazer Durar um AMOR

duraramor-calder-alexander-pinwheel-and-flow.jpg Uma mãe e a sua filha estavam a caminhar pela praia. Num certo ponto, a menina perguntou:
- Como se faz para manter um amor ?
A mãe olhou para a filha e respondeu:
- Pega num pouco de areia e fecha a mão com força...
A menina assim fez e reparou que quanto mais forte apertava a areia com a mão com mais velocidade a areia se escapava.
- Mamãe, mas assim a areia cai !!!
- Eu sei, agora abre completamente a mão...
A menina assim fez mas veio um vento forte e levou consigo a areia que restava na sua mão.
- Assim também não consigo mantê-la na minha mão!
A mãe, sempre a sorrir disse-lhe:
- Agora pega outra vez num pouco de areia e deixe-a na mão semi-aberta como se fosse uma colher... bastante fechada para protegê-la e bastante aberta para lhe dar liberdade.
A menina experimenta e vê que a areia não se escapa da mão e está protegida do vento.
- É assim que se faz durar um amor...

[Imagem: Calder Alexander, Pinwheel and Flow]

Posted by Lilia at 07:33 PM | Comments (0)

ASSERTIVIDADE

Denise Dutra

assertividade-miro-joan-le-chanteur.jpg Tenho testemunhado ao longo da minha vida uma série de episódios uns com finais felizes e outros nem tanto, que tem me levado uma profunda reflexão sobre quais são as características que os SERES HUMANOS, em geral, precisam desenvolver para SEREM mais do que bem sucedidos, FELIZES? É claro, que a resposta para esta pergunta, mesmo para uma psicóloga, não é nada simples de responder, pois no que diz respeito ao SER HUMANO, estamos tratando do assunto da maior complexidade e que qualquer reducionismo seria no mínimo, um ato irresponsável. Mas, com o objetivo de compartilhar minha reflexão, acho que seria interessante chamar atenção para uma destas tão importantes características, o que não significa ,que é mais nem menos que outras tantas, também relacionadas a um conjunto de competências emocionais, que são consideradas hoje essenciais aos profissionais deste terceiro milênio – a ASSERTIVIDADE.

Considero importante ressaltar esta característica não só pela compreensão equivocada que algumas pessoas tem a respeito da mesmo, mas pela própria dificuldade de entender no que consiste o comportamento assertivo e seus benefícios para a própria pessoa e para os relacionamentos tanto de natureza profissional como pessoal.

Estamos numa sociedade que apesar da crescente violência, as pessoas tem muita dificuldade de lidarem com a agressividade, e muitas vezes esta agressividade é confundida com a assertividade, de tal modo, que pessoas agressivas se auto intitulam de assertivas ou muito francas, ou até ao contrário, algumas pessoas não assumem suas posições de forma simples e autêntica, com receio de serem agressivas.

Por isso penso que o nosso primeiro passo é entender o significado literal da palavra assertividade, com o auxílio do nosso atualizadíssimo dicionário do Houaiss, que diz que assertividade é "qualidade ou condição do que é assertivo; assertivo : "que faz uma asserção; afirmativo locutor declara algo, positivo ou negativo, do qual assume inteiramente a validade; declarativo; afirmação que é feita com muita segurança, em cujo teor o falante acredita profundamente".

Outro passo é sabermos que existem 4 tipos de comportamentos: passivo, agressivo, agressivo/passivo e assertivo. Cada um deles tem vantagens e desvantagens dependendo do momento em que for manifesto. Quando digo manifesto, é uma forma de chamar a atenção para a idéia de que comportamento é algo situacional, que pode mudar de acordo com o momento e a situação, em função disto, uma mesma pessoa pode ter os 4 comportamentos, ainda que certamente exista uma tendência maior as pessoas agirem de determinada forma em circunstâncias "normais" , ou seja, o indivíduo tende a adotar um determinado estilo como mais freqüente. Esta constatação nos confirma a idéia de que podemos mudar um comportamento se percebemos que ele não esta valendo a pena, isto é, não satisfaça as nossas necessidades, expectativas e objetivos pessoais. Podemos desenvolver a nossa assertividade.

Neste ponto, relembramos um outro conceito importante, que é o de motivação, ou seja, quais os motivos que nos levam a desenvolver o comportamento assertivo, e com certeza nada responde melhor a esta pergunta se genericamente, considerarmos os benefícios que o comportamento assertivo pode nos trazer:

-Lidam com os confrontos com mais facilidade e satisfação;
- sentem-se menos estressadas;
- adquirem maior confiança;
- agem com mais tato;
- melhoram sua imagem e credibilidade;
- expressam seu desacordo de modo convincente, mas sem prejudicar o relacionamento;
- resistem às tentativas de manipulação, ameaças, chantagem emocional, bajulação, etc;
- sentem-se melhor e fazem com que os outros também se sintam melhor.

Sabemos da importância e temos motivos para ser assertivos, agora uma terceira questão: como desenvolver ? sem pretender dar "receitas" prontas ou mágicas, cabem algumas dicas já comprovadas que podem ajudar a quem está interessado no assunto:

- Mudar o DIÁLOGO INTERIOR – de negativo para positivo;
- levar em consideração seus DIREITOS e os do outros e desenvolver a AUTO-ESTIMA.

Estas novas atitudes podem ser desenvolvidas através de modernas técnicas de treinamento ou em alguns caso através de processos psicoterápicos.

Pense nas diversas situações de sua vida profissional e pessoal, em que a sua falta de assertividade fez com que você não conseguisse obter o resultado desejado, e sentir-se verdadeiramente realizado com suas conquistas. Quantas vezes, você deve que "engolir" a raiva gerada pelo sentimento de que deveria ter dito algo que não disse naquela determinada hora ? Quantas vezes você se viu "obrigado" a fazer determinadas coisas por não ter tido a coragem de dizer não para o outro ? seriam inúmeros exemplos, o mais importante é que pensemos sobre o assunto e busquemos ser mais assertivos em algumas situações, para que possamos não só expandir a nossa inteligência emocional, mas principalmente desenvolvermos relações interpessoais na vida pessoal e profissional, mais autênticas, harmoniosas e prazerosas. Só lembro, que não podemos ser assertivos, sem sermos empáticos, pois como, desenvolver a nossa própria assertividade se não formos capazes de aceitar a assertividade do outro, e nos melindramos e achamos que quando se trata do outro, ele esta simplesmente, sendo curto e grosso ! Egoísta ! ou qualquer outro "desqualificativo", que expresse a nossa incompetência em lidar com esta questão! Pense nisto!

Consultora - DENIZE ATAYDE DUTRA, CONSULTORA DO INSTITUTO MVC – M. VIANNA COSTACURTA ESTRATÉGIA E HUMANISMO

[Imagem: Joan Miro, Le Chanteur]

Posted by Lilia at 01:25 PM | Comments (0)

A ARTE DE NÃO ADOECER

naoadoecer-chagall-marc-il-concerto.jpg 1. Se quiser adoecer - "Não fale seus sentimentos".
Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna. Com o tempo a repressão dos sentimentos degenera até em coisa pior.
Então vamos desabafar, confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos segredos, nossos pecados. O diálogo, a fala , a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia.

2. Se quiser adoecer - "Não tome decisão".
A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia. A indecisão acumula problemas, preocupações, agressões. A história humana é feita de decisões. Para decidir, é preciso saber renunciar,saber perder vantagem e valores para ganhar outros. As pessoas indecisas são vítima de doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.

3. Se quiser adoecer - "Não busque as soluções".
As pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas. Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo. Melhor é acender o fósforo que lamentar a escuridão. Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce existe. Somos o que pensamos. O pensamento negativo gera energia negativa que se transforma em doença.

4. Se alguém quiser adoecer - "Viva de aparências".
Quem esconde a realidade, finge, faz pose, quer sempre dar a impressão que está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho, etc., está acumulando toneladas de peso. É uma estátua de bronze, mas com pés de barro. Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas. São pessoas com muito verniz e pouca raiz. Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.

5. Se quiser adoecer - "Não se aceite".
A rejeição de si próprio, a baixa estima, faz com que sejamos algozes de nós mesmos. Ser eu mesmo é o núcleo de uma vida saudável. Os que não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos,destruidores.
Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é sabedoria, bom senso e terapia.

6. Se quiser adoecer - "Não seja honesto"
O mentiroso e desonesto precisa mentir para sobreviver. Vende uma imagem falsa, camufla seu "eu real", é um fugitivo da luz e amante das trevas. A falta de transparência é um pacto com a corrupção. Pessoas assim vivem sob a ameaça, o medo, o trambique, a falsidade, a insônia, o pesadelo. São candidatos à doença, porque já vivem na insanidade mental e ética.

7. Se quiser adoecer - "Não confie".
Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se relaciona, não cria liames profundos, não sabe fazer amizades verdadeiras. Sem confiança, não há relacionamento. A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em
Deus. Quem desconfia do médico, prejudica a cura. Quem desconfia do psicólogo,nunca se abre, só pode adoecer.

8. Se quiser adoecer - "Viva sempre triste".
O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida longa. A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive. "O bom humor nos salva das mãos do doutor". Alegria é saúde e terapia.

AUTORIA: eu recebi o texto como sendo de Orlando Brandes. pesquisando achei vários sites com o mesmo texto como sendo do Dr. Dráuzio Varela.
se alguém souber quem realmente escreveu, por gentileza me avise!

[Imagem: Marc Chagall, Il Concerto]



Posted by Lilia at 01:12 PM | Comments (1)

Um pouco de silêncio

Lya Luft.
Retirado do livro Pensar é Progredir.

silencio-coignard-james-silences-e.jpg Nesta trepidante cultura nossa, da agitação e do barulho, gostar de sossego é uma excentricidade.
Sob a pressão do ter de parecer, ter de participar, ter de adquirir, ter de qualquer coisa, assumimos uma infinidade de obrigações. Muitas desnecessárias, outras impossíveis, algumas que não combinam conosco nem nos interessam. Não há perdão nem anistia para os que ficam de fora da ciranda: os que não se submetem mas questionam, os que pagam o preço de sua relativa autonomia, os que não se deixam escravizar, pelo menos sem alguma resistência. O normal é ser atualizado, produtivo e bem-informado. É indispensável circular, estar enturmado. Quem não corre com a manada praticamente nem existe, se não se cuidar botam numa jaula: um animal estranho. Acuados pelo relógio, pelos compromissos, pela opinião alheia, disparamos sem rumo - ou em trilhas determinadas - feito hâmsteres que se alimentam de sua própria agitação.
Ficar sossegado é perigoso: pode parecer doença. Recolher-se em casa ou dentro de si mesmo, ameaça quem leva um susto cada vez que examina sua alma. Estar sozinho é considerado humilhante, sinal de que não se arrumou ninguém - como se amizade ou amor se "arrumasse" em loja. Com relação a homem pode até ser libertário: enfim só, ninguém pendurado nele controlando, cobrando, chateando. Enfim, livre!
Mulher, não. Se está só, em nossa mente preconceituosa é sempre porque está abandonada: ninguém a quer.
Além do desgosto pela solidão, temos horror à quietude. Logo pensamos em depressão: quem sabe terapia e antidepressivo? Criança que não brinca ou salta nem participa de atividades frenéticas está com algum problema.
O silêncio nos assusta por retumbar no vazio dentro de nós. Quando nada se move nem faz barulho, notamos as frestas pelas quais nos espiam coisas incômodas e mal resolvidas, ou se enxerga outro ângulo de nós mesmos. Nos damos conta de que não somos apenas figurinhas atarantadas correndo entre casa, trabalho e bar, praia ou campo.
Existe em nós, geralmente nem percebido e nada valorizado, algo além desse que paga contas, transa, ganha dinheiro, e come, envelhece, e um dia (mas isso é só para os outros!) vai morrer. Quem é esse que afinal sou eu? Quais seus desejos e medos, seus projetos e sonhos?
No susto que essa idéia provoca, queremos ruído, ruídos.
Chegamos em casa e ligamos a televisão antes de largar a bolsa ou pasta. Não é para assistir a um programa: é pela distração.
Mas, se a gente aprende a gostar um pouco de sossego, descobre - em si e no outro - regiões nem imaginadas, questões fascinantes e não necessariamente ruins.
Nunca esqueci a experiência de quando alguém botou a mão no meu ombro de criança e disse:
- Fica quietinha, um momento só, escuta a chuva chegando.
E ela chegou: intensa e lenta, tornando tudo singularmente novo. A quietude pode ser como essa chuva: nela a gente se refaz para voltar mais inteiro ao convívio, às tantas frases, às tarefas, aos amores. Então, por favor, me dêem isso: um pouco de silêncio bom para que eu escute o vento nas folhas, a chuva nas lajes, e tudo o que fala muito além das palavras de todos os textos e da música de todos os sentimentos.Silêncio faz pensar, remexe águas paradas, trazendo à tona sabe Deus que desconserto nosso. Com medo de ver quem - ou o que - somos, adia-se o defrontamento com nossa alma sem máscaras.

[Imagem: James Coignard, Silences E]

Posted by Lilia at 01:03 PM | Comments (0)

O ponto do poder está sempre no momento presente

pensando1.gif Todos os eventos que você experimentou em sua vida até este instante foram criados pelos pensamentos e crenças que manteve no passado. Eles foram criados pelos pensamentos e palavras que você usou ontem, na semana passada, no mês passado, no ano passado, há 10, 20, 30, 40, anos ou mais, dependendo da sua idade.
Entretanto, esse é o seu passado e ele já acabou, não pode ser modificado. O importante neste momento é o que vc está escolhendo pensar, acreditar e dizer agora. Esses pensamentos e palavras criarão seu futuro. Seu ponto de poder está no presente instante e está formando as experiências de amanhã, da semana passada, da semana que vem, do mês que vem, do ano que vem, etc. Preste atenção no que você está pensando neste instante. É positivo ou negativo? Você quer que este pensamento crie seu futuro? Apenas preste atenção e tome consciência.

Louise L. Hay, "Você pode Curar sua Vida" Ed. Best Seller pág. 1

[Imagem: sem autoria]

Posted by Lilia at 01:01 PM | Comments (0)

Ser Normal

Rúbia Americano Dantés

sernormal-dali-salvador-galatea-of-the-spheres.jpg Acho tudo tão encantado nas vezes em que sou eu mesma... eu já briguei muito com minha natureza... agora não brigo mais...

A nossa verdadeira natureza é muito delicada e é preciso muito cuidado pra não esconder nem distorcer aquilo que mais verdadeiramente somos...

Quantas vezes eu me machuquei tentando ser diferente do que eu era só pra ser igual ou para agradar ao outro... ou melhor... aos outros; porque, quando tem muita gente sendo de um jeito igual, aí é que as pessoas acham que é ser normal... por mais estranho que seja esse jeito...e eles vão sendo, sem notar quão louco pode ser o dito "ser normal"...

Mas é assim mesmo... a toda hora a normalidade pode nos pegar desprevenidos e estamos lá, de novo, seguindo algum normal e pertencendo a um bando de normais...
E na hora de agir... agimos seguindo as normas do bando... e não a nossa alma...
Colocamos tanta coisa a nos esconder que até perdemos contato com nossa essência.... mas ela está aí o tempo todo... nos chamando... as vezes num sussurro.... numa lembrança.... numa saudade...

Somos todos Um nos expressando de forma maravilhosamente única ou de forma unicamente normal, se essa for a sua escolha... acho que é assim...
Ser diferente é deixar livre aquele serzinho mais simples que tem dentro de você... aquela parte que você é em essência e que sente tão bem quando está sendo...
Uma vez que você experimenta o gostinho de "ser quem você realmente é" nunca mais desiste de buscar, de novo, Ser...

E então você não quer mais ser normal... não quer mais acordar na hora que todo mundo acorda... dormir na hora que todo mundo dorme... tomar café como todo mundo... usar as roupas que todo mundo usa.... enfim, não quer mais ser igual a todo mundo.
... tudo é tão previsível... tão sem graça e sem cor... tudo tão normal...
Então... é aí que você pode escolher.... ou, ficar protegido pela pálida e opaca luz dos previsíveis da normalidade... ou, se arriscar a dar um salto no escuro do desconhecido e ir de encontro a você mesmo.

Se você quiser correr o risco de seguir a sua natureza pode ser chamado de rebelde... mas a escolha é sua.
....ou você se rebela contra o que é normal ou contra a sua natureza...
E é lindo ter a liberdade pra ser único e expressar aquilo que você é...
E quando você se encontra você pode até fazer tudo, normalmente, igual a todo mundo e ainda assim ser você mesmo...

Esse "ser você mesmo" é uma coisa muito sutil... não depende muito do fazer... é uma fidelidade que você tem com a sua alma e você sabe que está sendo... mesmo que possa aparentar que não...

E além do mais pra quê ser normal...... melhor é ser feliz...

Fonte: somos todos um

[Imagem: Salvador Dali, Galatea of the Spheres]

Posted by Lilia at 12:39 PM | Comments (0)

DOENÇAS PSICOSSOMÁTICAS

Sofia Bauer

“Bem como dizia o comandante, doer, dói sempre. Só não dói depois de morto, porque a vida toda é um doer.

O ruim é quando fica dormente. E também não tem dor que não se acalme – e as mais das vezes se apaga. Aquilo que te mata hoje amanhã estará esquecido, e eu não sei se isso está certo ou errado, porque o certo era lembrar. Então o bom, o feliz se apagar como o ruim, me parece injusto, porque o bom sempre acontece menos e o mau dez vezes mais. O verdadeiro seria que desbotasse o mau e o bom ficasse nas suas cores vivas, chamando alegria.

Pensei que ia contar com raiva no reviver das coisas, mas errei. Dor se gasta. E raiva também, e até ódio. Aliás também se gasta a alegria, eu já não disse?

Embora a gente se renove como todo mundo, tudo no mundo que não se repete jamais – pode parecer que é o mesmo mas são tudo outros, as folhas das plantas, os passarinhos, os peixes, as moscas.

Nada volta mais, nem sequer as ondas do mar voltam; a água é outra em cada onda, a água da maré alta se embebe na areia onde se filtra, e a outra onda que vem é água nova, caída das nuvens da chuva. E as folhas do ano passado amarelaram, se esfarinharam, viraram terra, e estas folhas de hoje também são novas, feitas de uma seiva nova, chupada do chão molhado por chuvas novas. E os passarinhos são outros também, filhos e netos daqueles que faziam ninho e cantavam no ano passado, e assim também os peixes, e os ratos da dispensa, e os pintos... tudo. Sem falar nas moscas, grilos e mosquitos. Tudo.”
Dôra, Doralina - Raquel de Queiroz - 1975

doencaspsicossomaticas-harter-helene-aus-dem-chaos-entstanden.jpg 1. Visão Geral

Entendemos com doenças psicossomáticas as doenças que têm um componente psíquico. Mas sempre me pergunto: qual doença não tem uma emoção sendo ex-pressa?

Freud já dizia “nada é meramente psíquico ou meramente somático..."

Podemos pensar que o corpo expressa, põe para fora as emoções que por vezes escondemos de nós mesmos. Nosso corpo fala através de gestos, mímicas, contraturas, calor, tremor, dores de barriga, sustos, travamentos dos dentes, enfim tantas e tantas demonstrações físicas.

Por que isto acontece?

Percebemos que nem sempre há conexão do que expressamos verbalmente (o que DEVEMOS SOCIALMENTE DIZER), para aquilo que expressamos fisicamente. Podemos mentir, desempenhar papéis sociais, tolerar o intolerável aparentemente. Mas nosso corpo expressa as emoções mais genuínas, porque as emoções são INCORRUPTÍVEIS.

Quando somatizamos, temos a consciência de que forçamos além da conta uma emoção. E assim, lá vem um resfriado, uma diarréia, um herpes, uma enxaqueca!

Mas na maioria das vezes, somos rígidos em nossos papéis a desempenhar neste mundo e para fazê-los, desconectamos das nossas emoções. Não há CONEXÃO. Cabeça pensa por um lado, corpo sente e expressa por outro. Começamos a carregar à “sombra” nossas emoções mais básicas de amor/raiva/tristeza/medo.

Alextmia é o nome dado a desconexão mente/corpo do sintoma. As pessoas que sofrem de problemas psicossomáticos não vêm correlação do que sentem fisicamente com algum problema emocional.

Mas o que vemos em todos os trabalhos desenvolvidos neste sentido, é a necessidade da CONEXÃO MENTE E CORPO para a cura. Aprender com os sintomas o que eles querem dizer. E na maioria das vezes, os sintomas vêm como uma tentativa de desmascarar o que estava escondido – A SOMBRA das emoções.

No livro a Doença como Caminho, de Rudger Tarkle e .................., o autor nos mostra como o próprio nome já diz que toda doença é o caminho para a saúde, pois traz à tona as verdadeiras emoções escondidas lá dentro de você.

Mostra a doença como um sinal de alerta para uma mudança de postura: aprender a ver suas outras partes, negadas; sua polaridade.

De certa forma, fazer a conexão! Conhecer quais as emoções que você tem receio de lidar porque aprendeu a desempenhar papéis do que deveria ser e portanto fica difícil demonstrar raiva, tristeza e medo todo o tempo e com todos que o arcam.

Já começamos desde pequenos tendo que aprender a engolir o choro; a não reclamar com os mais velhos, eles sempre sabem mais! E aos poucos, vamos aprendendo a ser “algo” que deveríamos ser e vamos esquecendo o que realmente somos, desejamos e queremos. Mas nossas emoções, incorruptíveis que são, vão ficando represadas nos machucando profundamente. A represa cheia extravasa por algum lado. Costuma extravasar em algum órgão alvo.

Por incrível que pareça, o corpo é tão sábio que até mesmo as partes do corpo atingidas têm uma leitura especial. Por exemplo, a vesícula biliar (fel) expressando a raiva guardada. Veja os livros Doença como Caminho, Doença como Linguagem da Alma, Doença como Símbolo, Quem ama não Adoece, Você pode curar sua vida, etc....

Para Dra. Teresa Robles, desempenhamos papéis, que quanto mais rígidos forem, mais nos levam a chance de sofremos de uma doença psicossomática. Somos formados de partes, por exemplo: parte amorosa, parte guerreira, parte sonhadora, etc... Se ficamos rígidos desempenhamos apenas uma das partes, adoecemos. Não conectamos, não extravasamos nossas emoções. Uma mãe muito boa, educada para ser amorosa com filhos e marido, fica rígida nesta postura para ser querida (bem amada) e acaba por ser desprezada por filhos e marido. Sofre, tem raiva, não pode expressar e assim adoece para pôr para fora suas mágoas.

Ficando rígida na parte amorosa
as outras partes não se comunicam? a emoção não flui? doença _ sombra _ aceitar a doença? o escondido, a polaridade _ caminho para a conexão.

As emoções, como diz Teresa Robles, falam através do nosso corpo. Elas se manifestam de todas as formas. Teresa nos ensina a ver todas as emoções e como elas se manifestam. Veja:
Raiva - Tristeza - Inveja - Amor
Como se manifestam no nosso corpo?
Na pele
Nos olhos
Na respiração
Nos dentes
No coração
No estômago
Nos músculos
Nos intestinos, etc.

Não é interessante perceber que temos sensações físicas específicas, e que estas reações são de acordo com o que sentimos uma resposta específica?
Se tenho raiva, cerro os punhos, travo os dentes, arregalo os olhos, fico quente, disparo o coração. O que o meu corpo quer dizer? Que estou pronto para atacar!

Assim, cada emoção prepara meu corpo para desempenhar uma reação a ela. E quando não vejo, não percebo, não sinto?! O corpo vai realizando e represando as emoções e os nossos órgãos desconectados chegam num ponto que berram por socorro.

Por isso, chegamos ao trabalho da relação médico-paciente, terapeuta-cliente. Descobrir o que este sintoma quer dizer para aquela pessoa.

Qual é a sombra? O que esconde este sujeito de si mesmo? Que emoções vem sendo escondidas? Percebemos que a RAIVA e a TRISTEZA são as grandes vilãs. Os órgãos apenas o caminho escolhido.

Tratar o sujeito ou tratar a doença? Cada vez mais compartilhamos da visão do todo. Tratar o sujeito, é claro! Somente o órgão, a parte, permanecemos com a sombra.

CONEXÃO é a meta. Mas o que conectar? As emoções não percebidas. Também sabemos que o sujeito que sofre destes males não faz conexão. Aí entram as novas técnicas psicoterápicas de conexão com situações traumáticas, conflitantes, recalcadas.

2. Como devemos tratar

A primeira coisa a saber é que estamos lidando com algo que a pessoa não simboliza em termos da emoção vinculada aquele sintoma. O corpo da pessoa fala. Há uma desconexão.

A doença é aquela verdade que a pessoa esconde de si mesma. O tempo todo incorruptível, trazendo a sombra, a emoção retida que a pessoa não pode ver de uma maneira simbólica. Assim, o sintoma é uma saída que a pessoa encontra para expressar o que ela não consegue falar ou sentir. Todo sintoma traz um caminho para a saúde. Mostra que algo não vai bem. Há sentimentos escondidos. Põe para a fora o que é necessário.

A doença não mente! Traz a polaridade que está sendo negada, negligenciada. Põe o sujeito para lidar e resolver o que o impede de ser o que ele deseja ser. A emoção e o sintoma são INCORRUPTÍVEIS! Eles querem que o sujeito mude o caminho da vida. Cada doença mostra um caminho metafórico e nos propõe algumas perguntas interessantes:
O que este sintoma te impede?
O que este sintoma te obriga?
O que aconteceu com você nos anos anteriores ao surgimento do sintoma?
O que você gostaria de estar fazendo e não pode fazê-lo?
Há pessoas envolvidas no seu problema de saúde? Como?
Com o que se parece seu problema? (Sugerir uma metáfora/analogia).
As pessoas que sofrem de problemas psicossomáticos têm dificuldades de simbolizar, fazer analogias, sentir emoção. Aprenderemos técnicas derivativas que nos possibilitam pelos símbolos, cores, chegar até as emoções retidas, recalcadas. Normalmente as pessoas estão cansadas de se machucar, aprendem a evitar os problemas e a doença aparece para avisar que ainda é preciso fazer alguma coisa.

É preciso aceitar a doença, para poder curá-la. Mesmo que isto traga tristeza e sofrimento é a maneira honesta de ouvir o que seu corpo fala sobre você. Precisamos ter coragem de sentir este sentimento para poder curar. É como assumir a guerra e assim lutar! Conhecer o que a doença quer dizer, que coisas devo matar, retirar, mudar para sarar. O que devo cuidar? Dos sentimentos, é claro.

Não podemos pensar em curar uma pessoa num dia! Isso seria uma grande pretensão! Há técnicas como das mãos paralelas de E. Rossi que pode fazer um belíssimo trabalho, às vezes, em até uma sessão. Mas a remissão dos sintomas necessita tempo de recuperação, cicatrização, etc. Existe um comprometimento físico, muitas vezes, já avançado (artrite reumatóide, câncer com graves lesões, etc.) que necessitam tempo para recuperação. Esta recuperação dependendo do órgão e lesão pode levar semanas, meses ou ano.

Cada caso é único. O corpo de cada um reage de uma maneira e também cada um metaboliza emoções de uma maneira.

Aqui, vale mencionar as crenças limitantes que cada pessoa possui. As profecias que ela se faz de cura, de morte. Também precisamos ver os traumas que cada pessoa passa e deixam marcas que retornam com os sintomas.

Sabemos que em famílias rígidas há maior tendência a doenças psicossomáticas pois não se pode expressar as emoções.

Veremos, a seguir, técnicas utilizadas para as doenças psicossomáticas.
Gostaria antes de mencionar que os casos de insucessos podem estar em relação direta com a relação terapêutica. A falta de rapport, de poder dar o anteparo necessário, a confiança para o cliente se abrir. Às vezes, o terapeuta quer ir depressa demais em dar a solução. Por outras, não vê o cliente em seus valores, ou duplo vínculo (saúde/doença _ o que ganho se perder a doença). E no mais, quando o cliente ainda não está preparado, não se chega a real sombra do que causa o problema.

Mas, saudavelmente, a doença aparece até que o sujeito vá lidar com seus verdadeiros problemas.
Resumido:
Sombra _ aceitação da emoção difícil _ trauma/crenças limitantes trabalhadas_ torna-se desnecessário ter o sintoma _ conexão saúde.
Resistência _ sombra permanece _ aumenta pressão _ doença fica mais forte _ obrigando o sujeito a seguir o caminho da pior forma possível.

Resumo
· A pessoa adoece quando desconecta da emoção.
· As emoções são incorruptíveis.
Todo ser humano tem polaridades. Se não está em equilíbrio com suas partes a sombra aparece como doença.
· Os órgãos são como metáforas:
rins – parelha, amor
artrite reumatóide – pare! desacelere! mostra os punhos cerrados, a raiva que não se fala.
rinite – irritação com o que vem de fora, raiva.
enxaqueca – raiva sobe à cabeça. Me deixe quieto!
anorexia – me deixe magra! Não quero ter bebês!
cólicas menstruais – ei, estou menstruada, sou mulher, mas tenho muita raiva para aceitar.

Assim, pode ver que as doenças têm sua maneira particular de mostrar as emoções escondidas.
· Saúde – depende da aceitação e da conexão.
· Ir contra a doença só aumenta os sintomas.

Encare, tenha coragem de aceitar o lado sombra e a luz aparece!

fonte: sofia bauer

[Imagem: Helene Harter, Aus dem chaos entstanden]

Posted by Lilia at 11:42 AM | Comments (0)

julho 15, 2005

INVESTIGAR COMO SER FELIZ

Dalai Lama

investigarserfeliz.jpg QUAL É O PROPÓSITO DA VIDA
O propósito da vida é a felicidade. Acredito que em nossas vidas não há garantia de um futuro, mas sempre esperamos algo de bom. Isso é o que nos sustenta e nos dá alento. Assim, o foco básico de nossas vidas é poder viver a felicidade — e todos os seres sencientes buscam a felicidade, não é apenas o ser humano. Todos os seres têm o direito de sobrepujar o sofrimento e achar a felicidade.

DOIS NÍVEIS DE SOFRIMENTO
Há dois níveis de sofrimento e prazer. Um é ligado aos sentidos, e o outro ligado ao plano mental. O nível ligado aos sentidos também está presente nos animais. Ele representa o medo e a busca do prazer imediato, pois é uma visão de curto prazo: vemos algo agradável, ficamos bem. Temos uma experiência desagradável, ficamos mal. Nesse nível, há uma resposta imediata, mas sem pensar, sem análise.

Já no nível mental funciona um processo de análise, de raciocínio. Então, através do pensamento, percebemos que algo que parece bom a curto prazo, pode ser ruim a longo prazo e vice-versa.

SUPERIORIDADE DO NÍVEL MENTAL
As várias facilidades materiais que nos são oferecidas pelo mundo atual são muito benéficas. Mas esses confortos, basicamente, não nos trazem a felicidade. Quando há uma circunstância agradável ligada a objetos materiais, isso traz uma sensação de prazer, mas simultaneamente a mente pode não estar tranqüila. E esse prazer não terá o poder de acalmar a mente.

Por outro lado, se, por exemplo, uma pessoa está tranqüila no nível mental, pode sobrepujar as ocorrências do nível material. Porque a experiência no nível mental é mais forte do que a do nível material. E o contrário não é verdadeiro.

Uma pessoa vê um sofrimento físico como algo com sentido, algo que significa um resgate, uma experiência, uma aprendizado. Outra pessoa vê apenas sofrimento na mesma situação. Isso gera duas experiências totalmente diferentes. Assim, a questão central é: você quer sofrimento ou prazer? Quer felicidade? Então, terá que analisar a realidade, e verá que o desenvolvimento material é importante, mas que o desenvolvimento espiritual é o fundamental para o bem estar.

O desenvolvimento, o conforto material é útil, mas é uma satisfação menor face ao desenvolvimento da espiritualidade.

ESPIRITUALIDADE
Quando digo espiritualidade não me refiro necessariamente a uma religião. Há dois níveis de espiritualidade: um com fé religiosa, outro sem fé religiosa. Vou centrar este seminário na espiritualidade não religiosa.

Nós, seres humanos, temos o dom único do raciocínio. É dentro desse contexto que é importante treinar a mente. E, para treina-la, é importante saber, primeiro, como ela opera.

Quando falo em mente, não me refiro à mente física, mas ao conjunto de idéias, emoções etc. Para que se treine esse conjunto, é preciso saber que tipo de pensamento é benéfico e quais são os pensamentos negativos.

A divisão entre negativo e positivo tem que ter se basear em algum fator. Portanto, vamos definir pensamentos benéficos, alegres, como positivos, e pensamentos dolorosos, infelizes, como negativos. E o que queremos com o treinamento da mente é incrementar os pensamentos positivos.

No mundo natural, distinguimos o que é positivo do que é negativo, e fugimos do negativo, buscando o positivo. O mesmo acontece no nível mental, onde temos que procurar o positivo, e fugir do negativo.

Isso será muito útil para mente, pois temos uma mente brilhante, que pode ser treinada, que pode aprender. Temos a incrível capacidade de treinar a mente para ser usada adequadamente, e adotar atitudes corretas para se ter uma vida feliz.

Considerando a minha própria experiência, posso dizer que se pode modelar a mente, se pode mudar de atitude. E, se tivermos uma atitude mental correta, mesmo em meio a situações ruins e negativas em nosso ambiente poderemos ser felizes. Mas se a mente estiver perturbada, negativa, então pode se estar no melhor ambiente, em meio a bons amigos, com dinheiro, com tudo para ser feliz e se continuar a ser infeliz.

Sabem, quando eu era jovem tinha um péssimo gênio, que herdei do meu pai. Então, tive que aprender, tive que analisar qual era a utilidade desse mau gênio e avaliar, de um lado oposto, qual era a utilidade e a função da compaixão.

Quando se analisam os dois lados, se vê que as nossas emoções negativas são prejudiciais e geram infelicidade, e que as emoções positivas como compaixão nos trazem felicidade e geral tranqüilidade.

Então, após essa análise, mudei minha atitude, meu estado mental. É claro que algumas vezes o mau humor volta, mas mudei muito, todos vocês podem fazer isso, podem melhorar muito, porque todos temos exatamente o mesmo potencial.

Notas do seminário proferido por Sua Santidade o 14º Dalai Lama, Tenzin Gyatso
Fonte: dharmanet

[Imagem: Getty Image]

Posted by Lilia at 11:16 PM | Comments (0)

Aceite-se ou Sofra

Osho

aceitesofra-candon-frederick-mandala-ii.jpg No momento em que você se aceita, você se torna aberto, torna-se vulnerável, receptivo. No momento em que você se aceita, não há necessidade de futuro nenhum, porque não há necessidade de melhorar coisa alguma. Então, tudo é bom, tudo é bom como é. No próprio exercício de viver, a vida começa a adquirir um novo colorido, surge uma nova harmonia.
Se você aceita a si mesmo, esse é começo da aceitação de tudo. Se rejeita a si mesmo, você está basicamente rejeitando o universo; se rejeita a si mesmo, você está rejeitando a vida. Se aceita a si mesmo, você aceitou a vida; então, não há mais nada a fazer além de sentir prazer, celebrar. Não há do que se queixar, não há ressentimentos; você se sente grato. Então, a vida é boa e a morte é boa; então, a alegria é boa e a tristeza é boa; então, estar com a pessoa amada é bom e estar sozinho é bom. Então, tudo o que acontece é bom, porque acontece a partir do todo.

Mas você foi condicionado, ao longo de séculos, a não aceitar a si mesmo. Todas as culturas do mundo foram envenenadas pela mente humana, porque todas elas dependem de uma coisa: melhorar a si mesmo. Todas despertaram ansiedade em você ansiedade é o estado de tensão entre o que você é e o que deveria ser. As pessoas tendem a permanecer ansiosas se houver um "deve" na vida. Se há um ideal que tem de ser atingido, como você pode ficar relaxado? Como pode ficar em casa? E impossível viver qualquer coisa totalmente, porque a mente anseia pelo futuro. E esse futuro nunca vem ele não pode vir. Pela própria natureza do seu desejo, é impossível quando ele vem, você começa a imaginar outras coisas, você começa a desejar outras coisas. Você pode sempre imaginar uma situação melhor. E você pode sempre ficar na ansiedade, tenso, preocupado é assim que a humanidade tem vivido por séculos.

Apenas raramente, de vez em quando, um homem escapa da armadilha. Esse homem é chamado de Buda, de Cristo. O homem desperto é aquele que conseguiu sair da armadilha da sociedade, que viu que essa armadilha não passa de um absurdo. Você não pode melhorar a si mesmo. E eu não estou dizendo que a melhora não aconteça; lembre-se mas você não pode melhorar a si mesmo. Quando pára de se melhorar, a vida melhora você. Nesse relaxamento, nessa aceitação, a vida começa a cuidar de você, a vida começa a fluir através de você. E quando você não tem nenhum ressentimento, nenhuma queixa, você desabrocha, você floresce.

Portanto, eu gostaria de lhe dizer: aceite a si mesmo como você é. E essa é a coisa mais difícil do mundo, porque vai contra o seu treinamento, a sua educação, a sua cultura. Desde o início da vida lhe disseram como você deveria ser. Ninguém nunca lhe disse que você é bom assim como é; eles sempre puseram programas na sua mente. Você foi programado pelos pais, pelos padres, pelos políticos, pelos professores você foi programado para apenas uma coisa: simplesmente continuar se aprimorando. Aonde quer que você vá, vai correndo atrás de alguma coisa. Você nunca descansa. Trabalha até a morte.

O meu ensinamento é simples: não adie a vida. Não espere pelo amanhã, pois ele nunca vem. Viva o dia de hoje!
Jesus disse aos seus discípulos: "Olhai para os lírios do campo, como crescem; eles não trabalham, nem fiam contudo eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles." Qual é a beleza das humildes flores? Sua beleza está na total aceitação. Elas não têm um programa em seu ser para melhorar. Elas estão aqui e agora dançando ao vento, tomando banho de sol, conversando com as nuvens, dormindo no calor da tarde, flertando com as borboletas... desfrutando, sendo, amando, sendo amadas.

E toda a vida começa a despejar a sua energia dentro de você quando você está aberto. Então as árvores são mais verdes do que lhe parecem ser agora; então o sol é mais brilhante do que lhe parece ser agora; então tudo torna-se psicodélico, colorido. Do contrário, tudo perde a graça, torna-se insípido, melancólico e sem brilho.

Aceite-se essa é a oração. Aceite-se essa é a gratidão. Relaxe internamente é dessa maneira que Deus queria que você fosse. Ele não queria que você fosse de outro jeito; do contrário, teria feito você diferente. Ele fez você como você e como ninguém mais. Tentar se aprimorar é basicamente tentar aprimorar a Deus o que é uma idiotice, e você vai ficar cada vez mais louco nessa tentativa. Não vai chegar a lugar nenhum; simplesmente terá perdido uma grande oportunidade.

Deixe que essa seja a sua cor a aceitação. Deixe que essa seja a sua característica a aceitação, a completa aceitação. E então você ficará surpreso: a vida está sempre pronta a derramar as suas bênçãos sobre você. A vida não é sovina; a vida sempre dá em abundância mas não podemos receber essa abundância porque não sentimos que merecemos recebê-la.

É por isso que as pessoas se apegam às desgraças elas se acomodam à sua programação. As pessoas continuam se punindo de mil e uma maneiras sutis. Por quê? Porque isso se encaixa no seu programa. Se você não é como deveria ser, terá de se punir, terá de criar sofrimentos para si mesmo. É por isso que as pessoas se sentem bem quando são sofredoras.

Deixe-me dizer uma coisa: as pessoas ficam contentes quando são sofredoras; elas se tornam muito, mas muito inquietas quando estão felizes. Isso foi o que observei em milhares e milhares de pessoas: quando elas são infelizes, tudo está como deveria ser. Elas aceitam a situação essa situação de infelicidade se enquadra no condicionamento, na mente delas. Elas sabem o quanto são horríveis, elas sabem que são pecadoras.

Disseram-lhe que você nasceu no pecado. Que estupidez! Que absurdo! O homem não nasce no pecado, mas na inocência. Nunca houve nenhum pecado original, a única coisa que houve foi a inocência original. Toda criança nasce na inocência. Nós fazemos com que se sinta culpada começamos a dizer: "Assim não pode ser. Você deve ser deste modo." E a criança é natural e inocente. Nós a castigamos por ser natural e inocente e a recompensamos por ser artificial e esperta. Nós a recompensamos por ser falsa todas as nossas recompensas são para as pessoas falsas. Se alguém é inocente, não lhe damos nenhuma recompensa; não temos nenhuma consideração para com essa pessoa, não temos nenhum respeito por ela. O inocente é condenado, o inocente é considerado quase como um sinônimo de criminoso. O inocente é considerado tolo, o esperto é considerado inteligente. O falso é aceito o falso se encaixa na sociedade falsa.

Então, toda a sua vida não passa de um esforço para criar cada vez mais punições para si mesmo. E tudo o que você faz é errado; então você tem de se punir por todas as alegrias. Até mesmo quando a alegria vem a despeito de você mesmo, lembre-se, quando a alegria vem a despeito de você, quando às vezes Deus simplesmente se choca contra você e você não pode evitá-lo imediatamente você começa a se punir. Algo deu errado como isso pôde acontecer a uma pessoa horrível como você?

Na noite passada, um homem me perguntou: "Osho, o senhor fala sobre o amor, o senhor fala de dar o seu amor. Mas o que eu tenho para dar a todo mundo?" Ele quis saber: "O que eu tenho para oferecer à minha amada?"
Essa é a idéia secreta de todo mundo: "Eu não tenho nada." O que você não tem? Ninguém lhe disse que você tem todas as belezas de todas as flores porque o homem é a mais bela flor desta terra, o ser mais evoluído. Nenhum pássaro pode cantar a canção que você é capaz de cantar o canto dos pássaros não passa de ruídos, embora ainda assim seja lindo porque vem da inocência. Você pode cantar canções muito melhores, de maior importância, com muito mais significados. Mas você pergunta: "O que eu tenho?"
As árvores são verdes, belas; as estrelas são belas e os rios são belos
mas você já viu algo mais belo do que o rosto humano? Você já se deparou com algo mais belo do que os olhos humanos? Em toda a terra, não existe nada mais delicado que os olhos humanos nenhuma rosa pode competir com eles, nenhum lótus pode competir. E que profundidade! Mas você quer saber: "O que eu tenho para oferecer no amor?" Você deve ter vivido uma vida de condenação de si mesmo; você deve ter-se depreciado, sobrecarregando-se de culpas.

Na verdade, quando alguém o ama, você fica um tanto surpreso. "Quem... eu? Uma pessoa me ama?" A idéia surge na sua mente: "É porque ela não me conhece. É isso. Se vier a me conhecer, se me observar melhor, ela nunca me amará." E assim os amantes começam a se esconder uns dos outros. Eles guardam muitos segredos, não abrem os seus segredos porque têm medo de que, no momento em que abrirem o coração, o amor irá desaparecer porque não conseguem se amar, como podem imaginar que alguém os ama?
O amor começa com o amor por si mesmo. Não seja egoísta, mas satisfeito consigo mesmo e essas são duas coisas diferentes. Não seja um Narciso, não seja obcecado por si mesmo mas o amor por si mesmo é um dever, um fenômeno básico. Apenas quando parte desse pressuposto é que você pode amar alguém.

Aceite a si mesmo, ame a si mesmo; você é uma criação de Deus. A assinatura de Deus está em você e você é especial, único. Ninguém mais nunca foi como você e ninguém mais jamais será como você é simplesmente único, incomparável. Aceite isso, ame isso, celebre isso na própria celebração você vai começar a ver a singularidade dos outros, a incomparável beleza dos outros. O amor só é possível quando existe uma profunda aceitação de si mesmo, do outro, do mundo. A aceitação cria um ambiente em que o amor prospera, o solo em que o amor viceja.

do livro: Intimidade como confiar em si mesmo e nos outros. Ed. Cultrix
[Imagem: Frederick Candon, Mandala II]

Posted by Lilia at 11:13 PM | Comments (0)

O Doutor Felicidade

Entrevista: Martin Seligman

Um dos expoentes da psicologia positiva, o autor americano diz quais são os caminhos para alcançar o extraordinário mundo das pessoas felizes.

Anna Paula Buchalla

drfelicidade-kandinsky-wassily-mit-und-gegen.jpg "Os felizes são mais queridos pelos outros e tendem a ser mais tolerantes e criativos"

A influência das emoções sobre a saúde intriga os médicos desde a Antiguidade. A maior parte dos tratados e pesquisas investiga os efeitos deletérios dos sentimentos negativos, como a tristeza, a angústia e a raiva. Há cerca de vinte anos, no entanto, psicólogos e psiquiatras inauguraram uma nova corrente, a "psicologia positiva", que visa a determinar o peso das emoções boas no equilíbrio físico e mental. Um dos principais representantes desse movimento é o psicólogo Martin Seligman, de 61 anos, professor da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Seligman, que por quase trinta anos lidou com pacientes deprimidos, resolveu inverter o curso de seus estudos. Em vez de se dedicar a entender as fraquezas humanas, ele buscou respostas para compreender quais são as raízes da felicidade. "Sabia-se muito a respeito da depressão, mas quase nada sobre a essência comum das pessoas felizes", diz. Seus críticos argumentam que os termos da psicologia positiva são muito vagos e superficiais. Pode ser. Mas o fato é que, com suas idéias, Martin Seligman, ex-presidente da Associação Americana de Psicologia, tornou-se um autor best-seller. Em seu novo livro, Felicidade Autêntica (Editora Objetiva), recém-lançado no Brasil, ele propõe que a conquista da felicidade seja um exercício diário, feito com gentileza, originalidade, humor, otimismo e generosidade.

Veja – É possível medir o grau de felicidade de uma pessoa?
Seligman – Sim, se estivermos falando de prazeres como sexo, chocolate e compras. Nesses casos, cada um sabe o que o faz mais feliz. Mas já fica mais difícil medir o grau da felicidade existencial, por assim dizer. O que dá para perceber é que há características comuns às pessoas que consideramos felizes. Elas são, por exemplo, mais queridas pelos outros. Também tendem a ser mais tolerantes e criativas. As pessoas felizes têm em comum, ainda, hábitos de vida mais saudáveis, pressão arterial mais baixa e sistema imunológico mais ativo que as infelizes.

Veja – Por que o senhor resolveu enfocar a felicidade, e não a infelicidade, como fazem quase todos os psicólogos?
Seligman – A psicologia convencional nasceu para tentar entender o que torna alguém neurótico, deprimido, ansioso, de mal com o mundo. Durante mais de duas décadas dediquei-me a esse tipo de estudo. Mas, depois de anos nessa toada, achei melhor procurar compreender o que faz alguém feliz. Inclusive para indicar alguns caminhos para os infelizes. Descobri que homens e mulheres satisfeitos têm uma vida social mais rica e produtiva. Os muito felizes passam o mínimo de tempo sozinhos e mantêm ótimos relacionamentos. Cultivam mais as amizades e permanecem casados por mais tempo.

Veja – Os mais felizes vivem mais?
Seligman – O estudo mais notável feito até hoje sobre felicidade e longevidade analisou o cotidiano de 180 freiras. Todas tinham a mesma dieta, leve e balanceada, e estavam livres, é claro, de drogas, álcool e cigarro. Como também convém a freiras, elas não eram suscetíveis a doenças sexualmente transmissíveis. Pois bem, mesmo assim, foi constatada uma diferença sensível de longevidade entre as mais e as menos alegres. Entre as primeiras, 90% ultrapassaram os 80 anos. Do outro grupo, apenas 34% chegaram a essa idade.

Veja – Dinheiro traz felicidade?
Seligman – É evidente que uma situação financeira confortável ajuda. Mas é um erro pensar que, quanto mais dinheiro, mais satisfação. Especialmente se, para consegui-lo, se sacrificam outros aspectos. Trabalhar seis fins de semana seguidos para conseguir um salário maior, à custa de menos lazer e menos tempo com os filhos, não faz ninguém mais feliz. Uma pesquisa baseada na lista elaborada pela revista Forbes das 400 pessoas mais ricas dos Estados Unidos constatou que, na média, elas não são mais felizes que as de classe média. A riqueza tem uma correlação surpreendentemente baixa com o nível de felicidade. Os ricos são, em geral, só um pouco mais felizes que os pobres. Nos Estados Unidos, enquanto a renda aumentou 16% nos últimos trinta anos, o número de indivíduos que se consideram muito felizes caiu de 36% para 29%.

Veja – Mas existem estudos que associam a felicidade ao poder de compra.
Seligman – É verdade que países muito pobres, como Bangladesh, por exemplo, têm, na média, menos pessoas felizes que países como os Estados Unidos. Uma pesquisa realizada recentemente abordou um universo de mais de 1 000 pessoas em quarenta países. Os responsáveis cruzaram o nível de satisfação pessoal com o poder de compra correspondente a cada lugar. O resultado trouxe obviedades e surpresas. Numa escala de 10 pontos, a nação de pessoas mais felizes e satisfeitas é a Suíça. Os Estados Unidos estão em sexto lugar. Já o Brasil aparece num surpreendente décimo lugar, à frente da Itália, um país rico, onde as pessoas têm um poder de compra quase quatro vezes maior. Isso significa que os brasileiros têm particularidades que contrariam a crença de que felicidade está necessariamente associada a mais dinheiro.

Veja – Há pessoas que costumam dizer "eu não sou feliz, eu estou feliz". Isso faz sentido?
Seligman – Esse é o tipo de consideração que vale para quem pauta a vida pela quantidade de prazer imediato que consegue ter. É uma vida baseada exclusivamente no humor – e o humor tem altos e baixos. Uma felicidade mais plena sobrevive a esse tipo de montanha-russa.

Veja – É inegável, contudo, que existe a felicidade momentânea.
Seligman – Sim, e ela pode ser aumentada por meio de artifícios como um chocolate, um bom filme, uma roupa nova, flores ou uma boa massagem. Mas não é preciso ser um estudioso do assunto para verificar que coisas boas e realizações importantes incrementam a felicidade apenas temporariamente. Acredita-se que em menos de três meses eventos importantes como uma promoção perdem o impacto. O grande desafio é manter o nível constante de felicidade. A psicologia tenta estabelecer se cada um de nós tem um limite próprio para a felicidade – um limite herdado geneticamente e para o qual invariavelmente voltamos, por obra de um termostato interno. Você me perguntou sobre a relação entre felicidade e dinheiro. Pois bem, um estudo feito com ganhadores de gordos prêmios de loteria revelou que, passada a euforia causada pela entrada de uma grande soma de dólares, todos retornaram a seu nível básico de felicidade. A boa notícia é que mesmo depois de um evento muito triste esse termostato também nos tira da infelicidade e nos leva de volta ao patamar anterior.

Veja – Muitas pessoas têm tudo para ser felizes e não o são. Como explicar isso?
Seligman – Depois de acumular bens materiais e realizações, muitos tendem a esquecer que tudo aquilo foi fruto de conquistas nem sempre fáceis. Passam a encarar o status e o conforto que alcançaram como se fosse um dado da natureza, por assim dizer. Com isso, começam a ficar insatisfeitos e a querer sempre mais. É claro que tal atitude causa frustração. Por esse motivo, lidar com a felicidade pode ser tão difícil quanto enfrentar a infelicidade.

Veja – Alguém que teve uma infância marcada por acontecimentos muito infelizes pode se tornar um adulto feliz?
Seligman – Para Sigmund Freud, o pai da psicanálise, a infância determina a personalidade adulta. Na minha opinião, há uma certa dose de exagero nessa visão. Superestima-se o passado. Não há evidências suficientes de que acontecimentos traumáticos experimentados pela criança, como a separação dos pais ou a morte de parentes próximos, interfiram sempre a ponto de comprometer suas potencialidades. Acho que, se você se vê forçado pelo passado a trilhar o caminho rumo à infelicidade, tem todo o direito de esquecê-lo, sem que se sinta obrigado a ficar revolvendo ocorrências longínquas no tempo e no espaço.

Veja – Os mais bonitos são mais felizes?
Seligman – A beleza física certamente traz vantagens adicionais. Mas o fato é que a boa aparência exerce um efeito muito pequeno sobre a felicidade. Marilyn Monroe, para ficar num exemplo óbvio, era bela e profundamente infeliz.

Veja – Quais são os ingredientes de um relacionamento feliz?
Seligman – Não existe uma receita propriamente dita. Em meus estudos, descobri coisas inusitadas sobre os relacionamentos. Um dos exercícios que costumo aplicar é separar um casal e fazer com que cada um dê sua opinião sobre o outro. Depois, os resultados são comparados com a avaliação de pessoas próximas, como parentes e amigos. Quanto maior a discrepância da opinião do parceiro amoroso em relação à imagem social e familiar do outro, maior é a ilusão que existe entre eles. E, quanto maior essa ilusão, mais feliz e estável é o relacionamento. Homens e mulheres casados e satisfeitos vêem virtudes nos seus cônjuges que nem os amigos mais próximos conseguem enxergar. Hoje, muitos terapeutas de casais se dedicam a fazer com que casamentos marcados por brigas se transformem em uniões toleráveis. Eu prefiro transformar bons casamentos em uniões excelentes.

Veja – Os casados são mais felizes que os solteiros?
Seligman – Sim, o casamento está intimamente ligado à felicidade. Uma pesquisa nos Estados Unidos ouviu 35 000 pessoas nos últimos trinta anos. Dessas, 40% das casadas se disseram muito felizes, contra apenas 24% das solteiras, viúvas e separadas. A vantagem para os casados parece estar ligada ao fato de que eles se sentem mais amparados. Existem, no entanto, duas outras explicações para essa diferença de porcentagem, que antecedem o casamento em si: as pessoas felizes são mais predispostas a se casar e a manter o relacionamento. Os deprimidos tendem a ser mais retraídos, irritáveis e voltados para si, o que os torna menos interessantes.

Veja – As mulheres sofrem duas vezes mais de depressão que os homens. Elas são mais infelizes que eles?
Seligman – As mulheres são mais deprimidas, mas, curiosamente, também experimentam mais emoções positivas que os homens. Talvez isso se deva em parte à biologia e em parte à disposição feminina de falar mais abertamente de suas emoções – o que pode ser considerado um dado cultural.

Veja – Os velhos tendem a ser mais infelizes?
Seligman – Até a década de 60, acreditava-se que a felicidade estava associada à juventude e também a um bom nível de instrução. Essa idéia foi negada pela experiência. Velhos que tiveram uma boa vida dificilmente encontram motivos para ser infelizes – e pessoas menos cultas podem achar a felicidade dentro de suas possibilidades. Como digo no meu livro, embora o nível de instrução seja um dos melhores meios para aumentar os rendimentos, ele não é necessariamente causa de aumento da felicidade. A inteligência também não influencia a felicidade, seja para mais, seja para menos.

Veja – E os religiosos?
Seligman – Quem pratica uma religião é claramente menos predisposto a usar drogas, a se divorciar e a cometer crimes e suicídio. Costuma ser também mais saudável e viver mais. A relação direta entre fé religiosa e esperança no futuro acaba por afugentar o desespero e aumentar a felicidade. Mas essa não é, evidentemente, uma receita para todo mundo.

Veja – O número maior de deprimidos no mundo não seria proporcional ao aumento do número de pessoas que buscam uma felicidade que simplesmente não existe?
Seligman – A depressão é dez vezes mais freqüente hoje do que era em 1960. Ela também ataca cada vez mais cedo. Acredito que o que aconteceu foi um excesso de confiança nos atalhos que prometem a felicidade imediata: drogas, consumismo e sexo casual, entre outros exemplos. Tudo isso é fruto do narcisismo. E o narcisismo pode levar à depressão. Preocupar-se demais consigo próprio só faz intensificar tendências depressivas. Os profissionais da auto-ajuda vivem apregoando que todo mundo deve "entrar em contato com seus sentimentos". Ora, há limite para isso. Talvez fôssemos mais felizes se nos preocupássemos mais com o outro.

Veja – Hoje em dia, até mesmo pela eficácia dos tratamentos dos transtornos mentais, não existiria uma espécie de obrigação social de ser feliz?
Seligman – A felicidade não deve ser vista como uma meta obrigatória, embora seja natural querer ser feliz. O fato de haver tratamentos mais eficazes contribui para o alívio de certos tipos de infelicidade, mas eles não são garantia de que o mundo será um mar de rosas. Muito da felicidade que encontramos na vida é efeito colateral daquilo que fazemos. Por exemplo, diversos casais me procuram porque querem restabelecer a intimidade com seus parceiros. Essa intimidade, contudo, não se consegue por meio de remédios ou algo que o valha. Ela é conseqüência de uma mudança de atitude. Um casal feliz faz coisas positivas junto, de maneira espontânea, sem se preocupar se aquilo será motivo de felicidade ou não.

Veja – É possível ensinar alguém a ser feliz?
Seligman – É justamente esse o objetivo do meu trabalho: ensinar as pessoas a ser felizes e como intensificar essa felicidade. A mais agradável das tarefas de um pai – e eu diria que é até a principal – é desenvolver os traços positivos em seus filhos, em vez de apenas tentar apagar os negativos. É isso que garante às crianças os recursos para que se tornem adultos produtivos, equilibrados e satisfeitos. Felizes, enfim. "

fonte: psique.org

[Imagem: Kandinsky, Wassily mit und gegen]

Posted by Lilia at 10:56 PM | Comments (1)

Sete Leis da Sincronicidade para começar a ver a Mágica da Vida

Deepak Chopra

seteleissincronicidade-mandala.gif
1. Meu espírito é um campo de possibilidades infinitas que conecta tudo o mais. Esta frase resume a totalidade do que estou expondo. Se você esquecer tudo o mais, lembre-se apenas disso

2. Meu dialogo interno reflete meu poder interno. O dialogo interno das pessoas auto- realizadas pode ser descrito assim: é imune a críticas; não tem apego aos resultados; não tem interesse em obter poder sobre os outros; não tem medo. Isso porque o ponto de referência é interno, não externo.

3. Minhas intenções tem poder infinito de organização. Se minha intenção vem do nível do silêncio, do espírito, ela traz em si os mecanismos para se concretizar.

4. Relacionamentos são a coisa mais importante na minha vida. E alimentar os relacionamentos é tudo o que importa. As relações são cármicas e quem nós amamos ou odiamos é o espelho de nós mesmos: queremos mais daquelas qualidades que vemos em quem amamos e menos daquelas que identificamos em quem odiamos.

5. Eu sei como atravessar turbulências emocionais. Para chegar ao espírito é preciso ter sobriedade. Não dá para nutrir sentimentos como hostilidade, ciúme, medo, culpa, depressão. Essas são emoções tóxicas. Importante: onde há prazer, há a semente da dor, e vice-versa. O segredo é o movimento: não ficar preso na dor, nem no prazer (que então vira vício). Não se deve reprimir ou evitar a dor, mas tomar responsabilidade sobre ela.

6. Eu abraço o feminino e o masculino em mim. Esta é a dança cósmica, acontecendo no meu próprio eu. A energia masculina: poder, conquista, decisão. A energia feminina: beleza, intuição, cuidado, afeto, sabedoria. Num nível mais profundo, a energia masculina cria, destrói, renova. A energia feminina é puro silêncio, pura intenção, pura sabedoria.

7. Estou alerta para a conspirações das improbabilidades. Tudo o que me acontece de diferente na vida é carmico. É, portanto, um sinal de que posso aprender alguma coisa com aquela experiência. Em toda adversidade há a semente da oportunidade.

fonte: casa do bruxo

[Imagem: Jana Skalnikova, Mandala T]

Posted by Lilia at 10:21 PM | Comments (0)

Primeira Carta de Rainer Maria Rilke

cartarainer-Norman-Rockwell- Little-boy-writing-a-letter.jpg Paris, 17 de Fevereiro de 1903
Prezadíssimo Senhor,

Sua carta alcançou-me apenas há poucos dias. Quero agradecer-lhe a grande e amável confiança. Pouco mais posso fazer. Não posso entrar em considerações acerca da feição de seus versos, pois sou alheio a toda e qualquer intenção crítica. Não há nada menos apropriado para tocar numa obra de arte do que palavras de crítica, que sempre resultam em mal entendidos mais ou menos felizes. As coisas estão longe de ser todas tão tangíveis e dizíveis quanto se nos pretenderia fazer crer; a maior parte dos acontecimentos é inexprimível e ocorre num espaço em que nenhuma palavra nunca pisou. Menos suscetíveis de expressão do que qualquer outra coisa são as obras de arte, - seres misteriosos cuja vida perdura, ao lado da nossa, efêmera.

Depois de feito este reparo, dir-lhe-ei ainda que seus versos não possuem feição própria somente acenos discretos e velados de personalidade. É o que sinto com maior clareza no último poema, "Minha Alma". Aí, algo de peculiar procura expressão e forma. No belo poema "A Leopardi" talvez uma espécie de parentesco com esse grande solitário esteja apontando. No entanto, as poesias nada têm ainda de próprio e de independente, nem mesmo a última, nem mesmo a dirigida a Leopardi. Sua amável carta que as acompanha não deixou de me explicar certa insuficiência que senti ao ler seus versos, sem que a pudesse definir explicitamente. Pergunta se os seus versos são bons. Pergunta-o a mim, depois de o ter perguntado a outras pessoas. Manda-os a periódicos, compara-os com outras poesias e inquieta-se quando suas tentativas são recusadas por um ou outro redator. Pois bem - usando da licença que me deu de aconselhá-lo - peço-lhe que deixe tudo isso. O senhor está olhando para fora, e é justamente o que menos deveria fazer neste momento. Ninguém o pode aconselhar ou ajudar, - ninguém. Não há senão um caminho. Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite:"Sou mesmo forçado a escrever?" Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples "sou", então construa a sua vida de acordo com esta necessidade. Sua vida, até em sua hora mais indiferente e anódina, deverá tornar-se o sinal e o testemunho de tal pressão. Aproxime-se então da natureza. Depois procure, como se fosse o primeiro homem, dizer o que vê, vive, ama e perde. Não escreva poesias de amor. Evite de início as formas usuais e demasiado comuns: são essas as mais difíceis, pois precisa-se de uma força grande e amadurecida para se produzir algo de pessoal num domínio em que sobram tradições boas, algumas brilhantes. Eis por que deve fugir dos motivos gerais para aqueles que a sua própria existência cotidiana lhe oferece; relate tudo isso com íntima e humilde sinceridade. Utilize, para se exprimir, as coisas de seu ambiente, as imagens de seus sonhos e os objetos de suas lembranças. Se a própria existência cotidiana lhe parecer pobre, não a acuse. Acuse a si mesmo, diga consigo que não é bastante poeta para extrair as suas riquezas. Para o criador, com efeito, não há pobreza nem lugar mesquinho e indiferente. Mesmo que se encontrasse numa prisão, cujas paredes impedissem todos os ruídos do mundo de chegar aos seus ouvidos, não lhe ficaria sempre sua infância, essa esplêndida e régia riqueza, esse tesouro de recordações? Volte a atenção para ela. Procure soerguer as sensações submersas desse longínquo passado: sua personalidade há de reforçar-se, sua solidão há de alargar-se e transformar-se numa habitação entre lusco e fusco diante da qual o ruído dos outros passa longe, sem nela penetrar. Se depois desta volta para dentro, deste ensimesmar-se, brotarem versos, não mais pensará em perguntar seja a quem for se são bons. Nem tão pouco tentará interessar as revistas por esses seus trabalhos, pois há de ver neles sua querida propriedade natural, um pedaço e uma voz de sua vida. Uma obra de arte é boa quando nasceu por necessidade. Neste caráter de origem está o seu critério, - o único existente. Também, meu prezado senhor, não lhe posso dar outro conselho fora deste: entrar em si e examinar as profundidades de onde jorra a sua vida; na fonte desta é que encontrará a resposta à questão de saber se deve criar. Aceite-a tal como se lhe apresentar à primeira vista sem procurar interpretá-la. Talvez venha significar que o senhor é chamado a ser um artista. Nesse caso aceite o destino e carregue-o com seu peso e sua grandeza, sem nunca se preocupar com recompensa que possa vir de fora. O criador, com efeito, deve ser um mundo para si mesmo e encontrar tudo em si e nessa natureza a que se aliou.

Mas talvez se dê o caso de, após essa descida em si mesmo e em seu âmago solitário, ter o senhor de renunciar a se tornar poeta.

(Basta, como já disse, sentir que se poderia viver sem escrever para não mais se ter o direito de fazê-lo). Mesmo assim, o exame de consciência que lhe peço não terá sido inútil. Sua vida, a partir desse momento, há de encontrar caminhos próprios. Que sejam bons, ricos e largos é o que lhe desejo, muito mais do que lhe posso exprimir.

Que mais lhe devo dizer? Parece-me que tudo foi acentuado segundo convinha. Afinal de contas, queria apenas sugerir-lhe que se deixasse chegar com discrição e gravidade ao termo de sua evolução. Nada a poderia perturbar mais do que olhar para fora e aguardar de fora respostas a perguntas a que talvez somente seu sentimento mais íntimo possa responder na hora mais silenciosa.

Foi com alegria que encontrei em sua carta o nome do professor Hoaracek; guardo por esse amável sábio uma grande estima e uma gratidão que desafia os anos. Fale-lhe, por favor, neste sentimento. É bondade dele lembrar-se ainda de mim; e eu sei apreciá-la.

Restituo-lhe ao mesmo tempo os versos que me veio confiar amigavelmente. Agradeço-lhe mais uma vez a grandeza e a cordialidade de sua confiança. Procurei por meio desta resposta sincera, feita o melhor que pude, tornar-me um pouco mais digno dela do que realmente sou, em minha qualidade de estranho.
Com todo o devotamento e toda a simpatia,
Rainer Maria Rilke

fonte: Releituras do livro: Cartas a um Jovem Poeta

[Imagem: Norman Rockwell: Little boy writing a letter]


Posted by Lilia at 10:15 PM | Comments (0)

A SAUDE: PUREZA, UNIDADE E HARMONIA

Omraam Mikhaël Aïvanhov

saudepureza-li-leger-don-poppy-nine-patch.jpg Causas das doenças: as impurezas
Pode-se atribuir às doenças toda a espécie de causas, mas, na realidade, uma doença, qualquer que seja, tem por origem elementos impuros que o homem deixou introduzir-se nele, no seu organismo físico ou no seu organismo psíquico. Esses elementos que não vibram em harmonia com a parte sã do organismo provocam perturbações. Mas, se se consegue expulsálos ou transformálos, tudo se restabelece. Por isso é que a pureza é tão importante para a saúde mental e física do homem; a pureza quer dizer a rejeição de todos os elementos estranhos ao bom funcionamento do organismo. Infelizmente, quando ouvem falar de pureza, os humanos fecham os ouvidos. A pureza é uma noção que lhes parece estreita, ultrapassada, muito boa para ser respeitada mas só nos conventos, e eles continuam a engolir o que calha: alimentos indigestos, atmosferas poluídas, pensamentos tenebrosos, sentimentos caóticos. Quando compreenderão eles que são estas impurezas que os tornam doentes? Se eles trabalharem para aumentar em si a pureza terão mais saúde, serão mais inteligentes, mais sábios e mais fortes.

Definição da saúde: a harmonia
A saúde é o resultado do trabalho que todos os órgãos do nosso corpo executam em conjunto e em harmonia para o bem de todo o nosso ser. Por isso, quando se introduz no organismo um elemento que não obedece a esta lei da harmonia, ele cria perturbações, e é isso a doença: uma desarmonia. No organismo psíquico ocorre o mesmo fenómeno. Quando, por intermédio dos seus pensamentos, dos seus sentimentos, dos seus desejos, o homem deixa penetrar elementos que não vibram em harmonia com todo o seu ser interior, desse modo ele introduz em si a doença. Então, quando vos sentis perturbados, atormentados, em vez de procurardes causas complicadas para justificar o vosso estado, compreendei simplesmente que deixastes entrar, na vossa cabeça ou no vosso coração, pensamentos ou sentimentos caóticos, tenebrosos. Procuraios e esforçaivos por eliminálos.

« Uma pessoa vem pedir-me um conselho para a sua saúde: ela foi consultar todos os médicos, tomou todos os remédios, mas nada melhora. Eu digo-lhe: "Uma vez que já tentou tudo e nada funcionou, tente agora um remédio no qual não pensou. Todos os dias, ponha-se em harmonia com as criaturas sublimes do Universo, diga-lhes: 'Eu amo-vos, estou em sintonia convosco, quero cumprir a vontade de Deus...' E pouco a pouco sentirá uma melhoria." Se os humanos estão doentes, é porque introduziram a perturbação na ordem interior que a Natureza instalou neles. É por isso que recebem lições: para aprender a restabelecerem a harmonia, pois todo o Universo canta esta harmonia e aquele que não a respeita é rejeitado. »

A prevenção
Imaginemos um homem que possui um carro magnífico: ele mantém-no pondo nele gasolina da melhor qualidade, os melhores pneus, etc. Mas, quando o utiliza, não é prudente nem senhor de si: faz manobras perigosas, acelera a toda a velocidade, trava bruscamente... E o pobre do carro, maltratado, fica rapidamente estragado. Pois bem, a maior parte dos humanos agem assim com o seu corpo físico. Não têm qualquer consciência dessa maravilha que o seu organismo representa, em que oficinas ele foi construído, como ele foi trabalhado pelo espírito e quanto custou ao Criador realizar toda aquela instalação. Vós direis que tendes cuidado com o vosso corpo físico... Talvez, mas isso não chega. Quereis mesmo estar de boa saúde? Sede condutores atentos, previdentes, prudentes, isto é, evitai os estados passionais e os pensamentos e os sentimentos caóticos, que abalam e estragam o vosso organismo.

Os alimentos
Presentemente, uma das principais preocupações das pessoas é poderem alimentar-se com produtos sãos. Claro que é extremamente desejável os alimentos não estarem poluídos; mas é também importante que as pessoas que os preparam estejam conscientes de que os alimentos que passam pelas suas mãos ficam impregnados com as suas emanações e transmitem-nas a todos aqueles que vão comêlos. Os alimentos são preparados com as mãos e as mãos de uma pessoa são os agentes mágicos que transmitem sempre algo da sua própria quintaessência. Os cozinheiros, os padeiros, os pasteleiros, tal como todas as pessoas que fazem todos os dias cozinha para a sua família, devem conhecer esta lei química, mágica. Desse modo, habituarse-ão a tocar nos alimentos com a consciência de que aquilo que têm nas suas mãos vai contribuir para edificar o corpo de pessoas próximas ou distantes, conhecidas ou desconhecidas. É uma imensa responsabilidade. Por isso, vale a pena elas esforçarem-se por preparar os alimentos no melhor estado interior possível, com pensamentos de saúde, de paz e de luz para todos aqueles a quem esses alimentos se destinam.

As relações
Nada do que nos acontece ocorre por acaso. Por intermédio dos nossos pensamentos e dos nossos sentimentos, nós entramos em relação com as entidades, as correntes e os elementos do espaço que correspondem a esses pensamentos e a esses sentimentos, e acabamos por atraí-los. É assim que se explicam a saúde e a doença, a força e a fraqueza, a inteligência e a cegueira, a beleza e a fealdade, etc... É o homem que atrai todos esses estados físicos ou psíquicos. Por conseguinte, se vos deparais com grandes dificuldades neste existência é porque, no passado, com a vossa ignorância, atraístes elementos malsãos, defeituosos. Então, agora que conheceis a verdadeira causa de tudo o que acontece na vossa vida, decidi-vos a trabalhar sobre os vossos pensamentos e os vossos sentimentos. Desse modo, ligarvos-eis às entidades e às regiões mais luminosas e mais puras do Universo e recebereis delas todas as qualidades de que necessitais para vos reconstruirdes: a beleza, a força, a inteligência... É isso o verdadeiro segredo da ressurreição.

O médico e os medicamentos
Quando um médico prescreve medicamentos aos seus doentes, será que ele lhes explica que o estado de espírito no qual eles irão tomá-los pode contribuir para a sua eficácia? Não, ele faz como se o ser humano fosse uma máquina que é preciso voltar a pôr em bom estado. Um bom médico, pelo contrário, indica também aos seus doentes as regras de vida e até métodos, exercícios, para eles fazerem, graças aos quais introduzirão em si mesmos o equilíbrio, a paz e a harmonia. E mesmo que esses métodos se revelem insuficientes, porque o doente está gravemente afectado, pelo menos ele terá empregue o tempo que lhe restava de vida em actividades benéficas. É isto o essencial: encontrar sempre a actividade benéfica à qual consagrar-se, pois nada fica sem consequências, se não for no mundo físico, pelos menos será no mundo psíquico, espiritual.

A transpiração - as trocas
Transpirar é muito bom para a saúde, mas a transpiração física não basta, e não fiqueis admirados por eu vos dizer que a alma e o espírito também devem transpirar. É o amor que faz transpirar a alma e é a sabedoria que faz transpirar o espírito. Evidentemente, há que compreender a palavra transpiração com um sentido muito amplo. A transpiração é o símbolo de uma troca perfeita que se estabelece entre o microcosmos (o homem) e o macrocosmos (o Universo). Fisicamente, estas trocas fazemse por intermédio da pele; pela pele nós eliminamos detritos e absorvemos energias. Mas, no plano subtil, essas trocas fazemse pela aura, que é a nossa pele espiritual. Portanto, quando eu digo que, tal como o corpo físico, a nossa alma e o nosso espírito também devem transpirar, refirome às trocas que nós devemos fazer, nos planos subtis, com a sabedoria e o amor divinos.

Uma chave: o amor
Amai e todas as portas se abrirão diante de vós. Parai, pois, de perguntar porque é que sois infelizes, porque é que tendes tantos revezes na vida... É muito simplesmente porque não tendes amor. Se tivésseis amor, nada vos resistiria, pois quando se tem amor não se fica inactivo, sem empreender nada. Alguém dirá: "Mas eu estou doente. - Isso acontece justamente porque não tem amor. (Mas que relação há nisso?) Se tivesse amor pela saúde, há muito tempo que ela teria vindo instalar-se. Se está doentes, é porque não ama verdadeiramente a saúde. É esta a resposta." Quando tiverdes amor por aquilo que é bom, por aquilo que é belo, e viverdes dia e noite com esse amor, nenhuma força do Universo poderá resistirvos, pois não existe nada acima do amor: foi o amor que criou o mundo e todas as forças obedecem ao amor. »

fonte: Fraternité Blanche Universelle

[Imagem: Don Li Leger, Poppy nine patch]

Posted by Lilia at 09:45 PM | Comments (0)

A Camiseta Furada

Carla Cintia

camisetafurada-modigliani-amedeo-la-belle-romaine.jpg Qual de nós não tem ou teve aquela camiseta bem deformada, super confortável, com um furinho safado e que a gente insiste em usar em casa, quando ninguém está vendo?

A gente chega com um mau humor daqueles, depois de um dia de cão e ela nos espera e nos abraça e nos faz esquecer que há um mundo hostil lá fora. A gente briga com o namorado, discute com a mãe, engole mais um sapo do chefe e, antes de pegar a caixa de chocolate, veste a camiseta. O pneu furou logo depois que desabou a maior chuva dos últimos tempos e não parou ninguém para lhe ajudar a trocá-lo? Então você sonha em chegar em casa, tomar um banho bem quentinho e vestir a camiseta.

Mas tem um dia que você acorda e não se anima a sair da cama. Dentro de sua inseparável companheira, descobre uma desculpa para dar lá no escritório. Já é hora do almoço, mas a fome não vem. Você acha uma boa pedida mergulhar em um pacote de chocookies enquanto a sessão da tarde lhe faz companhia. Sabe aquele furinho? Você acha graça em pensar que grande do jeito que está pode ser considerado uma espécie de ar condicionado. O toque do telefone é desagadável, mas você prefere deixar tocando a ter que ouvir alguém do outro lado da linha. Por falar em linha, que linha é esta pendurada aqui? Ih! Quando você puxou veio junto metade da bainha frontal. É, a companheira velha está nas últimas. Bom poder reparar nela. Enquanto faz isto não repara em você.

Pois é, vocês já devem ter percebido onde quero chegar.

Primeiro, uma camiseta destas pode ser um conforto e tanto, a menos que você não queira mais tirá-la do corpo. Vamos nos desmanchando com ela. A única diferença é que o fim dela é o lixo ou, na melhor das hipóteses, virar pano de chão. Este é o seu destino? Com certeza você já teve um amigo camiseta-velha. Com certeza você já teve dias camiseta-velha e aposto que só melhorou quando resolveu tomar um banho, vestir uma roupa decente e passar um batom. Sair de casa é opcional, mas ajuda estar com pessoas ao invés de estar com malhas de algodão.

Outra atitude recomendável é jogar este troço fora o mais rápido possível. Sabe por quê? Dá uma olhada no espelho e repara se atraente é uma boa descrição do que vê. Sabe aquela caixinha de chocolate, o chocookie, a sessão da tarde? Vamos trocar por uma maçã, uma saladinha e um cinema? Ninguém gosta de um espantalho. Nem você. E se você não se cuida, não se gosta, quem fará isto por você? Apenas aquela velha (amiga) camiseta que lhe dá conforto momentâneo, mas quer lhe levar junto com ela para o lixo.

Sempre alerta! As camisetas velhas são uma tentação perigosíssima!

[Imagem: Modigliani, Amedeo la belle romaine]

Posted by Lilia at 09:43 PM | Comments (0)

ARRISQUE-SE E SEJA VOCÊ MESMO

Raúl Candeloro

arrisquesejavoce-warhol-andy-kinderspielzeug-affe.jpg A grande maioria das pessoas concorda que gostaria de ser uma pessoa saudável, feliz e útil enquanto estiver aqui na Terra. Para que isso se torne possível, recebemos _ durante toda nossa vida, e das mais diferentes pessoas (pais, parentes, professores, autoridades, amigos, mídia, etc.) uma abundância (talvez excessiva) de conselhos, broncas, ameaças, dicas, fórmulas e regras que acabam nos programando sobre o que é a felicidade e como buscá-la.

Mas, em algum lugar desses caminho, ao amadurecermos como adultos, começamos a notar que, na verdade _ e gostemos disso ou não _, somos nós mesmos que criamos nosso próprio sentido de existência como seres humanos, embora baseando-nos em valores e crenças de outras pessoas. Em algum ponto de nossas vidas, por vontade própria ou por acidente, descobrimos que o sentido da nossa vida depende somente de nós mesmos. Somos ao mesmo tempo autores, diretores e o ator principal dessa peça fantástica que se chama vida.

Para muitas pessoas essa descoberta é tão assustadora que preferem voltar para sua "zona de segurança", uma área confortável onde não é preciso pensar _ apenas obedecer. Para elas, é difícil aceitar que evitar tomar decisões já é em si uma decisão. É uma paradoxo: tem gente que toma a decisão de não decidir _ é a decisão de deixar os outros decidirem no seu lugar. Em última análise, a decisão de deixar de ser quem se é para ser quem os outros querem que ela seja. Felizmente, existem também as pessoas que se dão conta dessa liberdade de poder pensar (e decidir) de maneira livre e racional. Conseguem aceitar o fato que o precondicionamento que receberam, independente de seu conteúdo ou fonte, é apenas mais um passo inevitável do processo de maturação e amadurecimento. Dessa maneira, elevam-se, fortalecendo sua estima e amor-próprio.

De maneira apaixonada, as pessoas livres valorizam sua dedicação, buscando jogar o melhor possível com as cartas que a vida lhe dá, através do crescimento e da aprendizagem contínua. Consistentemente, escolhem fazer coisas que fazem sentido em suas vidas _ trazendo junto a realização pessoal e profissional.

Aonde você se encaixa? Você é quem gostaria de ser? Faz o que gostaria de fazer? A sua vida é a vida que você queria ter? Não aceite as desculpas racionais que sempre aparecem em nossas mentes quando fazemos essas perguntas. Melhor ainda: preste atenção no seu comportamento, na sua atitude, pois são essas as melhores formas de descobrir corretamente que tipo de filosofia e valores pessoais você tem.

Na imensa maioria das vezes, "coisas" acontecem porque alguém tomou uma decisão. A natureza recompensa a ação, e não desejos e sentimentos. O controle de qualquer situação requer foco e expectativas claras sobre nosso objetivo final, bem como conhecer as ações ou passos que devem ser tomados para atingir esse objetivo de maneira satisfatória. A verdade é que uma pessoa pode esperar um raio cair para iluminar sua vida, mas isso é tão raro que nem vale a pena esperar. Sorte, já dizia o sábio, é quando a preparação encontra a oportunidade. As duas coisas se complementam, e de fora, quem olha como espectador, parece sorte. Mas na verdade existe muito trabalho duro e esforço por trás dessa "sorte".

Se existem aspectos na sua vida que você gostaria de mudar, você precisa de um objetivo, de um plano de ação e da determinação de transformar isso em realidade (ou seja, agir!). Para vencer o jogo você precisa entrar em campo. Para ganhar na loteria você precisa pelo menos comprar um bilhete.

Arrisque-se: seja a pessoa e o profissional que você gostaria de ser.

Fonte: Helpers

[Imagem: Andy Warhol, Kinderspielzeug affe]



Posted by Lilia at 08:43 PM | Comments (0)

O AMOR E O GRITO

amorgrito-everhart-tom-peanuts-lucy-big-loud-screaming-blonde.jpg Um dia um mestre perguntou aos seus discípulos:
- Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?
Os homens pensaram por alguns momentos.
- Porque perdemos a calma - disse um deles. - Por isso gritamos.
- Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao teu lado? Não é possível falar-lhe em voz baixa? Por que gritas a uma pessoa quando estás aborrecido?
Os homens deram algumas respostas, mas nenhuma delas satisfez o mestre. Finalmente ele explicou:
- Quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. Para cobrir esta distância precisam gritar para poder escutar-se. Quanto mais aborrecidas estejam, mais forte terão que gritar para se escutar um ao outro através desta grande distância.
Em seguida perguntou:
- O que sucede quando duas pessoas se enamoram? Elas não gritam, mas se falam suavemente. Por quê? Porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena. Quando se enamoram, acontece mais alguma coisa? Notem que quase não falam, somente sussurram, e ficam cada vez mais perto do seu amor. Finalmente, não necessitam sequer sussurrar, somente se olham e isto é tudo. Assim é quando duas pessoas que se amam estão próximas. Portanto, quando discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais. Chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta.

[Imagem: Everhart, "Peanuts Lucy Big Loud"]

Posted by Lilia at 07:14 PM | Comments (0)

A Maldade vem de longe

maldadevemdelonge.jpg Na Grécia antiga, Sócrates (469 - 399 AC) era um mestre reconhecido por sua sabedoria. Certo dia, o grande filósofo se encontrou com um conhecido, que lhe disse:
- Sócrates, sabe o que acabo de ouvir sobre um de seus alunos?
- Um momento, respondeu Sócrates. Antes de me dizer, gostaria que você
passasse por um pequeno teste. Chama-se "Teste dos três filtros".
- Três filtros?
- Sim. - continuou Sócrates. - Antes de me contar o que quer que seja sobre meu aluno, é bom pensar um pouco e filtrar o que vai me dizer.
O primeiro filtro é o da Verdade.
Você está completamente seguro de que o que vai me dizer é verdade?
- Bem, não... Acabo de saber neste mesmo instante...
- Então, você quer me contar sem saber se é verdade?
Vamos ao segundo filtro, que é o da Bondade.
Quer me contar algo de bom sobre meu aluno?
- Não, pelo contrário...
- Então, interrompeu Sócrates, quer me contar algo de ruim sobre ele que não sabe se é verdade? Bem, você pode ainda passar no teste, pois ainda resta o terceiro filtro, o da Utilidade. O que quer me contar vai ser útil para mim?
- Acho que não muito...
- Portanto, concluiu Sócrates, se o que você quer me contar pode não ser
verdade, pode não ser bom e pode não ser útil, para que contar?

Posted by Lilia at 07:11 PM | Comments (0)

Eu Mereço Tudo de BOM

Louise L. Hay

eumereco_van_gogh_wheat_fields_with_reaper_at_sunrise.jpg Sou merecedor.
Mereço tudo o que é bom.
Não uma parte, não um pouquinho, mas tudo o que é bom.
Agora me afasto de todos os pensamentos negativos, restritivos.
Liberto e deixo ir todas as minhas limitações.
Em minha mente, sou livre.
Agora me transporto para um novo espaço de consciência,
onde estou disposto a me ver de maneira diferente.
Estou decidido a criar novos pensamentos
sobre mim mesmo e minha vida.
Meu modo de pensar torna-se uma nova experiência.
Eu agora sei e afirmo que sou
uno com o Poder de Prosperidade do Universo.
Assim, prospero de inúmeras maneiras.
Está diante de mim a totalidade das possibilidades.
Mereço vida uma boa vida.
Mereço amor
uma abundância de amor.
Mereço boa saúde.
Mereço viver com conforto e prosperar.
Mereço alegria e felicidade.
Mereço a liberdade de ser tudo o que posso ser.
Mereço mais do que isso.
Mereço tudo o que é bom.
O Universo está mais do que disposto
a manifestar minhas novas crenças.
Aceito essa vida abundante
com alegria, prazer e gratidão, pois sou merecedor.
Eu a aceito; sei que é verdadeira.
Sou grato a Deus por todas as bênçãos que recebo.

[Imagem: Van Gogh, Wheat fields with reaper at sunrise]

Posted by Lilia at 06:56 PM | Comments (0)

Mulheres que entregam seu Sol

Por que algumas mulheres aceitam tudo por amor? A astróloga Mônica Horta examina o céu e dá um conselho: cuidado, não vá entregando seu Sol assim....

mulheresentragasol-rivera-diego-the-flower-seller.jpg Num mapa astrológico, o primeiro e mais importante símbolo da identidade é o Sol. Não é à toa que as pessoas se autodefinem pelo signo solar. Eu sou Leão, sou Escorpião, sou Libra... Mas a literatura astrológica também fala que, num mapa de mulher, o Sol representa o homem que marca a vida dela. Muitas vezes o pai, quase sempre o marido.

Quando calcula e desenha o mapa de uma mulher, é comum que o astrólogo perceba um fenômeno interessante: a cliente se apresenta com um tipo de identidade completamente diferente do que pode se esperar só pela observação do mapa. Por exemplo: um mapa feminino com um sol em Leão, em conjunção com Marte, cria a expectativa de uma identidade forte, criativa, fortemente egóica. Mas, muitas vezes, esta configuração aparece no mapa de mulheres apagadas, sem iniciativa própria, sempre em segundo plano.

O que à primeira vista parece um erro do céu, se explica com facilidade quando se pergunta a ela como era o pai ou como é o marido. Em quase cem por cento dos casos ela descreve o pai, ou o marido, como a mais concreta expressão do que, no mapa, representa a identidade dela.

A maioria dos astrólogos acaba interpretando esse fato como a prova concreta de que o Sol representa o homem que ela vai escolher ou, pelo menos, pelo qual vai se sentir atraída.

Na verdade, isso é apenas a confirmação de que as mulheres são profundamente atraídas pela idéia de "não ser". De dar a identidade de presente. De entregar o Sol.

É fácil perceber quando isso acontece: Basta acompanhar um casamento desde o início e durante um tempo razoável. A moça bonita, cheia de planos, projetos e desejos, vai perdendo o viço, vai ficando feia, vai perdendo o brilho. Sem o Sol não existe vida.

As mulheres entregam, numa bandeja de prata, o que têm de mais precioso e chamam esse suicídio existencial de amor.

Não espanta que um número enorme de mulheres se separe dos maridos movidas por um sentimento difuso de terem perdido a identidade. E, cheias de ressentimento, acreditam que foi o parceiro que roubou o seu Sol.
Mas desse crime ele não pode ser acusado, no máximo, de cumplicidade.

O pior é que o crime foi premeditado, maquiavelicamente planejado desde aquele momento, sempre inesquecível, em que uma mulher percebe nas atitudes de um homem um esboço daquilo que ela queria ser algum dia na vida. Se encanta e imediatamente embarca, de corpo e alma no projeto de "não ser". Começa entregando o nome. Com o nome, vai embora Mercúrio, o planeta da palavra. O que transmite para os outros os desejos do Sol.

A partir daí, a porta está aberta. Ela esquece a palavra "eu" e se orgulha enormemente de usar o "nós". "Nós adoramos (ou detestamos) almoçar na casa da mãe dele, adoramos (ou detestamos) passar o fim de semana na casa de praia, (com os amigos dele, é claro), adoramos (ou detestamos) filmes de ação, vinho tinto, ensopadinho de chuchu, etc.etc.etc.... Mas o problema dessas frases não está só no pronome. Está no verbo também.
"Adoramos", "detestamos", "queremos", "não queremos".... junto com Mercúrio foi embora Marte, o planeta do desejo.

Quando a longa noite do casamento acaba e ela se vê sozinha, obrigada a amanhecer, não sabe mais quem é, sofre até aprender a conviver com o próprio nome, custa para mudar de pronome. Não sabe mais do que gosta nem quem são , realmente, seu amigos.

Mas se o Sol no céu, brilha da mesma forma para todos porque as mulheres entregam a identidade com tanta facilidade?

Sem querer deixar de lado o imenso peso da cultura que durante séculos pesou nos ombros de todas as mulheres, não podemos esquecer que, se alguém perde alguma coisa voluntariamente é porque está ganhado outra em troca.

"Não ser" tem grandes vantagens. A primeira é não crescer. Não ter que enfrentar o mundão lá de fora. Não ter que provar competência, não ter que ganhar o dinheiro para manter o padrão de vida que quer ter. Mas a maior de todas é sem dúvida, não ter que decidir. Não ter que assumir a responsabilidade pelas próprias decisões. Junto com o Sol, vai embora Saturno, o deus da razão e da responsabilidade.

Essa história toda acabou me lembrando de uma frase de um amigo de adolescência dita num dia em que tentávamos desesperadamente resolver que vestibular iríamos enfrentar: "ah, tudo que eu queria era ter a opção de casar..."

fonte: planeta eva

[Imagem: Diego Rivera, vendedora de flores]

Posted by Lilia at 06:09 PM | Comments (0)

Todo mundo é chato

Maria Tereza Maldonado

todomundochato-lucy-tom-everhart.jpg A reclamação é um vício que algumas crianças e adultos cultivam com esmero para evitar o esforço da reflexão e das iniciativas de mudança. As perguntas evitadas são: O que estou fazendo (ou deixando de fazer) comigo mesmo para me sentir tão chateado e reclamar tanto dos outros e da vida? Se não estou satisfeito com o que está acontecendo, o que posso fazer para mudar?
O desenvolvimento pessoal é um trabalho da vida inteira. Nas empresas, fala-se muito sobre isso: aprendizagem continuada, treinamento, capacitação, universidades corporativas e por aí vai. A idéia fundamental é a necessidade de crescer sempre, não ficar acomodado nem desatualizado, desenvolver novas habilidades e competências, melhorar a qualidade dos relacionamentos e o nível de desempenho. Em síntese, ser líder de si próprio. Mesmo quando está bom, pode ficar melhor ainda.

Esse impulso para o autodesenvolvimento pode ser estimulado desde a infância. Será muito útil para abrir caminhos nesse mundo em rápida mutação, em que enfrentamos desafios constantes, a exigir flexibilidade e criatividade. A pessoa (seja ela criança ou adulto) que acha todo mundo chato tem dificuldade de manter amizades e expressa insatisfação com tudo que lhe é oferecido. Está empacada na rigidez da cobrança de que os outros façam apenas o que ela quer.

Não dá para ser ''o chefe da brincadeira'' o tempo inteiro. Ter flexibilidade para aceitar as idéias dos outros, esperar a vez para propor as próprias idéias e respeitar as regras do jogo sem se sentir ofendido e desprestigiado quando os outros ganham são aspectos importantes do desenvolvimento da inteligência de relacionamento. ''Todo mundo é chato'' é uma queixa que revela a dificuldade de aceitar que nem sempre se pode impor suas próprias idéias e desejos; mostra também o desconforto de sentir que os outros se afastam por não se sentirem respeitados. Não é agradável conviver com gente autoritária.

''Todo mundo é chato'' revela também uma distorção da percepção, que enxerga com lentes de aumento os defeitos e as imperfeições e é míope para ver os aspectos favoráveis e as qualidades dos outros. Desenvolver a capacidade de perceber o que há de melhor nas pessoas, compreender e tolerar as limitações, construir o relacionamento a partir do que há de bom são aspectos essenciais da inteligência emocional.

Reclamar compulsivamente paralisa as iniciativas de mudança e reduz nosso poder de modificar situações insatisfatórias. Esperar que os outros se transformem ou que a vida seja mais generosa em ofertas de oportunidades em muitos casos significa a recusa de exercer o próprio poder de escolher outro rumo, abrir novos caminhos de vida, modificar-se para que os outros se modifiquem. É frustrante ficar esperando acontecer, acumulando amargura e ressentimento, em vez de fazer acontecer.

fonte: jb online

[Imagem: Tom Everhart, Lucy]

Posted by Lilia at 03:41 PM | Comments (0)

A Bruxa

Moon's tears

bruxas-Picasso-demoiselles.jpg O que é ser Bruxa? Que misterioso significado carrega essa tão fascinante palavra? Ser Bruxa é necessariamente ser adepta do new age? É ter um caldeirão? É fazer feitiços? Andar de preto? Pendurar um pentagrama no pescoço? É carregar títulos, ter iniciação, prever o futuro, ter poderes paranormais, jogar pragas? O que é ser Bruxa volto a perguntar...
Decidi escrever esse texto, porque ando vendo por aí muitas definições um tanto quanto problemáticas a respeito do real sentido da palavra Bruxa, definições de todos os tipos, tanto de pessoas que não entendem nada sobre o assunto, quanto de pessoas que acham que entendem algo.

Na verdade a explicação dessa palavra é demasiadamente singela, e espero que entendam o que vou falar a respeito desse assunto.

Em primeiro lugar, quero dizer que uma Bruxa não segue necessariamente a Bruxaria (Tradicional, Wicca e qualquer outra tradição), ela pode ser a humilde benzedeira, ela pode ser a católica, a camponesa, a cozinheira, a parteira e etc, etc... A verdade é que todos nós temos um poder guardado, e que foi se atrofiando com o tempo, e que podemos despertar e utilizar independente do caminho que decidimos tomar e isso prova que as Bruxas não são nem diferentes nem mais especiais que ninguém.

Ser Bruxa é colocar toda essa energia atrofiada para funcionar em nosso
favor e ao favor do próximo, é praticar a filantropia, é ser universal, é entender e manipular o microcosmo¹ em junção do macrocosmo² para pomover a cura, o amor e o entendimento da alma. Quando sentimos o poder fluir (não o poder egocêntrico), temos um olhar muito mais aguçado e muito mais poético, pois entendemos o mundo; muitas religiões gostam de afirmar que 'não somos desse mundo, pois ele é de pecado', não, não se enganem, não é o mundo que é mal, mas sim as pessoas que o tornam cruel, devemos fazer do mundo a nossa agradável morada, pois ele em si é uma manifestação de Deus/Deusa (ou como preferir ver a Divindade).

A verdadeira Bruxa quando observa o por do sol, fecha os olhos e sente a alma expandir, ela sente que é tudo, e que entende tudo e consegue traduzir o canto universal, esse misterioso chamado que nos proporciona tão grande bem estar e plenitude de ser. Quando a Bruxa vê a lua, sente que entre elas existe uma ligação muito intima, pois ambas possuem ciclos, fases, ser Bruxa também é isso, é identificar as analogias entre a natureza e o 'Eu' e ver que o que está em cima é o que está embaixo.

A Bruxa possui a sabedoria conseguida através da maturidade e das muitas
experiências, sem contudo perder o coração doce da criança que descobre o
mundo. De suas mãos brotam a Arte em todos os sentidos, ela tem amor por
tudo que faz, tem o toque delicado que acaricia as flores, que tenta tocar as estrelas, que tenta tocar o infinito. Todas sabem que a natureza é uma Mãe sábia, ela nos dá, mas também tira, e que devemos ser sagazes, sermos fortes, e que um dia todos sem exceção, voltaremos para ela, para o grande Útero Universal.

Quem sabe vocês entendam melhor o que eu esteja querendo dizer lendo esse
texto muito interessante que achei na Internet:

Ambrósia

Descendo lentamente a rua, vinha Ambrósia... apoiada em um "cajado" que
era um galho de uma velha árvore de seu quintal. Tinha caído em uma das
ventanias e ela se apoderou dele alegre em ver que era bonito. Meio torto, mas bem apropriado para que ela se apoiasse nele, já que suas pernas já estavam fracas.

Ambrósi vem descendo a rua se apoiando no cajado. Magra, sua pele negra
cobrindo velhos músculos, agora já fracos, seus ossos finos e longos que faziam dela uma mulher alta. Seus olhos encovados, mas tremendamente
brilhantes, ariscos, mais pareciam os olhos de uma coruja brilhando no escuro. Ela descia a rua e as crianças iam gritando atrás dela: olha a velha bruxa, olha a velha bruxa...

Ela era filha de escravos... quando criança, nasceu escrava... mas logo aconteceu a lei Áurea e sua mãe a levou embora para longe da escravidão.
Ambrósia aprendeu a fazer seu próprio fogão com barro e água, sua cerca com estacas de madeira, galhos velhos, sua cama, com lençóis brancos feitos de sacos.. sua mãe a tinha ensinado, cozer os sacos, lavar ao sol até que ficassem brancos... sua mãe a tinha ensinado tanta coisa...

Ela era feliz com suas cabras que viviam no seu cercado, julgava-se rica, tinha leite, fazia seus pães no seu forno de barro... e todos da vizinhança sempre jhe davam mantimentos em troca de suas benzeduras.

Era pessoa importante na cidade, até o filho do prefeito vinha se benzer com Ambrósia... Umas ervas no seu caldeirão sempre em cima do fogão de lenha e ela fechava os olhos e ia falando umas palavras estranhas, suspirava, tossia, piscava, seus olhos ficavam brancos, virados, as crianças quase morriam de medo destas cenas, mas... enfim ela respirava fundo e dizia: seu mal já foi retirado em nome da terra, do fogo, da água e do ar... tome 3 goles e pode ir... e lá iam os goles de uma bebida nem sempre saborosa!

As pessoas realmente se curavam com suas ervas, seus benzimentos. Enquanto benzia... As cabras ora berravam, ora ficavam tão quietinhas que se pensava que nem estavam ali; ela conversava com as cabras quando faziam barulho, e me parecia que as cabras contavam para ela o que as pessoas tinham porque ela perguntava e a cabra dava um béééé... Era bom de se ver isto, tinha gente que ia lá só para ver ela conversar com as cabras... Cada uma tinha um nome e quando ela ia sair... Recomendava funções para cada uma...

Ambrósia certa vez ganhou uma casa de um homem que teve seu rim curado,
mas não teve coragem de deixar seu "barraco" como ela o chamava... e depois, ela dizia: ... "E se as meninas não se acostumarem com a nova casa? É tão perto da cidade e elas não gostam de barulho. É melhor vosmecê dar esta casa para outra pessoa que tenha ambição... eu e as meninas não vamos aproveitar tanto luxo... mas mesmo assim, que seja abençoado".

Sentava em seu banco tosco ao pé do fogão esperando os bolinhos de amendoim e polvilho e "pitava" seu velho cachimbo com uma expressão de
prazer e tranqüilidade...

Ali, serenamente eu esperava pelos bolinhos e ficava tentando decifrar aquela velha negra e seu cachimbo, às vezes vinha em minha mente os gritos de meus amigos... Bruxa, Bruxa, bruxa.... Ah não... Ela mais parecia uma mãe velha e sábia, me sentia totalmente protegida por esta velha... E ela gostava de mim, uma menina ruiva, xereta, que a perseguia por todo canto... Minha mãe já tinha falado a ela que me mandasse embora quando a amolasse... Mas quando eu chegava, ela dizia:...É você, menina? E eu às vezes via brilho nos olhos daquela velha me contando suas histórias, como foram valiosas para mim estas historias...
Ambrósia era uma bruxa? De que tradição... Ela seria... Ela era de fato uma bruxa... Absolutamente livre e profundamente feliz consigo mesma e com as pessoas. Isto é bruxaria...

¹Microcosmo significa 'pequeno mundo', nós somos o microcosmo ou seja nosso organismo seria uma miniatura do universo.
²Macrocosmo significa 'grande mundo', o Universo é esse grande mundo que
reflete em nós.

Fonte: sobrenatural

[Imagem: Picasso, Demoiselles]

Posted by Lilia at 03:05 PM | Comments (0)

Amigas...

Martha Medeiros

amigas-paulgauguin-la-siesta.jpg Sentei em uma varanda, em um dia de verão, bebendo chá gelado enquanto visitava minha mãe.
"Nunca esqueça de suas amigas" ela falou, mexendo nos cubos de gelo em seu copo. "Não importa o quanto você ame o seu marido, você ainda precisará de suas amigas.. Lembre-se de ir a lugares, sair e fazer coisas com elas, hoje e sempre. E lembre-se que amigas também são as irmãs, filhas, primas e outras parentes que você tenha." Que conselho estranho, pensei. Eu não tinha acabado de me casar? Eu não havia acabado de entrar no "mundo dos casais?"

Eu era uma mulher casada agora, meu Deus, não somente uma garotinha que precisasse de amigas. Mas mesmo assim escutei à minha mãe, mantive contato com minhas amigas, e fiz novas amizades ao longo do caminho.
Conforme os anos passavam, um após o outro, gradualmente comecei a entender o que minha mãe quis dizer naquele dia.
Aqui está o que eu aprendi sobre as Amigas:
Amigas trazem comida e ajudam a limpar o banheiro quando você precisa de ajuda.
Amigas cuidam de seus filhos e de seus segredos.
Amigas lhe dão conselhos quando você os pede.
Às vezes você escuta, às vezes não.
Amigas nem sempre lhe dizem o que você quer, mas são honestas no que dizem.
Amigas amam você e ficam ao seu lado, mesmo quando não concordam com suas escolhas.
Amigas riem com você, mesmo quando não há motivo aparente.
Amigas te ajudam a sair de confusões.
Amigas fazem festa para a sua filha ou filho quando eles se casam ou ficam grávidos, mesmo que não aconteça necessariamente nesta ordem.
Amigas estão sempre ao seu lado quando tempos difíceis chegam.
Amigas escutam você lamentar quando perde um emprego ou um amigo.
Amigas escutam quando seus filhos a magoam.
Amigas escutam quando seus pais ficam doentes.
Amigas choram com você quando alguém que você ama morre.
Filhas, irmãs, família e amigas abençoam a minha vida.
E a vocês minhas A M I G A S o meu MUITO OBRIGADA!!!!!
E o desejo de que fiquem para sempre em minha vida!!!

[Imagem: Paul Gauguin, La Siesta]

Posted by Lilia at 02:52 PM | Comments (0)

O AMOR NO TERCEIRO MILÊNIO

Flávio Gikovate

amores-dali-salvador-medative-rose.jpg Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início desde milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.

O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.

A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossas felicidades, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características para se amalgamar ao projeto masculino. A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.

A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso - o que é muito diferente.

Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa alguma. É apenas um companheiro de viagem.

O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando para se adaptar ao mundo que fabricou. Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria, ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.

A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.

Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro. Ao perceber isso, ele se toma menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.

O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado. Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo...

"A pior solidão é aquela que se sente quando acompanhado"

[Imagem: Salvador Dali, Meditative Rose]


Posted by Lilia at 02:32 PM | Comments (0)

Como estragar um grande amor

Marina Gold

estragaramor-marc-chagal-lovers-and-flowers.jpg "Como você quiser, benzinho!" A partir da repetição de frases como essa, começam a se desmanchar grandes amores que, no início, teriam deixado os envolvidos em absoluto estado de encanto, quando o coração bateu forte, as pernas tremeram, a garganta secou e a felicidade pareceu ter se instalado para sempre.

A vinda de um amor é como um reencontro e produz a sensação de se reconhecer algo muito distante e, ao mesmo tempo, muito íntimo. As dificuldades diárias, a convivência irrestrita, a proximidade inevitável, muitas vezes transformam a relação, ou a colocam no nível da vida cotidiana, onde o tempo para sonhar é pequeno. A insegurança de perder o ser amado levam pessoas, às vezes até bastante equilibradas, a aceitarem, sem grandes restrições, tudo o que o companheiro deseja. É o início da manipulação, que ocorre a partir da aceitação de todas as vontades do parceiro. Se essa forma de agir serve para manter a relação, ao mesmo tempo permite que o abuso se instale.

O ser humano é daninho por essência e, em geral, gosta de se aproveitar de situações de domínio e poder. Ninguém sabe bem onde, nem quando, o abuso se instala, embora seja possível afirmar que ele atrapalha a relação tanto quanto a submissão. Ceder sempre acaba por acumular ressentimentos e mágoas. Ser atendido sempre, acaba por minar os interesses e esvaziar a capacidade de luta. Eu mesma, muitas vezes, ouvi confissões chorosas em que a consulente, mostrando-se muito surpresa, argumentava entre lágrimas: "Mas eu fiz tudo o que ele queria, sempre concordei com ele, sempre o ajudei. Adivinhava seus mais profundos pensamentos... Apesar disso tudo, o ingrato me abandonou".

Não foi apesar disso tudo. Antes, foi por causa disso tudo que ele se desinteressou. Uma pessoa que aceita tudo sem nada reivindicar, perde suas referências e se anula, não apresentando condições de amar e ser amada em segurança. O "sim, benzinho" de hoje, poderá ser a solidão de amanhã. O amor só sobrevive se houver diálogo e coragem.

Fonte: esotérico
Marina Gold participa de um consultório on-line no site Ultra Portal

[Imagen: Marc Chagall, lovers and flowers]

Posted by Lilia at 02:22 PM | Comments (0)

A união pode renascer das cinzas graças ao desejo dos amantes

Paulo Sternick

amoreshopper.summer-evening.jpg O amor tem um ciclo que lembra o bonito mito da fênix, o pássaro que se incendeia ao intuir seu próprio fim, e renasce das cinzas em um leito de ervas aromáticas.

Desejo e recesso, envolvimento e indiferença, certezas e dúvidas alternam-se nas relações amorosas. No limite talvez levem à proximidade do rompimento ? e é nesse momento que podem renovar-se.

Os mitos atraem a imaginação porque são narrativas plenas de significações sobre nossas vidas. A fênix seduz a fantasia humana desde tempos imemoriais, simbolizando, entre outras coisas, o desejo saciado que sempre retorna; o desejo que pulsa e não considera obstáculos ? nem sequer as condições físicas.

Por exemplo, pessoas muito idosas podem continuar desejando, como se ainda fossem jovens. Somos uns sem-idade, diria o escritor checo Milan Kundera (74), referindo-se ao tempo nada cronológico de nossas almas. Sentimo-nos mais moços ou mais velhos do que permitiria nosso tempo de vida. E continuamos desejando amores, mesmo quando a convivência com eles já terminou, ou revelou sua impossibilidade, e até mesmo seu fracasso. Assim é o desejo humano: indestrutível.

A Sigmund Freud (1856-1939), o austríaco fundador da Psicanálise, não passou despercebido que a fênix, ao renascer das cinzas, podia simbolizar o órgão sexual masculino. Saciado, ele é capaz de ?rejuvenescer? pouco depois, com toda volúpia.

Aqui, uma questão: por que não a sexualidade das mulheres, também? Do casal? Na poesia amorosa ao longo dos séculos, a fênix geralmente emerge da energia entre os dois amantes.

O dramaturgo e poeta inglês William Shakespeare (1564-1616) escreveu o poema A Fênix e a Tartaruga, lembrando o casal em sua unidade, o ímã que os une. Os versos eternizam a beleza da união dos dois parceiros em seus ciclos de morte e de ressurreição. Celebra o amor que se acalma e renasce.

O outro lado da fábula é a fantasia de que amores impossíveis ou fracassados podem ressurgir como por magia. Aqui, a fênix que tanto nos fascina é a ilusão de um eterno retorno: podemos ser imortais e nossos amores não acabam. Nada disso, no entanto, é real.

Em situações complexas, casais talvez sintam que chegaram ao fundo do poço. Não vêem saída. No entanto, quase em cinzas, ocorre de súbito experimentarem um renascer estimulante do amor. A crise não significou o final e, sim, o início de um novo ciclo, eventualmente movido pelo medo de se perderem. O amor, a um só tempo o anterior e outro, o novo, reviveu. Não houve mágica a mudar o cenário ou a eliminar as tensões do passado. O desejo de ficarem juntos trouxe de volta a atração e o estímulo para salvar o relacionamento: energia e persistência para enfrentar os obstáculos, lidar com o desânimo e o feijão-com-arroz do dia-a-dia.

Até pessoas separadas há muito tempo, mas que evoluíram e cresceram, podem ter uma segunda chance, se atraídas por desejos recíprocos, renascidos. Só se a balança continuar negativa, o mito da fênix não será símbolo de vida, mas de um círculo vicioso de repetição destrutiva, enredando o casal em impasse e desamor.

O forte desejo que ressurgiu foi nostalgia, inspirado na crença de que existe mágica ? impulso dissociado da realidade. O casal que se renova quando sai da crise experimenta a tensão entre o velho e o novo, consciente de que não deve repetir as armadilhas do passado.

Ao mesmo tempo, os parceiros conservam os traços essenciais que os uniram, tanto quanto alguns de seus dilemas. E só serão verdadeiros se conviverem com suas dúvidas, desamores, ódios e indiferenças, que se alternam com desejos, encantamentos recíprocos e certezas de amor eterno. Se tiverem competência de manter os afetos positivos pesando mais do que os negativos, é grande a possibilidade de a fênix renascer das próprias cinzas em um leito de ervas aromáticas.

* Paulo Sternick (54) é psicanalista no Rio de Janeiro e em Teresópolis (RJ), membro da Sociedade Internacional da História da Psiquiatria e da Psicanálise, com sede em Paris (França), e editor da revista Gradiva.

[Imagem: Edward Hopper, Summer Evening]

Posted by Lilia at 02:11 PM | Comments (0)

depressão

DEPRESSÃO (ASPECTOS PSICOLÓGICOS DA ENFERMIDADE SEGUNDO A ABORDAGEM DE ALFRED ADLER).
Antonio araújo

depressao-emma-stanley-dreamer.bmp "A essência máxima da tristeza é uma ficção mental de que alguém poderia ser feliz num projeto estritamente privado" - ALFRED ADLER- PSICÓLOGO.

Nos termos da psiquiatria, a depressão se caracteriza por uma profunda tristeza acompanhada de sentimentos de desamparo e baixa auto-estima. A segurança pessoal do indivíduo fica debilitada, e o mesmo pensa que ninguém é capaz de lhe prover ajuda. Há um comprometimento em quase todas as esferas da existência: emocional, fisiológica, comportamental e social. É comum também a auto-recriminação, sendo que o deprimido se considera uma pessoa insuportável para conviver com os demais semelhantes.

O objetivo deste estudo é enfocar principalmente os aspectos psíquicos da depressão, abstraindo quaisquer considerações orgânicas e químicas acerca da síndrome citada. A depressão bem como o transtorno do pânico se tornaram talvez as principais afecções psicológicas de nossa era. Nenhum outro abalo psíquico consome tanto sofrimento e dispêndio medicamentoso como os acima citados. Se continuarmos nessa linha de raciocínio social, chegaremos a conclusão primeira de que a depressão é o reflexo de nossos tempos pela absoluta falta de investimento social e nos relacionamentos humanos em geral. Nossa vida baseada no egoísmo e individualismo expõe através do sintoma da depressão, a faceta mais cruel de um estilo de vida deturpado e carente de um sentido mais amplo.

Quase todos nós traçamos diariamente um planejamento de satisfação apenas individual, e a depressão insiste em nos revelar que a plena gratificação só se realiza quando estamos profundamente ligados a alguém, sentindo a proximidade, companheirismo e principalmente cooperação. Como o deprimido falhou ou insiste em não vivenciar os sentimentos acima citados, força com que os outros o amparem e lhe estimulem o tempo todo, alegando não ter forças ou vitalidade para a consecução de determinadas tarefas. Essa é a maior armadilha que o deprimido utiliza constantemente, sendo que sua doença serve para manter uma espécie de seguro no qual as pessoas sempre estarão preocupadas com o mesmo, saciando dessa forma não apenas suas carências afetivas, mas, sobretudo seu desejo de poder sobre os demais, embora o depressivo sempre negue tais afirmativas.

Se aprofundarmos nossa ótica psíquica logo descobriremos que a depressão encobre um sofrimento muito mais sério, que é a solidão. O deprimido como dizia o psicólogo ALFRED ADLER, fez uma espécie de "arranjo", sendo que é preferível a tristeza, fadiga, tédio e pobreza psíquica, do que o tormento de sua terrível solidão pessoal e existencial, aliadas ao temor de novas frustrações pessoais caso tente algum novo contato social. Para o deprimido é muito mais cômodo o sofrimento de seus sintomas habituais do que o risco de novas decepções. Buscar ou acreditar numa relação de profunda troca é o mesmo que procurar o "SANTO GRAAL", pois seu profundo temor interno lhe transformou num ser não apenas cético, mas absolutamente intolerante, impaciente e desconfiado no tocante as relações humanas. Nesse ponto podemos fazer uma dura crítica a questão medicamentosa como forma de tratamento dos estados depressivos.

É mais do que óbvio de que determinados quadros de depressão grave requerem o uso de ansiolíticos ou antidepressivos, visando a melhoria da qualidade de vida do paciente. Porém, o uso indiscriminado de medicamentos que assistimos diariamente só encobrem as questões existenciais citadas anteriormente. Há um bom tempo vivemos na sociedade descrita por ALDOUS HUXLEY em seu livro "ADMIRÁVEL MUNDO NOVO", onde uma droga chamada "soma" aliviava todos os conflitos psíquicos. Da ficção para nossa tenebrosa realidade, acompanhamos determinadas pessoas se desacreditarem totalmente de si próprias e de seu potencial, buscando apenas o alívio imediato no uso dos mais variados psicotrópicos. Se essas drogas à venda no mercado servem apenas para mascarar nosso fracasso e medo de nos sensibilizarmos, então ocorreu uma troca de valores, sendo que a própria psicose se torna a saúde, e os métodos de intervenção a essência da doença.

A grande verdade do século XX é que o ser humano não estava habilitado a vivenciar a angústia da solidão. O projeto do individualismo passado pelos meios econômicos e educacionais acarretou um preço exorbitante em termos de saúde psíquica. Qualquer tipo de droga lícita ou não, apenas será menos consumida quando a prioridade absoluta for à relação humana como um todo. Nenhuma ação repressiva será capaz de abafar a insatisfação humana, e parece que essa lição ainda não foi aprendida por qualquer autoridade mundial.

Enfim, a depressão é a representação máxima da despotencialização, é a recusa constante do prosseguir, buscando a fixação num estilo de vida de limitação existencial e rebaixamento emocional, evitando sempre o que seria uma dor maior. O deprimido com o decorrer de seu processo passa a odiar aquilo que talvez seja uma de nossas maiores dádivas: a potência em todos os sentidos. Se há um ponto inalterado na observação psicológica acerca de uns cem anos, é a utilização da enfermidade para a obtenção do privilégio do não enfrentamento das provas diárias de nossas vidas. Sempre é muito mais cômodo reproduzir o caos social em nosso psiquismo, do que criar e trocar com outros aquilo que temos de especial, e infelizmente o que é o "melhor", sempre acaba sendo reprovado na hora da comunhão profunda.

[Imagem: Emma Stanley, Dreamer]


Posted by Lilia at 12:15 PM | Comments (0)

foco

ANTENHA SEU FOCO NAQUILO QUE VOCÊ QUER, JAMAIS NO QUE VOCÊ NÃO QUER - frase de Wayne Dyer

Aldo Novak

foco-tatyana-gorshunova-dreamer.jpg Para sobreviver, o Homo sapiens ganhou um cérebro que funciona, basicamente assim: tudo aquilo que tem a sua atenção, ganha sua força e sua ação... e tende a crescer.

Apesar de parecer uma frase vaga e pouco técnica, ela está correta e precisamos entender o seu real significado em nossas carreiras, nossas empresas, nossa vida pessoal e nosso autocontrole. Leia a frase novamente: tudo aquilo que tem a sua atenção, ganha sua força e sua ação... e tende a crescer.

Este simples mecanismo permitiu a construção da civilização como a conhecemos, incluindo nossos erros e acertos. Por que? Porque nosso cérebro não faz nenhuma distinção entre as coisas que queremos ou que não queremos. Ele somente se concentra em encontrar meios de obtermos aquilo que está em nossa cabeça, mesmo que seja o que não queremos. Por isso Wayne Dyer afirma: "Mantenha seu foco naquilo que você quer, jamais no que você não quer, ou não tem".

Algumas pessoas acham que isso tem elementos esotéricos, paranormais ou de fé religiosa; Não tem. Na verdade é somente biologia darwiniana e matemática pura, pois a mente não tem meios de avaliar a qualidade relativa de cada um dos 50 mil pensamentos gerados diariamente pelos neurônios. Por isso ele, de modo simples e direto, ajuda você à conseguir aquilo em que você pensa. Sempre.

Se você pensa o dia inteiro no dinheiro que não tem, nas dívidas para pagar, nas noites solitárias e nos defeitos das pessoas.... seu cérebro, obedientemente, vai procurar modos de conseguir mais daquilo em que você pensa. Você tenderá a conseguir mais falta de dinheiro, mais dívidas para pagar, mais noites solitárias e encontrará ainda mais defeitos em mais pessoas... Repito, isso não tem mágica envolvida, só biologia.

É impossível explicar neuropsicologia em um texto de oito parágrafos, mas observe se isso não ocorre em todo lugar. Tudo aquilo que tem a sua atenção, ganha sua força e sua ação... e tende a crescer. Sejam pensamentos que ajudam ou atrapalham você.

Embora praticamente todos os livros de sucesso digam isso (com palavras diferentes) o impacto que este conceito pode ter, por aqueles que o entendem e o aplicam, é poderoso, seja dentro da cultura de uma empresa, uma equipe de trabalho, um casamento, um time e até dentro de nossa própria cabeça.

Tudo aquilo que tem a sua atenção, ganha sua força e sua ação... e tende a crescer, por isso, faça como sugere Wayne Dyer: mantenha seu foco naquilo que você quer, jamais no que você não quer, ou não tem.

[Aldo Novak, autor deste artigo, é coach, jornalista e conferencista, diretor da Academia Novak do Brasil.]

[Imagem: Tatyana Gorshunova, Dreamer]

Posted by Lilia at 11:35 AM | Comments (1)

Habilidade de alegrar-se espontaneamente

Bel Cesar

habilidadealegrarse-life-happiness.jpg Você já parou para pensar qual é a origem da alegria? Em geral, dizemos: “o que me dá alegria é...” No entanto, sentir alegria somente a partir de eventos externos é tão difícil como encontrar água e sombra no deserto. A origem da alegria está dentro de nós: em nossa capacidade de abrir-se para senti-la. Podemos sentir a alegria espontânea que surge do bem-estar frente à vida.

Quem já não se pegou com medo de sentir felicidade? Como se não a merecesse? Portanto, não basta sentir a alegria, precisamos também cultivar as condições para expandi-la.

Para expandir a alegria, precisamos educar a mente para romper o hábito de andar para o passado e correr para o futuro. Se nossa mente souber ficar no presente enquanto observa o passado e planeja o futuro, não irá se perder nem se cansar.

No início, precisamos aprender a nos alegrarmos com nossas próprias alegrias: parar de buscá-las em situações externas e reconhecê-las quando ocorrem interiormente. O importante é ter confiança no valor dessa experiência, que vale a pena ser cultivada. Não é perda de tempo! A alegria surge quando não desistimos de nós mesmos.

A alegria espontânea surge quando mostramos apreciação por nós mesmos e por aqueles que amamos. O apreço traz a sensação de proximidade e de conforto.

“Tornamo-nos o que amamos, tornamo-nos o que olhamos: contemplar o Vivo é tornar-se vivo.” Escreve Jean Yves Leloup em A Arte da Atenção (Ed. Versus).

Um dos maiores obstáculos para sentir a alegria espontânea é sentir rancor contra nós mesmos, por estarmos onde estamos e sermos quem somos. Por uma razão ou por outra, quase nunca estamos satisfeitos conosco mesmos. A vida é um contínuo processo de transformação. São raros os momentos em que nos sentimos completos. Por isso, precisamos aprender a sentir alegria até diante da imperfeição.

A alegria de viver com abertura surge da clareza de nossos propósitos. Podemos reconhecer nossos desejos e necessidades como legítimos. Assim, quando fizermos nossas escolhas e assumirmos responsabilidade por elas, já não sentiremos mais necessidade de justificá-las. Isto é, não precisaremos mais nos defender das idéias alheias para nos afirmarmos.

O segredo está em nos mantermos ligados à nossa aspiração sem nos prendermos aos resultados imediatos, nem nos deixarmos levar pelas preocupações que não podemos resolver de imediato.

E por fim, não desistir. Às vezes desistimos no momento mais intenso porque pressentimos que a mudança real irá ocorrer. Então, caímos nas armadilhas do medo do desconhecido. Se isto lhe ocorrer, procure se refrear e recupere seu humor, dizendo para você mesmo: “Ei, pare, você já conhece o caminho de voltar atrás! Desta vez, siga em frente”.

fonte: somostodosum

[Imagem: christoph von toggenburg, Life is Happiness]

Posted by Lilia at 11:01 AM | Comments (0)

O Paradoxo de Nosso Tempo

George Carlin

paradoxotempo-salvador-dali- the-melting-watch.jpg O paradoxo do nosso momento na História é termos prédios mais altos, mas paciência curta; rodovias mais largas, mas pontos de vista mais estreitos; nós gastamos mais, mas possuímos menos; compramos mais, mas aproveitamos menos.

Nós temos casas maiores e famílias menores, mais conveniências e menos tempo; nós temos mais diplomas, mas menos razão; mais especialistas e ainda mais problemas, mais medicina, mas menos bem-estar.

Nós bebemos demais, fumamos demais, gastamos sem critérios, dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV demais e rezamos raramente.

Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores. Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos freqüentemente. Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos.

Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio.

Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores. Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não nosso preconceito; Escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos.

Aprendemos a nos apressar e não, a esperar. Construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos menos.

Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta; do homem grande de caráter pequeno; lucros acentuados e relações vazias. Essa é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados. Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas "mágicas".

Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa.

Uma era que leva essa carta a você, e uma era que te permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar 'delete'.

Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas não estarão por aqui para sempre. Lembre-se dar um abraço carinhoso num amigo, pois
não lhe custa um centavo sequer.

Lembre-se de dizer "eu te amo" à sua companheira (o) e às pessoas que ama, mas, em primeiro lugar, ame... ame muito.

Um beijo e um abraço curam a dor, quando vêm de lá de dentro.

O segredo da vida não é ter tudo que você quer, mas querer tudo que você tem!

Por isso, valorize o que você tem e as pessoas que estão ao seu lado.

fonte: Christian Rocha

[Imagem: Salvador Dali, The Mtlting Watch]

Posted by Lilia at 10:52 AM | Comments (0)

O doido da garrafa

Adriana Falcão

doidogarrafa1.jpg Ele não era mais doido do que as outras pessoas do mundo, mas as outras pessoas do mundo insistiam em dizer que ele era doido.

Depois que se apaixonou por uma garrafa de plástico de se carregar na bicicleta e passou a andar sempre com ela pendurada na cintura, virou o Doido da Garrafa.

O Doido da Garrafa fazia passarinhos de papel como ninguém, mas era especialista mesmo em construir barquinhos com palitos. Batizava cada barco com um nome de mulher e, enquanto estava trabalhando nele, morria de amores pela dona imaginária do nome. Depois ia esquecendo uma por uma, todas elas, com exceção de Olívia, uma nau antiga que levou dezessete dias para ser construída.

Batucava muito bem e vivia inventando, de improviso, músicas especialmente compostas para toda e qualquer finalidade, nos mais variados gêneros. Vai aí aquela da mulher de blusa verde atravessando a rua apressada, e o Doido da Garrafa imediatamente compunha um samba, uma valsa, um rock, um rap, um blues, dependendo da mulher de blusa verde, do atravessando, da rua e do apressada. Geralmente ficava uma obra-prima.

Gostava muito de observar as pessoas na rua, do cheiro de café, de cantar e de ouvir música. Não gostava muito do fato de ter pernas, mas acabou se acostumando com elas. De cabelo ele gostava. Em compensação, tinha verdadeiro horror a multidão, bermudão, tubarão, ladrão, camburão, bajulação, afetação, dança de salão, falta de educação e à palavra bife.

Escrevia cartas para ninguém, umas em prosa, outras em poesia, como mero exercício de estilo.

Tinha mania de dar entrevistas para o vento e já sabia a resposta de qualquer pergunta que porventura alguém pudesse lhe fazer um dia.

Ajudava o dicionário a explicar as coisas inventando palavras necessárias, como dorinfinita.

Adorava álgebra, mas tinha particular antipatia por trigonometria, pois não encontrava nenhum motivo para se pegar pedaços de triângulos e fazer contas tão difíceis com eles.

Conhecia mitologia a fundo.

Tinha angústia matinal, uma depressão no meio da tarde que ele chamava de cinco horas, porque era a hora que ela aparecia, e uma insônia crônica a quem chamava carinhosamente de Proserpina.

Sentia uma paixão azul dentro do peito, desde criança, sempre que olhava o mar e orgulhava-se muito disso.

Acreditava no amor, mas tinha vergonha da frase.

Às vezes falava sozinho, Preferia tristeza à agonia.

Todas as noites, entre oito e dez e meia, era visto andando de um lado para o outro da rua, método que tinha inventado para acabar de vez com a preocupação de fazer a volta de repente, quando achava que já tinha andado o suficiente. (Preferia que ninguém percebesse que ele não tinha para onde ir.) Enquanto andava, repetia dentro da cabeÇa incessantemente a palavra ecumênico sem ter a menor idéia da razão pela qual fazia isso.

Durante o dia o Doido da Garrafa trabalhava numa multinacional, era sujeito bem visto, supervisor de departamento, ganhava um bom salário e gratificações que entregava para a mulher aplicar em fundos de investimento.

No fim do ano ia trocar de carro.

Era excelente chefe de família.

Não era mais doido do que as outras pessoas do mundo, mas sempre que ele passava as outras pessoas do mundo pensavam, lá vai o Doido da Garrafa, e assim se esqueciam das suas próprias garrafas um pouquinho.

Fonte: releituras

[Imagem: Getty Image]

Posted by Lilia at 09:29 AM | Comments (0)

O ELEFANTE ACORRENTADO

Prof. Damásio de Jesus

elefanteacorrentado.jpg -Você já observou elefante no circo?
Durante o espetáculo, o enorme animal faz demonstrações de força descomunais.
Mas, antes de entrar em cena, permanece preso, quieto, contido somente por uma corrente que aprisiona uma de suas patas a uma pequena estaca cravada no solo. A estaca é só um pequeno pedaço de madeira. E, ainda que a corrente fosse grossa, parece óbvio que ele, capaz de derrubar uma árvore com sua própria força, poderia, com facilidade, arrancá-la do solo e fugir. Que mistério!!!
-Por que o elefante não foge?
Perguntei a um amestrador e ele me explicou que o elefante não escapa porque está amestrado. Fiz então a pergunta óbvia:
-Se está amestrado, por que o prendem?
Não houve resposta! Há alguns anos descobri que, por sorte minha, alguém havia sido bastante sábio para encontrar a resposta: o elefante do circo não escapa porque foi preso à estaca ainda muito pequeno.
Fechei os olhos e imaginei o pequeno recém-nascido preso: naquele momento, o elefantinho puxou, forçou, tentando se soltar. E, apesar de todo o esforço, não pôde sair. A estaca era muito pesada para ele. E o elefantinho tentava, tentava e nada.
Até que um dia, cansado, aceitou o seu destino: ficar amarrado na estaca, balançando o corpo de lá para cá, eternamente, esperando a hora de entrar no espetáculo.
Então, aquele elefante enorme não se solta porque acredita que não pode.
Jamais, jamais voltou a colocar à prova sua força.
Isso muitas vezes acontece conosco! Vivemos acreditando em um montão de coisas "que não podemos ter", "que não podemos ser", "que não vamos conseguir", simplesmente porque, quando éramos crianças e inexperientes, algo não deu certo ou ouvimos tantos "nãos" que "a corrente da estaca" ficou gravada na nossa memória com tanta força que perdemos a criatividade e aceitamos o "sempre foi assim".
De vez em quando sentimos as correntes e confirmamos o estigma: "não posso", "é muita terra para o meu caminhãozinho", "nunca poderei", "é muito grande para mim!"
A única maneira de tentar de novo é não ter medo de enfrentar as barreiras, colocar muita coragem no coração e não ter receio de arrebentar as correntes!
Vá em frente!!!

[Imagem: Elephant gallery]

Posted by Lilia at 09:26 AM | Comments (0)

As Carícias e o Iluminado

José Ângelo Gaiarsa

cariciailuminado.jpg Chega de viver entre o medo e a Raiva! Se não aprendermos a viver de outro modo, poderemos acabar com a nossa espécie.
É preciso começar a trocar carícias, a proporcionar prazer, a fazer com o outro todas as coisas boas que a gente tem vontade de fazer e não faz, porque "não fica bem" mostrar bons sentimentos! No nosso mundo negociante e competitivo, mostrar amor é... um mau negócio. O outro vai aproveitar, explorar, cobrar... Chega de negociar com sentimentos e sensações. Negócio é de coisas e de dinheiro- e pronto! O pesquisador B. Skinner mostrou por A mais B que só são estáveis os condicionamentos recompensados; aqueles baseado na dor precisam ser reforçados sempre senão desaparecem. Vamos nos reforçar positivamente. É o jeito - o único jeito - de começarmos um novo tipo de convívio social, uma nova estrutura, um mundo melhor.
Freud ajudou a atrapalhar mostrando o quanto nós escondemos de ruim; mas é fácil ver que nós escondemos também tudo que é bom em nós, a ternura, o encantamento, o agrado em ver, em acariciar, em cooperar, a gentileza, a alegria, o romantismo, a poesia, sobretudo o brincar - com o outro. Tudo tem que ser sério, respeitável, comedido - fúnebre, chato, restritivo, contido...
Há mais pontos sensíveis em nosso corpo do que as estrelas num céu invernal.
"Desejo", do latim de-sid-erio, provém da raiz "sid", da língua zenda, significando ESTRELA, como se vê em sideral, relativo às estrelas.
Seguir o desejo é seguir a estrela - estar orientado, saber para onde vai, conhecer a direção...
"Gente é para brilhar", diz mestre Caetano.
Gente é, demonstravelmente, a maior maravilha, o maior playground e a mais complexa máquina neuromecânica do Universo conhecido. Diz o Psicanalista que todos nós sofremos de mania de grandeza, de onipotência.
A mim parece que sofremos de mania de pequenez.
Qual o homem que se assume em toda a sua grandeza natural? "Quem sou eu primo..."Em vez de admirar, nós invejamos - por não termos coragem de fazer o que a nossa estrela determina.
O Medo - eis o inimigo.
O medo, principalmente do outro, que observa atentamente tudo o que fazemos - sempre pronto a criticar, a condenar, a pôr restrições - porque fazemos diferente dele.
Só por isso. Nossa diferença diz para ele que sua mesmice não é necessária. Que ele também pode tentar se livre - seguindo sua estrela. Que sua prisão não tem paredes de pedra, nem correntes de ferro. Como a de Branca de Neve, sua prisão é de cristal - invisível. Só existe na sua cabeça. Mas sua cabeça contém - é preciso que se diga - todos os outros que, de dentro dele, o observam, criticam, comentam - às vezes até elogiam!
Por que vivemos fazendo isso uns com os outros - vigiando-nos e obrigando-nos - todos contra todos - a ficar bonzinhos dentro das regrinhas do bem-comportado - pequenos, pequenos. Sofremos de megalomania porque no palco social obrigamo-nos a ser, todos, anões. Ai de quem se sobressai, fazendo de repente o que lhe deu na cabeça. Fogueira para ele! Ou você pensa que a fogueira só existiu na Idade Média?
Nós nos obrigamos a ser - todos - pequenos, insignificantes, inaparentes, "normais"- normopatas diz melhor; oligopatas - apesar do grego- melhor ainda. Oligotímicos - sentimentos pequenos - é o ideal...
Quem é o iluminado?
No seu tempo, é sempre um louco delirante que faz tudo diferente de todos. Ele sofre, principalmente, de um alto senso de dignidade humana - o que o torna insuportável para todos os próximos, que são indignos.
Ele sofre, depois, de uma completa cegueira em relação à "realidade"(convencional), que ele não respeita nem um pouco. Ama desbragadamente - o sem vergonha. Comporta-se como se as pessoas merecessem confiança, como se todos fossem bons, como se toda criatura fosse amável, linda, admirável.
Assim ele vai deixando um rastro de luz por onde quer que passe.
Porque se encanta, porque se apaixona, porque abraça com calor e com amor, porque sorri e é feliz.
Como pode, esse louco?
Como pode estar - e viver! - sempre tão fora da realidade - que é sombria, ameaçadora; como ignorar que os outros - sempre os outros - são desconfiados, desonestos, mesquinhos, exploradores, prepotentes, fingidos, traiçoeiros, hipócritas...
Ah! Os outros...
(Fossem todos como eu, tão bem-comportados, tão educados, tão finos de sentimentos...) O que não se compreende é como há tanta maldade num mundo feito somente de gente que se considera tão boa. Deveras, não se compreende.
Menos ainda se compreende que de tantas famílias perfeitas - a família de cada um é sempre ótima - acabe acontecendo um mundo tão infernalmente péssimo.
Ah! Os outros... Se eles não fossem tão maus - como seria bom...
Proponho um tema para meditação profunda; é a lição mais fundamental de toda a Psicologia Dinâmica:
Só sabemos fazer o que foi feito conosco.
Só conseguimos tratar bem os demais se fomos bem tratados.
Só sabemos nos tratar bem se fomos bem tratados.
Se só fomos ignorados, só sabemos ignorar.
Se só fomos odiados, só sabemos odiar.
Se fomos maltratados, só sabemos maltratar.
Não há como fugir desta engrenagem de aço: ninguém é feliz sozinho.
Ou o mundo melhora para todos ou ele acaba.
Amar o próximo não é mais idealismo "místico"de alguns.
Ou aprendemos a nos acariciar ou liquidaremos com a nossa espécie.
Ou aprendemos a nos tratar bem - a nos acariciar - ou nos destruiremos.
Carícias - a própria palavra é bonita.
Carícias ... Olhar de encantamento descobrindo a divindade do outro - meu espelho!
Carícias... Envolvência ( quem não se envolve não se desenvolve...), ondulações, admiração, felicidade, alegria em nós - eu e os outros.
Energia poderosa na ação comum, na co-operação. Na co-munhão.
Só a União faz a força - sinto muito, mas as verdades banais de todos os tempos são verdadeiras - e seria bom se a gente tentasse FAZER o que essas verdades nos sugerem, em vez de críticos e céticos e pessimistas, encolhermos os ombros e deixarmos que a espécie continue, cega, caminhando em velocidade uniformemente acelerada para o Buraco Negro da aniquilação.
Nunca se pôde dizer, como hoje: ou nos salvamos - todos juntos - o nos danamos - todos juntos.

Fonte: AgenciaPar

[Imagem: Doug Hyde, Cold hands Warm Heart]

Posted by Lilia at 09:23 AM | Comments (0)

Poder pessoal: assumindo o seu destino.

Jael Coaracy
poderpessoal-henrimatisse-chute-dicare.bmp
Quando você deixa de atribuir a algo ou alguém a responsabilidade pelo modo como se sente, está tomando posse do seu poder pessoal.

De modo geral, associa-se a idéia de poder à habilidade que alguém tem de influir sobre as ações de outras pessoas. Ou ainda, à capacidade de determinar a forma como algo deve ser ou acontecer.

O poder que é exercido externamente, seja levando exércitos para a guerra, seja manipulando (a) parceiro(a) no relacionamento amoroso, é frágil e revela a vulnerabilidade de seu titular. Está sujeito às circunstâncias externas e pode ser perdido a qualquer momento.

O poder pessoal, entretanto, supera obstáculos e não conhece limites, pois se fundamenta no potencial ilimitado que existe dentro de cada um de nós. É o único que não se pode perder e é adquirido através do esforço próprio e é vivenciado internamente.

Enquanto o poder que atua sobre os outros tem medo de ser destituído, o poder pessoal cresce na proporção direta do desenvolvimento do nível de consciência individual.

O que determina se uma pessoa tem ou não poder pessoal não é algo que lhe é conferido por alguém ou alguma situação externa. A chave deste poder sobre si mesmo (a), infinitamente maior do que a ilusão de qualquer outro, está no autoconhecimento.

É o resultado de um processo de reconhecimento de que se é responsável pelas próprias escolhas.

O poder pessoal permite o acesso aos recursos internos e às ferramentas necessárias para superar dificuldades. Ele implica no alinhamento de valores e crenças, na capacidade de formular objetivos definidos e de seguir um plano de ação, passo a passo, na direção de sua realização.

Alguém com poder pessoal não espera que outra pessoa corresponda às suas expectativas, nem coloca a responsabilidade sobre seu bem estar nas mãos de quem quer que seja. É capaz de exercer a sua capacidade de escolha diante dos acontecimentos e decide que atitude tomar diante de cada circunstância.

Ter poder pessoal significa não entregar a ninguém mais, ou a nenhum acontecimento a capacidade de influenciar seu comportamento.

Quando você deixa de atribuir a algo ou alguém a responsabilidade pelo modo como se sente, está tomando posse do seu poder pessoal.

Reconhece o fato de que não é possível controlar nada fora de você, mas que ao escolher a sua atitude diante do que lhe acontece, exerce controle sobre seu estado físico, mental, emocional e espiritual.

Se alguém o (a) trata mal, faz algo indevido ou decide romper um relacionamento com você, o poder pessoal não permitirá que isso arruíne o seu bem estar ou torne a sua vida uma calamidade.

Ter poder pessoal é viver a vida sem buscar a aceitação ou aprovação das outras pessoas. É escolher a verdade, o equilíbrio e a coerência como uma expressão natural do ser.

Significa ter as rédeas da sua vida nas próprias mãos como resultado da atenção, do esforço e da responsabilidade pelo seu destino.

Em vez de se deixar intimidar ou influenciar pelas crenças de outras pessoas, aprende-se a confiar na própria experiência, checando as informações que lhe chegam sem preconceitos, mas sem idealização, expectativa ou ilusões.

Assim, ao perceber o que funciona na sua vida, a expectativa das outras pessoas em relação a você deixa de ter importância.

Mais do que se preocupar com o que os outros pensam ou falam, sua atenção se volta para a sua verdade interior e para os desejos do seu coração.

Manter a coerência interna e a fidelidade aos próprios ideais é uma forma de alimentar o poder pessoal. Significa ter a capacidade de separar o que é seu do que é do outro. De manter a clareza sobre seus valores e agir alinhado (a) com eles.

E ao deixar de procurar no mundo externo o que se encontra dentro de si mesmo(a), você adquire a capacidade de transformaro que não está funcionando na sua vida.

Passa a atrair, naturalmente, a admiração, o respeito e a confiança dos que estão à sua volta. Pessoas que recebem a energia positiva e saudável que é irradiada de quem vive de acordo com as próprias escolhas, exercendo com confiança seu poder pessoal.

Fonte: vaidarcerto

[Imagem: Henri Matisse, Chute d'Iicare]

Posted by Lilia at 09:18 AM | Comments (0)

O tempo faz com que as injustiças sejam reparadas...

tempoinjusticas.jpg e tenha certeza do que eu digo!

Não fique se sentindo mal, ou infeliz, ou incrivelmente mal tratado(a) e mal interpretado(a) porque alguém lhe disse algo, ou deixou de fazer alguma coisa por você, por não confiar na sua palavra ou por não acreditar no seu sonho, ou por simplesmente achar você "inferior" intelectualmente e desprezar suas idéias, projetos ou sonhos.

As pessoas que nos rodeiam não têm a menor obrigação de acreditar em você quando nem você mesmo tem a convicção necessária para se convencer disso!

A maior injustiça cometida com você é você mesmo não confiar nos seus sonhos de tal forma que precise da aprovação de outro pra que eles tomem forma!

Quando você toma atitude, age e coloca em ação as palavras que antes não saiam do papel, o universo conspira a seu favor e as coisas dão certo!
Aliás, o universo sempre conspira a seu favor; se você estiver mal e depressivo, o univeso conspirará a seu favor também, fazendo com que tudo que o rodeia fique da forma como você quer: cinza. O univeso responde ao seu estado de espirito sempre, ele nunca irá contra você!

Quando você se colocar em movimento e agir, o universo lhe acompanhará, e as pessoas que antes olhavam você com desprezo e não enxergavam o seu potencial, poderão ver o quanto perderam por não acreditar em você.

Então acredite em você agora e mude sua vida.
Você não precisa de outras pessoas que não seja você mesmo para que essa mudança aconteça.
Confie em você e nos seus sonhos.
Seja coerente, elimine os exageros e vá em frente!
Estou torcendo por você, pois tenho certeza de que lá na frente nos encontraremos no Hall dos vencedores!
Roberta Fioravante

p.s não consegui encontrar a fonte desse texto. se alguém souber, por favor entrar em contato.
[Imagem: GettyImage]

Posted by Lilia at 09:14 AM | Comments (0)

História dos Sentimentos

todossentimentos.bmp Os Sentimentos Humanos certo dia reuniram-se para brincar. Depois que o Tédio bocejou três vezes por que a Indecisão não chegava a conclusão nenhuma e a Desconfiança estava tomando conta, a Loucura propôs que brincassem de esconde-esconde. A Curiosidade quis saber todos os detalhes do jogo, e a Intriga começou a cochichar com os outros que certamente alguém ali iria trapacear.

O Entusiasmo saltou de contentamento e convenceu a Dúvida e a Apatia, ainda sentadas num canto, a entrarem no jogo. A Verdade achou que isso de esconder não estava com nada, a Arrogância fez cara de desdém pois a idéia não tinha sido dela, e o Medo preferiu não se arriscar: "Ah, gente, vamos deixar tudo como está", e como sempre perdeu a oportunidade de ser feliz.

A primeira a se esconder foi a Preguiça, deixando-se cair no chão atrás de uma pedra, ali mesmo onde estava. O Otimismo escondeu-se no arco-íris, e a Inveja se ocultou junto com a Hipocrisia, que sorrindo fingidamente atrás de uma árvore estava odiando tudo aquilo.

A Generosidade quase não conseguia se esconder porque era grande e ainda queria abrigar meio mundo, a Culpa ficou paralisada pois já estava mais do que escondida em si mesma,a Sensualidade se estendeu ao sol num lugar bonito e secreto para saborear o que a vida lhe oferecia, porque não era nem boba nem fingida; o Egoísmo achou um lugar perfeito onde não cabia ninguém mais.

A Mentira disse para a Inocência que ia se esconder no fundo do oceano, onde a inocente acabou afogada, a Paixão meteu-se na cratera de um vulcão ativo, e o Esquecimento já nem sabia o que estavam fazendo ali.

Depois de contar até 99 a Loucura começou a procurar. Achou um, achou outro, mas ao remexer num arbusto espesso ouviu um gemido: era o Amor, com os olhos furados pelos espinhos.

A Loucura o tomou pelo braço e seguiu com ele, espalhando a beleza pelo mundo, desde então o Amor é cego e a Loucura o acompanha.

Juntos fazem a vida valer a pena - mas isso não é coisa para os medrosos nem os apáticos, que perdem a felicidade no matagal dos preconceitos, onde rosnam os deuses melancólicos da acomodação.

p.s. a autoria deste texto é polêmica. eu recebi como sendo um texto da terapeuta Martha Herzberg adaptado por Lya Luft. pesquisando achei blogs falando que o autor é desconhecido e foi enviado por Martha à Lya.

Posted by Lilia at 08:54 AM | Comments (0)

A Escada do Desejo e do Medo

Jean-Yves Leloup

escadadesejomedo-antonio-peticov.jpg É bom lembrar que o homem evolui através do desejo e do medo. Não há medo sem um desejo escondido e não há desejo que não traga consigo um medo. O desejo e o medo estão ligados. Temos medo do que desejamos e desejamos o que nos faz medo.

Na evolução de um ser humano, o medo não superado, o desejo bloqueado, vão gerar patologias. O medo superado, o desejo não bloqueado vão permitir a evolução. É o que Freud chama o jogo de Eros e Tanatos, do amor e da morte, o impulso de vida e o impulso de morte. Poderíamos dizer, em outra linguagem, que há em nós um desejo de plenitude, de Pleroma e o medo da destruição. E nossa vida evolui assim, através do nosso desejo de plenitude e o nosso medo de destruição.

Proponho a vocês uma escala, uma representação, uma imagem, e nós vamos tentar identificar as diferentes etapas do nosso medo e do nosso desejo, a fim de situar o medo de Jonas e situar o que na psicologia humanista chamamos o Complexo de Jonas.

Na primeira etapa, a partir do momento em que nascemos, temos um impulso de vida, o desejo de viver, e ao mesmo tempo em que há o medo de morrer. O desejo e o medo nascem juntos e, desde que o homem nasce, ele é bastante velho para morrer. Portanto a vida e a morte estão juntas.

Se este medo de morrer é superado, a criança vai procurar um lugar de identificação, um lugar de plenitude. E vem o desejo da mãe. De se fazer uno com a mãe. A mãe é o seu mundo, é o seu corpo. Ao mesmo tempo em que nasce o desejo de unidade com a mãe, este desejo de plenitude, nasce o medo da separação da mãe.

Mas para crescer, a criança deve se separar de sua mãe. Se ela não se separar de sua mãe, ficará sempre uma criança, não se diferenciará. E todo o papel de uma boa mãe é não apenas fazer sair a criança de seu ventre, mas fazê-la ir além de seu desejo. Fazê-la sair deste mundo que lhe é próprio, a fim de que ela possa atingir um outro mundo, particular a ela.

Ocorre então o medo da separação. E este medo da separação se somatiza no adulto, algumas vezes por regressões, através do álcool e da droga. Como uma maneira de se dissolver, uma maneira de reabsorver a dualidade através da bebida e da droga. É uma regressão. Veremos que é preciso superar a dualidade, mas a superação desta dualidade não é a sua dissolução, é a sua integração, uma passagem para ir mais longe.

Certas vezes, alguns dentre nós têm medo de evoluir, têm medo da solidão, têm medo da separação da mãe e do seu meio. Utilizam produtos ou técnicas para regredirem à mãe e não irem mais longe.

A criança, que supera o medo da separação de sua mãe, vai procurar um novo lugar de identificação. Ela vai descobrir o seu próprio corpo como sendo diferente do corpo de sua mãe. É uma etapa importante. Mas ao mesmo tempo em que descobre seu corpo com prazer, ao mesmo tempo em que brinca com todos os seus membros, em que sente o desejo do corpo, a criança sente medo da decomposição. Este medo situa-se na fase anal. No momento em que, através do seu cocô, a criança tem a impressão de que seu corpo se decompõe. Nessa fase, toda a educação é fazê-la ter consciência de que ela é seu corpo, mas não é somente este corpo. É freqüente a observação de crianças que gritam à noite, quando fazem cocô, necessitando serem tranqüilizadas. Se a criança superar este medo da decomposição, ela vai descobrir que é maior que seu próprio corpo.

Na idade adulta podem persistir um certo número de fixações. Da mesma forma em que no estágio precedente a criança buscava a unidade através da fase oral, nesta fase ela vai buscara a unidade através da posse, do poder. Possuir a matéria. A palavra "possedere", em latim, quer dizer "sentar- se em cima", possuir. Corresponde, em Freud, ao estágio sádico-anal, um modo de tratar o outro como uma coisa, como uma matéria. Nessas pessoas que buscam, freqüentemente, a posse e o poder, esconde-se um grande medo da decomposição, um dedo da doença, um medo de tudo o que desfigure o corpo.

Se a criança é capaz de assumir este medo e de ultrapassá-lo, ela vai procurar um outro lugar de identificação. Ela vai entrar no desejo de unidade com outro sexo. É a fase edipiana. O homem e a mulher descobrem suas diferenças sexuais e, ao mesmo tempo em que há esta busca de unidade através da sexualidade, vem o medo da castração. O medo de perder este poder, dentro de uma relação com um outro que é diferente dele.

E alguns podem ficar fixados nesta etapa de evolução. Aqueles que buscam, por exemplo, a unidade, a felicidade, unicamente através de sua genitália. Ou ainda, aqueles que têm medo de viver esta relação, o que pode levar às situações de impotência e frigidez.

Se o homem e a mulher se descobrem sexuados, mas não sendo apenas isso, de novo vão poder crescer. Ocorrerá o desejo de corresponderem à imagem que seus pais têm deles. Na psicologia freudiana, este desejo é chamado Imago parental ou Persona. E, ao mesmo tempo em que aparece o desejo de corresponder a esta imagem, surge o medo de não corresponder a ela.

Existem adultos que vivem ainda com este medo de não corresponder à imagem que seus pais tiveram delas. Eles não vivem seus próprios desejos, mas o desejo de suas mães ou o desejo de seus pais. Aí entra o trabalho da análise - descobrir qual é o meu próprio desejo e diferenciá-lo daquele do meu pai ou da minha mãe. Isto não quer dizer rejeitá-los, mesmo que dê margem a alguns conflitos. É por esta razão que o conflito entre adolescentes e seus pais é tão importante. É o momento em que o filho adolescente experimenta diferenciar o seu desejo do desejo de seus pais. Quando ele procura descobrir sua própria palavra, diferente da palavra de seus pais. E se ele é capaz de superar este medo, o medo de não agradar a seus pais, o medo de ser rejeitado ou julgado por eles, ele então vai crescer no sentido de sua autonomia.

Surge o despertar para um novo desejo de unidade, o da identidade dele mesmo. É nesta fase que aparece o desejo de corresponder à imagem do "homem de bem" e da "mulher de bem", tal como considerado em nossa sociedade. Não é mais somente a Imago parental, mas sim a Imago social. Ao mesmo tempo em que ele tem o desejo de corresponder a esta imagem social, nasce o medo de ser rejeitado pela sociedade. O medo de não ser como os outros, o medo de não parecer conforme o que é considerado "bem" dentro dos padrões sociais esperados.

O medo de não parecer semelhante é um medo muito profundo, que nós vamos ver com mais detalhes em Jonas. O medo do ostracismo, o medo de ser rejeitado pelo seu grupo, o medo de ser rejeitado pela sociedade. Aí o homem se encontra num conflito interior difícil, porque o seu desejo interior impele-o à ação, a dizer palavras que são às vezes consideradas como loucas pela sociedade. Ele tem medo de estar louco. Ele tem medo de ser anormal. Mas se ele é capaz de superar este medo, se é capaz de aceitar que os outros não o compreendam, se é capaz de assumir a rejeição do seu meio, ele vai crescer no sentido da sua autonomia. O que motiva a sua ação não é o que pensam os seus pais, não são os seus impulsos anais ou genitais, não são as suas imagens sociais, mas é sua própria voz interior.

E ele chega a um nível de evolução bem elevado, que é uma liberdade em relação ao mundo do Id (na tipologia freudiana do termo) e livre, mas também, em relação ao mundo do Superego. Livre das expectativas geradas pelos pais, no que concerne à sua vontade, seus desejos, suas palavras.

Mas ao mesmo tempo que nasce este desejo de autonomia, esta experiência de liberdade, há também o medo de perder esta autonomia, de perder o Ego, o Eu que está em sua pele, o Eu bem diferenciado do seu meio, dos seus pais e de seus impulsos. É o momento em que o Eu se sente ameaçado pelo Self. É preciso um grande trabalho para atingirmos o Eu autônomo, para se diferenciar da mãe, da sociedade, do meio.

Neste momento, uma voz interior recoloca tudo isto em questão. Entra- se no desejo do Self e do medo de perder o Ego. O Ego ou eu é uma abertura do ser humano a toda a sua potencialidade e o Self é esta realidade transcendental, que relativiza a beleza desta autonomia e que nos revela que há um Eu maior que o eu, que há um Eu mais inteligente que o eu, que há um Eu mais amoroso que o eu.

Mas para ter acesso a este Eu mais elevado deve-se soltar as rédeas deste Eu. E passamos a uma etapa superior, que é a de entrarmos no desejo de nos fazermos um, com aquele que chamamos Deus. Esta imagem de um Deus bom, de um Deus justo, que é a projeção, no Absoluto, das mais elevadas qualidades humanas. Diante de determinadas situações, Deus não se mostra justo como a idéia que nós temos da justiça. Ele não se mostra bom como a idéia que temos da bondade. Ele não é amor como a idéia que temos do amor. Ele não é luz como a idéia que temos da luz.

Surge, então, um medo que os místicos conhecem bem, o medo de perder Deus. Sua imagem de Absoluto, sua representação de Absoluto. Passa- se pela experiência do vazio e esta experiência do vazio é a condição para ir a este país onde não há desejo nem medo. Não é o desejo de alguma coisa em particular nem o medo de alguma coisa em particular.

Nossa vida passa sobre esta escada. Não paramos de subir e descer. Seria interessante verificar quais são as fixações, quais são os nós, porque o terapeuta, na escuta daquele a quem acompanha, deverá voltar ao ponto onde houve um bloqueio. E, para reconhecer o ponto onde houve esta parada, este bloqueio, é suficiente interrogar onde está o medo.

Será o nosso medo, simplesmente, o medo de viver, o medo de existir? Quando nos sentimos demais na existência? Então podemos encontrar em nós mesmo o não-desejo de nossos pais. Descobrimos que não fomos queridos na nossa existência. É preciso passar pela aceitação deste não-desejo para descobrir, além do não-desejo de nossos pais, o desejo da vida que, em certos momentos, nos fez existir.

Nosso medo poderá ser o medo da separação. É interessante observar o modo como as pessoas morrem. O medo da morte é diferente para cada um. Para alguns é realmente o medo da decomposição, do sofrimento, da doença. Para outros é o medo da separação, de serem cortados daqueles que lhes são mais caros.

Assim nosso medo se enraíza em momentos muito particulares das nossa existência, e escutar o nosso medo nos permite entrar em contato com esse momento. O terapeuta está ali para nos ensinar a não termos medo do medo, mas a fazer dele um instrumento para nossa evolução, descobrindo o desejo de viver que se esconde atrás deste medo, e que vai nos permitir ir mais longe.

Nosso medo pode estar, também, ao nível da sexualidade. O medo do outro sexo. Este medo foi bem estudado por Freud. Não é suficiente superarmos o medo a este nível para atingirmos o nível seguinte. Ter uma sexualidade normal, estar bem adaptado à sociedade, o que é, na maioria das vezes, um critério de saúde, em outra antropologia não é, obrigatoriamente, um critério de saúde. Estar bem adaptado a uma sociedade doente não é, necessariamente, um sinal de saúde. É isto que eu chamo de "normose", ao lado da neurose e da psicose.

É neste ponto que nos reunimos a Jonas. Jonas é alguém que sente nele asas para voar, um desejo de espaço, um desejo de infinito, mas não tem coragem. Ele apara suas asas, para continuar adaptado à sociedade na qual ele se encontra e que o proíbe de ir ao outro, de ir ao inimigo, de ir ao diferente.

Aqui começa o Complexo de Jonas. Este desejo de irmos além da imagem que nossos pais têm de nós. Este desejo de irmos além das imagens que a sociedade nos propõe, do que é o "homem de bem" ou uma "mulher de bem". Este desejo de irmos além do Eu, além do que o Ego considera como sendo o bem. E irmos também além da imagem que temos de Deus.

[Imagem: Antonio Peticov, "The Link"]

Posted by Lilia at 08:23 AM | Comments (0)

Stop and Go

Tom Coelho

“O prazer é único, não se repete. A alegria repete-se sempre. Basta lembrar.” (Rubem Alves)

kandinsky-wassily-farbstudie.jpg Eu morava em uma casa que tinha uma ampla área envidraçada na sala de estar. Não havia momento mais agradável na semana do que os sábados pela manhã, fosse verão ou inverno, quando o sol invadia o ambiente trazendo luz e calor.

Em uma das empresas nas quais militei, uma daquelas onde se dedica grande parte da vida, vicissitudes levaram ao encerramento das atividades depois de quase uma década de trabalho.

Após dez anos de relacionamento, entre os altos e baixos que permeiam a união de um casal, meu casamento sucumbiu.

Eu não desejava ficar distante daquela casa. Mas tive que desocupá-la. Eu não me imaginava “apagando a luz” daquela empresa. Mas tive que fazê-lo. Eu não apreciava a idéia da separação. Mas os sentimentos mudaram.

Cultivamos um hábito pernicioso, ainda que inconscientemente. Costumamos nos apegar a objetos, pessoas e eventos. E, ao agirmos assim, sobrevalorizamos estes aspectos. Damos a eles uma dimensão irreal, passando a viver em função – e por causa deles. Isso nos anuvia a mente, bloqueia-nos a criatividade, ceifa-nos a flexibilidade. Perdemos a capacidade de nos adaptar, de mudar e de crescer. E, nesta toada, morremos lentamente...

A palavra é: desprendimento. Uma habilidade ímpar de racionalmente avaliar a relevância de coisas, pessoas e situações, ponderando objetivamente sobre seus prós e contras, renunciando se recomendável for. Não se trata de uma mera desistência, fruto da ausência de persistência. Trata-se de encerrar um ciclo, muito prazeroso outrora, mas que agora é apenas fonte de ressentimentos e inquietudes. E abrir a porta para permitir ao futuro entrar.

Há rotinas de trabalho que necessitam ser substituídas ou abandonadas. Há produtos dentro do mix das companhias que precisam ser retirados de linha. Há empresas que devem ser fechadas. Há relacionamentos que clamam serem desfeitos.

Erros e fracassos são recorrentes. Persistir no erro não é exemplo de perseverança, mas de sua face nefasta representada pela teimosia. Tempo desperdiçado, recursos malbaratados, talentos vilipendiados.

Em outras casas morei, com áreas mais ou menos envidraçadas, mas com o sol igualmente iluminando e aquecendo minhas manhãs de sábado.

Em outras empresas atuei, nas quais pude imprimir minha marca, colocando minha experiência a serviço, fosse para estimulá-las a continuar sua caminhada, fosse para sugerir-lhes findar o percurso.

Outros amores experimentei, dotados de um prazer único em suas peculiaridades, cultivados sem prazo de validade, fonte eterna de alegria através do exercício da lembrança.

A vida pessoal e corporativa muitas vezes sugere parar, recuar ou interromper. Não pela estática, mas pela dinâmica de seguir adiante.

* Tom Coelho, com graduação em Economia pela FEA/USP, Publicidade pela ESPM/SP e especialização em Marketing pela MMS/SP e em Qualidade de Vida no Trabalho pela FIA-FEA/USP, é empresário, consultor, professor universitário, escritor e palestrante. Diretor da Infinity Consulting e Membro Executivo do NJE/Fiesp.

[Imagem: kandinsky-wassily-farbstudie]

Posted by Lilia at 07:35 AM | Comments (0)

Aprendendo a envelhecer

Nascer, crescer, envelhecer ... Qual o sentido disso?
Lindaura Ambrósio*

envelhecer.jpg Nossa vida não é uma seqüência de eventos ao acaso. Neste caminhar passamos por várias crises, transformações, mudanças. Existem crises, nas mais variadas idades. Existem, também, situações que se repetem na vida de uma mesma pessoa e outros acontecimentos que são bastante individuais. São fases que vivemos e podem ser observadas através de ciclos de 7 anos (setênios) como marcos de transformação que a pessoa atravessa no percurso da sua vida... 0, 7, 14, 21, 28, 35,42,49,56, 63..anos.

Dentro desta forma de observação, chamada biográfica, destacam-se três grandes fases: o crescimento físico até os 21 anos, a maturidade psicológica dos 21 aos 42 e o autodesenvolvimento a partir dos 42 anos.

E o que fazemos quando estamos em crise? Desconjuramos, xingamos, gritamos, desanimamos, choramos, lamentamos, comemos, fugimos, brigamos, acusamos...

O envelhecimento é uma das maiores transformações da vida. É um marco importantíssimo porque sinaliza que já acumulamos essência e que é chegada a hora, necessariamente, de reconhecermos esta essência, desfrutar a auto-realização e passar a cultivá-la com consciência.

Justamente quando as forças biológicas começam a diminuir (a partir dos 42 anos) é que se tem a máxima possibilidade de alavancar a interioridade, ordenando e descobrindo o sentido essencial de nossa trajetória pessoal, fato este que não ocorre com um animal, nem em fases anteriores. Aquele que não ampliar sua visão para o interior, aquele que não ascender sua chama interna, provavelmente apagará junto com o físico ou viverá competindo e se desgastando com os mais jovens.

Infelizmente, na nossa civilização, ainda é grande o número de pessoas que parecem ignorar este processo. Estão unicamente olhando o exterior, a matéria, o físico. Daí ficam à mercê do desequilíbrio. Podemos apontar como reflexo, as doenças degenerativas atingindo pessoas na faixa dos quarenta e poucos anos, os quadros depressivos, as compulsões que estão aumentando a cada dia indistintamente , como também o comprometimento mental refletido pela falta de esperança e pelo isolamento social que está restringindo cada vez mais cedo as pessoas do nosso convívio.

Como reverter este triste panorama? Uma das formas é aprendendo a envelhecer, resgatando o sentido positivo do envelhecimento. Um exemplo vivo de que a natureza é sábia, de que a vida tem um propósito e que vale a pena ser vivida!

Não é fácil, mas é possível. Basta querer . Ou esperar que a própria vida se incumba de dar um empurrãozinho! Afinal, como diz o ditado, quem não vai pelo amor, vai pela dor. A evolução da consciência é uma lei Universal que não se pode fugir dela. Graças a Deus!

*Lindaura Ambrosio é graduada em Ciências Sociais e tem aperfeiçoamento em Gerontologia. É também idealizadora do site Idealidadeb.

fonte: mais de 50

[Imagem: Getty Image]

Posted by Lilia at 07:27 AM | Comments (0)

Afinal, o que é a inveja?

Bel Cesar

oqueinveja-OdilonRedon-Fleurs.jpg A inveja é um sentimento intrigante. Apesar de todos nós o experimentarmos, ninguém gosta de reconhecer quando o está sentindo. Afinal, é um sentimento controverso: indica que algo positivo desperta algo negativo.

Vamos imaginar uma conversa entre pessoas que estão “jogando papo fora”. Do nada, alguém começar a falar das coisas boas que estão lhe acontecendo. Quantos rostos e mentes diferentes surgem naquele momento! Poucos expressam interesse real e se regozijam com sinceridade. A maioria irá sentir inveja, mesmo que não se dê conta...

Alguns expressam sua inveja com brincadeiras de “mau gosto”. Outros, calados, costumam pensar: “Como ele é exibido e gosta de contar vantagem!”. Já aqueles que não conseguem conter o ardor da inveja a queimar o seu interior, passam a criticá-lo, com a intenção de depreciar abertamente a sua boa sorte. Há ainda aqueles que passam a dar conselhos para ajudar aquela pessoa de sucesso a garantir o seu triunfo.

O clima pesa, pois não há mais empatia entre as pessoas. Provavelmente, muda-se de assunto. Pois a essa altura da conversa todos estão sofrendo: quem contou sente-se só e arrependido. Quem escutou, agora sente-se incomodado, inquieto e talvez nem saiba porquê. A inveja é destrutiva, tanto para quem a sente quanto para quem a recebe.

Quem já não vivenciou um mal-entendido quando alguém resolveu dar boas notícias!

O senso comum concorda que é melhor se precaver: “Inveja traz mau-olhado. Quando estamos vivendo uma situação muito boa é melhor calar”.

Olho-gordo é um nome popular para a inveja. Pois quando o invejado toma para si as projeções negativas do invejoso, acaba por concretizá-las. O tema que evoca a inveja é sempre alguma coisa que poderia revelar o que está faltando na personalidade daquele que a sente. É como se o invejoso falasse em voz alta algo que o invejado não gostaria que jamais viesse à tona. Neste sentido, para não se deixar contaminar pelo veneno do invejoso, o invejado deve observar com honestidade sua reação frente ao ataque do invejoso. Se ele estiver livre das questões expostas pelo invejoso, sua clareza de intenção irá protegê-lo do possível ataque do “olho-gordo”.

Quando somos criticados por avaliações contaminadas pela inveja, podemos nos sentir injustiçados e vulneráveis frente ao ataque externo. Neste momento, é bom lembrar que é praticamente impossível ser compreendido por todos, assim como é inviável agradar a gregos e troianos. O importante é mantermos o foco em nossas metas para não nos contaminarmos pela inveja alheia, pois ela sempre estará presente, de uma forma ou de outra.

A inveja surge do sentimento de que somos incapazes de viver nossos próprios sonhos, de alcançar nossas metas e realizarmo-nos. Por isso, o exemplo daqueles que realizaram algo nos faz lembrar aquilo que não fomos capazes de fazer. No entanto, muitas vezes a sensação de incapacidade, a matriz da inveja, deve-se à escolha inadequada de metas, como desejar algo que não está ao nosso alcance. Em geral, costumamos não valorizar as coisas que já realizamos e assim cultivamos a sensação de desvalia sem nos darmos conta de nosso próprio valor. Neste sentido, a inveja consome o invejoso, porque o faz dar valor apenas ao que está além de seu alcance.

A inveja é um dos sentimentos mais difíceis de serem aceitos pelo ser humano, pois na maioria das vezes é inconsciente. Isto ocorre porque ela se forma muito cedo em nossa vida. A inveja surge nos primeiros meses de vida na relação com quem nos alimenta! Quando queremos mais alimento e não temos, não toleramos a frustração, ficamos com raiva de quem tem o alimento. Com inveja dele, queremos destruí-lo. Como podemos constatar, a inveja é um sentimento primitivo, pouco elaborado. Ela está baseada no sentimento de inferioridade, adquirido pela comparação que se faz com outra pessoa em algum aspecto específico.

Assim como escreve Elisa Cintra em Melanie Klein Estilo e Pensamento (Ed. Escuta): “`Quem desdenha quer comprar´, diz o ditado: a inveja é quase sempre detectável na vida cotidiana por esse trabalho de desvalorização do outro, o que também foi narrado pela fábula da raposa e das uvas. Impossibilitada de ter acesso às uvas, a raposa começou a tecer considerações sobre a falta de valor dos frutos, o fato de estarem verdes... A inveja dirigiu-se aos frutos, isto é, à criatividade da árvore, àquilo que ela pode oferecer e criar. A idéia de `frutos´permite que se lembre a inveja da obra do outro, de suas idéias, de seu trabalho e de sua capacidade de criar obras de arte ou científicas. Entretanto, a inveja vai mais longe: além de depreciar os frutos, ela tenta diminuir o prazer da própria situação de gratificação, como na expressão popular `não dar o braço a torcer´, admitir o poder do outro”.

As impressões registradas no psiquismo durante os primeiros meses de vida são de grande relevância para o desenvolvimento posterior. Quando a criança não consegue sentir que é capaz de modificar seu ambiente (quem a alimenta), fica com um sentimento "eterno" de impotência: um sentimento profundo de inadequação e insuficiência.

Esta é a base da inveja: supervalorizar os outros (que podem, segundo a fantasia do invejoso, fazer tudo) e esvaziar a si mesmo (que é inferior porque não pode fazer nada). Assim, nasce o desejo de esvaziar o outro para que tudo fique igual e ele não fique só. Segundo o psicanalista Mário Quilici, a inveja dá-se em quatro fases especificas:
1- Primeiramente, o indivíduo olha um objeto, situação ou um traço de alguém que imediatamente admira. Compreende a importância daquele traço para ele. Ou seja, vê, admira e deseja.
2- No momento seguinte, faz uma comparação entre o que o outro tem e o que o indivíduo não tem. Ele toma consciência de uma falta sua porque já discrimina. Aqui o processo cognitivo é importante.
3- Aí se dá o terceiro momento da inveja, que é a percepção - e ao mesmo tempo a vergonha - de uma falta nele do que foi admirado (e valorizado) no outro. Surge aí, também, a constatação de que aquilo que desejou, é impossível de ser obtido por ele.
4- Logo estamos na quarta e última fase: A inveja é disparada pela percepção de uma falta no indivíduo. Essa insuficiência faz com que ataque e conseqüentemente espolie o objeto invejado para fazer desaparecer a diferença que foi percebida.

Numa luta secreta e constante, aquele que se sente insuficiente tenta esconder sua vergonha de ser incapaz. Assim, procurando evitar qualquer situação que o faça sentir mais humilhado, ele ataca antes de ser atacado. Isto é, ele compete sozinho. A competição é um hábito do invejoso, pois ele tem dificuldade de receber ajuda, fazer junto e cooperar.

O invejoso sente tem até mesmo dificuldade de receber presentes, pois ele teme qualquer situação que revele sua auto-imagem de carência e necessidade. Por isso, quando os recebe, procura sempre retribuí-los logo. Muitas vezes, a dificuldade de delegar tarefas também pode estar relacionada à inveja.

A inveja impossibilita o sentimento de gratidão. Isso ocorre porque o invejoso é incapaz de sentir que o outro lhe dá algo de bom grado e sim, o faz por necessidade de humilhar o invejoso.

O Novo Dicionário Aurélio explica: “Inveja é o desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem. Um desejo violento de possuir o bem alheio”. Já o Dicionário de Psicologia Dorsch esclarece: “A inveja pertence aos sentimentos intencionais. É uma insatisfação, o aborrecimento com a alegria do outro”. Portanto, aquilo que é invejável é encarado como algo de muito valor.

Se prestarmos atenção às qualidades do objeto, pessoa ou situação pela qual sentimos inveja, poderemos compreender melhor o que nos sentimos incapazes de conquistar. Neste sentido, a inveja é um espelho que revela uma parte de quem somos, onde estamos e para onde queremos ir.

Saber para onde queremos ir é a condição básica para sair da imobilidade. Por isso, se aprendermos a reconhecer os padrões emocionais que sustentam nossa inveja poderemos torná-la um método eficiente para diagnosticar nossas faltas. Desta forma, poderemos transformar a inveja numa força inspiradora de conscientização, no lugar de um sentimento apenas desagradável. Reconhecer para onde queremos ir é em um estímulo para tomarmos uma atitude proativa diante de nossas dificuldades.

Talvez não possamos modificar nada ao nosso redor. Mas se pararmos para aprender com nossos sentimentos negativos, poderemos mudar a nossa atitude mental e atrair o novo para nossa vida. Thomas Moore faz um comentário interessante em seu livro Cuide de sua alma (Ed. Siciliano): “Por um lado, a inveja é o desejo por alguma coisa, e por outro, é uma resistência ante o que o coração realmente quer. Mas inveja, desejo e abnegação trabalham juntos para criar um senso característico de frustração e de obsessão. Apesar de a inveja ter um ar masoquista - a pessoa invejosa acha que é uma vítima de má sorte -, ela também envolve forte vontade na forma de resistência ao destino e ao caráter. Quando invejosa, a pessoa torna cega a sua própria natureza. [...] O verdadeiro problema da inveja não é a capacidade do indivíduo viver bem, é a sua capacidade de não viver bem”.

Fonte: somostodosum



Posted by Lilia at 12:17 AM | Comments (1)