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  08.08.08- Mãe Desnecessária

Márcia Neder Bacha

maedesnecessaria_janelavermelha_flores_vailvillage.jpg

A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo.
Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase e ela sempre me soou estranha. Até agora. Agora que minha filha adolescente, aos quase 18 anos, começa a dar vôos-solo. Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha hercúlea, confesso. Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super-mãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara. Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária.

Antes que alguma mãe apressada venha me acusar de desamor, preciso explicar o que significa isso. Ser 'desnecessária' é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes.
Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também. A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho. Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida.Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família recomeçam o ciclo. O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado,o conforto nas horas difíceis.

Pai e mãe - solidários - criam filhos para serem livres. Esse é o maior desafio e a principal missão. Ao aprendermos a ser 'desnecessários', nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.

Márcia Neder Bacha é psicanalista e pesquisadora da UFMS e da USP/NUPPE. Doutora em Psicologia Clínica e autora de Psicanálise e Educação – Laços Refeitos e A arte de formar: o feminino, infantil e o epistemológico.

Posted by Lilia at 01:37 PM|Comments (0)
 
  30.09.06- Educar é preparar para a vida

Flávio Gikovate

educarprepararparavida_gustavklimt_motherandchild.bmp Superprotegendo os filhos, nós impedimos que eles desenvolvam os meios necessários para se manter sobre as suas próprias pernas.

Um dos filmes mais bonitos e comoventes dos últimos anos foi Cinema Paradiso, que ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Foi um grande sucesso de bilheteria em muitos países e também no nosso. Quase todas as pessoas que conheço choraram em algumas partes do filme. A cena que provocou lágrimas no maior número de espectadores é aquela na qual o velho, que é o pai espiritual e sentimental do rapaz, que lhe ensinou quase tudo o que sabia da vida até então, diz a ele que se prepare para partir do vilarejo rumo à cidade grande: "Vá e não olhe para trás; não volte nem mesmo se eu te chamar". O pai manda embora o filho adorado e "ordena" a ele que vá em busca do seu caminho, do seu destino, dos seus ideais.

Nesse momento, eu não fui mais capaz de conter as lágrimas, coisa que tentava fazer até então em respeito a esse esforço que os homens fazem para não chorar - e que é absolutamente ridículo. Lembrei da minha história pessoal e lamentei, com enorme tristeza, que eu jamais tivesse ouvido coisa parecida. Parece que eu havia nascido essencialmente para realizar tarefas que fossem da conveniência dos meus pais. Eles jamais me estimularam a sair de perto deles, ainda que pudessem achar que partir seria bom para mim. Achavam intelectualmente; mas, como isso era inconveniente e doloroso para eles, optavam por me impor o que fosse melhor para eles.

Antigamente isso era feito de modo aberto e frontal. Os pais, em certas culturas, chegavam até mesmo a escolher algum filho - especialmente filha - que lhes servisse de companhia e amparo na velhice. Essa criatura não deveria se casar nem ter qualquer tipo de vida própria; seria a "enfermeira" e "empregada" dos pais nos seus últimos anos. A maior parte das famílias, isto há 40, 50 anos, não agia assim tão diretamente. Mas jamais estimulariam todos os filhos para que fossem estudar em outras cidades. Alguns podiam - e deviam - ir; outros deveriam ficar para dar continuidade aos negócios dos pais e para zelar por eles. Filho era, de certo modo, propriedade dos pais e seu destino era o que fosse decidido por eles. E as decisões eram feitas essencialmente em função das conveniências práticas - materiais e de conforto físico - dos patriarcas. Os aspectos emocionais da vida existiam, é claro, mas estavam submersos e invisíveis, colocados embaixo das questões práticas de todos os tipos. Não eram relevantes na hora das decisões. Se um filho era escolhido para ser padre, de nada interessavam suas reclamações de que não era esse o desuno que havia sonhado para si e que isso o faria infeliz. Ser infeliz não era argumento forte!

Temos a impressão de que esses tempos já se foram e que hoje em dia as coisas são muito diferentes. Parece que agora nós agimos respeitando a vontade dos nossos filhos e que eles podem fazer das suas vidas o que desejarem. Será mesmo? Não é essa a minha impressão. É evidente que há grandes avanços. Rapazes e moças são mais livres para escolher suas profissões; são mais livres para escolher seus namorados, para se casarem ou não - isso em termos, pois uma filha solteira com mais de 25 anos de idade ainda preocupa, e muito, os pais. Poucos são os pais que, hoje em dia, têm coragem de interferir frontalmente sobre o destino de seus filhos. Isso, é claro, desde que eles se comportem dentro dos limites, estreitos em muitos casos, dos padrões de conduta mais usuais. Filhos que decidem ser atores, bailarinos, músicos etc. esbarram em grandes obstáculos familiares. O mesmo acontece com os homossexuais que, até hoje, escondem suas práticas das famílias.

Agora, a forma mais sórdida e maldosa que existe de dominação é aquela que se mascara, que se traveste de grande amor e superproteção. A criança - e depois o jovem - é tão paparicada que não desenvolve os meios necessários para se manter sobre as próprias pernas. É evidente que, dessa forma, jamais poderá partir para longe dos pais. Foi carregada no colo o tempo todo e suas pernas ficaram, por isso mesmo, atrofiadas. Não pode andar por seus próprios meios e é dependente da família para a vida toda. Pais fracos e inseguros fazem isso porque, na realidade, querem os filhos perto de si, exatamente como se fazia no passado. Querem os filhos por perto para darem sabor e sentido às suas vidas pobres e vazias. Querem seus filhos sem asas e incapazes de voar por conta própria. Não prepararam seus descendentes para voarem seus próprios vôos e buscarem seu lugar na terra. Em nome do amor - o que é mentira - geram um parasita, uma criatura dependente. A coisa é mais grave do que era no passado: antes o indivíduo era proibido de partir. Hoje, é permitido que parta, mas ele não tem pernas para isso

fonte: somos todos um
[Imagem: Gustav Klimt, "Mother and Child"]

Posted by Lilia at 02:59 PM|Comments (0)
 
  30.08.05- Pai, atenção, você pode ser demitido

Seus filhos estão vendo você o tempo todo. Por isso, é interessante trazê-los para sua vida

Roberto Shinyashiki

paivocepodeserdemitido-.jpg A sensação de que o tempo está passando, os filhos estão crescendo, e se está à margem deste processo, como um mero espectador, é um sofrimento para muitos pais. Se você é pai e sente que lhe falta tempo para acompanhar seus filhos, fique esperto: ter pouco tempo não é igual a não ter tempo.

O importante é aproveitar o pouco tempo de que dispõe, de modo a tirar seu máximo proveito. No final da semana, por exemplo, separe pelo menos 3 horas para vocês saírem juntos e colocarem as fofocas em dia. Se você utilizar bem suas horas livres, criará um relacionamento muito mais construtivo (e de respeito) com seu filho.

Outro fator essencial para o relacionamento é perceber que você precisa estar com seus filhos para ser mais competente. Não é só seu filho que precisa de você. Você também precisa dele. O tempo que passam juntos serve para você respirar e recarregar as baterias. É um momento para semear dentro de você uma nova energia, uma nova maneira de enxergar a vida.

A preocupação em deixar uma boa herança material para os filhos transforma muitos pais em workaholics (trabalhadores compulsivos). Não é assim que deve funcionar. A melhor herança para os filhos é a certeza de que são amados ou foram amados pelos pais. Esse sentimento não é transmitido com presentes, mas com olhares cúmplices, com um ombro amigo nos momentos de dor ou com frases do tipo “Filho eu adoro ser seu pai. Tenho orgulho de você. Obrigado pelas coisas que você me ensina”.

No entanto, para muita gente expressar sentimentos não é tarefa fácil. Alguns pais têm muita dificuldade em dar carinho aos filhos, mas nunca é tarde para começar. Pode ser aos poucos, mas é preciso começar de alguma forma. Veja, abaixo, três dicas que eu considero essenciais para você incrementar o relacionamento com seu filho:

1. Entenda que cada filho é um ser único. Respeite suas características e necessidades particulares. Se você tem dois filhos, procure sair com cada um deles em dias distintos. É claro que alguns programas devem reunir a família inteira, mas é importante existir um momento em que seu filho se sinta especial. Para que ele possa reclamar da professora, comentar sobre um amigo ou contar uma façanha.
2. Dedique tempo também para o filho que não tem problemas. A maior parte dos pais tem a tendência de dar toda a atenção para o filho que está com dificuldades na escola, doente ou terminou o namoro. De imediato, o outro que está indo bem percebe que não há vantagem nenhuma em ser um estudante ou uma pessoa responsável. Cedo ou tarde, ele começará a criar problemas em troca de sua atenção.
3. Mantenha presença marcante na vida de seus filhos. Apesar da falta de tempo, não deixe tudo para o final de semana. Principalmente os pais que são separados. Mesmo que, lá pelas 7 da noite, você ainda esteja trabalhando, telefone perguntando como foi o dia das crianças. Conte também sobre seu cotidiano. Seu filho deve ter curiosidade em saber o que você faz quando está longe dele.

Uma palavra final para os pais que têm filhos problemáticos. Talvez seu filho não queira estudar e você esteja aí enchendo a paciência dele. Lembre-se: seus filhos tomam você como modelo. É um constrangimento imaginar que pais que nunca abriram um livro e nunca fizeram um curso exijam isso dos filhos. O mesmo ocorre com as mães que estão acomodadas, morrendo de medo de sair do emprego em que são desvalorizadas, e buzinam o dia inteiro no ouvido de suas filhas que elas tem de ter autonomia e coragem de ousar.

Seus filhos estão vendo você o tempo todo. Por isso, é interessante trazê-los para sua vida. Se você está se formando num curso, convide-os para assistir a cerimônia. Eles precisam notar que você continua estudando. Que a mãe continua ousando e aprendendo coisas novas. Isso vai ser um estímulo para eles. E mais: seja o ídolo de seus filhos. Mas isso você só vai construir no dia-a-dia, na simplicidade de estar aberto para aprender junto com eles, na maneira como conduz seus atos e sua vida. Adote seus filhos antes que eles saiam atrás de um beadhunter de pai.

Fonte: Viva SP
[Imagem: Chip Henderson, "Father and son on dock fishing"]

Posted by Lilia at 10:23 AM|Comments (0)
 
  14.08.05- meu querido pai,

Lilia Avelar

pai2000.jpg eu sei que voce entende minhas palavras que são tradução mal-feita dos meus sentimentos.
algumas pessoas podem se assustar com meu jeito de traduzir, mas eu sei que voce sabe direitinho o que vou falar. alias, pelo sr. nem precisava falar porque dai de cima voces tem esses super-óculos e podem ver tudo, né? mas sou eu que preciso dizer.

sabe pai, eu só tive duas grandes dores na minha vida. eu falo de dor de mesmo, de verdade, daquelas que a gente não consegue descrever. talvez um grande poeta consiga uma imagem, mas eu não sou poeta pai, e a dor que eu senti na sua partida me despedaçou todinha. voce lembra né? aqueles dias em que o medo se apoderou do meu corpo todo e que fiquei encolhida na cama, tremendo como se eu tivesse nua no polo norte. ai que frio. a mulher destemida virou pó de medo.
normalmente as pessoas dizem que perderam o chão... eu dizia que tiraram meu teto e dali pra frente eu teria que "negociar" diretamente com deus, sem voce pra mediar.. eu estava enganada, meu pai. agora mais do que nunca tenho um mediador me aproximando do pessoal aí de cima.

hoje, voce sabe melhor do que ninguém o quanto a sua partida foi importante pra mim. parece que voce ficou mais perto, ou melhor, ficou dentro. agora eu respiro fundo e sinto voce inteiro, me protegendo. me guiando. me iluminando, me dizendo as coisas que eu teimava em não ouvir. agora eu não só escuto e entendo, como sigo cegamente.
depois que o sr. partiu eu mudei tanto. depois que eu fui colar meus pedaços espalhados, eu me juntei de um jeito melhor, pai.
voce me fez uma pessoa feliz. mais feliz ainda. antes eu já me sentia privilegiada de ter nascido de voces e ter crescido rodeada de amor, carinho e valores impecáveis.
não posso me sentir de outro jeito, a não ser grata! é assim que eu acordo todo dia: vestida de gratidão. e por isso estou aqui, mais uma vez pra lhe agradecer. pra dizer o quanto eu te amo. este amor que é eterno mesmo, chama que não apaga nunca, transcende o corpo porque é amor da alma pai.
hoje tem festa no meu coração porque é aqui dentro onde voce ficará vivo, sempre!

Posted by Lilia at 10:25 AM|Comments (0)
 
  Um Nó do Afeto

nodoafeto-LesterJKern-FirstLoveII.jpg Em uma reunião de pais numa escola da periferia, a diretora ressaltava o apoio que os pais devem dar aos filhos; pedia-lhes também que se fizessem presentes o máximo de tempo possível... Ela entendia que, embora a maioria dos pais e mães daquela comunidade trabalhassem fora, deveriam achar um tempinho para se dedicar e entender as crianças.

Mas a diretora ficou muito surpresa quando um pai se levantou e explicou, com seu jeito humilde, que ele não tinha tempo de falar com o filho, nem de vê-lo, durante a semana, porque quando ele saía para trabalhar era muito cedo e o filho ainda estava dormindo...

Quando voltava do serviço já era muito tarde e o garoto não estava mais acordado. Explicou, ainda, que tinha de trabalhar assim para prover o sustento da família, mas também contou que isso o deixava angustiado por não ter tempo para o filho e que tentava se redimir indo beijá-lo todas as noites quando chegava em casa. E, para que o filho soubesse da sua presença, ele dava um nó na ponta do lençol que o cobria.

Isso acontecia religiosamente todas as noites quando ia beijá-lo.

Quando o filho acordava e via o nó, sabia, através dele, que o pai tinha estado ali e o havia beijado. O nó era o meio de comunicação entre eles.

A diretora emocionou-se com aquela singela história e ficou surpresa quando constatou que o filho desse pai era um dos melhores alunos da escola.

O fato nos faz refletir sobre as muitas maneiras das pessoas se fazerem presentes, de se comunicarem com os outros. Aquele pai encontrou a sua, que era simples, mas eficiente. E o mais importante é que o filho percebia, através do nó afetivo, o que o pai estava lhe dizendo .

Por vezes, nos importamos tanto com a forma de dizer as coisas e esquecemos o principal, que é a comunicação através do sentimento, simples gestos como um beijo e um nó na ponta do lençol, que valiam, para aquele filho, muito mais do que presentes ou desculpas vazias.

É válido que nos preocupemos com as pessoas, mas é importante que elas saibam, que elas sintam isso. Para que haja a comunicação é preciso que as pessoas "ouçam" a linguagem do nosso coração, pois, em matéria de afeto, os sentimentos sempre falam mais alto que as palavras.

É por essa razão que um beijo, revestido do mais puro afeto, cura a dor de cabeça, o arranhão no joelho, o medo do escuro.

As pessoas podem não entender o significado de muitas palavras, mas SABEM registrar um gesto de amor. Mesmo que esse gesto seja apenas um nó...

Um nó cheio de afeto e carinho. E você?... Já deu algum nó afetivo hoje?

AUTORIA: não consegui achar a autoria deste texto. se voce souber, por favor me avise.
[Imagen: Lester J. Kern, "First Love II"]

Posted by Lilia at 10:19 AM|Comments (0)
 
  18.07.05- Mães más

Carlos Hecktheuer, médico psiquiatra

maesmas-dianablake-cruelstepmother.jpg Um dia quando meus filhos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e mães, eu hei de dizer-lhes:
- Eu os amei o suficiente para ter perguntado aonde vão, com quem vão e a que horas regressarão.

- Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silêncio e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.

- Eu os amei o suficiente para os fazer pagar as balas que tiraram do supermercado ou revistas do jornaleiro, e os fazer dizer ao dono: "Nós pegamos isto ontem e queríamos pagar".

- Eu os amei o suficiente para ter ficado em pé junto de vocês, duas horas, enquanto limpavam o seu quarto, tarefa que eu teria feito em 15 minutos.

- Eu os amei o suficiente para os deixar ver além do amor que eu sentia por vocês, o desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos.

- Eu os amei o suficiente para os deixar assumir a responsabilidade das suas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.

- Mais do que tudo, eu os amei o suficiente para dizer-lhes NÃO, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso (e em alguns momentos até odiaram).

Essas eram as mais difíceis batalhas de todas. Estou contente, venci...

Porque no final vocês venceram também!

E em qualquer dia, quando meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e mães; quando eles lhes perguntarem se sua mãe era má, meus filhos vão lhes dizer: "Sim, nossa mãe era má. Era a mãe mais má do mundo...

As outras crianças comiam doces no café e nós tínhamos que comer cereais, ovos, torradas. As outras crianças bebiam refrigerante e comiam batatas fritas e sorvetes no almoço e nós tínhamos que comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas.

Ela insistia em saber onde estávamos à toda hora Mamãe tinha que saber quem eram nossos amigos e o que nós fazíamos com eles. Insistia que lhe disséssemos com quem íamos sair, mesmo que demorássemos apenas uma hora ou menos.

Ela insistia sempre conosco para que lhe disséssemos sempre a verdade e apenas a verdade.
E quando éramos adolescentes, ela conseguia até ler os nossos pensamentos.
A nossa vida era mesmo chata!
Ela não deixava os nossos amigos tocarem a buzina para que saíssemos; tinham que subir, bater à porta, para ela os conhecer.
Enquanto todos podiam voltar tarde da noite com 12 anos, tivemos que esperar pelos 16 para chegar um pouco mais tarde, e aquela chata levantava para saber se a festa foi boa ( só para ver como estávamos ao voltar).

Por causa de nossa mãe, nós perdemos imensas experiências na adolescência:

- Nenhum de nós esteve envolvido com drogas, em roubo, em atos de vandalismo, em violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime.
FOI TUDO POR CAUSA DELA!"

Agora que já somos adultos, honestos e educados, estamos a fazer o nosso melhor para sermos "PAIS MAUS", como minha mãe foi.

EU ACHO QUE ESTE É UM DOS MALES DO MUNDO DE HOJE: NÃO HÁ SUFICIENTES MÃES MÁS!

Fonte: Papo Cabeça

[Image: Diana Blake, "Cruel Stepmother"]

Posted by Lilia at 09:59 PM|Comments (0)
 
  17.07.05- Amor de mãe tem o mesmo efeito do ópio

amormae-Mothers-Love-by-kolongi.jpg Atenção materna causa contentamento que produz as mesmas substâncias das drogas
Benedict Carey, em Nova York

Os psicólogos dizem que o amor materno é como uma droga, uma substância potente que cimenta a relação entre mãe e bebê e que tem impacto profundo sobre o desenvolvimento posterior do indivíduo. Mas os cientistas sabiam muito pouco sobre como a maternidade afetaria biologicamente os bebês. Se ela é como uma droga, que tipo de droga seria essa?

Um grupo de pesquisadores italianos e franceses anunciou na semana passada que em pelo menos um grupo de mamíferos a maternidade age como uma substância opiácea. Os pesquisadores descobriram que ratos que não possuem um gene que permite o alívio da dor após a administração de opiáceos têm grande dificuldade em estabelecer laços com as suas mães.

Quando são separados brevemente das suas mães na primeira semana de vida - um período vulnerável, quando são incapazes de andar ou de abrir os olhos - os filhotes geneticamente alterados não choram de ansiedade como os ratos normais que sofrem a mesma separação. Segundo os cientistas, esse choro por ajuda é fundamental para cimentar o vínculo entre mães e filhos.

Os pesquisadores realizaram experimentos para verificar se os ratos geneticamente alterados choravam em resposta a outros tipos de estresse, como a exposição a baixas temperaturas. Os filhotes choraram. O único fator que não foi expresso intensamente foi a ansiedade da separação.

"O choro faz parte de um comportamento de ligação sentimental que mantém a proximidade entre o bebê e a mãe", explica Francesca R. D'Amato, do Instituto de Neurociências CNR, em Roma, e uma das autoras do estudo, publicado na edição de 25 de junho da revista "Science". "Apesar de ser algo de fundamental para a sobrevivência, esses animais não exibiram tal comportamento".

O estudo fornece forte evidência de que as mesmas substâncias químicas do cérebro que controlam a dor física regulam também a dor psicológica causada pela perda e pela separação, diz ela. Esse foi um dos vários experimentos recentes mostrando que as alterações em um único gene podem remodelar radicalmente o comportamento social.

Neste mês, cientistas da Universidade Emory, em Atlanta, relataram que a injeção de um único gene em um outro roedor, o rato-da-campina, faz com que machos promíscuos se transformem em pais caseiros. O gene ajuda a criar nos animais receptores celulares para a vasopressina, um hormônio
que atua na promoção de laços sociais. Os cientistas já haviam demonstrado anteriormente que os roedores que eram geneticamente insensíveis a um outro hormônio, a oxitocina, tinham dificuldades para formar casais.

A neurobiologia dos laços entre mãe e filho provavelmente envolve todos os três sistemas de alguma forma, dizem os cientistas. "Esse último estudo é o maior e o melhor do seu tipo e fornece forte evidência de que o apoio maternal possui um componente opiáceo", diz Jaak Panksepp, professor de psicologia da Universidade Estadual Bowling Green, em Ohio, que há mais de duas décadas sugeriu que os receptores opiáceos são importantes para a formação dos laços entre mãe e filho.

Os sistemas de hormônio e alívio da dor funcionam de maneira similar em todos os mamíferos, incluindo os humanos. A circulação pelo corpo de substâncias opiáceas naturais como as endorfinas ajuda os animais a sentirem alívio e conforto.

As substâncias mensageiras presentes no cérebro, como a dopamina, ajudam a intensificar a sensação de ser recompensado, quando, por exemplo, o indivíduo ganha uma aposta, conhece um potencial parceiro amoroso ou obtém apoio dos pais.

Os pesquisadores dizem que variações sutis nos genes que regulam esses sistemas poderiam interferir nas interações sem palavras e baseadas nas emoções entre a mãe, ou outra pessoa que cuide do bebê, e os filhos. Por exemplo, o toque físico pode desencadear a liberação de substâncias opiáceas que têm efeito calmante, mas um bebê com sensibilidade reduzida a tais substâncias poderia não experimentar tão profundamente tal sensação de alívio. Isso, por sua vez, poderia frustrar a mãe ou outra pessoa que cuida do neném, já que essa espera proporcionar conforto.

"O que podemos descobrir, por exemplo, é que, aqueles indivíduos nascidos com uma sensibilidade alterada para as substâncias opiáceas teriam um temperamento particular, um temperamento psicológico nato, que tornaria difícil para as mães o estabelecimento de conexões com os filhos", diz Allan N. Schore, que estuda os vínculos entre mães e filhos na Escola de Medicina da Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

"A capacidade de sentir e expressar dor, de chorar e de se sentir confortado reforça os laços afetivos. E esses laços ajudam a criança a regular os seus próprios estados negativos internos à medida que cresce".

Na verdade, um tratamento materno carinhoso e atencioso pode ajudar filhotes de animais a superar algumas anomalias genéticas. Em uma série de experimentos, cientistas da Universidade McGill, em Montreal, demonstraram que os bebês ratos que eram repetidamente acariciados, aconchegados e lambidos por suas mães se tornavam adultos menos ansiosos do que aqueles que recebiam menos atenção materna.

Em um estudo publicado na última edição do periódico "Nature Neuroscience", os pesquisadores da Universidade McGill relataram que esses cuidados físicos maternos no início da vida desencadeiam mudanças duradouras nos genes dos ratos que ajudam os animais a lidar com o estresse por toda a vida.

Pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde demonstraram um efeito similar em macacos: o fato de contar com pais e mães carinhosos e atenciosos protege os animais de uma variação genética específica que faria com que - na ausência de conforto e apoio - eles corressem um risco maior de apresentarem comportamentos agressivos e desordeiros.

Esses macacos criados com carinho tendem a se tornar, eles próprios, pais carinhosos: a sua ligação com as mães fornece um modelo para os relacionamentos que manterão bem mais tarde com seus próprios filhotes.

"A parte importante de tudo isso é que estamos demonstrando que pais atenciosos podem na verdade alterar para melhor os genes do bebê", diz Schore.

Uma criança com menos sensibilidade genética às sensações de dor e prazer poderia se desenvolver bem ao ser criada por pais especialmente atentos aos sinais mais sutis manifestados pela criança, diz ele. E a fisiologia da criança poderia, a seguir, corrigir ou compensar a diferença genética.

Embora os cientistas ainda tenham muito o que aprender sobre as várias substâncias químicas cerebrais envolvidas nesse processo, alguns deles dizem que faria sentido que, entre elas, estivessem as substâncias opiáceas, uma classe de compostos que incluem drogas causadoras da dependência, como a morfina e a heroína.

"Pense nisso: Os laços com os pais são muito importantes; essenciais para a sobrevivência", diz Panksepp. "Não faria sentido que essa dependência social fosse um fenômeno da mesma classe que o do vício em drogas?".

Fonte: Aleitamento.com

[Imagem: Kolongi, "Mothers Love"]

Posted by Lilia at 11:54 AM|Comments (0)