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  08.08.08- O Problema é um Tônico para o Ego

Osho

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O ego não se sente bem, à vontade, com montículos; ele quer montanhas. Mesmo se isso for uma miséria, não deve ser um montículo, deve ser um Everest. Mesmo que isso seja miserável, o ego não quer ser ordinariamente miserável; ele quer ser extraordinariamente miserável.

As pessoas continuam sempre criando grandes problemas do nada. Eu tenho conversado com milhares de pessoas sobre os problemas delas e realmente não encontrei ainda um problema real! Todos os problemas são falsos – você os cria porque sem problemas você se sente vazio. Não há nada para fazer, nada com o que lutar, nenhum lugar para ir. As pessoas vão de um guru para outro, de um mestre para outro, de um psicanalista para outro, de um grupo de encontros para outro, porque se não forem, eles se sentem vazios e subitamente, sentem que a vida é insignificante. Você cria os problemas para que você possa sentir que a vida é um grande trabalho, um crescimento, e que você precisa lutar muito.

O ego só pode existir quando existe luta, lembre-se – quando ele luta. E se lhe digo, ‘Mate três moscas e você ficará iluminado, você não irá acreditar em mim. Você dirá, ‘Três moscas? Isso não parece muito. E ficarei iluminado? Isso não parece ser inverossímil. Se eu disser que você terá que matar setecentos leões, é claro que isso parece mais! Quanto maior o problema maior o desafio...E com o desafio surge seu ego, ele paira nas alturas. Você cria os problemas. Eles não existem.

Os padres, os psicanalistas e os gurus – eles estão felizes porque todo o negócio deles existe por sua causa. Se você não criar montículos do nada e você não transformar seus montículos em montanhas, qual o sentido de gurus lhe ajudarem? Primeiro você precisa estar na condição de ser auxiliado.

Os mestres verdadeiros dizem outra coisa. Eles dizem, “Por favor, vejam o que você está fazendo, que bobagem você está fazendo. Primeiro você cria um problema, depois você vai em busca de uma solução. Apenas veja que você está criando o problema, exatamente no princípio, quando você estiver criando o problema, essa é a solução – não o crie!” Mas isso não lhe agradará porque então você está subitamente voltando para si mesmo. Nada para fazer? Nada de iluminação? Nada de satori? Nada de samadhi? E você está profundamente cansado, vazio, tentando preencher-se com qualquer coisa.

Você não tem nenhum problema; somente isso precisa ser entendido. Agora mesmo você pode deixar todos os problemas porque eles são criações suas. Dê outra olhada nos seus problemas: quanto mais profundamente você olhar, menores eles parecerão. Continue olhando para eles e aos poucos, eles começarão a desaparecer. Prossiga olhando e subitamente você descobrirá que há uma vacuidade... Uma bela vacuidade lhe cerca. Nada para fazer, nada para ser, porque você já é isso.
Iluminação não é algo a ser alcançado, é somente para ser vivido. Quando digo que alcancei a iluminação, estou simplesmente dizendo que decidi viver isso. Já chega! E desde então tenho vivido-a. É uma decisão de que agora toda essa besteira de criar problemas e encontrar soluções acabou.

Toda essa bobagem é um jogo que você está jogando consigo mesmo: você mesmo está escondendo e você mesmo está procurando, você é ambas as partes. E vocês sabem disso! Eis porque quando digo isso vocês riem, dão risadas. Não estou falando sobre alguma coisa ridícula; vocês o compreendem. Vocês estão rindo de si mesmos. Apenas observem a si mesmos rindo, apenas olhem para seus próprios sorrisos; vocês o compreendem! Isso tem que ser assim porque é seu próprio jogo: você está escondendo e esperando que você mesmo seja capaz de procurar e encontrar a si mesmo.

Você pode encontrar a si mesmo agora porque é você que está escondendo. Eis porque os mestres Zen prosseguem batendo. Sempre quando alguém chega e diz, “Eu gostaria de ser um Buda”, o mestre fica muito zangado. Porque ele está pedindo uma bobagem, ele é um Buda. Se Buda chegar para mim e perguntar como ser um Buda, que devo fazer? Irei bater na cabeça dele. “A quem você pensa que está enganando? Você é um Buda!”

Não crie problemas desnecessários para você. E o entendimento descerá sobre você se você observar como você torna um problema cada vez maior, como você o engendra, e como você ajuda a roda a girar cada vez mais rápido. Assim de repente, você está no topo da sua miséria e você está necessitando da simpatia do mundo inteiro.
O ego precisa de problemas. Se você compreender isso, na própria compreensão as montanhas viram montículos novamente, e então os montículos também desaparecem. Subitamente há vacuidade, pura vacuidade por toda parte. Isso é tudo o que a iluminação é – um profundo entendimento de que problemas não existem. Assim, sem nenhum problema para resolver, o que você vai fazer? Imediatamente você começa a viver. Você irá comer, irá dormir, irá amar, irá bater papo, irá cantar, irá dançar. O que tem mais para fazer? Você se tornou um deus, você começou a viver!

Se as pessoas pudessem dançar um pouco mais, cantar um pouco mais, serem um pouco mais malucas, a energia delas estaria fluindo mais, e os problemas delas irão desaparecer aos poucos. Daí eu insistir tanto na dança. Dance até o orgasmo; deixe que toda a energia se torne dança e subitamente, você verá que você não tem nenhuma cabeça. A energia presa na cabeça se move ao redor, criando belos padrões, pinturas, movimentos. E quando você dança chega um momento que o seu corpo não é mais uma coisa rígida, se torna flexível, fluido. Quando você dança chega um momento quando sua fronteira não está mais tão clara; você se funde e se dissolve com o cosmos, as fronteiras ficam misturadas. Assim você não cria qualquer problema.

Viva, dance, coma, durma, faça as coisas tão totalmente quanto possível. E lembre-se sempre: quando você flagrar a si mesmo criando algum problema, dê o fora dele, imediatamente.

Fonte: Osho, Extraído de: Ancient Music in the Pines

Posted by Lilia at 01:13 PM|Comments (0)
 
  06.08.08- Não retenha o lixo

Daniel C. Luz


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Antes de começar a receber idéias, coisas e pessoas novas em sua vida, é essencial que você abra espaço para elas. E isso significa jogar fora tudo o que você não usa mais, não precisa ou não gosta.
Se estivesse redecorando sua casa, você removeria todas as coisas velhas antes de arrumar os móveis novos em seus lugares... É a mesma coisa com sua vida. Atravancamento, tanto físico como emocional, toma espaço e bloqueia o caminho, impedindo coisas novas de entrar. Assim, seja implacável no que diz respeito a livrar-se daquilo que já não lhe serve mais.

Você já ouviu falar do "Pelicano"? O "Pelicano" é o navio mais indesejado do mundo. Desde 1986 ele tem sido o errante dos mares. Ninguém o quer. O Sri Lanka não oquer. As Bermudas não o querem. A república Dominicana o expulsou. A mesma coisa fizeram a Holanda, as Antilhas e Honduras.
O problema não é o navio. Embora enferrujado e inoportuno, o cargueiro de 466 pés apresenta boas condições de navegação. O problema não é a documentação do navio. Os proprietários atualizaram a licença e as taxas foram pagas.
O problema não é a tripulação. Eles podem sentir-se indesejados, mas não são ineficientes. Então, qual é o problema? Qual é a causa para anos de rejeição?
Recusado no Sri Lanka. Expulso na Indonésia. Rejeitado no Haiti. Por que o "Pelicano" é o navio mais indesejado do mundo?
É simples. Ele está cheio de lixo. Quinze mil toneladas de lixo. Cascas de laranja. Garrafas de cerveja. Jornais. Restos de cachorros-quentes. Lixo. O lixo do longo verão da Filadélfia em 1986. Foi quando os trabalhadores municipais fizeram uma greve. Foi quando o lixo cresceu mais e mais. Foi quando o estado da Geórgia o recusou e Nova
Jersey não o quis. Ninguém quis o lixo de Filadélfia. Foi assim que o "Pelicano" entrou em cena.
Os proprietários pensaram que ganhariam um dinheiro fácil com o transporte do lixo. O material foi queimado e o navio foi carregado com as cinzas. Mas ninguém as quer. No inicio, o problema era sua grande quantidade. No final era um lixo muito antigo. Quem vai querer lixo potencialmente tóxico?
“É importante limpar tudo. Talvez essa idéia o assuste, mas depois que tudo estiver em ordem, você sentirá um enorme alívio” A situação do "Pelicano" é uma prova. Navios cheios de lixo encontram poucos amigos.

A situação do Pelicano é também uma parábola. Corações cheios de lixo não têm melhor sorte. Imagino que alguém pode se comparar ao "Pelicano". Será que você também é rejeitado no cais? Será que está navegando para longe dos seus amigos e da sua família? Se for assim, você deve verificar a bagagem que está em seu coração. Quem vai querer oferecer espaço no cais para um coração que não tem mais espaço para nada e cheira mal?
A vida tem seu próprio modo de descarregar o seu lixo em casa ou no convés de nosso navio. O seu marido trabalha muito. A sua esposa reclama muito. O seu chefe exige muito. Os seus filhos choramingam muito. O resultado? Lixo. Cargas e mais cargas de ira. Culpa. Pessimismo. Amargura. Intolerância. Ansiedade. Decepção. Impaciência.
Tudo isso vai se acumulando. O lixo nos afeta. Contamina nossos relacionamentos. Mantenha o lixo a bordo e as pessoas sentirão o seu mau cheiro. Os problemas do "Pelicano" começaram com o primeiro carregamento. A tripulação deveria tê-lo rejeitado desde o inicio.
A vida de todos a bordo teria sido muito mais fácil se não tivessem permitido que o lixo se acumulasse. Como você poderia mudar a situação do "Pelicano"? Mudando seu carregamento. Encha o seu convés e os seus depósitos com flores ao invés de lixo, com presentes ao invés de cinzas, e ninguém recusará o navio. Mude o carregamento e você mudará o navio.

Para o que, ou quem, você precisa dizer "não"? O que ou quem você meramente tolera? Está na hora de terminar um relacionamento que o desgosta? De recusar-se a fazer favores que até agora fez porque sentia obrigação? É importante limpar tudo. Talvez essa idéia o assuste, mas depois que tudo estiver em ordem, você sentirá um enorme alívio.
"Como nós somos produtos da natureza não há defeito que não possa se tornar uma virtude, nem uma virtude que não possa se tornar um defeito." (Johann Goethe)

Imagem: lilia lima

Posted by Lilia at 06:55 PM|Comments (0)
 
  Banho no rio

Richard Simonetti

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Saiba, prezado leitor, que é impossível você banhar-se duas vezes no mesmo rio.
Não se trata de nenhum rio especial, dominado por piranhas, ou gelado demais, onde se mergulha uma vez e nunca mais.
Pode ser qualquer curso d’água. Quem diz isso é Heráclito (540-480 a.C.), filósofo grego de Éfeso, que, em virtude de suas idéias complexas, era chamado “o obscuro”.
O insólito rio, onde é impossível tomar banho mais de uma vez, está longe de justificar o depreciativo apelido.
É fácil entender sua afirmação. Em qualquer trecho onde nos banhemos, fluem sem fim as águas, a seguirem seu curso.
É como se fossem rios a se sucederem, infinitamente. As águas de nosso banho não voltarão jamais.
Heráclito usava essa imagem para demonstrar que tudo no Universo está em contínua agitação, um fluir incessante, renovando-se as situações, os dias, as horas… Esse movimento é orientado pelo logos, uma idéia diretora, uma razão primordial.
Toda a virtude está no esforço por observar os princípios éticos que dele emanam.
Mudam as palavras, perpetuam-se os princípios, quando exprimem a verdade.
A Doutrina Espírita nos diz que há, realmente, um poder diretor para o Universo, um logos. Ele é sustentado por Deus, o Criador incriado, a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas, como está na questão primeira de O Livro dos Espíritos. O logos consubstancia-se nas leis divinas que regem nossa evolução, das quais nos fala Allan Kardec, particularmente quando aborda As Leis Morais, em O Livro dos Espíritos.

Ser perfectível, o Homem ainda está a caminho, submetido a mecanismos de evolução, como o rio em constante movimento, rumo ao oceano (leia-se perfeição). Sucedem-se os estímulos a cada momento, impondo-nos um caminhar incessante.
Ainda que, aparentemente, se repitam as experiências, algo vai mudando em nós, no desenrolar dos anos, renovando-nos como se renovam as águas do rio.
Há certa dificuldade para assimilar os princípios do logos.
Como explica Heráclito, tendemos, em face de nossa imaturidade, a cair no egocentrismo, a nos situar como se fôssemos o próprio.
Pretendemos, então, que tudo gire em torno de nossos interesses e paixões, qual rio represado em buraco profundo. Mas o fluxo incessante das águas o fará transbordar, impondo-lhe seguir adiante.

Podemos, no desdobramento de nossas experiências evolutivas, escoar para abismos de vícios e desatinos. Mas também experimentaremos um extravasamento, algo como o tédio da própria estagnação ou o impulso irresistível de abandonar a voragem do eu e atender à divina vocação – evoluir.
A emanar de Deus, a Vida derrama-se, incessante, na intimidade de nosso ser, induzindo-nos a seguir adiante, cada vez mais longe, rumo a gloriosa destinação.
Livro Luzes no Caminho

Posted by Lilia at 10:53 AM|Comments (0)
 
  20.06.08- Fique amigo do seu 'sabotador interno'

Patricia Gebrim

sabotador_ipe_leugarden_350.jpg A vida, como você bem sabe, por melhor ou mais equilibrada que seja, sempre nos brinda com momentos de desafio. Momentos em que a paisagem ao nosso redor não é tão bonita, o clima não é tão ameno... bem... acho que você pode imaginar do que estou falando!
Mas hoje eu quero dizer a você, leitor, que como se não bastasse termos que lidar com esses desafios externos, temos ainda que lidar com um outro desafio, talvez não tão evidente, um desafio que vem de dentro de nós, e que muitas vezes se esconde em nossas profundezas de maneira tão disfarçada que mal o reconhecemos. Estou falando do sabotador interno.

Talvez você nunca tenha ouvido falar em algo assim, talvez até pareça maluco isso de que estamos falando. Como assim? “SABOTADOR INTERNO???”
Para ajudar você a entender isso, sugiro que você pense em quantas vezes na vida você quis algo, conscientemente, mas sem perceber acabou fazendo algo que ia exatamente contra aquilo que queria. Pensou?
Ok... vou dar alguns exemplos:
Pense naquelas vezes em que, apesar de saber que está acima do peso e querer recuperar sua saúde emagrecendo uns quilos, você atacou o prato de batatas fritas ou o bolo de chocolate.
Pense nas vezes em que você queria conquistar um emprego, mas na entrevista ficou simplesmente mudo e não conseguiu mostrar nem 20% da sua capacidade.
Pense nas vezes em que você tentou se controlar, mas acabou tendo uma explosão de raiva no lugar e no momento inadequado.
O que quero dizer é que existem muitas partes de nós mesmos. E que nem sempre elas estão em acordo. E que uma dessas partes, o sabotador interno, definitivamente não está ao nosso lado. Ele se esconde, nos engana, e sempre que pode tira o tapete de nossos pés.
Esse sabotador existe porque ainda temos muitas crenças distorcidas, que trazemos de nossa infância. Essas crenças foram construídas a partir da maneira como, lá atrás, achamos que funcionava o mundo ao nosso redor.
Quando crianças, muitas vezes acabamos acreditando que não merecíamos ser amados, valorizados, reconhecidos... e por aí vai. Nos sentimos tantas vezes “maus”, nos sentimos tantas vezes “falhos”, “errados”, “imperfeitos”... que uma parte de nós acabou achando que não merecemos agora receber o que a vida tem de belo e bom. Essa parte acredita que merecemos sofrer, e gentilmente nos ajuda a ir nessa direção, estragando nossos planos mais belos, pisando sobre nosso amor e rindo de nossas tentativas de crescimento.O que ele quer de mim afinal?

Acredite ou não, ele é seu servo. Esse sabotador serve você fazendo com que as suas crenças se tornem reais. Mais ou menos assim...
(Você pensando) “Que droga, eu não consigo acertar nunca... nada dá certo para mim!”
(O Sabotador) “ Ok, meu amo e senhor ... assim seja!”- e faz você ir para a sua prova e simplesmente esquecer tudo, tudinho. Ele é tão bom que torna sua mente um grande e silencioso branco!
(Você, (que foi muito mal na prova) “Está vendo... eu não dou certo mesmo!”
(Ele, com um sorriso...) “Missão cumprida!”

Ele existe, E FOI VOCÊ QUEM O CRIOU!!!! Logo, não adianta querer matá-lo, ou expulsá-lo... ele é parte de você, lembra?
Logo, se em sua vida estiverem acontecendo muitos atos de autosabotagem, você precisa rever suas crenças a seu próprio respeito. Precisa fazer um trabalho de autoconhecimento, jogar fora aquilo em que já não acredita mais, construir uma nova visão a seu próprio respeito. Precisa aprender a ver a si próprio como uma pessoa merecedora de todas as coisas boas que a vida tem a oferecer. Precisa confiar mais em você mesmo, na sua capacidade de criar uma vida mais harmoniosa.

Nós somos os criadores de nossa vida. Podemos criar nossa vida a partir da luz clara da nossa consciência; ou podemos criar a nossa vida a partir dos atos inconscientes desse sabotador interno. E quando é assim que acontece, quando criamos inconscientemente, acabamos achando que não fomos nós que fizemos aquilo, acabamos tendo a tendência de nos sentir vítimas da vida ou de alguém.
É preciso mudar, libertar-se. A hora é agora! Pegue uma lanterna, proteja-se com o manto da verdade e embarque nessa busca sagrada pelo seu sabotador. Ele mora nas suas profundezas. E quando o encontrar, batam um longo papo. Conte a ele a nova pessoa que você é agora e dê a ele outra função em sua vida. Vai ser um alívio... para ele e para você!

Fonte: Vya Estelar
[Imagem: será ipê?, lilia lima]

Posted by Lilia at 11:53 PM|Comments (0)
 
  17.05.08- REFLEXÕES SOBRE A ARTE DE VIVER

Joseph Campbell

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Se você quer um título universitário para compensar um complexo de inferioridade, abra mão do complexo, pois ele é algo artificial.
Quando você cursa uma universidade, não faz aquilo que você quer fazer. Você descobre o que o professor quer que você faça para receber o diploma e faz isto. Se você quer o título para dar aulas, o ideal é fazer o curso da maneira mais rápida e fácil. Tendo recebido o diploma, ai você expande a sua educação.
Recebi uma bolsa de estudos na Europa, e fui cursar a a Universidade de Paris. Estava dedicando-me ao Francês ao provençal medievais e à poesia dos trovadores. Quando cheguei à Europa, descobri a Arte Moderna: James Joyce, Picasso, Mondrian – toda aquela turma. Paris, em 1927-1928, era outra coisa. Depois, fui à Alemanha, comecei a estudar Sanscrito e me envolvi com o hinduismo. Depois Jung enquanto estudava na Alemanha. Tudo estava se abrindo – deste lado, daquele lado. Bem, a minha dúvida na época foi: “Devo voltar para aquela garrafa?” Meu interesse pelo romance celta se fora.
Fui à universidade e disse: “Olha, não quero voltar para aquela garrafa”. Tinha feito todas as matérias necessárias para o título; só precisava redigir a maldita tese. Não me deixavam ir para outro lugar e dar prosseguimento aos estudos, e por isto eu disse, vão para o inferno. Mudei-me para o campo e passei cinco anos lendo. Nunca tirei meu Ph.D. Aprendi a viver com absolutamente nada. Estava livre e não tinha responsabilidades. Foi maravilhoso.

É preciso coragem para fazer aquilo que você deseja.
Outras pessoas tem um monte de planos para você.

Ninguém quer que você faça o que você quer fazer.
Eles querem que você embarque na viagem deles, mas você pode fazer o que quiser.
Eu fiz isto. Fui para o mato e li durante cinco anos.
Foi entre 1929 e 1934, cinco anos. Fui para uma pequena cabana em Woodstock, Nova York, e mergulhei. Tudo que fazia era ler, ler, ler, e tomar notas. Foi na épca da Grande Depressão. Eu não tinha dinheiro, mas havia uma importante distribuidora de livros em Nova York chamada Stechert – Hafner, e eu escrevia e pedia livros para eles – os livros de Frobenius eram caros – e eles me mandavam alguns exemplares, e eu não pagava. Era assim que as pessoas agiam durante a Depressão. Eles esperaram até eu conseguir um emprego, e então eu os paguei. Foi um gesto muito nobre. Fiquei realmente grato por eles.
Li Joyce, e Mann e Spengler. Spengler fala de Nietzsche. Vou a Nietzsche. Então, descubro que não se pode ler Nietzsche sem ter lido Schopenhauer, e por isso vou a Schopenhauer. Descubro que não se pode ler Schopenhauer sem ter lido Kant. Então, vou a Kant.– bem, concordo, vc pode começar daqui, mas é bem difícil. Depois Goethe.
Era excitante ver que Joyce estava na verdade, lidando com o mesmo material. Ele nunca menciona o nome de Schopenhauer, mas posso provar que esse foi uma figura importante na forma como Joyce construiu seu sistema.
Depois leio Jung e vejo que a estrutura de seu pensamento é basicamente a mesma de Spengler, e fico reunindo todo este material…
Não sei como passei esses cinco anos, mas estava convencido de que ainda sobreviveria mais alguns. Lembro-me de uma ocasião em que tinha uma nota de um dólar na gaveta de uma cômoda, e eu sabia que enquanto ela estivesse ali, eu ainda contaria com meus recursos. Foi bárbaro. Eu não tinha responsabilidades, nenhuma. Era excitante – escrever meus comentarios no diario, tentar descobrir o que eu queria. Ainda tenho tudo isto. Quando leio esse material hoje, não consigo acreditar.
Na verdade, houve momentos em que quase pensei – quase pensei – “Caramba, gostaria que alguém me dissesse o que eu tenho de fazer”, algo assim Ser livre, implica tomar decisões, e cada decisão é uma decisão que altera o destino. É muito difícil encontrar alguma coisa no mundo exterior que se ajuste ao que o sistema dentro de você tanto anseia. Hoje, sinto que tive uma vida perfeita: aquilo de que precisava apareceu justamente quando eu precisava. Na época, eu precisava viver sem emprego durante cinco anos. Isso foi fundamental.
Como diz Schopenhauer, quando você analisa sua vida em retrospecto, tem a impressão de que seguiu um enredo, mas, no momento da ação, parece o caos: uma surpresa atrás da outra. Depois, mais tarde, você vê que foi perfeito. E tem uma teoria: se você estiver seguindo seu próprio caminho, as coisas virão até você. Como é seu próprio caminho, e ninguém o percorreu antes, não existe um precedente; logo, tudo que acontece é uma surpresa, e na hora certa.

Fonte: Terra Mística
Imagem: Lilia Lima


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  12.10.07- Todo comportamento tem uma intenção positiva

Nelly Beatriz M.P. Penteado

wildpurpleflower_lakeclermontbeach_400.jpg Todo comportamento tem uma intenção positiva. Sempre. Pelo menos do ponto de vista de quem o pratica. Reconhecer este fato pode ser a solução para a maioria dos problemas de relacionamento.
Imagine uma criança que finge estar com dor de barriga para não ir à escola. Provavelmente, ela está tentando se proteger de algo (uma prova, uma briga) ou buscando algum ganho (assistir T.V., jogar futebol). Para resolver o impasse, o primeiro passo é conhecer qual é a intenção positiva que está por trás do comportamento da criança. Conversar com ela para saber o que ela ganha se ficar em casa e o que poderia perder se fosse à escola. Imagine que a criança afirma que não quer ir à escola porque alguns colegas prometeram bater nela. Neste ponto, poderíamos lhe dizer algo como: "Entendo que você não quer apanhar. É muito ruim apanhar". (Dizendo isto, estamos mostrando à criança que reconhecemos a intenção positiva de seu comportamento e que damos valor a ela). "E o que você poderia fazer para poder ir à escola e não apanhar?" (Aqui estamos buscando alternativas com a criança

Reconhecer a intenção positiva, dar valor a ela e buscar alternativas. Esta seqüência pode resolver a maioria dos problemas entre as pessoas, desde a briga entre um casal, até problemas com funcionários, com filhos, alunos, etc. Talvez um dia, quando formos capazes de reconhecer a intenção positiva que existe no comportamento de todas as pessoas, nós sejamos realmente capazes de amá-las. Fica mais fácil entender o outro quando nos colocamos em seu lugar, olhamos a situação com os olhos dele e conhecemos o porquê dele fazer o que faz. Desta forma, é possível desaprovar o comportamento de uma pessoa mas ainda assim continuar gostando dela. Agindo assim, diríamos que alguém "está" (chato, agressivo, desanimado, etc.), mas não que "é". Separamos a pessoa, seu valor, de seu comportamento. (2a. parte)

O ser humano é um sistema complexo e organizado. Ele é um todo, um conjunto composto de várias partes que dependem uma das outras e que buscam o equilíbrio. A esta interdependência e equilíbrio, em PNL damos o nome de ecologia.
Todos nós temos uma ecologia interna que garante a manutenção e equilíbrio do nosso sistema. Um exemplo desta ecologia, que sempre atua a nosso favor, são aquelas mudanças que queremos realizar mas não conseguimos. Nestes casos, é como se sentíssemos que algo nos impede, nos bloqueia.
Muitas pessoas se revoltam contra si mesmas e chegam a sentir raiva por não conseguirem efetivar determinadas mudanças. Na verdade, deveríamos ser gratos à nossa ecologia interna, pois, como explicaremos a seguir, ela sempre nos protege.

Como aquela pessoa que prometeu a si mesma parar de fumar neste ano. Apesar de bem intencionada, como costuma acontecer quando um novo ano se inicia, é como se uma parte sua (ou várias) não concordasse e a impedisse de todas as formas. Isto ocorre porque, neste exemplo, a mudança desejada não seria ecológica. Se fôssemos investigar junto à parte (ou às partes) que tem objeções à mudança, constataríamos talvez que ela aja assim porque fumar é uma das poucas alegrias que aquela pessoa tem na vida. Como afirmamos, nosso sistema possui uma ecologia que nos protege, que busca o equilíbrio. E além disso, todo comportamento tem uma intenção positiva. Portanto, fumar para esta pessoa tem a intenção positiva de lhe dar prazer, alegria. E a parte dela que não quer que ela pare de fumar tem a intenção positiva de garantir que ela continue tendo este prazer.

Pensando de outra maneira, o que seria desta pessoa se de repente ela fosse impedida, por si mesma ou por outra pessoa, de obter este prazer? Ocorreria um desequilíbrio grave e o sistema todo seria afetado, ou seja, outras partes suas também seriam prejudicadas. Exagerando um pouco, poderíamos imaginar que esta pessoa, não tendo mais aquele motivo que a deixava alegre (o cigarro), não teria também motivação para trabalhar, resolver problemas, sair com os amigos, etc.
O que fazer então? Desenvolver outras alternativas que garantam o mesmo prazer que o cigarro, mas que não sejam nocivas à saúde e ao equilíbrio do sistema, ou seja, alternativas ecológicas. Se alguém se propõe a fazer exercícios ao invés de fumar, sendo que detesta se exercitar, não funciona, pois a alternativa não é ecológica - gerará objeções na parte que não gosta de exercícios.
Ou se promete a si mesmo um prêmio ao final de um ano, comprado com o dinheiro que seria gasto com cigarros, também não funciona, não é ecológico, pois a alternativa deveria proporcionar prazer imediato, como o cigarro, e não daqui a um ano.

É importante ressaltar que cada um possui sua própria ecologia. Assim, uma alternativa pode ser ecológica para uma pessoa e não o ser para outra.
Há pessoas que desconsideram sua ecologia, que tentam sabotar suas partes internas que têm objeções à mudança pretendida. É o caso daqueles que trancam o maço de cigarros à chave, saem de casa sem levá-lo consigo, numa verdadeira briga interna.
Ou então aquelas pessoas que querem emagrecer e que para isso usam a chamada força de vontade. Como o próprio nome diz, trata-se de uma força, só que neste caso ela é usada contra a pessoa, contra aquela parte interna que quer comer. Trava-se uma batalha interna, da qual ora uma, ora outra parte sairá vitoriosa. E então aquela pessoa engorda e emagrece sucessivas vezes.

Considerando que nosso sistema busca o equilíbrio, se ele for privado de algo por um certo tempo, tentará recuperá-lo num outro período.
É como se a parte que quer emagrecer e a parte que quer comer vivessem disputando o poder, e a cada período uma delas assumisse o controle da situação.
Melhor seria se elas entrassem num acordo, de forma que a intenção positiva de ambas fosse respeitada e que elas não mais se interrompessem. Neste caso, caberia a pergunta: "O QUE, QUANTO E QUANDO vou comer para pesar X Kg"? "QUANTO preciso comer para poder emagrecer X Kg em X DIAS?"
Ou então, que cada uma das partes buscasse uma outra alternativa para conseguir realizar sua intenção positiva. Poderíamos perguntar às partes: "Existem outras formas de obter prazer e alegria além de comer?" Ou "Existem outras formas de perder peso além de reduzir a quantidade de alimentos ingeridos?"
Por exemplo, se a parte que quer comer para satisfazer a intenção positiva de preencher aquele vazio que sente falta de carinho, de afeto (ou de alegria, de novidades, etc.), se esta parte concordar em obter este afeto através do contato com amigos de verdade (e não mais do amigo imaginário que o alimento representava), ela perceberá que não lhe será negado aquilo que buscava (o afeto), apenas mudará a fonte através da qual o recebe.

Conclui-se que sempre que alguém está diante de uma questão como "Quero mas não consigo "ou "Quero X, mas Y me impede", está ocorrendo um problema de ecologia. Neste casos, é necessário conhecer todas as partes envolvidas na questão para que se encontre uma alternativa que satisfaça a todas elas, uma alternativa que seja ecológica, o que equivaleria a um acordo entre as partes.
Além disso, é necessário resignificar (redescobrir o verdadeiro significado, atribuir um novo significado a) a comida, o cigarro. No caso da comida, será necessário separar afeto e alimento, de forma que se perceba que afeto é diferente de prazer gustativo - que não deixará de existir e de ser apreciado. Trata-se desfazer um condicionamento.
Finalizando, gostaríamos de ressaltar que as "partes" a que nos referimos aqui não existem como tal. Falamos em "partes" assim como poderíamos falar de "lados", sendo este apenas um modelo que nos ajuda a compreender melhor a questão. O uso de modelos é comum também em Química, Física (por exemplo, o modelo tridimensional do átomo) e constituem uma tentativa de ilustrar melhor o funcionamento de algo.

Fonte: Nelly Penteado
[Imagem: flor selvagem, lilia lima]

Posted by Lilia at 02:27 PM|Comments (0)
 
  14.08.07- O PRINCÍPIO 90 / 10

Stephen Covey

principio9010_sunset_stgeorgeisland_350.jpg Que princípio é este?
Os 10% da vida estão relacionados com o que se passa com você, os outros 90% da vida estão relacionados com a forma como você reage ao que se passa com você.
O que isto quer dizer?
Realmente, nós não temos controle sobre 10% do que nos sucede. Não podemos evitar que o carro enguice, que o avião atrase, que o semáforo fique no vermelho. Mas, você é quem determinará os outros 90%.

Como?
Com sua reação.
Exemplo:
Você está tomando o café da manhã com sua família. Sua filha, ao pegar a xícara, deixa o café cair na sua camisa branca de trabalho. Você não tem controle sobre isto. O que acontecerá em seguida será determinado por sua reação.

Então, você se irrita. Repreende severamente sua filha e ela começa a chorar. Você censura sua esposa por ter colocado a xícara muito na beirada da mesa. E tem prosseguimento uma batalha verbal.

Contrariado e resmungando, você vai mudar de camisa. Quando volta, encontra sua filha chorando mais ainda e ela acaba perdendo o ônibus para a escola. Sua esposa vai pro trabalho, também contrariada. Você tem de levar sua filha, de carro, pra escola. Como está atrasado, dirige em alta velocidade e é multado. Depois de 15 min de atraso, uma discussão com o guarda de trânsito e uma multa, vocês chegam à escola, onde sua filha entra, sem se despedir de você.

Ao chegar atrasado ao escritório, você percebe que esqueceu sua maleta. Seu dia começou mal e parece que ficará pior. Você fica ansioso pro dia acabar e quando chega em casa, sua esposa e filha estão de cara fechada, em silêncio e frias com você.
Porquê?
Por causa de sua reação ao acontecido no café da manhã.
Pense: porquê seu dia foi péssimo?

A) por causa do café?
B) por causa de sua filha?
C) por causa de sua esposa?
D) por causa da multa de trânsito?
E) por sua causa?

A resposta correta é a E. Você não teve controle sobre o que aconteceu com o café, mas o modo como você reagiu naqueles 5 minutos foi o que deixou seu dia ruim.

O café cai na sua camisa. Sua filha começa a chorar. Então, você diz a ela, gentilmente: "está bem, querida, você só precisa ter mais cuidado". Depois de pegar outra camisa e a pasta executiva, você volta, olha pela janela e vê sua filha pegando o ônibus. Dá um sorriso e ela retribui, dando adeus com a
mão.

Notou a diferença? Duas situações iguais, que terminam muito diferente.
Por quê? Porque os outros 90% são determinados por sua reação.

Aqui temos um exemplo de como aplicar o Princípio 90/10. Se alguém diz algo negativo sobre você, não leve a sério, não deixe que os comentários negativos te afetem.. Reaja apropriadamente e seu dia não ficará arruinado.

Como reagir a alguém que te atrapalha no trânsito? Você fica transtornado? Golpeia o volante? Xinga? Sua pressão sobe? O que acontece se você perder o emprego? Por quê perder o sono e ficar tão chateado? Isto não funcionará. Use a energia da preocupação para procurar outro trabalho. Seu vôo está atrasado, vai atrapalhar a sua programação do dia. Por quê manifestar frustração com o funcionário do aeroporto? Ele não pode fazer nada. Use seu tempo para estudar, conhecer os outros passageiros. Estressar-se só piora as coisas.

Agora que você já conhece o Princípio 90/10, utilize-o. Você se surpreenderá com os resultados e não se arrependerá de usá-lo. Milhares de pessoas estão sofrendo de um stress que não vale a pena, sofrimentos, problemas e dores de cabeça. Todos devemos conhecer e praticar o Princípio 90/10.
Pode mudar a sua vida!

Fonte: Empreender para Todos
Imagem: foto Lilia Lima

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  23.05.07- Ressentimento

Louise L. Hay

ressentimentos_yosemitemirrorlake.jpg O ressentimento é a raiva há muito sufocada. O principal problema do ressentimento é que ele costuma se alojar sempre em uma determinada parte do organismo. Com o passar do tempo, naquele local vai se formando um cisto, que pode se transformar em tumor, que vai comer o corpo por dentro. Portanto, não existe nada pior para a saúde do que a raiva reprimida durante muitos anos.

Muitos de nós fomos criados em famílias em que não era permitido extravasar raiva. Em algumas delas, só o chefe da casa possuía esse direito. Dessa forma, os outros tinham de aprender a engolir a raiva. Isso é especialmente freqüente com mulheres, que em geral foram ensinadas que externar raiva era pouco feminino e sinal de falta de educação.

Muitas mulheres criam quistos ou tumores no útero devido àquilo que chamo de sindrome ele me magoou. Elas são pessoas com problemas emocionais que guardam seu ressentimento na área genital. Agem como as ostras, que, ao absorverem um grão de areia, criam em torno dela camada após camada de carbonato de cálcio para escaparem da irritação, até que se forma uma pérola. Essas mulheres absorvem a mágoa e ficam repisando seu ressentimento ou, como costumo dizer, passando sempre o velho filme, e as camadas e camadas de raiva reprimida acabam se transformando em um quisto e depois um tumor.

Como o ressentimento geralmente está muito fundo dentro de nós, é comum ele exigir muito trabalho mental para ser dissolvido. Recebi uma carta de uma senhora que estava lidando com seu terceiro tumor canceroso. Ela me contou que fazia muito trabalho mental, mas percebi por suas palavras que ainda guardava dentro de si um forte sentimento de indignação e amargura, que, no fundo, ela achava mais fácil deixar a cargo do médico extrair o tumor que trabalhar com grande constância em dissolver seus ressentimentos Ora, os médicos podem ser muito bons em extrair quistos ou tumores, mas só o próprio paciente pode impedir de voltar.

Existem pessoas que preferem morrer a mudar seus padrões. Você com certeza conhece alguém que se recusa a modificar seus hábitos alimentares, apesar de saber que corre perigo ao mantê-los. Isso pode ser bastante difícil para uma pessoa que vê um ente querido praticando exageros e percebe que é incapaz de modificá-lo.

No entanto, tenha em mente que não importam as escolhas, elas são sempre as corretas para quem as faz dentro do seu nível de compreensão e conhecimento. Não existe culpa, mesmo se a pessoa deixar este planeta devido a seus hábitos arraigados.

Ninguém deve se culpar por falhar ou fazer algo errado. Repito: uma pessoa está sempre fazendo o melhor possível dentro do grau de percepção e conhecimento que possui. Estamos todos em uma interminável viagem pela eternidade.. ."

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  02.03.07- Abandonando a Necessidade de controle

Rogério Pires

abandonandonecessidadecontrole_patriciaaschwimmer_flightfreedom.jpg Todos nós temos tendência em querer controlar o Universo à nossa volta e o simples sentimento de que não possuímos o controle de uma determinada situação, faz-nos entrar em contato com vibrações mais densas, não construtivas. Pensamentos negativos, atitudes impensadas, sentimentos e emoções desequilibradas.

Não necessariamente, aquilo que desejamos é o mais apropriado para o nosso direcionamento evolutivo, mesmo assim vibramos em relação ao que desejamos de forma bastante intensa, entrando em um estado de enorme ansiedade em relação àquilo que criamos expectativas de concretização, este tipo de atitude, pode obscurecer e até, interferir naquilo que é essencial para nós, gerando desconforto, sofrimento e medo.

Temos medo de não realizar todas as nossas vontades e expectativas, o medo aumenta ou diminui, conforme o grau de importância em relação àquilo que desejamos. A necessidade de controle é decorrente do medo, pois ambicionamos manipular todas as possibilidades de um acontecimento por temer que ele não se concretize da maneira que desejamos.

Desde novos aprendemos que devemos correr atrás de nossos sonhos, que tudo que acontece em nossas vidas é fruto de nossa busca incessante de métodos para viabilizar a realização dos nossos desejos. Ferramentas de busca para saciar a nossa ilusão de onipotência e possível onipresença.

A cobrança em relação a essa atitude é enorme, e o medo da não realização, associado ao medo de ser cobrado, mesmo que essa cobrança parta do próprio indivíduo, faz com que ele entre em um ciclo vicioso de expectativas, ansiedades e sofrimentos. O tempo de latência entre a criação de um desejo e a sua concretização pode ser bem sofrido, isso se a consolidação vier a acontecer.

Não é errado lutarmos por aquilo que desejamos, ter força de vontade para buscar aquilo que se deseja é louvável e admirável. Sendo que, não podemos esquecer que tudo nessa vida tem seu tempo de criação, todos os acontecimentos têm os seus ritmos certos de realização, criar expectativas, se envolver em um processo de ansiedade, pode nos arrastar para um padrão de negatividade tão intensa, capaz de dificultar e até fazer com que os nossos objetivos não sejam realizados.

Albert Einstein afirmava que só conseguia resolver um problema quando deixava de pensar nele, e a solução aparecia para ele através de insights. Quando uma situação esperada e muito desejada demora a acontecer em nossas vidas, o melhor a fazer, é abandonar a maneira que se relaciona com o objeto de desejo. Às vezes, somente deixando de lado a expectativa e a ansiedade em relação as nossas metas, faz com que a nossa vontade se realize, abandonando todos os processos vibracionais negativos que estavam interferindo, atrasando, inviabilizando a realização do que foi planejado.

Imagine que um problema se apresente e o indivíduo escuta de todos à sua volta, “não pense no problema”, “deixe isso para lá...”, “não fique chateado por seu problema...”, desta forma, o foco de atenção ainda continua sendo o problema, pois ele não deixou de ser mencionado e conseqüentemente o indivíduo não consegue tirá-lo de sua cabeça fazendo com que o mesmo se potencialize e permaneça por um período de tempo superior.

É importante adaptarmos os nossos conceitos mentais para que se tornem “afins” com aquilo que realmente precisamos, confiar na sabedoria universal de que tudo que realmente necessitamos pode ser alcançado com a utilização de um esforço consciente se for idealizado de maneira correta e construtiva.

Fonte: somos todos um
[Imagem: Patricia A. Schwimmer, Flight Freedom]

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  01.02.07- Afinal, você quer ou não ser feliz?

Eunice Ferrari





descedacruz.bmp "Para onde vais? Tantos milhares de anos são necessários para acordar, mas, por piedade, tu acordarás?" Christopher Fry

Costumo mencionar na maioria de minhas matérias que o grito de Aquário é "Filhos, desçam da cruz!", mas infelizmente, muitos de nós, ainda aprisionados pelas correntes da Era de Peixes, que devo admitir, são dificílimas de se romper, não conseguem captar intuitivamente a profundidade que existe por trás dessa pequena frase. Todos nós, pelo menos em sua maioria, nos acostumamos à imagem de Jesus Cristo pregado na cruz, que, se refletirmos com bastante seriedade, é uma imagem profundamente deprimente.

No decorrer de muitas de nossas vidas nos ensinaram que a mensagem que Jesus Cristo nos deixou é uma mensagem de sofrimento. E que esse é um sofrimento que todos nós devemos manter em nossos corações e em nossas vidas. Se você parar para refletir e se aperceber quais sentimentos são desencadeados quando olhamos Sua imagem na cruz, você perceberá que imediatamente a sensação de culpa pelo Seu sofrimento é aflorada, porque nos ensinaram que Ele, o nosso Grande Mestre Jesus, morreu por nós.

Jesus, em sua passagem aqui na Terra, nos deixou uma série de mensagens, que se você estudar com mais profundidade, perceberá que nenhuma delas nos fala de sofrimento, de aprisionamento ou culpa. Todas as mensagens de Jesus nos falam de Amor, Compaixão, Igualdade, Fraternidade, Liberdade, Vida e Verdade. Sentimentos esses que, se verdadeiramente conscientizados e desenvolvidos dentro de nós, nos remetem para bem longe do sofrimento.

O amor, nosso maior legado como humanos, é libertador, assim como a compaixão, a vida e a verdade.

...
Hoje, passados mais de dois mil anos, ainda resistimos à verdade de seus ensinamentos, ainda acreditamos que sua mensagem é de sofrimento, que a imagem que devemos guardar Dele é a de sua dor na cruz. Por que não nos apegamos à imagem e ao júbilo da ressurreição? Por que ainda acreditamos que nosso caminho pela Terra deva ser de sofrimento?

Essa foi nossa durante todos esses séculos, mas agora, a mensagem deve ser reavaliada, pois nosso inconsciente coletivo está carregado de dor e isso deve mudar..

Quando você se olha no espelho, o que enxerga? Você se sente uma pessoa feliz? Como está se sentindo hoje? Radiante, como chispa de Deus que você é? Ou ainda acredita que tem alguma dívida a pagar? Você acha mesmo que está sofrendo porque está cumprindo algum carma? Ou não consegue sair dessa situação porque tem medo?

Todo poder de criação está em você. A religião ortodoxa e o materialismo nos tirou o direito de escolha, sabia? A realidade que vivemos é fruto de uma criação que não é nossa, que foi imposta pelo poder. Pense nisso. A não ser que se sinta feliz com a forma de vida que tem agora. Se esse for o seu caso, que bom que conseguiu criar sua própria realidade, mas essa não é a situação de vida da grande maioria.

Se você está infeliz por algum motivo, não se esqueça que a saída dessa situação está em suas mãos, ou melhor, está em sua mente, em seu poder mental. Você é um filho de Deus, não me canso de dizer isso. Deus é uma Grande Força, e você possui essa força dentro de você, todos nós a possuimos. Aproprie-se desse poder, que é seu! Foi dado a você desde os seus primeiros dias neste planeta, mas somente agora você está se conscientizando que o possui.

Pare agora e reflita, pense, observe-se, observe seus pensamentos, qual a vibração que eles possuem neste exato momento? Sua mente está repleta de bons ou maus pensamentos? Você está se olhando como um ser perfeito ou imperfeito? Você se acha merecedor de tudo aquilo que deseja, ou há um lado em sua mente que diz: Imagina que você conseguirá, isso não é para você! Não se iluda, não dê ouvidos ao seu ego. Você possui uma mente divina e é a ela que deve se unir. Uma mente unida ao seu coração e ao coração do Universo, que é abundante. Uma mente positiva, criativa e repleta de poder. Aproprie-se dessa mente, que é sua! Acredite em você! Desça da cruz, pois foi você mesmo quem se crucificou.

Fonte: terra esotérico
[Imagem: Christ of Saint John of the Cross, Salvador Dali]

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  08.09.06- É Possível Sair do Sofrimento, ou Uma Poética do Espaço

Isabela Bisconcini

whatthebleepdoweknow.jpg Estamos imersos no nosso próprio sofrimento. A cada evento que consideramos desagradável reagimos com desarmonia, com mais desagrado e assim geramos mais sofrimento. A esse círculo vicioso e condicionado o budismo chama "Samsara".

O filme "Quem Somos Nós?" (documentário com depoimentos de cientistas que fazem a ponte entre espiritualidade e ciência) em cartaz na cidade, nos diz que no nível subatômico, a essência de qualquer fenômeno físico é o espaço. O espaço das possibilidades, das quais a realidade que cada um vive é só uma dentre infinitas outras possíveis. Por que então insistimos nos mesmos caminhos?

Criamos desde que nascemos, ou se falarmos de uma perspectiva budista, desde um tempo sem início, marcas no nosso continuum mental; as sementes das situações que hoje experimentamos. O filme nos fala que: o que não existe no cérebro, com uma matriz previamente instalada, simplesmente não é percebido; não existe para aquela mente. De fato, o filme nos diz que temos acesso a cada momento a 4 bilhões de bits de informação, dos quais chegam à consciência apenas 2.000 bits. Ou seja, o que percebemos da realidade é condicionado e previamente filtrado, de acordo com os nossos programas pré-instalados. O budismo chamaria os programas já instalados das marcas mentais, ou as impressões que já temos gravadas no nosso continuum mental (poderíamos chamá-lo de disco rígido) e que condicionam o que da realidade perceberemos. Do ponto de vista científico, a mente é identificada com o cérebro, enquanto que do ponto de vista budista a mente não se resume à sua base química, é considerada do ponto de vista mais sutil, pois uma vez que acaba a realidade física (quando o corpo morre) a mente continua a existir. No entanto, ambos concordam absolutamente que o mundo interno é mais poderoso do que o externo, pois é ele que determina/ filtra o que você perceberá do mundo externo.

Assim, vamos criando uma teia de sinapses, de respostas para as situações que se nos apresentam, que se constituem nas ligações entre neurônios que, se freqüentemente repetidas, vão gerar o que no filme é chamado de "relação de longa duração entre os neurônios". Assim, geramos condicionamentos, as marcas mentais para o budismo, respostas habituais com as quais nos identificamos, pensando que isso é o que somos. A cada vez que reagimos de uma forma conhecida (habitual) reafirmamos - recriamos - os caminhos sinápticos pelos quais passa a percepção da realidade no nosso cérebro. Como uma trilha que quanto mais é utilizada vai reforçando um caminho, até que este vira uma estrada, assim funcionam nossas respostas bioquímicas diante das situações; assim estabelecemos as crenças do que é a realidade para nós: por fazermos sempre as mesmas associações de neurônios. Mas pense: neurônios são "soltos". Entre eles há o espaço, o espaço das infinitas possibilidades; somos nós que recriamos as ligações, refazendo as mesmas sinapses, e assim fazendo sempre o mesmo caminho de percepção da realidade.
Um outro ponto importante que o filme nos traz é o de que emoção e reação química são dois lados de uma mesma moeda. Nossas emoções geram descargas químicas que chegam às células através dos receptores celulares, e essas reações químicas viciam tanto quanto qualquer droga. Assim ficamos viciados às nossas emoções (sejam elas quais forem).
Como diz Ruth Toledo Altschuler: "Nossa biografia se torna nosso registro biológico".

Qualquer trabalho de transformação pessoal se propõe a abrir novos caminhos, visões, percepções, atitudes, em última instância, novas relações entre os neurônios cerebrais e entre estes e os receptores celulares. Mas, para isso precisamos gerar uma energia para mudança. Lama Gangchen Rinpoche nos diz que: "É preciso ter experiências positivas para querer repeti-las". É preciso relembrar através de nosso espelho de sabedoria que somos feitos de uma energia pura e bela e que, embora nossos condicionamentos nos mostrem um caminho "batido", há outras possibilidades. Eu não sou minha insegurança, não sou meu medo dos outros, não sou minha sensação de rejeição, mas estas são as marcas que cunhei, que gravei no disco do meu continuum mental. Precisamos atualizar a percepção de nós mesmos, deixando de nos contar a mesma história todo o tempo.

Nossas reações emocionais reforçam nossas crenças a respeito de nós mesmos. O espaço é a não reação.
Do espaço, brotam as situações que vivemos.
A partir do espaço, pela qualidade da intenção, as coisas ganham força e forma. O espaço das possibilidades da realidade subatômica é aquele em que a intenção plasma a realidade fenomênica.

O espaço é a desconstrução da dependência químico-emocional gerada pelos nossos condicionamentos. Desconstruir é primeiro sentir na pele a dor da cadeia do condicionamento, a dor do nosso samsara pessoal, onde nos percebemos como ratos correndo no carrossel das nossas reações habituais. Assim, em princípio, parecemos colapsar, pois passamos a enxergar as amarras. Todas as amarras. Uma maneira de desconstruirmos aquilo a que chamamos realidade é nos atermos às sensações da situação e não "irmos longe" nos emaranhando nas antigas sinapses dos nomes, julgamentos, rótulos, ou preconceitos que damos às situações. Lembro-me de uma praticante budista que, passando por uma doença, disse-me: se eu penso no nome que a doença tem, fico muito pior. Quando consigo deixar o nome de lado e fico só nas sensações, de momento a momento, e do meu dia a dia, tudo fica mais leve; de fato, não estou sentindo dor.

O filme nos aponta a direção do caminho da transformação: precisamos agüentar a retirada química das nossas adições (nossa projeção da realidade!) - a síndrome de abstinência ao vício das nossas reações emocionais/químicas; da história que nos contamos do que é a realidade - e arriscar um passo à frente e outro, de momento a momento, não respondendo ao impulso gravado que surge como "um pensamento natural". No fundo, tudo se resume a resistir à tentação de crer que o que vivemos é "A" Realidade, que as coisas "são assim". "A" Realidade não existe. Sobretudo, devemos nos concentrar na intenção de tudo o que fazemos e direcioná-la positivamente. A mente cria a realidade.

Precisamos nos ver como os co-criadores disto que chamamos realidade. Do espaço, brotam as coisas que vivemos. A partir do espaço, pela qualidade da intenção, as coisas ganham força e forma. A mente cria a realidade.
Como diz-se numa oração budista tibetana:
"Gentil Lama, Senhor que emana e reabsorve um oceano de infinitos mandalas, aos seus pés eu peço”.
A mente de cristal, livre das próprias adicções e não contaminada, como numa respiração, cria um oceano de infinitos mandalas e os reabsorve; a realidade se constrói e se desconstrói de momento a momento gerando e reabsorvendo estes infinitos mandalas. Por que precisamos ficar fixos nesta realidade condicionada e tediosa, se temos a todo instante o espaço - seja ele o espaço subatômico da ciência ou o de nossa mente de cristal puro, como nos propõe o budismo?

"Quem Somos Nós" é um chamado de responsabilidade pelo que criamos na nossa vida.

Fonte: Somos Todos Um

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  28.11.05- Avançando e recuando diante de si

Eneida Lima *

avancandorecuando-yoyo.gif O sim e o não. Eis a questão. Dizer sim quando tudo é favorável à aceitação de um momento, e dizer não quando se faz óbvia a recusa de uma situação. É fácil!

O problema existe quando queremos dizer sim e dizemos não, ou, o não grita dentro de nós e dizemos sim. Pior ainda, quando dizemos sim ou não e carregamos a culpa por termos aceitado ou negado.

No nosso processo de amadurecimento, percebemos que os fatos da nossa vida têm um seguimento e uma coerência. Não podemos avançar sem a continuidade e o encadeamento desse processo de sentimentos e pensamentos. Quando não encontramos o elo de ligação ou o fio que costura nosso entendimento, recuamos ou paralisamos no caminho.

A culpa que nos abate quando proferimos um não, revela o nosso medo frente ao julgamento e à rejeição do outro. Tentamos justificar, explicar em demasia. E, na verdade, esquecemos de ficar juntos a nós mesmos. Com coerência e determinação, respeitando o espaço, o tempo e a forma de expressão do outro, podemos dizer não sem culpa. Mas é preciso que o nosso equilíbrio esteja presente. Que o discernimento venha para separar o joio do trigo, e saber que cada coisa é tal qual se apresenta.

O sim também pode trazer culpa. Quando dizemos sim para o mundo e negamos a vida dentro de nós. A alegria e o bem-estar. Recuamos diante da colocação do outro. Todo movimento no nosso psiquismo é dual. Tem luz e sombra, é sim e não ao mesmo tempo. Depende do nosso ponto de vista. Se eu me coloco no lugar do desejo do outro, eu não consigo lhe dizer não. Mas se eu me coloco no meu lugar de participante observador, eu consigo lhe dizer não, sem achar que lhe causei alguma infelicidade.

Muitas vezes, não percebemos que o sentimento de culpa que nos atormenta, por termos dito não a alguém, encobre o descrédito que temos em relação à capacidade de adaptação do outro. Pensamos no outro como um coitado que foi frustrado e incompreendido. E, com isso, esquecemos que esse outro possui uma capacidade de reação para se adaptar a situações novas.

Outra coisa importante é que, mormente, nós somos manipulados pela fraqueza que o outro demonstra ter, e não tem. Na verdade, ele quer apenas conseguir seus objetivos. E nós entramos na história vestindo os trajes da culpa, abrindo mão de nossa verdadeira posição.

Sim e não são polaridades do mesmo eixo. Cabe a nós estarmos centrados para termos coerência e convicção da afirmativa do não e da negação do sim.

* Eneida Lima é psicóloga
fonte: JB Online caderno vida

[Imagem: Sam, my-yo-yo]

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  01.11.05- Você tem o poder!

Silvia Malamud
vocetemopoder-joanmiro-ballerinaII.jpg Se você ainda não se sente pronto para entrar em ambientes novos, com escolhas diferentes das que você tem vivenciado, isso pode significar que você ainda não compreendeu o significado total da experiência que está passando. A repetição das mesmas experiências em diferentes cenários pode servir para você se saturar e quem sabe - num destes momentos - perceber que já assimilou este aspecto da sua existência. Pense que as mudanças de cenário, podem funcionar como agentes impulsionadores para a consciência dar o pulo do gato e definitivamente sair de seu estado vicioso que gera uma espécie de sonambulismo crônico.

Por outro lado, no instante mágico em que a consciência entende a experiência que está passando, ela elabora realizando uma síntese criativa de si mesmo, ou seja, percebe-se em novas nuances com possibilidades de expressão nunca antes imaginadas.

Só mediante a sensação de êxtase numinoso provocado por um “insight”, é que a pessoa se “ilumina” habilitando-se a abandonar a sua antiga identidade construída dentro de um esquema repetitivo e efetivamente parte para muitos outros tipos de experiências.
Penso que a grande sacada da nossa era será quando saímos do cenário - que nós próprios criamos de modo inconsciente - para lucidamente nos tornamos criadores autoconscientes de novas experiências. Isto, porém requer uma transformação da estrutura do eu cultural criado para esta nossa atualidade.
O novo pode trazer um questionamento sobre a nossa identidade anterior e uma possível angustia sobre se o que virá poderá tirar os nossos pés de um território que por pior que fosse, nos era conhecido.
A minha sugestão é que, antes que você acione um desejo para uma mudança de vida, você pesquise dentro de você mesmo o quanto está apto a mudar. Mudanças podem gerar transformações importantes em toda uma vida. Não é ruim, mas você deve pesquisar se está pronto.

Se você está experienciando algo e, por mais que queira, não vê possibilidades de uma mudança, é sinal que você de algum modo ainda não está pronto para abandonar a experiência, então deve permanecer nela até sentir que pode escolher algo de diferente para si mesmo. Mas não sucumba nesta posição e lembre-se de que na maioria das vezes, você deve “gritar” para o seu corpo acordar de um vicio emocional que gera realidades repetitivas!

Para efetivamente gerar uma mudança em sua realidade existem alguns pressupostos básicos de acionamento interno:

- Acionar um desejo intenso de mudança, lembrando que o nosso corpo físico já está acostumado a interpretar a realidade de acordo com um comando anterior, e que portanto com certeza irá se opor ao novo, enviando emissores para a sua mente parar com qualquer idéia inovadora.
Use sua força e em hipótese alguma desista. Lembre-se que de inicio, o seu desejo deve se sobrepor ao vicio emocional que gera uma imensa rede de respostas neurais.

- Você tem o poder de gerar novas sinapses em si mesmo por intermédio de foco e desejo intenso.
Vale a pena mudar um padrão repetitivo e enviar ao seu cérebro um padrão de constante mudança com cheiro de aventura autoconsciente!
Para que este processo se de com eficiência, a regra básica é a de não se distrair nem por um instante de seus objetivos. Esteja no foco a todo momento!
Se você fizer isso constantemente, perceberá que dentro de você se abrirá um novo tipo de sensação confortante. Perceberá como você detém o poder de mudar a sua vida e a cada nova percepção, a sua auto-estima reforçada, robustecerá novas intenções deliberadas. A quebra de padrões repetitivos nos coloca em cheque para nos perguntarmos a todo o momento, quem desejamos ser e como.
E perceber os ecos antigos que nos davam a sensação de uma identidade - com cuidado para não sucumbirmos no antigo - até que este eco se esvaeça totalmente e você se crie deliberadamente com total autonomia.
Conceba esta possibilidade de existir e faça dos seus desejos e intenções ações conscientes de transformação pessoal.
Você pode. Você merece.

Lembre-se:
- Quem trilha o caminho do autoconhecimento está sempre se transformando e já não fica no tédio de sempre repetir as mesmas experiências. (Frase do amigo Ricardo Chioro)

Fonte: Somos Todos Um
[Imagem: Joan Miro, "Ballerina II"]

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  20.10.05- Wabi sabi e a arte da imperfeição

Adilia Belotti

wabisabi.jpg Não sei quanto a você, mas eu ando definitivamente exausta de correr atrás da perfeição. No outro dia me peguei medindo as toalhas de banho dobradas para que elas formassem impecáveis pilhas no meu armário. Uma amiga me diz que arruma os vidros de tempero por ordem alfabética!? E o pediatra solta um comentário bem-humorado sobre mães que se sentem pessoalmente insultadas quando seus filhos ficam gripados. Como se gripe fosse uma espécie de tinta que manchasse a perfeição dos seus pimpolhos...

Nosso índice de tolerância aos "defeitos de fabricação" do universo anda mesmo muito baixo. E isso nos torna a espécie mais reclamona do universo, provavelmente a única, mas é que tenho algumas dúvidas se bois e vacas interiormente não reclamam daquelas moscas sempre em volta dos seus rabos...

Passamos um bocado de tempo tentando caber nas molduras que inventamos para nós. Isso quando escapamos de tentar vestir à força as expectativas que OUTROS criaram para NÓS. Senão, me digam por que seres humanos razoáveis investiriam tanto tempo, dinheiro e energia para tentar recuperar a imagem que tinham aos 18 anos?
Por estas e por outras tantas foi que quando terminei de ler aquele livrinho senti que tinha recebido uma revelação divina!

É só um livreto, mas, ao contrário, desses livros bonitinhos que a gente compra como se fosse um cartão para dizer “Feliz Aniversário” ou “Como eu gosto de você”, não é tão fácil assim de ler. Muito menos de pôr em prática os conselhos da autora. Em português acabou chamando A arte de viver bem com as imperfeições. Uma pena, eu penso. O título em inglês é The Art of Imperfection ou A Arte da Imperfeição. Assim, simplesmente. Teria sido melhor. Porque é disto que Véronique Vienne fala no seu pequeno livro: das formas de perceber a beleza que se esconde nas frestas do mundo perfeito que tentamos, sempre em vão, construir para nós.

Você conhece aquela história de que os tapetes persas sempre tem um pequeno erro, um minúsculo defeito, apenas para lembrar a quem olha de que só Deus é perfeito? Pois é, a Arte da Imperfeição começa quando a gente reconhece e aceita nossa tola condição humana.

Véronique Vienne dividiu seu manual em dez capítulos de títulos muito sugestivos: a arte de cometer erros, a arte de ser tímido, a arte de se parecer consigo mesmo, a arte de não ter nada para vestir, a arte de não ter razão, a arte de ser desorganizado, a arte de ter gosto, não bom-gosto, a arte de não saber o que fazer, a arte de ser tolo, a arte de não ser nem rico nem famoso. E encerra o livro com 10 boas razões para ser uma pessoa comum. “A história está cheia de criaturas incompetentes que foram muitíssimo amadas, desajeitados com personalidades cativantes e gente boba que encanta a todos com seu jeito despretensioso. O segredo? Aceitar nossas falhas com a mesma graça e humildade com que aceitamos nossas melhores qualidades”, ela diz. E propõe: “Perdoe a si mesmo. (...) Você não precisa ser perfeito para ser um ser humano bem-sucedido. De fato, com mais freqüência do que imaginamos, o desejo de acertar impede as coisas de melhorarem e a necessidade de estar no controle aumenta a desordem e o caos”.

A Arte da Imperfeição, no entanto, não se limita ao reconhecimento das imperfeições humanas. Também tem a ver com nosso jeito de olhar para as coisas mais banais, mais corriqueiras e enxergá-las com outros e mais benevolentes olhos. Leonard Koren, um designer americano, publicou alguns livros tentando revelar para o nosso jeito ocidental as delicadezas do olhar wabi sabi.
Wabi sabi é a expressão que os japoneses inventaram para definir a beleza que mora nas coisas imperfeitas e incompletas. O termo é quase que intraduzível. Na verdade, wabi sabi é um jeito de “ver” as coisas através de uma ótica de simplicidade, naturalidade e aceitação da realidade.

Contam que o conceito surgiu por volta do século 15. Um jovem chamado Sen no Rikyu (1522-1591) queria aprender os complicados rituais da Cerimônia do Chá. E foi procurar o grande mestre Takeno Joo. Para testar o rapaz, o mestre mandou que ele varresse o jardim. Rikyu lançou-se ao trabalho feliz. Limpou o jardim até que não restasse nem uma folhinha fora do lugar. Ao terminar, examinou cuidadosamente o que tinha feito: o jardim perfeito, impecável, cada centímetro de areia imaculadamente varrido, cada pedra no lugar, todas as plantas caprichadamente ajeitadas. E então, antes de apresentar o resultado ao mestre Rikyu chacoalhou o tronco de uma cerejeira e fez caírem algumas flores que se espalharam displicentes pelo chão. Mestre Joo, impressionado, admitiu o jovem no seu mosteiro. Rikyu virou um grande Mestre do Chá e desde então é reverenciado como aquele que entendeu a essência do conceito de wabi-sabi: a arte da imperfeição.

O que a historinha de Rikyu tem para nos ensinar é que estes mestres japoneses, com sua sofisticadíssima cultura inspirada nos ensinamentos do taoísmo e do zen budismo, conseguiram perceber que a ação humana sobre o mundo deve ser tão delicada que não impeça a verdadeira natureza das coisas de se revelar. E a natureza das coisas é percorrer seu ciclo de nascimento, deslumbramento e morte; efêmeras e frágeis. Eles enxergaram a beleza e a elegância que existe em tudo que é tocado pelo carinho do tempo. Um velho bule de chá, musgo cobrindo as pedras do caminho, a toalha amarelada da avó, a cadeira de madeira branqueada de chuva que espreguiça no jardim, uma única rosa solta no vaso, a maçaneta da porta nublada das mãos que deixou entrar e sair.

Wabi sabi é olhar para o mundo com uma certa melancolia de quem sabe que a vida é passageira e, por isso mesmo, bela.
Para os olhos artistas de Leonard Koren wabi sabi é inseparável da sabedoria budista que ensina:

Todas as coisas são impermanentes
Todas as coisas são imperfeitas
Todas as coisas são incompletas


Daí olhar para elas de um modo wabi sabi é ver:
A beleza que existe naquilo que tem as marcas do tempo (a velha cadeira de balanço com sua pintura já gasta tomando o solzinho que entra pela janela é wabi sabi)
A beleza do que é humilde e simples (em vez de sofisticado e cheio de ornamentos inúteis)
A beleza de tudo que não é convencional (quer algo mais wabi sabi do que servir à luz de velas e em toalhas de renda um simples hamburguer?)
A beleza dos materiais que ainda guardam em si a natureza (wabi sabi é definitivamente papel, algodão, velhos e nobres tecidos, nada de plástico)
A beleza da mudança das estações (que tal experimentar descobrir os primeiros verdes fresquinhos e brilhantes que anunciam a primavera?)

A Arte da Imperfeição é ver a vida com a tranquilidade de quem sabe que a busca da perfeição exaure nossas forças e corrói nossas pequenas alegrias. Porque, como disse Thomas Moore, “a perfeição pertence a um mundo imaginário”. No nosso mundo de verdade, aqui e agora, que tal abrir os olhos para o estilo wabi sabi?

Fonte: Saindo da Matrix
[Imagem: Gilles Nadeau]

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  12.10.05- Como se libertar de um vício ou desejo

Emilce Shrividya

comoselibertardeumvicio-PeterWileman-redhorizon.jpg O desejo é um dos venenos da mente e cria energias negativas tirando nossa paz e equilíbrio.
Desejar significa querer algo, pessoas, coisas, acontecimentos e experiências. Mas significa também falta de algo. Este sentido de faltar algo é que conduz ao desejo. Quanto mais desejamos algo, mais a mente anseia por mais. O desejo é um poço sem fundo.

Em nossa sociedade não há fim para a busca incessante dos desejos. A mente está sempre querendo possuir coisas diferentes. E quando consegue uma delas, o prazer não dura. Logo outro desejo envolve você e você fica insatisfeito porque nunca poderá satisfazer todos eles. Isto gera agitação, raiva, inveja, ganância, inquietude causando sofrimento.

Por causa dos desejos, criamos os apegos, aflições, ansiedades, consumismo exagerado. Onde quer que haja um desejo, com certeza existe outro desejo.

Esses sentimentos de carência, de necessidade de nos completar e os desejos excessivos nos afastam cada vez mais da paz interior criando conflitos internos, dor, angústia e preocupação.
As pessoas acham que são livres para realizar os desejos da mente negativa, mas na verdade são escravas dos sentidos e dos desejos que geram doenças, frustrações e autopunição.

Isso não significa que devemos parar de saborear a vida, de aproveitar uma boa comida, gostar de diversão, de dançar, de fazer compras, gostar de música, cinema, teatro, bom livros. Mas precisamos do discernimento, do equilíbrio interno, do dourado caminho do meio, como diz o Yoga para sermos felizes e não escravos de nossos desejos.

Como lidar com o desejo
O Yoga nos ensina como lidar com o desejo praticando a contemplação e a meditação.
Observar a mente e identificar o que surge na mente é uma das maneiras de diminuir esta agitação constante.

É importante identificar esses venenos da mente, suas conseqüências, e nos conscientizar que podemos optar por uma melhor escolha para ser feliz. Escolher o que é benéfico e não apenas o que é prazeroso momentaneamente, mas que depois gera sofrimentos.

Uma pessoa, por exemplo, que precisa emagrecer fica travando uma luta interior com sua mente positiva e sua mente negativa. Os pensamentos ficam em ebulição ao desejar um doce ou uma comida bem calórica.

A mente positiva relaciona todas as desvantagens de não comer aquele doce ou comida, mas a mente negativa não se convence. O desejo cresce e a pessoa come o doce como se aquele prazer pudesse acalmar seus pensamentos e lhe trazer alegria e alívio da ansiedade. Mas o prazer é momentâneo e dura muito pouco. Logo ela sente culpa, sentimento de fraqueza, baixa-estima, derrota.

Isto se torna um ciclo vicioso e, novamente, os pensamentos recomeçam e a pessoa vai comer outro doce, outro pedaço de bolo, outra comida gordurosa...E assim é também com um copo de bebida, com o cigarro, com o desejo de possuir coisas, de comprar...

Como diz o Yoga, são prazeres que parecem néctar, mas que depois se tornam venenos porque tiram nossa saúde e tranqüilidade.

Às vezes esses desejos são padrões mentais muito fortes, muito enraizados dentro das pessoas e criam comportamentos repetitivos, compulsivos e vícios. Elas se sentem fracas e acham que o negativo tem mais poder e sempre vence. Não têm consciência que isto acontece apenas porque elas têm repetido, com insistência, os mesmos pensamentos que geram emoções e sentimentos negativos.

Para esses desejos fortes e destrutivos precisam se apoiar em Deus, pedir a ajuda Dele, lembrar-se Dele. Conversar com Deus com palavras que brotam do coração, fazer amizade com Ele através da meditação, do relaxamento, do canto dos mantras, dos pensamentos positivos que fortalecem a fé.
E neste processo de autocura é também muito importante conscientizar-se do que se obtém realizando esse ou aquele desejo destrutivo. A análise, com a luz da inteligência, traz o discernimento e a conscientização que libertam.

Ao ficarmos mais presentes e conscientes de nossas ações, não somos movidos por impulsos, compulsões, atrações e aversões. Libertamos-nos também das conseqüências dos desejos, como dívidas, gastos com compras desnecessárias, ansiedade por não ser bem sucedido, raiva pelos desejos insatisfeitos, e a dor dos apegos pelas coisas e pessoas.

Por exemplo, cada vez que fumar um cigarro ou beber mais um gole de bebida, fazê-lo conscientemente, lembrando-se de todos os males que está causando ao seu corpo, à sua saúde, à sua mente, ao seu equilíbrio.
Como disse Rajneesh: "Se és capaz de observar o ato de fumar, chegará o dia em que o cigarro cairá de teus dedos, porque o absurdo do fumar te será revelado. É algo simplesmente estúpido, idiota. Quando compreenderes isso, o cigarro, simplesmente cairá de teus dedos.... Vigia, sê alerta, consciente, e alcançarás um fenômeno muito milagroso: isso não deixa traços em ti".


Em seu livro A arte da Felicidade, Dalai Lama diz que o verdadeiro antídoto para a ganância e os desejos inquietantes é o contentamento. E este contentamento interior consiste em querer e apreciar o que temos e não em ter o que queremos.

É importante purificar nossos desejos e cultivar desejos positivos. Aspirar por valores interiores como o desejo pela paz, o desejo pela tranqüilidade da mente, pela felicidade no lar, por um mundo com mais harmonia.

É essencial estar cada vez mais à vontade, estar cada vez mais aqui e agora, gostar de você, ser feliz com você mesmo, celebrar a vida, aspirando pela paz interior que surge da mente pacífica e serena. Om Shantih! Fique em paz!

[Notas bibliográficas: Anantanda,Swami- What's om my mind? - Ed. Syda Foundation.
Beattie, Melody - Co-dependência nunca mais -Ed. Record.
Telles, Izabel- Feche os olhos e veja - Ed.Ágora
Chidvilasananda,Swami - Meu Senhor ama um coração puro- Ed. Siddha Yoga Dham Brasil]

Fonte: Vya Estelar
[Imagem: Peter Wileman, "Red Horizon"]


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  02.10.05- As Nossas Sombras

Irineu Deliberalli

nossasombras-SalvatoreTonnara-GreenButterfly.jpg EU PROMETO, FOI A ÚLTIMA VEZ.
Quantas vezes você já se disse esta frase: "Eu prometo foi a última vez..." E no momento seguinte ou diante de uma outra oportunidade, você volta a repetir o mesmo padrão de comportamento, que julga prejudicial a você. Mas alguma coisa lhe acontece interiormente e volta a repetir o mesmo comportamento, que diz odiar, que lhe prejudica, que jura por Deus não mais o repetirá e volta a praticá-lo quase de imediato às suas juras e promessas....

O que acontece conosco, quando assim agimos?

O que pude aprender até agora sobre esta dificuldade é que eu tenho um padrão cristalizado. Mas o que é padrão cristalizado? É uma maneira de pensar ou de me comportar, ou pensar e me comportar, já desenvolvido anteriormente, ao qual estou preso e não consigo me libertar; por mais esforço que faça sempre volto a repetir o mesmo comportamento ou pensamento.

Se é comportamento, é porque foi aprendido. Se for pensamento, aquele pensamento que não o larga, que é obsessivo, e mesmo que você não queira ele vem, ele virou uma sombra. Um comportamento é aprendido quando ele é observado pela pessoa e esta observação desenvolve em nós uma vontade ou uma não-vontade de imitar aquele comportamento.

O pensador francês Émile Coué afirma em um dos seus livros que "uma pessoa quando está numa briga íntima entre a imaginação e a razão, a imaginação sempre é a vencedora".

O que será que ele quer dizer com isso? Ele apenas está afirmando que a imaginação domina nossas vidas. Tudo o que eu imagino posso vir a concretizar e tudo o que eu imagino, é do que está cheio o meu coração.

Mas como assim... eu não entendi?

Entendeu sim. Aquilo que eu imagino, aquilo que me pego a pensar e até elaboro em cima são os padrões que estão cristalizados e preciso fazer um esforço enorme, intenso, intermitente, senão não consigo me libertar deles. Estes padrões cristalizados são as paixões de nossas vidas. São as paixões que meu coração desenvolveu e não quer abrir mão.

Olhe para alguma coisa que você se comprometeu a mudar e não consegue. Pare um pouco e veja seus sentimentos, indague agora porque não conseguiu mudar. Perceba que aquilo que você não quer mudar, é porque tem paixão. Está apaixonado por esta postura, atitude ou comportamento.

Dou um exemplo para quem fuma e tentou parar diversas vezes. Você já se deu diversas desculpas por não conseguir parar, mas olhe-se agora e perceba que só não parou, porque gosta do cigarro e não tem coragem de praticar o desapego. A mesma coisa é com um vício comportamental. É como o egoísmo, a vaidade, a rigidez, a necessidade de controlar a vida do outro, a necessidade de ser maledicente e falar mal da vida do próximo. A necessidade que tenho de me fazer notado, a necessidade que tenho em me queixar da vida ou de alguma pessoa, como se a vida ou alguém pudesse ser responsável pelo que acontece comigo.

Todas estas coisas que não mudo é porque tenho apego e paixão. São os defeitos de alma que desenvolvi na minha trajetória e não quero abrir mão e não quero abrir mão porque estou apaixonado... São coisas que na maioria das vezes me envergonho, mas não quero abrir mão. O apego e a paixão são maiores do que a vergonha.

Muitos destes padrões eu trago comigo em diversas encarnações e preciso hoje aprender a resolver esta pendência e não levar para outra vida este mesmo defeito. Não há mais tempo, a mudança tem que ser feita agora, amanhã talvez seja tarde.

Você está cansado dele? Quer se libertar? Olhe seu coração e veja em primeiro lugar se você quer mesmo. Se não quer mesmo, não perca tempo, continue sendo assim, como você é....

Ah, você quer se libertar! Olhou seu coração e decidiu que quer se libertar... Então, uma dica: questione seu comportamento, questione fundo. Faço-lhe então esta pergunta e por favor me responda: Por que você precisou deste comportamento até hoje? O que ganhou tendo ele consigo? Está mesmo disposto a abrir mão dele? Se conseguir fazer isso, estará muito, mas muito próximo de se libertar desta coisa que lhe incomoda e estará aprendendo a lidar com sua paixão. As paixões e os apegos estão aí, para serem transmutados.

Voltando ao pensamento, quando é um pensamento que fica insistentemente em sua mente, ou um pensamento que cai hora ou outra na mente sem que você o queira e não gosta que ele venha, da mesma maneira eu posso lhe dizer... que há um componente em você que se liga a este tipo de pensamento.... alguma coisa dentro de você, podendo ser até um sentimento destrutivo, está aí dentro de sua psiquê. E há alguma paixão presa nele também. Alguma vingança, alguma mágoa reprimida, algum desejo de destruição, uma necessidade de matar pai, mãe (fantasia infantil) ou qualquer adulto que em algum momento lhe tratou mal.

Esta energia está aí querendo ser tratada e está armazenada em seu subconsciente, e volta e meia ela vem para fora, porque alguma coisa no hoje a movimenta, a lembra e ela sai do arquivo da mesma maneira incompreensível como entrou, de maneira desordenada, desconexa, mas como uma emoção real.

Esta sombra é desenvolvida na primeira infância até os 7 anos quando um sentimento foi reprimido e não colocado para fora de maneira adequada. Como exemplo, imagine uma criança pequena que recebe uma reprimenda injustamente, ou mesmo justa e agressiva, de um adulto, qual a possibilidade que a criança teve de pôr para fora o sentimento daquele momento em que estava sendo agredida?

Nenhuma possibilidade. O sentimento veio até a garganta, mas ficou preso, não saindo e ficando preso, nós mandamos para o subconsciente esta mensagem, com toda a carga emocional que ela tinha. Um dia, ela sai para fora e não a conseguimos controlar, mas podemos entendê-la.

Outro conteúdo destas sombras são as chamadas memórias extracerebrais que são comportamentos aprendidos e praticados em outras vidas e que estão agora na nossa mente como se fosse uma sombra. Posso lhes afirmar que temos em nossa psiquê milhares destas sombras, todas arquivadas, esperando o momento propício de saírem para fora e nos causar o mesmo mal-estar, que já nos causaram na infância ou na outra vida, no momento que se instalaram.

Uma dica caso você queira começar a se livrar destas sombras: quando o pensamento da sombra aparecer, questione-o, pergunte-lhe porque você está aí ou porque você pensa assim ou o que ele quer sendo e pensando assim... Converse com seu pensamento, como se fosse uma outra pessoa, pois na verdade isto não é seu, não é de sua alma e se enfrentá-lo e confrontá-lo, você diminui sua força, seu domínio, deixando-o cada vez mais fraco, e cada vez menos irá importuná-lo.

Volto a insistir: Se quiser se livrar de uma sombra, não fuja dela; enfrente-a, só assim poderá melhorar. Você se lembra daquela frase: "Conheça a verdade e ela te libertará"? Se assim o fizer logo estará livre daquilo que o faz sofrer... este é um trabalho seu, de autodisciplina. Só você poderá fazê-lo. Boa sorte!

Fonte: Somos Todos Um
[Imagem: Salvatore Tonnara, "Green Butterfly"]

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  13.09.05- AMOR: ENERGIA UNIVERSAL

Pierre Weil

amorenergauniversao-RomeroBritto-PolkaLove.jpg O que a nossa humanidade mais precisa é despertar o Amor em todos os corações. Dilacerada pela violência, ela chegou perto do fundo do poço. E deste lugar, só lhe resta uma alternativa, é olhar para cima, em direção ao sol, à Luz da Sabedoria e ao calor do Amor.

O Amor do coração foi progressivamente abafado por quatro mil anos de dominação dos homens, que limitaram a participação das mulheres à família e ao lar. Resultou disto uma repressão dos valores femininos no Homem, e com eles o próprio Amor. A nossa cultura masculinista esta na raiz do desenvolvimento extremo das qualidades intelectuais mais particularmente da razão, que leva ao domínio absoluto da ciência e da tecnologia, e limita a educação ao puro intelecto. Os valores do coração e do espírito são desprezados e relegados à religião. Resulta disto um racha entre razão e coração. E chegamos aos extremos das aplicações frias da ciência através da tecnologia, à fabricação descontrolada de armas e ao seu uso na matança de seres indefesos no terrorismo ilegal e nas guerras legais, tanto faz. As empresas usam as tecnologias tanto a serviço de valores construtivos ou destrutivos desde que se obtenha o devido lucro.

O advento do movimento feminista levou as mulheres à saírem do seu lar para trabalhar fora. Isto faz com que, progressivamente, os valores afetivos penetram na empresa e no trabalho humano em geral. A preocupação masculina exclusiva pela efetividade, vem se integrar harmoniosamente o valor feminino da afetividade. A exclusividade de focalização empresarial pela produção, está se acrescentando um interesse cada vez maior pelas pessoas, isto é pela qualidade de vida de cada funcionário. É de esperar também que com o ingresso de mulheres na política, o Amor e a preocupação pelo ser humano tornem se cada vez mais central na gestão das sociedades O futuro desta gestão se acha num reencontro do masculino e do feminino em cada um de nos.

Tirar o amor da vida humana é ameaçar a própria vida no nosso Planeta. Pois a destruição ecológica é o resultado da falta de amor à Natureza, que leva o ser humano a um suicídio progressivo, o qual já começou.

O Amor é a força que sedimenta todos os conjuntos. A energia que liga entre elas as partículas do átomo é Amor, garantindo assim a existência da matéria.
O Amor é a energia que une as células formando os tecidos das plantas, dos animais e do nosso corpo.
O amor é a força que atrai os dois sexos garantindo a continuidade de todas as espécies, vegetal, animal e humana.
O Amor estimula a nossa criatividade insuflando o nosso entusiasmo pela vida e inspirando a nossa alma poética.
O Amor é o fator que proporciona a ternura dos casais e amizade entre pessoas.
O Amor é a liga das estrelas formando o Universo.

Onde há Amor é impossível a violência, o terrorismo e as guerras. Despertemos a todo instante o amor no nosso coração para todos os seres viventes. É a melhor contribuição que podemos dar para a nossa humanidade sair do atoleiro em que está enleada!

Fonte: Pierre Weil

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  09.09.05- Abrindo mão do controle

Elisabeth Cavalcante

abrindomaodocontrole-SuzanneShelton-LookNoHands.jpg Uma das maiores fontes de ansiedade para o ser humano é o desejo de controlar a realidade. Geralmente tendemos a querer que as coisas se manifestem exatamente da maneira que desejamos ou consideramos ideal.

Ocorre que, muitas vezes, aquilo que desejamos não é o melhor para nós, ou não oferece oportunidades de crescimento e evolução espiritual. Mesmo assim, tentamos forçar os acontecimentos ou entramos num estado de ansiedade e medo, temendo que eles não se concretizem. Esta postura interior só faz retardar a manifestação de nossos desejos.

O controle, aliás, é um dos aspectos do medo, pois queremos manipular as variáveis de uma situação por recearmos que ela não se desenvolva da maneira que gostaríamos.

Este comportamento, geralmente, se deve ao fato de que somos ensinados, desde pequenos, a “fazer as coisas acontecerem”. O mundo nos cobra uma ação permanente, afirmando que somente os que correm atrás é que conseguem sair vencedores. Este ensinamento carrega em si a ilusão da onipotência, pois considera que a vida é tecida somente por nossos desejos.

É importante, sim, lutarmos para alcançar nossos objetivos e nossa força de vontade tem um papel importante em nossas conquistas. Mas não podemos nos esquecer de que, no Universo, tudo tem um tempo certo para desabrochar, amadurecer, frutificar. Portanto, a ansiedade e a pressa podem, muitas vezes, gerar um efeito inverso, fazendo com que afastemos com a negatividade de nossa mente, o alcance de nossos objetivos.

Muitas vezes, quando as coisas se recusam a acontecer da maneira que esperamos, o melhor é seguirmos uma outra direção, abandonando temporariamente aquela meta. Geralmente, esta atitude acaba levando-nos exatamente a alcançar o que queríamos, mas por atalhos diferentes, que nossa mente, direcionada pelo ego, não conseguiu perceber.

É preciso confiar na vida e deixar que ela aponte soluções para as situações aparentemente sem saída. Quando nos apegamos obsessivamente a coisas, pessoas ou situações, eliminamos qualquer possibilidade de que o novo, o inesperado e muitas vezes, o melhor, se manifeste.

O Universo sabe exatamente do que necessitamos, portanto, devemos dar a ele a chance de nos prover. Para isto, temos que abandonar a tendência ao imediatismo e desenvolver a confiança e a capacidade de entrega à magia da vida. É preciso lutar, a cada dia, pela certeza de que alcançaremos tudo aquilo de que precisamos uma vez que alimentemos em nós a fé e a confiança.

Numa situação confusa, de perturbação, o que fazer?
Por favor, não faça nada. Você criou uma confusão por causa do seu fazer excessivo. Você é um tamanho fazedor, você confundiu tudo à sua volta - não somente para si mesmo, mas para os outros também. Seja um não-fazedor; isso será compaixão para consigo mesmo. Seja compassivo. Não faça nada, porque com a mente falsa, com uma mente confusa, todas as coisas se tornam mais confusas. Com uma mente confusa, é melhor esperar e não fazer nada de forma que a confusão desapareça. Ela desaparecerá; nada é permanente neste mundo. Você só precisa uma profunda paciência. Não seja apressado.

Vou lhe contar uma história. Buda estava viajando através de uma floresta. O dia estava quente. Era exatamente meio-dia e ele sentiu sede; assim, disse para seu discípulo Ananda: "Volte. No caminho, nós atravessamos um pequeno riacho. Volte lá e traga um pouco d’água para mim".
Ananda voltou, mas o riacho era muito pequeno e algumas carroças estavam atravessando-o. A água estava agitada e tinha ficado suja. Toda a sujeira que estava assentada nele tinha vindo para cima e a água não era potável agora. Assim, Ananda pensou: "Eu tenho que voltar". Ele voltou e disse para Buda: "Aquela água se tornou absolutamente suja e não está boa para se beber. Permita-me ir à frente. Eu sei que existe um rio a apenas alguns quilômetros de distância daqui. Eu irei e buscarei água para você".

Buda disse: "Não! Volte ao mesmo riacho". Como Buda tinha dito isto, Ananda tinha que seguir a ordem. Mas ele a seguiu sem entusiasmo, pois sabia que aquela água não podia ser trazida. E tempo estava sendo desnecessariamente perdido! E ele estava com sede, mas como Buda disse para ir, ele tinha que ir.
Novamente ele retornou e disse: "Por que você insiste? A água não está potável".
Buda disse: "Vá novamente". E como Buda havia dito para voltar, Ananda teve que ir.
A terceira vez que ele chegou no riacho, a água estava tão clara quanto ela sempre esteve. A sujeira tinha ido embora, as folhas mortas tinham ido embora e a água estava pura novamente. Então Ananda riu. Ele trouxe a água e veio dançando. Ele caiu aos pés de Buda e disse: "Seus meios de ensinar são miraculosos. Você me ensinou uma grande lição - que apenas a paciência é necessária e que nada é permanente".

E este é o ensinamento básico de Buda: nada é permanente, tudo é transitório - assim por que ser tão preocupado? Volte ao mesmo riacho. Então, tudo deve ter mudado. Nada permanece o mesmo. Apenas seja paciente: vá novamente e novamente e novamente. Apenas alguns momentos e as folhas terão ido embora e a sujeira terá se assentado novamente e a água estará pura novamente.
Ananda também perguntou a Buda, quando ele estava voltando pela segunda vez: "Você insiste que eu vá, mas eu não posso fazer alguma coisa para tornar aquela água pura?".

Buda disse: "Por favor, não faça nada; do contrário você a tornará mais impura. E não entre no riacho. Apenas fique do lado de fora, esperando, na margem. Sua entrada no riacho criará uma confusão. O riacho flui por si mesmo, assim deixe-o fluir".
Nada é permanente; a vida é um fluxo. Heráclito disse que você não pode pisar duas vezes no mesmo rio. É impossível pisar duas vezes no mesmo rio porque o rio fluiu; tudo mudou. E não somente o rio fluiu, você também fluiu. Você também é diferente; você também é um rio fluindo.

Veja esta impermanência de todas as coisas. Não tenha pressa; não tente fazer nada. Apenas espere! Espere em um total não-fazer. E se você pode esperar, a transformação estará presente. Este próprio esperar é a transformação”

- Osho, The book of the Secrets

Fonte: Somos Todos Um
[Imagem: Suzanne Shelton, "Look, No Hands"]

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  30.08.05- A Intuição