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  19.05.08- A ALEGRIA COMO ENERGIA ESPIRITUAL

Wayne Dyer

boasaude_sunset_arizona_phoenix_17march.jpg

Compare a maneira como o tempo parece passar quando você está alegre com a maneira como ele passa quando se encontra em um estado de dor ou tristeza.

Quando você está inspirado e alegremente envolvido em um projeto, o tempo parece voar. Isso é verdade para mim quando estou dando uma palestra ou profundamente envolvido com o que estou escrevendo. As horas passam, e fico impressionado com o fato de o tempo ter passado tão rápido.

O tempo parece passar rápido ou devagar porque, na verdade, é uma ilusão. Nós o inventamos para dividir a unidade, que é em si indivisível. O tempo
não pode existir quando tudo é o agora.

Quando você se desloca para a alegria, a experiência do tempo se dissolve na unidade do espírito, e o tempo desaparece. Por conseguinte, viver com um
propósito e sentir a alegria desse propósito o conduz ao padrão de energia mais rápida do espírito.

Esta é a energia mais elevada e mais rápida que você pode ter. Ter um propósito significa estar no alegre no presente, no qual o tempo não pode existir.

Considere agora a experiência inversa. Pense em como o tempo parece passar devagar quando você está triste. Quanto mais profundamente você entra nos padrões de energia da dor, do sofrimento, da melancolia, da angústia e da tristeza, mais devagar o tempo parece passar.

Os momentos de dor dão a impressão de ser intermináveis. Você olha para o relógio e acha impossível acredi¬tar que apenas quinze minutos se tenham passado. Albert Einstein descreveu espirituosamente a passagem do tempo ao discutir a relatividade:

"Quando um homem se senta com uma moça bonita durante uma hora, parece que apenas um minuto se passou. Mas se ele se sentar durante um minuto em um fogão quente, mais de uma hora parecerá ter passado. Isso é que é a relatividade."

A alegria acelera a ilusão do tempo, enquanto a tristeza parece desacelerá-la.
A energia mais rápida é o espírito. A alegria é o espírito, e é essa energia espiritual rápida que neutralizará a energia mais lenta da tristeza.

Quase todos nós temos a tendência de ser atraídos por aqueles que têm uma perspectiva de vida positiva e alegre.

Você adquire essa atitude tornando-se consciente das inúmeras bênçãos que a vida lhe ofereceu. Se você tiver um comportamento alegre, acabará se tornando uma pessoa que irradiará essa energia alegre e positiva, dissipando a tristeza onde quer que esteja.

Antes de poder enviar a alegria para onde existe tristeza, você precisa trabalhar os seus padrões de energia pessoal. Tome a deci¬são de viver na energia mais rápida da alegria consigo mesmo.
Você realiza isso prontamente ao sentir o mais freqüentemente possível que tem um propósito em tudo que faz.

Imagem: pôr do sol, phoenix, lilia lima

Posted by Lilia at 08:38 AM|Comments (0)
 
  25.09.05- O que faz você feliz?

Adília Belotti

oquefazvocefeliz-Kandinsky-HarmonieTranquille.jpg O que é que torna a vida excelente? Por que algumas pessoas parecem extrair o máximo de suas vidas e outras, ao contrário, vão se arrastando, capengas, pelo caminho?

A palavra-mágica é “fluxo”, diria o especialista Mihaly Csikszentmihalyi (experimente pronunciar mais ou menos assim: mi-há-i chic-sent-mi-há-i), autor de vários livros, incluindo meu favorito: A Descoberta do fluxo, psicologia do envolvimento com a vida cotidiana.

Certo, você ficou confusa. Fluxo? Sim, fluxo. Usos novos para velhas palavras....Para o professor Mihaly, fluxo seria aquilo que os alpinistas sentem pendurados a meio caminho do topo da motanha, por exemplo, quando viver é apenas o movimento, o vento e a vertigem do abismo... Fluxo é o que os corredores experimentam ao longo do percurso, quando só existe o caminho e você é uma parte da trajetória... E é, talvez a resposta mais moderna para os antigos ensinamentos dos mestres zen: “Quando andar, apenas ande; quando descansar, apenas descanse; quando falar, apenas fale; isso é meditação...”

Mergulhe no fluxo, mergulhe no fluxo...
Fluxo é aquela sensação de viver sem esforço e de existir em harmonia. O contrário de fluxo são aqueles momentos irritantes em que você está fazendo alguma coisa, desejando outra e pensando em uma terceira...algo como ir ao supermercado, sem vondade, porque você gostaria de estar, digamos, nadando, e ficar o tempo todo pensando no relatório que você precisa entregar... ufa! Então, fluxo é o oposto deste estado estressante e até perigoso, mistura de inconsciência com uma extraordinária agitação interna. Em estado de fluxo você consegue harmonizar sentimento, desejo e pensamento, tudo fluindo para este agora, este já grávido de sentido!

O que faz você feliz?
Felicidade é permanecer neste estado pelo maior tempo possível porque esta extraordinária sensação de bem-estar produz reflexos não só na nossa alma, mas também no nosso corpo. “Fluxo é uma condição de grande concentração, produtividade e felicidade que todos nós, intuitivamente entendemos e desejamos”, diz nosso superpsicólogo de 71 anos, nascido na Itália e cuja paixão, além dos seres humanos, é o alpinismo.
E ele continua: “A felicidade é o protótipo das emoções positivas. Como disseram muitos pensadores desde Aristóteles, tudo o que fazemos tem como meta final experimentar a felicidade. Nâo queremos realmente a riqueza, ou saúde, ou a fama por si sós – queremos estas coisas porque esperamos que elas nos tornem felizes”. A idéia de fluxo nasceu justamente para tentar responder à pergunta: se o que mais desejamos é a felicidade, o que sabemos realmente sobre ela? Sabemos que nestes momentos excepcionais estamos mais perto da felicidade do que quando sonhamos com ela. E, graças aos estudos do mestre Mihaly, que hoje dirige o Centro de Pesquisas em Qualidade de Vida na Drucker School Of Management, na Califórnia, podemos aprender a identificar estes momentos preciosos...

- Não fuja dos desafios. Para mergulhar no fluxo você precisa estar envolvido em uma atividade que represente um desafio, algo que obrigue você a flutuar nas fronteiras da sua capacidade. Já deduziu, não é? Pouquíssimas pessoas relatam experiências de fluxo vendo TV, por exemplo.
- Mas fuja correndo da ansiedade e da apatia. Cuidado: metas absurdas não tem nada a ver com o fluxo, ao contrário, se o desafio for maior do que sua capacidade, por exemplo, você vai só se frustrar e adeus fluxo! Enganar o fluxo com atividades fáceis demais também não vale: você fica tão relaxada, tão relaxada que ...mergulha no tédio ou na apatia. “Um dia típico é cheio de ansiedade e tédio. As experiências de fluxo oferecem lampejos de vida intensa, contra esse fundo medíocre”, avalia o professor. Tente imaginar em que momento do seu dia, você se sente assim?
- Qual é a sua paixão? Não dá para mergulhar inteiramente naquilo que está fazendo sem prazer. E aqui o prazer não nasce da vitória ou da realização. Ele nasce da própria experiência. Quando estamos em fluxo o tempo é eterno...Que tipo de coisa faz você perder a noção do tempo?
- Tenha um objetivo. Se você não sabe o que quer ou onde quer chegar, dificilmente vai conseguir mergulhar no fluxo. Praticamente qualquer atividade pode favorecer este estado: jogar xadrez, tocar ou ouvir música, mexer no jardim, cozinhar, escrever e, claro, pintar um quadro, fazer uma cirurgia, ....Mas ter uma meta clara e definida é fundamental para o seu mergulho. Escolheu sua atividade favorita? Observe se ela não se encaixa nesta regrinha...
- Ansiedade e incerteza são grandes inimigas do fluxo. Por isso o fluxo existe quando o feedback é imediato. Você sabe se a nota da música está errada, ou se a bola de tênis caiu na rede. Para estar completamente envolvida numa ação, você não pode ficar aflita pensando em qual deveria ser o resultado. Ganhando ou perdendo, acertando ou errando, o fluxo acontece quando você está inteiro na ação que realiza. Importante é competir? Sim, diria entusiasmado o professor. Mais ainda, importante é o mergulho, surfar na vida... quer coisa mais zen?

Fonte: Delas
[Imagem: Kandinsky, "Harmonie Tranquille"]

Posted by Lilia at 09:24 AM|Comments (2)
 
  19.08.05- A felicidade

Swami Sunirmalananda*

afelicidade-Alece-Birnbach-Cheri-Danish.jpg O que é a felicidade? Felicidade é uma sensação agradável da mente. Por exemplo: eu como um doce e isto me traz à mente uma sensação agradável. Ouço uma linda música, ela gera a mesma sensação, e, a isso, chamo felicidade. Mas se eu comer novamente o mesmo doce e ouvir a mesma música quando uma tragédia acontece, já não desfrutarei deles, não mais me trarão alegria. Assim, a felicidade é algo pessoal, depende inteiramente de cada um. Ou seja, é subjetiva.

A mesma pessoa, lugar ou objeto que trouxeram felicidade em uma ocasião podem trazer sofrimento em outra. Por que isto acontece? Porque nós - e não as coisas do mundo externo - somos os responsáveis por nossa felicidade. Pessoas, lugares e objetos são apenas estímulos que afetam o cérebro, nos trazem sentimentos bons ou ruins e dependem do nosso estado de espírito.

Onde encontramos a felicidade verdadeira? Ela é intrínseca a cada um de nós. Onde está localizada? Não está propriamente localizada: nós mesmos somos a felicidade. Sim, somos feitos da natureza da felicidade. Nossa natureza é felicidade imortal. O problema é que nos esquecemos desta simples verdade.

Então, o que é esta experiência a que chamamos felicidade? É apenas um tênue reflexo, uma pequena fagulha do brilhante sol da felicidade que está oculto dentro de nós. É apenas uma sombra dessa felicidade eterna que aguarda para ser exposta. O que agora chamamos felicidade e sofrimento nada mais é do que diferentes estados de espírito.

Assim, o mundo, com todo o seu brilho e esplendor, é só um salão de exposições estimulando sensações em nossas mentes.

A verdadeira felicidade, chamada ananda, em sânscrito, é a meta de todos os seres. Todos têm esta meta, alguns de forma consciente, com conhecimento, outros não.

De acordo com os Vedas, há um aumento gradual de felicidade à medida que evoluímos na vida: felicidade mundana, felicidade mental e felicidade espiritual. A maior delas, a felicidade espiritual, ocorre quando queremos conhecer Deus, ou quando queremos saber quem somos.

Disse certa vez o sábio Swami Vivekananda: ''Nesta vida breve, se nós pudermos trazer, mesmo que seja apenas um momento de felicidade, para alegrar o coração de alguém, isto será religião de verdade. Todo o resto é disparate''.

Portanto, você der alegria aos outros, você terá alegria. Porque nós e os outros não somos diferentes. Nós todos somos um. Para dar alegria aos outros, precisamos servi-los. Este é um dos melhores modos de viver na felicidade.

Para concluir, uma mensagem de Sri Sarada Devi, a Santa Mãe : ''Quem tem mente pura vê tudo puro. Se desejas paz mental, não busques faltas nos outros. Ao contrário, procure ver tuas próprias faltas''.

* Swami Sunirmalananda é monge budista da Ordem Ramakrishna
Fonte: JB Online
[Imagem: Alece Birnbach, "Cheri Danish"]

Posted by Lilia at 12:58 PM|Comments (0)
 
  11.08.05- HEDONISMO

José A. Pimentel

picasso-pablo-la-joi-de-vivre.jpg


Eu li em um dos livros do Ruy Castro que, ainda mais legal do que unir o útil ao agradável, é unir o agradável ao agradável.

A exaltação do desfrute. Há tempos venho ruminando sobre isso. Conheço muitas pessoas que vão ao cinema, a boates e restaurantes e parecem eternamente insatisfeitas. Até que li uma matéria com a escritora Chantal Thomas na revista República e ela elucidou minhas indagações internas com a seguinte frase: "Na sociedade moderna há muito lazer e pouco prazer". Lazer e prazer são palavras que rimam e se assemelham no significado, mas não se substituem. É muito mais fácil conquistar o lazer do que o prazer. Lazer é assistir a um show, cuidar de um jardim, ouvir um disco, namorar, bater papo. Lazer é tudo o que não é dever. É uma desopilação. Automaticamente, associamos isso com o prazer: se não estamos trabalhando, estamos nos divertindo. Simplista demais.

Em primeiro lugar, podemos ter muito prazer trabalhando, é só redefinir o que é prazer. O prazer não está em dedicar um tempo programado para o ócio. O prazer é residente. Está dentro de nós, na maneira como a gente se relaciona com o mundo. Chantal Thomas aborda a idéia de que o turismo, hoje, tem sido mais uma imposição cultural do que um prazer. As pessoas
aglomeram-se em filas de museus e fazem reservas com meses de
antecedência para ir comer no lugar da moda, pouco desfrutando disso tudo.

Como ela diz, temos solicitações culturais em demasia. É quase uma obrigação você consumir o que está em evidência. E se é uma obrigação, ainda que ligeiramente inconsciente, não é um prazer.

Complemento dizendo que as pessoas estão fazendo turismo inclusive pelos sentimentos, passando rápido demais pelas experiências amorosas, entre elas o casamento. Queremos provar um pouquinho de tudo, queremos ser felizes mediante uma novidade. O ritmo é determinado pelas tendências de comportamento, que exigem uma apreensão veloz do universo.

Calma. O prazer é mais baiano.

O prazer não está em ler uma revista, mas na sensação de estar aprendendo algo. Não está em ver o filme que ganhou o Oscar, mas na emoção que ele pode lhe trazer.

Não está em faturar uma garota, mas no encontro das almas. Está em tudo o que fazemos sem estar atendendo a pedidos. Está no silêncio, no espírito, está menos na mão única e mais na contramão.

O prazer está em sentir. Uma obviedade que merece ser resgatada antes que a gente comece a unir o útil com o útil, deixando o agradável pra lá.

Fonte: Fatos e Dados
[Imagem: Picasso, "La Joi de Vivre"]

Posted by Lilia at 04:19 PM|Comments (1)
 
  04.08.05- A coragem para ser feliz

OSHO

coragemserfeliz-NellWhatmore-Chasing-Rainbows.jpg Continuamos a perder muitas coisas na vida só por causa da falta de coragem. Na verdade, nenhum esforço é necessário para conquistar – só é preciso coragem – e as coisas começarão a vir até você, em vez de você ir atrás delas. Pelo menos no mundo interior é assim.

E para mim, ser feliz é a maior coragem. Ser infeliz é uma atitude muito covarde. Na realidade, para ser infeliz, não é preciso nada. Qualquer covarde pode ser, qualquer tolo pode ser. Todo mundo é capaz de ser infeliz; para ser feliz é preciso coragem – é um risco tremendo.

Não temos o costume de pensar assim. Nós pensamos: “ O que é preciso para ser feliz? Todo mundo quer ser feliz.” Isso está absolutamente errado. É muito raro uma pessoa estar pronta para ser feliz – as pessoas investem tanto na infelicidade! Elas adoram ser infelizes. Na verdade, elas são felizes por serem infelizes.

Há muitas coisas para se entender – sem entendê-las é muito difícil se livrar da mania de ser infeliz. A primeira coisa é: ninguém está prendendo você; é você que decidiu ficar na prisão da infelicidade. Ninguém prende ninguém. O homem que está pronto para sair dela, pode sair quando quiser. Ninguém mais é responsável. Se uma pessoa é infeliz, é ela mesma a responsável. Mas a pessoa infeliz nunca aceita a responsabilidade – é por isso que continua infeliz. Ela diz: “ Estão me fazendo infeliz” .

Se outra pessoa está fazendo com que você seja infeliz, naturalmente não há nada que você possa fazer. Se você mesmo está causando a sua infelicidade, alguma coisa pode ser feita... alguma coisa pode ser feita imediatamente. Então ser ou não ser infeliz está nas suas mãos. Todavia as pessoas ficam jogando nos outros a responsabilidade – às vezes na mulher, às vezes no marido, às vezes na família, no condicionamento, na infância, na mãe, no pai... outras vezes na sociedade, na história, no destino, em Deus – mas não param de jogar nos outros. Os nomes são diferentes, mas o truque é sempre o mesmo.

Um homem torna-se realmente um homem quando aceita a responsabilidade total – é responsável pelo quer que seja. Essa é a primeira forma de coragem, a maior delas. É muito difícil aceitá-la porque a mente vai continuar dizendo: “Se você é responsável, porque criou isso?”. Para evitar isso, dizemos que os outros são responsáveis: “O que eu posso fazer? Não tem jeito... sou uma vítima! Sou jogado daqui para ali por forças maiores que eu e não posso fazer nada. Posso no máximo chorar porque sou infeliz e ficar ainda mais infeliz chorando”. E tudo cresce – se você cultiva uma coisa, ela cresce. Então você vai cada vez mais fundo... mergulha cada vez mais fundo.

Ninguém, nenhuma outra força, está fazendo nada a você. É você e só você. Isso resume toda a filosofia do karma – que é o seu fazer; karma significa fazer. Você fez e pode desfazer. E não é preciso esperar, postergar. Não é preciso tempo – você pode simplesmente pular fora disso.

Mas nós nos habituamos. Se pararmos de ser infelizes, nos sentiremos muito sozinhos, perderemos nossa maior companhia. A infelicidade virou nossa sombra – nos segue por toda a parte. Quando não há ninguém por perto, pelo menos a infelicidade está ali presente - você se casa com ela. E trata-se de um casamento muito, muito longo; você está casado com a sua infelicidade há muitas vidas.

Agora chegou a hora de se divorciar dela. Isto é o que eu chamo de a grande coragem – divorciar-se da infelicidade, perder o hábito mais antigo da mente humana, a companhia mais fiel.

Fonte: Corpo Mente

[Imagem: Nell Whatmore, "Chasing Rainbows"]

Posted by Lilia at 01:54 PM|Comments (0)
 
  25.07.05- Alegria diante do desconhecido

Bel Cesar

criancadivina-marycassatt-childrenplayingonthebeach.jpg Recentemente fui viajar para um lugar onde nunca havia estado. Que surpresa ao notar o poder que o desconhecido tem sobre nossa mente em gerar alegria!
Foram dias de descoberta e muita curiosidade: estava relaxada e dinâmica ao mesmo tempo! Com o passar dos dias, observei que este sentimento de bem-estar continuou em minha mente enquanto mantive-me atenta apenas ao momento presente. Sem pensar nos detalhes da rotina de minha vida estava livre do passado e do futuro! Férias!

Agora, de volta ao cotidiano, apesar de conscientemente querer preservar este estado livre-leve-e-solto, senti a energia da alegria diante do novo se esvaindo... Um sinal de alerta soou em minha mente: “Perigo à vista: não deixe que as pressões externas levem embora a sua alegria de viver!”. No entanto, a força dos padrões antigos invadiu a minha mente sem pedir licença: senti-me inquieta "presa ao passado", quando comecei a lidar com as tarefas inacabadas deixadas há um mês e pressionada pelo futuro quando reconheci quanto trabalho está por vir!

Passei então, a sentir e observar que esta ansiedade, feita de pensamentos sutis que vêm e vão, estava levando embora a calma da mente espontânea e relaxada conquistada nas férias. Até o momento em que, como um insight libertador, a questão-chave veio à tona: “Como manter o estado de alegria interna diante da pressão cotidiana”?
Encontrei uma resposta quando perguntei a mim mesma: “quem sente a alegria?”, e logo me respondi: “o lado da minha mente que sabe brincar”.

A dica estava dada: o segredo para manter o estado de alegria interna está na conexão com nossa criança divina interior: a capacidade inata de rir e sentir prazer.

Interiormente, evoquei minha criança divina, pedindo a ela que não me abandonasse frente à vida tensa da cidade! Aos poucos, timidamente, ela retornou trazendo inspiração até mesmo para escrever este texto...

Todos nós temos uma porção do arquétipo da criança divina em nosso interior. Quando nos conectamos com ela geramos automaticamente inspiração e coragem para lidar com o desconhecido, pois ela contém a inocência e flexibilidade necessária para não resistirmos ao futuro.

Se ficarmos a serviço de nossos deveres e obrigações, desconectados de nossa criança divina, nos tornaremos rígidos e sem-graça. Por isso, precisamos sempre levar em consideração a necessidade de repousar e literalmente brincar para ativar a criança divina que nos desperta a alegria e o bom-humor.

“Poderíamos dizer que a criança interior é o nosso cérebro direito – intuição, imaginação, entusiasmo – que vive no presente, que sente as coisas, enquanto que o adulto é o nosso cérebro esquerdo, que aprendeu a raciocinar logicamente, a acumular saber, que pensa e age.” esclarece Paule Salomon em A Sagrada loucura dos casais (Ed. Cultrix).

Infelizmente, aprendemos a ser adultos ainda quando crianças: nos foi ensinado a pensar, ao invés de sentir. Agora, para nos tornarmos adultos-saudáveis, teremos que fazer ao contrário: sentir nossos pensamentos. Senão cairemos facilmente nas exigências que internalizamos quando crianças ao não considerarmos nossos sentimentos como algo de valor.

É importante ressaltar que a criança divina se distingue da criança-ferida que também nutrimos em nosso interior. Todos nós temos um quantum de energia bloqueada devido à memória de vivências onde fomos negligenciados, abusados, humilhados e criticados quando crianças. Esta porção de criança ferida nos faz exigências muito intensas, pois ela não sabe se é seguro relaxar diante das constantes mudanças da vida.

A criança-ferida surge quando duvidamos de nossa capacidade de ser feliz. Por exemplo, observe a freqüência com que criarmos um problema “do nada” quando estamos diante de momentos felizes... Aqui vale até ficar gripado no dia do seu casamento...

Acessamos muito pouco nossa criança divina por não valorizarmos nossos sentimentos como autênticos e significativos. Se escutarmos nossos medos, eles não precisarão ser expressos por meio de somatizações ou esquecimentos  que nos impedem de seguir em frente.

Paule Salomon aprofunda esta questão em seu livro A Sagrada loucura dos casais: “A resistência à mudança vem do fato de o adulto tentar agir como se estivesse sozinho dentro de nós, sem levar em conta a criança interior, sem informá-la, sem educá-la. A maioria de nós recebeu uma educação de adulto dominador diante de uma criança dominada. Interiorizamos essa relação e repetimos esse enredo no nosso teatro íntimo. Enquanto as relações de dominação prevalecem sobre as relações de proteção, estamos numa situação de dureza, de força. Não temos confiança em nós. O adulto em nós está numa situação aparentemente paradoxal, pois, por um lado, ele preserva a criança e, por outro lado, ele precisa aprender a não se manter no sentido de fechamento, mas, ao contrário, a se abrir sempre cada vez mais a sensações da criança, inclusive a vulnerabilidade. Sua tentação é sempre camuflar esse aspecto por se julgar invulnerável”.

Pema Chödrön nos alerta: “O mais doloroso é que, quando desaprovamos, estamos praticando a desaprovação. Quando somos severos, estamos reforçando a severidade. Quanto mais o fazemos, mais fortes tornam-se esses aspectos. É muito triste ver como nos tornamos especialistas em causar mal a nós mesmos e aos outros. O truque está em encarar tudo o que surge com curiosidade, sem fazer disso algo muito importante. Em vez de lutar contra a força da confusão, podemos ir ao encontro dela e relaxar. Quando agimos assim, gradualmente descobrimos que a clareza está sempre ali”. (Quando tudo se desfaz. Ed. Gryphus).

Na próxima vez que você reconhecer sua criança-ferida evoque imediatamente sua criança divina para lhe fazer companhia. Comece por brincar com você mesmo: com a água do seu banho ou desenhando “bobagens” na sua agenda.

E por fim, afirme a si mesmo algo que gostaria de ter escutado, mas nunca lhe foi dito! Repetir interiormente mensagens positivas repetidas vezes é uma excelente maneira de nos nutrir emocionalmente.

Vale a pena testar: escreva algo que você queira dizer para sua criança-ferida e deixe-o à vista para que você possa lê-lo várias vezes durante o dia e tente observar o que acontece. Pois quanto maior for o contato com nosso mundo interno, maiores serão as chances de ocorrerem sincronicidades positivas em nossa vida. A vida flui a nosso favor quando deixamos de lutar contra nós mesmos!

Fonte: Somos Todos Um

[Imagem: Mary Cassatt, "Children Playing on the Beach"]


Posted by Lilia at 11:26 AM|Comments (3)
 
  18.07.05- SER FELIZ É UMA DECISÃO

serfelizdesicao-edwardhopper-roombythesea.jpg Uma senhora de 92 anos, delicada, bem vestida, com o cabelo bem penteado e um semblante calmo, precisou se mudar para uma casa de repouso.

Seu marido havia falecido recentemente e a mudança se fez necessária, pois ela era deficiente visual e não havia quem pudesse ampará-la em seu lar.

Uma neta dedicada a acompanhou.

Após algum tempo aguardando pacientemente na sala de espera, a enfermeira veio avisá-las que o quarto estava pronto.

Enquanto caminhavam, lentamente, até o elevador, a neta, que já havia vistoriado os aposentos, fez-lhe uma descrição visual de seu pequeno quarto, incluindo as flores na cortina da janela.

A senhora sorriu docemente e disse com entusiasmo: Eu adorei!

Mas a senhora nem viu o quarto... Observou a enfermeira.

Ela não a deixou continuar e acrescentou:
A felicidade é algo que você decide antes da hora. Se eu vou gostar do meu quarto ou não, não depende de como os móveis estão arranjados, e sim de como eu os arranjo em minha mente.

E eu já me decidi gostar dele...
E continuou: é uma decisão que tomo a cada manhã quando acordo. Eu tenho uma escolha, posso passar o dia na cama remoendo as dificuldades que tenho com as partes de meu corpo que não funcionam há muito tempo, ou posso sair da cama e ser grata por mais esse dia.

Cada dia é um presente, e meus olhos se abrem para o novo dia das memórias felizes que armazenei...

A velhice é como uma conta no banco, minha filha... De onde você só retira o que colocou antes.

AUTORIA: se alguém conhecer a autoria desses texto, por gentileza me escreva. agradecida.
[Imagem: Edward Hopper, "Room by the sea"]

Posted by Lilia at 08:27 AM|Comments (1)
 
  15.07.05- O Doutor Felicidade

Entrevista: Martin Seligman

Um dos expoentes da psicologia positiva, o autor americano diz quais são os caminhos para alcançar o extraordinário mundo das pessoas felizes.

Anna Paula Buchalla

drfelicidade-kandinsky-wassily-mit-und-gegen.jpg "Os felizes são mais queridos pelos outros e tendem a ser mais tolerantes e criativos"

A influência das emoções sobre a saúde intriga os médicos desde a Antiguidade. A maior parte dos tratados e pesquisas investiga os efeitos deletérios dos sentimentos negativos, como a tristeza, a angústia e a raiva. Há cerca de vinte anos, no entanto, psicólogos e psiquiatras inauguraram uma nova corrente, a "psicologia positiva", que visa a determinar o peso das emoções boas no equilíbrio físico e mental. Um dos principais representantes desse movimento é o psicólogo Martin Seligman, de 61 anos, professor da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Seligman, que por quase trinta anos lidou com pacientes deprimidos, resolveu inverter o curso de seus estudos. Em vez de se dedicar a entender as fraquezas humanas, ele buscou respostas para compreender quais são as raízes da felicidade. "Sabia-se muito a respeito da depressão, mas quase nada sobre a essência comum das pessoas felizes", diz. Seus críticos argumentam que os termos da psicologia positiva são muito vagos e superficiais. Pode ser. Mas o fato é que, com suas idéias, Martin Seligman, ex-presidente da Associação Americana de Psicologia, tornou-se um autor best-seller. Em seu novo livro, Felicidade Autêntica (Editora Objetiva), recém-lançado no Brasil, ele propõe que a conquista da felicidade seja um exercício diário, feito com gentileza, originalidade, humor, otimismo e generosidade.

Veja – É possível medir o grau de felicidade de uma pessoa?
Seligman – Sim, se estivermos falando de prazeres como sexo, chocolate e compras. Nesses casos, cada um sabe o que o faz mais feliz. Mas já fica mais difícil medir o grau da felicidade existencial, por assim dizer. O que dá para perceber é que há características comuns às pessoas que consideramos felizes. Elas são, por exemplo, mais queridas pelos outros. Também tendem a ser mais tolerantes e criativas. As pessoas felizes têm em comum, ainda, hábitos de vida mais saudáveis, pressão arterial mais baixa e sistema imunológico mais ativo que as infelizes.

Veja – Por que o senhor resolveu enfocar a felicidade, e não a infelicidade, como fazem quase todos os psicólogos?
Seligman – A psicologia convencional nasceu para tentar entender o que torna alguém neurótico, deprimido, ansioso, de mal com o mundo. Durante mais de duas décadas dediquei-me a esse tipo de estudo. Mas, depois de anos nessa toada, achei melhor procurar compreender o que faz alguém feliz. Inclusive para indicar alguns caminhos para os infelizes. Descobri que homens e mulheres satisfeitos têm uma vida social mais rica e produtiva. Os muito felizes passam o mínimo de tempo sozinhos e mantêm ótimos relacionamentos. Cultivam mais as amizades e permanecem casados por mais tempo.

Veja – Os mais felizes vivem mais?
Seligman – O estudo mais notável feito até hoje sobre felicidade e longevidade analisou o cotidiano de 180 freiras. Todas tinham a mesma dieta, leve e balanceada, e estavam livres, é claro, de drogas, álcool e cigarro. Como também convém a freiras, elas não eram suscetíveis a doenças sexualmente transmissíveis. Pois bem, mesmo assim, foi constatada uma diferença sensível de longevidade entre as mais e as menos alegres. Entre as primeiras, 90% ultrapassaram os 80 anos. Do outro grupo, apenas 34% chegaram a essa idade.

Veja – Dinheiro traz felicidade?
Seligman – É evidente que uma situação financeira confortável ajuda. Mas é um erro pensar que, quanto mais dinheiro, mais satisfação. Especialmente se, para consegui-lo, se sacrificam outros aspectos. Trabalhar seis fins de semana seguidos para conseguir um salário maior, à custa de menos lazer e menos tempo com os filhos, não faz ninguém mais feliz. Uma pesquisa baseada na lista elaborada pela revista Forbes das 400 pessoas mais ricas dos Estados Unidos constatou que, na média, elas não são mais felizes que as de classe média. A riqueza tem uma correlação surpreendentemente baixa com o nível de felicidade. Os ricos são, em geral, só um pouco mais felizes que os pobres. Nos Estados Unidos, enquanto a renda aumentou 16% nos últimos trinta anos, o número de indivíduos que se consideram muito felizes caiu de 36% para 29%.

Veja – Mas existem estudos que associam a felicidade ao poder de compra.
Seligman – É verdade que países muito pobres, como Bangladesh, por exemplo, têm, na média, menos pessoas felizes que países como os Estados Unidos. Uma pesquisa realizada recentemente abordou um universo de mais de 1 000 pessoas em quarenta países. Os responsáveis cruzaram o nível de satisfação pessoal com o poder de compra correspondente a cada lugar. O resultado trouxe obviedades e surpresas. Numa escala de 10 pontos, a nação de pessoas mais felizes e satisfeitas é a Suíça. Os Estados Unidos estão em sexto lugar. Já o Brasil aparece num surpreendente décimo lugar, à frente da Itália, um país rico, onde as pessoas têm um poder de compra quase quatro vezes maior. Isso significa que os brasileiros têm particularidades que contrariam a crença de que felicidade está necessariamente associada a mais dinheiro.

Veja – Há pessoas que costumam dizer "eu não sou feliz, eu estou feliz". Isso faz sentido?
Seligman – Esse é o tipo de consideração que vale para quem pauta a vida pela quantidade de prazer imediato que consegue ter. É uma vida baseada exclusivamente no humor – e o humor tem altos e baixos. Uma felicidade mais plena sobrevive a esse tipo de montanha-russa.

Veja – É inegável, contudo, que existe a felicidade momentânea.
Seligman – Sim, e ela pode ser aumentada por meio de artifícios como um chocolate, um bom filme, uma roupa nova, flores ou uma boa massagem. Mas não é preciso ser um estudioso do assunto para verificar que coisas boas e realizações importantes incrementam a felicidade apenas temporariamente. Acredita-se que em menos de três meses eventos importantes como uma promoção perdem o impacto. O grande desafio é manter o nível constante de felicidade. A psicologia tenta estabelecer se cada um de nós tem um limite próprio para a felicidade – um limite herdado geneticamente e para o qual invariavelmente voltamos, por obra de um termostato interno. Você me perguntou sobre a relação entre felicidade e dinheiro. Pois bem, um estudo feito com ganhadores de gordos prêmios de loteria revelou que, passada a euforia causada pela entrada de uma grande soma de dólares, todos retornaram a seu nível básico de felicidade. A boa notícia é que mesmo depois de um evento muito triste esse termostato também nos tira da infelicidade e nos leva de volta ao patamar anterior.

Veja – Muitas pessoas têm tudo para ser felizes e não o são. Como explicar isso?
Seligman – Depois de acumular bens materiais e realizações, muitos tendem a esquecer que tudo aquilo foi fruto de conquistas nem sempre fáceis. Passam a encarar o status e o conforto que alcançaram como se fosse um dado da natureza, por assim dizer. Com isso, começam a ficar insatisfeitos e a querer sempre mais. É claro que tal atitude causa frustração. Por esse motivo, lidar com a felicidade pode ser tão difícil quanto enfrentar a infelicidade.

Veja – Alguém que teve uma infância marcada por acontecimentos muito infelizes pode se tornar um adulto feliz?
Seligman – Para Sigmund Freud, o pai da psicanálise, a infância determina a personalidade adulta. Na minha opinião, há uma certa dose de exagero nessa visão. Superestima-se o passado. Não há evidências suficientes de que acontecimentos traumáticos experimentados pela criança, como a separação dos pais ou a morte de parentes próximos, interfiram sempre a ponto de comprometer suas potencialidades. Acho que, se você se vê forçado pelo passado a trilhar o caminho rumo à infelicidade, tem todo o direito de esquecê-lo, sem que se sinta obrigado a ficar revolvendo ocorrências longínquas no tempo e no espaço.

Veja – Os mais bonitos são mais felizes?
Seligman – A beleza física certamente traz vantagens adicionais. Mas o fato é que a boa aparência exerce um efeito muito pequeno sobre a felicidade. Marilyn Monroe, para ficar num exemplo óbvio, era bela e profundamente infeliz.

Veja – Quais são os ingredientes de um relacionamento feliz?
Seligman – Não existe uma receita propriamente dita. Em meus estudos, descobri coisas inusitadas sobre os relacionamentos. Um dos exercícios que costumo aplicar é separar um casal e fazer com que cada um dê sua opinião sobre o outro. Depois, os resultados são comparados com a avaliação de pessoas próximas, como parentes e amigos. Quanto maior a discrepância da opinião do parceiro amoroso em relação à imagem social e familiar do outro, maior é a ilusão que existe entre eles. E, quanto maior essa ilusão, mais feliz e estável é o relacionamento. Homens e mulheres casados e satisfeitos vêem virtudes nos seus cônjuges que nem os amigos mais próximos conseguem enxergar. Hoje, muitos terapeutas de casais se dedicam a fazer com que casamentos marcados por brigas se transformem em uniões toleráveis. Eu prefiro transformar bons casamentos em uniões excelentes.

Veja – Os casados são mais felizes que os solteiros?
Seligman – Sim, o casamento está intimamente ligado à felicidade. Uma pesquisa nos Estados Unidos ouviu 35 000 pessoas nos últimos trinta anos. Dessas, 40% das casadas se disseram muito felizes, contra apenas 24% das solteiras, viúvas e separadas. A vantagem para os casados parece estar ligada ao fato de que eles se sentem mais amparados. Existem, no entanto, duas outras explicações para essa diferença de porcentagem, que antecedem o casamento em si: as pessoas felizes são mais predispostas a se casar e a manter o relacionamento. Os deprimidos tendem a ser mais retraídos, irritáveis e voltados para si, o que os torna menos interessantes.

Veja – As mulheres sofrem duas vezes mais de depressão que os homens. Elas são mais infelizes que eles?
Seligman – As mulheres são mais deprimidas, mas, curiosamente, também experimentam mais emoções positivas que os homens. Talvez isso se deva em parte à biologia e em parte à disposição feminina de falar mais abertamente de suas emoções – o que pode ser considerado um dado cultural.

Veja – Os velhos tendem a ser mais infelizes?
Seligman – Até a década de 60, acreditava-se que a felicidade estava associada à juventude e também a um bom nível de instrução. Essa idéia foi negada pela experiência. Velhos que tiveram uma boa vida dificilmente encontram motivos para ser infelizes – e pessoas menos cultas podem achar a felicidade dentro de suas possibilidades. Como digo no meu livro, embora o nível de instrução seja um dos melhores meios para aumentar os rendimentos, ele não é necessariamente causa de aumento da felicidade. A inteligência também não influencia a felicidade, seja para mais, seja para menos.

Veja – E os religiosos?
Seligman – Quem pratica uma religião é claramente menos predisposto a usar drogas, a se divorciar e a cometer crimes e suicídio. Costuma ser também mais saudável e viver mais. A relação direta entre fé religiosa e esperança no futuro acaba por afugentar o desespero e aumentar a felicidade. Mas essa não é, evidentemente, uma receita para todo mundo.

Veja – O número maior de deprimidos no mundo não seria proporcional ao aumento do número de pessoas que buscam uma felicidade que simplesmente não existe?
Seligman – A depressão é dez vezes mais freqüente hoje do que era em 1960. Ela também ataca cada vez mais cedo. Acredito que o que aconteceu foi um excesso de confiança nos atalhos que prometem a felicidade imediata: drogas, consumismo e sexo casual, entre outros exemplos. Tudo isso é fruto do narcisismo. E o narcisismo pode levar à depressão. Preocupar-se demais consigo próprio só faz intensificar tendências depressivas. Os profissionais da auto-ajuda vivem apregoando que todo mundo deve "entrar em contato com seus sentimentos". Ora, há limite para isso. Talvez fôssemos mais felizes se nos preocupássemos mais com o outro.

Veja – Hoje em dia, até mesmo pela eficácia dos tratamentos dos transtornos mentais, não existiria uma espécie de obrigação social de ser feliz?
Seligman – A felicidade não deve ser vista como uma meta obrigatória, embora seja natural querer ser feliz. O fato de haver tratamentos mais eficazes contribui para o alívio de certos tipos de infelicidade, mas eles não são garantia de que o mundo será um mar de rosas. Muito da felicidade que encontramos na vida é efeito colateral daquilo que fazemos. Por exemplo, diversos casais me procuram porque querem restabelecer a intimidade com seus parceiros. Essa intimidade, contudo, não se consegue por meio de remédios ou algo que o valha. Ela é conseqüência de uma mudança de atitude. Um casal feliz faz coisas positivas junto, de maneira espontânea, sem se preocupar se aquilo será motivo de felicidade ou não.

Veja – É possível ensinar alguém a ser feliz?
Seligman – É justamente esse o objetivo do meu trabalho: ensinar as pessoas a ser felizes e como intensificar essa felicidade. A mais agradável das tarefas de um pai – e eu diria que é até a principal – é desenvolver os traços positivos em seus filhos, em vez de apenas tentar apagar os negativos. É isso que garante às crianças os recursos para que se tornem adultos produtivos, equilibrados e satisfeitos. Felizes, enfim. "

fonte: psique.org

[Imagem: Kandinsky, Wassily mit und gegen]

Posted by Lilia at 10:56 PM|Comments (1)
 
  Habilidade de alegrar-se espontaneamente

Bel Cesar

habilidadealegrarse-life-happiness.jpg Você já parou para pensar qual é a origem da alegria? Em geral, dizemos: “o que me dá alegria é...” No entanto, sentir alegria somente a partir de eventos externos é tão difícil como encontrar água e sombra no deserto. A origem da alegria está dentro de nós: em nossa capacidade de abrir-se para senti-la. Podemos sentir a alegria espontânea que surge do bem-estar frente à vida.

Quem já não se pegou com medo de sentir felicidade? Como se não a merecesse? Portanto, não basta sentir a alegria, precisamos também cultivar as condições para expandi-la.

Para expandir a alegria, precisamos educar a mente para romper o hábito de andar para o passado e correr para o futuro. Se nossa mente souber ficar no presente enquanto observa o passado e planeja o futuro, não irá se perder nem se cansar.

No início, precisamos aprender a nos alegrarmos com nossas próprias alegrias: parar de buscá-las em situações externas e reconhecê-las quando ocorrem interiormente. O importante é ter confiança no valor dessa experiência, que vale a pena ser cultivada. Não é perda de tempo! A alegria surge quando não desistimos de nós mesmos.

A alegria espontânea surge quando mostramos apreciação por nós mesmos e por aqueles que amamos. O apreço traz a sensação de proximidade e de conforto.

“Tornamo-nos o que amamos, tornamo-nos o que olhamos: contemplar o Vivo é tornar-se vivo.” Escreve Jean Yves Leloup em A Arte da Atenção (Ed. Versus).

Um dos maiores obstáculos para sentir a alegria espontânea é sentir rancor contra nós mesmos, por estarmos onde estamos e sermos quem somos. Por uma razão ou por outra, quase nunca estamos satisfeitos conosco mesmos. A vida é um contínuo processo de transformação. São raros os momentos em que nos sentimos completos. Por isso, precisamos aprender a sentir alegria até diante da imperfeição.

A alegria de viver com abertura surge da clareza de nossos propósitos. Podemos reconhecer nossos desejos e necessidades como legítimos. Assim, quando fizermos nossas escolhas e assumirmos responsabilidade por elas, já não sentiremos mais necessidade de justificá-las. Isto é, não precisaremos mais nos defender das idéias alheias para nos afirmarmos.

O segredo está em nos mantermos ligados à nossa aspiração sem nos prendermos aos resultados imediatos, nem nos deixarmos levar pelas preocupações que não podemos resolver de imediato.

E por fim, não desistir. Às vezes desistimos no momento mais intenso porque pressentimos que a mudança real irá ocorrer. Então, caímos nas armadilhas do medo do desconhecido. Se isto lhe ocorrer, procure se refrear e recupere seu humor, dizendo para você mesmo: “Ei, pare, você já conhece o caminho de voltar atrás! Desta vez, siga em frente”.

fonte: somostodosum

[Imagem: christoph von toggenburg, Life is Happiness]

Posted by Lilia at 11:01 AM|Comments (0)