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  29.03.07- Tristeza: o que fazer quando o peito aperta?

Patricia Gebrim

calgarystoneplants_220.jpg Talvez você tenha sido atraído por este título porque esteja triste. Você está triste?

O peito apertado, um nó na garganta, uma vontade de chorar... quem já não passou por isso? E por mais explicações que tenhamos a respeito, ou por mais que saibamos os motivos da tal tristeza, o que podemos fazer para melhorar? É sobre isso que quero falar com você, esteja triste ou não.

Não importa se você é do tipo de pessoa que procura ajuda, ou daquelas que preferem se isolar, você pode sim fazer algo por você. A primeira coisa importante é se lembrar que na vida tudo passa, então, em breve, essa tristeza terá passado também. Lembrar disso faz com que consigamos colocar a tristeza em seu devido lugar, diminui sua intensidade e nos ajuda a observá-la de fora.

Visualizar ajuda
Talvez você tenha tido na infância, alguém que o pegasse no colo quando estava triste, alguém que costumava acariciar seus cabelos e sussurrar em seus ouvidos: - Isso vai passar, vai dar tudo certo...

Se você se lembra de alguém assim, tente imaginar que você esteja no colo dessa pessoa agora mesmo, recebendo todo aquele carinho, sentindo-se seguro nesse abraço quentinho. Feche os olhos e tente imaginar. Tente imaginar que a tristeza vai ficando menor à medida em que você vai sentindo o calor desse abraço. Pense nesse abraço como o lugar mais seguro do mundo, como um lugar que aceita você exatamente como você é. Preste atenção e experimente a sensação gostosa de ser aceito como é. Esse abraço aceita a sua dor, a sua tristeza, as suas lágrimas. Aceita você.

Se você nunca recebeu algo assim de ninguém, não importa. Você pode receber agora. Deixe-se cuidar, nem que seja na sua imaginação. Imagine uma pessoa capaz de dar isso a você, dê a ela a forma que quiser e solte-se em seus braços. Isso pode curar feridas profundas. Experimente.

Outro ponto importante. Não fique lutando contra a tristeza. Se ela vier, abra passagem. Entre em contato e confie que, assim como veio, chegará o momento em que ela também irá. Se você ficar bravo com você mesmo por estar triste, ou se ficar decepcionado, ou irritado; só vai piorar as coisas. Pense que a tristeza é só um sentimento, como tantos outros. Ela não é você. Isso é importante... a tristeza não é você!

É só um sentimento que está passando por você, como uma nuvem que passa no céu. Distancie-se para poder enxergar melhor, não se misture com a tristeza.

Muitas vezes, quando estamos tristes, também costumamos imaginar que a nossa tristeza é maior do que a tristeza de qualquer outra pessoa. Mas isso não é verdade. Muitas pessoas sentem-se tristes como você, e sobrevivem, e renascem, naquele lugar que existe do outro lado da tristeza. A tristeza é como a queda de uma cachoeira, se você a atravessa, existe um lugar mágico esperando por você do outro lado. Faça da sua tristeza uma passagem para algo melhor. Pense nas lágrimas como um bálsamo que cura feridas antigas, desfaça os nós da sua garganta e deixe que o aperto no seu peito escorra para fora de você. Aceite a tristeza e a veja se dissolver nessa aceitação.

Importante. Quando triste, seja mais cuidadoso com você. Muitas vezes, com a desculpa de amenizar uma tristeza, nos ferimos ainda mais. Bebemos demais, comemos demais, utilizamos substâncias que causam dano a nosso corpo, gastamos demais... e esquecemos de que isso só nos deixará mais tristes. Preste atenção, e se estiver triste, trate-se com todo o cuidado e carinho de que for capaz. Faça um escalda-pés quentinho, coloque flores em frente a seu prato de jantar, ouça uma música bonita, faça uma prece. Mude essa sintonia a partir de aceitação e da suavidade que existe em você.

Mas se a tristeza durar muito tempo, se a tristeza se tornar uma poça de lama que aprisiona seus pés, não tarde em buscar ajuda. Nunca concorde em construir sua casa nesse terreno lamacento.

Você pode estar se perguntando: mas por que ficamos tristes afinal? Existe alguma utilidade nesse sentimento tão dolorido? E eu lhe digo que sim. A tristeza existe para nos ajudar a adquirir consciência de que existe uma dor em nós. Só quando percebemos a dor é que podemos agir no sentido de transformá-la. Assim, a tristeza traz informações e sempre nos pede algum tipo de transformação.
Se você for corajoso o suficiente para ouvir o que a tristeza lhe diz, com certeza aprenderá muitas coisas sobre você e será capaz de atravessá-la e chegar nesse outro lugar... um lugar pleno de vida, alegria e amor.

Pense nesse lugar, esperando por você agora mesmo. Até lá.

Fonte: Vya Estelar
Imagem: foto Lilia Lima

Posted by Lilia at 08:41 PM|Comments (0)
 
  15.07.05- depressão

DEPRESSÃO (ASPECTOS PSICOLÓGICOS DA ENFERMIDADE SEGUNDO A ABORDAGEM DE ALFRED ADLER).
Antonio araújo

depressao-emma-stanley-dreamer.bmp "A essência máxima da tristeza é uma ficção mental de que alguém poderia ser feliz num projeto estritamente privado" - ALFRED ADLER- PSICÓLOGO.

Nos termos da psiquiatria, a depressão se caracteriza por uma profunda tristeza acompanhada de sentimentos de desamparo e baixa auto-estima. A segurança pessoal do indivíduo fica debilitada, e o mesmo pensa que ninguém é capaz de lhe prover ajuda. Há um comprometimento em quase todas as esferas da existência: emocional, fisiológica, comportamental e social. É comum também a auto-recriminação, sendo que o deprimido se considera uma pessoa insuportável para conviver com os demais semelhantes.

O objetivo deste estudo é enfocar principalmente os aspectos psíquicos da depressão, abstraindo quaisquer considerações orgânicas e químicas acerca da síndrome citada. A depressão bem como o transtorno do pânico se tornaram talvez as principais afecções psicológicas de nossa era. Nenhum outro abalo psíquico consome tanto sofrimento e dispêndio medicamentoso como os acima citados. Se continuarmos nessa linha de raciocínio social, chegaremos a conclusão primeira de que a depressão é o reflexo de nossos tempos pela absoluta falta de investimento social e nos relacionamentos humanos em geral. Nossa vida baseada no egoísmo e individualismo expõe através do sintoma da depressão, a faceta mais cruel de um estilo de vida deturpado e carente de um sentido mais amplo.

Quase todos nós traçamos diariamente um planejamento de satisfação apenas individual, e a depressão insiste em nos revelar que a plena gratificação só se realiza quando estamos profundamente ligados a alguém, sentindo a proximidade, companheirismo e principalmente cooperação. Como o deprimido falhou ou insiste em não vivenciar os sentimentos acima citados, força com que os outros o amparem e lhe estimulem o tempo todo, alegando não ter forças ou vitalidade para a consecução de determinadas tarefas. Essa é a maior armadilha que o deprimido utiliza constantemente, sendo que sua doença serve para manter uma espécie de seguro no qual as pessoas sempre estarão preocupadas com o mesmo, saciando dessa forma não apenas suas carências afetivas, mas, sobretudo seu desejo de poder sobre os demais, embora o depressivo sempre negue tais afirmativas.

Se aprofundarmos nossa ótica psíquica logo descobriremos que a depressão encobre um sofrimento muito mais sério, que é a solidão. O deprimido como dizia o psicólogo ALFRED ADLER, fez uma espécie de "arranjo", sendo que é preferível a tristeza, fadiga, tédio e pobreza psíquica, do que o tormento de sua terrível solidão pessoal e existencial, aliadas ao temor de novas frustrações pessoais caso tente algum novo contato social. Para o deprimido é muito mais cômodo o sofrimento de seus sintomas habituais do que o risco de novas decepções. Buscar ou acreditar numa relação de profunda troca é o mesmo que procurar o "SANTO GRAAL", pois seu profundo temor interno lhe transformou num ser não apenas cético, mas absolutamente intolerante, impaciente e desconfiado no tocante as relações humanas. Nesse ponto podemos fazer uma dura crítica a questão medicamentosa como forma de tratamento dos estados depressivos.

É mais do que óbvio de que determinados quadros de depressão grave requerem o uso de ansiolíticos ou antidepressivos, visando a melhoria da qualidade de vida do paciente. Porém, o uso indiscriminado de medicamentos que assistimos diariamente só encobrem as questões existenciais citadas anteriormente. Há um bom tempo vivemos na sociedade descrita por ALDOUS HUXLEY em seu livro "ADMIRÁVEL MUNDO NOVO", onde uma droga chamada "soma" aliviava todos os conflitos psíquicos. Da ficção para nossa tenebrosa realidade, acompanhamos determinadas pessoas se desacreditarem totalmente de si próprias e de seu potencial, buscando apenas o alívio imediato no uso dos mais variados psicotrópicos. Se essas drogas à venda no mercado servem apenas para mascarar nosso fracasso e medo de nos sensibilizarmos, então ocorreu uma troca de valores, sendo que a própria psicose se torna a saúde, e os métodos de intervenção a essência da doença.

A grande verdade do século XX é que o ser humano não estava habilitado a vivenciar a angústia da solidão. O projeto do individualismo passado pelos meios econômicos e educacionais acarretou um preço exorbitante em termos de saúde psíquica. Qualquer tipo de droga lícita ou não, apenas será menos consumida quando a prioridade absoluta for à relação humana como um todo. Nenhuma ação repressiva será capaz de abafar a insatisfação humana, e parece que essa lição ainda não foi aprendida por qualquer autoridade mundial.

Enfim, a depressão é a representação máxima da despotencialização, é a recusa constante do prosseguir, buscando a fixação num estilo de vida de limitação existencial e rebaixamento emocional, evitando sempre o que seria uma dor maior. O deprimido com o decorrer de seu processo passa a odiar aquilo que talvez seja uma de nossas maiores dádivas: a potência em todos os sentidos. Se há um ponto inalterado na observação psicológica acerca de uns cem anos, é a utilização da enfermidade para a obtenção do privilégio do não enfrentamento das provas diárias de nossas vidas. Sempre é muito mais cômodo reproduzir o caos social em nosso psiquismo, do que criar e trocar com outros aquilo que temos de especial, e infelizmente o que é o "melhor", sempre acaba sendo reprovado na hora da comunhão profunda.

[Imagem: Emma Stanley, Dreamer]


Posted by Lilia at 12:15 PM|Comments (0)