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  18.11.08- espiral ascendente

Lígia Gomes Carneiro

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"... como em tudo que envolve crescimento pessoal, a gente anda em uma espiral ascendente.

Imagina como se fosse uma montanha bem redondinha, com uma estrada que começa na base e chega lá no alto, dando voltas na montanha, e você vai andando. Na base, as voltas são muito grandes, e você não percebe que está subindo. Mas a cada volta completada, você percebe que contorna a montanha em menos tempo, com menos esforço (porque as voltas ficam menores) e tem mais percepção de que está subindo.

A cada volta completada, você vê a mesma paisagem, não é mesmo? PARECE que você está no mesmo ponto, mas não está! Porque você está em um lugar mais alto e a volta que dá é cada vez menor.

Então, cada vez que você acha que começa tudo de novo, que não deu certo, pensa que não é nada disso, que só está vendo a mesma paisagem de novo porque completou mais uma volta, e que a volta que completou te levou a um ponto mais alto, e foi menor que a anterior (por isso custou menos esforço) e que a seguinte levará a um lugar ainda mais alto e a um ponto ainda mais alto.

Daí fica simples... é só ir andando e vendo a paisagem de um ponto cada vez mais privilegiado.

[Imagem: flores do deserto no arizona, lilia lima]

Posted by Lilia at 02:29 PM|Comments (0)
 
  07.08.08- O grande pessimista

Lia Luft

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O grande pessimista colhe todas as notícias ruins do jornal e manda aos amigos cada manhã; acha que o ser humano não presta mesmo, o mundo é mero palco de guerras e corrupção. O excessivamente otimista acha que a realidade é a das telenovelas e dos sonhos adolescentes, das modas, das revistas, da praia, do clube. O sensato (não o sem graça, não o chato) sabe que o ser humano não é grande coisa, mas gosta dele; que a vida é luta, mas quer vivê-la bem; que existem _ além de injustiça, traição e sofrimento _ beleza e afetos e momentos de esplendor. Que se pode confiar sem ser a toda hora traído por quem se ama.

Posso ser um pessimista essencial, por natureza ou formação ou circunstâncias. Posso porém estar apenas deprimido.

Para sair de uma fase depressiva há mil recursos à disposição de qualquer pessoa. Terapia, uma bela caminhada, um novo amor, pintar o cabelo, jantar num lugar delicioso, mudar de lugar os vasos do jardim, ver o que acontece nas artes. Ler, refletir, observar o dentro e o fora. Comprar um cachorro, ir ao futebol, planejar uma viagem (pode ser só até ali). Tentar aproximar-se da arte, qualquer que ela seja. Renovar interesses e afetos, cultivá-los.

Mas se eu curto a minha depressão ou minha visão negra de tudo, se com isso pretendo chamar a atenção dos outros ou puni-los (ou a mim mesmo), posso optar pelo eterno descontentamento. Aos poucos ficarei segregado do círculo dos que são os vitais amantes da esperança.

(Perdas & Ganhos, Lia Luft, Ed. Record, página 104)

Posted by Lilia at 06:22 PM|Comments (0)
 
  04.08.08- Não estás deprimido, estás distraído

Facundo Cabral

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Não estás deprimido, estás distraído.
Distraído em relação à vida que te preenche, distraído em relação à vida que te rodeia, golfinhos, bosques, mares, montanhas, rios.
Não caias como caiu teu irmão que sofre por um único ser humano, quando existem cinco mil e seiscentos milhões no mundo. Além de tudo, não é assim tão ruim viver só. Eu fico bem, decidindo a cada instante o que desejo fazer, e graças à solidão conheço-me. O que é fundamental para viver.
Não faças o que fez teu pai, que se sente velho porque tem setenta anos, e esquece que Moisés comandou o Êxodo aos oitenta e Rubinstein interpretava Chopin com uma maestria sem igual aos noventa, para citar apenas dois casos conhecidos.

Não estás deprimido, estás distraído.
Por isso acreditas que perdeste algo, o que é impossível, porque tudo te foi dado. Não fizeste um só cabelo de tua cabeça, portanto não és dono de coisa alguma. Além disso, a vida não te tira coisas: te liberta de coisas, alivia-te para que possas voar mais alto, para que alcances a plenitude.
Do útero ao túmulo, vivemos numa escola; por isso, o que chamas de problemas são apenas lições. Não perdeste coisa alguma: aquele que morre apenas está adiantado em relação a nós, porque todos vamos na mesma direção.
E não esqueças, que o melhor dele, o amor, continua vivo em teu coração.
Não existe a morte, apenas a mudança.
E do outro lado te esperam pessoas maravilhosas: Gandhi, o Arcanjo Miguel, Whitman, São Agostinho, Madre Teresa, teu avô e minha mãe, que acreditava que a pobreza está mais próxima do amor, porque o dinheiro nos distrai com coisas demais, e nos machuca, porque nos torna desconfiados.
Faz apenas o que amas e serás feliz. Aquele que faz o que ama, está benditamente condenado ao sucesso, que chegará quando for a hora, porque o que deve ser será, e chegará de forma natural.
Não faças coisa alguma por obrigação ou por compromisso, apenas por amor.
Então terás plenitude, e nessa plenitude tudo é possível sem esforço, porque és movido pela força natural da vida. A mesma que me ergueu quando caiu o avião que levava minha mulher e minha filha;
a mesma que me manteve vivo quando os médicos me deram três ou quatro meses de vida.
Deus te tornou responsável por um ser humano, que és tu. Deves trazer felicidade e liberdade para ti mesmo.
E só então poderás compartilhar a vida verdadeira com todos os outros.
Lembra-te: "Amarás ao próximo como a ti mesmo".
Reconcilia-te contigo, coloca-te frente ao espelho e pensa que esta criatura que vês, é uma obra de Deus, e decide neste exato momento ser feliz, porque a felicidade é uma aquisição.
Aliás, a felicidade não é um direito, mas um dever; porque se não fores feliz, estarás levando amargura para todos os teus vizinhos.
Um único homem que não possuiu talento ou valor para viver, mandou matar seis milhões de judeus, seus irmãos.
Existem tantas coisas para experimentar, e a nossa passagem pela terra é tão curta, que sofrer é uma perda de tempo.
Podemos experimentar a neve no inverno e as flores na primavera, o chocolate de Perusa, a baguette francesa, os tacos mexicanos, o vinho chileno, os mares e os rios, o futebol dos brasileiros, As Mil e Uma Noites, a Divina Comédia, Quixote, Pedro Páramo, os boleros de Manzanero e as poesias de Whitman; a música de Mahler, Mozart, Chopin, Beethoven; as pinturas de Caravaggio, Rembrandt, Velázquez, Picasso e Tamayo, entre tantas maravilhas.
E se estás com câncer ou AIDS, podem acontecer duas coisas, e ambas são positivas:
se a doença ganha, te liberta do corpo que é cheio de processos (tenho fome, tenho frio, tenho sono, tenho vontades, tenho razão, tenho dúvidas)
Se tu vences, serás mais humilde, mais agradecido... portanto, facilmente feliz, livre do enorme peso da culpa, da responsabilidade e da vaidade,
disposto a viver cada instante profundamente, como deve ser.

Não estás deprimido, estás desocupado.
Ajuda a criança que precisa de ti, essa criança que será sócia do teu filho. Ajuda os velhos e os jovens te ajudarão quando for tua vez.
Aliás, o serviço prestado é uma forma segura de ser feliz, como é gostar da natureza e cuidar dela para aqueles que virão.
Dá sem medida, e receberás sem medida.
Ama até que te tornes o ser amado; mais ainda converte-te no próprio Amor.
E não te deixes enganar por alguns homicidas e suicidas.
O bem é maioria, mas não se percebe porque é silencioso.
Uma bomba faz mais barulho que uma caricia, porém, para cada bomba que destrói há milhões de carícias que alimentam a vida.

o texto original é em espanhol e não sei de quem é a tradução.

Posted by Lilia at 06:45 PM|Comments (0)
 
  26.06.08- Que vazio é esse em sua vida?

Patricia Gebrim

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Criar é uma forma saudável de suprir a sensação de vazio. Não é preciso ser um Monet ou um Villa Lobos. Um simples bolo caseiro, por exemplo, feito com aquele toque especial, traz à tona aquele potencial criativo que tanto faz bem!

Quantas vezes eu ouço as pessoas falarem sobre esse tal “vazio”. Como se existisse um espaço mal-assombrado dentro de cada ser humano, um lugar dentro do qual todas as pessoas, em algum momento de suas vidas, acabassem caindo, para não mais sair de lá.

- Sinto um vazio dentro de mim! - quantas vezes já ouvi essa frase, com suas inúmeras variações...

Que vazio é esse afinal??? E o que fazer com ele???
Na dúvida, acabamos achando que esse buraco é sinal de algum defeito, e que devemos preenchê-lo o mais rapidamente possível. Perceba quantas “besteiras” acabamos fazendo na tentativa de preencher esse espaço que tanto nos assusta.

Nos envolvemos em relacionamentos com pessoas com as quais não temos nenhuma afinidade, estouramos nosso cartão de crédito, compramos todo tipo de coisas das quais não precisamos, comemos mais do que necessitamos, bebemos mais do que seria saudável, aceitamos ir a lugares aos quais na verdade não gostaríamos de ir, convivemos com pessoas que sugam toda a nossa energia, andamos para lá e para cá como baratas tontas, tudo com a intenção de preencher o vazio.

E mais... traímos a nossa verdade, nos sentimos “defeituosos” (pessoas perfeitas não teriam um buraco lá dentro!), sentimos vergonha de nós mesmos, criamos falsas máscaras para fingir que não somos ocos, fugimos desesperadamente e nos envolvemos em todo tipo de atividade frenética para não nos lembrar que ele continua lá, quieto, imenso... um buraco enorme na nossa auto-estima.

Fazemos tudo isso para evitar o vazio... mas sabe o que é pior?... nada disso funciona!

Agora ouça, é sério:
- Não há nada de errado em você sentir esse vazio aí dentro... não há nada de errado ao sentir-se incompleto, com essa sensação de que “falta algo”. - É claro que falta algo!
- Sempre irá faltar!

Existe algo maior, mais belo, que cada um de nós veio aqui para realizar. Entenda... por maior não quero dizer aquele tipo de grandeza que é acessivel apenas a alguns. Falo de algo a que todos nós temos acesso, falo daquela grandeza de alma que nos torna verdadeiramente humanos, capazes de criar, capazes de amar... Pois eu acredito que o vazio exista para nos lembrar exatamente disso!

E se eu lhe disser que devemos tudo o que existe de belo no mundo à existência desse vazio?
E se fosse mais ou menos assim...

Um dia um Monet acorda e sente um buraco bem no meio da sua barriga, ou talvez no meio do peito (o vazio às vezes gosta de mudar de lugar dentro de nós)... sente-se mal com o tal buraco... pega seus pincéis e, no branco vazio de uma tela, pinta os mais belos jardins.

Outro dia um Villa Lobos acorda incomodado, sente algo estranho, como se fosse uma fome por dentro, uma coisa que aperta seu peito, esmaga seu coração solitário... e, no vazio do silêncio, compõe a mais bela bachiana... (ah, você já ouviu a Bachiana no 5 do Villa Lobos?)

Um dia um cientista é acordado por um buraco bem no meio da sua cabeça... tantas coisas sem explicação no mundo o angustiam e tiram seu sono... e no silencioso vazio de respostas brota, quase miraculosamente em sua mente, uma solução para uma doença que aflige toda a humanidade.

Outro dia uma dona de casa qualquer, em uma casa qualquer, acorda e olha ao redor... os filhos já se foram, o marido está trabalhando... Na solidão de sua vida decide cozinhar e assa o mais delicioso bolo que uma mulher já foi capaz de fazer. E no vazio daquela casa surge um aroma que a transforma imediatamente em um lar; quente, acolhedor, cheio de amor.

Assim, acreditem, não há como nos livrarmos desse tal vazio (ainda bem), mas podemos “escolher” o que fazer com ele.
Podemos transformá-lo em um mar de lamentações, e navegar por ele por toda uma vida, como se fôssemos um navio fantasma rangendo nossas ferragens por aí.
Mas podemos também... criar!

Essa é a palavra-chave para transformar o vazio que existe dentro de nós no espaço mais sagrado que um dia seremos capazes de adentrar.

E é no vazio da terra que uma semente pode brotar, no vazio na mente que o inusitado pode se libertar, no vazio de saber que a real sabedoria encontra espaço, no vazio de crenças que ganhamos a liberdade de escolher no que acreditar!
O vazio nos torna livres... pensem nisso!
Veja, Lao Tse , em 99 a.C., já sabia disso, veja o que diz seu tratado, o Tao Te King:
“Trinta raios convergentes, unidos ao meio, formam a roda, mas é seu vazio central que move o carro.
O vaso é feito de argila, mas é o seu vazio que o torna útil.
Abre-se portas e janelas nas paredes de uma casa, mas é seu vazio que a torna habitável.”
Assim... não tema o vazio, talvez ele seja o maior presente que recebemos. A verdade é que sem o vazio seríamos tristes caricaturas de quem de verdade podemos ser. Seja corajoso. Aceite-o e permita que ele lhe inspire a tornar-se quem você de verdade é.
O que seria de uma vida sem o mistério... sem a noite... sem as estrelas?
É no vazio que mora a nossa musa,
e as mais belas idéias,
e os sonhos,
e a poesia...
Aceite o vazio e... se puder... ame-o.
O que vai acontecer então?...
Não vou lhe dizer!
Descubra por si mesmo...

fonte: Vya Estelar
Imagem: dragonfly, foto: lilia lima

Posted by Lilia at 10:30 AM|Comments (0)
 
  08.05.08- Mude a pergunta...

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Rubia A. Dantés

Antes... quando não sabia de algumas coisas que hoje são mais claras para mim, diante de qualquer sofrimento, vindo de alguém ou de alguma situação, costumava perguntar:
- Por que essa pessoa está fazendo isso comigo? Ou: por que essa situação entrou na minha vida?
Hoje nas mesmas situações pergunto:
- O que em mim está atraindo esse problema?

E isso faz toda diferença.

No primeiro caso eu não sabia o motivo, mas... sempre ficava implícito que o que me machucava vinha de fora e, consequentemente quem deveria mudar era o outro (ou os outros)...
Geralmente, quando pensamos assim nos colocamos como vítimas, e as vítimas sempre dependem da boa vontade do outro... ficam sempre na expectativa que o outro mude e reconheça que errou... que a vida mude, que algo venha de fora para nos salvar... Ficamos na dependência de uma possível mudança do outro... das circunstâncias... sem entender que tudo só muda quando nós mudamos.

Custamos a entender que, mesmo que o “outro” mude, continuaremos atraindo inúmeros “outros” que vão nos trazer o mesmo tipo de situação... porque o problema não está no outro e sim dentro de nós.

Continuaremos na eterna posição de vítimas indefesas... e na minha opinião essa é uma das piores situações para se ficar na vida.

Mudando a pergunta para: o que em mim está atraindo essa situação ou esse problema? Mudamos tudo, porque assumimos a responsabilidade por aquilo e, portanto, a possibilidade de fazer alguma coisa para liberar o que nos faz sofrer.

O Ho’oponopono torna muito mais claro esse processo todo quando nos mostra que somos responsáveis por guardar memórias que atraem os problemas e são elas que nos colocam no círculo vicioso da eterna repetição dos mesmos padrões que tanto nos prendem e limitam nossa vida.

Se quisermos persistir no padrão é só continuar com a primeira pergunta... se quisermos realmente crescer e evoluir é só assumirmos 100% de responsabilidade e partirmos para a liberação daquilo que nos faz atrair esse tipo de situação.

Muitas coisas aconteceram depois que comecei a fazer o Ho’oponopono... uma das mais preciosas é que sinto que para tudo na vida existe uma solução... e que essa solução está nas nossas mãos...
Saber que a decisão de pedir à Divindade para limpar qualquer problema está nas nossas mãos faz uma diferença enorme. Quando entregamos à Divindade a função de limpar as memórias, que causam os problemas... e confiamos que com certeza isso está acontecendo, entendemos que a partir dessa liberação o que for melhor vai acontecer em nossa vida.
Se tivermos um entupimento em um cano que obstrui a passagem de água, sabemos que a solução é limpar o que está obstruindo o cano e que a partir daí a água fluirá livremente... Não nos preocupamos em criar com a mente o que vai acontecer com a água depois que estiver livre, porque sabemos que ela simplesmente fluirá... encontrando o melhor caminho.

Assim é com o Ho’oponopono, sabemos que quando estiverem limpas as memórias que impedem a Divindade de fluir livremente... Ela fluirá, sem que precisemos determinar seus caminhos.

E quando limpamos em nós... limpamos no Todo

Como sempre gostei da entrega, porque entendia que as escolhas do ego nem sempre são as mais acertadas, com o Ho’oponopono me sinto em casa para entregar completamente meus caminhos ao Grande Mistério, pois entendo que estou fazendo a minha parte.

Confio plenamente que, decidindo pela limpeza das memórias que causam os problemas, eles deixam de existir... e entrego meus caminhos suavemente nas mãos de Quem vai sempre me colocar no lugar certo... na hora certa... onde vou encontrar o que é melhor para minha vida, a cada dia...

fonte: Somos Todos Um

Posted by Lilia at 08:33 PM|Comments (0)
 
  15.08.07- Harmonia entre os tempos objetivo e subjetivo traz bem-estar

Monica Aiub

harmoniaentreostempos_anhingalakeeolapark.jpg Quantos anos você tem? Às vezes parece que tem treze anos, às vezes parece que tem mais de cem? Você percebe a passagem do tempo? Ela é rápida ou lenta? Já teve a sensação da semana ter passado num instante, ao mesmo tempo em que a passagem de ontem para hoje pareceu ter durado uma eternidade? Como você vive o tempo? Já sentiu saudade do passado que não viveu? Expectativa de um futuro que está por vir? Seu presente é uma conseqüência de seu passado, ao mesmo tempo em que determina seu futuro? Ou é a espera de um futuro para se viver?

Uma queixa constante no consultório de filosofia clínica diz respeito ao tempo. Muitas pessoas sentem-se sufocadas pelas cobranças estipuladas por prazos estabelecidos, o que gera mal-estar no trabalho, em casa, nas relações pessoais. Casais que questionam: "Ele (a) não tem tempo para mim, pode uma relação ser dessa maneira? ou "Talvez eu devesse viver só, não tenho tempo para me dedicar a um relacionamento". Diante de problemas com a saúde, algumas pessoas dizem: "Sei que deveria cuidar de minha alimentação, que deveria buscar atividades que me trouxessem bem-estar, mas não tenho tempo".

O que é esse tempo?

Se ninguém me pergunta, eu sei; porém, se quero explicá-lo a quem me pergunta, então não sei. No entanto, posso dizer com segurança que não existiria um tempo passado, se nada passasse; e não existiria um tempo futuro, se nada devesse vir; e não haveria o tempo presente se nada existisse. (Santo Agostinho, Confissões)
-Há um tempo da natureza, que pode ser observado na gestação, no amanhecer, nas estações do ano, no envelhecer, em muitos movimentos da vida. A natureza se movimenta e nós, seres humanos, criamos formas de mensurar, medir esse movimento da vida. Se o movimento é da natureza e a mensuração é humana, por que às vezes nos sentimos escravizados diante de nossa própria criação?

Aristóteles afirmava que o "tempo é o número do movimento, conforme o antes e o depois", seguindo a trilha dos pitagóricos e sendo seguido pelos estóicos e epicureus, via o tempo como mensuração do movimento, movimento cíclico do mundo e da vida. Mas esse tempo não era, necessariamente, aquele que é marcado por nossos relógios, aquele que define nossos dez minutos de antecipação ou nossas horas de atraso, o que delimita nossos prazos, nossas intermináveis angústias de horas perdidas em vão, seja com uma atividade entediante, ou com uma insônia inaproveitada. Sucessão de eventos, tempo cósmico, que não permite o totalmente subjetivo, mas não esquece que a medida não é exata. Ou seria o universo uma medida exata? A medida, para Aristóteles, é a medida da "alma". Qual é a nossa medida?

Há um tempo subjetivo: tempo de amadurecimento, tempo para compreender, para assimilar, para aprender, para conformar, para organizar... Mensurar a subjetividade não é algo que se faça da mesma maneira como mensuramos movimento da natureza, mas é o que tentamos fazer quando nos perguntamos: Quanto tempo uma criança leva para se tornar adulta? Com quantos anos um adulto já deve estar "amadurecido"? Quanto tempo eu vou levar para aprender a tocar violão? Quantas consultas serão necessárias para que eu possa acabar com meu sofrimento? Quanto tempo é necessário para que eu possa aprender a lidar com meus sentimentos? Será possível responder a essas questões? Será possível medir esse tempo como medimos o tempo cronológico?

Sabemos que o tempo cronológico é uma criação nossa, com base em nossa observação dos movimentos da natureza. Por esse motivo, talvez não devêssemos nos escravizar a ele. Por outro lado, também criamos um modo de ser na sociedade e, principalmente, no mundo do trabalho, a partir do qual se torna impossível ignorá-lo. Horários fixos, rígidos, pontualidade, medida do trabalho dada pelo número de horas que uma pessoa fica em seu local de trabalho, medida de produção pela quantidade de resultados obtidos durante um determinado tempo. Essas são algumas das formas que constituímos e que nos escravizam. Podemos viver sem elas? Necessitamos delas?

Em algumas instâncias, essas formas são imprescindíveis à sobrevivência. Se nos atrasarmos diariamente para o trabalho, perderemos o trabalho. Se demorarmos a apresentar os resultados de nosso trabalho, corremos o risco de não termos mais trabalho e o trabalho é uma das formas que construímos para nossa sobrevivência. Se construímos, poderíamos construir de outra maneira, por que não o fazemos? Por outro lado, às vezes levamos as mesmas exigências do mundo do trabalho para outras instâncias da vida e vivemos como se perseguíssemos o tempo, como se corrêssemos atrás de nós mesmos. Encontramos bem-estar desta maneira?

Atendi alguns partilhantes (pacientes) cuja questão era organizar-se para evitar atrasos. Em alguns desses casos, pude observar que o problema consistia na dificuldade em conciliar o tempo cronológico e o tempo subjetivo. Ocorria como se a pessoa vivesse em dois mundos diferentes simultaneamente. Num deles, o ponteiro do relógio andava rápido. No outro, seus pensamentos, sentimentos, comportamentos precisavam de mais tempo. Então, a simples preparação matinal para o dia de trabalho tornava-se uma tarefa extremamente estressante.

Você já experimentou dançar com alguém que dança em um ritmo completamente diferente do seu? Já experimentou correr com alguém que corre muito mais rápida ou lentamente que você? Imagine esse descompasso gerado no interior de uma mesma pessoa. "Não tenho tempo e fico muito tempo sem fazer nada" podem ser afirmações de uma mesma pessoa, sobre um mesmo momento, nas mesmas condições? Na clínica observamos que sim.

Quando dizemos que não temos tempo para nós, o que isso significa? Para uma pessoa, pode significar estar se dedicando ao que não gosta; para outra, pode ser um ritmo violentamente rápido, que a desestrutura; para uma terceira, pode ser o fato de não estar se dedicando às relações que lhe são importantes. O que significa para você?

Discutir a objetividade ou a subjetividade do tempo não responde essas questões. Há um tempo objetivo, que nos permite situar um evento, marcar um horário para a consulta, agendar um encontro. Mas há um tempo subjetivo que nos permite conhecer, vivenciar esse evento, amadurecer as relações entre os fenômenos e nossos estados subjetivos. O tempo não é em si mesmo, nem é uma determinação inerente às coisas. Nossas representações sucedem-se umas às outras e essa relação de sucessão, que é interna, é o que nos permite uma concepção de tempo. Assim, além do tempo objetivo (cronos) e do tempo subjetivo (kairos), podemos conceber o tempo como movimento interno.

Em filosofia clínica o histórico de um partilhante é um contínuo de vivências que pode dar-se por sucessão de eventos, por justaposição, correlação, ou outros modos. O filósofo clínico observa a forma como o partilhante constrói e é construído, como vivencia e é vivenciado. Como um filme de sua própria vida, o partilhante apresenta sua história em diferentes velocidades, em distintas ordenações e, assim, partilha seu modo de ser, no tempo da hora marcada da clínica e no contínuo da vida.

A clínica não é constituída pelos cinqüenta minutos agendados, mas por um tempo contínuo, por uma totalidade onde não há ontem, hoje ou amanhã, apenas um constante fluir. Não há um tempo determinado para o trabalho clínico - meses, semanas - há, apenas, o tempo da partilha, tempo de acompanhar e permitir os movimentos internos e da vida.

Fonte: Vya Estelar
[Imagem: Anhinga, lake eola, orlando, foto Lilia Lima]



Posted by Lilia at 02:59 PM|Comments (0)
 
  02.12.05-

''Nesta vida breve, se nós pudermos trazer, mesmo que seja apenas um momento de felicidade, para alegrar o coração de alguém, isto será religião de verdade. Todo o resto é disparate''. (Swami Vivekananda)

Posted by Lilia at 09:48 AM|Comments (0)