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  07.08.08- Equívocos Premeditados

Jordan Augusto

equivocospremeditados_arvorequintalfrutinhas.jpg

"Duvide de si mesmo e você duvidará de tudo que vê. Julgue a si mesmo e você verá juízes por toda parte. Mas se você ouve o som de sua própria voz, você consegue elevar-se acima da dúvida e do julgamento. E você consegue ver eternamente." (Nancy Kerrigan)

Concordo com um pensador americano que diz que equívocos premeditados é o que mais vemos nos dias de hoje. Pessoas que em um primeiro instante julgam, imaginam, estabelecem e rotulam de acordo com suas limitadas experiências. Não precisamos buscar em nenhum lugar exemplos que especifiquem tal atitude: todos nós, em algum momento de nossas vidas, julgamos algo ou alguém.

Nesta nossa época, classificada como a grande passagem para a modernidade; ou para os mais extremistas, um novo tipo de civilização, o que, por outro lado, não se pode negar que estamos também em um momento superficial e sustentado pelas aparências, iniciamos uma significativa inversão dos velhos valores.

Estamos machucados pelas más e constantes experiências; achamos que o mundo é cruel e que todas as pessoas são monstros disfarçados de seres humanos. Obviamente que, diante deste quadro, a razão desta mudança não é de caráter ético, mas biológico; é uma questão de evolução. Esta passa pelos seus estágios depurativos até entendermos que estamos passando ao estado orgânico, que adquire como valor o fator retidão; em profundidade, este serve à vida.

A constante individualização, oriunda do capitalismo e materialismo, força-nos a enxergar a vida sob uma ótica de sobrevivência. E é por isto que se desvaloriza o fator força coletiva, altruísta, para se impor coisas que servem, ao contrário, ao estado caótico. Em todas as áreas julgamos pelas aparências; pelos momentos... Seria o mesmo que julgar o livro apenas pela capa, não? Imaginem se fôssemos julgar Stephen Hawking apenas pela sua aparência... O que diríamos?

O problema é utilitário. A retidão é aceita pela vida, não por ideologias morais, mas por razões práticas de rendimento. Tudo é relativo e evolui.
"Abra seu corpo e sua mente para os mais sutis níveis de experiência, abandonando a tentativa de controlar e de estar certo, não se preocupando com as aparências, e não tentando estar seguro." (Stephen Levine)

Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula. No meio, uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia na escada para pegar as bananas, os cientistas jogavam um jacto de água fria nos que estavam no chão. Depois de algum tempo, quando um macaco fazia menção de subir a escada, os outros o pegavam e enchiam de pancada. Após mais algum tempo, nenhum macaco queria subir a escada, apesar da tentação das bananas.

Um dia, substituíram um dos macacos por um novo. A primeira coisa que o calouro fez foi tentar subir a escada, mas foi impedido pelos outros, que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo desistiu de subir a escada. Um segundo macaco foi substituído e o mesmo ocorreu, sendo que o primeiro substituto participou com entusiasmo da surra ao novato.
Um terceiro foi trocado e o mesmo ocorreu.
Um quarto e afinal o ultimo dos veteranos foi substituído.
Os cientistas então ficaram com um grupo de cinco macacos que, mesmo sem nunca ter tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse pegar as bananas.

Fonte: Sociedade Brasileira de Bugei

Posted by Lilia at 05:20 PM|Comments (0)
 
  17.05.08- NORMOSE

Martha Medeiros

normose_sunrisefog_oakwood_8fev500.jpg

Lendo uma entrevista do professor Hermógenes, 86 anos, considerado o fundador da ioga no Brasil, ouvi uma palavra inventada por ele que me
pareceu muito procedente: ele disse que o ser humano está sofrendo de normose, a doença de ser normal. Todo mundo quer se encaixar num padrão.

Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar. O sujeito "normal" é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido. Quem não se
"normaliza" acaba adoecendo. A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras
manifestações de não enquadramento. A pergunta a ser feita é: quem espera o que de nós?
Quem são esses ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas?

Eles não existem. Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha
"presença" através de modelos de comportamento amplamente divulgados. Só que não existe lei que obrigue você a ser do mesmo jeito que todos, seja lá
quem for todos. Melhor se preocupar em ser você mesmo.

A normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer o que não se precisa. Você precisa de quantos pares de
sapato? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos quilos até o verão chegar?

Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias. Um pouco de auto-estima basta. Pense nas pessoas que
você mais admira: não são as que seguem todas as regras , e sim aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida a seu modo. Criaram o seu "normal" e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante. O normal de cada um tem que ser
original. Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros. É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais.

Eu não sou filiada, seguidora, fiel, ou discípula de nenhuma religião ou crença, mas simpatizo cada vez mais com quem nos ajuda a remover obstáculos mentais e emocionais, e a viver de forma mais íntegra, simples e sincera.
Por isso divulgo o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e
felizes.

Fonte: Usina de Letras
Imagem: Lilia Lima

Posted by Lilia at 04:44 PM|Comments (0)
 
  01.02.07- O castelo

ocastelo_joesambataro_hiddenlakechateau.jpg "Em Love and Awakening", John Welwood emprega a analogia do castelo para ilustrar o mundo dentro de nós. Imagine um castelo magnífico, com corredores intermináveis e milhares de aposentos. Cada cômodo do castelo é perfeito e tem um dom especial. Cada aposento representa um diferente aspecto de você mesmo e é uma parte completa do castelo inteiro e perfeito. Como uma criança, você explorou cada centímetro do seu castelo, sem vergonha ou espírito crítico. Sem medo, procurou as preciosidades e os segredos de cada cômodo. Amorosamente, você assumiu cada aposento, fosse ele um banheiro, um quarto ou uma adega. Cada um e todos os cômodos eram únicos. Seu castelo estava cheio de luz, amor e maravilha. Então, um dia, alguém chegou lá e lhe disse que um dos aposentos era imperfeito, que com certeza não pertencia ao seu castelo. Sugeriu-lhe que, se quisesse ter um castelo perfeito, você deveria fechar aquele quarto e trancar a porta. Como desejava ser amado e aceito, você rapidamente fechou o quarto. À medida que o tempo foi passando, mais e mais gente foi até o seu castelo. Todos deram sua opinião sobre os aposentos, de quais gostavam e os que lhes desagradavam. E, aos poucos, você foi fechando uma porta depois da outra. Seus aposentos maravilhosos foram sendo trancados, ficaram fora do alcance da luz, mergulhados na escuridão. Um ciclo havia começado.

Desse momento em diante, você passou a fechar cada vez mais portas; pelas mais diversas razões. Fechou portas porque tinha medo ou porque achou que os quartos eram muito arrojados. Trancou as portas de outros por julgá-los muito conservadores. Outras portas foram fechadas porque alguns castelos que você visitou não tinham cômodos como aqueles. E outras, ainda, porque seu líder religioso lhe disse que você deveria manter distância de certos quartos. Você fechou toda porta que não se encaixasse nos padrões da sociedade ou em seu próprio ideal.

Acabou-se o tempo em que o seu castelo parecia não ter fim e o seu futuro se apresentava brilhante e cheio de emoções. Você já não cuidava mais de cada cômodo com o mesmo amor e admiração. Aposentos dos quais você se orgulhava, agora queria que desaparecessem. Você tentou imaginar formas de se livrar deles, mas eles faziam parte da estrutura do castelo. Chegou um momento em que você, tendo fechado a porta de todo e qualquer cômodo de que não gostasse, acabou por se esquecer completamente deles. No princípio, você não percebeu o que estava acontecendo; tinha se tornado um hábito. Com tanta gente dando palpites tão diferentes sobre qual a aparência que um magnífico castelo deveria ter, tornara-se mais fácil dar atenção aos outros do que à sua voz interior: a única que amava seu castelo por inteiro. Na verdade, o fato de fechar aquelas portas começou a lhe dar segurança. Logo você se viu morando em poucos e apertados cômodos. Aprendera a fechar as portas para a vida e sentia-se à vontade fazendo isso. Muitos trancaram tantos aposentos que se esqueceram de que algum dia foram um castelo. Passaram a acreditar que eram apenas uma casa pequena, de dois quartos, necessitando de consertos.

Agora, imagine seu castelo como o lugar onde você abriga tudo o que você é, a parte boa e a má, e que todas as características que existem no planeta também estão em você. Um de seus cômodos é amor; outro é coragem; outro, elegância; e outro é graça. Há um número infinito de aposentos. Criatividade, feminilidade, honestidade, integridade, saúde, sensualidade, poder, timidez, ódio, ganância, frigidez, preguiça, arrogância, doença e maldade são aposentos do seu castelo. Cada um deles é uma parte essencial da estrutura, e cada aposento tem seu oposto em algum lugar do seu castelo. Felizmente, nunca ficamos satisfeitos sendo menos do que somos capazes de ser. Nosso descontentamento com nós mesmos nos motiva a ir em busca de todos os cômodos perdidos do castelo. Só conseguiremos achar a chave da nossa individualidade se abrirmos todos os aposentos do castelo.

O castelo é uma metáfora para ajudá-lo a perceber a enormidade do seu ser. Cada um possui esse lugar sagrado dentro de si mesmo. É de fácil acesso, se estivermos prontos e ansiosos por ver a nossa totalidade. A maioria das pessoas tem medo do que poderá encontrar por trás das portas desses quartos. Assim, em vez de partir numa aventura, para encontrar nosso eu escondido, cheio de emoção e maravilhas, conservamo-nos fingindo que os quartos não existem. O ciclo continua. Mas, se você quer de fato mudar o rumo da sua vida, terá de entrar em seu castelo e abrir vagarosamente todas as portas, uma a uma. Precisará explorar seu universo interior e recuperar tudo o que havia rejeitado. Só na presença do seu eu integral você poderá apreciar sua magnificência e gozar a totalidade e a singularidade da sua vida."

a citação acima está no livro "O Lado Sombrio dos Buscadores da Luz", de Debbie Ford
[Imagem: Joe Sambataro, Hidden Lake Chateau]

Posted by Lilia at 05:26 PM|Comments (0)
 
  02.10.06- Lembre-se que, ao Morrer, sua "Caixa de Entrada" NÃO estará Vazia!

Richard Carlson

lembresequeaomorrer_josepgraugarriga_thebouquetandthefan.jpg Muitos de nós vivemos nossas vidas como se o propósito secreto dela fosse, de alguma forma, cumprir todas as tarefas. Ficamos acordados até tarde, acordamos cedo, evitamos o prazer, e fazemos nossos amados esperarem terminarmos as tarefas. É com tristeza que tenho visto muitas pessoas manterem os seres amados à distância por tanto tempo que eles perdem interesse em manter a relação. Quase sempre nos convencemos de que nossa obsessão com a lista do que "temos que fazer" é temporária - que, uma vez que tenhamos chegado ao fim da lista, ficaremos calmos, tranqüilos e felizes. Mas isso, na realidade, raramente ocorre. À medida que os itens vão sendo ticados, surgem outros novos para substituí-los.

A realidade da "caixa de entrada" (dos seus e-mail, por exemplo) é que seu único sentido é ter itens que a completem - de maneira que ela nunca esteja vazia. Sempre haverá telefonemas que precisam ser dados, projetos a serem desenvolvidos, e trabalho a ser feito. De fato, podemos argumentar até que uma "caixa de entrada" cheia é fundamental para nossa noção de sucesso. Significa que nosso tempo está sendo requisitado.

Independente de quem você seja ou do que faça, no entanto, lembre-se que nada é mais importante do que a sensação de felicidade e paz interior e as pessoas que nos amam. Se você é do tipo obcecado com coisas a serem feitas, nunca terá a sensação de bem-estar! Na verdade, quase tudo pode esperar. Muito pouco de nossa vida de trabalho realmente se encaixa na categoria de "emergência". Se você se mantém concentrado no seu trabalho, ele será feito em tempo hábil.

Eu acredito que se me lembrar (freqüentemente) que o propósito da vida não é fazer tudo, mas aproveitar cada passo no caminho e viver uma vida repleta de amor, será muito mais fácil para mim controlar minha obsessão em relação à execução de listas de coisas a serem feitas. Lembre-se, quando você morrer, ainda haverá coisas por completar. E sabe do que mais? Alguém as fará por você! Não desperdice nenhum dos momentos preciosos de sua vida lamentando o inevitável.

Fonte: peguei aqui
Richard Carlson, NÃO FAÇA TEMPESTADE EM COPO D'ÁGUA... e tudo na vida são copos d'água...Maneiras simples de impedir que coisas insignificantes dominem sua vida, Editora Rocco, 1998.

[Imagem: Josep Grau Garriga, "The Bouquet and the Fan"]

Posted by Lilia at 06:51 PM|Comments (0)
 
  30.09.06- Boa saúde: primeiro passo é perceber o organismo

Alex Botsaris

boasaude_sophia_jamesdinverno.jpg Todo dia recebo inúmeros e-mails me pedindo conselhos para uma infinidade de problemas. A maior parte das pessoas quer uma indicação médica para resolver seus problemas de saúde, coisa que não posso fazer por não ser ético nem correto em termos de responsabilidade profissional e conduta médica. Entretanto o que me chama a atenção nessas pessoas é que a maioria deseja solução para problemas cuja causa está em seus hábitos de vida, na sua rotina diária, que elas mesmas criaram.

Por outro lado, em meu consultório, vejo que uma das maiores dificuldades que os pacientes possuem, é para mudar seus hábitos de vida, livrando-se dos costumes que fazem mal à saúde. Tenho a impressão que isso é devido a uma dificuldade crescente das pessoas de perceberem a si mesmas, identificando suas necessidades e também aquilo que lhes faz mal a saúde.

Com a urbanização da sociedade, e em especial após a evolução tecnológica, as pessoas foram se acostumando a ter acesso aos bens de uso diário em lojas e foram se afastando cada vez mais da natureza. Cada vez mais produtos industrializados foram sendo usados na alimentação no lugar de alimentos naturais. A informação via mídia eletrônica está substituindo a experiência direta com a natureza. Crianças, por exemplo, estão, cada vez mais, tomando contato com animais e a vida selvagem na televisão e no computador.
Com a urbanização e o uso maciço de mídia eletrônica, as pessoas estão perdendo a capacidade de desenvolver seus instintos. Da mesma forma que perderam sua percepção da natureza (como o que pode fazer mal ou bem numa floresta), estão experimentando uma perda da capacidade de se autoperceber. Assim cada vez mais se acostumam com hábitos criados no ambiente urbano (como fumar ou usar drogas) que embotam os sentidos e apagam as percepções do próprio corpo.

Não sou o único a ter essa visão dos problemas de saúde atuais. O Dr Fernando Bignardi, professor de medicina na UNIFESP, escreve que um dos primeiros passos do processo psicoterapêutico é incentivar o paciente a fazer conexão com sua própria essência, ou seja aprender a escutar seu próprio organismo. Ele entende que muitos problemas de ansiedade e insatisfação, vêm da incapacidade das pessoas de saberem exatamente o que querem. A esse processo de escutar a si mesmo, ele chama de 'autoconexão'.

Estudo feitos no Canadá, revelaram que pessoas que têm hábito de leitura e evitam excesso de mídia eletrônica, têm melhores padrões de saúde, em atendimento primário à saúde, que aqueles viciados em televisão e jogos de computador. Em geral o primeiro grupo gosta de sair mais à rua e entrar em contato direto com as pessoas e as coisas. É possível que isso revele uma maior capacidade de percepção de si mesmo, nessas pessoas.

No Brasil um estudo com idosos revelou que pacientes que possuem mais capacidade de avaliar sua situação clínica e se cuidar, possuem melhor qualidade de vida que aqueles que não têm essa capacidade. Estudos revelaram ainda que, quanto maior a capacidade das pessoas de expressarem seu afeto, seja por si mesmas ou pelos outros, corresponde a uma menor incidência de doenças do coração câncer e diabetes.

Por isso, se você quer mesmo cuidar da sua saúde, comece por tentar escutar o seu próprio organismo e olhar em volta e buscar entender que desequilíbrios podem estar afetando negativamente a sua saúde. Não adianta procurar um médico, seja ele quem for, se não há disposição de mudar seus hábitos de vida que são nocivos. E isso depende fundamentalmente de identificar quais são esses hábitos.

Parar um pouco, ir para um local quieto e agradável e tentar sentir o que se passa em seu próprio organismo, são os primeiros passos nessa jornada. É bom reservar alguns momentos durante o dia para esses mementos consigo mesmo. Outro ponto é descobrir seus pontos fracos. Quase todo mundo sabe quais são. Não custa cuidar especialmente das fraquezas, não é verdade?

Bem sei que não basta identificar os problemas e desejar resolvê-los. Muitas pessoas conseguem chegar até esse ponto, mas não têm informação e força de vontade para galgar um novo patamar de qualidade de vida. Ai nesse momento que entra o médico. É ele que possui o conhecimento que vai permitir dar os próximos passos.

Por isso, não adianta ser qualquer um. É preciso escolher um profissional especial e qualificado, e que o paciente acredite em sua competência, mesmo que seja necessário esperar numa fila ou pagar uma consulta particular.

fonte: Vya Estelar
[imagem: James Dinverno, "Sophia"]

Posted by Lilia at 01:50 PM|Comments (0)
 
  15.11.05- o maior responsável pela sua dor é voce

Rosemeire Zago

responsaveldor-henri-matisse-king-sadness.bmp Dor da indiferença, do desprezo, do abandono, da perda. Com certeza são dores que fazem sangrar mais que qualquer ferida. Faz nos sentir sem valor, diminuídos, sem energia ou forças sequer para respirar, e o pior, faz nos sentir seres indignos de receber amor. Coloca ainda em risco nossa saúde mental, levando-nos muitas vezes a acreditar que nunca a tivemos. Ficamos sem rumo, sem o chão para nos apoiar, porque quase sempre não temos com quem contar, um ombro para chorar. Auto-estima e amor-próprio não fazem mais parte de nossos sentimentos. Perde-se o controle das palavras, das ações e até de si mesmo.

O desejo racional nestes momentos raramente coincide com o desejo emocional. A razão pede para ir embora e a emoção pede para ficar, com o desejo enorme de encontrar alguém que venha nos salvar. Espera-se que alguém tire essa dor que dilacera tudo por dentro. Pura ilusão, pois a única pessoa que pode fazer algo por você, melhor que qualquer outra pessoa, é você mesmo, mesmo que se sinta incapaz para isso. A melhor forma de nos frustramos é esperarmos que alguém mude ou faça o que esperamos.

Quando somos levados apenas pelas emoções, parece que perdemos o controle e não conseguimos discernir mais o certo e o errado. As emoções não obedecem à razão. O que fazer então, quando o conflito é gerado por tantos sentimentos?

É preciso neste momento tentar descobrir a causa da dor. Se continuar chorando, gritando, controlando, cada vez mais ficará com a dor que tanto machuca. Deve-se também buscar a certeza de qualquer atitude que vá tomar, para que não transforme o conflito em mais sofrimento ou arrependimento, muitas vezes impossível de ser transformado. Por mais que possamos responsabilizar alguém por nossas dores, somos nós mesmos que a causamos ao permitirmos que tal situação permaneça. Podemos culpar pais, irmãos, namorados, chefes, etc, mas isto nada adianta.

A dificuldade está dentro de cada um de nós por não conseguirmos mudar os fatos, que por vezes podem ser difíceis de serem aceitos. É a interpretação que damos aos acontecimentos e situações que nos leva ao sofrimento. É quando esperamos algo que nunca vai chegar. Vale lembrar da Oração da Serenidade adotada pelos Alcoólicos anônimos no mundo inteiro:

"Que Deus me dê serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar,
coragem para mudar as que posso e
sabedoria para distinguir umas das outras".

Já chorou tudo o que tinha para chorar, agora é hora de sair da posição de vítima, que não nos permite sair do lugar e tornar-se responsável pela própria vida. Chega de lamentações. Muitos machucam aos outros e a si mesmo para conseguir o que esperam, fazendo de tudo para resgatar o que um dia acreditou. É claro que muitas vezes alguém pode realmente tê-lo machucado, porém isto não deve servir de pretexto para manter o que tanto machuca.

Ninguém está livre de problemas e nem das contrariedades da vida, mas manter tudo isto ou não só depende de cada um de nós. Se uma situação é intolerável, se você se sente desprezado, rejeitado, por que manter tal situação?... Não é preciso perder sua saúde mental para só depois tentar fazer algo. O momento de reagir é agora, enquanto há o mínimo de forças. É preciso compreender que as soluções estão dentro de nós e não em outra pessoa ou situação externa. É importante às vezes sairmos fora de nós mesmos e observarmos a situação como se estivéssemos assistindo a um filme, para então podermos colocar luz onde é só escuridão.

É sua responsabilidade fazer algo para melhorar. Não espere que o outro te dê amor, carinho, atenção, colo, te faça se sentir importante, você é quem deve se dar tudo isso. Devemos aprender a aceitar o que não pode ser mudado, aprender que não podemos colocar sentimentos dentro de alguém e muito menos, colocar nossa capacidade de amar nas mãos de alguém. Não é porque o outro não valoriza o que você é e faz, que tudo isso não tem importância. Tem sim e muita, o outro é que não tem sensibilidade para perceber seu real valor. Então para que continuar uma situação que machuca e te enfraquece tanto?

Tudo o que temos é o dia de hoje e dependerá de você vivê-lo da forma mais harmoniosa possível. Sua força vem de você e da construção de relacionamentos saudáveis com as outras pessoas e com você. As feridas podem e devem se cicatrizar, mas não permita que essa dor que dilacera e destrói tudo por dentro permaneça te fazendo desistir de você e de viver. Lembre-se: amor, atenção, carinho, amizade, não se pede. Apenas se recebe.

[Imagem: Henri Matisse, The king's Sadness]

Posted by Lilia at 10:16 AM|Comments (0)
 
  09.08.05- Psicoterapia não é coisa pra louco!

Maria Aparecida Diniz Bressani

psicoterapianao-Picasso-VisagedeFemmeSurFondRaye.jpg Fico estupefata que, mesmo estando no século 21, com uma gama de informações extraordinária disponivel, ainda haja tanto preconceito e mal entendido sobre o que seja e para quem seja psicoterapia.
Existe ainda grande resistência por parte das pessoas - mesmo por aquelas que buscam sites, livros ou qualquer outro veículo de auto-ajuda - sobre o fato de entrarem num processo de psicoterapia.

O que ocorre comumente é uma pseudo-precupação, onde a grande ânsia é apenas em tirar a angústia, a ansiedade, o mal estar ou qualquer outro sintoma e não em resolver, efetivamente, o que causa tais sintomas.
Quando sugiro para alguém que seria bom que fizesse psicoterapia sempre vem aquela pergunta: "Você acha?...", juntamente com aquele olhar interrogativo como que completando a pergunta "... que eu preciso?" Como se houvesse na minha indicação alguma insinuação de que a pessoa é louca ou coisa parecida.

E devido a este preconceito a pessoa vai se arrastando pela vida e arrastando as situações em que vive, sem conseguir resolvê-las com eficácia e a seu favor.
Eu até entendo que o que está por trás deste preconceito em relação à psicoterapia é o medo do encontro consigo próprio, de encarar-se e, consequentemente, de perceber os seus equívocos e suas ilusões sobre si mesmo. Sei também que, além disso, a maioria das pessoas não foi educada para se perceber e se levar a sério (a nossa cultura ainda tem dificuldade em olhar uma criança como alguém perceptivo!).

Outro grande problema que impede as pessoas de ir na busca do processo de psicoterapia é a baixa disponibilidade para si próprio - justamente por não se levarem a sério e às suas reais necessidades.
É difícil a pessoa colocar-se disponível para si mesmo, pois tem receio de cortar os fios da teia na qual está preso por tem medo de cair num vazio maior no qual já sente estar. Por isso, cria justificativas lógicas e plausíveis (racionalizações) que, na maioria das vezes, a coloca como vítima da própria vida, sem se dar conta da sua cota de responsabilidade sobre a mesma.
Existe por parte das pessoas, de uma forma geral, uma séria dificuldade em entender que psicoterapia é algo que tem como função ajudá-las no processo natural da vida, que é se desenvolver. Então, assim, ainda existe um certo constrangimento quanto ao porquê da necessidade da psicoterapia.
Nascemos com um "projeto de vida", que muitas pessoas chamam de "destino". E qual seria este senão o próprio desenvolvimento da consciência e o colaborar no desenvolvimento da nossa própria espécie?
Queiramos ou não esses desenvolvimentos acontecem (da consciência e da espécie) da mesma forma que o desenvolvimento físico também se dá.

O processo de psicoterapia ajuda no curso natural do desenvolvimento da consciência, elevando-a mais rapidamente e, muitas vezes, além da média; eliminando, desta forma, o sofrimento e as angústias vividas ao longo da vida. Isto não significa que não haverão mais problemas, mas, sim, que a pessoa aprende a lançar um novo olhar sobre si e sobre a vida, proporcionado-se satisfatória saúde emocional e boa qualidade de vida.

A psicoterapia é a possibilidade de encontrar-se com seu verdadeiro Eu - que Jung chamou de Self. É a possibilidade de desmanchar as ilusões e as racionalizações sobre seus comportamentos, além de poder compreender as reais motivações que os geraram. É a possibilidade de redirecionar positivamente o fluxo de energia da vida - que na maioria das vezes está represado ou canalizado para situações que são negativas ou até mesmo destrutivas e não proporcionam a verdadeira sensação de bem estar e realização pessoal. É a possibilidade de sair da teia, um emaranhado de fios de "verdades absolutas" estabelecidas (que não o foram, necessariamente, por si próprio e sim, muitas vezes, "herdadas" da família, via educação).
Normalmente, quando essas "verdades" são herdadas e vividas, ou a pessoa segue-as na íntegra, ou faz exatamente o contrário, por assim acreditar que está seguindo o próprio caminho (o que não é verdade, pois os parâmetros continuam sendo os familiares); sobrando a sensação de insatisfação e de vazio constante.

Acredito no trabalho da psicoterapia, justamente porque também já estive do "lado de lá" - no meu próprio processo de psicoterapia - além do meu trabalho como profissional, onde sou testemunha do bem que este processo de desenvolvimento da autoconsciência promove na qualidade de vida de uma pessoa.
Por isso, acredito que psicoterapia é uma modalidade de processo de autoconhecimento que serve para todos, em larga escala, sem restrição de idade ou crença.
A psicoterapia promove ampliação e expansão da consciência sobre si mesmo - elevando o nível de autoconsciência - sobre seu verdadeiro Eu - e, consequentemente, sobre suas reais necessidades e motivações.
Essa ampliação e expansão da consciência levam a um caminho de luz; pois, consciência é exatamente isso: Luz.
Enquanto que quando vivemos ignorantes de nós mesmos (sem o sabermos!), vivemos nas sombras, se não, na própria escuridão; andando pela vida como sonâmbulos, com comportamentos - movimentos, ações e reações – “no automático”.

A psicoterapia é o caminho para o desenvolvimento da luz na própria vida, ou seja, serve como canal para que a pessoa descubra dentro de si todo um potencial ainda desconhecido de si mesma e, a partir daí, aplicá-lo na própria vida. Afinal, só podemos utilizar o que sabemos que temos!
Apenas quando descobrimos nossos potenciais podemos administrar com tranqüilidade nossas limitações individuais e nos aproximar de nós, enquanto seres humanos que somos.
Apenas quando dissipamos nossos equívocos e ilusões sobre nós mesmos é que podemos nos levar a sério e aí, sim, colocamo-nos à nossa disposição - nos tornamos auto-disponíveis e mais abertos para a vida e para as pessoas.
Apenas quando conhecemos nossos recursos (tesouros escondidos!), conseguimos tranqüilizar nossa a ansiedade, eliminando o medo do futuro.
Apenas quando podermos olhar nos nossos olhos - sem medo do que encontraremos no fundo deles - é que conseguiremos viver uma vida mais pessoal e plena, com aplicação adequada dos nossos melhores recursos, proporcionando-nos uma real e boa qualidade de vida, impregnada de amor e respeito.
E com isso todos ganhamos: nós mesmos, as pessoas à nossa volta e a própria humanidade, da qual fazemos parte.

Então, sob este prisma, como alguém pode sequer pensar que psicoterapia é "coisa pra louco"??

Fonte: Somos Todos Um
[Imagem: Picasso, "Visage de Femme Sur Fond Raye"]

Posted by Lilia at 05:05 PM|Comments (0)
 
  15.07.05- A Camiseta Furada

Carla Cintia

camisetafurada-modigliani-amedeo-la-belle-romaine.jpg Qual de nós não tem ou teve aquela camiseta bem deformada, super confortável, com um furinho safado e que a gente insiste em usar em casa, quando ninguém está vendo?

A gente chega com um mau humor daqueles, depois de um dia de cão e ela nos espera e nos abraça e nos faz esquecer que há um mundo hostil lá fora. A gente briga com o namorado, discute com a mãe, engole mais um sapo do chefe e, antes de pegar a caixa de chocolate, veste a camiseta. O pneu furou logo depois que desabou a maior chuva dos últimos tempos e não parou ninguém para lhe ajudar a trocá-lo? Então você sonha em chegar em casa, tomar um banho bem quentinho e vestir a camiseta.

Mas tem um dia que você acorda e não se anima a sair da cama. Dentro de sua inseparável companheira, descobre uma desculpa para dar lá no escritório. Já é hora do almoço, mas a fome não vem. Você acha uma boa pedida mergulhar em um pacote de chocookies enquanto a sessão da tarde lhe faz companhia. Sabe aquele furinho? Você acha graça em pensar que grande do jeito que está pode ser considerado uma espécie de ar condicionado. O toque do telefone é desagadável, mas você prefere deixar tocando a ter que ouvir alguém do outro lado da linha. Por falar em linha, que linha é esta pendurada aqui? Ih! Quando você puxou veio junto metade da bainha frontal. É, a companheira velha está nas últimas. Bom poder reparar nela. Enquanto faz isto não repara em você.

Pois é, vocês já devem ter percebido onde quero chegar.

Primeiro, uma camiseta destas pode ser um conforto e tanto, a menos que você não queira mais tirá-la do corpo. Vamos nos desmanchando com ela. A única diferença é que o fim dela é o lixo ou, na melhor das hipóteses, virar pano de chão. Este é o seu destino? Com certeza você já teve um amigo camiseta-velha. Com certeza você já teve dias camiseta-velha e aposto que só melhorou quando resolveu tomar um banho, vestir uma roupa decente e passar um batom. Sair de casa é opcional, mas ajuda estar com pessoas ao invés de estar com malhas de algodão.

Outra atitude recomendável é jogar este troço fora o mais rápido possível. Sabe por quê? Dá uma olhada no espelho e repara se atraente é uma boa descrição do que vê. Sabe aquela caixinha de chocolate, o chocookie, a sessão da tarde? Vamos trocar por uma maçã, uma saladinha e um cinema? Ninguém gosta de um espantalho. Nem você. E se você não se cuida, não se gosta, quem fará isto por você? Apenas aquela velha (amiga) camiseta que lhe dá conforto momentâneo, mas quer lhe levar junto com ela para o lixo.

Sempre alerta! As camisetas velhas são uma tentação perigosíssima!

[Imagem: Modigliani, Amedeo la belle romaine]

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  Todo mundo é chato

Maria Tereza Maldonado

todomundochato-lucy-tom-everhart.jpg A reclamação é um vício que algumas crianças e adultos cultivam com esmero para evitar o esforço da reflexão e das iniciativas de mudança. As perguntas evitadas são: O que estou fazendo (ou deixando de fazer) comigo mesmo para me sentir tão chateado e reclamar tanto dos outros e da vida? Se não estou satisfeito com o que está acontecendo, o que posso fazer para mudar?
O desenvolvimento pessoal é um trabalho da vida inteira. Nas empresas, fala-se muito sobre isso: aprendizagem continuada, treinamento, capacitação, universidades corporativas e por aí vai. A idéia fundamental é a necessidade de crescer sempre, não ficar acomodado nem desatualizado, desenvolver novas habilidades e competências, melhorar a qualidade dos relacionamentos e o nível de desempenho. Em síntese, ser líder de si próprio. Mesmo quando está bom, pode ficar melhor ainda.

Esse impulso para o autodesenvolvimento pode ser estimulado desde a infância. Será muito útil para abrir caminhos nesse mundo em rápida mutação, em que enfrentamos desafios constantes, a exigir flexibilidade e criatividade. A pessoa (seja ela criança ou adulto) que acha todo mundo chato tem dificuldade de manter amizades e expressa insatisfação com tudo que lhe é oferecido. Está empacada na rigidez da cobrança de que os outros façam apenas o que ela quer.

Não dá para ser ''o chefe da brincadeira'' o tempo inteiro. Ter flexibilidade para aceitar as idéias dos outros, esperar a vez para propor as próprias idéias e respeitar as regras do jogo sem se sentir ofendido e desprestigiado quando os outros ganham são aspectos importantes do desenvolvimento da inteligência de relacionamento. ''Todo mundo é chato'' é uma queixa que revela a dificuldade de aceitar que nem sempre se pode impor suas próprias idéias e desejos; mostra também o desconforto de sentir que os outros se afastam por não se sentirem respeitados. Não é agradável conviver com gente autoritária.

''Todo mundo é chato'' revela também uma distorção da percepção, que enxerga com lentes de aumento os defeitos e as imperfeições e é míope para ver os aspectos favoráveis e as qualidades dos outros. Desenvolver a capacidade de perceber o que há de melhor nas pessoas, compreender e tolerar as limitações, construir o relacionamento a partir do que há de bom são aspectos essenciais da inteligência emocional.

Reclamar compulsivamente paralisa as iniciativas de mudança e reduz nosso poder de modificar situações insatisfatórias. Esperar que os outros se transformem ou que a vida seja mais generosa em ofertas de oportunidades em muitos casos significa a recusa de exercer o próprio poder de escolher outro rumo, abrir novos caminhos de vida, modificar-se para que os outros se modifiquem. É frustrante ficar esperando acontecer, acumulando amargura e ressentimento, em vez de fazer acontecer.

fonte: jb online

[Imagem: Tom Everhart, Lucy]

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  As Carícias e o Iluminado

José Ângelo Gaiarsa

cariciailuminado.jpg Chega de viver entre o medo e a Raiva! Se não aprendermos a viver de outro modo, poderemos acabar com a nossa espécie.
É preciso começar a trocar carícias, a proporcionar prazer, a fazer com o outro todas as coisas boas que a gente tem vontade de fazer e não faz, porque "não fica bem" mostrar bons sentimentos! No nosso mundo negociante e competitivo, mostrar amor é... um mau negócio. O outro vai aproveitar, explorar, cobrar... Chega de negociar com sentimentos e sensações. Negócio é de coisas e de dinheiro- e pronto! O pesquisador B. Skinner mostrou por A mais B que só são estáveis os condicionamentos recompensados; aqueles baseado na dor precisam ser reforçados sempre senão desaparecem. Vamos nos reforçar positivamente. É o jeito - o único jeito - de começarmos um novo tipo de convívio social, uma nova estrutura, um mundo melhor.
Freud ajudou a atrapalhar mostrando o quanto nós escondemos de ruim; mas é fácil ver que nós escondemos também tudo que é bom em nós, a ternura, o encantamento, o agrado em ver, em acariciar, em cooperar, a gentileza, a alegria, o romantismo, a poesia, sobretudo o brincar - com o outro. Tudo tem que ser sério, respeitável, comedido - fúnebre, chato, restritivo, contido...
Há mais pontos sensíveis em nosso corpo do que as estrelas num céu invernal.
"Desejo", do latim de-sid-erio, provém da raiz "sid", da língua zenda, significando ESTRELA, como se vê em sideral, relativo às estrelas.
Seguir o desejo é seguir a estrela - estar orientado, saber para onde vai, conhecer a direção...
"Gente é para brilhar", diz mestre Caetano.
Gente é, demonstravelmente, a maior maravilha, o maior playground e a mais complexa máquina neuromecânica do Universo conhecido. Diz o Psicanalista que todos nós sofremos de mania de grandeza, de onipotência.
A mim parece que sofremos de mania de pequenez.
Qual o homem que se assume em toda a sua grandeza natural? "Quem sou eu primo..."Em vez de admirar, nós invejamos - por não termos coragem de fazer o que a nossa estrela determina.
O Medo - eis o inimigo.
O medo, principalmente do outro, que observa atentamente tudo o que fazemos - sempre pronto a criticar, a condenar, a pôr restrições - porque fazemos diferente dele.
Só por isso. Nossa diferença diz para ele que sua mesmice não é necessária. Que ele também pode tentar se livre - seguindo sua estrela. Que sua prisão não tem paredes de pedra, nem correntes de ferro. Como a de Branca de Neve, sua prisão é de cristal - invisível. Só existe na sua cabeça. Mas sua cabeça contém - é preciso que se diga - todos os outros que, de dentro dele, o observam, criticam, comentam - às vezes até elogiam!
Por que vivemos fazendo isso uns com os outros - vigiando-nos e obrigando-nos - todos contra todos - a ficar bonzinhos dentro das regrinhas do bem-comportado - pequenos, pequenos. Sofremos de megalomania porque no palco social obrigamo-nos a ser, todos, anões. Ai de quem se sobressai, fazendo de repente o que lhe deu na cabeça. Fogueira para ele! Ou você pensa que a fogueira só existiu na Idade Média?
Nós nos obrigamos a ser - todos - pequenos, insignificantes, inaparentes, "normais"- normopatas diz melhor; oligopatas - apesar do grego- melhor ainda. Oligotímicos - sentimentos pequenos - é o ideal...
Quem é o iluminado?
No seu tempo, é sempre um louco delirante que faz tudo diferente de todos. Ele sofre, principalmente, de um alto senso de dignidade humana - o que o torna insuportável para todos os próximos, que são indignos.
Ele sofre, depois, de uma completa cegueira em relação à "realidade"(convencional), que ele não respeita nem um pouco. Ama desbragadamente - o sem vergonha. Comporta-se como se as pessoas merecessem confiança, como se todos fossem bons, como se toda criatura fosse amável, linda, admirável.
Assim ele vai deixando um rastro de luz por onde quer que passe.
Porque se encanta, porque se apaixona, porque abraça com calor e com amor, porque sorri e é feliz.
Como pode, esse louco?
Como pode estar - e viver! - sempre tão fora da realidade - que é sombria, ameaçadora; como ignorar que os outros - sempre os outros - são desconfiados, desonestos, mesquinhos, exploradores, prepotentes, fingidos, traiçoeiros, hipócritas...
Ah! Os outros...
(Fossem todos como eu, tão bem-comportados, tão educados, tão finos de sentimentos...) O que não se compreende é como há tanta maldade num mundo feito somente de gente que se considera tão boa. Deveras, não se compreende.
Menos ainda se compreende que de tantas famílias perfeitas - a família de cada um é sempre ótima - acabe acontecendo um mundo tão infernalmente péssimo.
Ah! Os outros... Se eles não fossem tão maus - como seria bom...
Proponho um tema para meditação profunda; é a lição mais fundamental de toda a Psicologia Dinâmica:
Só sabemos fazer o que foi feito conosco.
Só conseguimos tratar bem os demais se fomos bem tratados.
Só sabemos nos tratar bem se fomos bem tratados.
Se só fomos ignorados, só sabemos ignorar.
Se só fomos odiados, só sabemos odiar.
Se fomos maltratados, só sabemos maltratar.
Não há como fugir desta engrenagem de aço: ninguém é feliz sozinho.
Ou o mundo melhora para todos ou ele acaba.
Amar o próximo não é mais idealismo "místico"de alguns.
Ou aprendemos a nos acariciar ou liquidaremos com a nossa espécie.
Ou aprendemos a nos tratar bem - a nos acariciar - ou nos destruiremos.
Carícias - a própria palavra é bonita.
Carícias ... Olhar de encantamento descobrindo a divindade do outro - meu espelho!
Carícias... Envolvência ( quem não se envolve não se desenvolve...), ondulações, admiração, felicidade, alegria em nós - eu e os outros.
Energia poderosa na ação comum, na co-operação. Na co-munhão.
Só a União faz a força - sinto muito, mas as verdades banais de todos os tempos são verdadeiras - e seria bom se a gente tentasse FAZER o que essas verdades nos sugerem, em vez de críticos e céticos e pessimistas, encolhermos os ombros e deixarmos que a espécie continue, cega, caminhando em velocidade uniformemente acelerada para o Buraco Negro da aniquilação.
Nunca se pôde dizer, como hoje: ou nos salvamos - todos juntos - o nos danamos - todos juntos.

Fonte: AgenciaPar

[Imagem: Doug Hyde, Cold hands Warm Heart]

Posted by Lilia at 09:23 AM|Comments (0)