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  28.11.05- Avançando e recuando diante de si

Eneida Lima *

avancandorecuando-yoyo.gif O sim e o não. Eis a questão. Dizer sim quando tudo é favorável à aceitação de um momento, e dizer não quando se faz óbvia a recusa de uma situação. É fácil!

O problema existe quando queremos dizer sim e dizemos não, ou, o não grita dentro de nós e dizemos sim. Pior ainda, quando dizemos sim ou não e carregamos a culpa por termos aceitado ou negado.

No nosso processo de amadurecimento, percebemos que os fatos da nossa vida têm um seguimento e uma coerência. Não podemos avançar sem a continuidade e o encadeamento desse processo de sentimentos e pensamentos. Quando não encontramos o elo de ligação ou o fio que costura nosso entendimento, recuamos ou paralisamos no caminho.

A culpa que nos abate quando proferimos um não, revela o nosso medo frente ao julgamento e à rejeição do outro. Tentamos justificar, explicar em demasia. E, na verdade, esquecemos de ficar juntos a nós mesmos. Com coerência e determinação, respeitando o espaço, o tempo e a forma de expressão do outro, podemos dizer não sem culpa. Mas é preciso que o nosso equilíbrio esteja presente. Que o discernimento venha para separar o joio do trigo, e saber que cada coisa é tal qual se apresenta.

O sim também pode trazer culpa. Quando dizemos sim para o mundo e negamos a vida dentro de nós. A alegria e o bem-estar. Recuamos diante da colocação do outro. Todo movimento no nosso psiquismo é dual. Tem luz e sombra, é sim e não ao mesmo tempo. Depende do nosso ponto de vista. Se eu me coloco no lugar do desejo do outro, eu não consigo lhe dizer não. Mas se eu me coloco no meu lugar de participante observador, eu consigo lhe dizer não, sem achar que lhe causei alguma infelicidade.

Muitas vezes, não percebemos que o sentimento de culpa que nos atormenta, por termos dito não a alguém, encobre o descrédito que temos em relação à capacidade de adaptação do outro. Pensamos no outro como um coitado que foi frustrado e incompreendido. E, com isso, esquecemos que esse outro possui uma capacidade de reação para se adaptar a situações novas.

Outra coisa importante é que, mormente, nós somos manipulados pela fraqueza que o outro demonstra ter, e não tem. Na verdade, ele quer apenas conseguir seus objetivos. E nós entramos na história vestindo os trajes da culpa, abrindo mão de nossa verdadeira posição.

Sim e não são polaridades do mesmo eixo. Cabe a nós estarmos centrados para termos coerência e convicção da afirmativa do não e da negação do sim.

* Eneida Lima é psicóloga
fonte: JB Online caderno vida

[Imagem: Sam, my-yo-yo]

Posted by Lilia at 02:06 PM|Comments (0)
 
  26.07.05- A Mulher Selvagem

Ricardo Kelmer

mulherselvagem-dominguez-de-nice.jpg Nesta crônica quero fazer uma homenagem a um tipo especial de mulher. Eu a chamo de mulher selvagem. Sua beleza é arisca, arredia aos modismos. Ela encanta por um não-sei-quê indefinível... mas que também agride o olhar. É um tipo raro e não tem habitat definido: vive em Catmandu, mora no prédio ao lado ou se mudou ontem para Barroquinha. E não deixou o endereço.

A mulher selvagem em quase tudo é uma mulher comum: pega metrô lotado, aproveita as promoções, bota o lixo para fora e tem dia que desiste de sair porque se acha um trapo. Porém em tudo que faz exala um frescor de liberdade. E também dá arrepios: você tem a impressão de que viu uma loba na espreita. Você se assusta, olha de novo... e quem está ali é a mulher doce e simpática, ajeitando dengosa o cabelo, quase uma menininha. Mas por um segundo você viu a loba, viu sim. É ela, a mulher selvagem.

A sociedade tenta mas não pode domesticá-la, ela se esquiva das regras. Quando você pensa que capturou, escapole feito água entre os dedos. Quando pensa que finalmente a conhece, ela surpreende outra vez. Tem a alma livre e só se submete quando quer. Por isso escolhe seus parceiros entre os que cultuam a liberdade. E como os reconhece? Como toda loba, pelo cheiro, por isso é bom não abusar de perfumes. Seu movimento tem graça, o olhar destila uma sensualidade natural - mas, cuidado, não vá passando a mão. Ela é um bicho, não esqueça. Gosta de afago, mas também arranha.

Repare que há sempre uma mecha teimosa de cabelo: é o espírito selvagem que sopra em sua alma a refrescante sensação de estar unida a Terra. É daí que vem sua beleza e força. E sua sabedoria instintiva. Sim, ela é sábia pois está em harmonia com os ritmos da Natureza. Por isso conhece a si mesma, sabe dos seus ciclos de crescimento e não sabota a própria felicidade. Como todo bicho ela respeita seu corpo mas nem sempre resiste às guloseimas. Riponga do mato, Gabriela brejeira? Não necessariamente, a maioria vive na cidade. E há dias paquera aquele pretinho básico da vitrine. E adora dançar em noite de lua. Ah, então é uma bruxa... Talvez, ela não liga para rótulos. Sabe que a imensidão do ser não cabe nas definições.

Mulheres gostam de fazer mistério. Ela não, ela é o mistério. Por uma razão simples: a mulher selvagem sabe que a vida é uma coisa assombrosa e perfeita e vive o mais sagrado dos rituais. Ela sente as estações e se movimenta de acordo com os ventos, rindo da chuva e chorando com os rios que morrem. Coleciona pedrinhas, fala com plantas e de uma hora para outra quer ficar só, não insista.

Não, ela não é uma esotérica deslumbrada mas vive se deslumbrando: com as heroínas dos filmes, aquela livraria nova, o CD do fulano... Ela se apaixona, sonha acordada e tem insônia por amor. As injustiças do mundo a angustiam mas ela respira fundo e renova sua fé na humanidade. Luta todos os dias por seus sonhos, adormece em meio a perguntas sem respostas e desperta com o sussurro das manhãs em seu ouvido, mais um dia perfeito para celebrar o imenso mistério de estar vivo.

Ela equilibra em si cultura e natureza, movendo-se bela e poética entre os dois extremos da humana condição. Ela é rara, sim, mas não é uma aberração, um desvio evolutivo. Pelo contrário: ela é a mais arquetípica e genuína expressão da feminilidade, a eterna celebração do sagrado feminino. Ela está aí nas ruas, todos os dias. A mulher selvagem ainda sobrevive em todas as mulheres mas a maioria tem medo e a mantém enjaulada. Ela é o que todas as mulheres são, sempre foram, mas a grande maioria esqueceu.

Felizmente algumas lembraram. Foram incompreendidas, sim, mas lamberam suas feridas e encontraram o caminho de volta à sua própria natureza. Esta crônica é uma homenagem a ela, a mulher selvagem, o tipo que fascina os homens que não têm medo do feminino. Eles ficam um pouco nervosos, é verdade, quando de repente se vêem frente a frente com um espécime desses. Por isso é que às vezes sobem correndo na primeira árvore. Mas é normal. Depois eles descem, se aproximam desconfiados, trocam os cheiros e aí... Bem, aí a Natureza sabe o que faz.

Fonte: Delas

[Imagem: Dominguez, "De Nice"]

Posted by Lilia at 12:47 PM|Comments (1)
 
  17.07.05- Um Estudo Sobre Amigas

mulheres-gettyimage.jpg Um estudo que acaba de ser publicado pela Universidade de Los Angeles,
Califórnia, assinala que a amizade entre mulheres é algo verdadeiramente especial. Descobriu-se que as amigas contribuem a dar-nos identidade e modelar o nosso futuro. Constituem um remanso ante a um mundo real cheio de tormentas e obstáculos.

As amigas ajudam a preencher vazios emocionais de nossas relações maritais
e nos ajudam a recordar quem realmente somos. Segundo os cientistas, há
evidências de que Ter amigas ajuda as mulheres a prevenir o stress que ocasiona problemas estomacais.

Depois de 50 anos de pesquisas, concluiu-se que há substâncias químicas
produzidas pelo cérebro que nos ajudam a criar e sustentar laços de amizades entre as mulheres. Os pesquisadores, homens em sua maioria, estão surpreendidos pelos resultados destes estudos.

Até a publicação dos resultados desta pesquisa, existia a crença de que quando as pessoas estão sujeitas a tensão nervosa extrema, reagem produzindo hormônios que geram uma reação que conduz para a briga ou para a fuga o mais rápido possível.

A doutora Laura Cousin Klein, uma das autoras do estudo mencionado, diz que estes detonadores de hormônios constituem um mecanismo de sobrevivência tão antigo como a humanidade. Se trata de um "resabio" que remonta à época em que os seres humanos eram nômades e sua principal atividade era a caça.

O que os pesquisadores descobriram é que não existem apenas mecanismos de
respostas de fuga ou de briga. Aparentemente, quando se libera o hormônio
chamado ocitocina como parte da reação das mulheres diante do stress, estas sentem a necessidade de proteger seus filhos e de agrupar-se com outras mulheres.

Quando isso ocorre, uma maior quantidade de ocitocina é produzida, diminuindo o stress severo e produzindo um feito calmante. Estas reações não se apresentam entre os membros do sexo masculino, devido ao fato de que a testosterona que os homens produzem em altas quantidades, tende a neutralizar os efeitos da ocitocina, enquanto que os estrógenos femininos aumentam a produção deste hormônio.

A descoberta de que as mulheres respondem de maneira diferente dos homens
provocou reações sarcásticas entre os membros do laboratório onde se realizaram as investigações. A cada estudo, foi sendo demonstrado que os laços emocionais que existem entre as mulheres que são amigas reais e leais, contribui a reduzir os riscos de enfermidades ao baixar a pressão arterial e o colesterol.

Acredita-se que esta pode ser uma das razões pelas quais as mulheres vivem
mais tempo do que os homens.
As mulheres que não estabelecem relações profundas de amizade com outras
mulheres não mostram os mesmos resultados em sua saúde.

Ter amigos nos ajuda, não somente a viver, mas a viver melhor. Um estudo sobre a saúde realizado pela Faculdade de Medicina de Harvard indica que
quanto mais amigas tenha uma mulher, mais aumentarão suas probabilidades
de chegar a velhice sem problemas físicos de incapacidade, levando uma vida plena.

Não contar com amigos próximos pode provocar tantos danos à saúde quanto
a obesidade, o tabagismo, o sedentarismo. Estudou-se também como as mulheres superam momentos difíceis, como a morte do cônjuge, e estabeleceu-se que as mulheres que podem confiar em suas amigas reagem a
este fato sem enfermidades graves e se recuperam em menor tempo do que
aquelas que não tem em quem confiar.
As mulheres que são amigas constituem uma fonte recíproca de fortaleza!!!

AUTORIA: não conseguir encontrar a autoria deste artigo. acho que o original é em espanhol "RE-VALORANDO LA IMPORTANCIA DE LA OXITOCINA - Un estudio sobre el efecto benéfico de tener amigas". se alguém conhecer, por gentileza me escrever.

[Imagem: Getty Image]

Posted by Lilia at 03:41 PM|Comments (0)
 
  15.07.05- Mulheres que entregam seu Sol

Por que algumas mulheres aceitam tudo por amor? A astróloga Mônica Horta examina o céu e dá um conselho: cuidado, não vá entregando seu Sol assim....

mulheresentragasol-rivera-diego-the-flower-seller.jpg Num mapa astrológico, o primeiro e mais importante símbolo da identidade é o Sol. Não é à toa que as pessoas se autodefinem pelo signo solar. Eu sou Leão, sou Escorpião, sou Libra... Mas a literatura astrológica também fala que, num mapa de mulher, o Sol representa o homem que marca a vida dela. Muitas vezes o pai, quase sempre o marido.

Quando calcula e desenha o mapa de uma mulher, é comum que o astrólogo perceba um fenômeno interessante: a cliente se apresenta com um tipo de identidade completamente diferente do que pode se esperar só pela observação do mapa. Por exemplo: um mapa feminino com um sol em Leão, em conjunção com Marte, cria a expectativa de uma identidade forte, criativa, fortemente egóica. Mas, muitas vezes, esta configuração aparece no mapa de mulheres apagadas, sem iniciativa própria, sempre em segundo plano.

O que à primeira vista parece um erro do céu, se explica com facilidade quando se pergunta a ela como era o pai ou como é o marido. Em quase cem por cento dos casos ela descreve o pai, ou o marido, como a mais concreta expressão do que, no mapa, representa a identidade dela.

A maioria dos astrólogos acaba interpretando esse fato como a prova concreta de que o Sol representa o homem que ela vai escolher ou, pelo menos, pelo qual vai se sentir atraída.

Na verdade, isso é apenas a confirmação de que as mulheres são profundamente atraídas pela idéia de "não ser". De dar a identidade de presente. De entregar o Sol.

É fácil perceber quando isso acontece: Basta acompanhar um casamento desde o início e durante um tempo razoável. A moça bonita, cheia de planos, projetos e desejos, vai perdendo o viço, vai ficando feia, vai perdendo o brilho. Sem o Sol não existe vida.

As mulheres entregam, numa bandeja de prata, o que têm de mais precioso e chamam esse suicídio existencial de amor.

Não espanta que um número enorme de mulheres se separe dos maridos movidas por um sentimento difuso de terem perdido a identidade. E, cheias de ressentimento, acreditam que foi o parceiro que roubou o seu Sol.
Mas desse crime ele não pode ser acusado, no máximo, de cumplicidade.

O pior é que o crime foi premeditado, maquiavelicamente planejado desde aquele momento, sempre inesquecível, em que uma mulher percebe nas atitudes de um homem um esboço daquilo que ela queria ser algum dia na vida. Se encanta e imediatamente embarca, de corpo e alma no projeto de "não ser". Começa entregando o nome. Com o nome, vai embora Mercúrio, o planeta da palavra. O que transmite para os outros os desejos do Sol.

A partir daí, a porta está aberta. Ela esquece a palavra "eu" e se orgulha enormemente de usar o "nós". "Nós adoramos (ou detestamos) almoçar na casa da mãe dele, adoramos (ou detestamos) passar o fim de semana na casa de praia, (com os amigos dele, é claro), adoramos (ou detestamos) filmes de ação, vinho tinto, ensopadinho de chuchu, etc.etc.etc.... Mas o problema dessas frases não está só no pronome. Está no verbo também.
"Adoramos", "detestamos", "queremos", "não queremos".... junto com Mercúrio foi embora Marte, o planeta do desejo.

Quando a longa noite do casamento acaba e ela se vê sozinha, obrigada a amanhecer, não sabe mais quem é, sofre até aprender a conviver com o próprio nome, custa para mudar de pronome. Não sabe mais do que gosta nem quem são , realmente, seu amigos.

Mas se o Sol no céu, brilha da mesma forma para todos porque as mulheres entregam a identidade com tanta facilidade?

Sem querer deixar de lado o imenso peso da cultura que durante séculos pesou nos ombros de todas as mulheres, não podemos esquecer que, se alguém perde alguma coisa voluntariamente é porque está ganhado outra em troca.

"Não ser" tem grandes vantagens. A primeira é não crescer. Não ter que enfrentar o mundão lá de fora. Não ter que provar competência, não ter que ganhar o dinheiro para manter o padrão de vida que quer ter. Mas a maior de todas é sem dúvida, não ter que decidir. Não ter que assumir a responsabilidade pelas próprias decisões. Junto com o Sol, vai embora Saturno, o deus da razão e da responsabilidade.

Essa história toda acabou me lembrando de uma frase de um amigo de adolescência dita num dia em que tentávamos desesperadamente resolver que vestibular iríamos enfrentar: "ah, tudo que eu queria era ter a opção de casar..."

fonte: planeta eva

[Imagem: Diego Rivera, vendedora de flores]

Posted by Lilia at 06:09 PM|Comments (0)
 
  A Bruxa

Moon's tears

bruxas-Picasso-demoiselles.jpg O que é ser Bruxa? Que misterioso significado carrega essa tão fascinante palavra? Ser Bruxa é necessariamente ser adepta do new age? É ter um caldeirão? É fazer feitiços? Andar de preto? Pendurar um pentagrama no pescoço? É carregar títulos, ter iniciação, prever o futuro, ter poderes paranormais, jogar pragas? O que é ser Bruxa volto a perguntar...
Decidi escrever esse texto, porque ando vendo por aí muitas definições um tanto quanto problemáticas a respeito do real sentido da palavra Bruxa, definições de todos os tipos, tanto de pessoas que não entendem nada sobre o assunto, quanto de pessoas que acham que entendem algo.

Na verdade a explicação dessa palavra é demasiadamente singela, e espero que entendam o que vou falar a respeito desse assunto.

Em primeiro lugar, quero dizer que uma Bruxa não segue necessariamente a Bruxaria (Tradicional, Wicca e qualquer outra tradição), ela pode ser a humilde benzedeira, ela pode ser a católica, a camponesa, a cozinheira, a parteira e etc, etc... A verdade é que todos nós temos um poder guardado, e que foi se atrofiando com o tempo, e que podemos despertar e utilizar independente do caminho que decidimos tomar e isso prova que as Bruxas não são nem diferentes nem mais especiais que ninguém.

Ser Bruxa é colocar toda essa energia atrofiada para funcionar em nosso
favor e ao favor do próximo, é praticar a filantropia, é ser universal, é entender e manipular o microcosmo¹ em junção do macrocosmo² para pomover a cura, o amor e o entendimento da alma. Quando sentimos o poder fluir (não o poder egocêntrico), temos um olhar muito mais aguçado e muito mais poético, pois entendemos o mundo; muitas religiões gostam de afirmar que 'não somos desse mundo, pois ele é de pecado', não, não se enganem, não é o mundo que é mal, mas sim as pessoas que o tornam cruel, devemos fazer do mundo a nossa agradável morada, pois ele em si é uma manifestação de Deus/Deusa (ou como preferir ver a Divindade).

A verdadeira Bruxa quando observa o por do sol, fecha os olhos e sente a alma expandir, ela sente que é tudo, e que entende tudo e consegue traduzir o canto universal, esse misterioso chamado que nos proporciona tão grande bem estar e plenitude de ser. Quando a Bruxa vê a lua, sente que entre elas existe uma ligação muito intima, pois ambas possuem ciclos, fases, ser Bruxa também é isso, é identificar as analogias entre a natureza e o 'Eu' e ver que o que está em cima é o que está embaixo.

A Bruxa possui a sabedoria conseguida através da maturidade e das muitas
experiências, sem contudo perder o coração doce da criança que descobre o
mundo. De suas mãos brotam a Arte em todos os sentidos, ela tem amor por
tudo que faz, tem o toque delicado que acaricia as flores, que tenta tocar as estrelas, que tenta tocar o infinito. Todas sabem que a natureza é uma Mãe sábia, ela nos dá, mas também tira, e que devemos ser sagazes, sermos fortes, e que um dia todos sem exceção, voltaremos para ela, para o grande Útero Universal.

Quem sabe vocês entendam melhor o que eu esteja querendo dizer lendo esse
texto muito interessante que achei na Internet:

Ambrósia

Descendo lentamente a rua, vinha Ambrósia... apoiada em um "cajado" que
era um galho de uma velha árvore de seu quintal. Tinha caído em uma das
ventanias e ela se apoderou dele alegre em ver que era bonito. Meio torto, mas bem apropriado para que ela se apoiasse nele, já que suas pernas já estavam fracas.

Ambrósi vem descendo a rua se apoiando no cajado. Magra, sua pele negra
cobrindo velhos músculos, agora já fracos, seus ossos finos e longos que faziam dela uma mulher alta. Seus olhos encovados, mas tremendamente
brilhantes, ariscos, mais pareciam os olhos de uma coruja brilhando no escuro. Ela descia a rua e as crianças iam gritando atrás dela: olha a velha bruxa, olha a velha bruxa...

Ela era filha de escravos... quando criança, nasceu escrava... mas logo aconteceu a lei Áurea e sua mãe a levou embora para longe da escravidão.
Ambrósia aprendeu a fazer seu próprio fogão com barro e água, sua cerca com estacas de madeira, galhos velhos, sua cama, com lençóis brancos feitos de sacos.. sua mãe a tinha ensinado, cozer os sacos, lavar ao sol até que ficassem brancos... sua mãe a tinha ensinado tanta coisa...

Ela era feliz com suas cabras que viviam no seu cercado, julgava-se rica, tinha leite, fazia seus pães no seu forno de barro... e todos da vizinhança sempre jhe davam mantimentos em troca de suas benzeduras.

Era pessoa importante na cidade, até o filho do prefeito vinha se benzer com Ambrósia... Umas ervas no seu caldeirão sempre em cima do fogão de lenha e ela fechava os olhos e ia falando umas palavras estranhas, suspirava, tossia, piscava, seus olhos ficavam brancos, virados, as crianças quase morriam de medo destas cenas, mas... enfim ela respirava fundo e dizia: seu mal já foi retirado em nome da terra, do fogo, da água e do ar... tome 3 goles e pode ir... e lá iam os goles de uma bebida nem sempre saborosa!

As pessoas realmente se curavam com suas ervas, seus benzimentos. Enquanto benzia... As cabras ora berravam, ora ficavam tão quietinhas que se pensava que nem estavam ali; ela conversava com as cabras quando faziam barulho, e me parecia que as cabras contavam para ela o que as pessoas tinham porque ela perguntava e a cabra dava um béééé... Era bom de se ver isto, tinha gente que ia lá só para ver ela conversar com as cabras... Cada uma tinha um nome e quando ela ia sair... Recomendava funções para cada uma...

Ambrósia certa vez ganhou uma casa de um homem que teve seu rim curado,
mas não teve coragem de deixar seu "barraco" como ela o chamava... e depois, ela dizia: ... "E se as meninas não se acostumarem com a nova casa? É tão perto da cidade e elas não gostam de barulho. É melhor vosmecê dar esta casa para outra pessoa que tenha ambição... eu e as meninas não vamos aproveitar tanto luxo... mas mesmo assim, que seja abençoado".

Sentava em seu banco tosco ao pé do fogão esperando os bolinhos de amendoim e polvilho e "pitava" seu velho cachimbo com uma expressão de
prazer e tranqüilidade...

Ali, serenamente eu esperava pelos bolinhos e ficava tentando decifrar aquela velha negra e seu cachimbo, às vezes vinha em minha mente os gritos de meus amigos... Bruxa, Bruxa, bruxa.... Ah não... Ela mais parecia uma mãe velha e sábia, me sentia totalmente protegida por esta velha... E ela gostava de mim, uma menina ruiva, xereta, que a perseguia por todo canto... Minha mãe já tinha falado a ela que me mandasse embora quando a amolasse... Mas quando eu chegava, ela dizia:...É você, menina? E eu às vezes via brilho nos olhos daquela velha me contando suas histórias, como foram valiosas para mim estas historias...
Ambrósia era uma bruxa? De que tradição... Ela seria... Ela era de fato uma bruxa... Absolutamente livre e profundamente feliz consigo mesma e com as pessoas. Isto é bruxaria...

¹Microcosmo significa 'pequeno mundo', nós somos o microcosmo ou seja nosso organismo seria uma miniatura do universo.
²Macrocosmo significa 'grande mundo', o Universo é esse grande mundo que
reflete em nós.

Fonte: sobrenatural

[Imagem: Picasso, Demoiselles]

Posted by Lilia at 03:05 PM|Comments (0)