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  23.01.08- Homens são de Marte, mulheres são de Vênus

Fernanda Dannemann e Jael Coaracy

homensdevenus_seagulls_daytonabeach98.jpg A diferença que fortalece o amor

Se ao invés de perder tempo e energia com intermináveis discussões - nas quais um tenta convencer o outro de que a sua visão da vida é mais sensata - os casais percebessem que a divergência os aproxima e os mantém unidos, aconteceriam menos desencontros e frustrações amorosas.

Basta um pouco de observação para se perceber que é na diferença que se esconde a chave da paixão: o mistério, a novidade, o aprendizado sobre coisas antes inimagináveis.

No começo, tudo é maravilha. Eles discordam, mas não brigam. Acham charmosa a divergência: domingo de sol ele acorda cedo e espera, pacientemente, que ela saia da cama às onze horas... Se um é fumante, o outro jura que gosta do cheiro de cigarro. Chegam até a desistir do futebol caso torçam para times adversários. Mas nada como um dia após o outro...

Passada a emoção da conquista, quando o cotidiano passa a fazer parte da relação, a maioria das pessoas parece se esquecer de dar à "diferença" o seu real valor: o que antes cativava agora incomoda, e o que era charme virou defeito.

Afinal de contas, acordar tarde significa perder metade do domingo, cheiro de cigarro é enjoativo e o futebol... ah, que saudades de ver o timão dando goleada no adversário!

Para que o amor não desça a ladeira justamente quando a intimidade vai começar, é preciso lembrar de uma coisa fundamental: o tempero do relacionamento amoroso é a diferença de pensamento e de atitude, que permite a cada parceiro aprender e ensinar muitas coisas.

Se tudo for igual, o tédio vai tomar conta e chegar aos lençóis. Se um parceiro tenta mudar o outro, a disputa transforma a cama num ringue, e os golpes da crítica e da indiferença se encarregam de matar o amor.

Fonte: Vai dar Certo
Foto: Lilia Lima

Posted by Lilia at 05:55 PM|Comments (0)
 
  04.08.05- Canos fumegantes

Maria Helena Matarazzo*

canosfumengantes-AlfredGockel-Endless-Love.jpg Parceiros descontrolados podem destruir uma relação se, por irrelevâncias, armarem brigas explosivas. Mas a raiva é um sentimento básico, e relacionamentos sadios possuem espaço para que o casal a expresse

A psicoterapeuta americana Bonnie Maslin, no livro " Até que a raiva nos separe?" (Editora Ática), observa que todos conhecemos casais raivosos: aqueles que vivem em uma espécie de estado irascível e, por questões que aos outros parecem irrelevantes, se atacam. A especialista divide os raivosos em dois tipos: os expansivos e os provocadores.

De acordo com ela, os expansivos são aqueles cuja relação é altamente inflamável. Discutem, brigam, batem os pés. A batalha eclode por tudo e por nada, e seu arsenal de insultos e acusações não tem fim. Pode até ocorrer que alguns expansivos controlem a raiva e só a soltem após se acomodarem no carro ou assim que as crianças estejam na cama, supostamente dormindo. Mas para os outros o sentimento é irrefreável: explodem no restaurante, em uma festa, na casa da sogra.

Públicas ou não, as brigas são sempre visíveis e audíveis. O que, para um casal comum, começaria com uma pequena discussão, mera descarga de tensão, entre os expansivos degringola em xingamentos e ameaças: "Talvez eu tenha mesmo um caso com ele!", "Você é que é louca!" - para não mencionar frases impublicáveis. As cenas terminam com saídas dramáticas, quebras de objetos, violentas batidas de porta e até agressões físicas.

Infelizmente, as brigas não levam a nada e apenas jogam lenha na fogueira, pois são os medos e as carências de cada um, normalmente inconscientes, que as provocam. Por não entenderem o que ocorre, nada é elaborado pelo casal; muito menos resolvido.

Quanto aos parceiros do tipo provocador, em geral só um deles é raivólatra - sem controle sobre a ira que o move. O outro resmunga e fica aborrecido. Um exemplo cotidiano: o provocador que se atrasa na hora combinada, enquanto o outro sente a pressão subir e, com o tempo, enlouquece.

Evidentemente, pode ocorrer que tanto o homem quanto a mulher tenham o pavio curto; nesse caso, um dos parceiros costuma ser ativo, enquanto o outro é passivo. O primeiro deixa a frustração jorrar livremente; o segundo, a reprime, fumegante. Isso não significa que a raiva, liberada de jeito miúdo e indireto, inexista. Entretanto, o efeito final é o mesmo: um sentimento crescente de inutilidade e desesperança. Esgotados um pelo outro, os provocadores fermentam a raiva e fervem, até que um explode e o outro implode.

Todo casamento raivoso precisa de ajuda, mas não da intervenção de pessoas amigas, procuradas para dar consolo, e que terminam fazendo acusações ou oferecendo conselhos, e, com freqüência, tomando partido.

Para superar o impasse, o essencial é empenhar-se na difícil tarefa do autoconhecimento. Porque quanto mais nos conhecemos - e é preciso tomar coragem para de fato sabermos quem somos, quais as circunstâncias que nos formaram -, maior a descoberta dos nossos sentimentos profundos, nossos medos, nossas carências.

É só com o autoconhecimento persistente, assumido, corajoso, que aprendemos a administrar a raiva, se somos expansivos. E, se provocadores, aprendemos a reparti-la. Em ambos os casos, a devolver-lhe a sua função original: uma forma de comunicação, por meio da qual o casal expressa suas necessidades para obter o que precisa um do outro.

Todos somos capazes de percorrer essa trilha em busca de nós mesmos. Se for necessário, devemos procurar ajuda na terapia. Vale a pena, no final da busca, encontrar uma pessoa compreensiva e generosa. Vale a pena encontrar caminhos construtivos para nos expressar. Vale a pena concluir que amamos a pessoa com quem tanto brigamos.

* Maria Helena Matarazzo é sexóloga e autora de, entre outros, "Coragem para Amar", da Editora Record.

Fonte: Mais de 50

[Imagem: Alfred Gockel, "Endless Love"]

Posted by Lilia at 09:24 AM|Comments (0)
 
  28.07.05- Abundância de amor

Roberto Shinyashiki*

abundanciaamorGustavklim-tFulfillment.jpg Psiquiatra defende fim da economia de carícias e mesquinhez afetiva e diz que homens e mulheres guardam seus carinhos como um avarento guarda dinheiro.

Carícia é a unidade de reconhecimento humano. Começa no nascimento, com o toque físico. Depois passa para palavras, olhares, gestos e aceitação. Na "História de Carícias", existem conceitos de distribuição de carícias que levam a gente a acreditar que as carícias são poucas, tão poucas que precisamos guardá-las. O resultado é mesquinhez de afeto. Em contrapartida, todos nós queremos ser reconhecidos. Todos nós necessitamos de carícias.

Homens e mulheres guardam seus carinhos como um avarento guarda dinheiro. Ou sexualizam tudo (e vivem se culpando por isso, achando que estão pecando), fogem do contato real com as pessoas e acabam vivendo na miséria afetiva, ou sexualizam a vida de forma consumista, em que o orgasmo, a quantidade de parceiros, o desempenho "atlético" passam a ser mais importantes que a entrega.

Então nasce "o amor de troca". Se as carícias são em número limitado e podem acabar.

"Então, sempre que lhe dou algo, tenho que receber algo em troca (porque senão eu fico sem nenhuma carícia)".
"Você tem que cuidar de mim hoje... porque na semana passada eu cuidei de você".
"Cuidei de você quando pequena, agora você tem que cuidar de mim".
"Eu vou para a cama com você... se você casar comigo".

Como se o amor fosse uma moeda, o prazer da entrega é substituído pelo medo de ficar sem algo, de ficar vazio. Porque, com o pressuposto de que o amor acaba, é preciso escolher muito bem a pessoa, a situação, para dar carícias. Isso é miséria afetiva, em que as pessoas passam fome de amor, apesar da abundância de amor que existe na humanidade.

É como na miséria humana, na qual pessoas passam fome, apesar de produtivas, porque os recursos gerados são usados para aumentar o controle de umas sobre as outras.

A miséria afetiva é tão ou mais grave do que a miséria material, pois tira do ser humano a sua condição de homem participante de sua espécie, porque conduz o homem à mesquinhez, à solidão.

As pessoas, em razão da mesquinhez afetiva, começam a desconsiderar suas necessidades. Como diz o psiquiatra inglês Ronald Laing: "Com um trabalho enorme, um desejo é negado, substituído por um receio, que gera um pesadelo, que é negado, e sobre o qual é, então, colocada uma fachada".

Porque para alguém ser ele próprio é necessária uma dinâmica que respeite sua individualidade. Mas as pessoas condicionam-se a seguir padrões predeterminados em que o novo incomoda, amedronta, revela os sistemas que a família e toda a sociedade desenvolveram para anular a sua criatividade.

E o novo, o individual, é sacrificado, em benefício do coletivo. Se for muito revolucionário, cria-se a ameaça de punição ("Portanto, o melhor que você faz, é assumir a direção da nossa fábrica, porque com esta crise...").

E passa-se a viver dentro de um sistema de medo. Medo de ser abandonado, rejeitado ou criticado.

E é dada uma importância absurda ao perigo de não ser amado por todos.
Sempre vão existir pessoas que gostam de nós do jeito que somos (e isso é sensacional); outras podem não gostar, pelas mais variadas razões â€?e isso é um direito também. É importante entender que todo mundo tem o direito de amar quem quiser. Mas, independentemente da reação das pessoas, você tem o direito de seguir o seu caminho e buscar a sua forma de ser feliz...

*Roberto Shinyashiki é conferencista e escritor autor de 10 livros, entre eles "A Carícia Essencial".

[Imagem: Gustav Klimt, "Fulfillment"]

Posted by Lilia at 06:07 PM|Comments (0)
 
  20.07.05- AMOR SÓ DE LETRAS

Mário Prata
amorletras.gif Conta a história que dom Pedro II casou-se sem conhecer a sua noiva.

Tinha visto um quadro com a cara da princesa. Casamento de interesses políticos lá dos portugueses, fazer o que? E quando a moça chegou no porto do Rio de Janeiro - consta que ele fez uma cara emocionada. Pela feiúra da imperial donzela. Mas casou, era o destino, era a desdita.

Tenho um avô que foi pedir mão da moça e o pai dela disse: - Essa tá muito novinha. Leva aquela.

E ele levou aquela que viria a ser a minha avó. Ah, a outra morreu solteirona.

Quando aconteceu o grande boom da imigração japonesa, alguns anos depois, familiares que lá ficaram mandavam noivas para os que cá aportaram.

Tudo no escuro. E de olhinhos fechados, ainda por cima.

De uns tempo para cá, o conceito da escolha foi mudando. Até ir para a cama antes, valia. Ficava-se antes.

Só que agora, finzinho do finzinho do século, surgiu um outro tipo de casamento. O casamento de letras. Letras de textos. O texto - finalmente, digo eu, escritor - virou casamenteiro. Apaixona-se, hoje em dia, pelo texto. Via internet. Via cabo, literalmente.

Conheço quatro casos bem próximos. Gente que desmanchou o casamento de carne e osso por uma aventura no mundo das letras.

Claro que estou me referindo aos encontros via Internet. Começa no chat, com o texto. Gostou do texto, leva para o reservado. E lá, rola. Eu mesmo já me envolvi perdidamente por dois textos belíssimos. Moças de vírgulas acentuadas, exclamações sensuais e risos de entortar qualquer coração letrado ou iletrado.

Sim, pela primeira vez nesta nossa humanidade já tão velhinha, as pessoas estão se conhecendo primeiramente pela palavra escrita. E lida, é claro.

Já disse, isso envaidece qualquer escritor. Agora, o texto pode levar ao amor. Uma espécie de amor-de-texto, amor-de-perdição.

A relação, o namoro, começa ali no monitor. Você pode passar algumas horas, dias e até semanas sem saber nada da outra pessoa. Só conhece o texto dela.

E é com o texto que vai se fazendo o charme. Você ainda não sabe se a pessoa é bonita ou feia, gorda ou magra, jovem ou velha. E, se não for esperto, nem se é homem ou mulher. Mas vai crescendo uma coisa dentro de você. Algo parecidíssimo com amor. Pelo texto.

Pouco a pouco, você vai conhecendo os detalhes da pessoa. Idade, uma foto, a profissão, a cor. Inclusive onde mora. Sim, porque às vezes você está levando o maior lero com o texto amado e descobre que ele vem lá da
Venezuela. Ou do Arroio Chuí.

Mas se o texto for bom mesmo, se ele te encanta de fato e impresso, você vai em frente. Mesmo olhando para aquela fotografia - que deve ser a melhor que ela tinha para te escanear (ou seria sacanear, me perdoando o trocadilho fácil) você vai em frente. "Uma pessoa com um texto desses..."

A tudo isso o bom texto supera.

Quando eu ouvia um pai ou mãe dizendo "meu filho fica horas na Internet", todo preocupado, eu também ficava. Até que, por força do meu atual trabalho, comecei a navegar pela dita suja.

E descobri, muito feliz da vida, que nunca uma geração de jovens brasileiros leu e escreveu tanto na vida. Se ele fica seis horas por dia ali, ou ele está lendo ou escrevendo. E mais conhecendo pessoas. E amando essas pessoas.

Jamais, em tempo algum, o brasileiro escreveu tanto. E se comunicou tanto. E leu tanto. E amou tanto.

No caso do amor ali nascido, a feitura, o peso, a cor, a idade ou a nacionalidade não importam. O que é mais importante é o texto. O texto é a causa do amor.

Quando comecei a escrever um livro pela internet, muitos colegas jornalistas me entrevistavam (sempre a mim e ao João Ubaldo) perguntando qual era o futuro da literatura pela Internet.

Há quatro meses atrás eu não sabia responder a essa pergunta. Hoje eu sei e tenho certeza do que penso: - Essa geração vai dar muitos e muitos escritores para o Brasil. E muita gente vai se apaixonar pelo texto e no texto.

Existe coisa melhor para um escritor do que concluir uma crônica com isso?

Como diria Shakespeare, palavras, palavras, palavras.
Como diria Pelé, love, love, love.

Posted by Lilia at 09:11 AM|Comments (0)
 
  Ame Mais!

Claudia Martinez

amemais-AlfredGockel-Lovedance.jpg Amar mais é um bom conselho e tenho procurado seguí-lo na minha vida, mas o que significa exatamente amar mais? O conceito do amor tem sido tão distorcido através dos tempos que podemos ficar confusos, principalmente no mundo atual que estamos vivendo.

Amar mais não tem nada a ver com o nosso comportamento. Muita gente pensa que amar mais é falar com voz suave, é ser gentil, é ser simpático, é ser agradável, mas o mundo já está cheio de pessoas agradáveis. O pior é que muitas dessas pessoas agradáveis também são capazes de fazer e falar coisas muito desagradáveis e podem carregar muitas neuroses escondidas lá por dentro. O que adianta ter uma voz suave e um comportamento gentil, se lá por dentro estivermos cheios de raivas e de frustrações?

O que adianta tratar bem a uma pessoa se lá por dentro estivermos cheios de preconceitos? O que adianta ser gentil se, por trás, falarmos mal das próprias pessoas a quem tratamos bem?

Para amar mais de verdade, precisamos começar a nos observar, precisamos começar a nos conhecer melhor. Precisamos começar a notar que, de fato, temos um “eu” superficial e um “eu” profundo. O “eu” superficial é o ego e “eu” profundo é a nossa essência verdadeira. Precisamos lembrar que o ego sempre fala primeiro e mais alto. Vocês já repararam como a gente tem necessidade de responder ao que outra pessoa está falando, antes mesmo que ela termine de falar? Essa é uma das versões do ego, ou querendo se exibir, ou querendo atacar, ou se defender. A nossa primeira reação sempre vem do go e o pior é que ficamos tão acostumados com isso que a nossa verdadeira essência vai ficando cada vez mais abafada. Mas o ego também se manifesta primeiro nas pessoas muito quietas, aquelas que nunca dizem nada porque se sentem intimidadas ou inseguras. Essa é uma outra versão do ego. A sobrevivência do ego está sempre baseada no medo. Eu sei disso porque passei de tímida a segura de mim mesma, ou seja, passei de um extremo a outro sem deixar de atuar no nível do ego, sempre me preocupando com o que as pessoas pensavam de mim, antes de começar a me conhecer melhor.

Para amar de verdade, primeiro precisamos encontrar a nossa verdadeira essência e deixar que ela floresça dentro de nós. Precisamos aprender a ouvir com o coração, a ver com o coração, a sentir com o coração e não só com a cabeça. Só assim vamos conseguir realmente escutar o que os outros tem a dizer, só assim vamos conseguir entender o nosso próprio sofrimento e o sofrimento dos outros. Só assim vamos poder sentir compaixão pelo próximo e poder apreciar o verdadeiro sentido do perdão e o alívio que ele pode nos trazer. Quando percebemos que estavamos aprisionados pelo ego, começamos a perceber que os outros também estão. Percebemos que eles não sabem o que estão fazendo, do mesmo jeito que a gente não sabia e, só assim vamos conseguir perdoar pessoas que antes pareciam impossíveis de ser perdoadas. É o mesmo que descobrir um mundo completamente novo dentro de nós mesmos, é uma revelação magnífica e esplendorosa. Quando a gente começa a perder o impulso de responder imediatamente, ou perder o medo de falar a nossa verdade, é um sinal de que o “eu” superficial está começando a dar espaço para o “eu” verdadeiro se manifestar.

Ouví um exemplo outro dia, de como lidar com crianças obesas. Essas crianças podem comer um pote de sorvete de uma vez só, então deve-se fazer duas perguntas a elas, com relação à vontade de tomar sorvete. Primeiro pergunta-se: “O que você quer?” A primeira resposta é que ela quer comer o pote inteiro de sorvete, mas aí pergunta-se de novo: “O que você realmente quer?’ A segunda resposta é que ela quer um pouco de sorvete.

Nós também precisamos aprender a seguir a nossa verdadeira vontade em relação a tudo, que também vem a ser a segunda. O ego sempre esteve livre, solto e acostumado a se manifestar primeiro, porque muitos de nós nem ao menos sabíamos que tinhamos uma verdadeira essência reprimida lá dentro. Em alguns casos, precisamos observar as palavras, ou gestos, que vem à tona
com muita rapidez, em outros casos, precisamos observar o medo de se expressar que vem à tona com muita rapidez e começar a deixar a verdade fluir de dentro de nós. O ego se manifesta de muitas formas e a gente só vai começar a perceber os seus truques quando passar a observar constantemente o que está acontecendo dentro de nós mesmos. Vamos começar a descobrir o motivo de nossos receios, de nossas preguiças, de nossos medos mais escondidos e essa revelação interior vai começar a produzir milagres em nossas reações. Vamos começar a ser mais esponetaneos, mais leves, mais alegres, ou seja, tudo que Deus quer que sejamos.

Deus não quer que façamos sacrifícios. Nós só fazemos sacrifícios quando fingimos que estamos amando, quando estamos agindo racionalmente, usando de artimanhas e manipulações para conseguir o que queremos. O ego tem essa mania de pensar que o amor é válido e útil, porque assim vamos conseguir o que queremos. Temos sido ensinados a controlar o nosso temperamento e as nossas reações porque temos que ser civilizados e eu não estou dizendo que isso está errado. O que estou dizendo é que aprendemos todas essas coisas no nível do ego, mas como o ego quer sempre levar vantagem, a nossa vida acaba virando um sacrifício, porque temos que acabar fazendo e falando coisas que realmente não concordamos. O relacionamento entre as pessoas acaba virando um desastre, não é verdade?

O sacrifício acaba quando o eu verdadeiro começa a vir à tona, porque começamos a renunciar a coisas que não vão nos fazer nenhuma falta, como a raiva, o medo, as frustrações, etc. Ao passo que o ego concorda em renunciar de algumas coisas por puro interesse, mas chega uma hora que a farsa vem à tona e a gente acaba se revelando. O ego quer sempre vencer, ao passo que o eeu verdadeiro quer sempre encontrar uma solução onde todos possam sair ganhando. Nós vivemos num mundo dominado pelo ego, por isso existem guerras, miséria e todos os males. Mas do mesmo jeito que os seres humanos são a causa dos problemas, também somos a solução.

A partir do momento que começamos a perceber que o bem e o mal estão dentro de nós mesmos, podemos começar a fazer escolhas diferentes. Outro exemplo interessante que escutei outro dia é que nos filmes o “mal” sempre aparece vestido de preto, em forma de monstro, ou coisa parecida. Nós ficamos com a impressão de que o mal é sempre feio ou evidente demais e nunca paramos para pensar que o mal pode estar em nós. Não, nós somos ótimas pessoas, trabalhadoras, religiosas, o problema está “nos outros”, eles é que estão errados. O ego quer nos fazer acreditar que somos separados uns dos outros, mas nós somos todos unidos e se somos unidos temos que reconhecer que o problema que existe nos outros também existe em nós. Pode ser em grau menor ou maior, mas está presente em todo mundo. Então, a cura tem que partir de cada indivíduo, mas a vantagem é que essa cura é “contagiosa”, no sentido de que vai se espalhando, até curar a humanidade inteira.

Só que nós somos tão teimosos que acabamos sendo levados na conversa do ego muitas vezes e acabamos cometendo o mesmo erro inúmeras vezes, até chegar a situações desesperadoras.

Mas não é verdade que em momentos dificílimos a gente parece encontrar uma força desconhecida que nos faz capazes de superar a situação? Essa força é a parte de Deus que está dentro de todos nós, que nos faz crescer e ser esplendorosos. Ela está sempre presente e não precisamos chegar a situações desesperadoras para encontrá-la, mas como a força do ego tem sido muito grande em nossas vidas, isso geralmente acaba acontecendo. Se estivermos conscientes de que demos de cara com a parte de Deus que está dentro de nós, vamos ficar agradecidos e passar a escolhê-la com mais frequência, mas, infelizmente, muitas vezes as pessoas saem de situações desesperadoras sem ter consciência do que aconteceu dentro delas. E, uma vez passado o sufoco, podem voltar ao mesmo padrão de comportamento anterior e acabar se colocando em situações desastrosas de novo. Por isso é importante nos conhecer melhor e ter consciência do que se passa dentro de nós. Só assim poderemos ser confiáveis, amadurecidos e felizes.

É nesse sentido que devemos amar mais. Amar mais significa ir deixando de ser parte do problema e começar a ser parte da solução. Amar mais é purificar a nossa forma de pensar e ajudar a purificar a forma de pensar daqueles que nos rodeiam.

Os problemas do mundo são apenas sintomas e precisamos tratar a causa deles. Isso significa que temos que tratar de nós mesmos.

Para mim o amor é sinônimo de paz e de liberdade interior. Acho que a gente só consegue amar de verdade quando consegue perdoar (inclusive a si mesmo), quando consegue fazer novas escolhas, quando consegue deixar de querer controlar os outros.

Amar é conseguir encontrar uma solução onde todos os envolvidos possam sair ganhando, porque isso traz a percepção correta de que somos unidos e não separados uns dos outros.

Amar é desistir constantemente das nossas idéias pre-estabelecidas de como as coisas deveriam ser.

Amar é ser feliz, ao invés de ter necessidade de estar sempre com a razão.

Amar é proporcionar um espaço seguro para os seres amados, ao invés de querer controlá-los.

O amor verdadeiro vem de dentro, do coração. Devemos orar para ser curados da necessidade que temos de impor a nossa vontade sobre os outros.

Fonte: Centro para Cura das Atitudes

[Imagem: Alfred Gockel, "Love Dance"]

Posted by Lilia at 08:30 AM|Comments (0)
 
  15.07.05- O AMOR NO TERCEIRO MILÊNIO

Flávio Gikovate

amores-dali-salvador-medative-rose.jpg Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início desde milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.

O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.

A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossas felicidades, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características para se amalgamar ao projeto masculino. A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.

A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso - o que é muito diferente.

Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa alguma. É apenas um companheiro de viagem.

O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando para se adaptar ao mundo que fabricou. Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria, ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.

A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.

Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro. Ao perceber isso, ele se toma menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.

O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado. Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo...

"A pior solidão é aquela que se sente quando acompanhado"

[Imagem: Salvador Dali, Meditative Rose]


Posted by Lilia at 02:32 PM|Comments (0)
 
  Como estragar um grande amor

Marina Gold

estragaramor-marc-chagal-lovers-and-flowers.jpg "Como você quiser, benzinho!" A partir da repetição de frases como essa, começam a se desmanchar grandes amores que, no início, teriam deixado os envolvidos em absoluto estado de encanto, quando o coração bateu forte, as pernas tremeram, a garganta secou e a felicidade pareceu ter se instalado para sempre.

A vinda de um amor é como um reencontro e produz a sensação de se reconhecer algo muito distante e, ao mesmo tempo, muito íntimo. As dificuldades diárias, a convivência irrestrita, a proximidade inevitável, muitas vezes transformam a relação, ou a colocam no nível da vida cotidiana, onde o tempo para sonhar é pequeno. A insegurança de perder o ser amado levam pessoas, às vezes até bastante equilibradas, a aceitarem, sem grandes restrições, tudo o que o companheiro deseja. É o início da manipulação, que ocorre a partir da aceitação de todas as vontades do parceiro. Se essa forma de agir serve para manter a relação, ao mesmo tempo permite que o abuso se instale.

O ser humano é daninho por essência e, em geral, gosta de se aproveitar de situações de domínio e poder. Ninguém sabe bem onde, nem quando, o abuso se instala, embora seja possível afirmar que ele atrapalha a relação tanto quanto a submissão. Ceder sempre acaba por acumular ressentimentos e mágoas. Ser atendido sempre, acaba por minar os interesses e esvaziar a capacidade de luta. Eu mesma, muitas vezes, ouvi confissões chorosas em que a consulente, mostrando-se muito surpresa, argumentava entre lágrimas: "Mas eu fiz tudo o que ele queria, sempre concordei com ele, sempre o ajudei. Adivinhava seus mais profundos pensamentos... Apesar disso tudo, o ingrato me abandonou".

Não foi apesar disso tudo. Antes, foi por causa disso tudo que ele se desinteressou. Uma pessoa que aceita tudo sem nada reivindicar, perde suas referências e se anula, não apresentando condições de amar e ser amada em segurança. O "sim, benzinho" de hoje, poderá ser a solidão de amanhã. O amor só sobrevive se houver diálogo e coragem.

Fonte: esotérico
Marina Gold participa de um consultório on-line no site Ultra Portal

[Imagen: Marc Chagall, lovers and flowers]

Posted by Lilia at 02:22 PM|Comments (0)
 
  A união pode renascer das cinzas graças ao desejo dos amantes

Paulo Sternick

amoreshopper.summer-evening.jpg O amor tem um ciclo que lembra o bonito mito da fênix, o pássaro que se incendeia ao intuir seu próprio fim, e renasce das cinzas em um leito de ervas aromáticas.

Desejo e recesso, envolvimento e indiferença, certezas e dúvidas alternam-se nas relações amorosas. No limite talvez levem à proximidade do rompimento ? e é nesse momento que podem renovar-se.

Os mitos atraem a imaginação porque são narrativas plenas de significações sobre nossas vidas. A fênix seduz a fantasia humana desde tempos imemoriais, simbolizando, entre outras coisas, o desejo saciado que sempre retorna; o desejo que pulsa e não considera obstáculos ? nem sequer as condições físicas.

Por exemplo, pessoas muito idosas podem continuar desejando, como se ainda fossem jovens. Somos uns sem-idade, diria o escritor checo Milan Kundera (74), referindo-se ao tempo nada cronológico de nossas almas. Sentimo-nos mais moços ou mais velhos do que permitiria nosso tempo de vida. E continuamos desejando amores, mesmo quando a convivência com eles já terminou, ou revelou sua impossibilidade, e até mesmo seu fracasso. Assim é o desejo humano: indestrutível.

A Sigmund Freud (1856-1939), o austríaco fundador da Psicanálise, não passou despercebido que a fênix, ao renascer das cinzas, podia simbolizar o órgão sexual masculino. Saciado, ele é capaz de ?rejuvenescer? pouco depois, com toda volúpia.

Aqui, uma questão: por que não a sexualidade das mulheres, também? Do casal? Na poesia amorosa ao longo dos séculos, a fênix geralmente emerge da energia entre os dois amantes.

O dramaturgo e poeta inglês William Shakespeare (1564-1616) escreveu o poema A Fênix e a Tartaruga, lembrando o casal em sua unidade, o ímã que os une. Os versos eternizam a beleza da união dos dois parceiros em seus ciclos de morte e de ressurreição. Celebra o amor que se acalma e renasce.

O outro lado da fábula é a fantasia de que amores impossíveis ou fracassados podem ressurgir como por magia. Aqui, a fênix que tanto nos fascina é a ilusão de um eterno retorno: podemos ser imortais e nossos amores não acabam. Nada disso, no entanto, é real.

Em situações complexas, casais talvez sintam que chegaram ao fundo do poço. Não vêem saída. No entanto, quase em cinzas, ocorre de súbito experimentarem um renascer estimulante do amor. A crise não significou o final e, sim, o início de um novo ciclo, eventualmente movido pelo medo de se perderem. O amor, a um só tempo o anterior e outro, o novo, reviveu. Não houve mágica a mudar o cenário ou a eliminar as tensões do passado. O desejo de ficarem juntos trouxe de volta a atração e o estímulo para salvar o relacionamento: energia e persistência para enfrentar os obstáculos, lidar com o desânimo e o feijão-com-arroz do dia-a-dia.

Até pessoas separadas há muito tempo, mas que evoluíram e cresceram, podem ter uma segunda chance, se atraídas por desejos recíprocos, renascidos. Só se a balança continuar negativa, o mito da fênix não será símbolo de vida, mas de um círculo vicioso de repetição destrutiva, enredando o casal em impasse e desamor.

O forte desejo que ressurgiu foi nostalgia, inspirado na crença de que existe mágica ? impulso dissociado da realidade. O casal que se renova quando sai da crise experimenta a tensão entre o velho e o novo, consciente de que não deve repetir as armadilhas do passado.

Ao mesmo tempo, os parceiros conservam os traços essenciais que os uniram, tanto quanto alguns de seus dilemas. E só serão verdadeiros se conviverem com suas dúvidas, desamores, ódios e indiferenças, que se alternam com desejos, encantamentos recíprocos e certezas de amor eterno. Se tiverem competência de manter os afetos positivos pesando mais do que os negativos, é grande a possibilidade de a fênix renascer das próprias cinzas em um leito de ervas aromáticas.

* Paulo Sternick (54) é psicanalista no Rio de Janeiro e em Teresópolis (RJ), membro da Sociedade Internacional da História da Psiquiatria e da Psicanálise, com sede em Paris (França), e editor da revista Gradiva.

[Imagem: Edward Hopper, Summer Evening]

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  As Carícias e o Iluminado

José Ângelo Gaiarsa

cariciailuminado.jpg Chega de viver entre o medo e a Raiva! Se não aprendermos a viver de outro modo, poderemos acabar com a nossa espécie.
É preciso começar a trocar carícias, a proporcionar prazer, a fazer com o outro todas as coisas boas que a gente tem vontade de fazer e não faz, porque "não fica bem" mostrar bons sentimentos! No nosso mundo negociante e competitivo, mostrar amor é... um mau negócio. O outro vai aproveitar, explorar, cobrar... Chega de negociar com sentimentos e sensações. Negócio é de coisas e de dinheiro- e pronto! O pesquisador B. Skinner mostrou por A mais B que só são estáveis os condicionamentos recompensados; aqueles baseado na dor precisam ser reforçados sempre senão desaparecem. Vamos nos reforçar positivamente. É o jeito - o único jeito - de começarmos um novo tipo de convívio social, uma nova estrutura, um mundo melhor.
Freud ajudou a atrapalhar mostrando o quanto nós escondemos de ruim; mas é fácil ver que nós escondemos também tudo que é bom em nós, a ternura, o encantamento, o agrado em ver, em acariciar, em cooperar, a gentileza, a alegria, o romantismo, a poesia, sobretudo o brincar - com o outro. Tudo tem que ser sério, respeitável, comedido - fúnebre, chato, restritivo, contido...
Há mais pontos sensíveis em nosso corpo do que as estrelas num céu invernal.
"Desejo", do latim de-sid-erio, provém da raiz "sid", da língua zenda, significando ESTRELA, como se vê em sideral, relativo às estrelas.
Seguir o desejo é seguir a estrela - estar orientado, saber para onde vai, conhecer a direção...
"Gente é para brilhar", diz mestre Caetano.
Gente é, demonstravelmente, a maior maravilha, o maior playground e a mais complexa máquina neuromecânica do Universo conhecido. Diz o Psicanalista que todos nós sofremos de mania de grandeza, de onipotência.
A mim parece que sofremos de mania de pequenez.
Qual o homem que se assume em toda a sua grandeza natural? "Quem sou eu primo..."Em vez de admirar, nós invejamos - por não termos coragem de fazer o que a nossa estrela determina.
O Medo - eis o inimigo.
O medo, principalmente do outro, que observa atentamente tudo o que fazemos - sempre pronto a criticar, a condenar, a pôr restrições - porque fazemos diferente dele.
Só por isso. Nossa diferença diz para ele que sua mesmice não é necessária. Que ele também pode tentar se livre - seguindo sua estrela. Que sua prisão não tem paredes de pedra, nem correntes de ferro. Como a de Branca de Neve, sua prisão é de cristal - invisível. Só existe na sua cabeça. Mas sua cabeça contém - é preciso que se diga - todos os outros que, de dentro dele, o observam, criticam, comentam - às vezes até elogiam!
Por que vivemos fazendo isso uns com os outros - vigiando-nos e obrigando-nos - todos contra todos - a ficar bonzinhos dentro das regrinhas do bem-comportado - pequenos, pequenos. Sofremos de megalomania porque no palco social obrigamo-nos a ser, todos, anões. Ai de quem se sobressai, fazendo de repente o que lhe deu na cabeça. Fogueira para ele! Ou você pensa que a fogueira só existiu na Idade Média?
Nós nos obrigamos a ser - todos - pequenos, insignificantes, inaparentes, "normais"- normopatas diz melhor; oligopatas - apesar do grego- melhor ainda. Oligotímicos - sentimentos pequenos - é o ideal...
Quem é o iluminado?
No seu tempo, é sempre um louco delirante que faz tudo diferente de todos. Ele sofre, principalmente, de um alto senso de dignidade humana - o que o torna insuportável para todos os próximos, que são indignos.
Ele sofre, depois, de uma completa cegueira em relação à "realidade"(convencional), que ele não respeita nem um pouco. Ama desbragadamente - o sem vergonha. Comporta-se como se as pessoas merecessem confiança, como se todos fossem bons, como se toda criatura fosse amável, linda, admirável.
Assim ele vai deixando um rastro de luz por onde quer que passe.
Porque se encanta, porque se apaixona, porque abraça com calor e com amor, porque sorri e é feliz.
Como pode, esse louco?
Como pode estar - e viver! - sempre tão fora da realidade - que é sombria, ameaçadora; como ignorar que os outros - sempre os outros - são desconfiados, desonestos, mesquinhos, exploradores, prepotentes, fingidos, traiçoeiros, hipócritas...
Ah! Os outros...
(Fossem todos como eu, tão bem-comportados, tão educados, tão finos de sentimentos...) O que não se compreende é como há tanta maldade num mundo feito somente de gente que se considera tão boa. Deveras, não se compreende.
Menos ainda se compreende que de tantas famílias perfeitas - a família de cada um é sempre ótima - acabe acontecendo um mundo tão infernalmente péssimo.
Ah! Os outros... Se eles não fossem tão maus - como seria bom...
Proponho um tema para meditação profunda; é a lição mais fundamental de toda a Psicologia Dinâmica:
Só sabemos fazer o que foi feito conosco.
Só conseguimos tratar bem os demais se fomos bem tratados.
Só sabemos nos tratar bem se fomos bem tratados.
Se só fomos ignorados, só sabemos ignorar.
Se só fomos odiados, só sabemos odiar.
Se fomos maltratados, só sabemos maltratar.
Não há como fugir desta engrenagem de aço: ninguém é feliz sozinho.
Ou o mundo melhora para todos ou ele acaba.
Amar o próximo não é mais idealismo "místico"de alguns.
Ou aprendemos a nos acariciar ou liquidaremos com a nossa espécie.
Ou aprendemos a nos tratar bem - a nos acariciar - ou nos destruiremos.
Carícias - a própria palavra é bonita.
Carícias ... Olhar de encantamento descobrindo a divindade do outro - meu espelho!
Carícias... Envolvência ( quem não se envolve não se desenvolve...), ondulações, admiração, felicidade, alegria em nós - eu e os outros.
Energia poderosa na ação comum, na co-operação. Na co-munhão.
Só a União faz a força - sinto muito, mas as verdades banais de todos os tempos são verdadeiras - e seria bom se a gente tentasse FAZER o que essas verdades nos sugerem, em vez de críticos e céticos e pessimistas, encolhermos os ombros e deixarmos que a espécie continue, cega, caminhando em velocidade uniformemente acelerada para o Buraco Negro da aniquilação.
Nunca se pôde dizer, como hoje: ou nos salvamos - todos juntos - o nos danamos - todos juntos.

Fonte: AgenciaPar

[Imagem: Doug Hyde, Cold hands Warm Heart]

Posted by Lilia at 09:23 AM|Comments (0)